quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A FRONTEIRA ENTRE FILOSOFIA E CIÊNCIA E OUTRAS COISAS


Muitos pensam sobre a relação e as fronteiras entre filosofia e as ciências e podemos pensar também sobre estas mesmas coisas a partir das próprias relações entre as ciências. Sabemos que muitas ciências tem em suas fronteiras e, em geral, estas fronteiras são móveis e não fixas como alguns podem supor, questões cujas respostas mobilizam tanto investigações empíricas, objetivas e determinadas, quanto questões cujas respostas envolvem uma elucidação conceitual, um incremento conceitual ou mesmo uma inovação completa na teoria e nos seus elementos descritivos ou formais. Nos últimos termos parece para alguns que se esgota o desafio aqui, mas eu creio que não. Ainda restam as questões que mobilizam ou nos desafiam a dar um salto especulativo ou a abordar a questão com uma reflexão ou abstração maior a que se estava habituado já ou mudar completamente o formato e a composição a partir da qual se elucida e se esclarece ou mesmo se problematiza uma questão da experiência ou conceitual. Veja bem, meu caro, aqui não temos muitas alternativas esclarecedoras mais e temos que encarar a nova abordagem de forma muito generosa para compreender seus termos e sua estrutura de abordagem. Tem ocorrido isso em toda a história da ciência e também da filosofia. Em algumas abordagens chama-se isto de um modelo e em outras de paradigma, mas o que importa mesmo é que estas coisas novas não surgem dissociadas de uma experiência subjetiva de seus autores e na maior parte dos casos surgem justamente das relações de contato, diálogo ou fronteira, até em alguns casos atingirem o núcleo das teorias que vão acabar por substituir ou manter-se em confronto por longo tempo. Para alguns cientistas e em algumas ciências seria  muito difícil admitir a concorrência em aberto entre teorias, já em certas ciências isto é prática comum, desejável e recomendável. De um lado para evitar o dogmatismo e a cristalização de um modelo de abordagem da realidade ou de alguma dimensão da realidade, de outro lado para manter a ciência em uma dinâmica especulativa, interrogativa e criativa. A perspectiva crítica, antes de fechar a questão do limite de razoabilidade deixa em aberto e aponta a fronteira a partir da qual se pode avançar. Então, como já disse em uma aula, a parte mais interessante da abordagem crítica é positiva e negativa ao mesmo tempo.   


E eu tenho pensado neste tema também sobre uma forma um pouco mais relaxada. Eu creio que a relação entre ciência e filosofia e filosofia e outras coisas sempre existiu e se realiza sim como um diálogo intenso, mas aparentemente invisível. Eu uso aquela expressão "rebatimento"! (do Brum Torres) para isto também e para mais relações. Na minha metáfora há um jogo entre filosofia e ciência, filosofia e política e filosofia e cultura. E é quase como um jogo de tênis - tênis de mesa para poupar a imaginação das pessoas e facilitar um pouco. São feitos saques de um para outro e muitas vezes ocorre uma inversão de posições e de jogadas. Não creio que só a filosofia dê um saque ou produza aces. nem que ela seja a primeira a abrir uma partida sempre. Quem joga este jogo sabe que não dá muito tempo para ficar pensando na última jogada, pois o jogo continuou e prossegue. Mas eu concordo com uma visão mais holista no sentido de quem nem as fronteiras são mais tão nítidas assim e que esta divisão do trabalho ou especialização muitas vezes é rompida pelo talento dos jogadores ou pela grandiosidade das questões que são colocadas ou descobertas. Então, o contato ocorre quando dá jogo entre ambas e tem ocorrido muitos jogos ultimamente. Penso até mesmo que quanto mais importante as questões em jogo maior a fecundidade para ambas.

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