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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Luis Brasil - O Pintor de São Leopoldo

Arte Rebelde ou Arte Ingênua?

- NAÏF –



Eu. A primeira pessoa faz sentido. A ARTE não exige a segunda pessoa. Não sou crítico de arte, não sou especialista e falo de obra amiga. Posso ser perdoado porque eu digo, eu penso e eu sinto. Nada é mais transcendental do que o inexplicável. A dispensa de explicações esgota a necessidade de justificação. A subjetividade aqui é o meu e o teu recurso definitivo, sem mais delongas.

Essa arte quer reflexão. A arte rebelde deve rejeitar os cânones da arte erudita, a arte ingênua deve desconhecê-los. Com Luis Brasil temos um problema. Não vale dizer que ele desconhece os cânones e se perguntarmos se ele os rejeita ele dirá: ¨esse é o discurso não a obra¨. O dilema de Luis Brasil: A prática supera a interpretação. Já falei disso antes. Quem acreditou? E porquê deveria? Afinal, que diferença faz se não tem valor? O poeta RONDA a noite com os seus papéis e mal paga o trago.

Nós acadêmicos ciosos dos conceitos. Alguns como eu com conceitos “perfeitos” e obras imperfeitas. Já tratei da sua singularidade e glória. A singularidade de cada peça em cada série – fertilidade, os meninos, os pássaros, etc. Glória sem reconhecimento material sem a valorização. Nisso é Brasil, muito naïf, o primitivo que sobrevive entre o moderno. Vejo a base do popular nessa obra, a base de uma expressão que é alicerce do direito à arte para qualquer um. Não é a GRANDE ARTE, mas também não é a arte miúda. Viver do que se faz é uma arte. Cadê o diploma?

Brasil é “pintor de paredes”, de cartolinas, de qualquer tinta – espontâneo. Parece a ausência de reflexão reivindicando o seu direito a produzir. Ora, essa reflexão já foi feita, fosse estática não produziria. É puro sentimento, paixão temática.

As suas mulheres, em cores básicas, com seus cabelos, seus seios... o que está faltando AQUI? No dia internacional da mulher: vê-las com direito a ser simplesmente diferentes de nós homens. Essa maioria que ainda precisa ser incluída na sociedade TAL COMO UMA MINORIA, ser especial. Os homens surdos e incompreensíveis. Nós não ouvimos, não enxergamos. Não ouvimos os ingênuos, os sonhadores e os rebeldes. Precisamos compreender melhor o mundo e nós mesmos. Luis Brasil esse dilema em arte, ensina mais que a academia e... há muito tempo...para sempre.

... NAÏF...


PS.: Escrevi este texto por impulso. Em homenagem ao Luis Brasil, meu amigo, pintor e amigo de muita gente. Atingiu a eternidade de alguma forma. Uma lição de como chegar na imortalidade e enfrentá-la sem dó nem piedade, nem de si nem dos outros. Quando lembro das paredes que ele pintou e que não existem mais, tenho vontade de chorar....