quarta-feira, 8 de outubro de 2014

AS MINHAS PEQUENAS COMPARAÇÕES DO ANTES E DEPOIS - 1999-2014

Ontem no nosso balanço, avaliação, debate e diálogo para o segundo turno lembramos muito do passado, que é aquilo que a gente não quer que volte mais mesmo e que é o que a gente sabe que pode voltar com medidas típicas do PSDB no Brasil e do PMDB no RS. 

Isso nos impõe sempre o desafio de fazer comparações, trazer à lembrança do passado e avaliar o presente, pensando e projetando no nosso futuro comum. As comparações são muito importantes, principalmente quando possuem mais que um pé na realidade, quando possuem os dois pés na realidade, porém às vezes não fazem nenhum sentido, porque a memória é curta, as lembranças são remotas e a visão individualista ou estreita que algumas pessoas tem de seus êxitos ou das melhorias de vida tende sempre a ser muito individual. De um lado, então, as pessoas esquecem, de outro lado acreditam piamente numa ideologia do Self Made Man. Eu quando faço esta comparação tenho muito nítida na memória a situação na educação e dos seus trabalhadores e dos alunos e alunas, mais precisamente no Ensino Médio Noturno onde ingressei como professor de contrato emergencial em 1999 e onde sigo até hoje na mesma escola, com um período lecionando também pela manhã entre 1999 e 2003. Iniciei a trabalhar no estado com contrato emergencial em 1998 no governo de Antonio Britto (PMDB). Para quem não sabe o vínculo de contrato emergencial é precário, ou seja, você pode trabalhar mas não há garantia de emprego e nem seus direitos são em absoluto Pois, começando por mim, este professor que vos fala, de lá para cá passei em dois concursos públicos e fui nomeado, exercendo cargo na mesma escola. O primeiro concurso e nomeação foi no governo Olívio em 2001 - senão seria contrato emergencial até hoje - já o segundo concurso e nomeação foi no Governo Tarso em 2012. De lá para cá também conquistei muitas outras coisas, além da estabilidade na minha carreira. Entre todos os direitos, melhorias e reajustes, é notória e pode ser destacada a vantagem dos governos do PT sobre os governos do PMDB (Rigotto) e do PSDB (Yeda). Isso não significa que não houveram greves, significa que houveram greves e paralisações e que as conquistas foram bem maiores sempre, com os governos do PT. Em nível nacional neste período de 1999 a 2014 eu assisti a uma transformação tão gigantesca na vida do povo brasileiro, de meus alunos e alunas, dos seus pais e seus familiares que é praticamente evidente para mim e facilmente descritível o quanto mudou a fotografia das famílias e da realidade brasileira. No caso de meus alunos eu vi com meus próprios olhos serem criadas oportunidades de continuidade nos estudos - ingresso à universidade, cursos técnicos, bolsas, etc - e o incremento da renda e do acesso ao primeiro emprego. E vou lembrar aqui só de um detalhe: foi no Governo Olívio Dutra que foi criado o Programa Primeiro Emprego que de certa forma é um piloto que depois foi extrapolado e incrementado em nível nacional para todos os jovens via Pronatec, co m acesso ao trabalho com qualificação profissional prévia. Também vi jovens cuja perspectiva de acesso a universidade era nula avançarem sobre vagas da universidades via PROUNI a partir de 2005. 

Mas a nota final mais importante para mim aqui é que eu nunca mais vi nenhum jovem abandonar os estudos por falta de dinheiro para se locomover ou se alimentar, por falta de emprego, renda e mesmo sapatos. De lá para cá, nossa luta tem sido manter o jovem estudando e competir no seu imaginário com alguma forma de valorização dos estudos, haja vista a abundância de ofertas de trabalho, o incremento da renda e a elevação extraordinária do poder aquisitivo de jovens entre 16 e 24 anos. A grande maioria dos jovens hoje completam 18 anos com carteira de motorista nas mãos e muitos adquirem carros para se locomover e para laser. E ontem na nossa reunião um amigo - José Aguiar - lembrou algo que talvez ajude a refrescar a memória de quem passou e a clarear a inteligência de muitos que não passaram por isto: em 2002 um salário mínimo permitia comprar 84 litros de gasolina, hoje um salário mínimo permite comprar 264 litros de gasolina. E esta mudança não se deu  nem por milagre, nem por acaso, e as cosias não vão continuar melhorando mesmo se optarmos pro devolver os governos federal e estadual àqueles que mantiveram este país durante muito tempo de costas para o seu povo, de costas para a miséria e a fome, de costas para o desemprego e o arrocho salarial. E eu como professor tenho a obrigação de apresentar esta comparação, porque não é só o meu trabalho e o meu salário que está em jogo no dia 26 de outubro, mas sim o de todos os brasileiros e brasileiras que como eu trabalham, não vivem de rendas e precisam de governos que olhem para o povo e não para os lucros dos grandes empresários, banqueiros e da elite nacional. 

Então faço comparações com os dois pés na realidade e toda vez que escuto que a Dilma vive num outro país ou que o Tarso não fez nada eu lembro das mudanças que eu assisti não na vida das madames ou dos empresários brasileiros, nem da elite, mas na vida dos meus alunos e alunas que precisam trabalhar e estudar e que precisam de governos que melhorem cada vez mais as perspectivas de progressos deles e que aumentem a s oportunidades de suas conquistas, rendas e condições de vida. E, portanto, é porque olho para os meus colegas professores e professoras que digo isso tudo, porque eles já viram as coisas bem feias, eles que querem mais e que sabem já que não se constrói nada derrubando de quatro em quatro anos as conquistas obtidas com muita luta e com muita discussão. Assim, não topo mesmo jogar tudo fora por causa do piso ou da greve dos professores, creio que nenhum outro candidato a governador tem mais obrigação do que o Tarso de nos dar o nosso piso, sem alterar nosso plano de carreira - como Sartori já insinua - porque também acho que a educação gaúcha não terá melhorias se perdermos este debate ou se fizermos ele somente a partir da tábula rasa que zera conquistas. E creio também que os Recursos do Pré-Sal só serão aplicados na educação se Dilma estiver lá no Governo Federal. 

Temo pela volta das privatizações e da transferências de mais recursos públicos para grandes empresas privadas que esta é bem a paga dos governos do PSDB e do PMDB que eu conheci nestes longos anos de escola pública. Mas não temo jamais as comparações porque conheço não somente os dados da realidade, mas também tenho na memória as emoções e as alegrias que tenho tido ao reencontrar meus ex-alunos e ex-alunas que hoje avançaram nos estudos, cresceram em suas profissões e progrediram em suas vidas pelas oportunidades criadas e apresentadas e eu não quero mesmo que as próximas gerações tenham seus futuros roubados, pela falta de informação, pela falta de comparações  e pela falta de debates de qualidade sobre isto.

Um abraço!!! #DILMAETARSO13       

ADENDO DE ANÁLISE: Para quem não sabe e meus alunos daqueles tempos vão lembrar aqui, e trata-se aqui de trazer elementos para facilitar a nossa precisão na comparação, lecionei durante um bom tempo a disciplina de geografia e gostava muito de fazer um exercício com os alunos e alunas sobre a Demografia que envolvia de um lado a minha Fórmula Demográfica ( N + C + R + E + P = D [+/-} ) e de outro lado o que eu chamava de Retrato da Realidade Brasileira a partir das alterações na imagem dos retratos de famílias, grupos sociais e panoramas das casas, ruas, bairros, cidades, estados, regiões e país. Os elementos da fórmula eram divididos em dois grupos: Elementos físicos (N= Natureza, em resumo aqui de Clima, Relevo, Hidrologia, Fauna, Flora, Recursos Minerais, Território, etc ) e Elementos Humanos (C= Cultura, que envolve formação étnica e diversidade de costumes, práticas, folclores e artes; R = Religião, que envolve quantas religiões e suas caraterísticas e os regimes de tolerância religiosa; Economia, que inclui todas as relações e condições econômicas que possam ser enumeradas e relacionadas para se chegar a uma nota ou fator; P= Política, que diz respeito as condições políticas, nível de organização, leis, partidos, instituições, sistemas de poder [ justiça, executivo, legislativo e mídias] e o nível de democratização e de racionalidade existente neles. Cada um dos itens da fórmula acima representava um complexo de noções e representações da nossa realidade. "D" representava o resultado final ou o que eu chamava RETRATO DA REALIDADE BRASILEIRA. todos os meus ex-alunos - sem exceção - vão lembrar que eu ligava os sinais do retrato como resultantes dos valores presentes nos indicadores do que eu chamava de condições determinantes da realidade social ou da qualidade de vida. Eu criei aquela fórmula acima para tentar abrir a compreensão dos alunos sobre a geografia comparada e também para apontar os elementos sobre os quais nossas ações, opções podem incidir e alterar nossas condições de vida. Usava em cada um dos itens daquela Fórmula Demográfica os mesmo valores do IDH - Índice de Desenvolvimento Humano que iam de 0,000 a 1,000 e poderia na época ter agregado até mesmo o Índice de Gini. O que importa é que nestas lições tentei apontar de certa forma os termos de comparação e de avaliação das condições de nossa sociedade e da qualidade de vida de nossas sociedades e dizia que isso deveria ser feito comparativamente a outras sociedades mas também á tempos diferentes da mesma sociedade. Quem domina um pouco isso por ofício sabe um dos maiores desafios nestas análises é se adequar e aproximar fatores qualitativos e quantitativos (chamo isso de desafio de tradução à um termo comum) e é interessante que este desafio envolve também parâmetros de avaliação comuns e objetivos. Envolve, então tanto a mensuração, quanto o juízo valorativo (péssimo, ruim, regular, bom, muito bom ou ótimo, por exemplo) sobre cada uma das condições ou elementos e sobre cada um dos seus componentes. Eu dizia para os alunos que quanto melhor os governos, quanto mais planejamento e mais precisos os seus projetos sobre estes indicadores todos ou elementos, maiores as transformações da nossa sociedade e maiores os resultados. E não é nada difícil entender isto quando se passa a refletir sobre estas coisas a partir de suas próprias condições de vida ou das condições de vida dos que estão à sua volta ou com quem você se relaciona no cotidiano seja por ofício, seja por força da circunstância.      

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