Os fiscais da democracia na
Venezuela engolem ditaduras, golpes, torturas, perseguições políticas, justiça
parcial e seletiva, fraude eleitoral, governos medíocres, privilégios para
corporações poderosas, benesses para grandes empresas, massacre de índios e
líderes populares e comunitários, mentiras, ofensas, ataques e desrespeito aos
professores e professoras, motoristas laranjas, atentados e facadas fakes,
queimadas na Amazônia, Dia do Fogo, nomeações de pilantras, estúpidos e
despreparados no governo federal e toda essa tragédia que vem acontecendo no
Brasil. Quando não engolem, ajudam a produzir, sustentar e promover. Quer
saber? Para quem tem um problema como o Brasil atual, falar da Venezuela é
chinelagem e canalhice!
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
domingo, 25 de agosto de 2019
SOBRE A FORMAÇÃO DO PT: PEQUENA NOTA
SOBRE A FORMAÇÃO DO PT: PEQUENA NOTA
É preciso analisar a formação do
PT e o tempo histórico que o engendrou sob alguns aspectos bem importantes na
história brasileira. Não se trata apenas de afirmar que a retórica está
ultrapassada. De fato, creio que a compreensão mesma desse período de
engendramento do PT e de seus compromissos, ainda não foi devidamente
atualizada.
O PT é produto direto do ciclo de
industrialização e urbanização do país iniciado nos anos 30, que levou a
ruptura do velho sindicalismo oficial em choque com o ciclo histórico
ditatorial, onde também ocorreu a formação do estado nacional brasileiro, com
criações de estatais e um ciclo de desenvolvimento nacional.
Além disso, é importante observar
que parte decisiva dessa formação histórica é combinada com a luta pela
redemocratização do país, o enfrentamento da inflação galopante, a conquista
das instituições sindicais, a formação dos movimentos sociais e que tudo isso
foi coroado pelo intenso processo de urbanização do país.
É preciso lembrar que nos anos 30
e 40, 80% da população se concentrava no campo e que ao final dos anos 80, mais
de 80% estava concentrada nas cidades. É bom lembrar também que a primeira
eleição direta após a ditadura militar o Brasil embarcou na onda neoliberal que
foi agravada mesmo após a queda de Collor, nos governos de FHC. Foi deste
período que o PT, após 22 anos de construção partidária conquistamos a
presidência da república com Lula, nós o reelegemos e depois elegemos Dilma e a
reelegemos.
Ou seja, vencemos quatro eleições
federais no bojo desse projeto de resistência ao neoliberalismo e de tentativa
de barrar os impactos do capitalismo e do mercado sobre a nação brasileira. Mas isso atingiu um limite cultural e de compreensão histórica.
TRAGÉDIAS CULTURAIS E DECADÊNCIAS MORAIS
TRAGÉDIAS CULTURAIS E DECADÊNCIAS
MORAIS
Das tragédias culturais do nosso
tempo. Algumas das mais graves, vem revestidas de uma retórica modernista e
inovadora, progressista e com mira no futuro. Estes caras que adoram estufar o peito e falar
em atualização, modernidade e inovação estão completamente ultrapassados e
descartados, só não se aperceberam ainda assim, são decadentes e ultrapassados,
não viram ainda isto claramente e as instituições deles também não. Tem uma
retórica e uma cultura do atraso enlaçado. É um atraso cultural, conceitual, político,
moral e espiritual daqueles. É assombroso ver isto num curto espaço de trinta
anos ocorrer tão nitidamente no nosso país e no mundo.
OS FUZIS (1964), DIREÇÃO DE RUY GUERRA.
OS FUZIS (1964), DIREÇÃO DE RUY
GUERRA.
O impressionante texto de
abertura, no tom exato e no tempo, na dicção árida e na impressão da seca
terrível do sertão nordestino
"Quando já não havia mais
folha nas árvores e nem frutos na ramada e do céu vinha em devir o castigo para
o pecado do sol, cercaram-me o gemido da morte, envolveram-me as dores do
inferno em minha angústia, invoquei ao senhor e do seu santo templo ele ouviu,
ele ouviu a minha voz, foi quando mandou um castigo terrível, para que os home
voltassem a lembrar seu nome.
A terra está numa seca que o
coração do home sem crença e ele disse:
aquele que tiver maior desespero e sofre mais
do que eu sofri no calvário, será o portador de minha vontade."
Recomendo.
SOBRE PASTORAL AMERICANA: O FILME – COM SPOILERS
Estou olhando um soco. Parece que nuca acaba, que a tragédia nunca termina. Veja Pastoral
Americana na Netflix.
Agora consigo falar. Fiquei muito
impactado pelo filme Pastoral Americana baseado na obra homônima de Phillip
Roth.
Até a metade da trama tudo corria bem, mas tive o tempo todo uma sensação
massacrante de que se reservava um desfecho terrível e, então, passei o tempo
todo com aquela sensação torturadora que aguardava o pior. Haviam diversas sensações
da impotência do personagem perante o seu destino. Me lembrou Stoner – Livro fantástico
de John Williams em que um homem faz um esforço tremendo para ter uma vida
digna e passa a vida navegando e desviando de certas armadilhas, maldades,
azares e ardis do destino ou de outros homens e mesmo de sua esposa. São homens
de dignidade extrema que fazem diversas escolhas de compromisso ao longo da
vida, não de preferência. Ocorre com eles uma espécie de resistência do caráter
que apesar de tudo que ocorre a sua volta, não dobram a espinha ou não se
curvam às fatalidades, e que apesar de sofrerem e serem infelizes com tudo isso,
preservam uma espécie de felicidade subjetiva.
O Sueco, personagem resistente e
principal da trama, tem um caráter que percorre toda a trama sem dobrar-se.
Então, chega um certo ponto em que o problema não é mais a fatalidade que lhe
ocorre, mas sim a atitude correta que ele julga ser a melhor para enfrentar
essa fatalidade.
Vi o filme até o fim em sofrimento
e reflexão. As vezes parece que as principais lições da vida vêm desse jeito mesmo.
Somos curtidos e desafiados pelos problemas, conflitos e pelas horas, dias,
meses e anos duros.
As impressões mais didáticas, por
assim dizer, são dadas pelo contexto da trama. Ocorre nela o famoso e já
tipificado choque de gerações dos anos sessenta, que já foi reencenado antes,
mas que continua sendo reencenado por conta do que passam as famílias em meio a
um mundo em ebulição e que historicamente parece ser mais desafiador a partir do
século XX.
A culpa do pai pela gagueira da
filha e a sua punição parecem indicar o efeito principal. E a punição do pai
por conta de não ter dado o beijo na boca da filha que em seu momento edípico
lhe pede suplicante. Parece que ela acreditava que esse beijo sagrado a
transformaria na mãe linda e maravilhosa de concurso e que suprimisse a sua
gagueira.
O Nathan Zuckerman – personagem guia
e alter ego de Phillip Roth, o Fantasma onipresente que teceu a trama trágica -
no começo e no fim do filme coloca o autor como uma testemunha da história trágica
e apresenta a sua voz como a de um narrador, um corifeu.
Ao final, a mãe não interpela a
filha que chega ao caixão do pai, porque ela sabe que também tem sua parcela de
culpa na infelicidade daquele homem. E assim fecha-se a trama com a impotência e
a consagração da culpa e a punição final.
O sueco era um homem íntegro e
isso se mostra em vários momentos. Aliás, eu gostei muito da firmeza dele e da sua
força verbal de reação ao que lhe diziam.
Por fim, isso só mostra mais uma
vez que por melhor que você seja, ninguém vai te poupar ou te dar moleza. Nem
mesmo aqueles que você ama tanto.
É um grande foda-se para todos os
fodidos. Típico do Roth.
Post Scriptum:
O filme tem um delay, um timing
torturador. É um filme em que você se sente uma cobaia, porque é arrastado e
torturador. Como é uma história trágica. Se arrasta e vai aprofundar o
sofrimento, vai nos mergulhar numa purgação ou catarse. Então, é por isso que é
tão sofrido ver, mas é também por isso que você continua vendo. Parece que você
quer se purgar de algo. Creio que todo pai deveria ver esse filme. Há uma expiação
nele. Por isso, os filmes de ação e violência são mais rápidos. Porque colocam
mais imagens e ação para ocupar a percepção e fixar nossa atenção, no depois
imediato. Nesse filme temos a chave inversa. Ele procura fazer você sofrer
junto, pensar junto, sentir junto e sentir a insegurança de um suspense. Você
tem a sensação de que sabe o que vai acontecer, e não suporta esperar, mas não
desiste. É uma encenação da perversão trágica. Exibe a nossa impotência. E ao
exibir ela nos faz sentir empatia pelo personagem. É uma empatia forçada e
indesejável. Você não quer sentir a tortura, mas você suporta estoicamente como
o personagem. É tão real e plausível que não tem graça alguma. Não parece
ficção. Roma, um outro filme com tom trágico, tem um conteúdo que parece ficção
e que é um pouco inverossímil e mágico. Mas, Pastoral não. É muito verossímil. É
um filme Excessivo na verossimilhança, Doloroso na sua possibilidade real. Não
tem nenhum tempero ou requinte. É uma sensibilidade toda mortificada que nos
tortura. O personagem do pai está sendo violentado desde a cena do beijo que a
filha pede "como da mãe". Temos um complexo de Édipo realizado na
negação. A filha mata o pai. Ele é cru e brutal. Temos um cheque mate ao pai.
Que vai se repetindo e se aprofundando. E o pai vai ficando sem saída. A
sensação de que a sorte dele acabou e que agora é só tragédia, nos apavora. Imagina
isso, para o arquétipo masculino é um nocaute. A gagueira da menina projeta a
culpa do pai. E o Nathan Zuckerman? Eu já imagino. Parece desenhado como a
certa altura da vida o destino para desenhado para todos os homens e mulheres.
Para mim, confesso que é algo que me dói. Me lembra meu pai nos seus últimos dias
e as expressões de humildade e modéstia que ouvi dele em diversas circunstâncias
da vida. Lembra muito, decadência necessária e programada da vida. É difícil
não ser pessimista nesse quadro desenhado para nós.
Outra questão é a do feminino
perverso que me lembra muito a Lilith – ou lua negra. A maldade no feminino é
muito inesperada. Porque sempre se imagina o mal a partir do masculino. Não se
acredita e nem se faz estatística desse tipo de fenômeno. O que sei é que no âmbito
da criminalística as serial killers são mais raras. Mas nessa obra esse fenômeno
parece mais intenso e mais trágico, tanto pelo aspecto da vingança quanto pelo
grande ardil. Porque havia beleza ou sua possibilidade de realização de uma
idealização. Os homens morrem mais cedo e se matam muito mais. Porém, a gente
nunca olha para a relação disso com o feminino. Mesmo o maternal fica escondido.
Por isso, é tão surpreendente quando aparece nitidamente esse tipo de
personagem no cinema e na literatura e também na vida real. Tu não acredita no
que está vendo. Estou falando do modo de recepção. Você torce a cabeça como um
cão que avista algo que não compreende e que procura ver de outra forma para conseguir
compreender. Você se pergunta: como assim? Essa sensação de estranhamento
provém também da pouca Representação desse tipo de personagem feminina. Da rara
Representação dessa mulher fatal. Eu reflito aqui um pouco com Cavell. Essa
personagem não é só uma ficção, mas uma representação do real. Quando o mal não
aparece como resultado de uma fraqueza ou acidente, mas como resultado do
exercício consciente de uma força ou intenção. De uma deliberação, você percebe
ele enquanto mal fundamental e radical. Esse mal está baseado em um caráter,
não numa circunstância acidental. De uma
escolha que distribui culpas e punições. Eu sempre fui capaz de perceber o
sadismo feminino por um detalhe estranho na minha vida. É meio que
inacreditável. O mal não vindo da grosseria ou da estupidez. Mas de um
refinamento ou de uma beleza. O mal que é gerado dentro da inocência. Me
defrontei com isso muitas vezes. Creio que a nossa tendência é negar isso
sistematicamente. Pensamos: não pode ser. Isso explica a atitude estoica e
persistente do pai de Pastoral Americana. Ele não desiste da filha. A esposa não quer
saber de mais nada, ela vende as vacas, desiste de ser a esposa do homem
heróico e se transforma ao ponto de ter um amante e fazer uma plástica. Mas o
pai não larga a mão, não engole o destino. Parece um homem contemplando a
existência e renitente com a injustiça que o destino joga sobre a sua cabeça.
Ele não se avista em nenhum momento como culpado, mas sofre profundamente com o
infortúnio. No final, você percebe que não adiantou nada. O desmoronamento
desconcertante do sonho americano na tragédia da vida familiar de um homem faz
jus ao título escolhido. Pastoral Americana é a encenação dramática de uma
tragédia típica na América, de uma tragédia típica também da figura masculina
em que tudo foi feito direitinho, para acabar tudo errado no final.
TIRANIA E TRAGÉDIA
Sim, a tirania parece ser
incompatível com a excelência. É exatamente por isso que ela leva para a
tragédia individual, familiar, coletiva e social. Precisa ser produto de uma
excrescência vulgar e banal que acaba sendo bem sucedida durante um certo
tempo, exaltando vaidades e veleidades, até que as consequências trágicas e
deletérias começam a se suceder. Como disse na semana passada o filósofo
brasileiro Rogério Lopes parece haver "uma ânsia pela tirania".
Poderia ser aquilo que Nietzsche chamava de espírito dionisíaco, porém,
considerando a mediocridade vigente, deve ser algo mais banal e trivial do que
um efeito de grandeza e de desmedida, mas sim a pura vaidade individual combinada
com ambição pessoal e oportunismo político.
Cito Rogério Lopes:
"Entre os gregos antigos
havia uma suspeita que volta e meia era vocalizada pelos seus oradores, poetas
trágicos, historiadores e filósofos; essa suspeita correspondia a uma hipótese
antropológica extrema de que no fundo no fundo todo grego ansiava pela tirania.
Platão escreveu boa parte dos dez livros da República para tentar convencer
(antes de mais nada a si mesmo) de que essa não era a melhor forma de vida
(caso ela pudesse se efetivar, como ocorre na suposição de um agente
imaginariamente infalível, como aquele figurado na alegoria do anel de Giges).
Os gregos temiam tanto essa possibilidade que elaboraram à sua maneira um
sistema de freios institucionais para coibir essas iniciativas. Eles supunham,
erroneamente, que apenas os grandes indivíduos eram capazes de cobiçar o poder
dessa forma desmedida. Mas suspeito que boa parte dos tiranos que obtiveram
sucesso na história foram indivíduos absolutamente medíocres. Diria mesmo que
essa mediocridade foi uma condição indispensável para obterem êxito. O povo,
esse termo fora de moda, ansiava pela submissão. Os medíocres são os candidatos
mais aptos. E sua ousadia e desfaçatez se alimentam ou tiram proveito de sua
inteligência absolutamente vulgar. Temos hoje no brasil um candidato que
preenche esses quesitos. Não estou me referindo a esse fantoche que está na
presidência."
AMOR E POSSE: FEMINICÍDIO
AMOR E POSSE: FEMINICÍDIO
Estou triste com o que ocorreu em
São Leopoldo. Um homem de quarenta anos baleou no rosto uma menina de vinte
anos porque ela não queria mais manter o relacionamento e havia, inclusive,
solicitado medidas protetivas e restritivas contra ele. O fato ocorreu no mesmo
dia em que se completou mais um ano da sanção da Lei Maria da Penha que
estabelece essas medidas protetivas às mulheres vítimas de todas as formas de
ameaças, assédio e violência.
Me dói perceber que persiste essa
violência contra as mulheres que partem de homens que acreditam que amar elas,
namorar elas, casar com elas ou ter filhos com elas, fazem deles donos da vida
e do corpo delas. O conceito de amor e de posse persiste gerando essas
violências e causando muitas vítimas de feminicídio no Brasil. E tudo isso
ocorre num momento em que somos governados por pessoas que promovem e estimulam
diversas formas de violência verbais e não verbais. O escândalo da situação em
que hoje vivemos é tão grave que até mesmo o atual Ministro da Justiça ao
comentar, em cerimônia oficial, o aniversário da Lei Maria da Penha consegue
confessar a sua baixa compreensão desde tema. Disse o ministro Sérgio Moro que "os
homens cometem violências contra as mulheres por sentirem se intimidados pelas
mulheres".
Dada a expressão dele, a culpa é
das mulheres. Pois, eu creio que os homens só se sentem intimidados pelas
mulheres porque são incapazes de reconhecer a autonomia e a liberdade delas de
serem, pensarem, se vestirem e se portarem e decidirem as suas vidas e os seus
destinos como quiserem.
O fato é que há uma ilusão por trás
do machismo e da violência dos homens sobre as mulheres, de que somente os
homens t esses direitos e sai livres para determinar a vida e a conduta das
mulheres. E eles só pensam assim quando julgam que possuem elas, seja por amar
elas seja por compartilhar alguns momentos de suas vidas. A ideia de posse se
confunde com o amor e essa possessividade é uma violência contra as mulheres
que sendo silenciosa e tácita acaba aparecendo nas ações e nos gestos dos
homens que não suportam ser frustrados em suas vontades, desejos e decisões
pelas vontades, desejos e decisões das mulheres. É o pressuposto de uma imposição
natural da vontade masculina sobre a feminina.
DIZEM QUE SOU LOUCO: SOBRE O SEU JEITO DE ANDAR (2014)
Conclusão, após assistir a um
filme muito bonito. O seu jeito de andar (2014). Me lembrei da inocência dessa
gente pueril e juvenil que faz alguns os julgarem malucos. E da simplicidade e
amorosidade que se apresenta no filme que é para mim necessária nas relações
humanas. Para não ter frescura e ser de fato importante para o próximo. Em
coisas simples como proteção, cuidado, carinho e parceria, cumplicidade e
respeito. O personagem masculino é simplesmente desajustado. É um rebelde que
odeia às imposições de classe de sua família. Vive numa gangorra de aventuras e
encontra uma menina criada sem contato com o mundo por uma mãe esquizofrênica e
panóide. A mãe morre e a menina não sabe lidar com absolutamente nada. É
internada como doente mental suspeita de ter assassinado a própria mãe. Fim do
mini spoiler.
Penso que nos julgam loucos e
loucas, mas na verdade não é nós que somos os loucos ou loucas, mas sim as
pessoas que vivem, pensam e agem de um jeito absolutamente maluco de doido.
Elas fazem muito mal a si mesmas e aos outros. Fazem um mundo maluco e
acreditam que ele é normal. Reproduzem grandes loucuras e acham normal. E nós
vivemos no meio delas, primeiro, tentando se adaptar, mas num certo momento
nossa saúde e sanidade humana nos chama e a gente passa a ficar tentando o
tempo todo escapar dessa loucura. Precisamos fazer isso mesmo. E quando dá certo
isso descobrimos que a melhor forma de escapar dessa loucura é amar e ser
amado, querer bem e ser querido. Contrária a lógica social imposta, contrária a
loucura geral do mundo, mas então, quando entendemos isso, começamos a ser
felizes. Começamos a encontrar pessoas como nós e começamos a amar elas também.
Em alguns casos bem especiais dessa cura, começamos também a amar mais de uma
pessoa. Para esses malucos é uma loucura, mas sabemos que não é, que não
precisamos mais pirar mesmo por causa disso e nem pirar com quem não e tende
isso. Deixa estar, ame e seja feliz. Essa é a mensagem.
LEMBRANDO O ROMANTISMO E LORD BYRON
LEMBRANDO O ROMANTISMO E LORD
BYRON
"É esse vazio imenso que nos
empurra para o jogo, para a guerra, para as viagens, para uma ação qualquer,
mas intensamente vivida, da qual a atração primeira é a excitação necessária
para praticá-la".
Lord Byron
Nada mais juvenil e romântico do
que lançar-se à aventura, ao risco da morte e expor-se ao domínio da incerteza.
O romantismo evoca a imagem do solitário e heroico, daquele que atravessa a
tragédia e sobrevive. E muitos procuram exatamente isso mesmo: uma forma de
viver perigosamente e arriscadamente, buscando um triunfo existencial para
levar pela vida, como se isto apagasse completamente a rotina e o tédio de seus
compromissos banais e reais. O cotidiano da normalidade não dá excitações. É um
impulso juvenil em busca do prazer e do gozo da aventura, um impulso pueril que
é reencenado em toda nova geração por alguns jovens e que faz uma peneira dos
jovens que sobrevivem a isso, orgulhosos de suas façanhas e sobrevivência e que
compõe o luto de muitas famílias. Irmãos, pais, mães, tios e tias, avôs e avós
e os amigos, colegas e vizinhos assistem isso. Essa aventura destemida, imprudente
e audaciosa se encena. Alguns são bafejados pela sorte, outros pelo azar
ceifados., Outros jovens ainda são preservados pela proteção de outros adultos ou jovens,
outros são fatidicamente retirados desse mundo, desaparecidos. Gerações
inteiras viveram isto e muitas outras testemunharam este impulso em alguns de
seus contemporâneos.
Uma colega minha lembrou a fala
de um analista sobre este tema de que algumas destas pessoas simplesmente não
conseguem viver o lúdico. Elas não se adaptam aos acontecimentos aparentemente
triviais e banais. Me parece que isto se
apresenta também em uma incapacidade de viver o cotidiano como um domínio
também aberto à invenção, à surpresa, ao improviso e à criação. Não conseguem
viver o raro momento escondido na vida comum, sem buscar uma grave e radical distorção
de sua própria realidade, sem um cenário novo ou excepcional que pudesse
remover as amarras da normalidade.
Daí surge isto que Byron chama de
vazio imenso – fonte de angustia ou ansiedade - ou que alguns da sua geração de
aristocratas e nobres vislumbravam como um aterrorizante e gigantesco tédio. Um
tédio oriundo da fartura, da abundância da riqueza granjeada por seus
antepassados que conquistaram riquezas explorando o mundo, a natureza, os
demais seres humanos e tudo que se lhes apresentasse pela frente.
O mundo é um mundo a ser
conquistado na visão deles - o colonialismo, o imperialismo e o radical
individualismo burguês olham assim - e as gentes são gentes a serem dominadas,
exploradas e submetidas a uma nova ordem. Até mesmo Rimbaud viveu essa
experiencia lançando-se aos confins da África.
Não é isso a tal vontade de
poder? Em sua realização máxima...."vamos dominar o mundo" e calhou
de acabar por serem escravos desta vontade...escravos de uma paixão pela
aventura.
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Dirigismo Cultural: Queer Museum e a reação a estética autoritária.
A pretensão de dizer o que deve
ser criado, exposto e usufruído é a expressão máxima do dirigismo cultural. Se
segue a ela também a determinação de como você deve ou pode viver. Você só pode
gostar disso. Você só pode viver assim. Você deve morrer assim. O sacrifício
vale a pena. Todos os sinais estão dados.
É muito mais conveniente para o
sistema rebaixado e planificado pelo império da burrice, impor uma estética,
tal qual um sistema completo de determinações.
Pelo achatamento estético da sociedade e da arte, passa o trem e suas
malas carregadas de ódio e raiva. A energia a necessária para o grande
sacrifício.
Na Alemanha onde houve talvez um
dos maiores laboratórios disso o mau gosto era impuro, degenerado, contra uma
tal estética Ariana. Era uma estética clássica mas sem o caráter dionisíaco e
livre ou agônico. Por isso, que foi tão fácil sacrificar a metade do povo
alemão em duas guerras. Na primeira pela ambição imperial da nação que quer ter
supremacia política e econômica na Europa. Um gesto de coragem de um povo e de
heroísmo de seus jovens. Depois a raça pura se vinga daqueles que a exploram,
com a máxima violência do que segue o sacrifício de milhões de judeus e outros povos.
Na Rússia socialista, o realismo impõe a máxima impessoalidade também. Depois,
só o grande pai Stalin, a personificação da nação. Por isso, o sacrifício de
milhões também foi possível. Tanto na implantação e primeira década de
consolidação do regime, depois na perseguição aos traidores internos, por fim,
na própria segunda guerra cujo sacrifício dos russos é absolutamente imbatível
em números e em consequências. Veja que o gosto dirigido ou bem dirigido
permite grandes milagres que vão da estética à demografia. Não vou falar aqui
de outros exemplos. Na própria América, a estética foi absorvida pelos esforços
de guerra. Na Inglaterra e mesmo na França a resistência aos invasores forjou
uma estética ou contra estética de sobrevivência. No Brasil da ditadura militar
quase toda a MPB afinou o samba em uma estética de sobrevivência para escapar
ao dirigismo cultural da censura.
O que o MBL tenta fazer hoje é
justamente isto: tentar impor um metro, uma medida e determinar os limites da
arte aceitável e tolerável. Não se trata somente de uma conduta de censura.
Com a militância gaúcha mais conservadora
desse movimento surgiu a fração mais reacionária e moralista do MBL. A
contradição é tão grande com as frações de SP - e coloque o PSDB "de
fé" por traz disso, que talvez a melhor cura seja trazer a musa nua e
verde amarela para o sul e fazer ela militar nesse meio por liberdade sexual e
orgiástica no movimento. Aqui no sul o MBL caminha então para a sublime
purificação da carne, provavelmente num esforço desesperado de encontrar
santidade por traz do seu venal pecado golpista. É fácil de entender ou ensaiar
uma explicação do fenômeno aqui no Santander: eles estão desesperadamente em
busca da pureza estética.
Compatibilizar isso com Alexandre
Frota, Dória e sua faxina estética nos grafittis paulistas, Marquezan e seu
apaixonado secretário de cultura, que encontrou o novo Caetano na política, são
expressões do mesmo dirigismo cultural. Se vingar esse esforço de dissimulação
e purificação, só precisamos aguardar os sacrifícios. Como diz a voz da
experiência: isso ocorre assim desde que o mundo é mundo. O dirgismo cultural
ou o cânone moral fazem um esforço de planificação é achatamento justamente
para levar a padronização, a supressão do diverso, do rebelde - do livre? -
para permitir a justa e firme direção ao grande sacrifício de purificação e
salvação. Não é preciso voltar à idade média ou à Grécia e Roma antigas para
saber no que vai dar.
Nietzsche tinha razão na sua
grande intuição dialética entre o apolíneo e o dionisíaco. Quanto maior o
esforço numa direção, maior o saldo na conta da direção oposta. Ou seja, a
sociedade super livre, moral, organizada, limpinha, esconde em seu bojo a
realização do maior caos e sacrifício. A beleza de Apolo, solar e celestial é
intocável, já o Dionisíaco e seu instinto carnal pode ser destruído. O
dirigismo cultural do MBL é uma façanha histórica, pois ensaia, na estética, aquilo que busca no
social: a aniquilação do real, do carnal e da expressão do diverso. Só podemos
agradecer a iniciativa de acelerar com seu gesto extremado a reação contrária
que precisa ser cada vez mais forte, porque é vital para a sobrevivência da
liberdade real de criar, expressar, viver e pensar. O MBL tem, portanto, uma
contribuição a dar ao Brasil com essa contradição entre o que chama de
liberdade e aquilo que esconde em sua limitação conceitual e estreiteza
essencial, onde é apenas um movimento que se quer "livre de alguma
coisa", como aliás o nazismo se queria livre dos judeus e de mais alguém, ao
ponto de querer e acabar sendo livre do próprio povo. É genial o efeito manada
que encontramos ao prosseguir nessa análise, porque podemos perguntar todos
aqui agora: o sacrifício vai chegar de que forma e quando?
Pois aviso que já chegou. Você
que não está percebendo ou te tocando.
Olhe para os teus direitos, sendo dilapidados e destruídos com a ironias e metáforas insuperáveis - do que a
propaganda do "não importa como você chegou até aqui" do Santander é
talvez símbolo mais insuperável do grupo
golpismo curativo e libertário, da agenda golpista inteira, olhe nas reformas
trabalhista e previdenciária, olhe para os milhões do Geddel e os milhões do
Temer, olhe bem as riquezas nacionais
que sofrem mais uma vez a sanha do entreguismo, olhe para os educadores em
greve, olhe para as políticas sociais exterminadas, para a democracia
vilipendiada, para os abusos e arbitrariedades na justiça, olhe para a fome, a
miséria e a desorganização material e espiritual da vida das pessoas. O dirigismo
cultural é apenas a contrapartida estética do golpismo, assim como a reforma
educacional do novo ensino médio, é apenas a realização na escola sem partido
ou do partido único de um projeto de purificação e da supressão da diversidade.
O dirigismo cultural não é sintoma, mas justamente o modelo adotado para
achatar e preparar a plebe rude e pseudo ilustrada, para o grande sacrifício. A
ponte para o futuro nos leva a todos para o abismo. Será que precisamos de mais
avisos ainda? Me parece também, para lembrar como está caminhando o santo e seu
andor, que precisamos mais uma vez de uma estética articulada e diversa de
sobrevivência. E é bom que se aproveite os vãos de liberdade que ainda
sobrevivem para fazer uma nova guerrilha cultural e impedir a consolidação
desse novo dirigismo cultural. Aqui nosso impulso estético é vital.
P.S.: Texto publicado no ano
retrasado por ocasião da censura ao
Queer Museum pelo MBL e que foi aceita pela direção do Santander Cultural de
Porto Alegre.
A PAIXÃO PELA FILOSOFIA
A paixão pela filosofia, pela
ciência, pela psicanálise ou a busca da sabedoria - que muitos resumem como
auto-conhecimento, não é apenas uma paixão para si ou de si mesmo, é a paixão
de conhecer e compreender a humanidade inteira ou toda a partir de si mesmo.
Vira paixão e, portanto, te
captura a partir de um auto-exame e essa paixão se dá de muitas vezes de forma
consciente. Porém, também ocorre – essa paixão – de forma inconsciente ou
através da negação e da repressão.
Isso fica consciente, quando você
percebe que está usando a si mesmo para fazer isso. Quando você percebe que
isso é possível ocorre uma espécie de envolvimento maior com a compreensão e a
auto compreensão que parece te levar diretamente para a rede das ciências
humanas. Essa sensação parece te fisgar e te atrair para os conhecimentos das
humanidades, letras e artes. Você fica capturado por esse tipo de reflexão que
eu chamava de transitiva ou transitividade da compreensão. O contrário disso me
parece ser a negação do outro, a partir de uma perspectiva de que ele é
absolutamente diverso de ti e de que não há reflexão alguma que te faça
compreender ele, entender suas razões ou mesmo, para pegar um exemplo
paradigmático, colocar-se no lugar dele. Então, quero dizer com isso, que a
paixão pela sabedoria, pelas ciências humanas, é um ato de empatia.
Ela pode ocorre, é preciso
reconhecer ainda isso aqui ao final, de forma mitigada com menos consciência ou
até com mecanismos de negação do conhecimento, entendimento ou compreensão do
outro a partir de si mesmo, isto é, essa paixão pode ser inconsciente ou
subconsciente. Nesses casos, me parece que ocorre uma espécie de dinâmica de
resistência que reprime essa reflexão. Afinal, deve ser difícil comparar-se o
igualar-se a um outro que nos gera aversão, a buscar razões naquele sujeito que
te parece não possuir razões. Assim, pode ocorrer que essa paixão fique
adstrita aos julgamentos morais – de culpa, auto punição ou repressivos, como
diria Freud, mas nesses casos as pessoas ficam impossibilitadas de reconhecer
as motivações para a ação, mesmo as ações erradas no outro e passam a somente
tratar esse outro como um diverso negativo ou inferior de si.
Imagino que essa é a base da
discriminação, do preconceito e do raciocínio que leva uma criatura tão
miserável quanto as outras, a se sentir superior ou em um nível de justificação
superior para a sua existência em relação as existências dos demais.
TEORIA DO ESPANCAMENTO DA ESQUERDA
Eu tenho estudado alguns
intelectuais de alto nível da direita e de ultra direita, conservadores e
fascistas e isso tem sido possível porque algumas obras estão muito acessíveis
e baratas para sua aquisição em sebos. Outras obras tive acesso durante minha
formação cultural e política nos anos 80 e depois já nos anos 90 tive acesso a
todo o doutrinário neoliberal que foi introduzido no Brasil por Collor de Mello
e depois foi seguido e aplicado pelos dois governos de FHC o que contaminou de
vez a social democracia brasileira com o vírus do neoliberalismo em certa fusão
com o conservadorismo e os representantes da ditadura militar. Imagino mesmo
que a tomada do poder no Brasil, primeiro via golpe com Temer e o MDB e seus
associados “com supremo e com tudo”, depois pela eleição de um candidato de
extrema direita que consegue misturar pelo menos quatro concepções controversas
para governar o Brasil.
De um lado, ele é representante de uma facção que
defende a Ditadura Militar no Brasil, assinando embaixo da tortura e elogiando
torturador, de outro lado, e encontrei uma característica em comum entre todos
eles no que se refere ao modo de tratar a esquerda, os governos de esquerda e
todas as organizações que possam ter algum vínculo com a esquerda. Trata-se de
simplesmente espancar ou agredir sistemática e brutalmente a esquerda. Pouca
importância tem, nesse caso, se a esquerda está correta em seus governos, se as
teorias são boas ou ruins ou se possuem algo de bom em meio aos seus conceitos.
É preciso, segundo a maioria deles, desde Ayn Rand ou Von Hayek, não deixar
pedra sobre pedra.
Isso parece surpreendente para quem acredita que os debates
econômicos ou o possam ser travados de um ponto de vista racional ou
científico. Porém, é importante dizer, que do que se trata aqui propriamente é
de uma disputa cultural ou guerra de
paradigmas. Então, é importante considerar que esse ataque sistemático tem seus
efeitos no imaginário da população e tem também impacto nas mentalidades de
todos, incluso aqui os militantes de esquerda cuja formação insegura ou
titubeante, superficial ou de mera adesão simpática, não conseguem resistir ao
confronto mais duro e que não conseguem encontrar argumentos para fazer frente
ao espancamento generalizado de suas crenças.
Semana passada eu fiz uma
interpretação que leva a questão crucial ou analítica aqui: porque os
militantes de esquerda não conseguem reagir a esse espancamento por mais vil,
covarde ou mentiroso que ele seja?
Na minha opinião é porque o
espancamento tem sido tão intenso e tão sistemático que eles tem hoje
introjetado um profundo sentimento de culpa e sentem um desconforto terrível em
se expor ou em reagir a esses ataques. Eles estão vivendo - eu me incluo nisso
- uma intensa luta interna para superar a sua apatia política. Na ocasião em que participei de
um debate bem duro com um monte de gente importante na esquerda eu disse para
eles olharem para si mesmos e se fazerem essa pergunta: porque eu não reajo?
No dia seguinte cheguei a
conclusão de que vista assim as coisas, também
é muito importante se parar de ficar espancando os militantes e os
dirigentes. Porque isso também só contribui para aprofundar a apatia e o
desalento na esquerda.
Ou seja, em alto e bom som aqui,
é bom parar de vez de promover em praça
pública ou auto espancamento ou flagelo dos dirigentes e militantes de
esquerda.
Veja que isso é muito mais importante
do que parece. Porque o que te faz a
pergunta tem que fazer não é não é perguntar ou julgar se isso é assim porque
as pessoas estão velhas ou estão de cabelo tão branco, se estão com medo, você
deve perguntar porque elas não reagem quando são atacadas. E eu cheguei a
conclusão no dia seguinte, depois de muita reflexão somando as informações
acima e analisando outras, que isso aí tem a ver com uma espécie, no nosso caso
da esquerda brasileira, de trauma de governante ou burocrata. Esse é o mesmo trauma
de quem é governo e de quem é direção, porque na esquerda a gente tem que
provar que é o melhor, sofre uma vigilância interna e externa intensa e nessa
vigilância sofre da crítica mais generosa e mais compreensiva até a crítica
mais destrutiva, violenta ou agressiva o tempo todo e precisa aprender a
suportar isso e a aceitar isso com repostas por assim dizer mais tolerantes e
compreensivas e é aí que se abre o flanco para o espancamento indiscriminado na
maior parte dos casos e muitas e muitas vezes injusto ou desonesto. É
interessante que quase todos nós percebemos esses sinais quando entendemos o
vale tudo dos adversários sobre nós. a gente. Porém, pensando agora, ficou muito encoberto o caráter do espancamento
que se seguiu. Nós normalizamos ou naturalizados o espancamento.
Os militantes, dirigentes e
governantes ficaram em sua grande maioria sem reação e acostumados com isso.
Nossos governos acostumados a ser espancados não tem capacidade de reação e de
afirmação de diferenças e em sua maioria se envolveram e se encheram de
concessões aos adversários. Isso foi acompanhado de recuos programáticos e de
renúncias em concepções cruciais para a esquerda. O espancamento gerou uma
demanda de chantagem que foi coberta e concedida.
Assim, no processo de
espancamento houve uma renúncia tal que a não reação ficou como que determinada
a partir dos escalões superiores. E assim as reações necessárias acabaram só
correndo quando um general ou mais reagisse. Então, a tropa e divisões inteiras
ficaram excessivamente disciplinadas e sem reação em virtude disso. Assim, o
pessoal fica acuado e tem medo ser espancado externamente e, ao mesmo tempo,
ocorre também um processo interno de espancamento da militância e dos
dirigentes que é recíproco porque fica virado num jogo de culpa. De tal modo
que se chega a um ponto em que todo mundo tem culpa, todo mundo é culpado e não
tem que acompanhar mais ninguém nas reações.
Sociologicamente falando perdemos
a solidariedade orgânica primeiro com as fragilidades ideológicas e depois o
espírito de corpo se esvazia e segue junto o fim da própria solidariedade
mecânica mais elementar e primária. Segue-se de que todo mundo fica mais
ocupado em se proteger ou se esconder ou em fazer ataques internos que se esquece
de atacar os adversários externos e passa a ter um medo até mesmo de conversar
sobre isso. Veja que curiosamente os adversários são extremamente covardes em
sua coragem porque se servem muito mais de mentiras ou distorções da realidade,
o que, aliás, mostra que se recua para quem não tem argumento nenhum. Olhando
mais de perto se percebe que eles não tem moral nenhuma para nos atacar em
nenhum quesito, mas como a gente ficou muito tempo sob a proteção do governo ou
da burocracia ou sob uma disciplina partidária, uma disciplina da corrente, a
gente acaba mesmo sem reação. Assim, a gente não tem capacidade de dar um
movimento correto no jogo político e de dar o golpe correto e decisivo para
responder ou reagir. Por fim, eu acho
que isso é uma questão bem importante: a gente tem que avaliar muito para
romper com esse tipo de padrão ao qual fomos habituados com esse espancamento.
Para romper com esse padrão de auto espancamento interno e partidária e não
aceitar mais ser espancado de forma alguma externamente, até porque esses caras
que tão espancando a gente todos os dias são completamente imorais. Veja que
eles são gente que nunca militaram em
coisa nenhuma. Eles nunca deram uma hora de suas vidas de graça para coisa nenhuma.
Então, eu digo que deu já o tempo
de sermos espancandos sem resposta para quem gastou a vida militando e lutando
por um mundo melhor.
DESINTELIGÊNCIA: O ESTADO NOVO E A CRISE DO INTENDENTE MUNICIPAL DE SÃO LEOPOLDO COM O INTERVENTOR ESTADUAL
“Outro fato
veio trazer problemas nos meses iniciais da ditadura estado-novista no Rio
Grande do Sul. Em abril de 1938 ocorreu um acidente que novamente preocupou
Viriato Vargas. Tratava-se do pedido de demissão do prefeito de São Leopoldo,
Theodomiro Fonseca, em decorrência de um desentendimento com Cordeiro Farias,
recém empossado no cargo de interventor. A renúncia do prefeito deu espaço às forças
oposicionistas ligadas a Flores da Cunha de articularem-se e buscar um nome
comprometido com eles. Em carta a Getúlio Vargas, Viriato esclarecia a
situação: “Há pouco deu-se uma desinteligência entre Cordeiro de Farias e
Theodomiro Fonseca, prefeito de São Leopoldo. (..) Era uma necessidade que ele
continuasse, é a única forma organizada que tem o novo regime aqui, afora São
Borja. E o Cordeiro via bem isto. Aliás, o Cordeiro não teve culpa alguma”.(
nota: 113. FGV/CPDOC, Arquivo Getúlio Vargas, GV.38.04.20/2.)
Como era
politicamente importante manter o prefeito, ele acabou ficando no cargo. Esse
episódio mostra que o Estado Novo não possuía no Rio Grande do Sul lideranças
políticas suficientes para colocar à frente das administrações municipais e até
do estado, necessitando angariar apoios de integrantes de partidos opositores a
Vargas antes de 1937. Não havia getulistas suficientes para administrar a
grande máquina pública criada ao longo do tempo pela experiência dos
republicanos rio-grandenses.” Assim, era
preciso confiar em getulistas “de última hora” e conter as oposições mais recalcitrantes.”
IN: KONRAD,
Glaucia Vieira Ramos. Os trabalhadores e o Estado Novo no Rio Grande do Sul :
um retrato da sociedade e do mundo do trabalho (1937-1945). Campinas, SP:
[s.n.], 2006, pp. 61-62.
SÃO LEOPOLDO DO MEIO AMBIENTE E O PARQUE IMPERATRIZ LEOPOLDINA
Os alemães, portugueses,
afrodescendentes e indígenas, além de todas as outras etnias e culturas que
aqui vivem, sempre tiveram no Rio dos Sinos um manancial para a subsistência,
para a pesca, o cultivo de alimentos e a navegação.
A cidade é também pioneira em
todo o Brasil e no Rio Grande do Sul, no movimento de defesa do meio ambiente,
da flora e da fauna. Henrique Luiz Roessler é um dos pioneiros da luta em
defesa do meio ambiente no estado do Rio Grande do Sul. Vivia às margens do Rio
dos Sinos e fundou a UPAN – União Protetora do Ambiente Natural, esta entidade
de defesa do meio ambiente na cidade e que junto com outras entidades e
ativistas. Essa luta, que soma as contribuições de Roessler e de muitos outros
promoveu mudanças em termos de legislações de proteção ambiental, construiu
muitas campanhas de conscientização ambiental e foi decisiva na construção de
uma relação mais saudável das cidades e seus cidadãos e cidadãs com a natureza.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente existe desde 1989 e é uma das primeiras
Secretarias do Meio Ambiente do estado que cuida do tema com políticas
avançadas e efetivas de proteção.
O projeto do Parque Natural
Municipal Imperatriz Leopoldina foi idealizado em 1994 por uma Comissão da
Sociedade Civil com o principal objetivo de preservar essa área da especulação
imobiliária e dando cuidados especiais na proteção da fauna e da flora do
local. A partir de 2005, na Administração do Prefeito Ary Vanazzi, o projeto
foi retomado com recursos de uma emenda parlamentar pela Administração
Municipal, via Secretaria Municipal de Meio Ambiente, destacando os aspectos
sócio ambientais, tanto para a recuperação da área, quanto para a transferência
das 300 famílias que residiam no local para um loteamento adequado. O Parque
foi inaugurado no dia 8 de dezembro de 2006. Ele possui, aproximadamente, 174
hectares, sendo toda a unidade de conservação constituída de Áreas de
Preservação Permanente (APP). É um dos maiores Parques Ambientais em Meio
Urbano do Brasil. Neste espaço são realizadas trilhas ecológicas com o objetivo
de oportunizar ao visitante a vivência e a reflexão e promover educação
ambiental. O Parque também possui diversos equipamentos e instalações que tem
por objetivo valorizar o espaço ambiental e promover laser aos cidadãos.
Fontes:
Site da Prefeitura Municipal de
São Leopoldo.
HARRES, Marluza Marques e
RÜCKERT, Fabiano Quadros. A Natureza, o Tempo e as Marcas da Ação Humana:
Políticas Públicas e Ambiente em Perspectiva Histórica. São Leopoldo, RS. São
Leopoldo: Oikos, 2011.
Prisa – Programa Integrado Sócio
Ambiental 2017-2020. São Leopoldo; Secretaria Municipal de Meio Ambiente, 2018.
PEREIRA, Elenita Maltia.
Roessler: O Homem que Amava a Natureza. São Leopoldo: Oikos, 2013.
UNISINOS
A Sede Antiga da
Unisinos, localizada no centro de São Leopoldo, teve sua primeira parte
construída no ano de 1880 com o auxílio de padres jesuítas. Seu principal objetivo
era de estender o ensino já existente no Ginásio Conceição, considerado o primeiro
ginásio oficial do Rio Grande do Sul, e transformá-lo na Faculdade de
Filosofia e Teologia.
As primeiras paredes erguidas da construção do prédio da Faculdade contaram com a ajuda de vários padres jesuítas que já lecionavam no local. O estilo do prédio e suas colunas são típicos do estilo alemão do século XIX. Mas nem tudo foi construído ao mesmo tempo e nem mesmo pelas mesmas instituições. A primeira parte construída, hoje localizada ao lado da Igreja Matriz de São Leopoldo, foi no ano de 1880 e serviu também para sediar parte da Prefeitura da Cidade. Ali se encontrava o setor administrativo e também o Presídio Municipal no porão. Conforme lembra Padre Pedro Ignácio Schmitz, diretor da Faculdade durante os anos de 1963 a 1969 e hoje responsável pelo Instututo Anchietano, Museu Indígena e o Herbário (todos localizados na Sede Antiga). A segunda parte foi construída em 1888. Já a terceira foi erguida no ano de 1899 pelas irmãs franciscanas, situada na lateral da rua Bento Gonçalves.
Padre Ignácio conta também das catástrofes naturais sofridas pelas enchentes que alagavam tudo que estava próximo ao Rio dos Sinos, "o rio enchia e transbordava atingindo quase o segundo pavimento dos prédios" e complementa: "tínhamos que correr no meio da noite para os laboratórios e museus salvando, da água, microscópios e livros”.
A nova Unisinos:
Em
1967 a Faculdade passa a ser Universidade é batizada Unisinos - Universidade do Vale do Rio dos Sinos, por escolha dos alunos, ainda sediada no prédio antigo, porem, nesse momento foram sendo
erguidas as primeiras paredes dos prédios no novo Campus.
A fundação da nova Universidade foi no dia 31 de Julho de 1969, dia de Santo Inácio de Loyola, fundador da comunidade dos jesuítas.
Hoje a Sede Antiga da Unisinos continua sendo sede de diversos grupos e projetos sociais, atendimento judiciário gratuito, núcleo temático a 3º Idade, entre outros, mantendo sempre seu ideal ligado à cultura e o aprendizado.
HISTÓRICO DA SÃO LEOPOLDO FEST
A
São Leopoldo Fest foi concebida e realizada pela primeira vez em 1990. Inspirada
nas tradicionais comemorações, festividades e atividades culturais realizadas
pelos imigrantes alemães e seus descendentes em clubes sociais, com danças,
jogos, feiras, comidas e bebes com bandas típicas que faziam muito sucesso. Assim,
no mês de julho a cidade entra em festa para celebrar a imigração alemã e o
aniversário de fundação da Colônia alemã. A SL FEST é a maior festa do vale do
rio dos sinos. Recebe milhares de pessoas e turistas. A festa tem gastronomia
originária, diversos shows com artistas e bandas famosas, comércio,
artesanatos, parques de diversões, passeios, oficinas, exposições e palestras.
As
primeiras edições até 2004 ocorreram sob a égide de uma concepção mais
folclórica, apesar de trazerem já atrações nacionais e estaduais de diversas
formas de expressão. A partir de então a festa ganhou uma expressão mais
intensificada, com as atrações nacionais e estaduais e incluindo com mais força
as locais. Ocorreu um incremento tanto no seu planejamento e estruturação
quanto no seu papel institucional, histórico e cultural passou a ser mais
salientado. Agregou-se um componente de intercâmbio com culturas latinas e os
artistas locais passaram a fazer papel protagonista nos diversos tipos de
palcos que foram sendo diversificados. Debates históricos e cerimônias oficiais
são realizados. A mudança para o Centro de Eventos em 2012, garante estrutura
permanente para a festa e outras feiras.
O
evento faz não só o resgate da cultura alemã, através do encontro dos
imigrantes, danças, teatro, artesanato, música, com apresentação de bandas
típicas, visitação aos museus e variada gastronomia, bem como, permite
fortalecer a integração de todas as identidades étnicas e religiosas que
formaram e povoaram a região do Vale do Rio dos Sinos. A SL FEST consolidou-se
como uma grande festa popular, envolvendo a comunidade e expandindo sua
influência cultural e as atividades comemorativas a muitos municípios da
região. Esta festa reintegra culturalmente as populações que habitam hoje os
municípios da antiga São Leopoldo.
Em
2018, a SL FEST segue no Centro de Eventos, divulga um conjunto de atrações
nacionais e populares na programação de shows e movimenta a economia municipal
e regional comemorando a história da cidade, a contribuição alemã e todos os
imigrantes que produzem a atual diversidade étnica e cultural do povo da região
do vale do rio dos sinos.
Já
em 2019, a SL FEST voltou para o Centro da Cidade, no Largo Rui Porto e foi um grande
sucesso de público com muitas atividades ligadas aos preparativos Bicentenário
da Imigração Alemã, com acendimento da Pira no Monumento ao Imigrante, e um Festival
de Musica Extraordinário, além das atrações musicais. (P.S. 2019.)
HISTÓRICO DO CARNAVAL DE SÃO LEOPOLDO
O Carnaval de São Leopoldo começa
como um entrudo de rua. Na última quadra do século XIX, passa aos bailes de
salão e atraia festeiros de toda região. No início do Século XX, já haviam
desfiles de Carnaval. Conforme Germano Moehlecke, este tipo de desfile teve
início em 1923, sempre na Rua Independência – Rua Grande -, envolvendo dezenas
de blocos carnavalescos e atraindo muitos moradores da cidade. Haviam cordões e
diversos grupos que organizavam a participação dos foliões. Depois, a partir de
1928, os desfiles eram organizados pelo Clube Recreio Juvenil, com eleição da
Rainha do Carnaval. Isto estendeu-se, aproximadamente, até 1943. Os moradores ficavam
nas sacadas cantando marchinhas e jogando serpentinas ao alto, colorindo o chão
de pedra. Os blocos eram formados por cerca de 20 veículos adornados com várias
pessoas a bordo. Os foliões devidamente fantasiados, incorporavam marinheiros,
palhaços e pessoas do sexo oposto. “Os blocos ensaiavam e cantavam duas ou três
marchinhas pela Independência” contou Moehlecke. Também haviam bailes de salão nos clubes
sociais da cidade e com um intercâmbio na região e com a capital do estado.
Entre o final da segunda guerra e os anos 80, surgiram os blocos. Assim, o
carnaval leopoldense chegou a ser campeão gaúcho através do Bloco Os Cobras nos
anos 70. Dos anos 50 até meados dos anos 90 ocorre também um incremento no tema
dos desfiles de fantasias. Muitos destaques em fantasias daqui disputaram
certames estaduais e nacionais. A escolha de uma corte de Rei Momo remonta aos
anos 20 e prossegue. Em meados dos anos 70 surgem também os cordões e o Cordão
Oficial da Sociedade Orpheu tem longa vida até o final dos anos 90. A partir
dos anos 80, esta base dos blocos forma as Escolas de Samba localizadas em
diversos bairros e regiões da cidade. Em seguida, nos anos 80, o carnaval passa
a receber atenção do poder público e integra um calendário e programação que no
inicio resumia-se a um desfile e que em seguida chega a um desfile oficial competitivo.
A participação popular conquistou muito destaque e qualidade, e, com isto,
muita expressão estadual. Grupo Culturais de carnaval aparecem também.
Esta festa centenária promove a
integração e o envolvimento de diversas comunidades. A participação popular nos
eventos é massiva em desfiles e nos bailes. Comparecem ainda simpatizantes do
carnaval da região. Por isto, o carnaval de São Leopoldo se constituiu em
virtude de representar e apresentar as relações sociais, promover incremento
cultural e uma dinâmica econômica na cidade em grandes desfiles e em eventos em
sociedades ou blocos.
HISTÓRICO DO MUSEU HISTÓRICO VISCONDE DE SÃO LEOPOLDO
O Museu Histórico Visconde de São
Leopoldo foi fundado em 1959 por um conjunto professores, professoras,
comerciantes e profissionais liberais da cidade que eram simpatizantes da
história da nossa cidade. Ele foi fundado em 20.9.1959 como um primeiro museu
dedicado a História da Imigração Alemã. O idealizador do Museu foi o Prof.
Telmo Lauro Müller, associado ao pesquisador Germano Oscar Moehlecke e o
professor e aquiteto Kurt Günther Hugo
Schmeling.
Desde sua fundação participaram dez municípios que receberam o calor
da presença alemã: São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga, Taquara,
Rolante, Montenegro, São Sebastião do Caí, Feliz e Nova Petrópolis. A sede
atual foi inaugurada em 1985.
O Museu é uma entidade cultural
privada, sem fins lucrativos, mantido por uma associação de amigos e a
diretoria tem mandato de 2 anos. O acervo do Museu soma mais de 35.000 peças,
30.000 fotografias, 360 títulos de jornais, 24.351 livros (biblioteca de
história do RS e da imigração alemã), 250.000 documentos e está em exposição em
sua sede central com 846m² .
Este acervo foi reunido através
de doações ao longo de sua existência. É um dos acervos sobre imigração alemã
mais rico do Brasil. Seu acervo possui também louças, móveis, instrumentos
musicais, bandeiras de antigas sociedades, medalhas, alvos do tiro-ao-alvo e
móveis.
Boa parte dos trabalhos
apresentados nestes painéis contem imagens, fotos e fontes próprias do MHVSL e
também de trabalhos de pesquisa que são tributários desta importante
iniciativa.
FONTES:
Site do Museu Histórico Visconde
de São Leopoldo.
HISTÓRICO ENCHENTES DE SL
A relação da cidade com o Rio dos
Sinos é fundamental para compreender a sua história e o seu desenvolvimento. As
enchentes desse rio fazem parte dessa história. Já na implantação da colônia em
1824, ocorreu séria controvérsia sobre a localização da sede. O presidente da
província indicou e ordenou que os colonos se instalassem na margem direita de
quem desce o rio. Ao contrário disso, eles acabaram ocupando também o lado
esquerdo. Haviam razões econômicas e sociais para isso. Era fundamental para os
interesses comerciais encontrar e se situar em áreas próximas à Rua do Passo,
atual Rua Independência. E foi assim que
a sede da cidade depois se desenvolveu no centro e seu entorno pela Rua do Passo
na direção dos morros e bairros que hoje conhecemos como São José, Morro do
Espelho, Cristo Rei e Fião. Ao mesmo tempo, as regiões de banhados foram sendo
aterradas. Para citar apenas dois ou três exemplos. O atual bairro Rio dos
Sinos foi ocupado muito rapidamente por olarias e moradias. Mais tarde na
primeira quadra do século XX, o bairro Campina começou a ser ocupado. Por fim,
o Bairro Jardim Viaduto entre a BR 116 e a Campina começou a ser ocupado a
partir dos anos 60. Todas as enchentes ao longo da história da cidade tiveram
consequências nas vidas dos habitantes. Casas foram construídas, em alguns
locais, com altura para reduzir esses impactos. Com a construção dos diques nos
anos 70 do lado sul da cidade ou na margem esquerda, o centro da cidade ficou
protegido a partir de então. Já nos anos 80 a região norte ainda não possuía
diques de contenção das cheias. Isso gerou uma luta que acabou conquistando
finalmente o complemento da obra. Constam nas fotos vistas aqui e em muitas
outras datas do século XX. Por exemplo, 1924, 1926, 1941, 1965, 1985, 1987 e
depois já no século XXI, em 2009 o sistema de contenção das cheias passou pelo
seu maior teste.
HISTÓRICO PRAÇA DO IMIGRANTE
A Praça do
Imigrante vai completar cem anos em 2024. Originalmente o nome dela era Praça
do Centenário. Foi projetada para comemorar os Cem Anos da Chegada dos
Primeiros imigrantes alemães a São Leopoldo no ano de 1824.
“A hoje chamada Praça
do Imigrante existe desde os primeiros dias de São Leopoldo como localidade.
Verdade que nos primeiros tempos era um simples campo aberto.”
MOEHLECKE,
Germano Oscar.
A Praça do Imigrante fica
situada na primeira quadra à direita da Rua Independência, antiga Rua do Passo,
também conhecida em São
Leopoldo , ainda nos dias de hoje, como Rua Grande ou como era
chamada pelos alemães Große Straße. O Monumento ao Colono da Praça Centenário foi o
primeiro elemento construído. O Monumento foi inaugurado em setembro de 1924, com
a praça ainda incompleta, o cais e aterro foram concluídos em 1928 e o
ajardinamento em 1934.
A Praça está
localizada no sítio histórico fundamental para compreender o desenvolvimento da
cidade ao longo do tempo, pois no seu entorno temos os indícios claros da
evolução econômica, política e cultural da cidade. Quase que como assinatura do
tempo, da história dos homens e mulheres desta cidade, descortina-se nesse
perímetro um conjunto arquitetônico fundamental, cuja evolução construtiva
marca fortemente a história da cidade.
Fonte:
BOEIRA, Daniel Adams. Memorial de
Tombamento da Praça do Imigrante. São Leopoldo: Prefeitura Municipal, 2012.
MOEHLECKE. Germano Oscar. São
Leopoldo Obras e Iniciativas Públicas. São Leopoldo, RS.1998.
Assinar:
Postagens (Atom)

