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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O PORTO DOS BLAUTH


O “Porto dos Blauth” e da Cia. Blauth de Navegação, com sua sede comercial e cais era fundamental para o transporte de cargas entre São Leopoldo e Porto Alegre. Quase todas as companhias de transporte da grande bacia do Guaíba, transferem suas sedes comerciais e administrativas para a capital a partir do início do século XX.

“A formação do primeiro núcleo colonial (...) ocorreu na área do Rio dos Sinos, continuando sua expansão nas áreas do rio Caí, do Taquari e do Jacuí.” Dalva Reinheimer

É pelo rio que os imigrantes vão chegar e é com ele que a cidade e a colônia alemã vão crescer. Sendo que até a chegada da linha férrea, no ano de 1871, o rio (e os rios) e as estradas de chão dominavam o transporte dos bens e os deslocamentos das pessoas.

Os dois prédios do porto histórico da Cia. Blauth de Navegação localizam-se na Rua da Praia de São Leopoldo. Um foi restaurado e é de propriedade da Prefeitura, sediando o Museu do Rio. Já o outro prédio, maior e mais próximo da ponte, outrora residência da Família Blauth, à margem direita do rio, é a sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SEMMAM.

FONTES:

BARCELOS, Ramiro Frota. Rio Grande: tradição e Cultura. Porto Alegre: Edições Flama, 1970.

REINHEIMER, Dalva N. A Navegação fluvial na República Velha Gaúcha. São Leopoldo: Oikos, 2010.

A DIVERSIDADE RELIGIOSA DE SÃO LEOPOLDO


Os portugueses, nos séculos XVIII e XIX, eram católicos. Os alemães se dividiam entre católicos e luteranos. Dentre os primeiros imigrantes alemães a maioria era luterana. Alguns migram para o Brasil em busca de liberdade de culto. Os luteranos realizam seu primeiro culto no Natal de 1824, no Roseiral de Thomas de Lima e em 1826 constituíram sua primeira escola. Já a Matriz da Igreja Católica foi erigida no local de uma Capelinha. Em 1864, São Leopoldo possui 1.132 habitantes, destes 597 são católicos e 535 luteranos. As matrizes dominantes no século XIX, católicos e luteranos, eram um culto oficial e um culto consentido ou tolerado. A Igreja Católica era religião oficial do estado até a República. A capela erguida em 1828 passa a capela curada em 1846 e aí é construída a Igreja Matriz. A Colônia vira Vila em 1848 e vira Cidade em 1864. 

Além disso, ambas comunidades promovem formação religiosa e criam instituições confessionais que vão dar nas duas universidades de São Leopoldo, Unisinos e EST. Em 1911 é inaugurado novo templo da A Igreja Luterana (IECLB), a conhecida Igreja do Relógio. A líder religiosa Jacobina Mentz Maurer (1842-1874), foi massacrada com seus familiares e seguidores por liderar culto popular não convencional. Na cidade temos templos da IELB (1907) e da IECLB já no início do Século XX. Há um templo dedicado ao Padre João Batista Reus (1868-1947). O Santuário do Sagrado Coração de Jesus, construído entre 1958 e 1968, junto ao cemitério dos jesuítas, para onde seguem procissões anuais em sua homenagem. O Padre Reus é reconhecido por muitos fiéis como milagroso e está em processo de canonização na Igreja Católica.

A cidade possui, porém, dois santos padroeiros: Nossa Senhora da Conceição e São Leopoldo. A primeira em virtude do Rio dos Sinos e da tradição portuguesa. No sincretismo religioso é também chamada de Mãe Oxum. São Leopoldo é o santo do nome da cidade, mas também merece respeito e consideração, pois ocorre a aceitação de proteções de todos os santos.     

Os afrodescendentes com seus cultos ancestrais e suas práticas religiosas certamente tiveram assento aqui desde as primeiras ocupações na Real Feitoria do Linho Cânhamo. Hoje existem outras organizações religiosas em São Leopoldo. Os espíritas, os protestantes de outras matrizes como os anglicanos – com um templo centenário na Rua Grande – e a Assembléia de Deus, Universal e outras pentecostais e neopentecostais, bem como, os cristãos Ortodoxos, os Budistas e Islâmicos, tem seus seguidores e descendentes aqui. Todos os cultos religiosos merecem nosso respeito. Tentamos mostrar que a religiosidade viceja em São Leopoldo.   

Fontes:

IGREJA DE CRISTO: UM TEMPLO CENTENÁRIO. Organizador Martin N. Dreher. São Leopoldo: Oikos, 2011.

RABUSKE, Arthur. A Secular Matriz de São Leopoldo. São Leopoldo: Instituto Anchietano de Pesquisas, 1978.

HISTÓRICO DA PREFEITURA MUNICIPAL


A administração pública  ou estatal de São Leopoldo se iniciou de fato já na instalação da Real Feitoria do Linho Cânhamo em 1788, num local ás margens do Rio dos Sinos que era conhecido como Faxinal do Courita. Esta Feitoria era um empreendimento do Governo do Brasil Colônia para produzir cordas para o uso em navios. Essa história prossegue 36 anos depois com a instituição da Colônia Alemã em 1824 mas, de direito, ela se inicia somente com a transformação da Colônia em Vila em 1846. Nessa época, a administração ficava sob encargo do Presidente da Câmara de Vereadores.

De 1846 a 1885, sem possuir sede própria, a Câmara de Vereadores pagou alugueis. O Prédio próprio da Câmara Municipal foi inaugurado em 1885, no local onde hoje se encontra a Prefeitura Velha que atualmente sedia a Secretaria Municipal de Educação e o Gabinete da Vice-Prefeita. Veja as imagens da antiga sede e da sua desconstrução, bem como da construção da Prefeitura Velha. A partir de 1892 a cidade passou a ser administrada por um Intendente.

Em 1940, após o desmanche da velha Intendência foi inaugurada a Prefeitura por Getúlio Vargas e o Prefeito Theodomiro Porto da Fonseca.

Depois, entre 2010 e 2012, o Prefeito Ary Vanazzi, construiu a Nova Prefeitura.  
    
MOEHLECKE, Germano Oscar. São Leopoldo: Contribuição à história da vida política e administrativa (1824-2010). São Leopoldo: Oikos, 2011, 280p.

HISTÓRICO TREM SÃO LEOPOLDO


A ligação entre São Leopoldo e a Capital do Estado Porto Alegre. A estação ferroviária de São Leopoldo foi construída em 1874. O projeto e execução é do engenheiro Inglês John Mac Ginity.

 O primeiro trecho do Rio Grande do Sul foi feito ligando São Leopoldo à Porto Alegre e apresentava 33,75 km de extensão.

Hoje a Estação é considerada um patrimônio histórico do município de São Leopoldo, reconhecida pelo IPHAE. Tem relevância para o desenvolvimento da cidade e foi pioneira  no estado com um dos meios de transporte mais rápidos e modernos haviam nos séculos XIX e do início aos meados do século XX.

O Museu do Trem está localizado no centro de  São Leopoldo, junto à Estação São Leopoldo da Trensurb. O Museu do Trem conserva um pouco da nossa memória. Parte importante da história da cidade ali e o Museu possui um acervo de fotos, equipamentos e maquinários utilizados na época.

Criação do Museu do Trem em 1976, antes mesmo da desativação da linha férrea na década de 1980.

 Restauração e Inauguração como CPHFRGS em 1985.

- Tombamento do sítio histórico pelo IPHAE em 1990, abrangendo uma área de 4.900m2.

- Em seu acervo histórico, constam documentos e objetos referentes a um amplo período, compreendido desde a implantação da primeira ferrovia gaúcha, em 1874, até o final do século XX. Desta forma, além do acervo fotográfico de 8.744 fotos e 942 negativos de vidro, constam no acervo mobiliário e tridimensional, 1.170 peças, aproximadamente.

Os trens serviram para conduzir a população local da cidade à capital e transportaram dos bens que aqui eram produzidos. Hoje, cede espaço a moderna instalação da Trensurb, com trens modernos, mais confortáveis e mais rápidos, porem o transporte de mercadorias silenciou-se sobre os trilhos dando lugar ao transporte por via rodoviária.

BENEVENUTTI, Alice. Gestão de museu: comunicação e público: Estudo sobre o Museu do Trem. São Leopoldo. (2009-2012). Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo: 2016, 286p.

MOEHLECKE, Germano Oscar: Estradas de ferro Contribuição para história da primeira ferrovia do Rio Grande do Sul. São Leopoldo, Rotermund, 2004. (Museu Histórico Visconde de São Leopoldo.)

HISTÓRICO DO RIO DOS SINOS


A ligação da cidade de São Leopoldo com o Rio dos Sinos é fundamental na compreensão da história e dos primeiros habitantes da mesma. A história do desenvolvimento econômico da cidade com os portugueses, a feitoria e os escravos negros ou afrodescendentes se sobrepõe a ocupação indígena original, bem como, na explicação da importância da Rua Grande para a comercialização das mercadorias produzidas nas antigas colônias alemãs, picadas e pequenas propriedades agrícolas. O nome Rio dos Sinos deve-se principalmente à sinuosidade do manancial. Para ilustrar, citamos aqui o seguinte texto de Ramiro de Frota Barcellos:

“Rio sinuoso (do latim “sinus”), ou o rio dos ratões, cujas tocas abertas por estes roedores em ambas as margens, plangiam na calada da noite, como carrilhões impulsionados ao sopro do vento e a ondulação das vagas. A sinuosidade do rio ou a estranha sinfonia noturna, foi quem deu o nome que até hoje conserva.”

A importância do Rio dos Sinos para a cultura e a história da cidade inspira, de forma notável, o escritor leopoldense Clodomir Vianna Moog (1906-1988), a publicar sua obra Um Rio Imita o Reno (1938), um romance publicado em primeira edição pela Editora do Globo. Este leopoldense foi membro da Academia Brasileira de Letras, Vianna Moog, como ficou mais conhecido tomou posse na ABL em novembro de 1945. Em 2007 a Biblioteca Pública Municipal Olavo Bilac foi nominada Biblioteca Municipal Vianna Moog em sua homenagem.  

As Obras de Vianna Moog:

O ciclo do ouro negro, ensaio (1936);
Novas cartas persas, sátira (1937);
Eça de Queirós e o século XIX, ensaio (1938);
Um rio imita o Reno, romance (1938);
Heróis da decadência, ensaio (1939);
Uma interpretação da literatura brasileira, ensaio (1942);
Nós, os publicanos, ensaio (1946);
Mensagem de uma geração, ensaio (1946);
Bandeirantes e pioneiros, estudo social (1954);
Uma jangada para Ulisses, novela (1959);
Tóia, romance (1962);
A ONU e os grandes problemas, política (1965);
Obras completas de Vianna Moog (1966);
Em busca de Lincoln, biografia (1968).


A PONTE 25 DE JULHO

A construção da Ponte de Ferro, nominada 25 de Julho, foi feita para substituir o “passo” e os arranjos que eram feitos quando o Rio dos Sinos estava impróprio à travessia. Isso incluía pontes de madeira montadas e desmontadas, pontes sobre barcos e outras. Garantir a passagem, em qualquer tempo, de cargas e gentes sobre o Rio dos Sinos para o desenvolvimento econômico da região era o objetivo.

Ela foi construída um pouco adiante do “Passo”, em frente à Igreja Matriz entre 1871-1876, pelo engenheiro belga Alphonse Mabilde, autor do projeto da ponte de ferro apresentado à Câmara de Vereadores em 1849. A ponte é um componente do sítio no qual outros prédios históricos estão inseridos. Como relatou Moehlecke, a ponte é importante para a Província também, porque fazia parte da Estrada Geral como defendiam os vereadores da cidade em relação ao governo da província na tentativa de obter os recursos para a sua execução. Portanto, além do aspecto histórico a ponte representa também pleito político nas relações entre a Vila e o governo estadual. Em 1877, o governo estadual acata as razões da comunidade e paga a metade do custo da obra. Inicialmente era prevista a cobrança de pedágios para passar por ela, mas a ideia foi abandonada.   

A ponte é tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico Estadual IPHAE. Foi o primeiro tombamento da instituição em 1980. A história deste tombamento merece atenção também, pois foi produto da mobilização social de jovens estudantes universitários, membros da comunidade e intelectuais. A administração municipal, no final dos anos 70, queria demoli-la e substituí-la por uma nova ponte mais ampla e moderna. Um ato simbólico deste tombamento foi a ocupação da ponte pelos defensores da sua integridade e da sua importância histórica. A Portaria do IPHAE que a Tomba é 10/80, data de 01/09/1980, seu número de inscrição no Livro Tombo é 01.

Fontes:

Livro Tombo do IPHAE/RS.

BOEIRA, Daniel Adams. Memorial de Tombamento da Praça do Imigrante. São Leopoldo: Prefeitura Municipal, 2012.

MOEHLECKE. Germano Oscar. São Leopoldo Obras e Iniciativas Públicas. São Leopoldo, RS.1998.

MOEHLECKE, Germano Oscar. São Leopoldo: Contribuição à história da vida política e administrativa (1824-2010). São Leopoldo: Oikos, 2011, 280p.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA EM SÃO LEOPOLDO


A Revolução Farroupilha ocorre no Período do Brasil Império (1822-1889). Entre setembro de 1835 e março de 1845. A Província de São Pedro foi dividida em duas facções: uns defendiam a unidade nacional e a manutenção do RS como estado Brasileiro e para isso mobilizaram nacionalistas e imperialistas e, outros, os revoltosos ou republicanos, que mobilizaram em todo o estado estancieiros, militares da reserva da guarda nacional e todos aqueles que tinham ideias republicanas e emancipacionistas ou mais federalistas. A causa da revolução era diversa e difusa, pois haviam tanto ideias republicanos, quanto interesses  de estancieiros descontentes, quanto muitos combatentes da guerra cisplatina (1825-1828), que não haviam recebido suas indenizações.

Haviam também alemães dos dois lados da revolução. É importante registrar que os negros também se engajaram na guerra em busca da liberdade e alforria da escravidão. Com eles foi constituída cavalaria e infantaria formada por lanceiros negros, cujo final trágico ocorre no Massacre de Porongos, à beira de conquistarem a liberdade definitiva de seus senhores.  

Em São Leopoldo e na região de colonização alemã, a Revolução trouxe a divisão entre os descendentes de açorianos e alemães. Os alemães revoltosos foram liderados por Hermann Von Salisch (1797-1837) e os imperialistas pelo Dr. João Daniel Hillebrandt. Salisch liderou os colonos alemães engajando-os para o exército farroupilha e também escrevendo e publicando um jornal farroupilha em alemão que é noticiado como o primeiro jornal da história do Rio Grande do Sul. O Colono Alemão (1836), era impresso em Porto Alegre, teve a vida breve de um ano e era voltado aos alemães entre aqueles que podiam se juntar aos revoltosos. Já o Dr. João Daniel Hilebrandt era o então diretor da colônia alemã que lutava para garantir as vitórias do Império contra os revoltosos com a orientação militar do futuro Duque de Caxias, o patrono do Exército Brasileiro.


HISTÓRICO DA FEITORIA DO LINHO CÂNHAMO


A Casa que conhecemos hoje como casa da Feitoria era a sede da Real Feitoria do Linho Cânhamo e foi construída no século XVIII e em 1788 foi ocupada pela Feitoria. Os primeiros contingentes de escravos chegaram ao RS para trabalhar na plantação de linho cânhamo – do qual era extraída uma fibra muito forte para se produzir cordas e o velame dos navios portugueses. Os escravos foram todos transferidos da iniciativa mal sucedida em Rincão do Canguçu (próximo a Pelotas) para a Feitoria em São Leopoldo. O nome do local então era Faxinal do Courita. Em 1801, haviam 238 escravos na Feitoria, veja o gráfico que discrimina suas idades e ocupações. A Feitoria também acabou sendo desativada em março de 1824 por diversos insucessos e conflitos. Os insucessos eram devidos a excessiva exploração do material humano, a certa fertilidade do solo e à má gestão. A casa foi usada depois, em 1824, para abrigar os colonos recém-chegados.

As imagens que possuímos e estudos já bem consolidados comprovam que ela era originalmente uma casa com típica arquitetura colonial portuguesa e que em 1940 sofreu alterações para comemorar também a Imigração, foi aplicado o estilo enxaimel, construído um anexo e a casa foi inaugurada com pompa e circunstância em 1941. O arquiteto desta obra era Theo Wiedersphan, talvez o mais importante arquiteto do início do século no RS, com outras obras também em São Leopoldo, como o atual prédio da Câmara de Vereadores – que aparece nas fotos da Praça do Imigrante e muitas obras neoclássicas em Porto Alegre e outras cidades do Rio Grande do Sul.

Fontes:

BERND, Zilá, BAKOS, Margaret M. O Negro: Consciência e Trabalho. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1998.

MEIRA, Ana Lucia Goelzer. O Patrimônio Histórico Artístico e Nacional no Rio Grande do Sul no Século XX: Atribuições de valores e critérios de intervenção. Tese de Doutorado. Orientação Sandra Jatahy Pesavento. Porto Alegre: UFRGS, Faculdade de Arquitetura, 2008.

HISTÓRICO DA CHEGADA DOS IMIGRANTES


Quando, em 25 de julho de 1824, chegam a São Leopoldo os primeiros 39 imigrantes alemães, após longa viagem de mais de quatro meses, eles foram hospedados na casa da Real Feitoria do Linho Cânhamo. Eles foram cadastrados para emigrar da Alemanha de então, por parte do major Schaefer, e chegaram aqui de modo que muitos arranjos forma feitos para garantir o transporte dos mesmos do Rio de Janeiro até Porto Alegre e desta capital da Província de São Pedro para São Leopoldo.

Somando-se aos descendentes de portugueses e negros já instalados em fazendas na Feitoria do Linho Cânhamo, que até então atuavam na economia local, os imigrantes superaram barreiras culturais, lingüísticas e a falta de recursos, trouxeram para a região não somente agricultores, mas também artesãos, trabalhadores de nível técnico e mais tarde industriário, num ciclo de imigração que segue por mais de 50 anos e que povoa toda a região próxima a cidade e outras regiões do estado com imigrantes alemães. Haviam índios também na região, alguns aculturados e outros não adaptados. Esta contribuição étnica alemã somada às demais, é a base cultural e social do desenvolvimento da cidade e da sua história política e administrativa na região e estado. Isto acabou transformando a região num expressivo cenário produtivo, comercial e de uma cultura de diversidade.

Fontes:
DREHER, Martin. O Desenvolvimento Econômico do Vale do Rio dos Sinos. In: PELOS CAMINHOS DA RUA GRANDE: Histórias da São Leopoldo Republicana. Org. ARENDT, Isabel C. e WITT, Marcos A. São Leopoldo: OIKOS Editora, 2011, pp.43-53

HISTÓRICO RUA GRANDE


A Rua Grande ou Rua Independência é ainda hoje a rua principal da cidade de São Leopoldo. Ela tem sido isso desde o período anterior à chegada dos imigrantes e nesta época era conhecida como Rua do Passo, prosseguiu assim com o desenvolvimento posterior a colonização, como um grande centro comercial da sede da colônia. Apesar da cidade hoje, após todas as emancipações, ter se desenvolvido muito a partir dos anos 70,  ao ponto de ter mais cinco ruas centrais de bairros – na Feitoria, na Campina. No Rio Branco, na Scharlau e na Brás que constituem verdadeiros centros econômicos e macro regionais.

O Passo era o ponto de travessia mais raso do Rio dos Sinos, o que leva a crer que praticamente todas as cargas e gentes que transitavam ou eram transportadas para a Serra ou capital do Rio Grande do Sul, seja a partir dos municípios de colonização alemã, ou a partir dos municípios e povoados dos campos de cima da serra e das vacarias, passaram durante muito tempo, de forma preferencial, por aquele ponto, pelo menos até à construção da ponte a cem metros dali.

A história do local da Rua do Passo, remonta aos primeiros povos indígenas que em certas estações fixavam habitat ali. Após isto, no período de povoamento português e espanhol, ela era estratégica nos deslocamentos e transportes de tropas, tropeiros e na circulação de bens e das gentes e foi conhecida como Faxinal da Courita. O Rio dos Sinos e a Rua do Passo – hoje conhecida como Rua Grande – era parte do trajeto entre a capital e os campos de cima da serra. Um pouco mais tarde – no século XVII – iniciam as ocupações e a divisão do território nas sesmarias. Em 1788 ocorre a fixação da Feitoria do Linho Cânhamo que mais tarde será desativada às vésperas da recepção dos imigrantes alemães em 1824. A partir disso surge a Rua Grande com o povoamento.

HISTÓRICO DA REAL FEITORIA DO LINHO CÂNHAMO


A Casa que conhecemos hoje como casa da Feitoria ou Casa do Imigrante, era a sede da Real Feitoria do Linho Cânhamo e foi construída no século XVIII e em 1788 foi ocupada pela Feitoria. Os primeiros contingentes de escravos chegaram ao RS para trabalhar na plantação de linho cânhamo – do qual era extraída uma fibra muito forte para se produzir cordas e o velame dos navios portugueses. Os escravos foram todos transferidos da iniciativa mal sucedida em Rincão do Canguçu (próximo a Pelotas) para a Feitoria em São Leopoldo. O nome do local então era Faxinal do Courita. Em 1801, haviam 238 escravos na casa. A Feitoria também acabou sendo desativada em março de 1824 por diversos insucessos e conflitos. Os insucessos eram devidos a excessiva exploração do material humano, a certa fertilidade do solo e à má gestão. A casa foi usada depois, em 1824, para abrigar os colonos recém-chegados.

Fonte:
BERND, Zilá, BAKOS, Margaret M. O Negro: Consciência e Trabalho. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1998.

OS AÇORIANOS


A ocupação portuguesa do Rio Grande do Sul foi primeiramente um empreendimento religioso, como já vimos, através das Missões Jesuíticas e depois do insucesso de tentativas civis, foi uma empresa militar sob a liderança do brigadeiro José da Silva Paes (1679-1760), conhecido como um grande estrategista, engenheiro e administrador colonial. Comandou as expedições à Colônia de Sacramento e fundou a cidade de Rio Grande em 1737, construindo nela o forte Jesus, Maria, José.

“...a 19 de fevereiro de 1737, o Brigadeiro Silva Paes descia a terra, com um contingente de 254 arcabuzeiros e dragões, dando nascimento ao quartel e vila de Rio Grande – núcleo inicial da Capitania Real de São Pedro do Rio Grande do Sul." - Manuel José Gomes de Freitas.

O tratado de Madri de 1750, entre Portugal e Espanha, esta reconhece pelo princípio do direito privado romano do uti possidetis, ita possideatis (quem possui de fato, deve possuir de direito), garante a posse desse território conquistado por Silva Paes à Coroa Portuguesa. Para povoar o território português conquistado.

Entre os anos de 1750 e 1754, cerca de 1273 açorianos aportaram na Vila de Rio Grande, em trânsito para as Missões. Em 1752, sessenta dos casais instalados na Vila do Rio Grande são conduzidos para o Porto de Viamão, na Sesmaria de Gerônimo de Ornellas. Seis anos mais tarde o lugar já é conhecido como Porto dos Casais, hoje Porto Alegre. Os portugueses que ocuparam o Rio Grande do Sul, são em geral chamados de açorianos, porém, pesquisas mais recentes esclarecem que nas Ilhas dos Açores havia no início do século XVIII uma superpopulação de portugueses e outros povos do continente europeu que se refugiavam das muitas guerras que ocorriam entre as nações europeias. Muitos destes eram cristãos novos e isso significa que os sobrenomes portugueses eram apostos ou substituíam as identidades étnicas de judeus, flamencos, holandeses, franceses e muitos outros. Estes são os casais açorianos que passaram a povoar o Rio Grande do Sul após 1750. Eles chegam ao Porto de Viamão que passa também a ser conhecido como Porto dos Casais e se espalham por diversas outras sesmarias que foram concedidas até 1815. São destas levas os portugueses, açorianos ou europeus que passaram a se ocupar nas áreas que vão de Viamão, passam por Gravatai e atingem o Vale do Rio dos Sinos.             

OS INDIOS E OS PORTUGUESES

Quando do descobrimento da América em 1492, e do Brasil em 1500, haviam indígenas que povoavam todo o território da América e a costa brasileira era povoada por diversas tribos. No sul, haviam basicamente três etnias indígenas tupis-guaranis, minuanos e charruas. Em 1682, Jesuítas portugueses implementaram um projeto de catequização e ocupação do território ao sul conhecido como Missões Jesuítas ou Reduções Jesuítas. Neste projeto, muitos indígenas tupis guaranis foram aculturados. As demais tribos eram muito mais resistentes. Mais tarde, com a ocupação portuguesa do sul, e, antes mesmo dos conflitos com os espanhóis do rio da prata, os Jesuítas enfrentaram ataques dos bandeirantes paulistas. As Missões foram combatidas e ocorreu a dispersão dos indígenas e o gado se espalhou de modo selvagem sobre as regiões conhecidas como Vacaria del Prata e Vacaria dos Pinhais.

Em 1737, José da Silva Paes funda o forte Jesus Maria José onde hoje fica Rio Grande no extremo sul e passa a fazer forte resistência garantindo o povoamento militar e civil dos portugueses do que vai ser conhecido como a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Com o tratado de Madri de 1750, a área passa a fazer parte de Portugal e começa a se consolidar a ocupação portuguesa que vai dar num primeiro processo de colonização açoriana. A Companhia de Jesus foi expulsa de terras portuguesas em 1759.

A dispersão ou as migrações dos indígenas nativos ou aculturados, gerou uma espécie de miscigenação e um novo ciclo de ocupação indígena pelo território gaúcho. Em São Leopoldo, na região do Rio dos Sinos, os indígenas caingangues, também coroados, guaianás, eram conhecidos pelos portugueses e outros europeus como Bugres em virtude do preconceito que eles tinham com essas tribos de migrantes e nômades que não eram católicos e eram muito combativos também na defesa de seus territórios. Diversos conflitos ocorreram entre portugueses e indígenas e depois com a chegada dos alemães também ocorreram mais conflitos. Mesmo assim, em meio a tudo isso, a etnia indígena e o DNA indígena é encontrada na base da formação humana de muitos, senão todos, os habitantes do RS. Hoje, os índios sobrevivem sob a proteção da Funai. E muitas tribos indígenas se encontram em assentamentos, aldeias e reservas, como a reserva que temos em São Leopoldo, conhecido como Por Fi Ga e habitado principalmente por caingangues.         

PAINEL HISTÓRICO E TEMÁTICO DE SÃO LEOPOLDO


No conjunto de 20 Banners que se seguem apresentamos um painel histórico e temático com imagens, pinturas, textos e com uso de múltiplas fontes.

O objetivo principal desse painel é incentivar o estudo e despertar a curiosidade dos jovens e dos cidadãos e cidadãs que julgam importante compreender a história da cidade para viver nela em comunidade e em respeito à diversidade. Ao avançarmos sobre a sua história, suas imagens, seus testemunhos, as memórias de seus cidadãos e, também, sobre as obras históricas e mais científicas e sobre os relatos dos seus visitantes, a cidade se mostra diversa e muito mais singular do que aparece a primeira vista a partir de categorias dominantes. Já foi dito que a dinâmica social da cidade é muito surpreendente e que ela se mostrou em diversos episódios da sua história. É importante exibir essa diversidade de forma quase viva para suscitar nessa cidade a preservação dessa história com energia de mudança e de protagonismo.     

Isto foi feito dentro dos limites máximos de precisão e completude em cada um dos temas e episódios importantes para a história da cidade apresentados e selecionados previamente. A pesquisa de fontes e dos temas superou em muito o que apresentamos, mas consideramos que conseguimos iniciar esse processo que quiçá poderá ter outras etapas também. Essa série de painéis não é definitiva, completa e exaustiva, posto que faltam ainda diversos personagens, acontecimentos e elementos da paisagem natural e humana.

O trabalho contou com o incentivo da Secretaria Municipal de Cultura e Relações Internacionais da Administração Pública Municipal.

Daniel Adams Boeira – Concepção e Pesquisa Histórica
Rogerio Tosca – Concepção, Pesquisa e Tratamento das Imagens

PORQUÊ SÃO LEOPOLDO?


O nome São Leopoldo se deve a uma homenagem a Imperatriz Leopoldina – Maria Leopoldina da Áustria (1797-1826), esposa do Imperador Dom Pedro I. Pertencia a família real austríaca e recebeu seu nome também em homenagem ao Rei Leopoldo III da Áustria (1073-1136). O Rei é o fundador da cidade de Viena e foi canonizado em 1484, pelo Papa Inocêncio VIII. Sendo o Padroeiro da Áustria. São Leopoldo era um rei “piedoso”. A Imperatriz Leopoldina é, por sua vez, uma das grandes incentivadoras da Independência do Brasil. Infelizmente, a caçadora e hábil interlocutora da qual temos  relatos, faleceu jovem aos 29 anos, em 1826, sem poder ver os frutos e a diversidade impressionante que foi cultivada no ambiente e no entorno da Colônia, Vila, Cidade e Urbe que recebe o nome de São Leopoldo em sua homenagem e que hoje é considerada “O Berço da Colonização Alemã no Brasil”.         

ATUALIZAÇÃO DE PUBLICAÇÕES

Nos últimos dois anos e oito meses, tenho trabalhado intensamente na produção de textos históricos e boa parte desses materiais tem sido publicados em outros meios. Hoje vou tentar publicar todos os textos produzidos para os Banners da História de São Leopoldo que eu e o Rogério Tosca concebemos nas primeiras semanas de julho de 2018. Espero que contribuam para a divulgação dos temas e dos tratamentos. Minha opção é publicar somente os textos para apreciação. Depois publicarei outros trabalhos específicos ou dirigidos a outros temas.

sábado, 11 de maio de 2019

A GREVE NACIONAL NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA NUNCA FOI TAO NECESSÁRIA


A educação está sendo atacada de cima abaixo, na pós graduação, na iniciação científica, com diversos programas extintos, nas universidades sendo sucateadas e perdendo recursos, nas escolas federais e militares, nas escolas estaduais e municipais, os educadores podem ter que trabalhar entre cinco a dez anos a mais para se aposentar com salário integral, somos atacados publicamente por um monte de incapazes, desrespeitados com escola sem partido, atacam Paulo Freire na maior covardia, propõe ensino domiciliar e familiar para não ter que pagar mais professores, no RS estamos quatro anos e cinco meses sem reajustes, recebendo salários atrasados a 42 meses e ainda tem colega achando que ainda precisa discutir essa greve. O governo federal colocou no ministério da educação o que poderia ter de pior para estar lá. Tem professor sendo filmado e morto nas escolas. Querem fazer arminha e armar as pessoas e quem vai sofrer mais somos nós mesmo que ainda tentamos defender e trabalhar com alguma cultura. Essa greve, do dia 15 de maio de 2019, é tão óbvia e tão evidente que é absolutamente necessária e deve ser realizada com grandes manifestações de todos os estudantes, educadores, pais e mães de todo o país.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

INJUSTIÇA COM SÃO LEOPOLDO


A injustiça perpetrada pelo governo do estado com a saúde do povo de São Leopoldo e da região atendida pelo Hospital Centenário. 3% é o resultado da política das migalhas, do descaso e do desrespeito. Mostra a irresponsabilidade do Governo Estadual que atende 25 municípios.



DEFESA DO HOSPITAL CENTENÁRIO: COMPARAÇÃO COM O FINANCIAMENTO DE OUTROS MUNICÍPIOS POR PARTE DO ESTADO & APOIO AO COMITÊ


Enviei convite para praticamente todos os meus amigos e amigas do Facebook para curtirem essa página COMITÊ POPULAR EM DEFESA DO HOSPITAL CENTENÁRIO, de defesa do Hospital Centenário. Peço o apoio de todos.

O Hospital Centenário completou em 15 de fevereiro deste ano, 88 anos de funcionamento ininterrupto na cidade e região e atende a população de 25 municípios das regiões do Vale dos Sinos, Caí e Paranhama em especialidades para as quais é referência, além de atender as urgências e emergências que são encaminhadas ao Pronto Socorro, por exemplo, quando ocorre um acidente de trânsito na BR 116 ou na RS 240, é no Hospital Centenário que essas vítimas são atendidas, após o socorro do SAMU. Porém, sofre com o Descaso Histórico do Governo do Estado que repassa apenas R$ 255.000,00 ao mês para a instituição o que equivale a apenas 3% dos recursos para manter a instituição aberta e em operações. O Governo Federal repassa R$ 1.700.000,00 mensais o que equivale a 19% do custeio. Isso tem obrigado a Prefeitura Municipal de São Leopoldo a arcar com mais de R$ 7.000.000,00, ou seja, 78% dos custos operacionais da instituição. O absurdo é tamanho que outros Hospitais do estado, com menor capacidade instalada (número de leitos e bloco cirúrgico, bem como, UTI Neonatal e UTI Adulta) recebem mais recursos,inclusive hospitais de municípios bem próximos, como é o caso dos Hospitais de Esteio ( R$ 2.011.000,00), Sapucaia do Sul (R$ 3.380.000,00) e Novo Hamburgo (R$ 2.740.000,00). Isso é uma INJUSTIÇA como o povo de São Leopoldo e a Administração Municipal que dispende mais recursos na manutenção de um serviço de saúde que é de interesse de toda a região e que também é de responsabilidade do Estado.

Ajude a divulgar essa luta justa e vencer o descaso, o descompromisso e a irresponsabilidade da Administração Estadual.

HOSPITAL CENTENÁRIO DE SL E REGIÃO: ESSA CONTA NÃO FECHA!


Em nota da Secretaria Estadual da Saúde, esta afirma que recebeu, na nova gestão, mais de uma vez o prefeito de São Leopoldo, para tratar da questão do custeio do Hospital Centenário. Porém, não apresentou até hoje nenhuma resposta para contribuir com a garantia da atenção à saúde hospitalar em diversas especialidades, dos moradores de diversos municípios da região do vale do Rio dos Sinos, Caí e Paranhama que são atendidos pelo Hospital Centenário de São Leopoldo.

Os 25 municípios atendidos pelo Hospital são:

1.            Barão
2.            Brochier
3.            Capela de Santana
4.            Estância Velha
5.            Esteio
6.            Harmonia
7.            Ivoti
8.            Lindolfo Collor
9.            Maratá
10.          Montenegro
11.          Morro Reuter
12.          Nova Hartz
13.          Pareci Novo
14.          Portão
15.          Presidente Lucena
16.          Salvador do Sul
17.          Santa Maria do Herval
18.          São José do Hortêncio
19.          São José do Sul
20.          São Leopoldo
21.          São Pedro da Serra
22.          São Sebastião do Caí
23.          Sapucaia do Sul
24.          Tabaí
25.          Tupandi

Ora, a saúde desses 25 municípios, com mais de 770 mil habitantes de população estimada pelo IBGE, em certas especialidades (Frenologia, Rede AVC, Oncologia), é praticamente custeada exclusivamente ou majoritariamente pela Prefeitura Municipal de São Leopoldo. Com setenta e oito por cento dos recursos no custeio, manutenção e pagamento de salários de funcionários, enfermeiras, médicos e todos os profissionais. Assim, a Prefeitura Municipal contribui nessa conta com 78%, o Estado contribui com apenas 3% e a União com 19%.

É um grande absurdo essa injustiça, o tamanho descaso e o tamanho desrespeito com a população de São Leopoldo. Não se trata aqui de uma discussão política ou partidária ou de uma discussão de quem é o prefeito ou quem é o governo, aqui se trata de fato de fazer justiça e garantir e proteger a saúde da população de nossas cidades.