terça-feira, 21 de outubro de 2014

ARGUMENTO

Estes dias, após a noite em que assisti a um debate em que o acusado por N situações, respondia simplesmente por ofensas ( é "mentira", a senhora é "leviana'), sem apor nenhuma prova ou contra-prova às acusações, sem apresentar um contra-argumento sequer e ainda gracejar, dei então, no dia seguinte, um bom dia àqueles que tem argumentos e que gostam de argumentação.

Não fiz isto por ironia, mas sim por pensar que o nosso mundo fica melhor com  argumentos e argumentação. Por pensar que nossa vida pode ser mais feliz - se alem de sermos sensíveis e humanos - cuidarmos de seguir e construir argumentos em nosso discursos, diálogos e debates.

Argumentar é dar razões. A negação de um argumento, ou o deboche, não transforma sua expressão em contra-argumento, nem imuniza aquele que o faz às exigências da razão. Pode passar em branco, pode ser o caso que ninguém lhe cobre o compromisso ou o sentido de suas palavras, mas isso não abala em nada um argumento bem formado. Para termos um contra-argumento precisamos refutá-lo ou prová-lo, demonstrá-lo como invalido ou falso. Quem não entende isto ou não compreende isto deveria se calar nos debates públicos e deixar suas questões de opinião ou preferências para sua esfera privada. Não se determina da possibilidade de diversas versões que não possamos paulatinamente ir avaliando uma por uma e encontrar a mais razoável ou verdadeira. Relativizar razões e fatos é somente um exercício retórico e quem o faz pressupõe de forma arrogante que pode ludibriar o outro ou enganá-lo.

Todos os nossos sonhos mais progressistas, republicanos e democratas tentam de alguma forma encontrar e se associar com homens e mulheres, jovens e idosos e construir um tempo em que se esgote de vez o triunfo e o tempo dos espertos, dos exploradores, dos aproveitadores, dos usurpadores, dos mercenários e dos vendilhões. Um país justo depende muito disto. No chão no qual eu caminho não há espaço mais para certas coisas. Talvez tenha algum interesse e satisfaça a boa curiosidade dos meus alunos e alunas, colegas e amigos que estou super ocupado agora - neste momento e nestes últimos dias - apesar das desafiadoras situações políticas e também por elas, com  a lógica da argumentação. Sim, que estou de braços dados e ocupados com isso e que ando estudando lógica e filosofia da lógica para as aulas dos terceiros anos sobre Argumento e Argumentação. E as bases são Aristóteles e Frege que estou revisitando.

Aristóteles por conta daquele beabá de formas do raciocínio ou dos silogismos. Ao olhar para os "modus" tento estimular os alunos a terem consciência e a adotarem certos modelos de dedução ou demonstração nos desenvolvimentos dos seus textos dissertativos. E todos sabemos que quanto mais consciente de sua argumentação e de seu modelo argumentativo mais caprichado fica o nosso raciocínio, a nossa expressão e a nossa argumentação.

Mas Frege tende a me cativar sempre muito mais. Em sua simplicidade e precisão, inteligência e economia argumentativa. Nossa, fico realmente impressionado com a sacada do Frege em Função e Conceito e nos outros ensaios dele. A ideia de formalizar raciocínios com mais de um argumento me estimula muito em diversas áreas do conhecimento. principalmente neste momento em que tento - via seminário integrado - discernir claramente opiniões de informações e informações de conhecimentos, numa perspectiva que marque definitivamente a formação deles e também na distinção entre conteúdos formais e materiais do nosso pensamento que nos possibilita - agora já via Pacto pelo Fortalecimento do Ensino Médio - a tratar melhor dos conhecimentos de diversas disciplinas, integrá-los mais e aproximá-los mais e produzir traduções, por exemplo, de fórmulas matemáticas em narrativas e de descrições históricas ou de outros ramos das ciências humanas e artes em fórmulas ou em expressões formalizadas.  Pensar em argumentos nunca me pareceu um desafio tão grande e a pesquisa tem me alegrado muito. Para efeitos de ilustração e compreensão uso duas acepções de Argumento. Num primeiro sentido, A1 = Argumento é um elemento de um raciocínio, já, num segundo sentido,  A2 = Argumento é o conjunto de um raciocínio que pode possuir um ou mais de um argumento.  A minha opção por raciocínio aqui responde a necessidade de afirmar a natureza da complexidade e a assertividade do pensamento. Portanto, onde você ler raciocínio aqui leia também algo que pode ser pensado e que pode ser apresentado em um discurso, mas cuja natureza combina sempre mais de um elemento e jamais uma ideia não predicada ou não categorizada. por mais formal que possa parecer, por mais que possamos eliminar tudo e reduzir tudo a uma função, há ai algo complexo seja Fx, ou F(X), se diz algo de alguma coisa, ainda que a natureza, o gênero ou mesmo a determinação ainda esteja por se completar.

Em um argumento nós apresentamos nossos pensamentos encadeados por proposições e provas. Mas podemos encarar como argumentos também estas últimas por cumprirem a função de dar conteúdo ou justificar nosso raciocínio. Assim, por exemplo na operação 2+X=5, X=3 e sabemos que a variável X ocupa o lugar do argumento 3, e que, portanto, 3 é o argumento que precisamos para provar a verdade da operação ou do nosso raciocínio matemático. Se X tiver qualquer outro valor, então ela não é um argumento para aquela operação. Faço uso aqui e me parece evidente da mesma ideia luminosa de Frege de que podemos pensar melhor aqui em termos de função e argumento, tomando emprestada da matemática estas noções. As minhas diferenças aqui é que trato o todo de uma função também como argumento, no sentido de que um argumento pode conter dentro de si outros argumentos - ou que - no sentido de que uma função pode entrar em outra função - por inclusão de novos símbolos - também como um argumento e assim sucessivamente à medida da nossa necessidade e de forma parcimoniosa e refletida.

Além disso, incluo aqui toda a terminologia proposicional tradicional, sentido, significado, referência e validade e verdade - se é que posso chamar isto assim de teoria da proposição tradicional já - e atribuo às proposições o papel de comporem em um raciocínio com suas respectivas provas em um raciocínio. Sei também que existem diferentes tipos de argumentos segundo a natureza dos seus conteúdos e poderia ilustrar isto aqui com proposições standard ("The book is on the table." ou "o gato está no mato.") e/ou proposições e demonstrações científicas de diversas áreas.

Neste ano da graça de 2014, já se fazem cem anos que o jovem Ludwig Wittgenstein entrou na primeira guerra com seus Notebooks dentro da mochila e que começou a escrever o Tractatus Logico-Philosophicus, mas cada vez me entusiasmo mais e mais pelos problemas que ele enfrentou e pelas soluções que ele deu a eles, mesmo que depois tenha descartado algumas, ainda em desafia a pensar como formalizar nosso pensamento e como traduzir nossas fórmulas em um discurso com palavras e proposições claras e inteligíveis para todos.


Assim, num discurso, num diálogo ou em um debate ou discussão importa em respeito ao próximo não somente afirmar proposições, mas também acompanhá-las de demonstrações ou provas de tal modo que nãos e vendam afirmativas sem razões que as justifiquem.            

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