Muitas teorias procuram dar conta da diversidade estética gerada pela modernidade. Não é esta minha especialidade, nem minha maior área de interesse, mas após ousar adquirir IMAGENS de Ingmar Bergman, sem ter vistos sequer uma terça parte de seus filmes, o que por si só já é um acidente biográfico razoável e iniciar uma das leituras mais prazerosas que já realizei pelo misto entre vida e obra ali presente e sentir uma intensa afinidade entre ideias e criações - e entre suas ideias e algumas impressões minhas e algumas questões e conceitos com que ando zanzando sobre a vida,a liberdade, crença, fé, arte, relações e etc, e também sobre autenticidade, felicidade, educação, segredos e revelações, culpas, doenças, maturidade e infância, menoridade, interpretação, verdade, depressão e discurso, me alegro com o que leio e com o que vi. E fiquei pensando que com ele - assim como com alguns outros artistas - a questão não é a do filme ou obra intelectual ou intelectualizada, ou do papo cabeça, mas sim de uma certa relação entre o que eu chamaria de Estética Autêntica e Vida, que se resume conceitualmente para mim entre a nossa forma de ser e a nossa forma de pensar...num tempo em que muitos querem ser uma coisa, pensando em outra, este encontro na na obra dele e na pessoa dele me gratifica. Pois a honestidade com que ele narra e nos apresenta bem objetivamente suas ideias e experiências sentimentais e existenciais próprias e paralelas com seus filmes é uma grande lição de reflexão e auto-consciência. E para mim isto é absolutamente necessário para uma verdadeira arte que faça sentido ou que desperte um desafio real - ainda que seja com fantasias e delírios, sonhos e imagens, ao sentido. Haveria, então para mim, uma estética da autenticidade, como a letra da canção que ontem improvisei para minha filha gremista que me pintava à caneta: NÃO ME PINTA COM TUAS CORES ANTÔNIA, PORQUE SE VOCÊ ME PINTAR, EU FICAREI AZUL..., naqueles meus acordes a rima entre Pinta, Antônia e Azul é perfeita, e isto ao entardecer de uma tarde, após passarmos vibrando pelo Beira-Rio na ida e na volta da Fundação Iberê Camargo e excitados com a possibilidade de assistir ao nosso primeiro jogo de futebol juntos com a Isabella e, ao mesmo tempo, premidos pelo tempo e outars agendas familiares. Uma obra singela como esta tem a mesma dimensão para mim de uma grande obra, ela vem da vida e pertence à vida do seus autor. Neste tipo de estética não há nas suas emoções aquela contenção forçada que sói aparecer nos que fazem muitos planos. Nestas obras eu sinto como que um fluxo entre argumento, narrativa, roteiro, enredo e aquele mundo paralelo e real do autor que acompanha este processo. E Bergman ilustra isto muito bem com algo que me deixou também impressionado: ele fez muitos filmes premidos pelo tempo curto de filmagem: de 30 a 45 dias, e lhe saiu aquelas obras de cuja autenticidade e significatividade não podemos duvidar e cujas impressões e perfeições não conseguimos nos descolar ao assistir tão rapidamente. O tempo na arte é um relativo fundamental com a intensidade do sentimento que o acompanha e isto só se mostra se houver alguma relação entre a estética e a autenticidade, entre a forma de ser e a forma de pensar.
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
domingo, 30 de novembro de 2014
YES - SOON
Deve ser um sonho bom, sonhar com
isto. Deve ser uma ótima mensagem acordar com esta melodia e com esta letra na
cabeça. Deve ser algo que possa ter sentido. Mas um sentido comum a respeito de
como confortar o outro ou como fazer algo belo que toque o coração do teu
próximo. Não sei, mas para mim é só isso e isso é muito mais do que muito mais
do que isso. Obrigado....YES - SOON - LIVE 2002 YES-SOON
sábado, 29 de novembro de 2014
NIETZSCHE DELIRANTE
Algumas pessoas que admiram
Nietzsche - e Nietzsche é uma das maiores modas filosóficas de todos os tempos
- gostam de atentar e se apaixonam pelo personagem "delirante"
presente nele e em suas ideias e gostam também de fazer de conta que o lúcido e
o hiper-crítico nele é somente uma exceção, uma certa excepcionalidade. Creio
que não percebem que são somente duas facetas do delírio: tanto a extrema
lucidez e sua crença em si mesma, quanto a extrema loucura ou delírio e seu
dionisíaco impulso.
E Isto é o que explica parte da “dialética” entre dionisíaco
e apolíneo. Nietzsche jamais foi um
detrator da lógica ou da ciência, ele é um demolidor de ídolos e, neste
sentido, se a lógica e a ciência, ou a fé e a moral, ou toda a metafísica ocidental
tiverem – de alguma forma - passado a erigir ídolos, então a lucidez dele e a
nossa vigilância vai apontar justamente para este delírio. E a nossa própria
tenacidade não poderá se sentir confortável enquanto ainda há muito por
fazer....por um demasiado humano....
e esta é só minha pequena nota para a ótima dica abaixo
do Jônadas Techio que cita comentário de Rogério Lopes hoje no Facebook à seguinte
passagem:
“A ciência exercita a capacidade,
não o saber. – O valor de praticar com rigor, por algum tempo, uma ciência
rigorosa não está propriamente em seus resultados: pois eles sempre serão uma
gota ínfima, ante o mar das coisas dignas de saber. Mas isso produz um aumento
de energia, de capacidade dedutiva, de tenacidade; aprende-se a alcançar um fim
de modo pertinente. Neste sentido é valioso, em vista de tudo o que se fará
depois, ter sido homem de ciência.” (NIETZSCHE, Humano, demasiado Humano, I,
1878: 256)
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
FIM DE JOGO
Boa parte da nossa vida consiste em jogar um jogo cujas regras e atalhos, ataques e recuos vamos apenas aprendendo, errando e acertando, tateando como que no escuro. Quando, afinal, para alguns de nós, de fato aprendemos algumas coisas, o jogo simplesmente acaba. Neste filme, O Sétimo Selo (1956), de Ingmar Bergman - entre diversas outras coisas tão ou mais interessantes quanto esta - nos mostra que é preciso ser um verdadeiro artista parta escapar da morte, ludibriá-la e retardar sua vitória sobre nosso frágil corpo. Nesta cena o cavaleiro busca entender esta vida e vencer a morte num jogo de xadrez cujo final todos devem saber, posto que a morte ali - como o absoluto ou a totalidade negativa - é quase a única fonte de todas as jogadas possíveis, pois possui em si uma espécie de depósito de todas as sutilezas, gambits, manobras e esquivas produzidas por todos os outros homens que ousaram desafiá-la de alguma forma. E tanto a humildade como a arrogância podem muito bem acompanhar esta desafio, pois quando olhamos para morte jamais olhamos para um vazio mas sim para nós mesmos em nossa completa observação. Assim, desta forma eu vejo este olhar do cavaleiro para a morte: olhando para si mesmo e tentando ocultar o que pensa. Mesmo não sendo possível fugir à morte é, então, ainda possível pensar nisto. Por esta estreita passagem projetamos sobre nós e os nossos a imortalidade como uma aposta da razão, que não nos custa nada e nos conforta, porque com toda dor e sofrimento, ainda assim tentamos e persistimos mais um pouco.Não há nada de insensato nisto, pois justamente a partir daí que se abrem as nossas mais nobres esperanças de que as coisas possam um dia ser melhores ou diferentes, ainda que o jogo se encerre para nós.
AS CARTAS DO DESENTENDIMENTO E DO ENTENDIMENTO: DE NEAL CASSIDY A JACK KEROUAC; DE ALBERT CAMUS A JEAN PAUL SARTRE
Bom Dia...
As Cartas importantes andam mesmo aparecendo ultimamente. Curiosamente cartas do período do pós guerra e dos anos 50. Na segunda-feira fomos brindados coma notícia de que a famosa carta desaparecida sobre Joan Anderson de 1950, de Neal Cassidy para Jack Kerouac - a inspiradora missiva que fez Jack mudar o rumo e o estilo de sua prosa, será leiloada em 17 dezembro deste ano.Veja a matéria aqui.
Agora apareceu uma das últimas cartas ainda inéditas de Albert Camus a Jean Paul Sartre anterior a ruptura de ambos. Matéria do Jornal Folha de São Paulo sobre isto aqui.Na segunda-feira mesma, antes de saber de Jack e Neal dei uma lida legal numa matéria sobre a visão de Virginia Wolf sobre a importância do estilo, forma e conteúdo das cartas, correspondências ou epístolas.
Para mim as cartas são as peças mais claras de um diálogo e mais são aquelas peças que não escutam a resposta do interlocutor, mas o provocam e reapresentam as diferenças e os conteúdos próprios dos diálogos entre dois interlocutores. As vezes com uma carata só se sabe o que estava pegando entre ambos. Qual o ponto de controvérsia, desacordo, acordo e que propostas no jogo ente ambos, que lances no jogo entre ambos foi feito por um ou por outro.
E compreender as diferenças é bem mais importante do que pareceria. Entre Jack e Neal havia uma espécie de transe que mesmo na diferença calhou a produzir On The Road e não me admire que entre Sartre e Camus houvesse também algo semelhante. Compreender então a diferença entre ambos, não para eleger o melhor, mas para compreender a diferença e as escolhas de cada um, é também um exercício do nosso entendimento sobre o que é em cada um e entre ambos a pedra de toque. Descobrir as motivações e analisá-las vira então um exercício do nosso pensamento e sensibilidade.
Assim, o caminho do nosso pensamento conduz a diversas formas de encarar as diferenças...entre estas a mais nobre e elevada envolve ter clareza mesmo no desentendimento....preservando a cordialidade e civilidade mesmo na divergência, na adversidade e na contrariedade....não se é racional ou razoável porque se concorda com o outro ou porque e somente se concordamos com ele, mas também no desacordo se pode ser mais razoável, tendo clareza da diferença, tendo a maior precisão da exata diferença que gera ou justifica o desacordo...só resta aos dogmáticos, aos fanáticos e aos sectários a paixão, o ódio e a raiva, porque se desentendem com qualquer um pela mera diferença de convicções, opiniões e situações originais - singulares - e é somente quando isso ocorre que não há mais diálogo...mas esta renúncia será sempre o prenúncio de um regresso à barbárie, à vilania e à violência....é uma decisão difícil e dura ingressar neste terreno e eu creio que cada um de nós deveria ter uma espécie de freio de contenção...alerta automático de prudência para compensar e conter nossos impulsos e, além disso, deveríamos lembrar sempre a todos e a qualquer um onde isso tem acabado e no que foi dar a iniciativa de compreender as diferenças como razão de guerra, não de luta, ou debate, nem de diálogo e entendimento ou desentendimento com clareza....então, assim, para mim, a pergunta que se apresenta aqui é e será sempre: o que é o ser humano que queremos preservar em nós e em que forma dele queremos apostar e desenvolver na nossa própria humanidade e do outro?
Veja-se que o tempo passa e nos impõe a responsabilidade de decidir, ou em hipótese de que tanto eu como você tenham,os que fazer isto, como Camus e Sartre já o fizeram, precisamos ter este acordo sobre isto: sobre nossas diferenças...
No caso se é que você me compreende não é a questão...mas sim se você compreende mesmo a diferença entre a minha e a sua posição...após isso podemos sim romper, não mais falar, não mais dizer...e cada um andar por si para o seu lado e seu próprio caminho...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
OS NEGROS E OS ALEMÃES HOJE EM DEBATE
Atividade que me interessa na EST
hoje as 19:30 horas, no Auditório H. Porque sou professor de ciências humanas e
porque sou isto justamente aqui em São Leopoldo onde estes dois componentes
étnicos complexos e diversos foram parar, se movimentar e se encontrar na esquina da história e que estes componente não são resumíveis nem homogêneos. Pois eu li
ontem o ótimo texto do Martim Dreher no Jornal VS sobre o tema e considerei bem
importante, porque aponta para a substituição da mão de obra escrava pelos
imigrantes alemães e depois outros e é uma espécie de sinal do pouco caso da
elite em relação aos homens e mulheres que lhe davam serventias no séculos XIX
e que ainda hoje se mostra e se exibe na relação entre as classes subalternas e
a elite. Curiosamente e coincidentemente são os mesmos membros da elite que
neste momento estão votando na ALERGS mais um privilégio para os deputados
estaduais desdenhando dos cidadãos e promovendo somente seus próprios
interesses. E também para se pensar na conflitividade ou naquilo que o falecido
Marcos Justo Tramontini chamou em sua tese de doutorado de "as diversas
situações de conflito" que estou dando certa atenção. Andei pensando muito
na relação destas situações de conflito como reforço à identidade e no que de
fato um negro e um alemão possuíam como identidades que lhes permitiram
sobreviver e resistir em luta contra exploração, diversas formas de opressão e
outras coisitas mais. Mas não quero mesmo cair num heroísmo aqui. Se dos negros
subsistiu de certa forma a "ancestralidade e a religiosidade", como
se deu isto com os alemães? E na conta miúda onde encontram-se os monumentos
desta barbárie e que símbolos e sínteses foram produzidas na superação ou ao
final de cada um destes conflitos ou de cada partida deles? Quando olhei para a
Praça do Imigrante a partir desta pista da conflitividade me dei por conta que
ela apresentava uma forma de síntese monumental e integradora das diversas
identidades - alemães e portugueses, católicos e luteranos, liberais e
conservadores, positivistas e outros - e uma certa pessoa muito sabiamente me
lembrou que só os negros não estavam representados naquele monumento e fiquei
pensando muito nisto entendendo justamente que a concessão aos alemães havia
sido conquistada a ferro e fogo, mas que ainda falta muito para saldar e
descobrir este pelourinho invisível que parece estar encoberto ai. Mesmo com
todos os estudos sobre substituição da mão de obra - que são muito importantes
- parece que me aparece só a ponta deste Iceberg. Eu conheci ainda na minha
Infância o Clube 25 de Julho que ficava na esquina da Rua Brasil com a Rua São
Joaquim. Havia uma águia em sua fachada cujo molde é o mesmo daquela que está
em frente ao MUSEU Histórico. Mas esta história ainda não foi devidamente
contada. Ontem - enfim - ao comentar o texto do Martin "Imigrantes e
africanos" na sala dos professores, um colega irrompe o diálogo com a
seguinte afirmação "meu pai era escravo até os 15 anos, hoje possui 93
anos. Para sair desta situação fugiu com a esposa do...... e se alistou no
quartel mentindo a idade." eu fico estupefato e extremamente interessado em
compreender esta história que mostra uma ponta solta na nossa leitura deste
longo processo. Isto, então, é um indicio a mais que só mostra que ainda há
muitos indícios, memórias, sinais e narrativas a serem reconstruídas e de que
devemos olhar melhor para o que vou chamar aqui de uma certa escravidão
residual no século XX que deve ter sido paulatinamente dissolvida com a CLT e a
Segunda Guerra Mundial. Posso então, me perguntar por conta disto o quanto de
fato ficamos afastados desta chaga? Além disso, creio que é preciso também
lembrar - como disse o marido da Sonia Maria da Silva - que num
adiantou muito a Abolição em 1888, posto que a muitos negros calhou voltar a
senzala apenas sob outro regime de trabalho, mas ainda explorados, ainda
dependentes e ainda subordinados ou tutelados pelos interesses
ideológicos e materiais da elite escravocrata. Bem, vou parando por aqui para
num acabar dando bom dia para cavalo como disse Ronaldo Nado Teixeira em uma citação sua estes dias.
P.S.: Encontrei lá meus amigos e companheiros de longa jornada o Professor João Carlos Alves Rodrigues, o Professor Roberto Swetsch, o sindicalista dos comerciários e meu parente Silvio Braga Boeira, o Júlio Dorneles, o reitor e amigo Oneide Bobsin e conversei animadamente com o Martim Dreher lembrando as boas passagens nossas do período da SMC 2011 a 2012 em que ele me auxiliou muito na pesquisa para o Memorial da praça do Imigrante. Também encontrei o ex-Pibidiano Joel Decothé agora Pastor Luterano e mestrando. O painel foi antecedido de alguns congados e uma bela apresentação de um grande conjunto de alunos e do grupo diversidade. E as questões apresentadas pela platéia e as observações do Martim dão já muitas ideias para se desenvolver. Ando pensando muito em duas coisas tanto em relação aos negros e aos alemães: a aculturação e a formação da identidade dos negros na região de colonização alemã e a escravidão residual aqui na região. Além disso creio que o tema geral de exploração de mão de obra, substituição de mão de obra, formação assalariada e também o regime de trocas na região e de acumulação de capital deveria ser visto com mais atenção. Muita gente fala em que nesta região ocorreu forte produção e distribuição de bens de consumo e acumulação de riqueza, mas vejo poucos dados sobre como isto se deu de fato. Martim reforçou e bem no seu fio condutor as referencia aos estudos atuais que se iniciam com Helga Iracema Landgraf Piccolo, com o tratamento e revelação de que os alemães possuíram escravos e como era a relação deles com os locais, mostrando que não há como se sustentar mais a ideia de que os alemães ficaram isolados culturalmente. Para provar isto cita uma carta de uma alemã que dois após a chegada já está manifestando seu interesse em acumular capital para comprar escravos.
P.S.: Encontrei lá meus amigos e companheiros de longa jornada o Professor João Carlos Alves Rodrigues, o Professor Roberto Swetsch, o sindicalista dos comerciários e meu parente Silvio Braga Boeira, o Júlio Dorneles, o reitor e amigo Oneide Bobsin e conversei animadamente com o Martim Dreher lembrando as boas passagens nossas do período da SMC 2011 a 2012 em que ele me auxiliou muito na pesquisa para o Memorial da praça do Imigrante. Também encontrei o ex-Pibidiano Joel Decothé agora Pastor Luterano e mestrando. O painel foi antecedido de alguns congados e uma bela apresentação de um grande conjunto de alunos e do grupo diversidade. E as questões apresentadas pela platéia e as observações do Martim dão já muitas ideias para se desenvolver. Ando pensando muito em duas coisas tanto em relação aos negros e aos alemães: a aculturação e a formação da identidade dos negros na região de colonização alemã e a escravidão residual aqui na região. Além disso creio que o tema geral de exploração de mão de obra, substituição de mão de obra, formação assalariada e também o regime de trocas na região e de acumulação de capital deveria ser visto com mais atenção. Muita gente fala em que nesta região ocorreu forte produção e distribuição de bens de consumo e acumulação de riqueza, mas vejo poucos dados sobre como isto se deu de fato. Martim reforçou e bem no seu fio condutor as referencia aos estudos atuais que se iniciam com Helga Iracema Landgraf Piccolo, com o tratamento e revelação de que os alemães possuíram escravos e como era a relação deles com os locais, mostrando que não há como se sustentar mais a ideia de que os alemães ficaram isolados culturalmente. Para provar isto cita uma carta de uma alemã que dois após a chegada já está manifestando seu interesse em acumular capital para comprar escravos.
SOBRE BINARISMOS, MANIQUEISMO E OUTROS ISMOS
Sakamoto Ótimo..Veja aqui "Leitores binários em guerra contra seu próprio povo", ele sacou bem e coincidiu de novo, pois estava numa discussão sobre maniqueísmo como exemplo de dogmatismo ontem e creio que se aplica aqui também neste tema do binarismo e em suas formas do que chamei de absolutismo pseudo racional. O exemplo que dei disto está ligado também ao purismo ou perfectismo. O resumo é o velho 8 ou 80, ou A e Z como aponta o Sakamoto. O 8 ou 80 sempre tem este viés e passa uma vida inteira frustrado por julgar sempre a partir de um tudo ou nada. E curiosamente usa este tipo de juízo somente sobre o outro jamais sobre si mesmo. Tenho notado nisto uma tendência mecânica e uma visão simplista da realidade e isto ainda me lembra os padrões de solidariedade que Durkheim tão bem tipificou. Em qualquer um dos casos que possamos apresentar precisamos aposentar o dogmatismo de um lado e o ceticismo de outro e seus pares sentimentais e ingênuos o pessimismo e o otimismo. Algo me diz que estamos dissolvendo ou numa luta árdua contra conceitos-prisão, tentando soltar e libertar as pessoas de ideias que os aprisionam e as impedem de perceber diferenças e encontrar razões. E ontem mesmo estava pensando na necessidade do equilíbrio entre estas coisas e no juízo moderado - ou virtuoso - como bases para uma saúde psíquica que coloque nossos impulsos e nos permita dirigir nossas vidas de forma mais saudável. E digo isso sem buscar uma nova cisma nas igrejas, nas seitas ou nos partidos....
REBATIMENTO E EFEITOS ENTRE A FILOSOFIA E MUNDO REAL: A PARTIR DA ENTREVISTA DE RAE LANGTON
Nesta entrevista Professor Rae Langton: the world’s ‘fourth most influential woman thinker’, a filósofa Rae Langton, a partir das consequências reais e legais de uma discussão da sua análise e de sua concepção de "consentimento" nas relações sexuais, dá em seus termos - aqui traduzidos - um exemplo
do que tenho chamado de "rebatimento" (termo tirado de alguns textos
e aulas de Brum Torres nos anos 90).
Eu uso como "rebatimento" entre a filosofia
e a história (ou mundo real) assim:
"a filosofia poderia, talvez, ter mais de um efeito sobre o
"mundo real". Tão importante quanto isso, o 'mundo real' pode ter
mais de um efeito sobre a filosofia; precisamos ter pessoas reais em mente, em
nossa teorização filosófica ".
Os efeitos correspondem, ao que eu chamei
de lances de um jogo de tênis. Saque-resposta, cabendo às vezes à filosofia e
às vezes à história ou mundo real dar início a uma partida, um game ou set.
Minha aplicação disto na interpretação dos "lances" na filosofia
moderna não está preocupada com quem dá o primeiro lance, mas sim em tomar um
fragmento ou conjunto da jogada ou do rallie e observar a qualidade dos efeitos
e o tipo de resposta e pergunta apostos para a filosofia - ou este filósofo ou
esta filósofa ou outra e a realidade.
Me parece que aparecem mais qualidades
quando começamos a observar isto não com o efeitos causais, mas sim com lances,
provocações, à vezes insinuações que geram interpretações e respostas....
Uma
das experiências mais legais foi ficar observando o diálogo entre as teorias de
Locke e as leis e medidas inglesas de 1689 e depois na própria Declaração da
Independência dos EUA e nas discussões preparatórias dos chamados pais
fundadores. Ao mesmo tempo, me parece interessantíssimo olha para a tradição
política inglesa com um olho mais atento para a relação Locke e Hobbes com a
história política da Inglaterra. O "rebatimento" e o jogo de ambos é
notável e mostra mais uma vez como o pensamento filosófico pode ser um móvel
dinâmico na realidade. Seja numa preparação, seja na consolidação de uma
mudança ou de alguma nova medida na sociedade.
O que, por fim, não é privilégio
dos filósofos profissionais, haja visto que podemos considerar como pensamento
ou filosofia também idéias produzidas pro outros tipos de intelectuais e
profissionais de outros metiês.
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domingo, 23 de novembro de 2014
RETÓRICA E SOBRETUDO, para o Renato Janine Ribeiro
Um dia eu pensei em escrever algo como Confissões de uma filosofia retórica. E é realmente incrível o esforço que temos que empreender contra nossos talentos discursivos e acervos vocabulares para garantir a máxima precisão e honestidade em nossos textos, escritos, discursos e falas. E há muitos casos em que os excessos nos levam, como o vento leva as almas leves, a não dizer nada e também casos em que a simplicidade e a precisão excessiva nos levam a não dizer nada também. Buscamos então um ponto de equilíbrio e um uso parcimonioso da linguagem e de seus recursos. Por isto que me sinto mais à vontade, mais livre, lépido e faceiro, me aceitando apenas como um pretenso e simplório literato, antes que um filósofo ou um sábio. Isto me conforta. A linguagem nos seduz, as palavras nos cativam e prosseguimos dizendo por dizer e por gostar de dizer. A linguagem parece aqui um vício, um grande hábito arraigado, um impulso e uma forma de ser. E é também um poder quimérico, taumatúrgico e sedutor. Mesmo que se desfaça em um contraponto sútil. Mesmo que se dissolva no primeiro exercício de auto-crítica ou que não sobreviva a um exame mais apurado. E nossos principais vícios de linguagem, clichês e chavões, ou jargões são nossas mais exatas confissões. Isso sim que é um Sobretudo!
sábado, 22 de novembro de 2014
O PIOR GOVERNO DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO - CONTINUA DIRIGINDO A MESMA ORQUESTRA
E tem mais dois anos para continuar escrevendo sua triste história para o povo e para o testemunho incrédulo de muitos homens e mulheres de boa vontade. E não há como dissolver a responsabilidade desta tragédia ou deixar de atribuir-lá aos seus autores do PSDB, PMDB, PP, PSB e outros....toda vez que alguém fala só no PSDB eu lembro que o poder é conquistado por um esforço coletivo e que neste caso a escolha de encetar tal rumo e de todos que escolheram torná-lo viável. Então, nem quarteto, nem quintetos, são os responsáveis exclusivos por esta grande quimera erguida sobre as ambições, más intenções e as velhas perversidades e interesses que tão mal já fizeram a esta cidade. Este é meu testemunho e me conforta saber que tudo passa...ainda que demore mais um pouquinho e que alguns tentam pular fora do barquinho se eximindo de suas responsabilidades neste drama e fazendo de conta que não atuaram no enredo inteiro desta história. A pior coisa que poderia acontecer a esta cidade em sequência é a hipótese de que uma parte dos sócios deste condomínio que agora acusas estar em ruínas sobreviva à QUEDA e continue perpretando sobre a cidade o mesmo engodo e pelas mesmas péssimas razões de sempre.....que o povo esteja atento e não dê mais fôlego a estes aventureiros....divergente e respeitosamente...
SOBRE A ESQUERDA CAVIAR E A MEDIDA CERTA
A discussão sobre mais esquerda e
menos direita é bem irônica e vejo as vozes cínicas se ufanando o tempo todo
num contra e num a favor ao sabor das marés e das notícias. Não vejo isto como
uma brincadeira, nem como um ensaio de medidores e teste do Inmetro para as balanças
de precisão e réguas. Não temos o metro de Paris aqui nem calibrador ou
medidores prontos para usar. Aqui vale o velho: nem Che, nem meio Che. Não há
estas medidas e estes parâmetros mais a esquerda ou mais à direita, e os que
existem por ai vivem sendo negados e sucumbindo às velhas retóricas setoriais.
Não é porque esquerda e direita não existem, é somente porque nenhuma posição é
tão pura e nítida assim e tudo pode ali adiante mudar mesmo. Interessante que
não vemos nenhuma prova de Consistência em lugar nenhum do planeta, que tudo
que vemos é ensaio, nas esquerdas e nas direitas, com muitas tentativas,
acertos e erros nesta matéria sempre. Se Dilma fosse tão ruim assim neste ponto
cruel de consistência não teria vencido da forma como venceu e hoje estaríamos
discutindo apenas perdas e não concessões ao centro ou à direita. Daqui a pouco
aparece uma indicação vermelha e lustrosa e daí vamos ver aquela raivinha
aparecer também do outro lado. Esquerda caviar é aquela que fica na torre de
marfim, mas também tem a esquerda de pastel de rodoviária que num fica só
observando a política dos outros e resmungando de suas imperfeições e
reclamando como o mundo é injusto e cruel com suas belas propostas e
maravilhosas veleidades. Mas, com a esquerda caviar, é só lá no ano novo quando
brinda com uma boa champanhe as viagens que fez e as que fará que descobrimos
que para ela: A vida continua...
A VIDA É DURA SIM
Tem que acalmar o coraçãozinho mesmo porque a vida real não
é moleza não, e isso aprendi com um dos
quadros do PT gaúcho que mais respeito e
admiro por conta da sua forma de enfrentar a realidade política, com
seriedade e honestidade, sem fantasiar nem mesmo ludibriar seus interlocutores
nunca, e que avista as dificuldades políticas como um desafio à nossa
inteligência e observa que é preciso compreender os limites reais do exercício
do poder - o que envolve a disponibilidade de recursos, hegemonia, meios e a
justa medida dos riscos que são toleráveis correr, cunhou uma frase que está em
uso desde então: A VIDA É DURA!!!!
SOBRE KATIA ABREU NA AGRICULTURA
Tenho uma opinião mais moderada e não por ingenuidade ou puro pragmatismo sobre esta primeira indicação de Katia Abreu para o Ministério da Agricultura do Governo Dilma (2015-2018), mas sim por certo realismo e também otimismo sobre equações difíceis que são vencidas por operações políticas corajosas e não recuadas.. Algumas pessoas resumem a política à projetos e pautas e, ao meu ver, se esquecem que não se faz política sem poder e sem dialogar com todos os setores da sociedade. Um governo precisa somar poder e não se dividir e isto deve ser feito mesmo com disputas internas sobre políticas, programas e recursos. Mesmo em governos que há hegemonia programática há esta disputa e em algumas situações ela silenciosa, mas tão acirrada quanto quando é visível. É melhor isto do que instalar e decretar a ruptura ideológica na sociedade, consagrando a divisão ideológica e programática existente, e dar à oposição a velha deixa de somar mais forças contra este projeto que continuará sendo generoso com o povo brasileiro também, na superação da miséria e na consolidação e ampliação de políticas sociais que reduzam a desigualdade neste país. Eu não temo Katia Abreu, temo um governo fraco que não é capaz de compor uma síntese na sociedade e com os setores representativos da sociedade. Resta ver como será para manter o equilíbrio entre os setores e preservar as políticas sociais e as conquistas destes 12 anos criando condições para a retomada do crescimento e superando os gargalos na economia e resistindo às políticas recessivas. Katia Abreu é um sinal de que haverá disputa por recursos públicos, mas não é um sinal de que se vai apostar em políticas recessivas e que deprimem as atividades econômicas. Tenho paciência e confiança para ver o resto do ministério e minhas expectativas não se rebaixam por este nome ou esta situação.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
A CAUSA DOS OUTROS - CONSCIÊNCIA NEGRA
Eu consigo entender perfeitamente as pessoas que acham ridículas as causas dos outros. Entendo também aqueles que só possuem pequenas causas, causas pessoais ou familiares. Entendo ainda assim pessoas que possuem admiração por heróis que não existem mais e que não são capazes de reconhecer a grandeza da pessoa que está agora ao seu lado ou à sua frente. Entendo também as pessoas que tem muita dificuldade para compreender os erros dos outros. Entendo porque eu entendo mesmo que é possível não ter causa nenhuma, por que é possível não ter grandeza nenhuma, é possível sim viver uma vida inteira sem um ato de heroísmo qualquer, sem correr risco algum, sem se aventurar, sem dar cabeçadas e sem aprender nada sobre como se erra e como se acerta arriscando e tendo a coragem de errar e tendo a coragem de fazer a coisa certa. Dá para aceitar sim essas pessoas e também compreendê-las, observá-las mais e ver o quão emocionante é a vidinha delas assistindo a televisão, ouvindo rádio e lendo jornais e pondo defeito nas causas, nas lutas e nos sonhos e ideais dos outros, mas o que não dá para entender é basicamente o seguinte: SE A CAUSA DOS OUTROS NÃO TE IMPORTA, PORQUE VOCÊ METE O BEDELHO NA POSSIBILIDADE DELES TRAVAREM A LUTA POR ESTAS CAUSAS? Porque você se importa tanto com as pequenas e importantes conquistas deles? Se não te importa, então não te mete e vá cuidar dos teus assuntos, agora se te importa então trata com mais seriedade e informação isso que te parece apenas mais uma CAUSA DOS OUTROS, talvez aprenda a diferença entre ter coragem de falar e ter a coragem de lutar por alguma coisa uma vida inteira. Viva todas as causas dos que lutam e uma homenagem especial à CONSCIÊNCIA NEGRA, contra os 358 anos de escravidão e estes parcos 126 anos da abolição dos quais a apenas 10 anos se tenta reparar com cotas e políticas de inclusão e inserção, políticas de promoção da ascenção social contra esta profunda desvantagem econômica, política e social imposta aos negros no BRASIL. Eu sou professor e sei muito bem o quanto precisamos avançar e muito para mudar o retrato e o perfil das nossas escolas, das nossas prisões, dos nossos trabalhos e da nossa sociedade. Viva a causa dos outros que também é a nossa!!! Viva a consciência negra!!! Salve Zumbi dos Palmares!!!!
terça-feira, 18 de novembro de 2014
SOBRE O QUE ACONTECEU COM CERTOS ROQUEIROS DOS ANOS 80?
É somente uma ressaca da pós adolescência e da pós modernidade. Tem coisa muito melhor que eles só que numa dimensão mais fragmentada e em maior pluralidade. A visibilidade de midia que eles tiveram não existe mais. Ontem estava conversando com dois alunos e jovens e me perguntei o que havia na apatia deles e cabei me lembrando que existe também uma falta de referências. Quando eu tinha 15 anos John Lennon morria e não morria de overdose não. Depois foi um passo para conectar referências e maios símbolos de contestação e desejos de mudança. E o que há hoje? Houve uma entre-safra, o país mudou, passou os anos 90, passou os anos 2.0 e agora a internet explodiu com tudo que havia de mainframe e sistema. Só que estes caras estão num outro tempo e não evoluem mais em coisa alguma nem na estética, nem na poética, nem na política e nem na ética. E é notória que todas as saídas e propostas políticas deles sejam sempre individuais e marcadas pelo eusismo, sem nenhuma articulação e senso coletivo. Marcadas por um pensamento focado no seu próprio umbigo, sem transitividade com nenhuma parcela ampla da sociedade, sem ligação nem romântica nem realista com o povo real. Lobão ensaiou a ideia de selo próprio independente e parou lá atrás. Outros estão apegados e muito ciosos de direitos autorais e de suas próprias vaidades. E o mundo passou, o tempo passou, o mundo mudou e não sobrou nada daquilo tudo lá. Este é um bom momento para dar uma revisada no que era ou não era de verdade e consistente nos anos 80. Quem atinge os 50 anos pós 2.0 tem um bom trabalho para tentar manter uma conexão real com os jovens - esta energia limpa da civilização - e ajudar em alavancar outros passos. Eu sou professor e tenho cada dia mais gosto por cultura e música e sei que isso ajuda a criara espaço para novas ideias, novas ações e novas propostas e também em se retomar os sonhos de mudança e de avanço não realizados e o que ainda é possível passar adiante. Já alguns destes ícones ficaram nos ícones de si mesmos e vendem uma farsa crítica por trás de mera iconoclastia mal aplicada. O senso hipercrítico deles é tão bom que tem apenas renovado o exército dos pessimistas, dos negativistas e dos depressivos ou revoltados. Não servem nem para reformistas e nem para revolucionários, optaram pela opção mais fácil sempre e mais confortável que é se abraçar na elite e buscar uma zona de conforto para falar mal do mundo. Assim, eles são ou bem conservadores ou bem reacionários e nisto ficou o resumo da ópera ideológica deles. Veja-se que a única proposta de ação deles é agitação, aquele papinho adolescente e casmurro contra isso e aquilo ou contra tudo que está aí, só que é piada um marmanjo com mais de 40 anos propor somente agitação nos dias de hoje. Qualquer adolescente atual mais consequente e informado quer soluções objetivas e não blague ou trololó. E a pose e a peia deles é meio vergonhosa e ultra-decadente.CARA. Falta elegância e aquela famosa categoria que dá autoridade a quem fala. Parece até que hibernaram por 30 anos e de repente aparecem pretendendo carregar a boa nova. Só que a boa nova já está ai meu chapa e está mandando ver, só você que não viu. Assim, os queridos e queridas estão por ai e deambulam pelo mundo sob suas sombras e carregam apenas vestígios e sinais do que já foram um dia. Eles ainda estão lá atrás e não perceberam o que mudou no país ainda estão sentados com a boca escancarada cheio de dentes esperando a morte chegar, e bem na frente da televisão que os deixou burros, muito burros, demais.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
LIVROS, MÚSICA E MEMÓRIAS
Pois, cabei comprando mais livros, naquelas de perdido na floresta negra, encontrei o volume um de Hermenêutica em Retrospectiva do Gadamer sobre Heidegger - Editora Vozes. Gadamer e Heidegger que eu sempre gosto de ler por conta do detalhamento argumentativo, das reflexões que me provocam e do tema da compreensão que tanto me fascina sempre. Comprei, pulando a cerca continental com muita alegria de Heidelberg para Oxford, outro livro do P. F. Strawson Ceticismo e Naturalismo - Editora Unisinos - de deliciosa leitura e que sempre me alegra porque trata dos chamados argumentos transcendentais e de uma forma, digamos assim, bem mais tranquila e suave do que sói ocorrer entre certas ceitas intelectuais que julgam possuir toda a verdade e somente a grande verdade sobres as coisas, os homens e mulheres e a filosofia. O que me lembra muito o velho e bom Kant que - apesar de ter aquele probleminha com todos os exemplares que ele conheceu do belo sexo - também possui uma suavidade e finesse arguta no tratamento de problemas filosóficos ou outros. Como é bom ler pensadores que escrevem com um pé na sua própria verdade, de um modo autoconsciente e da forma mais honesta possível. E ainda assim mais livros. O volume 17 (1926-1929) das Obras Completas de Sigmund Freud, pela Companhia das Letras, edição de 2014, que traz desde a Questão da Análise Leiga, O Futuro de Uma Ilusão e termina com, entre outros, Carta Sobre Alguns Sonhos de Descartes, o que me interessa por demais na minha conexão transcendental ou ligação transcendental entre certo tema do Aufklarung, a Razão em Descartes, e o modo como Michel Foucault e Jacques Derrida se debruçam sobre isto. Por fim, porque minha alma não é mesmo de ferro, nem de papel ou somente de letras vive este homem e sua pobre alma muitas vezes jubilosa e outras tantas atormentada por ideias, imagens, sons e emoções, lembranças, memórias e reflexões, caiu na ponta extrema do meu olhar o Songbook do Vitor Ramil que eu namorava a bem mais de ano por aqui e por ali. O que é mais importante ainda porque comecei a miar ao violão com Sapatos em Copacabana e algumas destas canções presentes nele junto com aquela já clássica do Gelson Oliveira Salve-se quem souber - que comigo ganhou uma versão em E4, D4, C e Pat Metheni e David Bowie em This is not America, que calhou cair tudo em versões de Ainda é Cedo e Será do renato Russo/legião Urbana. E tá contada ai a história de como é que eu comecei no ano passado a cantar após décadas dedilhando violão e dois anos cantando Coral e - digamos assim - achando uma nota aqui e outra ali. E devo isso ao amor de minhas pequenas filhas e ao delicado amor de minha vida pela música e PORCAUSEQUE, como diz Antônia assim foi e foi assim bem fácil contar. Partiu viola....
domingo, 16 de novembro de 2014
A REVOLUÇÃO NECESSÁRIA
Um sinal e um símbolo de onde estamos,
jamais me imaginei ou sequer pensei
que poderia estar, um dia ainda mais
lendo Darci Ribeiro de novo, sem mais
mas é a vida...que será jamais
vai, segue teu caminho, procura teu minho
vai ser gauche na vida, espanta e planta
e passa por cima da morte e da sorte
por nós todos...
derruba sem piedade aqueles que te traem
pois é da terra todo o gemer
do teu caminhar...
e não há mesmo o que temer
nem o que chorar ou se lamentar.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
ATÉ AS ÚLTIMAS PALAVRAS...
Nesta última semana em meio aos trabalhos e com o passar das horas, dos dias e dos acontecimentos, o transitar pela Feira do Livro, por minha biblioteca e pela internet, o transitar pela escola, pela sala de aula e pelas ruas, o transitar pelo mundo, pela região e pela cidade, me deu um conjunto de impressões que se somaram ao que já andava pensando sobre a morte, nossa passagem e nossa estadia neste mundo.
Para mim isto é um fenômeno intelectual recente, pois confesso que dei pouquíssima atenção a isto até 2011. Ou seja, até o desenrolar de alguns acontecimentos em minha vida pouca monta dei a este tema que é um clássico da filosofia: o encontro do ser humano com a morte, do homem ou da mulher com a morte.
A nossa vida é um "intervalo" como traduziram a expressão de Walter Pater e por certas escolhas e caráter, forma de vida e forma de pensamento, alguns de nós fazem de tudo para preencher este intervalo com certas notas, obras, ações, sentimentos e trocas cujo valor é mais esmerado pro elas do que pelos demais seres humanos. Temos que lidar com isto e colocar nossa paixão em cada diminuto momento, em cada intensidade singular ou experiência particular em que possamos fazer a graça ou a alegria de viver se presentificar. Não há para alguns homens e mulheres deste mundo nenhuma outra possibilidade de viver que substitua esta. Então, faça isso, faça o que você mais gosta até as suas últimas palavras....
WALTER PATER: PRIMEIRA NOTA
"all art constantly aspires towards the condition of music"
A pista de Harold Bloom sobre a importância de Pater é muito precisa e exata mesmo. Fui estudar o crítico inglês a partir daquela citação da Conclusão de The Renaissance e acabei me vendo em um oceano maravilhoso de idéias muito boas. Um exemplo é esta sobre a arte e a música que aparece no capítulo dedicado a Escola de Giorgione.
Olha só - para quem me lê com mais atenção do que o corrente - eu andei escrevendo tempos atrás sobre uma ideia de que quando a gente estuda uma melodia ou canção parecia que se aprendia uma chave que abria o caminho para varias outras canções e que eu imaginava uma forma lógica - o que pode ser a melodia ou harmonia - que era a base para várias outras canções e que assim como estudamos escalas músicas que nos dão acesso a muitas canções algumas canções teme sta característica peculiar de abrir muitas outras. Se estou correto em minha intuição bem ingenua para quem já estudou mais música do que eu, esta é, no sentido mais nobre e sublime de Pater, a aspiração de toda arte e de todo artista dar certa forma de base a uma obra que seria a geradora de muitas outras. A angustia da influência de Bloom, ou a sua anatomia deveria exibir estas relações em seu grau máximo e em sua máxima qualidade. Isso vale para toda a arte mesmo. Pintura, poesia, escultura, literatura, dança e etc...
Olha só - para quem me lê com mais atenção do que o corrente - eu andei escrevendo tempos atrás sobre uma ideia de que quando a gente estuda uma melodia ou canção parecia que se aprendia uma chave que abria o caminho para varias outras canções e que eu imaginava uma forma lógica - o que pode ser a melodia ou harmonia - que era a base para várias outras canções e que assim como estudamos escalas músicas que nos dão acesso a muitas canções algumas canções teme sta característica peculiar de abrir muitas outras. Se estou correto em minha intuição bem ingenua para quem já estudou mais música do que eu, esta é, no sentido mais nobre e sublime de Pater, a aspiração de toda arte e de todo artista dar certa forma de base a uma obra que seria a geradora de muitas outras. A angustia da influência de Bloom, ou a sua anatomia deveria exibir estas relações em seu grau máximo e em sua máxima qualidade. Isso vale para toda a arte mesmo. Pintura, poesia, escultura, literatura, dança e etc...
PARA NEGAÇÃO, ARGUMENTAÇÃO E REFUTAÇÃO: NOTA E EXEMPLO NA OBRA FREUDIANA
"Uma negação não é uma refutação, uma inovação não é necessariamente um avanço."
DO ENTÃO BEM VELHO FREUD SOBRE O SEU PRESSUPOSTO ETNOGRÁFICO TOMADO DE ROBERTSON SMITH EM MOISÉS E O MONOTEÍSMO, p. 143. Editora Imago. Edição Standard Brasileira Volume XXIII.
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