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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O PT QUE TEMOS E O PT QUE PRECISAMOS TER - PARA O DEBATE DO PED 2019 NO PT DE SÃO LEOPOLDO


O PT QUE TEMOS E O PT QUE PRECISAMOS TER
EM TEMPOS DE GUERRA, A ESPERANÇA É VERMELHA

1.       O PT de São Leopoldo tem 40 anos de história e essa história precisa ser respeitada, mas um futuro melhor precisa ser construído com todos. Para honrar essa história e homenagear os trabalhadores e trabalhadoras que a construíram e para dar um passo mais firme e decisivo para o futuro da nossa cidade, do nosso projeto e do nosso povo precisamos ter Lula Livre, defender a democracia de forma mais radical, afirmar o socialismo como alternativa de sociedade e não transigir na defesa do povo pobre e do direito à organização dos trabalhadores e trabalhadoras em movimentos sociais, sindicatos, entidades comunitárias. A melhor forma de defender o nosso partido e o nosso projeto é lutar, lutar e lutar.  Isso significa abandonar as ilusões e encarar a dura realidade que enfrentamos com coragem, sem falsas expectativas e aceitando que estamos em tempos de guerra e que a única esperança que devemos afirmar é que só com luta, se conquista alguma coisa. A forma correta de construir esse futuro e lutar para vencer, é ter clareza sobre o que temos e o que precisamos ter como partido e como organização política composta de militantes e dirigentes. No PED – Processo de Eleição Direta – de 2019 temos muitos desafios e um dos principais pode ser resumido na consigna já apresentada pela nossa candidata a presidenta do Diretório Municipal Dolores: VOLTAR ÀS BASES.
2.       O PT de São Leopoldo tem obtido conquistas políticas importantes no RS e Brasil. Isso precisa continuar e avançar. Da eleição de 1982, ano da primeira candidatura a Prefeito e chapa de vereadores, até 1996, ano em que, após elegermos vereadores em 1988 e 1992, o partido se transformou numa organização política com lastro social e com posições e projeto competitivo na cidade. Em 2000 disputamos a segunda eleição nessa condição e em 2004 elegemos Ary Vanazzi, o prefeito da nossa cidade em confronto direto com Waldir Schmidt, em 2008 o reelegemos com 77% dos votos, em 2012 sofremos um revés eleitoral, mas resistimos até que em 2016 retornamos a prefeitura com Ary Vanazzi em aliança com o PCdoB que apresentou Paulette Souto como vice-prefeita em nossa chapa vitoriosa. O nosso desafio para 2020 é reeleger este projeto com Ary Vanazzi, reforçar nosso programa e ampliar esse patrimônio político de forma inquestionável e determinada. 
3.       Essa atuação do PT de São Leopoldo, tem sido resultado de um trabalho coletivo e de muitas contribuições individuais, de militantes, de dirigentes e de nomes que tem aceitado e construído o desafio das disputas eleitorais combinadas com a construção e organização partidária em dialogo e articulação com muitos movimentos sociais, sindicais, comunitários, culturais e também religiosos, que com o nosso generoso projeto se posicionaram e consolidaram a construção da Nova Cidade.   
4.       No último período, de 2013 a 2018, nosso Partido, temos sido um símbolo de resistência contra a onda fascista. Por ter contribuído intensamente nos Comitês de Luta contra o Golpe e na Presidência do PT estadual. E por ter preservado e fortalecido também a nossa atuação nos movimentos, nos articulando e dialogando mais para impedir a extinção de nosso partido e do nosso projeto para o povo e a sociedade Brasileira, Gaúcha e Leopoldense. Em São Leopoldo a resistência ao desgoverno Moa foi articulada no parlamento e em diversos segmentos na defesa das conquistas da cidade e dos trabalhadores e trabalhadoras.
5.       Por ter reconquistado a Prefeitura de São Leopoldo em 2016, sob a liderança do companheiro Ary Vanazzi, apesar da grande onda fascista e de direita no país, e ter recolocado o nosso projeto político na direção da nossa querida cidade onde vivemos e lutamos, nos transformamos na maior prefeitura administrada pelo PT no Brasil. Essa condição aumentou em muito a nossa responsabilidade e também a dedicação de todos para superar a herança destrutiva e perversa do governo do PSDB, PMDB e PP e demais aliados. Parte importante da nossa luta atual consiste em governar para o povo que mais necessita e em impedir, com trabalho e determinação, que os retrocessos que atingem o nosso país e estado prejudiquem mais ainda a vida do povo.
6.       Desde 1988 temos eleito e reeleito vereadores e vereadoras. Isto é, apesar de olharmos para o tamanho da nossa bancada na câmara de hoje e ficarmos preocupados, nossa voz e política, nosso projeto e nossos representantes persistem no parlamento. Isso precisa ser reconhecido e valorizado como base para avançar na nossa representação. Por isso, voltar as bases é também a tarefa que vai trazer êxito na eleição parlamentar e que vai enraizar nosso projeto político em toda a cidade. E voltar as bases significa também trazer as vozes das nossas bases para o parlamento municipal para enfrentar nossos adversários com mais determinação e na afirmação de nosso projeto.   
7.       Desde a vitória de Olívio Dutra em 1998, passando pela eleição de Lula em 2002, a eleição de Vanazzi em 2004 e a sua reeleição em 2008, a reeleição de Lula em 2006, a eleição de Dilma e de Tarso e a reeleição de Dilma em 2014, em todos esses momentos, o PT de São Leopoldo teve papel decisivo e forte atuação na política local e regional. Isso deve ser retomado aproveitando mais as facilidades de comunicação que são recursos praticamente disponíveis.
8.       Desde 1998, o PT de São Leopoldo também tem tido vozes no parlamento estadual e federal. Em 2014 perdemos esses espaços, mas precisamos trabalhar coletivamente para reconquistar eles em 2022. Essa tarefa envolve uma articulação intensa nas tendências partidárias, tomar decisões políticas que representem os cidadãos e na relação com a sociedade sermos porta vozes da luta para retomar um projeto generoso para o povo.
9.       Construímos essa vitórias em São Leopoldo e o êxito de nossas gestões, transformou o eixo de Canoas, Esteio, Sapucaia, São Leopoldo, Estancia Velha, Dois Irmãos, Nova Hartz e Sapiranga numa grande Linha Vermelha e, não podemos duvidar, com o apoio dos Governos Olívio Dutra no estado, Lula e Dilma no Brasil, nós fomos uma referência fundamental e exemplar para a organização regional do partido. Apesar do nosso partido estar fora da administração da nossa capital, Porto Alegre desde 2004, em São Leopoldo, fomos decisivos para alavancar conquistas reais e efetivas ao nosso partido, nas eleições e nas lutas sociais, e ao povo de São Leopoldo. Na administração pública criamos marcas e nos parlamentos construímos projetos importantes também.
10.   É por isso que, em meio a essa onda golpista e fascista no país e no RS, reconquistamos a prefeitura de São Leopoldo em 2016. Por que o companheiro Ary Vanazzi possui um  saldo superior junto ao povo de São Leopoldo e porque o nosso projeto político se destaca no confronto com outros projetos em todas as áreas, seja pelo seu enraizamento, seja pelos muitos resultados na melhoria da vida do povo trabalhador e da população de nossa cidade.
11.   Vamos sim reapresentar o nosso projeto coletivo em 2020, para reeleger Ary Vanazzi e aprofundar o resgate da economia e da vida melhor para o povo da nossa cidade, em especial para quem mais precisa, mas também para avançar e concluir a execução de nossos projetos em todas as áreas da administração municipal e contribuir para derrotar o bolsonarismo, o entreguismo e o neoliberalismo nas urnas.
12.   Isso só será possível se avançarmos na dimensão organizativa e política do nosso partido. Isso só será possível se virarmos a página da história desse partido e começar a escrever uma nova etapa de sua história, constituindo uma nova conduta dirigente e uma nova atitude em nossa militância. Como disse Valter Pomar – nosso pré-candidato a presidente nacional do PT, nós podemos fazer isso, se transformarmos cada filiado e filiada, cada simpatizante e apoiador em militante engajado e combativo para o debate político e ideológico, de modo a vencer a insegurança e as contradições que tentam nos envolver, nos atrapalhar e nos confundir na condução do partido e de nossas gestões. Tal tarefa não admite vacilações e titubeios, tal tarefa não será realizada por quem não tem lado nessa luta ou por quem não sabe o que dizer quando os desafios são colocados na conjuntura.
13.   Nesse sentido, será muito importante termos na direção e na militância muita clareza e nitidez sobre as tarefas da próxima direção, ou seja, do PT que temos e que precisamos ter para construir a vitória a partir deste 8 de setembro de 2019 e organizar o partido para todas as disputas eleitorais e desafios políticos de 2020 em diante. O PT não é somente um partido eleitoral, o PT que nós temos é uma organização política na sociedade e deve reagir no cotidiano aos desafios que se apresentam.
14.   A direção partidária – que é um coletivo composto de membros da executiva e do diretório, coordenadores de setoriais e regionais, precisa de uma vez por todas, com toda força e com espirito de urgência organizar a sua relação com a base partidária de filiados e filiadas, simpatizantes e apoiadores e com a sua base social de eleitores e eleitoras que tem identidade com nosso partido e, para além disso, travar um diálogo franco e aberto com todos aqueles que tem propostas para recuperar a auto estima do nosso povo, a democracia no Brasil e defender a educação e a justiça social num pais desigual e que é atacado por interesses do capital.
15.   Temos que aproveitar a estrutura e a experiencia política que possuímos para fazer isso. Essa estrutura depende de se colocar as finanças em dia, mas também de fazer o melhor uso possível dos nossos recursos. Temos atuado nesse setor e creio que podemos resolver isso melhor ainda na nova direção. Melhorar essa estrutura, ampliar o nosso uso dela e qualificar a nossa agenda política são tarefas que vão se iniciar nesse novo período. O nosso partido possui a maior, a melhor e a mais bem localizada sede dentre todos os diretórios de partidos de São Leopoldo. Essa sede que ocupamos desde 1994 e onde construímos nossas vitórias e nos organizamos, merece uma agenda cultural, política e organizativa permanente. Esse é um trunfo que precisa ser melhor aproveitado por todos os nossos militantes e dirigentes e todos os segmentos e tendências de nosso partido. Nossa sede deverá ser também um espaço para organizar amplos setores dos trabalhadores e das categorias profissionais que já perceberam a necessidade de se organizarem coletivamente para construir um projeto, fazer esse projeto vencer e manter esse projeto atualizado e comprometido com uma sociedade mais humana e justa.   
16.   Nesse processo de PED, todos nós que dialogamos com os filiados percebemos que um dos maiores problemas do PT em São Leopoldo é preservar e valorizar muito as suas relações de diálogo, debate e conexão com os filiados e filiadas. Disputas internas não podem mais ser a razão de ser de um militante e de um dirigente. Estabelecer e manter relações fraternas de diálogo e de respeito entre os militantes do nosso partido, mas também com militantes de outros partidos do campo de esquerda é um grande desafio e a única saída para lutar e resistir contra os nossos adversários reais. Para isso, repetimos que transformar filiados, simpatizantes e apoiadores em militantes das boas causas e da boa luta é um processo de disputa cultural. De modo a contribuir com a luta política, a sustentabilidade política do nosso projeto de cidade, estado e nação e de modo a estabelecer uma relação afinada e articulada, com os cidadãos e cidadãs que um dia tomaram a decisão de se somar ao nosso partido, precisamos resgatar o bom método de debate, de formulação de propostas, de avaliação de conjuntura e de encaminhamento e organização da luta. Isso requer disciplina política e a certeza de que das diferenças de opinião ou posição cabe fazer a boa estratégia e a melhor síntese possível.
17.   Voltar às bases e visitar os nossos filiados e filiadas é travar um diálogo em que o balanço e as contradições devem aparecer e devem ser enfrentados sem medo e sem renunciar ao desafio de reinterpretar e fazer a escuta compreensiva e generosa da memória e da avaliação de cada um e cada uma. Essa tarefa não é uma mera tarefa de conferência de listas, algumas ligações telefônicas  ou um recadastramento burocrático de filiados, pois ainda que isso seja importante do ponto de vista organizativo e precisa ser feito, essa tarefa envolve uma troca política de opiniões, informações e posições que é parte fundamental da construção, da sustentação e da renovação do nosso projeto e da eleição de nossos representantes.
18.   Todas vez que alguém reclama, com razão, de uma certa política de alianças ser mais infeliz ou mais feliz, precisamos lembrar que o único antidoto para evitar essa submissão do nosso projeto de sociedade à projetos antagônicos ou contraditórios de sociedade, é o nosso enraizamento social e compromisso social com os eleitores e eleitoras de nossa cidade. E esse antidoto se substancializa na construção programática com a participação dos cidadãos e cidadãs. Isso só é possível com diálogo e interlocução, com formulação e debate que podem gerar mais e melhor engajamento em nosso projeto e em nossas candidaturas.
19.   Porém, é importante também dizer que o PT deve ter uma relação a cada dia mais fortalecida com nossos aliados de disputa de projeto na nossa sociedade. A construção de um campo político de partidos voltados à defesa e à construção de nossos governos não é uma tarefa menor ou que deva ou possa ser negligenciada. Construir alianças não é um mero arranjo de interesses. Precisamos construir compromissos recíprocos e construir o nível mais elevado de respeito e formulação compartilhada com outros partidos. Nesse sentido fortalecer o nosso projeto envolve fazer uma ampla discussão dele com a sociedade e com os partidos do campo de esquerda e progressistas de São Leopoldo. Para fazer isso é preciso ter também a devida clareza e nitidez de posições sobre amplos temas.  
20.   O tempo das campanhas eleitorais beneficiadas por abundância de recursos e de estratégias de marketing não acabou, mas se tem algo que devemos compreender do cenário presente é que o contato e a interação cotidiana com os cidadãos e cidadãs é de novo crucial nas disputas políticas e culturais que teremos daqui para a frente. Isso perpassa duas dimensões claramente: a virtual através de redes sociais e outras tecnologias e, também, a velha e boa atividade de formação de redes reais nas comunidades, nos locais de trabalho, nas escolas e também nos espaços públicos como as praças.
21.   Os conselhos setoriais ou temáticos na sociedade e as representações de trabalhadores e trabalhadoras, as organizações sociais e civis merecem de nós uma atenção cada vez mais determinada. Precisamos, como dirigentes e militantes aumentar a nossa defesa das entidades civis voltadas a defesa, apoio e organização da vida do nosso povo. Esse desafio nos coloca também a tarefa de ampliar os diálogos setoriais no nosso partido de modo a valorizar mais e defender os Conselhos de Controle Social que são decisivos na formulação de políticas, na fiscalização da gestão pública municipal e também no emponderamento da sociedade civil das políticas públicas específicas. O nosso projeto político não terá enraizamento social sem passar por essa etapa de valorização dos conselhos. Um partido radicalmente democrático tem compromisso com a defesa dessas entidades, organizações e conselhos.       
22.   O tema da comunicação e da tomada de posição pública do nosso partido que é objeto de debate permanente na nossa história política ficou muito mais importante do que nunca. O PT não pode se omitir nos debates públicos e nas atividades que dizem respeito aos destinos dos trabalhadores e trabalhadoras. O PT, através de nossa direção, precisa criar ou retomar a prática de formulação de respostas a conjuntura local e estadual, nacional e global. O PT precisa ter opinião, informação e formulação para responder aos desafios da administração municipal, contribuindo e somando e também precisa manter um diálogo constante com os movimentos sociais de modo a liderar a luta em nossa cidade, com os demais partidos que formam o nosso campo político e também com os movimentos sociais. Não se trata de uma disputa de espaço ou submeter alguém as nossas decisões, se trata de formar opinião e manifestar opinião em diálogo com todos os setores organizados. Os militantes do PT que ocupam espaços institucionais em parlamentos ou governos, em entidades ou outras organizações, devem abandonar todas as reservas pessoais em se assumirem pública e francamente no cenário político. A tarefa de defender o nosso projeto não é somente de alguns mais corajosos ou audaciosos, mas de todos. Temos que vencer a auto censura, temos que vencer o temor ao debate e temos que dar um passo a frente na disputa política da sociedade de conjunto. É tarefa da direção partidária e daqueles que tem know how nesse tema estimular e auxiliar nesse avanço na luta coletiva.         
23.   Tudo isso exige de nós soluções coletivas e de compromisso para os grandes temas de formação, comunicação e organização do nosso partido. Essas são algumas das bases para a organização e articulação necessárias à nossa campanha de 2020. Esse é o PT que precisamos ter, para vencer e para fazer a nossa sociedade avançar na democracia e na educação política.
24.   Acreditamos que podemos vencer juntos esses desafios, podemos ter o PT que precisamos e vamos reeleger o nosso projeto em São Leopoldo, com a liderança de Ary Vanazzi e a contribuição de todos os militantes e dirigentes de nosso partido e o apoio dos cidadãos e cidadãs de nossa cidade.
São Leopoldo, 31 de agosto de 2019.
P.S.: Esse texto foi construído em diálogo com os companheiros e companheiras da Articulação de Esquerda e de outras forças que apoiam a candidatura de Dolores Pessoa. Também recebeu a contribuição da nossa candidata, em diálogos e através de suas manifestações no debate das Chapas e das candidaturas a presidência em nosso diretório. Também acolhe parte de intervenções da companheira Ana Ines Affonso, nossa pré-candidata à Presidência Estadual do PT do Rio Grande do Sul, do nosso companheiro Ary Vanazzi, prefeito de São Leopoldo, do nosso deputado federal Dionilso Marcon e, por fim, do nosso pré-candidato a presidente nacional do PT Valter Pomar.                          


quinta-feira, 5 de setembro de 2019

CLAREIRA DO SER EM HEIDEGGER: TEXTO DE RUDIGER SAFRANSKI E IMAGEM DE ANTOINE MELI




“A paixão de Heidegger era indagar, não responder. Por isso indagar podia ser para ele a devoção do pensar, porque abria novos horizontes — assim como outrora a religião, quando ainda era viva, ampliara os horizontes e santificara o que neles aparecia. Para Heidegger possuía especial força reveladora a indagação que ele fez durante toda a sua vida filosófica: a pergunta pelo ser. O sentido dessa pergunta não é senão esse abrir, esse remover, esse sair para uma clareira onde de repente é concedido ao evidente (Selbstverstãndlichen) o milagre do seu “aí” (Da); onde o ser humano se vivencia como local onde algo se escancara, onde a natureza abre os olhos e percebe que está ali, onde portanto no meio do ente existe um local aberto, uma clareira, e onde é possível a gratidão por tudo isso existir. Na questão do ser esconde-se a prontidão para o júbilo. A questão do ser no sentido hedeggeriano significa tornar mais claras (lichten) as coisas, assim como se levanta (lichten) uma âncora a fim de partir livremente para o mar aberto. É uma triste ironia da história que a indagação pelo ser na leitura de Heidegger em geral tenha perdido esse traço revelador e iluminador, deixando o pensar antes inibido, enovelado e crispado. Com a indagação pelo ser acontece com a maioria assim como com o discípulo numa história zen. Ele meditara longamente sobre o problema de como tirar o ganso crescido da garrafa com gargalo estreito sem matar o animal ou quebrar a garrafa. O discípulo, já torto de tanto pensar, foi ao mestre e pediu a solução do problema. O mestre afastou-se um momento, depois bateu palmas energicamente e chamou o discípulo pelo nome. “Estou aqui, mestre”, respondeu o discípulo. “Está vendo?”, disse o mestre, “o ganso saiu”. O mesmo vale para a questão do ser.

Também sobre o sentido do ser, que se busca na pergunta pelo ser, existe uma bela história zen, bem na linha de Heidegger. Ela relata que antes de ocupar-se com o zen alguém vê as montanhas como montanhas e as águas como águas. Mas se depois de algum tempo de contemplação interior ele atinge o zen, vê que as montanhas já não são montanhas e as águas já não são águas. Mas quando ele se torna um iluminado, volta a ver as montanhas como montanhas e as águas como águas.

O Heidegger dos anos vinte gosta de empregar a expressão aparentemente abstrata “anúncios formais”. Gadamer relata que a seus estudantes, que tinham dificuldades com o termo por suspeitarem que em seu significado houvesse gradações de abstração, Heidegger explicou da seguinte forma a expressão: ela significava “saborear e completar”. Um anúncio (Anzeige) se mantém na distância do mostrar (Zeigen), e pede que o outro, a quem algo é mostrado, olhe ele mesmo. Precisa ver ele próprio, na boa maneira fenomenológica, o que lhe é “anunciado” e “completá-lo” com sua própria contemplação. E na medida em que o completa, saborear o que ali há para ver. Mas, como se disse, a gente mesma precisa ver."

Rudiger Safranski

Balanço histórico - O Partido dos Trabalhadores de São Leopoldo – Esboço 2019


Balanço histórico - O Partido dos Trabalhadores de São Leopoldo – Esboço 2019

O Partido dos Trabalhadores tem uma trajetória decisiva para a construção da luta dos trabalhadores e trabalhadoras na cidade de São Leopoldo e na região do vale do rio dos sinos, com impactos na região metropolitana e também nos Vale do Rio Cai e Paranhama, que vem desde sua fundação no ano de 1980. Ele tem sido uma ferramenta de luta da classe trabalhadora e sempre teve forte articulação e engajamento dos e das militantes dos mais variados movimentos sociais, sindicais, comunitários, estudantis, religiosos, de mulheres, na área cultural e na luta pela moradia.

Desde sua fundação, o PT vem mudando a cara da cidade de São Leopoldo e região. Esse processo histórico teve três etapas: fundação e organização da luta social e comunitária na oposição (1980-1997), vitórias eleitorais e administração pública com articulação social (1998-2012) e, no ultimo período, resistência ao golpe, retomada da administração municipal e rearticulação social (2013-2019...). Observamos que nós designamos este último período em nossas teses nacionais e estaduais de Tempos de Guerra. Da luta pelos diques, da disputa, construção e conquista pela base de um novo papel nas organizações  sindicais, no diálogo e na organização de um movimento religioso progressista, na articulação dos movimentos das mulheres, comunitários, no movimento estudantil secundarista e universitário e nas propostas inovadoras com prioridades sociais e populares, proporcionaram ao Partido dos Trabalhadores estar à frente da Prefeitura Municipal, ter representantes na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal e compor governos, dirigir o partido e organizações sociais com suas lideranças em todos os níveis, local, regional, estadual e nacional.

Na região, essas conquistas e lutas se refletiram na organização do Partido dos Trabalhadores em outros municípios promovendo integração e atuação articuladada com vitórias políticas, sociais e eleitorais em praticamente todas as cidades da região com eleição de prefeitos, vereadores e também com forte intervenção e construção no movimento social.

No estado, em duas ocasiões, as lideranças de São Leopoldo dirigiram o Partido dos Trabalhadores, na primeira com Ronaldo Zulke em meados dos anos 90, já na segunda com Ary Vanazzi em meados da segunda década de XXI. No inicio de 2011, a deputada estadual Ana Affonso foi eleita vice-presidenta do PT Estadual. Ao mesmo tempo, num longo período de dez anos, no inicio dos anos 2000, o dirigente Marcel Frison foi membro da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores. O PT de São Leopoldo, assim como se comprova, sempre teve participação e engajamento na construção partidária e social. De tal modo que muitos quadros egressos de nosso partido dirigiram entidades importantes e se constituíram e se mantém com intervenção intensa na articulação social e partidária, assim como também ocuparam espaços importantes em governos de outros municípios, no estado e no governo federal. Nos governos, o PT de São Leopoldo em 1998 teve o vice governador Miguel Rossetto, que apesar de não residir mais na cidade, foi construído na militância sindical local e se constituiu como representante sindical no estado, não podendo ser desvinculado disso por conta do tema de seu domicilio eleitoral. O mesmo também foi ministro de estado nos governos Lula e Dilma, de 2003 a 2015.

Nesse período que marca a eleição e reeleição de Lula e a primeira eleição de Dilma, o PT de São Leopoldo obteve seus melhores resultados eleitorais com ampla participação política. Ao longo dessa histórica de conquistas, o PT de São Leopoldo elegeu três deputados federais e dois estaduais ao longo dessa história. Em 1994, Miguel Rossetto, em 1998 Ary Vanazzi e em 2006 Ronaldo Zulke. O primeiro deputado estadual eleito foi Ronaldo Zulke em 1998 e em 2010 elegeu-se Ana Affonso, nossa primeira deputada estadual mulher, para a Assembléia Legislativa. Ary Vanazzi também foi o primeiro Secretário da Habitação no Governo Olívio Dutra, no qual Miguel Rossetto era o vice e Ronaldo Zulke foi líder. E Marcel Frison foi também secretario Estadual de Habitação no governo de Tarso Genro de 2011 a 2014.  Em 2018, já num quadro de resistência ao golpe e reconstrução partidária, Miguel Rossetto e Ana Affonso compuseram a chapa ao governo estadual. Nesse sentido, muito poucas cidades da região e do estado, ressalvada a capital, tiveram nesse longo período tamanha capacidade de intervenção e representatividade política.   

Sobre a disputa para a Câmara de Vereadores local, o PT de São Leopoldo lançou chapa para vereadores em todos os pleitos desde 1982. Não elegeu vereadores somente no primeiro pleito. Já em 1988, elegeu sua primeira bancada e assim sucessivamente até os dias de hoje. Em 1988, Ronaldo Zulke foi o vereador mais votado da cidade e a bancada elegeu também Ary Vanazzi e Emilio Diniz formando a primeira bancada. Em 1992, reelegemos Zulke, Vanazzi, Diniz e elegemos Jorge da Silva,  em 1996 elegemos Paulo Borba, João Carlos Alves Rodrigues, Nestor Schwertner e reelegemos Emilio Diniz, em 2000, reelegemos Nestor, elegemos Ronaldo Vieira, Ronaldo Teixeira,  em 2004 reelegemos Nestor Schwertner, elegemos Ana Affonso, Carlinhos Fleck e Alexandre Schuh, em 2008, reelegemos Nestor Schwertner e Ana Affonso foi a vereadora mais votada da cidade, sendo a primeira mulher mais votada para o cargo de vereadora em São Leopoldo e elegemos Alexandre Schuh, em 2012 reelegemos Nestor Schwertner, Carlinhos Fleck e elegemos Luis Antonio Castro, e em 2016 reelegemos Nestor Schwertner e a companheira Ana Affonso retomou mandato de vereadora, tendo o nosso primeiro suplente Wilson Eduardo Moraes, sido eleito primeiro suplente e sendo empossado na vaga de vereador, por conta da nomeação do companheiro Nestor Schwertner como Diretor do Semae. 

Em 1982 formou-se a primeira chapa para a disputa à prefeitura de São Leopoldo, com os professores  Ângelo Dalcin e Hildemar Rech.  Em 1988, a chapa foi composta com o Professor Ângelo Dalcin, com o vice Luis Castro (PT). Nos anos que se seguiram o PT disputou todas as eleições com chapas encabeçadas por diversos companheiros como Zulke em 1992, com o vice Dr. Adroaldo Diesel (PSB), 1996, com Ary Vanazzi de vice e 2000, com Ari Moura (PDT) de vice, e Vanazzi foi vitorioso em 2004, 2008, em ambas eleições com o vice Alexandre Roso (PHS-PSB) e agora em 2016, com a vice do PCdoB Paulete Souto. A cada eleição o PT aumentava seu alcance de votos nos diversos bairros de São Leopoldo até que, no ano 2004, o PT conseguiu chegar a prefeitura com Ary Vanazzi. Este projeto foi reeleito em 2008 com mais de 77% dos votos dos eleitores e eleitoras. Perdemos a Prefeitura de São Leopoldo, após um processo de denúncias e chantagens, bem como, pode se dizer, a adoção de uma estratégia de aparelhamento do poder judiciário para perseguir o PT e por conta de diversas dificuldades políticas internas. Não se tratava na época de um problema da qualidade do governo Vanazzi, mas sim de dificuldades na organização e condução política local. Já em 2016, voltamos a prefeitura com Ary Vanazzi numa vitória notável não pelo número de votos, mas por simbolizar a força da nossa resistência ao golpe e a solidez das raízes partidárias na cidade, bem como, a forte e resistente representatividade do nosso candidato. 

Na primeira experiência de oito anos de governo popular em São Leopoldo, demonstrou-se grande capacidade de diálogo com todos os setores da sociedade. Com democratização da gestão, através do Orçamento Participativo, realização de Conferências Temáticas e ativação dos Conselhos Municipais, fez-se um governo de forte participação popular obtendo diversos avanços consolidados nas estruturas econômicas e sociais da cidade. Com o auxilio das políticas implementadas pelo presidente Lula, eleito em 2002, conquistamos vários investimentos em infraestrutura para a São Leopoldo. Os exemplos como a Revitalização da Av. João Correia, Estação de Tratamento (ETE) na Feitoria, abertura de importantes avenidas como a Atalíbio Taurino de Resende, Tarcílio Nunes e John Kennedy. A extensão do Trensurb até Novo Hamburgo e as melhorias no entorno dessa obra, como Unidade Básica de Saúde, Escola Infantil e o novo loteamento para reassentamento dos moradores da vila dos tocos. Ao mesmo tempo, construiu-se na cidade mais de 10 mil moradias populares e com três projetos do PAC foram realocadas várias famílias que moravam na beira de arroios como o Gauchinho, Cerquinha, Cruz e Vicentina. Além disso, durante todo esse período foram construídas novas unidades de saúde e políticas públicas inexistentes nas áreas das mulheres, da igualdade racial, da defesa da criança e do adolescente. A Secretaria de Assistência Social foi reestruturada e foi uma das pioneiras no Brasil na implantação do SUAS, Sistema Único de Assistência Social. Políticas para garantir a vida digna da população indígena na cidade foram criadas e hoje existe uma aldeia indígena em São Leopoldo que cumpre o papel de garantir moradia e vida digna para esse povo.       

Outras ações importantes a serem ressaltadas nos primeiros mandatos da gestão popular foram a construção de novas escolas, o resgate da eleição de diretor que havia sido extinto pela gestão anterior, a construção da autonomia nas equipes diretivas e a criação do Sistema de Ensino. Além disso, foi nesse período também que implementamos políticas de valorização da juventude e que forma criados diversos grêmios estudantis em São Leopoldo, trazendo para o espaço político uma nova geração de militantes. Foi nessa primeira gestão também que construiu-se o Parque Imperatriz, um dois maiores parques de preservação ambiental do país, com projeto idealizado pela sociedade civil organizada e com recursos obtidos através do mandato do deputado federal Ary Vanazzi. Por fim, foi nessas administrações que se construíram os projetos da Rua da Praia, implementado depois com recursos obtidos pelo deputado federal Ronaldo Zulke e se restaurou a casa que era sede do antigo porto de São Leopoldo, criando o Museu do Rio. Nas políticas ambientais e culturais tivemos grandes avanços também. As áreas culturais receberam atenção e a Secretaria Municipal de Cultura foi criada já no primeiro governo Vanazzi. 

A administração popular tornou-se referência de tal modo em toda a região e no estado, sendo a base fundamental para o surgimento chamada Linha Vermelha, onde o PT ganha diversas prefeituras da região como Canoas, Esteio, Sapucaia, Novo Hamburgo e Sapiranga entre outras.   

Em 2012 perdemos as eleições com Ronaldo Zulke para prefeito e o vice Guerino Roso (PSB). Dentre as análises realizadas, observaram-se aspectos como crise econômica nacional e internacional, fortes ataques promovidos pela mídia ao PT periodicamente, desgaste da base aliada, problemas na gestão da saúde na cidade, principalmente vinculadas ao Hospital Centenário, contribuíram para a derrota nas urnas. Mas também ocorreu uma operação de denúncias a nossa administração orquestradas por setores e indivíduos descontentes ou não contemplados por nossa gestão.    

Durante as duas gestões o PT, enquanto estrutura partidária foi prejudicado pela excessiva dedicação dos nossos quadros a gestão do governo e um certo esvaziamento e enfraquecimento do partido.

Após a derrota eleitoral, São Leopoldo vivenciou 4 anos (2013/2016) da gestão Moacir/Daudt sendo apontado como uma das piores gestões da história da cidade, uma parte dos que antes eram “aliados” tornaram-se base da gestão aumentando o coro da dita “Herança Maldita”. Durante este tempo o PT não conseguiu fazer uma oposição organizada ou dirigida pelo seu diretório. A sede ficou esvaziada, enfrentando fortes crises financeiras e ouve um esvaziamento dos diretórios. A oposição foi feita principalmente pelo funcionalismo público, tendo destaque a luta das professoras do CEPROL e algumas intervenções dos mandatos do PT na Câmara de Vereadores, com algumas ressalvas. Porém, é preciso dizer que muitos militantes do PT em seus locais de trabalho e atuação promoveram oposição ao governo Moa e enfrentaram em outros setores as tentativas de destruir as conquistas dos dois governos do PT na cidade. Na área cultural houve resistência combinada para resgatar e impor a execução do Inventário de Patrimônio Histórico previsto em lei e também houve articulação pela retomada do Tombamento da Praça do Imigrante. Nesse mesmo setor, foi realizado o desfile de carnaval da resistência sem apoio da administração municipal. E também houve articulação para garantir a existência da Secretaria Municipal da Cultura com dois movimentos combinados, um, organizado a partir do FAC – Fórum de Artes Cênicas, e outro com a criação do Cultura nas Ruas. Nos dois casos haviam muitos ativistas culturais do PT e da esquerda que compuseram essas iniciativas e que obtiveram engajamento de amplos setores da sociedade na defesa da Secretaria de Cultura. Com esforço coletivo e articulado se engajaram artistas locais e estaduais e o Conselho Estadual de Cultura contribuiu também na defesa da nossa secretaria de cultura.    

Mesmo com este cenário, em 2014, Dilma se reelege e Tarso se elege governador do estado, com um forte engajamento petista principalmente no segundo turno. Em 2016 o PT, vence as eleições para a prefeitura, com Vanazzi novamente. Esse novo período que iniciou em janeiro de 2017, está sendo marcado por várias dificuldades, tendo em vista o desmonte das políticas públicas a nível federal e estadual, as dívidas herdadas da gestão PSDB/MDB. Também é importante ressaltar que desde o golpe de 2015 contra a presidenta Dilma, o país esta sofrendo com a falta de recursos para a implementação de políticas públicas e se confirmam perdas frequentes nos direitos já adquiridos assim como os diversos ataques a classe trabalhadora tem sido feitos por um novo bloco neoliberal no país.

Em março de 2018, a Caravana do Lula pelo Brasil teve ato na cidade, levou-se uma multidão de mais de 20 mil pessoas para a Avenida Dom João Becker, Lula discursou para diversas lideranças regionais e a população o aclamava. O maior líder da América Latina discursou sobre os avanços dos governos populares e denunciar o Golpe sofrido por Dilma e o golpe sofrido por ele próprio meses depois com sua prisão. Mesmo com todo o gás e esperança deixados por Lula e todo sentimento de revolta pela prisão arbitraria do mesmo não seguiu-se uma mobilização expressiva e massiva nas eleições de 2018. Porém, em 2019 com as revelações de Intercept Brasil a lava jato começa a perder credibilidade porque fica demonstrado que ocorreu um Conluio entre o Juiz Sergio Moro e os Procuradores da Lava Jato cuja investigação foi seletiva, parcial e dirigida com flagrante interesse político e eleitoral.

Um olhar mais detalhado mostra que os resultados da Eleição de 2018 na cidade, não foram positivos para as candidaturas do PT em todos os níveis. Foi uma eleição muito difícil influenciada ainda pela agenda golpista e também pela disseminação de boatos em redes sociais e alguns setores importantes adotaram a linha de apoiar Bolsonaro e seus representantes em nível estadual. Na disputa ao governo do Estado mesmo contando com os companheiros Miguel Rossetto que é leopoldense e nossa companheira vereadora Ana Affonso como vice, ficou-se em 3º lugar na disputa atrás de Sartori e Eduardo Leite.  Na disputa nacional Haddad ficou em 2º lugar no 1º turno com 27.403 votos (17%) e com 43.166(28%) no 2º turno.

Com relação ao segundo turno das eleições presidenciais à candidatura Haddad apresentou uma melhora, ampliando a votação em todas as regiões da cidade, onde observou-se uma tendência de migração dos votos de Ciro para Haddad no segundo turno, há um padrão na agregação proporcional de votos, tanto geral quanto regional.  Evidencia-se um crescimento de 14% de Haddad na Região centro contra 7% de Bolsonaro. Foi nesta região que Ciro teve melhor desempenho no primeiro turno ficando à frente de Haddad. Esse dado é importante porque marca uma retomada de votos na região central da cidade e também uma espécie de revisão da classe media de seu antipetismo.

Analisando de forma regionalizada o resultado das eleições nota-se perda eleitoral em todas as regiões da cidade. Destaca-se a perda de votos do PT na região nordeste principalmente Vila Braz, região Oeste, Leste onde em 2016 houve recuperação eleitoral.  As regiões Norte 2 e Sul também são regiões em que viemos perdendo força nas últimas eleições.

Pode-se atribuir boa parte deste resultado ao cenário nacional em que se deu esta eleição, com a condenação e prisão injusta de Lula e com isso a inviabilização de sua candidatura, o efeito em cadeia nacional da negação e até mesmo criminalização da política, a despolitização, ao antipetismo difundido pela mídia principalmente correlacionado pela corrupção. Além de um processo eleitoral carregado de ilicitudes com disseminação de mentiras e forte aparelhamento do processo por parte das Igrejas principalmente Neo-Pentecostais.  Aliado a tudo isso ainda há um crescimento, não só brasileiro, mas mundial, do ultraconservadorismo de direita. Uma parcela da direita se aproveita deste momento para surfar na onda conservadora e pregar sua agenda de ataques a classe trabalhadora, esquerda e militante. 

Este aparelhamento teve forte impacto aqui na cidade onde o engajamento de lideranças e pastores de igrejas Neo-Pentecostais, ocorreu de forma muito intensa em cultos e nas redes sociais, principalmente via whatsApp. A divulgação de Fake News como o kit gay e a erotização de crianças através da chamada ideologia de gênero foram disseminadas em larga escala neste público que está majoritariamente concentrado nas periferias da cidade. Ao mesmo tempo, esse resultado foi promovido também junto as classes médias da cidade com noticias falsas e muito uso de robôs e de sistemas de informação que nos levam a acusar os adversários de fraude eleitoral, como hoje claramente se confirma.  

Porém não se pode ignorar que governamos a cidade a partir de 2017 com espirito de reconstrução e reorganização da administração e que as dificuldades dos dois primeiros anos e diversos anseios e demandas da comunidade não foram atendidas e podem ter tido efeito negativo na eleição de 2018. Essas questões, inclusive, foram apontadas em pesquisa interna realizada que já apontava uma insatisfação em regiões em que se constatou queda na votação. Porém, é preciso dizer que o governo tem atuado mais em todas essas regiões e tem conseguido no ano de 2019, recuperar demandas e acelerar seu ritmo de gestão de modo a responder a elas. 

Pode-se concluir com este balanço histórico da cidade e do PT e principalmente com os números e apontamentos da eleição de 2018 que ainda se tem muito o que avançar enquanto leopoldenses, militantes, partido e governo. O velho tema da forma de comunicação com a população, tanto na esfera governamental quanto partidária é um dos fatores mais críticos. Ele envolve o engajamento efetivo da direção partidária e da militância na defesa do governo e na organização das nossas bases sociais originárias. A agenda de retrocessos impostas pelos governos Leite e Bolsonaro, com a perda de direitos já adquiridos, construção de políticas públicas contrarias aos negros e negras, indígenas, lgbtq+, mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, ataques aos movimentos sociais, terá que ser combatida de forma sistemática dentro e fora do partido. E essa tarefa é do nosso partido e dos nossos militantes, dirigentes e simpatizantes e para realizar ela é preciso avançar na construção de um campo de esquerda e progressista.

A PONTE DE FERRO


A PONTE DE FERRO



A Ponte Ferroviária sobre o Rio dos Sinos é um símbolo da importância econômica e política da colônia de São Leopoldo, adquirida através da imigração alemã. A ponte constitui-se na primeira travessia ferroviária do Rio Grande do Sul e a segunda ponte sobre o Rio Dos Sinos, sendo contemporânea à Ponte 25 de Julho, que foi inaugurada em 1874 e primeiro bem tombado pelo IPHAE no ano de 1980 (Portaria 10/80). Foi inaugurada em 1876 como ampliação da estrada de ferro existente entre a cidade de São Leopoldo e Porto Alegre, primeiro trecho de circulação de trens no Rio Grande de Sul. A Estação Ferroviária de São Leopoldo foi inaugurada em 14 de abril de 1874 e hoje abriga um importante acervo da história ferroviária do RS, e como patrimônio histórico denominado de “Museu do Trem” também está na lista dos bens tombados pelo IPHAE através da portaria 16/90 de 24.09.1990. Esta Ponte Ferroviária é o primeiro vão que faz parte do conjunto de pontes de travessia do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, no  caminho para Novo Hamburgo que será concluído em 1876, a meia milha daquela cidade, sua extensão tem sete vãos, o maior de 60 pés, somando no total, 244 pés. Ela integra como bem, a Lista do Patrimônio Cultural de São Leopoldo, no item Monumentos. Está localizada junto à Avenida Mauá, que corre paralela ao trajeto e linha do Trensurb, no seu conjunto ocupa praticamente em extensão e largura, o Rio dos Sinos no sentido margem sul/norte.

Obs.: Da série de textos para Praças e Monumentos do Projeto da Semurb e da Administração Municipal. Trata-se de registrar em placas nas praças e monumentos parte da história desses locais e de seus homenageados. 

Agradecimento especial ao historiador Márcio Link que contribui com boa parte das informações aqui apresentadas.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

A Despedida


A gente morre, sabia?

Ele levantou os olhos do chão onde estavam fixados e esperou ela responder aquela obviedade que parece desaparecer da nossa consciência, até que algo aconteça com alguém e nos faça lembrar dela.

Ela olhou bem para ele. Uma lágrima escorreu do olho esquerdo e caiu bem no meio da blusa vermelha. E aquele tempo de espera do que ela ia dizer pareceu uma eternidade. Ele teve a impressão de que toda a vida dos dois juntos se passou entre as suas palavras e aquela lágrima derradeira. Ela se concentrou e respondeu, então, de modo a não deixar dúvida alguma:

Eu sei. É triste isso.

Ele ficou pensando no que ia dizer mesmo em sequência. Mas não pronunciou nada daquilo que já lhe estava pronto na cabeça. Disse, então, simplesmente:

É por isso que nossos momentos precisam ser sempre os melhores. Podem ser os últimos. Podem ser uma despedida.

Ela olhou para ele e sorriu. Deu-lhe um beijo na face. Ele retribuiu. Agradeceu a carona e desceu do carro.

Naquela noite eles haviam conversado sobre tanta coisa, com tão poucas palavras. E enquanto ele seguia na sua direção, levantou a não esquerda e deu adeus com um gesto simples. Ela sorriu e ele foi embora.


P.S. É um texto que fiz pensando na nossa finitude e na extraordinária experiência que nós temos em compartilhar com alguém uma relação real e verdadeira. Algumas pessoas parecem levar muito tempo para se dar conta disso. E às vezes fica tarde demais. Eu acredito que parte da desumanização das relações de todo tipo está ligada ao esquecimento da finitude e de que nossa existência não é eterna e que talvez não seja possível mesmo que tenhamos qualquer outra existência além dessa que, na loteria entre essa fusão de matéria e espírito, foi milagrosamente possível. Se essa loteria já foi difícil de ganhar para existir, dá para imaginar o privilégio que deva ser ter uma existência autêntica e genuína, honesta e verdadeira com outra pessoa ou outras pessoas. Só o esquecimento da finitude não explica a brutalidade e perversidade de algumas ideologias e tipos de pessoas, mas me parece ser um sinal do caráter mesquinho delas e do pouco caso e generosidade que elas tem para com os outros seres humanos. Em face disso é bom lembrar, tanto para quem amamos quanto para quem nos ama, que a gente morre mesmo e que a vida não dura para sempre. Assim como deveria ser lembrado para quem nos odeia também. Paz para os homens e mulheres de boa vontade por que o amor ao próximo é uma bela forma e talvez a única de imortalidade.

MEDIOCRIDADE AGRESSIVA


Teremos dez dias de silêncio - assim deve ser esperado - daquela voz e daquele tom estúpido, mentiroso e canalha.



Vai ser uma folga razoável para quem não suporta mais ouvir, ler ou ficar sabendo da última pérola desse sujeito que graças a um surto de pânico moral e irracionalismo inescrupuloso de certa elite brasileira virou presidente do país tendo protegida e promovida sua intolerância e desfaçatez. Ficar dez dias sem ouvir a voz desse facínora, vai ser um bom tempo. Quem dera - me perdoem os piedosos e os tolerantes com a intolerância - fosse definitivo, mas ainda não será. Não dessa vez.

Desejo que todos os brasileiros e brasileiras aproveitem esse silêncio para encontrar razões para se livrar de vez dessa canalha - que traz família, camarilha e milícias junto - para se liga criar de vez desse descaminho que tantos danos já causou e que se continuar, mais males e perversos irá causar.

Espero que nesse período de paz silenciosa a reflexão de todos faça com que todos queiram se livrar de vez dessa mediocridade agressiva.

Isso pode ser bom, isso pode ser melhor, isso pode ser ótimo, isso pode ser excelente, porque se assim for, nada sequer semelhante terá vez de novo em nosso país, contra o nosso país e contra o nosso povo.

SIMONE DE BEAUVOIR – FILÓSOFA E ESCRITORA


Você quer saber mesmo porque eu gosto de ler Simone de Beauvoir?

Eu gosto muito de ler os textos autobiográficos de Simone de Beauvoir. Gosto da precisão de detalhes, do tom e da ironia e auto ironia de que ela se serve e do modo ou estilo como ela narra também.

Não sou, entretanto, um especialista em literatura e estilo literário. Creio que o estilo literário dominante no século XX mistura muita ficção com elementos biográficos. Parece haver uma estrutura ficcional sobreposta a uma estrutura biográfica. Não me dei ao trabalho de mostrar ou estudar como isso ocorre, porém, me parece evidente.

Às vezes a estrutura da ficção deixa a narrativa melhor, pois a enriquece com elementos do extraordinário e com um tom narrativo mais pessoal, sentimental e emocional e em outras as biografias e suas estruturas que fazem a narrativa de fatos, parecem ser melhores.

Estou lendo A Força das Coisas (volumes I e II), nessa obra ela mesma faz a crítica de suas ficções ou o que podemos chamar de auto ironia e eu gostei muito. Uma característica que fica ressaltada nessa obra dela – do qual as outras obras auto biográficas parecem seguir o mesmo modelo, é que ela escreve suas obras meio que como uma resposta às ideias e obras de outros e ela mesma relativiza e faz a crítica mais apropriada e honesta possível de suas obras.

O que eu gostei mesmo foi da lucidez e da clareza com que ela explicita suas razões e ideias que nem sempre parecem ficar claras em suas ficções ou obras teatrais. Ocorreu um insight quando li uma critica ao Murakami e também fiquei pensando nisso. A diferença está entre saber ou vislumbrar as intenções dos autores ou buscar traços de gênio e de alta inspiração.

Porém esse estilo corre o risco de parecer raso e uma narrativa mais trivial. Mas não me parece ser assim. Ao contrário, a simplicidade da expressão e a sua clareza não encobre os dilemas e as reflexões profundas, apenas nos facultam o acesso a elas.

O ponto parece ser bem esse: ter certo grau de informação sobre contexto de produção literária e compreensão das intenções da autora. Simone parece ser uma testemunha altamente reflexiva da história e dos fatos do seu tempo e isso inclui a caminhada de Sartre ao lado ou próximo dela e de toda uma geração da cultura francesa entre guerras (1919 a 1939) e nos pós guerra (1945) até os anos 70.

Mas confesso minha insuficiência para avançar muito nesse debate. Em parte, porque não li toda sua obra e, de outra parte, porque também não li e não tenho domínio do contexto todo e das obras e personagens que são suas contemporâneas. Fico imaginando agora, nós aqui no Brasil que possuímos raros escritores que tentam fazer este esforço intenso de interdisciplinariedade da filosofia, da literatura e das autobiografias de seu tempo, antes mesmo dessa expressão ter uso. Nesse sentido, sinto certo prazer com Simone, pois ela me dá aquilo que eu não conseguiria juntar sozinho de seu tempo, obras e autores. Ou seja, compreender o modo como uma filosofia ou visão de mundo e de existência se expressa no teatro, na ficção literária, em obras autobiográficas e em ensaios e obras filosóficas. É sim a filosofia aplicada à literatura, mas é também a literatura aplicada à filosofia. Assumindo aqui, é claro, a literatura como uma designação ampla a obras de teatro, ficção, auto biografia e poesia.

Eu gosto dela, portanto, por diversos motivos guiados pela curiosidade e pela busca de uma qualidade narrativa e reflexiva. Gosto das ideias dela e da forma como ela as apresenta com uma certa clareza e finesse, mas sempre indo direto no ponto. Eu não diria que ela é menos filósofa que Sartre, nem menos importante. da mesma forma que quando leio Hannah Arendt, não vejo nela um filósofa menor ao seu mestre afetuoso Heidegger, ainda que para mim Heidegger seja um verdadeiro gigante - com todos os riscos que toda forma de grandeza acarreta.

Penso também nesta condição feminina na filosofia. Uma coisa que parece colocar sempre a mulher ou o feminino na lateral dos combates. Não sei se uma figura ou metáfora cai bem aqui. Penso que não. mas me vem a calhar que a guerra, a meia guerra só é vivida nas laterais da história. A verdadeira guerra ocorre dentro de nós mesmos. E a consciência disso as vezes nos suaviza e as vezes nos enfurece. Nenhuma filosofia sobrevive ao engano. No entanto o pensamento de Simone me parece vivo, presente, ativo.

Posso estar enganado, mas creio que deveríamos olhar com mais atenção para estes fenômenos das mulheres na filosofia do século XX. Na maior latitude possível. O que inclui aqui Rosa de Luxemburgo, Simone Weil, Susan Sontag e também algumas escritoras e filosófas que ficam nas áreas de fronteira entre a literatura e a filosofia, a história, a antropologia, nas ciências humanas e mesmo nas ciências exatas e biológicas.

Afinal, são sim obras do pensamento de um tempo, reúnem testemunhos, ideias e também novas formas narrativas e trazem junto novas concepções de mundo e modos de se encarar a vida. Algumas hoje pode parecer triviais, mas no seu tempo não foram. Representaram  verdadeiras revelações existenciais e de estilo.



Obs.: Na imagem, a obra de Simone de Beauvoir, A Força das Coisas, primeiro volume com o marcador de página que recebi de lembrança direto da China de minha amiga APS.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

CHURCHILL E AUSTIN: O Destino de uma Nação – NOTA E ESBOÇO


O Destino de uma Nação me permite tratar hoje de um tema que tem me atraido muito em relação à Churchill. A reconhecida natureza performativa dos seus discursos e uma possível relação com Austin que, na mesma guerra, mesma época e país desenvolvia, provavelmente enquanto auxiliava a inteligência militar e civil inglesa na contra informação e na análise de informação, a sua já consagrada é indispensável teoria dos atos de fala. Antes disso trato do filme e depois dos atos de fala de Churchill com socorro da teoria de Austin.

O FILME

O destino de uma nação também contém um ótimo conteúdo contra o fascismo e em defesa do acesso a verdade para o povo de um país. Os discursos de Churchill possuem um caráter altamente popular e apelam para o sentido de liberdade de cada um dos seus interlocutores. Desistir nunca, se entregar jamais, lutar sempre e defender a liberdade e a democracia. Parte do que o filme não mostra, fazendo certa sombra sobre isso inclusive, é que haviam ingleses e americanos - tanto quanto franceses - simpatizantes ao nazismo porque viam nele uma possibilidade de impedir o alastramento de partidos comunistas e também o crescimento de posições trabalhistas mais à esquerda. Ao ver o filme fui provocado a pesquisar um pouco mais sobre o período para além dos discursos e nos bastidores das relações entre Inglaterra e EUA.

Apesar de ter uma coleção de críticas assimiladas sobre Churchill, tenho muita admiração sobre este aspecto dele ao ponto que, dentro dos meus limites de conhecimento, considero ele o melhor orador e líder político da segunda guerra. Em uma obra de um historiador de certa forma reconhecido, John Lukacs, Cinco dias em Londres, temos a defesa da importância de Churchill na derrota a Hitler e ao nazismo na segunda guerra mundial. Esse extremo papel é expresso por lukacs assim: “sem Churchill a Alemanha e Hitler jamais teriam sido derrotados. É preciso, ainda, esclarecer uma questão de natureza problemática e histórica que é apresentada no filme.

Alguns críticos apontam que Halifax e Chamberlain não eram os traidores que aparecem na tela de Darkest Hour. Ora, de fato Halifax cumpre papel importante na estratégia de guerra inglesa. Porém, parte do mis em scene entre Churchill e seus dois colegas de partido conservador, um ex-primeiro ministro com grande resistência a entrar em guerra e que foi de certa forma o responsável – não solitariamente, veja-se Lidell Hart a este respeito - pelo total despreparo militar dos ingleses para resistir ou enfrentar Hitler, marcado por algumas simpatias de ingleses poderosos por ele, e Halifax o preferido do Rei e de nove entre dez conservadores para suceder Chamberlain, não pode encobrir o fato apontado no filme que o próprio Halifax indica – após ser aclamado pelos membros do partido – Churchill como o sucessor ideal ao cargo tendo em vista seu destemor e também sua abordagem completamente avessa aos não aos alemães, mas a Hitler. Em Dunkirk, o filme, fica em aberto o mistério de porque Hitler não exterminou todos os ingleses e franceses abandonados, sem perspectiva de remoção, naquelas praias tenebrosas, porém, é preciso considerar que o fio tênue de negociação entre os ingleses e os alemães via intermediação – remunerada – dos italianos se manteve até o último período da retirada completa dos ingleses daquelas praias. É curiosa também que essa façanha só foi possível ser mantida por diversos vazamentos de um americano que assessorava Joseph Keneddy na embaizada americana em Londres. Esses vazamentos davam conta de tendências de enegociação de uma paz por Chamberlain e Halifaz e da intransigente posição de Churchill que apesar de considerar e balançar essa possibilidade tinha completa aversão a isso. Duas cenas do filme ajudam a encobrir ou a fazer algum mistério disso. A primeira é o passeio de metrô de Churchill e sua consulta aos súditos e súditas às cidadãs e cidadãos britânicos. Ora, parece ser inverossímil que o Sir Churchill faria tal coisa ou precisa de tal atitude para se convencer da opinião ou tirar febre da opinião do povo inglês. Mesmo assim a cena para mim é brilhante, pois o Never expresso em uníssono pelos passageiros do trem dá um sinal claro da expressão política e do sentimento do povo inglês de jamais se entregar ou se render a qualquer invasor. É importante apontar que aquela ilha jamais foi invadida, salvo pelo romanos que acabaram por fortalecer e contribuir na formação daquele povo. Franceses e espanhóis que o digam. A segunda cena é a pausa nas discussões entre Neville e Halifax contra Churchill perante todo o gabinete, em que eles ficam à sós, somente os três, para confabular sobre a tática perante os alemães e Hitler. Apesar da cena não enunciar qual o encaminhamento da reunião, é bem plausível se compreender que tratava-se de manter na perspectiva inglesa uma linha de diálogo com os alemães, via italianos basicamente para ganhar tempo, encontrar uma alternativa de retirada de Dunkirk e ser capaz de sobreviver aquela situação tenebrosa para todos eles sem exceção. Os detalhes da história dos motivos pelos quais os alemães não liquidaram passam por diversas hipótese ainda hoje.                       

Os discursos e performativos de Churchill, como se pode atestar no filme e em outros textos que já circulam, são exemplares. Muito além de sangue, suor, labuta/trabalho e lágrimas o que Churchill fez, foi, nas palavras com que Halifax aponta, no momento crucial do filme, “mobilizar a língua inglesa para a guerra.”

DISCURSOS DE CHURCHILL - EXCERTOS

AUSTIN E CHURCHILL

Sempre quis saber se Churchill teve algum tipo de influência, contato ou diálogo com Austin. Fico curioso com a hipótese inclusive de ter sido um bom case para a análise dos atos de fala. A força da palavra e da expressão dos atos de fala de Churchill bem que merece uma análise minuciosa considerando-se contextos e suas respostas a cada um deles e dos elementos nos cenários de fala. Vemos durante o filme todo as proezas retóricas de Churchill, sua capacidade de emular um sentimento de resistência contra o perigo alemão ou nazista, contra Hitler de tal modo que não é difícil enquadrar ele como um orador de força ilocucionária extremamente eficaz. Churchil, e isso é muito notável no filme, assumiu o cargo de primeiro ministro num momento muito trágico da Inglaterra. Em dez de maio assume e em 13 faz seu discurso de posse. Mas logo em seguida é informado da eminente invasão da Holanda, da Bélgica e da França pela blitzkrieg nazista. Logo mais se defronta com a terrível situação dos mais de 300 mil soldados ingleses e franceses sitiados em Dunquerque.

O filme possui muitas virtudes, além disso que vou destacar aqui e que foram textualmente assinaladas por Pablo Villaça que cito abaixo para começar:

"Gary Oldman, um dos atores mais talentosos de sua geração, oferece mais uma grande performance; o design de produção é impecável, fazendo um trabalho de recriação de época formidável; e Winston Churchill é um personagem fascinante por natureza – e não só por sua história, mas também por sua aparência, seus maneirismos e sua dicção particular.
Para mim aquilo que é uma desvantagem para o Pablo o filme que "só traz diálogos memoráveis quando estes são citações diretas de Churchill ou do Cícero que este tanto admira" é uma vantagem porque me permite analisar literalmente os atos de fala de Churchill e o arcabouço geral e a efetividade histórica ou fatual  dos seus perfomativos. Assim, excluindo-se a duvidosa viagem de metrô em que Churchill conversa com populares, praticamente todo o resto das suas falas consta em biografias e em relatos quase oficiais dos acontecimentos entre 9 e 29 de maio de 1940.

Segundo Pablo, a citação literal "compreensivelmente, já que o dom deste para a oratória era tamanho que acabou por revolucionar a língua, refletindo os talentos do próprio político britânico".

A crítica mais detalhada, ampla e completa que conheço é do exímio Pablo Villaça. Nela ele fala também do Universo Estendido, ou seja d conjunto deste filme somado a Dunkirk e ao Discurso do Rei, do qual o filme faz parte e ajuda a explicar.

Austin estudou Aristóteles e Leibniz durante sua formação e de ambos herdou uma tradição que se fortaleceu em seu espírito com duas vertentes bem originais. De Aristóteles a idéia de analisar as diversas formas de dizer, já de Leibniz sofreu certa inspiração em relação ao projeto leibniziano de construir uma linguagem universal.    Dentre os vários modos possíveis de se dizer uma mesma coisa, o modo escolhido está relacionado com o sentido do que é dito. Designa-se duas formas básicas para o que é dito uma forma é a “constatativa” de natureza mais descritiva e a outra forma é a “performativa” de natureza mais prática para aquilo que tem o objetivo de gerar uma ação ou expressar uma ação. Nesse sentido as expressões na descoberta de sua teoria a partir da observação dos nossos usos comuns da linguagem teriam uma “força elocucionária”. Desse modo, Austin após perceber que jamais uma coisa dita é exclusivamente indicativa acabou por caracterizar melhor os tipos de expressões ou as formas como expressamos coisas diferentes com objetivos diferentes. Esta teoria ganhou o nome de Teoria dos Atos de Fala e uma distinção mais fundamental foi estabelecida entre atos locucionarios, ilocucionários e perlocucionários. Austin, de certa forma, escreveu: Sense and Sensibilia e Quando dizer é fazer, ambas obras publicadas postumamente em 1962. Suas teorias foram ganharam muitos adeptos na filosofia analítica e em especial nos Estados Unidos seu discípulo John Searle deu um desenvolvimento nova a sua teoria de certa forma complementando e analisando mais ainda as formas das expressões ou tipos de expressões. Já, na França, a Teoria da Linguagem de Jacques Derrida se baseia em parte também em seu trabalho.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Austin serviu no British Intelligence Corps. Foi dito já que "ele mais do que ninguém era responsável vital pela precisão da inteligência do dia D" (relatado em Warnock 1963: 9). Austin deixou o exército em setembro de 1945, com o cargo de tenente-coronel. Ele foi homenageado e reconhecido por seu trabalho de inteligência com uma Ordem do Império Britânico, a Croix de Guerre francesa e a Legião do Mérito dos Oficiais Americanos. (ver o verbete Austin na Enciclopédia Stanford de Filosofia.)

Perfil e seus riscos


Traçar perfis tem sido uma prática corrente nos dias de hoje. O interessante é que isso tem sido feito a cada dia com mais frequência. Parece até que logo teremos mais perfis em vida do que obituários. Já usei por mais de uma vez o exemplo da questão de saber se uma vida foi feliz ou não, certa ou errada, satisfatória ou não, no momento da nossa passagem para as câmaras da outra vida, a morte. O desaparecimento de alguém do mundo da vida parece ser mesmo o fim de uma obra e de uma existência. Como se uma vida só pudesse ser avaliada após transcorridos todos os seus momentos. Mas fazer perfis tem ultrapassado esse limite. Mesmo sabendo-se que eles são retratos provisórios tem sido mais e mais frequente fazer isso.  
    
É, também, muito comum correr este risco de prejulgar as pessoas com base em alguns traços e características de seu perfil visível. Esse hábito é sim bem comum, mas elide o fato de que sempre será necessário ultrapassar as aparências e aquilo que de si uma personagem torna visível. Nós que lidamos com muitas pessoas em transações, relações e vínculos de todo tipo e de formas diferentes sempre corremos esse risco de rotular, fazer um prejulgamento ou perfilar as pessoas de modo errôneo a partir de seu perfil preferido. Imagine que todos escolhem as imagens de si que serão mostradas e exibidas.  Como pensar nisso quando uma foto é revelada de forma errada e se queima o seu negativo? Assim, muitas vezes, a distorção é privilegiada e a imagem que fica é aquela que é resultado ou de uma escolha ou de um acidente. Quando o reagente, reage por tempo demasiado no negativo perdemos a nitidez. Tendo a imaginar que o tempo e as seleções de perfil e também os acidentes acabam por nos afastar do real e nos fazer ver apenas um resto ou uma sobra, um pequeno fragmento desse perfil. Sendo assim, além dos segredos ocultos e das intimidades não figurarem no perfil, temos a desvantagem de não poder ver o todo – o exemplo do fim da vida ou da obra, e, também, a desvantagem de não ter um retrato resumido e atual que faça justiça ao retratado. É por isso, me parece, que tanto a fotografia como a escritura, e nesse estilo as biografias, parecem ser artes, porque só vira definitivo nesses tipos de registros, aqueles que conseguem superar as aparências ou as circunstancias limitadoras do tempo e da perspectiva de um observador.  

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Fantástico deu Nota Cega sobre as Denúncias de Intercept


Tá melhor que a encomenda. Essa foi a primeira reação da imprensa oficial às denúncias contra a Lava Jato. Mas começaram a disputar a narrativa para depois esvaziar o impacto. Acho importante que todos e todas compartilhem as notícias, a nota da defesa do Lula, criem memes e batam sem dó e nem piedade nesses canalhas de toga e na imprensa que tenta manipular a notícia. A parte importante é que na conjuntura que antecedeu a greve geral contra esse esbulho de governo e presidente que foi construído sob essa farsa. Pau neles!

Nota cega: Eles tratam a notícia desse tipo sempre de uma forma como se parecesse que eles não sabiam de nada antes e que também não sabem de nada que vai acontecer depois. Mas sempre invariavelmente tentam manipular o caminho da informação e a direção das investigações para se proteger, proteger os seus e garantir essa aparente isenção jornalística. Quero dizer com nota cega em ironia a nota pelada que na Globo é sempre a apresentação de uma máscara sem identidade e aparentemente vazia. Porém, só encobrem o que já sabem para dosar a informação e direcionar a interpretação e a compreensão do público ao seu ponto ou target desejado. Foi sempre assim e vai continuar assim. É evidente para mim que eles for beneficiados diretamente pelos vazamentos e contribuíram com os timings de toda essa operação antes do golpe e depois do golpe. Assim como também abafaram todos os escândalos sobre o caso do Queiroz e o assassinato da Marielle. Para eles todas as ligações são acidentais ou coincidências quando se tratam dos seus interesses, mas contra os adversários são sempre causais. Curiosamente, até mesmo a doutrina controversa do Domínio do Fato usada no mensalão contra o PT, para os seus aliados é absolutamente negligenciada.

LOUCO DE SEM VERGONHA


LOUCO DE SEM VERGONHA



Bolsonaro é um louco, é o que afirma em seu texto o ótimo jornalista Gilberto Dimenstein. Ele faz isso ao sugerir que listando algumas das manifestações e posições absolutamente insensatas dele, dá para fechar um quadro de loucura. Eu penso que ele fica na fronteira entre a loucura e a insensatez e o nome disso para as nossas avós e os antigos era outro.

Porém,  essa mensagem também permite perceber justamente essa outra forma de insensatez, que é julgar que um insensato é candidato a alguma coisa, é eleito e recebe um mandato ou mais e continua nessa marcha da insensatez, mas que é alguém que pensa solitário e ganha um crédito acidental dos demais.

O mesmo erro foi cometido com Hitler. Vejam o diagnóstico psicanalítico de 1943 dele publicado pela editora Leya.

A lista de exemplos de Dimenstein está correta e pode ser aumentada, inclusive, só que eu não gostei nada da qualificação ou diagnóstico de loucura, não porque Dimenstein não possa dar o diagnóstico que quiser, mas porque na verdade isso funciona da seguinte forma, assim com esse modelo de abordagem da insensatez política.

Então, o Bolsonaro é o louco, é o pirado, é o esquizofrênico, é o paranóico e, esse bando de gente ruim, perversa, grosseira, essa coleção de demagogos reacionários, estão se escondendo nas costas dele. Vamos dizer que se resolve o problema dele, seja de que forma for, fechando o diagnóstico e internando esse monstro de insensatez, tirando do poder, botando na cadeia, pendurando num poste como Mussolini na Itália, enforcando numa árvore, como no velho oeste, alguém acredita que estará tudo resolvido?

Surge um pequeno probleminha aí: e os outros?

Veja bem, ao contrário, você tem que bater sim na política e nas posições políticas que ele representa, para tirar as pessoas dos braços dessa insensatez e educar as pessoas para criar aversão a isso, mas isso não basta. Veja isso precisa ser feito  - não para eleger o PT ou a esquerda - isso pode ser possível ou não, mas para defender a democracia, para defender a volta de alguma margem de sensatez e a volta de algum progresso e ordem Institucional real para o Brasil voltar a ser feliz de novo, exatamente como diz o Lula, e acabar com essa onda coletiva de insensatez e retrocessos.

É verdade que só bater nisso ou só polarizar em relação a isso não vai derrotar essa mentalidade.  É isso que afirmam os defensores da terceira via. Porém, há também algo insensato na mentalidade deles também. Porque eles se avistam como alternativa para vencer os insensatos sozinhos e sem unidade com os demais. Isso só vai mudar se você não continuar assim. Você precisa se encontrar  com uma sensação real diferente dessa que, de fato, agora entendeu que tem mais gente como ele e passa a ter a certeza de que ele tem eco na sociedade e que esse eco na sociedade tem apenas aumentado devido a sua posição de omissão e de faz de conta que está fora dessa polarização. Para enfrentar isso, portanto, se você quiser se afastar dessa insensata ironia do destino, só com uma grande frente política nacional de resistência democrática muito ampla. Porque, você precisa reconhecer isso, vai ser preciso reeducar a sociedade e as instituições. Veja que isso inclui também setores da elite e de altos escalões da república e em diversos poderes de estado.

É esse, eu acho, que foi o erro de todos aqueles que o rejeitaram a priori e de forma inegociável desde o começo e até hoje, cometemos em relação a ele, durante todo o mandato dele de trinta anos como um príncipe maluco do baixo clero na câmara dos deputados. Veja que na época a proposta era não machucar não tocar nele e ele nesses trinta anos de deputado acabou sobrevivendo e crescendo. Só Maria do Rosário e alguns poucos deputados se ocuparam ou se postaram efetivamente contra ele. O erro foi tratar ele como louco e daí não precisava enfrentar ele porque ele é louco. Passado todo esse tempo alguns perceberam: mas já tem um bando de loucos que acreditam nele. Essa gente concorda com ele, porque essa abordagem grosseira da vida real é a abordagem mais simples e mais fácil dos problemas.

E foi assim que essa coisa maluca e insensata de reduzir dispositivos legais que garantem a segurança e a vida de milhões de pessoas foi jogada para o espaço. Tanto o debate e o raciocínio débil dos eleitores dele em relação às leis do trânsito, quanto em relação às armas, são parte dessa insensatez simplória e grosseira, mas é bom perceber que essa concepção tem um corpo bem mais amplo de propostas em diversos ministérios e não somente na boca do insensato e de alguns destacados seguidores dele..

Nossas avós diriam algo simples assim: esse cara é louco nada, esse cara é louco de sem vergonha. E com ele tem mais um bando de sem vergonhas e insensatos marchando na mesma direção e tentando levar toda a sociedade brasileira junto.

Na imagem a carta Zero do Tarô, o Louco ou The Fool.

O ATAQUE DE MENTIRAS É CONTRA A SAÚDE DO POVO DE SÃO LEOPOLDO


Ao contrário do que alguns afirmam irresponsavelmente ou por comoção, não há nenhum abafamento ou segredo promovido pela Administração Municipal em relação aos dois óbitos por Meningite B e C em São Leopoldo.

Veja que tem sido apresentadas respostas para todas as questões por parte do governo na rede de saúde que está fazendo um grande esforço para zerar o déficit de vacinação causado por boicote e nas demais medidas já anunciadas e nas informações sobre a patologia e seu histórico na cidade divulgadas também.

A vacina C tem na rede e se está promovendo a vacinação preventiva de todos que não a fizeram, cobrando do estado o fornecimento das vacinas e a rede de saúde está toda em alerta e atenção máxima em virtude dessa situação. A quimioprofilaxia da B, o governo irá aplicar nos casos de contato da vítima da B.

Não tem histeria nesse debate. Os que falam em surto é que estão promovendo pânico e estão tratando o assunto assim para gerar insegurança na população.  Nós, portanto, estamos enfrentando uma abordagem irresponsável que argumenta que um há surto de um vírus sem base técnica, médica e científica. Aliás, nenhum dos que afirmam isso faz uso de protocolos ou normativas de Vigilância em Saúde. Portanto, estão exercitando sua retórica sem nenhuma base técnica e científica.

Sobre um surto é preciso ainda dizer que o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, preconiza que a decretação de surto epidemiologico é declarada conjuntamente pela Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Ministério da Saúde. Nesse sentido, as três esferas de responsabilidade já estão em vigilância e em regime de colaboração, com toda a responsabilidade exigida.

O debate está sendo protagonizado com muita paixão e irracionalidade, mas nenhuma das informações apresentadas pelo prefeito, pelos gestores municipais e da saúde municipal e pela comunicação social da administração são inverídicas, falsas ou obtusas. Não tem abafamento ou cobertura parcial alguma. Não é essa a postura da administração e nem de seus agentes.

Escrevi um texto mais amplo ontem, apenas para colocar esse debate no quadro geral da grande mentira que há por trás disso. Essa mentira é promovida de forma irresponsável por lideranças políticas de oposição que querem estimular o ódio e a raiva em meio a população e tentando obter dividendos políticos disso, aproveitando-se inescrupulosamente da comoção de familiares e amigos das vítimas. O pânico gerado através da exploração sistemática desses eventos, através de vídeos e discursos, publicações e postagens em redes sociais do Facebook, WhatsApp e outros é criminoso e muito indigno com o sofrimento das famílias que tiveram essas perdas irreparáveis e com as famílias que tem pesadelos e aflições provocadas por esse terrorismo vil. 

É bom lembrar que esses adversários são, em alguns casos, simpatizantes da ditadura militar e de defensores notórios de ditadura militar que, justamente, foi o momento em que ocorreu o abafamento de um surto de meningite em diversas cidades do Brasil em meados dos anos 70. É bom lembrar que essa é a prática autoritária e violenta clássica e bem conhecida de quem censura a verdade e reprime os questionamentos, pois julgam que não precisam responder por seus atos o que marca justamente a psicologia clássica e bem conhecida do carater dos responsáveis. Contra o qual, aliás, muitos lutaram de fato contra os esforços de abafamento acompanhados de repressão do governo militar. É importante perceber isso  com conhecimento também. Agora, a situação é completamente inversa. Pois o governo atual não somente está falando e explicitando suas medidas e ações publicamente e sem censura alguma. Aqueles que são herdeiros ideológicos dos que promoveram o abafamento dos anos setenta, alegam abafamento nos dias de hoje em que a sociedade se encontra livre de qualquer constrangimento institucional. Não há surto ou abafamento da situação de vigilância em saúde, mas sim manipulação e uma promoção de desinformação com objetivo estritamente político e sem nenhum prurido e escrúpulo em explorar o sofrimento dos familiares, colegas e amigos das vítimas.

Isso é muito grave e veja que a imprensa regional e municipal tem tratado dessa situação com cada vez mais responsabilidade também. O que deve servir de alerta para que os irresponsáveis suspendam as iniciativas de insuflar terror através de desinformação.

Dito tudo isso, o mais importante agora é o esforço da população e da rede de saúde para atualizar a vacinação das crianças para essa patologia e valorizar mais a carteira de vacinação e derrubar certo boicote a vacinação que tem sido promovido nos últimos anos também por algumas facções e personagens que surgiram fazendo campanha contra a vacinação das crianças, se aproveitando também de desinformação e disseminando um mito de insegurança sobre as vacinas de que a vacina é desnecessária e/ou faz mal a saúde.

Texto feito para responder a boataria de alguns vereadores de oposição e algumas lideranças de oposição sobre a Meningite em São Leopoldo. De 03 de abril de 2019.