Iniciei com um grupo de colegas da Escola Estadual Olindo Flores um curso de Prevenção do uso de drogas para Educadores de Escolas Públicas. A modalidade do curso é Ensino à Distância e é organizado pela UNB e promovido pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República com participação do Ministério da Educação. Tem sido uma boa experiência, inclusive porque como alguns de vocês sabem amanhã fará um mês que eu parei de fumar e, também, porque é sempre bom trabalhar com os colegas em processos e projetos específicos que ultrapassam e podem mudar nossas práticas na sala de aula.
O curso iniciou a quatro semanas e já fizemos quatro aulas, sendo três do primeiro módulo e uma do segundo. Com tarefas individuais e coletivas.
Hoje vou pautar com a minha resposta melhorada um pouco e postar uma questão de um fórum deste curso:
É POSSÍVEL UMA SOCIEDADE SEM DROGAS? OU UMA ESCOLA SEM DROGAS?
Não creio ser possível uma sociedade sem drogas.
As drogas são, na minha visão e creio de outros, uma substituição de um prazer não obtido de outra forma.
Mesmo que em nossa sociedade consigamos obter prazer de modo mais convencional, que consigamos ter tolerância com todas as formas de amor e de troca de afetos, ainda assim as pessoas terão sempre um quê de insatisfação, de ansiedade, de depressão que podem fazer com que elas fiquem psicologicamente ou quimicamente dependentes de drogas.
É por isto que as drogas legais são de amplo uso na sociedade. E as drogas ilegais só ocupam um espaço na sociedade pelo fato de que em muitos casos elas são mais acessíveis e tem efeitos mais fortes do que outras drogas.
O que podemos fazer é educar as pessoas para ter uma relação consciente e livre em relação as drogas. Afinal as drogas estão na própria natureza e todas as gerações futuras terão acesso a drogas em virtude do avanço do conhecimento da natureza e das fórmulas químicas que dão base para as drogas.
Temos que nos comportar aqui de forma semelhante como temos que nos comportar com as farmácias na rua principal e a nossa farmacinha de casa. Não porque há ali caixas de medicamentos que temos que fazer um uso indiscriminado destes.
A disponibilidade não é uma justificativa para o uso indiscriominado de droga alguma.
Sabemos que os medicamentos também são drogas e muitas pessoas dependem deles para terem uma vida feliz e o seu uso deve ser em geral prescrito e acompanhado.
Podemos reduzir os danos causados pelo uso de drogas, assim como controlamos o uso de medicamentos. Podemos ter tempos adequados para a fruição e o lazer e uma vida mais saudável.
Mesmo assim, alguns hão de querer usar drogas para saber como é que é e ou para fugir da realidade.
A pergunta aqui também pode ser: porque na nossa sociedade algumas pessoas precisam utilizar-se de mecanismos ou expedientes para alterar a consciência ou fugir da realidade? se tivermos consciência das razões que levam as pessoas ao uso de drogas então teremos a capacidade de alterar algumas condições que nossa sociedade apresenta que fazem as pessoas usarem drogas.
Temos que, então, olhar melhor com mais atenção para a nossa sociedade. Muitos usuários de drogas estão desesperados, mas esta não é uma regra geral, pois alguns usuários não possuem de início nenhuma razão maior para converterem-se em drogadictos.
Se na sociedade temos este quadro aproximado, a escola acaba por reproduzir isto também em parte.
Só tenho um senão: talvez seja mais fácil realizar atividades prazerosas na escola do que na sociedade.
E ainda temos que considerar que a escola tem um tempo e um espaço de certa forma separadoda sociedade externa, das ruas o que, na minha opinião pode permitir a construção coletiva e partilhada de um ambiente diferente e mais saudável.
Mas mesmo assim vejo dificuldades, pois o ambiente circundante acaba por pressionar o espaço escolar com drogas e outras condutas.
Mas bem é só um começo de debate.
Vamos lá...um abração amigo...
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
sábado, 12 de setembro de 2009
O IMPEACHMENT DE YEDA
A conjuntura política estadual bem parece as vezes obra de literatura fantástica. Nem Luis Borges, nem Garcia Marquez conseguiriam criar um enredo tão extraordinário quanto pantanoso quanto este que estamos a assistir e que as vezes nos leva a reagir.
Você que é leitor deste modesto blog de um modesto professor de filosofia deve ter observado que já desisti da pauta estadual a algumas semanas. Não porque ela não seja importante, mas sim porque ela ficou tão óbvia que qualquer comentarista com vergonha na cara, qualquer cidadão medianamente informado ou bem informado - o que significa ler a notícia do jornal mas não confiar na interpretação da notícia do jornal, não confiar no comentarista do jornal e não confiar na linha editorial dos jornais e da televisão dá de barato que a YEDA já era.
Apesar de permanecer sentada na cadeira número 1 do Palácio Piratini e receber apoio inconteste da imprensa oficial sul riograndense, o que inclui um conjunto de jornalões e jornalzinhos espalhados pelo estado e impressos nas maiores cidades do estado, a governadora sofre, ao meu ver, o processo mais incontestável de dissolução de seus poderes, de sua autoridade e de sua moralidade. Pare para pensar um pouco nisto.
O que ocorreu esta semana na Assembléia Legislativa, tanto o início da CPI DA CORRUPÇÃO, quanto o encaminhamento do Presidente da Assembléia para apreciação dos deputados da casa do PEDIDO DE IMPEACHMENT DA GOVERNADORA não é pouca coisa.
Se isto não coroasse duas operações da Polícia Federal, a Operação Rodin e a Operação Solidária, a primeira que apurou e investigou a fraude do DETRAN (desvio de 40 milhões) e a segunda que apurou e investigou diversos expedientes de superfaturamento da Prefeitura de Canoas (Prefeitura sob o comando do PSDB entre 2000 e 2008).
Se isto não coroasse a morte de um ex assessor da governadora afogado em um lago em Brasília, que além de ex-assessor e ex-embaixador do RS em Brasília cumpriu certamente função importante na campanha que elegeu a governadora em 2006.
Se isto não arematasse e desse acabamento a um processo de 1.200 páginas que inclui em seus autos diversas gravações e provas absolutamente incontestáveis de formação de quadrilha envolvendo diversas autoridades da administração Yeda e, aliás, também da administração do Rigotto.
Se isto não deixasse absolutamente embaraçado um Senador da República de reputação ilibada e de notório saber e poder nas plagas do Rio Grande. Este qual que sofre campanha discricionária de seus adversários impiedosos que o acusam de ter criado nova modalidade de ética - com repercussão profunda nas academias morais do RS, do Brasil e do Mundo, a saber a tal de ÉTICA GEOGRÁFICA. Como sói afirmar o Sr. Ministro da Justiça, concebe uma ÉTICA GERAL para além do Mapituba - para todo o Brasil, e uma ÉTICA ESPECIAL para o Rio Grande do Sul de todas as querências.
Se tudo isso não desse ânimo e capacidade contorcionista maior para as lideranças do PSDB de todo o Brasil defenderem seu projeto nacional de forma altiva, corajosa e completamente insidiosa contra tudo e contra todos. O que, aliás, já me faz assistior propagandas do Governo de São Paulo em canal de televisão nacional o dia inteiro como se tudo que acontece lá poderia bem acontecer no Brasil inteiro caso bem me aprouvesse e mal aprovasse ou ajuizadamente pensasse em votar naquele rapaz.
Se a governadora não mudasse o tempo todo o seu secretariado. Se tal cousa estivesse apenas passageiramente acontecendo e fosse apenas um episódio singular e não o constante e corriqueiro já muda muda de retrato, secretário e parece até de propósito - ou seria despropósito a propósito? De tal modo que o que era santo se transforma em indesejável, o que era ilibado se transforma em passado já e nada fica no seu lugar.
Bem... é bem difícil raciocinar num cenário como este, pois quando vi um homem com um machado na mão a ilustrar o editorial do certamente principal jornal de RS cujo título este probo editorial estampava: NA HORA ERRADA. Me pergunto então: na mão de quem está o relógio? quem possui o despertador da consciência? quem é confiável hoje em dia para se pedir as horas? e afinal mesmo, caro leitor, que horas são? e que hora é essa?
Lembro-me do tempo em que QUEM SABE FAZ A HORA NÃO ESPERA ACONTECER...e me coloco em berço explêndido esperando a próxima hora em que será, afinal, depois de tudo, entretanto, todavia, contudo, porém, A HORA CERTA.
Em certos momentos tenho muita dificuldade para discernir o sonho da vigília. E também tenho dificuldade para saber qual é mesmo a natureza do sonho que vivemos, ou do sono profundo que vivemos no Rio Grande do Sul. No caso de alguém souber me dizer a verdade, por favor me liga tá? e já sai dizendo de saída que horas são extinguindo esta dúvida perturbadora que tanto me achaca a consciência.
Afinal, se sei que posso estar errado, se sei que a hora é errada, então, também deveria saber quando posso estar certo e quando pode ser a hora certa.
Estes lógicos de jornal fazem uma política muito tortuosa.
- certamente...
- certamente...
Bom Domingo Gauchada....
Você que é leitor deste modesto blog de um modesto professor de filosofia deve ter observado que já desisti da pauta estadual a algumas semanas. Não porque ela não seja importante, mas sim porque ela ficou tão óbvia que qualquer comentarista com vergonha na cara, qualquer cidadão medianamente informado ou bem informado - o que significa ler a notícia do jornal mas não confiar na interpretação da notícia do jornal, não confiar no comentarista do jornal e não confiar na linha editorial dos jornais e da televisão dá de barato que a YEDA já era.
Apesar de permanecer sentada na cadeira número 1 do Palácio Piratini e receber apoio inconteste da imprensa oficial sul riograndense, o que inclui um conjunto de jornalões e jornalzinhos espalhados pelo estado e impressos nas maiores cidades do estado, a governadora sofre, ao meu ver, o processo mais incontestável de dissolução de seus poderes, de sua autoridade e de sua moralidade. Pare para pensar um pouco nisto.
O que ocorreu esta semana na Assembléia Legislativa, tanto o início da CPI DA CORRUPÇÃO, quanto o encaminhamento do Presidente da Assembléia para apreciação dos deputados da casa do PEDIDO DE IMPEACHMENT DA GOVERNADORA não é pouca coisa.
Se isto não coroasse duas operações da Polícia Federal, a Operação Rodin e a Operação Solidária, a primeira que apurou e investigou a fraude do DETRAN (desvio de 40 milhões) e a segunda que apurou e investigou diversos expedientes de superfaturamento da Prefeitura de Canoas (Prefeitura sob o comando do PSDB entre 2000 e 2008).
Se isto não coroasse a morte de um ex assessor da governadora afogado em um lago em Brasília, que além de ex-assessor e ex-embaixador do RS em Brasília cumpriu certamente função importante na campanha que elegeu a governadora em 2006.
Se isto não arematasse e desse acabamento a um processo de 1.200 páginas que inclui em seus autos diversas gravações e provas absolutamente incontestáveis de formação de quadrilha envolvendo diversas autoridades da administração Yeda e, aliás, também da administração do Rigotto.
Se isto não deixasse absolutamente embaraçado um Senador da República de reputação ilibada e de notório saber e poder nas plagas do Rio Grande. Este qual que sofre campanha discricionária de seus adversários impiedosos que o acusam de ter criado nova modalidade de ética - com repercussão profunda nas academias morais do RS, do Brasil e do Mundo, a saber a tal de ÉTICA GEOGRÁFICA. Como sói afirmar o Sr. Ministro da Justiça, concebe uma ÉTICA GERAL para além do Mapituba - para todo o Brasil, e uma ÉTICA ESPECIAL para o Rio Grande do Sul de todas as querências.
Se tudo isso não desse ânimo e capacidade contorcionista maior para as lideranças do PSDB de todo o Brasil defenderem seu projeto nacional de forma altiva, corajosa e completamente insidiosa contra tudo e contra todos. O que, aliás, já me faz assistior propagandas do Governo de São Paulo em canal de televisão nacional o dia inteiro como se tudo que acontece lá poderia bem acontecer no Brasil inteiro caso bem me aprouvesse e mal aprovasse ou ajuizadamente pensasse em votar naquele rapaz.
Se a governadora não mudasse o tempo todo o seu secretariado. Se tal cousa estivesse apenas passageiramente acontecendo e fosse apenas um episódio singular e não o constante e corriqueiro já muda muda de retrato, secretário e parece até de propósito - ou seria despropósito a propósito? De tal modo que o que era santo se transforma em indesejável, o que era ilibado se transforma em passado já e nada fica no seu lugar.
Bem... é bem difícil raciocinar num cenário como este, pois quando vi um homem com um machado na mão a ilustrar o editorial do certamente principal jornal de RS cujo título este probo editorial estampava: NA HORA ERRADA. Me pergunto então: na mão de quem está o relógio? quem possui o despertador da consciência? quem é confiável hoje em dia para se pedir as horas? e afinal mesmo, caro leitor, que horas são? e que hora é essa?
Lembro-me do tempo em que QUEM SABE FAZ A HORA NÃO ESPERA ACONTECER...e me coloco em berço explêndido esperando a próxima hora em que será, afinal, depois de tudo, entretanto, todavia, contudo, porém, A HORA CERTA.
Em certos momentos tenho muita dificuldade para discernir o sonho da vigília. E também tenho dificuldade para saber qual é mesmo a natureza do sonho que vivemos, ou do sono profundo que vivemos no Rio Grande do Sul. No caso de alguém souber me dizer a verdade, por favor me liga tá? e já sai dizendo de saída que horas são extinguindo esta dúvida perturbadora que tanto me achaca a consciência.
Afinal, se sei que posso estar errado, se sei que a hora é errada, então, também deveria saber quando posso estar certo e quando pode ser a hora certa.
Estes lógicos de jornal fazem uma política muito tortuosa.
- certamente...
- certamente...
Bom Domingo Gauchada....
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
DILMA PRESIDENTE
Saiu ontem a pesquisa CNT/Sensus do cenário eleitoral nacional. E o incrível é que algumas pessoas já começaram a trabalhar como se a pré-candidata Dilma já fosse carta fora do baralho e da disputa eleitoral de 2010. Alguns que até então guardavam silêncio sobre a pré-candidatura, o perfil e os desafios começaram a cornetear, cacarejar e resmungar por aí. Tudo porque no cenário de segundo turno aparecem Dilma com 25% das intenções e Serra com 49% das intenções de voto dos eleitores. Ao meu ver é muito cedo e muito precipitado isto. Estamos a 13 meses das eleições e tem muitos fatores para entrar no jogo desta disputa que ainda não entraram.
Os fatores que entraram agora e que, ao meu ver seguraram um pouco o crescimento da Dilma no fluxo das pesquisas foram: a crise do Senado e do lider do PT Mercadante; desfiliação de Marina Silva e filiação no PV; esse circo e factóide armado em torno de Lina Vieira da Receita Federal contra a Dilma; o ingresso de Ciro Gomes no debate sucessório e, também, o tema da saúde da Dilma. São todos elementos novos no ciclo atual do debate e as pesquisas inclusive não dão conta do grande debate do Pré-Sal (veja texto do Prefeito Vanazzi no Blog do Bado ao lado e o discurso de Lula aqui abaixo) e muito menos do tema do reequipamento das forças armadas no convênio com a França. E parece que alguns esqueceram-se do PAC que tem dimensões extraordinárias para mim (veja-se a assinatura de início da BR 448 no dia 18 em Sapucaia do Sul com o Presidente Lula). Veja bem....eu não jogaria a toalha não...
Boa luta....
Os fatores que entraram agora e que, ao meu ver seguraram um pouco o crescimento da Dilma no fluxo das pesquisas foram: a crise do Senado e do lider do PT Mercadante; desfiliação de Marina Silva e filiação no PV; esse circo e factóide armado em torno de Lina Vieira da Receita Federal contra a Dilma; o ingresso de Ciro Gomes no debate sucessório e, também, o tema da saúde da Dilma. São todos elementos novos no ciclo atual do debate e as pesquisas inclusive não dão conta do grande debate do Pré-Sal (veja texto do Prefeito Vanazzi no Blog do Bado ao lado e o discurso de Lula aqui abaixo) e muito menos do tema do reequipamento das forças armadas no convênio com a França. E parece que alguns esqueceram-se do PAC que tem dimensões extraordinárias para mim (veja-se a assinatura de início da BR 448 no dia 18 em Sapucaia do Sul com o Presidente Lula). Veja bem....eu não jogaria a toalha não...
Boa luta....
domingo, 6 de setembro de 2009
7 de setembro - Semana da Pátria e a Educação
Eu tive uma educação tradicional em São Leopoldo. Nós cantavamos o Hino Nacional na escola no primeiro dia da semana, todas as semanas do ano, durante todos os anos 70 até aproximadamente 1977. Foi assim pelo menos em duas escolas das que eu frequentei nos anos 70. Eu sei cantar o hino até hoje e não me arrependo não. Mesmo que eu tenha profundas divergências com a forma como as coisas eram feitas no Brasil nos anos 60 e 70 da Ditadura Militar, concordo que temos que ter uma educação cívica.
Não chego a ser um espartano neste assunto, mas admiro com respeito algo daquela educação que serviu de modelo para os militares, esse um quê da educação grega clássica.
Os gregos aprenderam isto na marra, ou seja, eles sabem que se você não aprende a defender a tua cidade - a pólis - com a tua própria vida, prepare-se para ser um escravo obediente de qualquer outro povo que saiba derrotá-lo num campo de batalha qualquer. Quem quiser entender um pouco disto não precisa ler a Paidéia grega de Werner Jaeger, basta olhar aquele filme Os 300 de Esparta.
Penso que isto ainda vale de alguma forma hoje em dia. Em tempos de imperialismo vale, de colonialismo já valia e continua valendo. Como, aliás, diz o nosso hino do Rio Grande do Sul povo que não tem virtude acaba por ser escravo.
Por isto creio que nós precisamos incentivar sim o civismo, o amor à pátria e ao país. Não para criar uma geração de fanáticos, facistas, facínoras ou sádicos. Não para dar uniforme e transformar o povo em soldados de um imperialismo qualquer, mas para desenvolver um senso de nacionalidade, debater nossa nacionalidade e ser capaz de valorizar nossa história, cultura e, com isso, assumir enquanto povo a responsabilidade pelo país em que vivemos.
Apesar de ter uma ambição internacionalista, um sonho de ver a emancipação da classe trabalhadora, o fim de toda e qualquer forma de exploração econômica e dominação política, não vejo esta construção como tão fácil assim não. Precisamos educar nossos filhos e nossos jovens a saberem cuidar da cidade, do estado e do país. Porque este é um espaço deles, é o espaço da vida deles e dos filhos deles. E combinar isto com uma educação que os ensine a cuidar da humanidade inteira e do planeta inteiro.
Por isto penso que não é vão, termos uma banda na escola, nos prepararmos para um desfile, cantarmos o hino nacional com certa frequência em cerimônias públicas e também cantar o hino do Rio Grande do Sul. O civismo pode nos ajudar a ser mais cidadãos de nosso país e, com isto, aprender a encontrar o nosso lugar no mundo, na história e nos destinos da humanidade.
Por fim, já foi dito que o nacionalismo é o refúgio dos canalhas. E eu entendo isto como uma lembrança aqueles que usam o seu país e a sua nacionalidade para cometerem crimes mundo a fora ou para se inocentar dos crimes que aqui cometem ou cometeram e dos segredos que guardam do passado. Em nome da pátria muitos crimes contra a humanidade já foram cometidos. Bem esta é uma outra história. Mas se a nossa educação cívica carregar consigo o respeito às diferenças e a compreensão das outras culturas e de uma visão democrática da sociedade....
por uma Pátria para Todos....
Não chego a ser um espartano neste assunto, mas admiro com respeito algo daquela educação que serviu de modelo para os militares, esse um quê da educação grega clássica.
Os gregos aprenderam isto na marra, ou seja, eles sabem que se você não aprende a defender a tua cidade - a pólis - com a tua própria vida, prepare-se para ser um escravo obediente de qualquer outro povo que saiba derrotá-lo num campo de batalha qualquer. Quem quiser entender um pouco disto não precisa ler a Paidéia grega de Werner Jaeger, basta olhar aquele filme Os 300 de Esparta.
Penso que isto ainda vale de alguma forma hoje em dia. Em tempos de imperialismo vale, de colonialismo já valia e continua valendo. Como, aliás, diz o nosso hino do Rio Grande do Sul povo que não tem virtude acaba por ser escravo.
Por isto creio que nós precisamos incentivar sim o civismo, o amor à pátria e ao país. Não para criar uma geração de fanáticos, facistas, facínoras ou sádicos. Não para dar uniforme e transformar o povo em soldados de um imperialismo qualquer, mas para desenvolver um senso de nacionalidade, debater nossa nacionalidade e ser capaz de valorizar nossa história, cultura e, com isso, assumir enquanto povo a responsabilidade pelo país em que vivemos.
Apesar de ter uma ambição internacionalista, um sonho de ver a emancipação da classe trabalhadora, o fim de toda e qualquer forma de exploração econômica e dominação política, não vejo esta construção como tão fácil assim não. Precisamos educar nossos filhos e nossos jovens a saberem cuidar da cidade, do estado e do país. Porque este é um espaço deles, é o espaço da vida deles e dos filhos deles. E combinar isto com uma educação que os ensine a cuidar da humanidade inteira e do planeta inteiro.
Por isto penso que não é vão, termos uma banda na escola, nos prepararmos para um desfile, cantarmos o hino nacional com certa frequência em cerimônias públicas e também cantar o hino do Rio Grande do Sul. O civismo pode nos ajudar a ser mais cidadãos de nosso país e, com isto, aprender a encontrar o nosso lugar no mundo, na história e nos destinos da humanidade.
Por fim, já foi dito que o nacionalismo é o refúgio dos canalhas. E eu entendo isto como uma lembrança aqueles que usam o seu país e a sua nacionalidade para cometerem crimes mundo a fora ou para se inocentar dos crimes que aqui cometem ou cometeram e dos segredos que guardam do passado. Em nome da pátria muitos crimes contra a humanidade já foram cometidos. Bem esta é uma outra história. Mas se a nossa educação cívica carregar consigo o respeito às diferenças e a compreensão das outras culturas e de uma visão democrática da sociedade....
por uma Pátria para Todos....
Um Bom Ano - A Good Year
Eu tenho um gosto meio maluco por cinema.
Já passei madrugadas inteiras vendo cinema em canal de televisão e quanto mais simples os filmes mais eu gosto.
Se bem que também gosto de filmes cujo significado é mais complexo ou que possuem seus enigmas e mistérios a serem desvendados.
Aliás me considero não um especialista em cinema, mas sim um viciado em cinema.
Tenho aquela obsessão que a internet veio ajudar a satisfazer que é descobrir quase tudo sobre o filme, a história, o cenário e as personagens. é um gosto meio atípico este. Um gosto de colecionador de informações enciclopédicas e inúteis par muitos dos mortais.
Ontem em rede aberta de tevê eu vi este filme do Ridley Scott - diretor de diversos filmes de destaque - dou aqui três pares de exemplos: Alien e Blade Runner; 1492 e Gladiador; Thema e Louise e este de que falo um pouco hoje.
Qualquer um que já tenho visto todos os filmes de Ridley poderá julgar ou achar que este é um exemplar fora de lugar, um despropósito.
Confesso que já vi todos os filmes de Ridley e o que mais me chama atenção na direção dele é a incontroversa impressão de que a gente tá vendo uma obra que sempre significa mais do que a gente está entendendo na hora ali na sala de cinema. Neste sentido, este é um filme com todo este ingrediente presente: UM FILME QUE DIZ MAIS DO QUE AQUILO QUE A GENTE LÊ E VÊ ...
Blade Runner já possui notoriamente esta característica, não porque possui enigmas interpretativos e etc. Mas porque a obra como um todo diz mais. E olha que mesmo quando você olha aquela edição aumentada do autor você fica com a mesma impressão.
É também o caso de Um Bom Ano história simples de um herdeiro que volta ao local em que teve suas melhores experiências da infância combinada com um personagem sem escrúpulos e extremamente eficaz no mercado de ações. Em meio a isso memórias de um tio querido, de diferenças sutis entre vinhos bons e ruins, de jogos (games) de tênis, xadrez, de vitórias e derrotas, da diferença entre uma boa piada e uma piada ruim que é o tempo. E, por fim, uma região maravilhosa da França Provence como cenário de uma reconquista da vida, reconquista do belo, reconquista de si mesmo para este homem poderoso que, entretanto, é escravo de uma ambição que não lhe permite ter prazer.
Uma cena significativamente indicativa da pista que devemos perseguir para conquistar o sentido maior do filme é quando a personagem principal retorna ao trabalho em Londres após uma semana em Provence - na qual se reapaixonou pelo ambiente de infância, e ao ingressar na sala do chefe ter uma entrevista com seu patrão vislumbra uma pintura de Van Gogh sob um vidro de tres polegadas na parede - aquela obra conhecida como exemplar justamente do ciclo solar de Van Gogh em Provence - e pergunta se é um original, ao que o chefe responde que a original está guardada e protegida no cofre, ao final ele pergunta se o chefe, para o seu deleite particular, olha a tela à noite escondido ao abrir o cofre sorrateiramente....
É esta a grande mensagem do filme de que não adianta ter grandes coisas, grandes riquezas ou experiências, vinhos, casas, mulheres e tempo se não podemos fruí-las adequadamente e tranquilamente. É por isto que ele resolve viver em Provence e dar um bom destino aquela propriedade herdada de seu tio.
Curiosamente este é um filme que a crítica e o público americano não apreciaram. E eu entendo que coisas simples não tem valor para um gosto que é violentamente adaptado.
Sobre um mistério do filme que merece atenção maior é a lenda do vinho CP - Le Coin Perdu...
Em meio a isto ele descobre muitas coisas mais que não podem ser ditas aqui e que cada um deve buscar o seu sentido. É um bom filme e eu recomendo...pois, à contra-pelo, pode nos lembrar de algo que realmente importa nesta vida....
uma observação final: não esqueça de deixar as caixinhas de lavanda na janela....
afinal para pensar na vida é preciso viver.....
Já passei madrugadas inteiras vendo cinema em canal de televisão e quanto mais simples os filmes mais eu gosto.
Se bem que também gosto de filmes cujo significado é mais complexo ou que possuem seus enigmas e mistérios a serem desvendados.
Aliás me considero não um especialista em cinema, mas sim um viciado em cinema.
Tenho aquela obsessão que a internet veio ajudar a satisfazer que é descobrir quase tudo sobre o filme, a história, o cenário e as personagens. é um gosto meio atípico este. Um gosto de colecionador de informações enciclopédicas e inúteis par muitos dos mortais.
Ontem em rede aberta de tevê eu vi este filme do Ridley Scott - diretor de diversos filmes de destaque - dou aqui três pares de exemplos: Alien e Blade Runner; 1492 e Gladiador; Thema e Louise e este de que falo um pouco hoje.
Qualquer um que já tenho visto todos os filmes de Ridley poderá julgar ou achar que este é um exemplar fora de lugar, um despropósito.
Confesso que já vi todos os filmes de Ridley e o que mais me chama atenção na direção dele é a incontroversa impressão de que a gente tá vendo uma obra que sempre significa mais do que a gente está entendendo na hora ali na sala de cinema. Neste sentido, este é um filme com todo este ingrediente presente: UM FILME QUE DIZ MAIS DO QUE AQUILO QUE A GENTE LÊ E VÊ ...
Blade Runner já possui notoriamente esta característica, não porque possui enigmas interpretativos e etc. Mas porque a obra como um todo diz mais. E olha que mesmo quando você olha aquela edição aumentada do autor você fica com a mesma impressão.
É também o caso de Um Bom Ano história simples de um herdeiro que volta ao local em que teve suas melhores experiências da infância combinada com um personagem sem escrúpulos e extremamente eficaz no mercado de ações. Em meio a isso memórias de um tio querido, de diferenças sutis entre vinhos bons e ruins, de jogos (games) de tênis, xadrez, de vitórias e derrotas, da diferença entre uma boa piada e uma piada ruim que é o tempo. E, por fim, uma região maravilhosa da França Provence como cenário de uma reconquista da vida, reconquista do belo, reconquista de si mesmo para este homem poderoso que, entretanto, é escravo de uma ambição que não lhe permite ter prazer.
Uma cena significativamente indicativa da pista que devemos perseguir para conquistar o sentido maior do filme é quando a personagem principal retorna ao trabalho em Londres após uma semana em Provence - na qual se reapaixonou pelo ambiente de infância, e ao ingressar na sala do chefe ter uma entrevista com seu patrão vislumbra uma pintura de Van Gogh sob um vidro de tres polegadas na parede - aquela obra conhecida como exemplar justamente do ciclo solar de Van Gogh em Provence - e pergunta se é um original, ao que o chefe responde que a original está guardada e protegida no cofre, ao final ele pergunta se o chefe, para o seu deleite particular, olha a tela à noite escondido ao abrir o cofre sorrateiramente....
É esta a grande mensagem do filme de que não adianta ter grandes coisas, grandes riquezas ou experiências, vinhos, casas, mulheres e tempo se não podemos fruí-las adequadamente e tranquilamente. É por isto que ele resolve viver em Provence e dar um bom destino aquela propriedade herdada de seu tio.
Curiosamente este é um filme que a crítica e o público americano não apreciaram. E eu entendo que coisas simples não tem valor para um gosto que é violentamente adaptado.
Sobre um mistério do filme que merece atenção maior é a lenda do vinho CP - Le Coin Perdu...
Em meio a isto ele descobre muitas coisas mais que não podem ser ditas aqui e que cada um deve buscar o seu sentido. É um bom filme e eu recomendo...pois, à contra-pelo, pode nos lembrar de algo que realmente importa nesta vida....
uma observação final: não esqueça de deixar as caixinhas de lavanda na janela....
afinal para pensar na vida é preciso viver.....
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
UM PENSAMENTO
"Quem é sábio? Aquele que aprende com todos."
Ben Zoma, Pinkei Avot 4:1
(copiado do Blog Rua da Judiaria.)
Tava pensando no Lula e no grande enigma da sabedoria.
Ben Zoma, Pinkei Avot 4:1
(copiado do Blog Rua da Judiaria.)
Tava pensando no Lula e no grande enigma da sabedoria.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
LULA E O PRÉ-SAL - GUENTA TUCANOS! HAJA REMÉDIO!
A íntegra do discurso do presidente Lula:
"Hoje é um dia histórico.
O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.
Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.
Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.
Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.
Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.
Minhas amigas e meus amigos,
O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.
Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.
Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.
Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.
Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.
Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.
Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.
Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.
A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.
A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.
Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.
Minhas amigas e meus amigos,
Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.
Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.
Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.
Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.
Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.
Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.
A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.
Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.
O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.
Meus queridos companheiros e companheiras,
Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.
A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.
Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.
E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.
Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.
Minhas amigas e meus amigos,
Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.
No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.
Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.
No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.
Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.
No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.
Amigas e amigos,
Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.
Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.
Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.
Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.
Minhas amigas e meus amigos,
Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.
Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.
Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,
Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.
De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.
De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.
Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,
Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.
A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.
Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.
Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.
Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.
Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.
Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.
Minhas amigas e meus amigos,
Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.
Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.
Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.
Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.
Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.
Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.
É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.
Muito obrigado, companheiros."
"Hoje é um dia histórico.
O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.
Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.
Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.
Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.
Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.
Minhas amigas e meus amigos,
O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.
Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.
Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.
Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.
Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.
Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.
Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.
Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.
A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.
A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.
Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.
Minhas amigas e meus amigos,
Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.
Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.
Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.
Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.
Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.
Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.
A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.
Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.
O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.
Meus queridos companheiros e companheiras,
Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.
A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.
Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.
E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.
Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.
Minhas amigas e meus amigos,
Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.
No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.
Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.
No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.
Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.
No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.
Amigas e amigos,
Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.
Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.
Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.
Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.
Minhas amigas e meus amigos,
Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.
Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.
Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,
Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.
De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.
De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.
Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,
Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.
A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.
Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.
Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.
Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.
Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.
Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.
Minhas amigas e meus amigos,
Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.
Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.
Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.
Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.
Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.
Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.
É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.
Muito obrigado, companheiros."
RACIONALIDADE E DESENTENDIMENTO
já faz um tempão que eu deixei de acreditar que a racionalidade torna possível o entendimento...
ela torna possível um bom desentendimento...
ou seja quanto mais racionais formos, melhores e mais proveitosos serão nossos desentendimentos e desacordos...
só para lembrar que de concordino em concordino vamos ficando mais pobres de idéias e incapazes de fazer da realidade algo diferente do que é...
CUM GRANO SALIS...
ela torna possível um bom desentendimento...
ou seja quanto mais racionais formos, melhores e mais proveitosos serão nossos desentendimentos e desacordos...
só para lembrar que de concordino em concordino vamos ficando mais pobres de idéias e incapazes de fazer da realidade algo diferente do que é...
CUM GRANO SALIS...
domingo, 30 de agosto de 2009
CHE: NEM CHÊ, NEM MEIO CHÊ
Eu tenho gasto um bom tempo da minha vida tentando responder na prática o que é ser de esquerda. Todo mundo sabe o que é ser de esquerda, mas na hora de responder ali na prática parece que não é bem assim não. Eu tenho sempre em mente que ser de esquerda envolve três características de base importantes: a verdade e a honestidade das posições, a indignação contra a exploração e a revolta contra qualquer forma de dominação.
Não tem sido fácil. Percebo que nós não somos educados para sermos democráticos e coletivistas. No capitalismo, nossa educação nos dirige a uma tentativa de ter poder e de obter prestígio individual.
Muitos devem passar todos os dias pela encruzilhada entre aquilo que é socialmente justo, eticamente necessário e racionalmente justificado e aquilo que é individualmente interessante, secretamente conveniente e egoísticamente satisfatório. É um verdadeiro desafio enfrentar isto e vencer de consciência limpa sem fazer concessões ao comodismo, ao personalismo e ao gigantesco império das vaidades que domina o ambiente político e social.
Na semana retrasada peguei um Vídeo na locadora - digo um DVD - aquele filme CHE. Assisti ele com os olhos bem abertos e atentos, mas confesso que quase dormi diversas vezes, em parte por causa do sono e de um cansaço que tem aparecido nos últimos dias e de outra parte por causa do ritmo do filme que é um pouco arrastado. Apesar de ser bem dirigido e construído, talvez um roteiro mais dinâmico ajudasse mais do que aqueles flashs para frente e para trás do filme.
Mas é um filme bom e parece ser a primeira parte de uma trilologia que a personagem certamente merece porque - voltando ao tema - conseguiu responder em muitos momentos o que é ser de esquerda para muitos de nós, apesar de ter virado um ícone quase sem conteúdo naquela foto, ficou ao fim e ao cabo como um grande símbolo da luta contra o imperialismo, da luta pela libertação e a melhoria das condições de vida do povo latinoamericano e, também, um dos maiores símbolos do sacrifício da própria vida em prol de uma causa maior, mais impessoal e mais coletiva, na mais infinita estupidez dos seus algozes e na mais infinita estupidez de seus pseudo aliados também. Quem quiser entender estas palavras leia um pouco mais sobre a personagem histórica realem pelo menos três biografias.
O meu primeiro contato com esta personagem foi de certa forma um contato juvenil com uma grande lenda. E olha que eu só fui conhecer aquela foto dele alguns meses depois. A primeira imagem foi de um símbolo de coragem, de rebeldia e de sacrifício. Mais tarde tive contato com alguns panfletos da esquerda internacionalista, alguns textos dele próprio e alguns livros sobre a vida e obra (sic) de Ernesto Guevara de la Sierna. Eu sempre fiquei pensando no personagem como um gigante da história e bem que fiquei surpreso ao ler o Diário da Bolívia em que ele faz um auto-retrato pessoal arrasador quando fala da fome, dos ataques de asma e das fraquezas de seus companheiros de campanha. Encontrei, fazem já uns seis anos, um vídeo filmado em formato espaguetti americano com a campanha da Bolívia e a morte de CHE e suponho que é muito próximo da realidade: um Che esquelético distante daquele revolucionário altivo e desafiador do início dos anos 60.
E eu estava mesmo pensando aqui sobre isso agora: não há nada de esquerda ou de revolucionário na nossa forma de apresentação, no nosso corpo físico ou nos nossos adereços, mas há algo nitidamente de esquerda em algumas atitudes e em alguns princípios que adotamos ao longo da vida.
Um exemplo disto é este hábito chato de não fazer concessões a atitudes egoístas ou mesquinhas, não fazer concessões a certos hábitos burgueses que com frequência aparecem na nossa volta. E no filme aparecem pelo menos três situações em que este caráter de esquerda se mostra com alguma suave e sutil criticidade frente a esperteza e ao impulso individualista de alguns, uma delas é quando Che intercepta um veículo conversível que rumava para Havana com soldados revolucionários na boléia e fuzila: de quem é este carro? e depois de uma explicação comezinha determina que eles voltem para a cidade de onde trouxeram aquele carro e o devolvam para o seu dono e recebe de volta uma exclamação: MAS CHE! respondendo: NEM CHE, NEM MEIO CHE!
O importante deste caso que deve gerar simpatia no público americano médio que tem profundas convicções sobre o valor da propriedade privada e etc, não é o tema do patrimônio, mas sim o tema da disciplina e da importância da tomada de decisão para um sujeito de esquerda. Não dá para fazer o que se bem entende num processo coletivo e também não dá para inventar regras sozinho numa ação coletiva. Suponho que o exército revolucionário não determinou que sejam confiscados os bens dos cidadãos cubanos, nem que eles sejam tomados emprestados para a causa. E é disto que se trata, pois se este ato de improviso vira regra daqui a pouco no processo ocorre um desvio de finalidade na revolução e os revolucionários passam mais tempo cuidando do que querem para si do que cuidando daquilo que querem conquistar para todos.
Em várias circunstãncias da vida a gente se defronta com problemas parecidos com este e temos que reagir sem titubear, sem vacilar de forma integral.
Por isso, se alguém me perguntar - perguntar ao Dani, como muitos me chamam hoje em dia - se sou de esquerda e se aceito determinadas coisas vou responder: Nem Dani, Nem meio Dani! ou melhor no original inventado do filme: Nem Che, nem meio Che! vá lá e faça o que tem que fazer, vá lá e faça como tem que ser feito e não se dobre ao que parece mais fácil, mais interessante e mais confortável.
Boa Luta e veja o filme....
Não tem sido fácil. Percebo que nós não somos educados para sermos democráticos e coletivistas. No capitalismo, nossa educação nos dirige a uma tentativa de ter poder e de obter prestígio individual.
Muitos devem passar todos os dias pela encruzilhada entre aquilo que é socialmente justo, eticamente necessário e racionalmente justificado e aquilo que é individualmente interessante, secretamente conveniente e egoísticamente satisfatório. É um verdadeiro desafio enfrentar isto e vencer de consciência limpa sem fazer concessões ao comodismo, ao personalismo e ao gigantesco império das vaidades que domina o ambiente político e social.
Na semana retrasada peguei um Vídeo na locadora - digo um DVD - aquele filme CHE. Assisti ele com os olhos bem abertos e atentos, mas confesso que quase dormi diversas vezes, em parte por causa do sono e de um cansaço que tem aparecido nos últimos dias e de outra parte por causa do ritmo do filme que é um pouco arrastado. Apesar de ser bem dirigido e construído, talvez um roteiro mais dinâmico ajudasse mais do que aqueles flashs para frente e para trás do filme.
Mas é um filme bom e parece ser a primeira parte de uma trilologia que a personagem certamente merece porque - voltando ao tema - conseguiu responder em muitos momentos o que é ser de esquerda para muitos de nós, apesar de ter virado um ícone quase sem conteúdo naquela foto, ficou ao fim e ao cabo como um grande símbolo da luta contra o imperialismo, da luta pela libertação e a melhoria das condições de vida do povo latinoamericano e, também, um dos maiores símbolos do sacrifício da própria vida em prol de uma causa maior, mais impessoal e mais coletiva, na mais infinita estupidez dos seus algozes e na mais infinita estupidez de seus pseudo aliados também. Quem quiser entender estas palavras leia um pouco mais sobre a personagem histórica realem pelo menos três biografias.
O meu primeiro contato com esta personagem foi de certa forma um contato juvenil com uma grande lenda. E olha que eu só fui conhecer aquela foto dele alguns meses depois. A primeira imagem foi de um símbolo de coragem, de rebeldia e de sacrifício. Mais tarde tive contato com alguns panfletos da esquerda internacionalista, alguns textos dele próprio e alguns livros sobre a vida e obra (sic) de Ernesto Guevara de la Sierna. Eu sempre fiquei pensando no personagem como um gigante da história e bem que fiquei surpreso ao ler o Diário da Bolívia em que ele faz um auto-retrato pessoal arrasador quando fala da fome, dos ataques de asma e das fraquezas de seus companheiros de campanha. Encontrei, fazem já uns seis anos, um vídeo filmado em formato espaguetti americano com a campanha da Bolívia e a morte de CHE e suponho que é muito próximo da realidade: um Che esquelético distante daquele revolucionário altivo e desafiador do início dos anos 60.
E eu estava mesmo pensando aqui sobre isso agora: não há nada de esquerda ou de revolucionário na nossa forma de apresentação, no nosso corpo físico ou nos nossos adereços, mas há algo nitidamente de esquerda em algumas atitudes e em alguns princípios que adotamos ao longo da vida.
Um exemplo disto é este hábito chato de não fazer concessões a atitudes egoístas ou mesquinhas, não fazer concessões a certos hábitos burgueses que com frequência aparecem na nossa volta. E no filme aparecem pelo menos três situações em que este caráter de esquerda se mostra com alguma suave e sutil criticidade frente a esperteza e ao impulso individualista de alguns, uma delas é quando Che intercepta um veículo conversível que rumava para Havana com soldados revolucionários na boléia e fuzila: de quem é este carro? e depois de uma explicação comezinha determina que eles voltem para a cidade de onde trouxeram aquele carro e o devolvam para o seu dono e recebe de volta uma exclamação: MAS CHE! respondendo: NEM CHE, NEM MEIO CHE!
O importante deste caso que deve gerar simpatia no público americano médio que tem profundas convicções sobre o valor da propriedade privada e etc, não é o tema do patrimônio, mas sim o tema da disciplina e da importância da tomada de decisão para um sujeito de esquerda. Não dá para fazer o que se bem entende num processo coletivo e também não dá para inventar regras sozinho numa ação coletiva. Suponho que o exército revolucionário não determinou que sejam confiscados os bens dos cidadãos cubanos, nem que eles sejam tomados emprestados para a causa. E é disto que se trata, pois se este ato de improviso vira regra daqui a pouco no processo ocorre um desvio de finalidade na revolução e os revolucionários passam mais tempo cuidando do que querem para si do que cuidando daquilo que querem conquistar para todos.
Em várias circunstãncias da vida a gente se defronta com problemas parecidos com este e temos que reagir sem titubear, sem vacilar de forma integral.
Por isso, se alguém me perguntar - perguntar ao Dani, como muitos me chamam hoje em dia - se sou de esquerda e se aceito determinadas coisas vou responder: Nem Dani, Nem meio Dani! ou melhor no original inventado do filme: Nem Che, nem meio Che! vá lá e faça o que tem que fazer, vá lá e faça como tem que ser feito e não se dobre ao que parece mais fácil, mais interessante e mais confortável.
Boa Luta e veja o filme....
sábado, 29 de agosto de 2009
MESAUGA - PEGASUS & O UNICÓRNIO
Ao ler um texto de ANIMOT sobre Angela Davis, Kaplan e filosofia Analítica, me lembrei do papel da imaginação na filosofia e nas graças da nossa vida.
Muitos de nós filósofos sofremos certa aflição ao sentir que nos transformamos em PEDESTRES QUE NÃO ANDAM.
Quer dizer sofremos ao entender o filosofar dos outros e não conseguir filosofar.
Na filosofia analítica encontramos diversos exemplos do que ganhamos quando temos coragem de enfrentar com clareza e criatividade um problema filosófico qualquer.
Todos ficam iguais de repente.
Ops.: cadê minha mesauga que saiu, naquela velocidade, com meu copo de cerveja daqui.
As vezes uma homenagem vale mais do que a mera lembrança.
Tanto a Mesauga, quanto o unicórnio, quanto Pegasus desafiam nossa análise filosófica a respeito do que somos capazes de pensar.
Mas como isso é possível?
Muitos de nós filósofos sofremos certa aflição ao sentir que nos transformamos em PEDESTRES QUE NÃO ANDAM.
Quer dizer sofremos ao entender o filosofar dos outros e não conseguir filosofar.
Na filosofia analítica encontramos diversos exemplos do que ganhamos quando temos coragem de enfrentar com clareza e criatividade um problema filosófico qualquer.
Todos ficam iguais de repente.
Ops.: cadê minha mesauga que saiu, naquela velocidade, com meu copo de cerveja daqui.
As vezes uma homenagem vale mais do que a mera lembrança.
Tanto a Mesauga, quanto o unicórnio, quanto Pegasus desafiam nossa análise filosófica a respeito do que somos capazes de pensar.
Mas como isso é possível?
Sobre o Esquecimento
O texto de Rafael Galvão - veja o link ao blog dele ao lado a sua direita - Do Esquecimento é um daqueles textos que eu gostaria de ter escrito. E por diversos motivos não escrevi. Entre estes é porque ainda estou pensando sobre isto. Mas dá para dar uma palhinha sobre algo relativo a isto.
A pergunta chave para mim - que talvez não seja chave de coisa alguma e assim devo dizer ou a pergunta com a qual eu gostaria de começar é a seguinte: Quem lembrará de nós, dos nossos esforços daqui a alguns anos?
E a resposta é: Ninguém!
Nossos nomes serão completamente esquecidos, por mais que a gente faça força para deixar aquilo que o meu pai chamava de marquinha no mundo, as marquinhas dos outros que vierem depois de nós certamente as encobrirão. Mas, então, porque todo este esforço esta luta por reconhecimento? Esta necessidade de ser alguém parece ser orientada por aquilo que Heidegger chamou de impulso para a criação de um sentido na vida ou da vida que em cada um e nós se manifesta e em outros se realiza.
Mas, de fato, nossa finitude é superior a todos os nossos registros serenos. Seremos encobertos por outros sentidos. Coisas que eu digo aqui podem inclusive não terem significado algum para meus pósteros.
Tenho esta sensação frequentemente de que a perenidade de alguns textos filosóficos, por exemplo, é obra de um milagre. De que parece que alguns textos carregam consigo uma aura de significado que os recolocam com sentido e desafiam ao intérprete de qualquer tempo. Mas eles não reapresentam sujeito algum com isso não. Aristóteles, a pessoa de Aristóteles não está viva ali naquelas palavras. Por mais que nós, por um hábito reverencial até nos maravilhamos ao ler certos autores e a reconhecer traços dos seus caráteres em suas páginas, não sabemos de fato nada muito claro sobre quem eles são ou foram. Como tratavam suas mulheres ou como criaram seus filhos e filhas.
Se você já leu As confissões de Santo Agostinho talvez esteja pensando claramente em me refutar. Mas é pouca coisa em muitas histórias.
Leiam lá no Rafael Galvão - vamos continuar com isso depois.
MAFALDA "Justo a mim coube ser eu."
Esta é uma declaração de fatalidade?
Uma exclamação de espanto?
A autoconsciência transcendental de uma personagem em quadrinhos?
Ou a ironia fina do eu consigo mesmo?
E Descartes repousa com seu eu no fundo de uma cova rasa e na lembrança de suas palavras.
A pergunta chave para mim - que talvez não seja chave de coisa alguma e assim devo dizer ou a pergunta com a qual eu gostaria de começar é a seguinte: Quem lembrará de nós, dos nossos esforços daqui a alguns anos?
E a resposta é: Ninguém!
Nossos nomes serão completamente esquecidos, por mais que a gente faça força para deixar aquilo que o meu pai chamava de marquinha no mundo, as marquinhas dos outros que vierem depois de nós certamente as encobrirão. Mas, então, porque todo este esforço esta luta por reconhecimento? Esta necessidade de ser alguém parece ser orientada por aquilo que Heidegger chamou de impulso para a criação de um sentido na vida ou da vida que em cada um e nós se manifesta e em outros se realiza.
Mas, de fato, nossa finitude é superior a todos os nossos registros serenos. Seremos encobertos por outros sentidos. Coisas que eu digo aqui podem inclusive não terem significado algum para meus pósteros.
Tenho esta sensação frequentemente de que a perenidade de alguns textos filosóficos, por exemplo, é obra de um milagre. De que parece que alguns textos carregam consigo uma aura de significado que os recolocam com sentido e desafiam ao intérprete de qualquer tempo. Mas eles não reapresentam sujeito algum com isso não. Aristóteles, a pessoa de Aristóteles não está viva ali naquelas palavras. Por mais que nós, por um hábito reverencial até nos maravilhamos ao ler certos autores e a reconhecer traços dos seus caráteres em suas páginas, não sabemos de fato nada muito claro sobre quem eles são ou foram. Como tratavam suas mulheres ou como criaram seus filhos e filhas.
Se você já leu As confissões de Santo Agostinho talvez esteja pensando claramente em me refutar. Mas é pouca coisa em muitas histórias.
Leiam lá no Rafael Galvão - vamos continuar com isso depois.
MAFALDA "Justo a mim coube ser eu."
Esta é uma declaração de fatalidade?
Uma exclamação de espanto?
A autoconsciência transcendental de uma personagem em quadrinhos?
Ou a ironia fina do eu consigo mesmo?
E Descartes repousa com seu eu no fundo de uma cova rasa e na lembrança de suas palavras.
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ARTIGO INÈDITO - Grande tema: Esquecimento
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
WILLIAM SHAKESPEARE - SONETO 17
"Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver."
PS.: Encontrei esta maravilha no profile de uma aluna. Da Thais. Eu li estes sonetos pela primeira vez em 1990 numa edição bilingue inglês-português e até hoje procuro este livro. Quem encontrar me avise. É o presente dos meus sonhos. Não conheço nenhum conjunto de sonetos mais extraordinário que estes. Mas a discussão aqui não é técnica ou métrica é só pelo sentido e conteúdo mesmo. Recomendo a todos que amam a poesia e a literatura.
que coisa mais fantástica é sabe homenagear o amor e o objeto do amor...
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver."
PS.: Encontrei esta maravilha no profile de uma aluna. Da Thais. Eu li estes sonetos pela primeira vez em 1990 numa edição bilingue inglês-português e até hoje procuro este livro. Quem encontrar me avise. É o presente dos meus sonhos. Não conheço nenhum conjunto de sonetos mais extraordinário que estes. Mas a discussão aqui não é técnica ou métrica é só pelo sentido e conteúdo mesmo. Recomendo a todos que amam a poesia e a literatura.
que coisa mais fantástica é sabe homenagear o amor e o objeto do amor...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
ELTON BRUM DA SILVA: ASSASSINADO A SANGUE FRIO
Hoje pela manhã, as 9:33, lá em São Gabriel, um pequeno agricultor do movimento sem terra, foi morto a sangue frio por um tiro de calibre 12, segundo informações, um tiro desferido pelas costas.
Quando li a notícia me lembrei de muitas coisas da minha vida e da vida dos trabalhadores.
Me lembrei que eu tenho a mesma idade que o Elton.
Me lembrei que já vi muitos vídeos de violência policial contra os movimentos sociais.
Começando por aqueles vídeos dos anos 60 e 70 em que a gente via os jovens sendo surrados pelos soldados na ditadura militar.
Me lembrei do brigadiano degolado em frente a prefeitura de Porto Alegre nos anos 90 e me lembrei também de todas as vezes em que senti muito orgulho de apoiar esta luta.
Pensei que esta luta é nossa, de todos nós que sabemos que não haverá paz enquanto não houver justiça social.
E fiquei muito triste.
O meu Rio Grande do Sul tá numa situação muito feia mesma.
A governadora nessa que já sabemos.
Uma promotora de justiça que afirma, testemunhando o ocorrido, que a BM agiu com profissionalismo. Só se é o profissionalismo de um campo de extermínio.
E uma terra improdutiva que vale mais que a vida de um homem.
Que a nossa luta continue.
Que a nossa melhor homenagem é lutar mais e com mais coragem.
Para que um homem não seja assassinado a sangue frio por um punhado de terra.
Ele não será o último homem a tombar nesta luta, mas que seja o último a tombar naqueles campos de São Gabriel.
que Sepé Tiarajú nos ajude....
o
Quando li a notícia me lembrei de muitas coisas da minha vida e da vida dos trabalhadores.
Me lembrei que eu tenho a mesma idade que o Elton.
Me lembrei que já vi muitos vídeos de violência policial contra os movimentos sociais.
Começando por aqueles vídeos dos anos 60 e 70 em que a gente via os jovens sendo surrados pelos soldados na ditadura militar.
Me lembrei do brigadiano degolado em frente a prefeitura de Porto Alegre nos anos 90 e me lembrei também de todas as vezes em que senti muito orgulho de apoiar esta luta.
Pensei que esta luta é nossa, de todos nós que sabemos que não haverá paz enquanto não houver justiça social.
E fiquei muito triste.
O meu Rio Grande do Sul tá numa situação muito feia mesma.
A governadora nessa que já sabemos.
Uma promotora de justiça que afirma, testemunhando o ocorrido, que a BM agiu com profissionalismo. Só se é o profissionalismo de um campo de extermínio.
E uma terra improdutiva que vale mais que a vida de um homem.
Que a nossa luta continue.
Que a nossa melhor homenagem é lutar mais e com mais coragem.
Para que um homem não seja assassinado a sangue frio por um punhado de terra.
Ele não será o último homem a tombar nesta luta, mas que seja o último a tombar naqueles campos de São Gabriel.
que Sepé Tiarajú nos ajude....
o
domingo, 16 de agosto de 2009
Ralph Waldo Emerson
"Para aprender as lições importantes da vida é preciso vencer um medo a cada dia."
PERSPECTIVA - APONTAMENTO 1
preste mais atenção nas posições das coisas....
você pode se enganar se olhar apenas a partir de si mesmo - de tua própria posição...
não é a tua perspectiva própria, seja ela qual for, que dará mesmo o privilégio de olhar melhor...
você precisa saber mudar de posição...
observe sempre as coisas de pontos de vista diferentes...
a SUPERVISÃO é impossível...
mas dá para olhar mais de perto as coisas - como diria Marx...
dá para olhar com mais radicalidade...
dá para olhar com mais distanciamento também...
as coisas mudam e nós precisamos aprender com elas a mudar também...
PERSPECTIVA...
você pode se enganar se olhar apenas a partir de si mesmo - de tua própria posição...
não é a tua perspectiva própria, seja ela qual for, que dará mesmo o privilégio de olhar melhor...
você precisa saber mudar de posição...
observe sempre as coisas de pontos de vista diferentes...
a SUPERVISÃO é impossível...
mas dá para olhar mais de perto as coisas - como diria Marx...
dá para olhar com mais radicalidade...
dá para olhar com mais distanciamento também...
as coisas mudam e nós precisamos aprender com elas a mudar também...
PERSPECTIVA...
sábado, 15 de agosto de 2009
PARAR DE FUMAR
A quem interessar possa...
Iniciei ontem pela manhã, as 8:20, a minha enésima tentativa de parar de fumar.
Tomara que os astros me ajudem nesta nova tentativa.
Penso até que as constelações estavam realmente boas na sexta-feira pela manhã.
Já consegui parar por mais de três anos entre 1987 e 1990.
Já consegui reduzir para 4 cigarros por dia.
Já consegui limitar a um maço de três em três dias.
E é nessa que eu estava até agora desde 1997.
Desta vez me provoquei por causa de uma dor na garganta e um pouco de catarro, mas também foi decisiva a sensação estranha de que não dá mais, não vale mais a pena mesmo.
Tava pensando que já fumei muitos cigarros e em diversas situações que mais uma vez não faria a menor diferença.
Nada, nenhum prazer viria de mais uma tragada, nem superior nem inferior, qualquer cigarro agora seria absolutamente igual a qualquer outro anterior. (Penso que está idéia aqui é boa para mim e para os outros - vou explorá-la mais adiante)
Minha companheira não fuma e eu vi com meus próprios olhos o sofrimento dela depois de umas quatro horas em um barzinho fechado+cigarros alheios. Vocês deveriam imaginar o que um fumante passivo sofre. É pior do que se um fumante ativo fumasse sucessivamente três carteiras de cigarro sem parar.
Também comecei a ficar aborrecido com o cheiro em minhas roupas. Aquele ranço azedo. E comecei aolhar para a minha pele no espelho e me lembrar da cor do meu rosto. Sempre fui meio pálido - não por alemão, mais por ter uma tez clara e a pele alva. Era muito alva minha pele quando era menino. Bem a cor agora é muito estranha. Fora que a pele parece estar intoxicada com algo mesmo.
Bem e quando você vai ao banheiro aí você vê o que são toxinas. E isso que são as poucas eliminadas pela urina.
Bem espero sinceramente conseguir.
Se você me ver com um sapato novo todo mês saberá que sim.
sem presente, sem recompensa, nenhuma mudança vale a pena. rsssss....
PS.: DOMINICAL: o primeiro grande avanço é a respiração e o olfato e o sono. Ops. Já são três avanços enumeráveis. Em dois dias já parei de roncar à noite, respiro muito melhor e sinto uns cheiros diferentes por aí.
Iniciei ontem pela manhã, as 8:20, a minha enésima tentativa de parar de fumar.
Tomara que os astros me ajudem nesta nova tentativa.
Penso até que as constelações estavam realmente boas na sexta-feira pela manhã.
Já consegui parar por mais de três anos entre 1987 e 1990.
Já consegui reduzir para 4 cigarros por dia.
Já consegui limitar a um maço de três em três dias.
E é nessa que eu estava até agora desde 1997.
Desta vez me provoquei por causa de uma dor na garganta e um pouco de catarro, mas também foi decisiva a sensação estranha de que não dá mais, não vale mais a pena mesmo.
Tava pensando que já fumei muitos cigarros e em diversas situações que mais uma vez não faria a menor diferença.
Nada, nenhum prazer viria de mais uma tragada, nem superior nem inferior, qualquer cigarro agora seria absolutamente igual a qualquer outro anterior. (Penso que está idéia aqui é boa para mim e para os outros - vou explorá-la mais adiante)
Minha companheira não fuma e eu vi com meus próprios olhos o sofrimento dela depois de umas quatro horas em um barzinho fechado+cigarros alheios. Vocês deveriam imaginar o que um fumante passivo sofre. É pior do que se um fumante ativo fumasse sucessivamente três carteiras de cigarro sem parar.
Também comecei a ficar aborrecido com o cheiro em minhas roupas. Aquele ranço azedo. E comecei aolhar para a minha pele no espelho e me lembrar da cor do meu rosto. Sempre fui meio pálido - não por alemão, mais por ter uma tez clara e a pele alva. Era muito alva minha pele quando era menino. Bem a cor agora é muito estranha. Fora que a pele parece estar intoxicada com algo mesmo.
Bem e quando você vai ao banheiro aí você vê o que são toxinas. E isso que são as poucas eliminadas pela urina.
Bem espero sinceramente conseguir.
Se você me ver com um sapato novo todo mês saberá que sim.
sem presente, sem recompensa, nenhuma mudança vale a pena. rsssss....
PS.: DOMINICAL: o primeiro grande avanço é a respiração e o olfato e o sono. Ops. Já são três avanços enumeráveis. Em dois dias já parei de roncar à noite, respiro muito melhor e sinto uns cheiros diferentes por aí.
A História do Amigo da Onça
Dois caçadores conversam em seu acampamento:
— O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
— Ora, dava um tiro nela.
— Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
— Bom, então eu matava ela com meu facão.
— E se você estivesse sem o facão?
— Apanhava um pedaço de pau.
— E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
— Subiria na árvore mais próxima!
— E se não tivesse nenhuma árvore?
— Sairia correndo.
— E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
— Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?
— O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
— Ora, dava um tiro nela.
— Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
— Bom, então eu matava ela com meu facão.
— E se você estivesse sem o facão?
— Apanhava um pedaço de pau.
— E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
— Subiria na árvore mais próxima!
— E se não tivesse nenhuma árvore?
— Sairia correndo.
— E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
— Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?
Discurso da Educação no abraço ao Monumento do Imigrante em Março de 2004
Quando a gente teve a idéia de fazer um PIC NIC com vocês nós pensamos inicialmente em uma confraternização, numa forma de ato recreativo e solidário. Cantar, brincar e compartilhar o pão. Isso, aliás, todas as escolas bem integradas fazem.
Mas quando nós pensamos na homenagem aos imigrantes, aos monumentos vilipendiados pela miséria inculta, nós sentimos que havia algo mais importante em jogo.
Não é por oportunismo que a gente está aqui hoje. É justamente nós que deveríamos tomar esta atitude primeiro. Pois quando apontam um dedo duvidoso para o nosso rosto, como se de nós partisse o gesto derradeiro, a falha decisiva que gera o vandalismo, nós devemos reagir.
Nós devemos responder: sim!
Isso é falta de educação.
Sim! Isso é síntoma da falta de valorização da educação.
Mas estas afirmações gerais não são suficientes para explicar e apresentar as causas do vandalismo sobre esta praça, na qual muitos de nós brincamos, inclusive, na infância.
Temos que pensar também no momento que esta cidade, nossa São Leopoldo, vive. No modo como a educação municipal tem sido tratada, na forma como recursos públicos e o patrimônio público tem sido zelado aqui e, também, ao fato de que aqui nesta cidade o nosso sindicato (CPERS) tem história, a nossa categoria tem uma caminhada maravilhosa sempre com muita luta e muita alegria.
Portanto, era isso mesmo, era nós que deveríamos reagir e defender o patrimônio histórico dessa cidade, para defender a história de luta dos trabalhadores em educação e para fazer aqui a afirmação de um futuro mais generoso, com mais esperança, tanto para nós quanto para os cidadãos desta cidade.
Mesmo àqueles que indiferentes, insensíveis, não entendem os nossos espíritos, os nossos ideais, desejamos mais consciência e mais sensibilidade, pois haverá o dia em que todos se orgulharão dos nossos atos, da nossa rebeldia, da nossa irreverência, pois compreenderão que há em nós, quando lutamos, um sentido superior de Respeito e Dignidade.
Ao governo estadual afirmamos:
Estamos muitos eguros, temos a tranquilidade necessária e somos organizados para atingir nossos objetivos.
Ao povo desta cidade e desta região estendemos a mão e dizemos:
Venham conosco, nos apoiem, nos respeitem, para que isso aqui nunca mais aconteça.
Muito obrigado!
PS.: Texto de muitas mãos e idéias de março de 2004. Na época eu trabalhava na escola Visconde de São Leopoldo à tarde nas séries finais do ensino fundamental, ensinando geografia e nop noturno do Olindo Flores. Havia ocorrido um ato de vandalismo - roubaram três placas de bronze que se encontravam nas três faces do monumento - o monumento dos imigrantes na praça do Imigrante em São Leopoldo e nós estávamos em greve contra o governo Rigotto. Decidimos no comando de greve fazer este ato. Foi muito boa a mobilização e além dste discurso vários educadores falaram. A imprensa local e estadual veio. Mas não saiu nada nos Jornais do dia seguinte. Ali a gente entendeu que naqueles dias que passavam quanto mais importante o nosso gesto maior seria o seu abafamento e a censura sobre ele. A Brigada Militar - por ordem do Governo observou tudo com gente da inteligência, um oficial e cavalaria. Bem, o resto a maioria já sabe: O governo municipal mudou neste ano, mas o estadual dois anos depois deu nisso que está aí. vale a homenagem agora a todos aqueles que tem protestado e lutado contra o governo estadual. Obs. final: O monumento foi restaurado e hoje a praça é bem mais limpa.
Mas quando nós pensamos na homenagem aos imigrantes, aos monumentos vilipendiados pela miséria inculta, nós sentimos que havia algo mais importante em jogo.
Não é por oportunismo que a gente está aqui hoje. É justamente nós que deveríamos tomar esta atitude primeiro. Pois quando apontam um dedo duvidoso para o nosso rosto, como se de nós partisse o gesto derradeiro, a falha decisiva que gera o vandalismo, nós devemos reagir.
Nós devemos responder: sim!
Isso é falta de educação.
Sim! Isso é síntoma da falta de valorização da educação.
Mas estas afirmações gerais não são suficientes para explicar e apresentar as causas do vandalismo sobre esta praça, na qual muitos de nós brincamos, inclusive, na infância.
Temos que pensar também no momento que esta cidade, nossa São Leopoldo, vive. No modo como a educação municipal tem sido tratada, na forma como recursos públicos e o patrimônio público tem sido zelado aqui e, também, ao fato de que aqui nesta cidade o nosso sindicato (CPERS) tem história, a nossa categoria tem uma caminhada maravilhosa sempre com muita luta e muita alegria.
Portanto, era isso mesmo, era nós que deveríamos reagir e defender o patrimônio histórico dessa cidade, para defender a história de luta dos trabalhadores em educação e para fazer aqui a afirmação de um futuro mais generoso, com mais esperança, tanto para nós quanto para os cidadãos desta cidade.
Mesmo àqueles que indiferentes, insensíveis, não entendem os nossos espíritos, os nossos ideais, desejamos mais consciência e mais sensibilidade, pois haverá o dia em que todos se orgulharão dos nossos atos, da nossa rebeldia, da nossa irreverência, pois compreenderão que há em nós, quando lutamos, um sentido superior de Respeito e Dignidade.
Ao governo estadual afirmamos:
Estamos muitos eguros, temos a tranquilidade necessária e somos organizados para atingir nossos objetivos.
Ao povo desta cidade e desta região estendemos a mão e dizemos:
Venham conosco, nos apoiem, nos respeitem, para que isso aqui nunca mais aconteça.
Muito obrigado!
PS.: Texto de muitas mãos e idéias de março de 2004. Na época eu trabalhava na escola Visconde de São Leopoldo à tarde nas séries finais do ensino fundamental, ensinando geografia e nop noturno do Olindo Flores. Havia ocorrido um ato de vandalismo - roubaram três placas de bronze que se encontravam nas três faces do monumento - o monumento dos imigrantes na praça do Imigrante em São Leopoldo e nós estávamos em greve contra o governo Rigotto. Decidimos no comando de greve fazer este ato. Foi muito boa a mobilização e além dste discurso vários educadores falaram. A imprensa local e estadual veio. Mas não saiu nada nos Jornais do dia seguinte. Ali a gente entendeu que naqueles dias que passavam quanto mais importante o nosso gesto maior seria o seu abafamento e a censura sobre ele. A Brigada Militar - por ordem do Governo observou tudo com gente da inteligência, um oficial e cavalaria. Bem, o resto a maioria já sabe: O governo municipal mudou neste ano, mas o estadual dois anos depois deu nisso que está aí. vale a homenagem agora a todos aqueles que tem protestado e lutado contra o governo estadual. Obs. final: O monumento foi restaurado e hoje a praça é bem mais limpa.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
A HIBERNAÇÃO DO BISCOITO FINO E A MASSA
Na primeira vez que li o título deste blog - com o link ali ao lado - que acompanho a uns dois anos fiquei pensando em muitas coisas. Bem que podia ser de receitas! Mas é muito massa e muito bom ao mesmo tempo, para usar a expressão das calçadas de minha cidade de 27 anos atrás. è um blog responsável por muitos textos muito bons sobre diversas coisas. E os posts são muito respeitáveis também.
Tudo bem agora o Idelber Avelar - o autor do biscoito - ou o BLOGUEIRO.....vai tirar umas férias do blog, por isso o blog vai ficar ali meio parado no título do último post por algum tempo. Entretanto, todavia, contudo, porém, eu recomendo uma passadinha diária ali para quem tiver tempo por somente duas razões: tem um dos blogrolls mais completos e respeitados que conheço e dois tem alguns dos textos mais desafiadores linkados ali, tanto textos do Idelber como de outros vale a pena olha e passear por ali...
Só espero que o autor publique algumas coisinhas daqui a uns 6 meses pelo menas...
E que o trabalho que ele quer fazer no lugar deste dê bons frutos....
Vai Idelber.... vai ser gauche na vida....
Tudo bem agora o Idelber Avelar - o autor do biscoito - ou o BLOGUEIRO.....vai tirar umas férias do blog, por isso o blog vai ficar ali meio parado no título do último post por algum tempo. Entretanto, todavia, contudo, porém, eu recomendo uma passadinha diária ali para quem tiver tempo por somente duas razões: tem um dos blogrolls mais completos e respeitados que conheço e dois tem alguns dos textos mais desafiadores linkados ali, tanto textos do Idelber como de outros vale a pena olha e passear por ali...
Só espero que o autor publique algumas coisinhas daqui a uns 6 meses pelo menas...
E que o trabalho que ele quer fazer no lugar deste dê bons frutos....
Vai Idelber.... vai ser gauche na vida....
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
ÉTICA GEOGRÁFICA
Se você não sabe do que eu estou falando então vá lá ler nos blogs ao lado.
Dá prá pesquisar no GOOGLE também.
Já tem ratazana nadando de braçada para escapar do navio que afunda.
Última pista - escândalos e corrupção só do Manpituba para cima.
E o desgoverno esperneia de qualquer jeito. Inventaram até o novo modo de espernear.
Pede prá sair ora.
Dá prá pesquisar no GOOGLE também.
Já tem ratazana nadando de braçada para escapar do navio que afunda.
Última pista - escândalos e corrupção só do Manpituba para cima.
E o desgoverno esperneia de qualquer jeito. Inventaram até o novo modo de espernear.
Pede prá sair ora.
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