quinta-feira, 30 de junho de 2016

O TOTEM CAIU

Um amigo dizia - com exagero é claro - que eu conhecia ou conheço todos os índios da minha tribo.
Bem, a tribo é muito grande e ele nem falou das índias, ou dos indiozinhos e nem do velho índio ou o indião , como chamava me pai. Mas...em todo caso...
A tribo é uma só. Ainda que alguns não se reconheçam como parte dela e se achem diferentes.
Alguns bebem muita cachaça mesmo.
Outros acham que são donos de alguma coisa, de pessoas ou do mundo.
E ainda existem os iluminados que tudo sabem, tudo vêem e tudo entendem.
Os últimos precisam muito ser seguidos mesmo que não vejamos suas luzes, não tenhamos suas certezas, não acreditamos neles e nem vemos compreensão em suas palavras.
No final o que interessa mesmo é quem sabe caçar, quem sabe fazer fogo, cozinhar e vencer o inimigo externo.
Porém demora um pouquinho para entenderem isto depois que o cacique morreu, a grande mãe não existe mais e que o totem caiu.
Precisamos reconstruir nossas relações tribais com muito diálogo e menos bangornada, porque senão a tribo se divide e tudo se acaba.
O fogo já está aceso...


P.S.: Fiz ele pensando na esquerda, nos professores e em todos que lutam. E enviei para meus amigos e amigas que eu penso que entendem que educar, lutar e fazer política deve ser um ato amoroso e de achego e não a arte de matar, odiar, vencer ou destruir o teu próximo que é diferente de ti, mas que pertence a mesma tribo. Somos diferentes, mas precisamos sobreviver juntos, lutar juntos e compreender o papel de cada um no conjunto.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

SOBRE LÓGICA MATEMÁTICA E LÓGICA SIMBÓLICA - PARA A INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ANALÍTICA

"Embora os gregos antigos tivessem desenvolvido consideravelmente a lógica formal e Aristóteles (384-322 a.C.) tivesse sistematizado o material resultante, esse trabalho pioneiro foi levado a efeito totalmente com o uso da linguagem corrente. Os matemáticos da atualidade entenderam que seria uma tarefa praticamente inútil, tendo em conta as preocupações modernas, continuar abordando a lógica dessa maneira. A fim de que essa matéria pudesse ser estudada com o caráter científico necessário, era necessário introduzir-se uma linguagem simbólica. A concretização desse intento resultou no que se chama hoje de lógica simbólica ou lógica matemática. Na lógica simbólica representam-se as várias relações entre proposições, classes etc., por fórmulas cujos significados estão livres das ambiguidades tão comuns à linguagem corrente. Torna-se então possível desenvolver a matéria a partir de um conjunto inicial de fórmulas de acordo com certas regras de trans-formação formal claramente prescritas, de maneira muito parecida com o desenvolvimento de algum tópico da álgebra habitual. Ademais, da mesma maneira que no desenvolvimento de um tópico de álgebra, as vantagens da linguagem simbólica sobre a linguagem corrente no que se refere à facilidade de entendimento e brevidade são enormes.

Considera-se que Leibniz tenha sido o primeiro a cogitar seriamente dos benefícios de uma lógica simbólica. Num de seus primeiros trabalhos, De arte combinatória, publicado em 1666, ele manifestou sua crença na possibilidade de uma linguagem científica universal, expressa num simbolismo reduzido e prático que guiaria o processo do raciocínio. Retornando a essas ideias entre os anos 1679 e 1690, Leibniz realizou progressos consideráveis no sentido da criação de uma lógica simbólica, formulando, inclusive, muitos conceitos de grande importância modernamente.

Em 1847, com a publicação de The Mathematical Analysis of Logic, Being an Essay towards a Calculus of Deductive Reasoning, um pequeno livro de autoria de George Boole (1815-1864), verificou-se um ressurgimento do interesse pela lógica simbólica. Seguiu-o um artigo de 1848 e, finalmente, em, 1854, Boole logrou expor de maneira notável suas ideias no trabalho An Investigation into the Laws of throught, on Which Are Founded the Mathematical of theories of Logic and Probability.

Augustus De Morgan (1806-1871), um contemporâneo de Boole, com seu tratado Formal Logic, or the Calculus of Inference, Necessary and Probable, publicado em 1847, chegou a ir, em alguns pontos, consideravelmente além de Boole. Mais tarde De Morgan desenvolveu estudos amplos sobre a lógica das relações, até então negligenciada.

Nos Estados Unidos, uma figura que contribuiu com um trabalho relevante para a lógica matemática foi Charles Sanders Peirce (1839-1914), filho do ilustre matemático de Harvard, Benjamin Peirce (1809-1880). Peirce redescobriu alguns dos princípios enunciados por seus predecessores. Infelizmente seu trabalho permaneceu algo à margem da corrente principal das pesquisas nesse campo; assim, só há pouco tempo, relativamente, começou-se a dar o merecimento devido a grande parte de suas ideias.

As noções booleanas receberam um acabamento e uma complementação notáveis no volumoso tratado de Ernst Schröder (1841-1902), Vorlesungen über die Algebra der Logic, publicado no período entre 1890 e 1895. Na verdade, os lógicos modernos se inclinam a designar a lógica simbólica segundo a tradição booleana por álgebra de Boole-Schröder. Ainda se pesquisa muito em álgebra booleana, como o mostram os muitos artigos sobre o assunto publicados atualmente em revistas de matemática.

Uma abordagem ainda mais moderna da lógica simbólica se iniciou no trabalho do lógico alemão Gottlob Frege (1848-1925), no período entre 1879 e 1903, e nas pesquisas de Giuseppe Peano (1858-1932). O que motivava o trabalho de Peano era o desejo de expressar toda a matemática em termos de um cálculo lógico, ao passo que o trabalho de Frege derivava da necessidade de uma fundamentação mais sólida para a matemática. São marcos na obra de Frege: Begriffsschrift, que apareceu em 1879 e Grundgesetze der Arithmetik, em dois volumes (1893 e 1903) e historicamente muito importante; e na obra de Peano vale destacar o Formulaire de Mathématiques, em cinco volumes (escritos com a participação de colaboradores) publicados a partir de 1894. O trabalho iniciado por Frege e Peano levou diretamente aos Principia mathematica de Alfred North Whitehead (1861-1947) e Bertrand Russell (1872-1970), uma obra monumental e muito influente, em três volumes (1910-1913). A ideia básica dessa obra é a identificação de grande parte da matemática com a lógica pela dedução do sistema dos números naturais e, portanto, do grosso da matemática, a partir de um conjunto de premissas ou postulados da própria lógica. No período entre 1934 e 1939 apareceu o abrangente Grundlagen der Mathematik de David Hilbert (1862-1943) e Paul Bernays (1888-1977). Esse trabalho, baseado numa série de artigos e preleções acadêmicas de Hilbert, tentava construir a matemática mediante o uso da lógica simbólica de uma nova maneira cujo objetivo era tornar possível a determinação da consistência da matemática.

Presentemente há muitos matemáticos empenhados em pesquisas elaboradas no campo da lógica simbólica, principalmente em função do impulso dado a esse campo pelos Principia mathematica. E, para publicar os trabalhos desse grupo, criou-se em 1935 o periódico especializado Journal of Symbolic Logic. "

IN: EVES, Howard. Introdução à História da Matemática. Tradução de Higyno H. Domingues. Campinas: Editora da Unicamp, 2004, pp.669-670.


A obra pode ser consultada nas Bibliotecas das Escolas de Ensino Médio. Na Biblioteca do Olindo Flores tem. Pertence ao acervo de consulta e foi adquirida pelo Ministério da Educação - FNDE - PNBEM 2008.

NATUREZA CRETINA

“A natureza é uma assassina em série. Não há ninguém melhor que ela nisto. É mais criativa. Porém, como boa assassina não resiste em querer que a observem. De que serviriam os crimes geniais sem seu reconhecimento? Assim, ela deixa...alguns farelos ou rastros. A parte dura disto, para quem estuda ela é ver as migalhas como pistas. Às vezes  o que pensava que era o aspecto mais brutal de um vírus resulta ser seu calcanhar de Aquiles, a fresta em sua armadura. E ela se encanta em ficar disfarçando suas fraquezas como pontos fortes. A natureza é uma grande cretina.”

GUERRA MUNDIAL Z, Um biólogo de 23 anos fazendo considerações sobre a natureza antes de morrer por acidente.

A natureza ama esconder-se...lembre-se disto sempre...

quarta-feira, 22 de junho de 2016

VIVÊNCIAS, EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES: notas de diálogos – 2 DE MARÇO DE 2016

“Nossos complexos são a fonte de nossa fraqueza; mas com frequência são também a fonte de nossa força."

S. FREUD

Estes dias iniciei minha aula me apresentando aos alunos e alunas e contando um pouco da minha formação. De repente parei por um instante e inclui na fala uma intuição que me veio à cabeça como que num instantâneo. Tão importante ou mais importante que a escola ou universidade que nós freqüentamos, por sua qualidade e estrutura, por seu espaço e acervo, é a qualidade dos professores e professoras que nós tivemos. No meu caso tive professores e professoras de filosofia que pertenciam a geração que viveu o processo de expurgos na UFRGS e outras universidades e que, antes disto, pertenceram ás primeiras gerações de professores laicos no ensino de filosofia no RGS.

Eles foram alunos dos primeiros marxistas, existencialistas, libertários, fenomenólogos e logicistas que rompiam com a escolástica tomista ou agostiniana. Devo dizer que o termo rompiam é certamente exagerado. Na verdade eles seguiam e passavam para além da matriz de influências dos seus mestres. Porém, é bom que se diga que meus professores pertencem a geração daqueles que foram os primeiros professores brasileiros a se relacionar com três grandes escolas filosóficas contemporâneas: a escola francesa, a escola alemã e a escola inglesa. Através disto eles se relacionam talvez como que entre um professor e outro numa linha de passe que segue até os maiores filósofos do século XX e antes deles os maiores ou mais importantes e relevantes filósofos do século XIX.  
         
Uma das formas de adquirirmos experiências é através dos livros. Destes tomamos emprestadas e de outras vidas, suas experiências. Um autor disse certa feita que quem lê tem mais tempo de vida. Pode ser. Ao meu ver ler 100 páginas por dia é uma baita carga de leitura. Algumas pessoas dizem poder ler 500 páginas. Isso se bem feita ao meu ver...considero meu limite e bem razoável...e dependendo do tipo de texto considero uma façanha...

E eu te entendo..não sou um vivente que pode se considerar um grande leitor...mas o que leio se conecta muito fortemente à minha existência e forma de pensar...e ocorrem relações cruzadas ai também...as vezes leio sobre o que estou vivendo e ou sobre o que quero viver, mas também leio sobre o que outros próximos vivem...ou desejaram viver..

Às vezes vivo ou vivi coisas que muito tempo depois encontrei explicadas ou narradas nas minhas leituras...

Tenho até dificuldade para falar sobre este tema porque envolve coisas que poderiam ser consideradas simplórias por alguns ou idealistas por outros. Mas também leio temas abstratos e teóricos. Da metafísica até a ética, passando pela lógica e por teorias históricas ou sociológicas, mas me habituei a tentar fazer estas coisas conversarem com minha vida, meu modo de pensar, me relacionar com os outros, minhas escolhas, preferências, valores...

Esta dificuldade me parece ter origem na falta de uma certa teoria que dê conta disto. Esta relação entre vida e obra, teoria e experiência, biografia e obra de ficção.

Comecei a estudar Bernard Williams, por exemplo, e passei, após poucas páginas, a ficar pensando nas ideias dele e na relação disto com nossa vida. Por exemplo, aquele negócio de sorte moral. Imagine você que sorte moral é um conceito que dá conta tanto da influência da má sorte quanto da boa sorte sobre nossas ações morais.

Alguns autores gostam de usar aqui a questão do acaso e dos acidentes na determinação do nosso destino ou de nossos sucessos, pois não há uma cadeia de ações todas deliberadas que nos conduz ao êxito ou ao sucesso. Nós acabamos, por mais organizados, planejados e por melhores que sejam nossas deliberações e juízos, dependendo sempre do imponderável. E é isto que tem causado talvez este profundo mal estar em algumas pessoas nos tempos modernos. A angustia, a ansiedade e o medo devem sim se dever a este fato que possui certa regularidade na nossa vida: a surpresa e o acaso se intrometem por demais em nossos planos.  

Por exemplo, eu preciso escrever. Isso é uma necessidade para mim, mas muitas vezes as idéias e temas, abordagens e aproximações sobre as quais escrevo me vem não de um estudo detalhado de uma questão, não de um ataque sistemático e continuo a uma certa fortaleza ou fronteira bem precisa do conhecimento, mas de forma fortuita e quase gratuita se apresentam para mim. Mas, veja só, só acabo tratando deles, das pistas pelo caminho se dou atenção a elas, se tenho certa disposição a perder algum tempo refletindo sobre os fatos fortuitos, os acasos, as coincidências e os sinais e pedras no caminho.   


Vou usar uma expressão aqui: a literatura faz uma encenação. Uma encenação é sempre um risco, porque pode não dar certo. O leitor encena na sua imaginação e o autor também, mas como ocorre no teatro você pode perceber tudo e perder partes, o ator também e até o diretor..e tem aquele dia em que dá tudo certo no palco e na platéia...passam anos e se você trabalha com isso reconstrói em detalhes o que aconteceu, mas jamais vai conseguir fazer igual...os artistas que criam esta espécie de vida paralela e lidam com ela ganham uma tal sensibilidade estrutural que faz eles perceberem o brilho e a graça no detalhe e os bons leitores também...    

O FIM DE TODA ESPERANÇA NÃO ME PARECE RAZOÁVEL - CONTRA SCRUTON

O FIM DE TODA ESPERANÇA NÃO ME PARECE RAZOÁVEL -

MINHA PEQUENA CONTESTAÇÃO LIMINAR A SCRUTON

Não haveria nenhuma razão que nos desse conforto e nos amparasse frente a tragédia e ao desamparo se todos nós abandonássemos a esperança, simplesmente porque a sua negação nos é mais fácil ou porque ela nos parece mais lógica.

Creio que a abordagem de Scruton é extremamente bem feita, ele argumenta como um killer sistemático e que seu conjunto de ideias é bem coerente com seu conservadorismo e me parece expressar também um dos objetivos do neo conservadorismo que é negar a possibilidade de mudança e de transformação da sociedade em que vivemos.

Porém, devo dizer que pertenço, de forma consciente e hoje bem deliberada, a uma classe de seres humanos que não partem de condições favoráveis e que são movidos por esperanças, sonhos, delírios, idealismo, otimismo e, mesmo, na pior circunstância possível, jamais me deixo conduzir pelo desespero ou me orientar pelo pessimismo extremo. Tendo a mitigar e atenuar sempre os problemas. Adoto a disposição de sempre diminuir o tamanho de qualquer monstro para enfrentá-lo sem temor. Depois vou conferindo com calma seu tamanho e dimensão, grandeza e profundidade. Mesmo o nihilismo ou o ceticismo com o qual convivo muito e faz muito tempo em estudos filosóficos ou teóricos aplicados à diversos temas (epistêmicos, morais, políticos e históricos) me serve de heurística. E cabe aqui reconhecer a minha aceitação do que é chamado por alguns de realismo ou pragmatismo na política e que impõe sim um alto custo ao meu idealismo - me conformando aos limites da realidade, do possível e do exeqüível - mas que mesmo assim não me curvo ao mínimo e nem sequer rendo homenagens ensandecidas ao máximo idealismo.

Penso que o melhor uso que podemos dar ao approach de Scruton é o de corrigir excessos, ampliar nossa prudência nos raciocínios e reflexões e acima de tudo servir-se dele para reduzir o dogmatismo em nossas abordagens.

Sim, se você não gosta de ouvir, ler o debater com seus adversários, eu lamento muito, mas sim eu recomendo a leitura de Scruton à todos os progressistas ou revolucionários que são capazes de compreender que a vitória de um projeto de mudança da sociedade e a mudança social que desejamos no quadro do capitalismo para alguns e para outros na sua superação como sistema, só virá quando vencermos também neste terreno teórico de debates que envolve sustentar a priori, com argumentos, que esperanças são razoáveis e devem ser estimuladas não por insensatez, logro, sedução ou retórica, mas sim por razoabilidade.

Aqui , como antes, preparado para ser refutado, criticado, corrigido ou aperfeiçoado em 1, 2, 3...


Portanto, para mim nada pode ser mais prejudicial do que parar de sonhar e de ter esperanças...UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL & MAIS DO QUE ISTO NECESSÁRIO...

P.S.: Roger Scruton é um conservador britânico que argumenta muito bem. Sugiro que pesquisem porque talvez seja o conservador mais articulado e coerente deste planeta e portanto representa um dos gigantes do pensamento com quem a esquerda deve se defrontar para reafirmar o seu projeto. .

SHORT CUTS – A GENEROSIDADE MISERÁVEL DOS ADULTOS COM OS JOVENS - 27/02/2016


A tomada de posição das meninas no Colégio Anchieta de Porto Alegre despertou e gerou – como que numa avalanche – uma diversidade de opiniões favoráveis e desfavoráveis, críticas, deboches, cobranças e até mesmo censuras que mostra para mim e exibe com uma nitidez arrazadora o quão baixa anda a nossa capacidade de compreender os jovens, quão pequena anda na economia de nossas opiniões a tolerância a respeito de opiniões estéticas e, além disso, para piorar as coisas ao meu ver, quão reduzido se tornou o nosso conceito de liberdade. De certa forma para mim a reação mostrou também quão espontânea e irrefletida, pobre e automática andam os nossos impulsos de formulação, interpretação e compreensão dos fenômenos. Creio que é importante se abandonar as formulações instantâneas sobre as coisas, e me desculpem aqueles que pensam diferente de mim, que é importante sair do varejo das opiniões e se passar para o atacado das idéias nestes temas e nestes processos. E ultrapassar a nudez sexualizada ou a batina reprimida que a reação ao shortinho encobre me parece ser bem recomendável a todos que deveriam pensar mais seriamente sobre a importância dos jovens no nosso futuro comum. Aqui como na maioria dos casos, polêmicas e debates atuais – debates midiatizados e virtualizados – o buraco é bem mais embaixo.

Confesso que demorei praticamente uma semana para responder ao tema por diversas razões que me pareceram coercitivas ao meu juízo. Primeiro de tudo que nem tudo é exatamente como parece. Que o modo como as coisas se apresentam pode encobrir um fenômeno mais profundo e muito mais importante do que a irrisória e parca generosidade da discussão acredita que concedeu Segundo, que eu tenho notado uma espécie de cultura de liquidação de iniciativas de sentido do outro generalizada nas redes sociais. Todo mundo patrulha, fiscaliza, moraliza, crítica todo mundo por impulso. Em terceiro lugar, porque me lembrei do que chamei de uma “lógica do queima ele” que anda marcando as respostas e avaliações de muitos por aqui. E, ao mesmo tempo, percebi de saída que mesmo a discussão sobre tema colocou em lados iguais pessoas que tem posições diferentes em outros temas. Por exemplo, para meu assombro, encontrei pessoas que se dizem progressistas, libertárias, emancipacionistas, democratas e modernas juntinho e ao lado de conservadores, repressores, reacionários, autoritários e arcaicos.

E o mais impressionante de tudo, poucos leram o manifesto das meninas situando ele num processo de tomada de consciência geracional bem mais amplo que ocorre - nitidamente para mim no Brasil hoje – com a tomada de posição e o avanço político das meninas, jovens, de periferia ou classe média, de diferentes classes sociais. Eu teria que listar aqui num encordoamento só este fenômenos e suas séries relacionadas para justificar isto.

Vou começar apontando para as duas pontas mais visíveis para mim que são gaúchas, a Deputada Estadual Manuela D´Avila, para a Professora de Filosofia Márcia Tiburi, e também para a Luciana Genro, a deputada federal Maria do Rosário, a presidenta Dilma e etc – e sei que em muitos estados e cidades deste país um geração de mulheres – que não é exatamente da mesma faixa etária – avança e toma posições marcantes, considerando-se o papel e o espaço limitado que as mulheres ocupam nos espaços políticos e de gestão. Aponto também  para diversas atrizes, cantoras, artistas, professoras, lideranças estudantis que andam agitando o cenário nacional a bem quase 12 anos. Curiosamente este fenômeno para mim aparece claramente também a partir de certo imaginário cinematográfico que a partir do início do século XXI passou a colocar a mulher como outra personagem nos enredos, tramas, histórias.

O problema geracional me chama muita atenção também por outro aspecto. Muitos que criticaram as meninas, seu manifesto e aqueles que se ocuparam e apoiaram isto dizem que elas e eles deveriam estar se ocupando de problemas mais importantes e reais da nossa sociedade. E alguns perfis aqui no facebook fizeram exatamente isto. Daí você vai lá ver os perfis que realizaram estas críticas e não vê eles engajados em soluções, apresentando propostas ou se comprometendo em ações que possam efetivamente mudar uma lista de problemas e coisas na cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, na América latina e no Mundo. Não, o que você vê no perfil de um certo tipo deles é, na maior parte dos casos, a queixa, a chorumela, a busca de soluções absolutas e mágicas aos problemas ou uma espécie de idílio passadista e saudosista de uma certa moralidade que ficou para trás, num antigamente remoto que – em muitos destes casos eles sequer conhecem ou tem entendimento crítico ou profundo - como se no passado as coisas fossem melhores, que a ditadura militar foi boa ou precisa voltar. Um outro tipo de  crítica cobra dos jovens também ações mais conseqüentes, críticas mais pertinentes e causas melhores, como se os jovens tivessem a obrigação de lutar apenas por questões essenciais ou decisivas para a vida dos adultos. Ora nos dois casos encontramos boas e grandes contradições de fundo.


Se olharmos para a história do Brasil destes últimos 60 anos temos basicamente alguns poucos movimentos coletivos fortes. A defesa da criação da Petrobras nos anos 50, as mobilizações contra a ditadura nos 60 e 70, o ano de 1968 é um marco em todo mundo disto, a grande mobilização de redemocratização que foi das diretas já nos 80 até a eleição de 1989 (para o pessoal mais libertário isto inclui movimentos culturais, sindicais, populares muito fortes e intensos, alternativos, ecológicos que hoje tem seus efeitos ainda – CUT, MST, UNE, UBES  e diversas entidades se criaram e ou voltaram a ter papel protagonista na sociedade brasileira neste período), o fora Collor nos anos 90 e somente em 2001 um movimento como o Fórum Social Mundial chega ao Brasil por conta de um espírito de mudança mais ampla e englobando no nosso pais e no planeta que teve inicio em manifestações juvenis em Seattle em 1999, e, por fim, mais recentemente as manifestações do movimento passe livre que levaram a uma gigantesca manifestação no pais por mudanças e soluções para diversos temas urbanos e sociais brasileiros que incluíam transporte público, saúde, educação, corrupção, segurança em 2013. Pois bem, estamos ainda neste quadro de 2013, combinado com movimentos golpistas, conservadores, repressivos e autoritários que pululam aqui e a ali. Uma derrota eleitoral do campo conservador em 2014 somada aos escândalos de corrupção e também ao processo jurídico e partidarizado de revela e encobre no entorno disto. Um congresso nacional de perfil ampla e majoritariamente conservador, autoritário e regressivo. E é com e neste quadro que o manifesto das meninas do Colégio Anchieta de Porto Alegre dialoga. Não estão mesmo por fora disto ou viajando na batatinha. 

E não se trata mesmo de uma questão simplória de direito de ostentação ou exibição de suas nádegas ou coxas. Aqui, como nos caso dos R$ 0,20 centavos do movimento passe livre contra o aumento de passagens não se trata só e nem é SÓ POR CAUSA DE 20 CENTAVOS – veja que é na mesma  Porto Alegre onde este e outros movimentos praticamente nasceram.                                            

terça-feira, 21 de junho de 2016

PORQUE ENSINO A PARTIR DE UM FIO CONDUTOR DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA

Eu creio que esta discussão envolve diversos vieses. Desde a segurança filosófica do professor ou professora de ensino básico, devido a sua formação ou características pessoais de personalidade, até mesmo ao tipo de formação e ao domínio de certas teorias e autores desconhecidos, e até mesmo ter uma situação de exercício mais controlada no que toca aos objetivos da disciplina. Eu mesmo confesso que me asseguro muito e fico muito mais tranqüilo usando como fio condutor a história da filosofia. E também aposto numa certa fixação de conteúdos como base para vôos mais altos tipo para além do texto ou em conexão com a realidade e as vivências atuais dos alunos. Creio que deveria ser feito um bom debate sobre isto. E me chama muita atenção que aqueles que debatem no viés temático tenham tido uma ótima formação e são portadores de muita segurança em suas abordagens. Creio que a insegurança teórica e a suspeita deveriam ser mais aceitas como argumento para se respeitar um fio condutor mais estável e garantir que se evite um surto de ensaísmos que podem cair em exercícios retóricos, em subjetividades criativas e que, no entanto, pode apenas reproduzir a imagem ou o espelhar a imagem e a projeção de um pensador incipiente. É só uma ponderação e não tenho tanta segurança em saber se o problema é de fato este mesmo e não uma melhor formação e acompanhamento da iniciação á docência para fomentar em reciprocidade mais virtudes intelectuais do que proezas.

P.S.; Tem uma outra razão que envolve a minha forma de vera  filosofia sempre no tempo histórico. Não faço cortes exclusivamente temáticos ou isolo pensamento filosófico sem contexto histórico.

PELO FIM DO VALE TUDO PELO PODER: 10/04/2016


Creio que o maior erro é desprezar o valor da democracia e persistir neste jogo infantil e primário de vale tudo pelo poder.

O fim do vale tudo pelo poder deve ser a nossa maior bandeira agora.

Ainda que para superar o impeachment tal MODELO persista sendo aplicado é muito importante constituir a plataforma de reforma política para construir um grande campo de lutadores pela nova democracia e que venham a pugnar por isto já nas eleições de 2016 e que em 2018 consigam criar a tal maioria necessária no congresso para estas reformas eleitorais, políticas e constitucionais.

A proposta de um plebiscito e de uma Constituinte para tal me parece a única saída para um rearranjo no horizonte e a superação do Vale Tudo amplamente vigente.

E segue a linha de que a culpa é sempre dos outros.

Sim, e isso ocorreu por responsabilidade da esquerda desunida, sem projeto construído coletivamente e sem acordos estratégicos e sequer táticos.

Só observo o que Ruy Fausto apontou como desafio para o movimento democrático mas que para mim já é fato que parcelas bem importantes da pequena burguesia já aderiram ao movimento contra o golpe e que o grande debate é o DEPOIS...a tal agenda progressista..

A ideia de Ruy Fausto de que ele deve pertencer a uma certa ESQUERDA INDEPENDENTE me é muito interessante....pois haveria uma seção autônoma e auto suficiente material e espiritualmente da esquerda brasileira...e é parte desta esquerda sim que eu vejo em massa nos atos desde a condução coercitiva de Lula, dia 13 em Porto Alegre, 18 em todo o Brasil e 31 também...ele aponta para um campo intermediário que não se veste em cores ideológicas, mas que é progressista e me parece ter razão sim....

Mas me escusa a ironia porque do falar assim eu também me coloco no gabinete ou sofá da sala s ser parte do problema, mas apenas como observador.

A democracia está em jogo sim.

Não se trata de gostar ou não gostar, ter poder ou não ter poder, vencer ou perder eleições, mas sim da nossa liberdade de organização, liberdade de opinião e formulação, liberdade de ter projetos ou não ter projetos e liberdade de diferenças e de direito a ter direito e direito a buscar direitos ou mudança social.

A democracia é fundamental é por ela todos devemos nos posicionar, sob pena de nunca mais podermos fazer isto...

Tenho falado de mais tempo sobre a frente ampla no Uruguai - que também tem suas mazelas e dissidências só que tem se mantido.

E no caso por muita dificuldade de diálogo com as bases, muita dificuldade de capitalizar as políticas acertadas e por um desmedido ônus nos erros e no que não foi possível.

Temos aqui uma espécie de grande promessa das esquerdas não cumprida.

Mas que não passa de uma fantasia de que um governo de esquerda vai conseguir maximizar a agenda, pauta ou programa dos movimentos ou partidos sem ter que negociar em sua síntese com outros segmentos sociais organizados.

E ainda tem a volta aqui ao debatendo sistema político eleitoral que torna a eleição não uma colheita é uma conversa com votos e eleitores, mas sim uma colheita de votos e uma conversa com financiadores de campanha.

Tenho discordância em um único ponto.

Não é o caso que não saibamos que quem sai às ruas para defender a democracia não morre de amores nem pelo PT, nem por Dilma, mas sim que teme muito mais a agenda golpista do que o próprio golpe.

Estes atuam porque olham para o congresso e o atual sistema político e vêem a mesma coisa: uma gigante e esnobe maioria de plutocratas que defendem apenas interesses econômicos, rentistas e patrimonialistas e que não estão nem aí para o povo, os trabalhadores, as leis e os direitos de toda ordem.

Eu penso que o PT não se ufana tanto assim quanto a quem defende a Democracia.

Eu prefiro ser mais otimista e pensar numa agenda política construída a partir dos comitês para superar na economia e na política esta crise, vencendo o golpe e reordenando o arranjo.
E ai a FBP - frente Brasil popular - e a FBSM - frente Brasil sem medo, podem não representar todos que se manifestam defendendo a democracia e alguma estabilidade na economia e na política, mas pode contribuir para debater a agenda nova de uma nova Democracia.

Se não for tão utópico aqui posso dizer o seguinte também: agora o tal orçamento participativo se transforma numa necessidade.

A constituição das frentes Brasil popular e Brasil sem medo deverá chegar em suas sínteses pós impeachment em plataformas como estás.

Candidatos e candidatas à vereador e à prefeitos podem ser portadores desta plataforma política em diversos partidos e com estes compromissos podem nos ajudar a dar um revés nacional no golpismo e neste esquema de vale tudo.

E isto deverá se traduzir com muito diálogo, consenso e projetos comuns em novos senadores e deputados para chegarmos ao plebiscito e à Constituinte.

Espero e estar vivo para assistir isto nos próximos dez anos

Temos, portanto, que construir uma unidade política e programática para construir novo congresso, um novo senado, novas assembléias e novas câmaras de Vereadores.

Ir contra o golpismo é ir contra esta lógica do Vale Tudo que torna possível está agenda e construir uma agenda progressista.

E isso pode acabar sendo a base para a construção de uma representação mais direta.

As frentes respondem a um desafio de reposicionamento e ampliação do debate.

Acredito muito nelas porque saem do formato tradicional de disputa de maioria ou hegemonia.

E podem ser o caminho para a formulação de uma estratégia mais compartilhada também.


segunda-feira, 20 de junho de 2016

O CPERS DA VELHA CONJUNTURA E A ESTRATÉGIA DA JUVENTUDE: 22 DE JANEIRO DE 2016

O CPERS DA VELHA CONJUNTURA E A ESTRATÉGIA DA JUVENTUDE

Sim, precisamos superar as dores da conjuntura com uma estratégia de futuro. Então, que tal começarmos pelos jovens? Transformando a velha guarda em conselheiros e dando espaço para os jovens? O que nós falta não é sabedoria ou conhecimento, mas sim a capacidade de nos libertarmos das tradições que nos aprisionam e nos oprimem. Ando preferindo os erros da juventude às certezas da velhice. Melhor a morte gloriosa do que uma morte miserável e humilhante. Para a luta que temos pela frente só a energia da juventude pode vencer. A hora é agora!

Minha intuição fundamental para esta conjuntura e para a estratégia necessária para superá-la não somente no CPERS ou nas entidades e movimentos sociais, mas também nos partidos e na Frente Brasil Popular é de que devemos promover uma renovação geral. E uma renovação geral que antecipe o processo de tomada de poder e de posições por parte da juventude militante brasileira. Isso decorre e significa na prática duas coisas.

Primeiro, a disputa de hegemonia neste país e no mundo hoje não ocorre mais de forma restrita e principal aos adultos, aos leitores de jornal, hoje ela se dá fundamentalmente e diretamente entre os jovens e com os jovens. Uma prova disto pode ser apontada pelas origens do processo global de reação ao neoliberalismo que marca seu inicio na Batalha de Seattle, segue até o ciclo que abrimos e vivemos a partir do Fórum Social Mundial em Porto Alegre e no Brasil em 2001 até as sucessivas reeleições do projeto do PT e da Frente Popular com Lula e Dilma até hoje. Com acúmulos e avanços que levaram os jovens á s ruas em 2013 e permitiram frente a um conflito intenso nas redes sociais em 2014 a derrota do candidato Aécio Neves e a superação da esfinge Marina Silva. Na minha avaliação a vitória de Dilma foi garantida por ampla coalizão, mas com grande tomada de posição da juventude brasileira que foi cevada pelas conquistas. E isso ocorre com resultados cada vez mais rápidos. Isso ocorre por conta da dinâmica geracional e comunicacional ter avançado sobre esta faixa etária e também porque os problemas já atacam a vida dos jovens diretamente. Este processo teve provavelmente diversas etapas nos últimos 60 anos, mas agora ele é mais intenso de fato porque os jovens estão sintonizados e tem mais tempo livre do que os adultos. Eles também tem maior desapego a certas tradições e possuem menos totens e símbolos cristalizados em suas mentes. Eu diria que o regime de crenças dos jovens hoje é bem mais instável do que em outros tempos também por conta da diversidade cultural e social presente nas sociedades atuais. Os jovens são o vetor da história atual. E são eles que possuem energia e uma perspectiva mais larga que nós para superar nossos impasses tradicionais.

Segundo, quem não entender isto está fadado a se manter no poder ou disputar o poder pela esquerda enquanto estiver vivo, mas passar o poder para seus piores adversários que se dedicaram a emular os jovens enquanto ele estava ocupado em monopolizar os espaços, posições e decisões em seitas, frações correntes ou partidos de esquerda. Há uma geração de velhos militantes que não passa o bastão e sacrifica não somente uma ninhada partidária, mas a possibilidade de mudar este país por não compreender o seu lugar neste processo de resistência.  

Quanto a primeiro ponto não é nada difícil observar que a disputa da juventude já ocorre com os facistas e golpistas e que a mídia percebe isto claramente. Para romper isto é preciso dirigir nossa atenção aos jovens e abrir espaços para que eles se antecipem aos ataques. De outro lado é bom dizer que pela dinâmica e velocidade dos conflitos atuais precisamos muito da energia e vitalidade dos jovens para resistir, estancar os ataques ao povo e aos trabalhadores e retomar a direção da sociedade para avançar de forma mais intensa e progressista.

Uma parte da esquerda vive ainda de discurso e pensamento mágico e uma outra parte cai no discurso do fim do mundo. E em meio a isto ficam disputando personalisticamente com um discurso ideologizado em grande parte artificial para manter aparelhos, burocracias, mandatos sem construir um bloco político estratégico. Chamo isso de bipolaridade neurótica da esquerda. Parte de uma agenda ou pauta que é sempre absoluta (tudo ou nada) e inegociável e acaba sempre derrotando as alternativas e contribuindo para passar o poder para a direita. O problema deste pessoal não é de sinceridade nem de legitimidade, mas sim de inteligência estratégica. E em geral chamamos estas posições de esquerdismo...este é para mim o debate mais crucial para a sobrevivência e o fortalecimento da esquerda brasileira hoje e ele nos leva diretamente para a discussão e a formação em diálogo e de forma respeitosa com a juventude e seu papel coletivo no Brasil que está em plena transição demográfica. Ou faremos isso - unificando e acordando propostas e compreendendo limites - ou seremos soterrados pelo processo de acomodação demográfica e geracional.
O tema da urgência de uma unidade na esquerda – que para alguns significa ter uma frente de esquerda e para outros apenas ter a esquerda hegemonizada por uma esquerda de verdade, o tema da chegada da crise econômica do capitalismo no nosso pais e a onda reacionária que enfrentamos nos mostra que vivemos tempos decisivos. A urgência envolve um movimento de socorro e uma mudança do método e do nosso padrão de jogo na esquerda. Chegamos a um limite conjuntural e um desafio estratégico. Precisamos trazer o futuro o mais rápido possível parar o presente. Precisamos adiantar o nosso relógio político. Se nós brasileiros continuarmos aguardando a ordem natural das coisas quando a transição demográfica se realizar os governos já estarão nas mãos dos reacionários e daí não haverá mais como retomar. E isso significa que colocar os jovens no poder e nos espaços de poder o mais rápido possível serve de um lado para ampliar a base que vai construir o futuro que precisamos e de outro para criar condições de barrar a onda conservadora que também é efeito da transição etária e demográfica e da acomodação política da sociedade.

A geração dos jovens de hoje não pode sofrer a barragem que a minha geração sofreu no acesso aos espaços políticos por parte da velha guarda, da geração heróica da ditadura, dos construtores ou fundadores do partido, ou dos mais velhos e mais admirados e notáveis quadros da história do movimento sindical e político brasileiro. Esta geração está nos eu limite e a minha geração ou caiu de banda ou resiste com dificuldades.

Precisa garantir mesmo que os jovens vão ocupar os espaços e dirigir as coisas para que eles apostem no processo e também para que os mais experientes comecem a atuar em espaços onde seus papeis educativos e orientadores terão mais eficácia e resultados.

Nós mais velhos precisamos saber abrir estes espaços de forma determinada e deliberada. Precisamos acelerar este processo e parar de monopolizar o poder seja sob qual argumento for. Porque só isso vai salvar a esquerda, superar os impasse da conjuntura algumas disputas que não tem construído hegemonia e atrair mais jovens ainda.

Eu creio que os jovens vão avançar mais rapidamente a agenda progressista. Vão errar sim, mas não vão errar mais que os maduros ou mais experientes. A margem de erro pode ser reduzida com mais colaboração e garantindo de fato mais democracia e participação nas decisões.

Aliás, vejo, por exemplo, que ocorreu uma razoável renovação dos quadros do magistério estadual a partir dos concursos públicos do Olivio ( minha geração) e do Tarso (geração atual) e vejo claramente que todos os jovens no CPERS hoje tendem a avançar mais até mesmo porque é uma geração bem mais informada que a minha e as anteriores.

Eu achei a fala de alguns velhos militantes no conselho geral que assisti esta semana muito na linha da moralzinha e de um velho revanchismo que não constitui nem  proposta e nem solução e só reforça os impasses costumeiros. Isso não ajuda em nada. Fazer avaliação e crítica é importante quando se chega a uma proposta não quando se fica só fazendo declaração de intenções ou fazendo cosquinha em vaidades e velhas intrigas e disputas.

A capacidade de fazer autocrítica é importante, mas quando a autocrítica se repete é preciso tirar o time e dar espaço para outros. Mas, então, a única contribuição de que faz excessivamente auto critica é cair fora.

Quando coloco uma fala sobre isso quero dizer que não dá pra dirigir sindicato com discurso de derrota – nem a oposição e nem a situação deveriam fazer isso porque dissolve qualquer possibilidade de motivar os trabalhadores para a luta e torna mais difícil ainda mobilizar quando temos um inimigo tão perverso e covarde pela frente.

O que aconteceu no sindicato em 2015 com o governo Sartori foi terrível. Isso é da conjuntura, mas também é resultado de uma estratégia política estreita produzida no passado. A única forma de superar deve envolver então uma correção na estratégia.

Superando os ranços dos quadros que tem passado décadas disputando os mesmos espaços e sustentando os mesmos métodos e que carregam relações tradicionais e muitas vezes equivocadas sobre a nossa luta e o nosso projeto. 

A avaliação é precisa: estamos sim colhendo os presentes que nossa ação sindical de um lado plantou e do que nossa ação política também plantou. E isso não é exclusividade ou responsabilidade política de partidos ou de correntes sindicais. Nós deveríamos ser capazes de olhar para a esquerda gaúcha e pensar nos seus resultados e métodos de relação que nos trouxeram até aqui. E precisamos combinar coisas neste campo, criar um bloco ou frente com novos padrões de relação e combinar com respeito e solidariedade a ação e a avaliação. Não tenham dúvida alguma porque a gente sempre cresce quando cumpre o combinado. E quando o combinado é coletivo a gente sai do empurra-empurra, porque se estiver errado você sabe precisamente onde corrigir.

É preciso fazer a leitura de fundo do processo todo. Desta relação entre o que eu chamo de Dores da Conjuntura e Estratégia de Futuro. E quando você faz isso supera o puro ativismo voluntarista ou revanchismo eleitoral sindical que é o que ocorre hoje. E ganha credibilidade no diálogo com os outros setores.

Estar preso as dores a aos horrores de uma conjuntura não ajuda na estratégia, não constrói esperança e nem nos fortalece.

Não dá para ser ufanista nem derrotista. Não dá para exagerar na avaliação das perdas nem prometer mágicas na luta sindical. ( A intuição que tem sido apresentada sobre isso é a frase que muitos de nós compartilhamos em debates já: tá na hora de parar de dividir a nossa categoria em anjinhos de um lado e demônios do outro. Ou seja, é preciso parar de prometer o céu e culpar os outros pelo inferno. Este inferno é de todos nós. E céu será resultado de todos nós e para todos nós também.)

Estou aqui no Araújo vivemos hoje uma crise de liderança e clareza política. Tem uma geração nova vindo aí que precisa superar o obscurantismo e a malandragem e ideologização por exagero nos debates.

Apresentando a contribuição ao debate sobre a luta de 2015. Precisamos fazer este debate com muita clareza nas escolas antes da assembléia.

Creio que você e os demais jovens do CPERS poderiam construir um fórum amplo para superar está confusão que eu vejo na velha guarda.

E eu creio que isso pode ser decisivo para construirmos uma estratégia de recuperação das perdas.

A conjuntura será superada com estratégia não com táticas. Temos no CPERS o mesmo quadro dos partidos de esquerda do Brasil hoje.

Isso significa que o CPERS tem que superar o sindicalismo tateador para avançar como movimento político.


DERROTAS NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

Nós perdemos na ALERGS não porque a direção é ruim, mas porque nossa força enquanto categoria não se traduz nas bancadas de deputados eleitos. Perdemos já na eleição dos deputados. E não adianta o esquerdismo ficar a vida inteira disputando as vagas da esquerda. Nossa vida não vai ser melhor se trocarmos os 13 deputados do PT por 13 deputados do PSOL. Vamos continuar tendo minoria. A questão é como a esquerda e os educadores que se identificam com ela – e isso inclui muitos de centro e do esquerdismo vamos combinar – vão eleger uma grande bancada que sustente nossos direitos. A derrota da assembléia por poucos votos mostra apenas o nosso limite sindical na fronteira da esfera política. Mesmo sob o prisma posto pela crítica à direção, nossas derrotas foram no limite e pressionaram muito o governo. Nãos e pode dizer que a vida do Sartori foi fácil e nem que seus projetos foram aprovadas sem resistência e sem pressão intensa das nossas categorias. Ver que o Sartori venceu muitas votações com apenas um voto de diferença mostra isto. Ver que os projetos forma tirados de pauta e que as votações vieram até 29 de dezembro mostra isso também. 


Então, temos sim a possibilidade de avançar no terreno político e ousar fazer uma política em que nossas categorias de trabalhadores e partidos de esquerda tenham maior participação da juventude e relações políticas estratégicas mais afinadas e concertadas.

domingo, 19 de junho de 2016

CORPO E ALMA EM FREUD: NÃO SUBESTIME A ANÁLISE DELE

Te confesso que Freud é um intelectual que eu jamais ousaria subestimar. E ainda me surpreendo muito com ele.

Creio que deves pensar bem mais sobre o que ele diz ali relativamente ao rompimento entre passado e futuro com a morte. Uma sugestão que ele dá sobre isto pode nos embaraçar, mas também pode nos libertar de certos embaraços.

Ele não é um Deus, nem suas idéias são sagradas, mas é preciso ler o que ele pensa com excessiva atenção e prudência.

Sugiro que pense em que substância ou qual é o lugar depositário da sua memória? Esta me parece ser uma pergunta guia para a questão posta por ele sobre a relação mente e corpo, ou corpo e alma ou espírito e matéria, nos termos que você quiser colocar ou preferir colocar por etimologia e história do conceito, com argumentos e análises conceituais ou por simples opção semântica.

Parece-me que Freud considerava o nosso corpo físico como depositário de nossas memórias, mas só me parece. Isso significaria que haveria alguma forma de registrar em nosso corpo nossas memórias sentimentais e emocionais e que nem todas elas seriam registrada em forma de uma linguagem decodificável.

Eu mesmo quero pensar mais sobre isto.

Considero, pensando melhor agora, muito mais ousada a perspectiva de Freud que envolve admitir que o corpo e a carne são depositárias da memória.

É muito fácil, confortável e consolador seguir a abordagem tradicional que simplesmente desvincula o corpo da alma.

A ousadia de Jung talvez tenha sido tentar recolocar a doutrina de Freud de novo submetida ao dualismo cartesiano com este belo otimismo sobre o destino das nossas almas, memórias e lembranças de nossa identidade.

Mas veja só então: e quem sofre de Alzheimer amigo? - perde a alma ou perde a conexão com a sua memória?

A ligação entre o passado e o futuro, representada pela nossa memória, pelo nosso feixe de experiências organizadas sob um fio de Ariadne comum, que não sobrevive a morte!

Esta é a questão! é por isto que andei usando aqui também a expressão desaparecimento para falar da morte física e espiritual de todos nós. Aos poucos vão se extinguindo nossas conexões, aos poucos esta grande trama de aço vai se transformando em barbantes esfarrapados. Se vivermos até aos 100 anos veremos.

Uma entrevista com Niemeyer é ilustrativa também. E tenho ao meu lado diversos exemplos de pessoas cujas memórias nítidas sobre o passado mais remoto ou sobre experiências sentimentais se desvaneceram.

A coisa que eu mais respeito em Freud é que ele não tenta colocar esperança onde não é necessário.

Muletas que não servem são jogadas fora. E tem um ponto na vida em que você pode decidir exatamente isto: se vai continuar esposando doutrinas confortáveis ou aceitar os indícios que a realidade e a reflexão sobre a vida te apontam.

Nós não precisamos de uma outra vida para que nela o valor desta vida ou os danos desta vida sejam reafirmados.

A conta acaba já no primeiro desaparecimento.

E você pagar ela ou não, é indiferente para a natureza.

Me parece assim que diversas doutrinas procuram insistentemente impor supremacia cultural e humana sobre a natureza.

Não digo com isto que você é obrigado a abandonar toda a tua perspectiva respeitável de reencarnação, roda de sansara, vida após a morte e etc, mas digo simplesmente: isto é uma doutrina! tens o direito de seguí-la, defendê-la. E é muito respeitável que o faça!

Mas porque fazes isto?

Freud perguntaria: é por causa da verdade que você precisa fazer isto?

Ou é porque você prefere e deseja que assim seja?

Bem amigo, há um abismo aqui entre o que podemos saber e que preferiríamos que fosse o caso.

Inclusive a possibilidade, muito interessante, de podermos ter uma outra vida mais feliz que esta que temos agora.


Parecemos jogadores perdedores que continuam confinado numa rodada melhor, na possibilidade que na outra mão venham ao acaso e pela sorte cartas melhores para nós.

MEMORIA 2011: PENSAR MAIS

E quando te disserem abra sua mente, entenda: pense mais...tenha coragem de pensar mais...o foco é um exercício...é um começo...ultrapasse a idéia enganadora e limitadora de que só é possível pensar uma coisa só, pensar de um único modo ou em uma única direção ...não reprima sua mente...talvez ela possa por ser livremente, te libertar..

PENSAMENTO DIFERENTE, PENSAMENTO DIVERGENTE - REVISÃO DE 2011

PENSAMENTO DIFERENTE, PENSAMENTO DIVERGENTE

Nunca estou pensando uma coisa só. Nunca toco uma nota só. Nunca vejo um único personagem em uma trama.

Me percebo sempre pensando em muitas coisas ao mesmo tempo. Isso poderia parecer uma perturbação, uma desorganização mental ou o efeito de uma confusão intelectual, uma mistura desorganizada de informações, opiniões e conhecimentos. Para mim é uma das características essenciais do pensamento: a sua complexidade. A necessidade de combinar ou produzir uma certa combinação de mais de um elemento para judicar, predicar, considerar ou ponderar.

Ora, pensar é ao natural e no nosso cotidiano quase sempre um fluxo de diversos discursos. Por mais concentrado que você esteja numa única coisa ou idéia, você acaba abrindo ela a uma outra relação. Aliás, você não fica repetindo uma única idéia por páginas e páginas de tua reflexão sem modificar sua forma ou seu modo de apresentação.  E é assim que a literatura nos mostra e é assim que nos mesmos nos percebemos em vigília. Um dia após o outro e por mais que todos os dias pareçam iguais você sempre muda um aspecto do modo como avista ele.

Esta variação do dia é como a variação de uma canção, de uma percepção e de uma demonstração. E também, com isto, me sinto um músico que escuta ou executa a sua composição com todas as notas de um arranjo e que vai selecionando ou mudando suas ênfases. Na mesa de som você seleciona as notas e as passagens, os instrumentos e a forma como eles somam numa única gravação. Mas quem vai mudando aqui e ali diversas coisas tem uma sensação também de descoberta. Troca notas e percebe algo novo e que não tinha visto antes, por mais que seja o autor da mudança percebe no resultado uma descoberta.

Você sabe bem do que falo aqui. Dá uma duração diferente para um acorde, muda o ritmo e faz a mesma melodia em tom mais alto ou mais baixo, abafado ou mais rítmico, acelera e ou retarda e também muda a voz, muda o tom ou muda o instrumento e descobre algo. Quando você faz este exercício começa a entender o que poderiam ser estes diversos discursos, ou a tal polifonia do pensamento e o fato de exercitá-la para encontrar algo novo.

Você percebe então a idéia de que haveriam certas paralelas de idéias num fluxo a serem descobertas em que cada uma delas está no seu ritmo e tom próprio, mas que estão relacionadas. E daí se você já teve esta experiência musical da qual falo, você lembra de muitos compositores que repetem a mesma frase de formas diferentes até compor uma canção e organizar o tempo de cada modo e os instrumentos. E você consegue imaginar então que mesmo um Beethoven, Bach, Mozart, Vivaldi e muitos outros, mesmo populares como Beatles, Bob Dylan, Neil Young...também descobrem algo ao realizarem sua obra.

Você  percebe uma constelação ou uma estrutura interna de relações entre idéias e seus elementos próprios. Assim, não é difícil pensar no que uma figura como a da cabala mostra nas relações entre as suas esferas...na música vemos as relações entre as notas, entre as colcheias, entre as linhas e entres a harmonia e a melodia...assim parece ser o pensamento também estar todo relacionado entrelaçado em outros pensamentos...como um personagem de um enredo em que há pelo menos uma personagem que estará ao final da trama ligado a todos os personagens de forma significativa de tal modo que seu sentido e a mensagem se revela...sim... é uma imagem ideal de sentido...


E a própria arte procura e encontra formas de ocultar as relações, criar enigmas e rupturas e tornar um relevo achatado na trama em um enredo com muito níveis, escalas novas e visíveis, mas também subterrâneas, ocultas e a serem descobertas ou jamais serem descobertas. A obra aberta e a obra sem revelação... Capitu contempla a dúvida de todos e as perguntas sem respostas...o pensamento à toa...

sábado, 18 de junho de 2016

PARA OS JOVENS ESTUDANTES, ALUNOS E ALUNAS DAS OCUPAÇÕES

Vejam, meus queridos e queridas, sempre haverá, todos os dias haverá, uma coisinha ou coisona importante para fazer pelos amigos e amigas, pelos colegas, pelos profis e profas, pelos estranhos, abraços para dar, olhares para trocar, escutas atentas e falas de verdade, sempre haverá algo a fazer pelas coisas que importam, comida, calor, cuidado, diálogo, boas brigas e risadas pelas escolas da vida, pela vida de todos e por si mesmo. Vejam, olhem para dentro de si e continuem acreditando na força de vocês e não parem nunca de se movimentar! Juntos, separados, em duplas, em trios em bandos e sempre terão algo para fazer...e a vida será muito legal. Vocês viram uma janela do tempo aberta e mergulharam todos para dentro dela, passaram para outra dimensão de suas existências, se transformaram e transformaram muitos à sua volta e vão ter esta história para contar e de preferência mais histórias para fazer, tantas que não haverá tempo de contar...continuem felizes apesar de tudo, continuem lutando apesar de tudo e gritem vitória ou glória para sempre!

VER O TAL DE VAN HATTEN ATACANDO A PRESIDENTE DO CPERS É DE ÚLTIMA

Isso é de uma estupidez que só. Os professores sendo massacrados, alunos sendo massacrados e o imbecil ocupado em perseguir um partido ou diminuir a legitimidade de uma luta absolutamente justa. É um fascista. Se tirarem o difícil acesso de 70% dos professores e professoras e funcionários, somando isto aos constantes atrasos nos salários, ao não pagamento do 13º e ao achatamento dos salários, pois recebemos afinal só 28% do piso salarial nacional, eles acabam com a educação pública. E impondo o PL 44, então, a escola pública já era. É uma covardia o que fazem com a gente. E tem uma criatura como esta se achando líder de alguma coisa importante. Não tem noção do ridículo mesmo. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

ALUNOS, ALUNAS, OCUPAÇÕES E LOROTAS - 10 DE JUNHO

Os alunos e alunas estão fazendo aquilo que precisa ser feito, da forma que precisa ser feito. Não vai adiantar nada tentar enrolar eles ou inventar respostas vagas ou imprecisas. Estão muito brabos com propostas sem prazos e sem previsões. São muito sérios. O tempo da lorota governista acabou! Os governos de mentira e as conversas fiadas não funcionam mais mesmo.

E está é somente a primeira onda de ocupações. Imagino que milhares de outros jovens estão assistindo este ciclo de 150 primeiras escolas e que o número de escolas possa dobrar. Pois vai ser contagiante e muito robusto o processo de multiplicação e consolidação da tática. Surgem diversas lideranças em cada escola ocupada. E novas relações sociais, culturais e políticos estão se estabelecendo como nunca ocorreu antes. E este é um sinal de maturação política muito forte. E aqui servem de exemplo para os demais colegas e militantes sociais. Estão se entrosando, estabelecendo laços, se organizando e dialogando em todas as regiões, nas cidades e nas escolas de forma muito rápida também. E não sofrem de certos males de divisionismo e tentativas de tutela intelectual.

Basta ver os padrões de resposta à carta do governo. Seguem uma linha muito firme de resistência e crítica ao que eu chamo de lorota. A mentira, a enrolação e forma autoritária e ignorante da postura do governo é contestada pelos jovens de forma rigorosa. E ao contrário do que o governo esperava a repetição aqui e ali dos ultimatos de desocupação só aumenta a convicção dos jovens. O diálogo retardado e enrolado, a demora em responder e as temáticas de impugnação da legitimidade da luta dos jovens só aumentou a resistência.
E, é bom que se diga, os jovens estão absolutamente antenados com os professores no sentido de preservar a autonomia do seu Movimento, mas em parear a greve com as ocupações na exigência de uma resposta consistente do governo. Os dois PLs, o 44 e o 190, da privatização da escola pública e o da escola sem partido, estão na mira dos dois movimentos e precisam ser retirados da pauta da assembleia legislativa.

Eles nos ajudam muito sustentando a pauta completa que apresentaram ao governo. E a exigência de recursos para manutenção e reformas das escolas é também muito forte em todas as falas deles. Você não percebe em nenhum aluno algum grau de incerteza nas posições deles.

Nós professores e funcionários grevistas temos que aproveitar a unidade conquistada com eles, reconhecer toda a importância deles e continuar a avançar neste tempo sobre todas as demais escolas num diálogo com todos os colegas. Este diálogo deverá prosseguir e ir consolidando cada vez uma base maior para nossa luta.

Eu defendo, e tem sido aceito, que todos os ataques sofridos por nós e no caso dos alunos e alunas merecem nossa resposta mais dura e séria possível: que é o pedido de afastamento das direções e equipes diretivas que promoveram e incitaram violência entre os alunos, ou entre pais e alunos. Quem não consegue arbitrar um conflito desta natureza e promove o desrespeito aos direitos dos jovens não está em condições de dirigir uma escola pública. Após a greve e as ocupações temos que tomar a iniciativa de exigir o afastamento e a abertura de processo administrativo e se necessário transferir de escola e comunidade quem não for capaz de proteger nossos alunos e alunas e construir a solução pacífica de conflitos. 

É inadmissível que os alunos e alunas que lutaram em defesa da educação tenham que após tudo isto sofrer em suas comunidades escolares qualquer forma de retaliação, perseguição ou constrangimento. Temos que ser muito firmes nisto. E aproveito para solicitar cópias das ocorrências e testemunhos dos alunos e alunas para substancializarmos a denúncia junto ao MP, ao Conselho Tutelar e à Administração Estadual nas formas da lei e segundo as previsões estatutárias e legais. O tempo da lorota, do autoritarismo, da política do medo, do amedrontamento e de um padrão pouco exigente de negociação acabou. E devemos reconhecer que os alunos estão contribuindo e muito com isto. E isto tem consequências também para nossas organizações, decisões e discussões.


A posição expressa por todas as entidades responsáveis sobre as ocupações deveria ser levada em consideração por todos também. O governo deve se curvar à realidade da crise na educação estadual e parar de tentar constranger os estudantes e educadores ou menoscabar suas responsabilidades.

FINGIMENTO TAMBÉM FAZ MAL À EDUCAÇÃO - 12 DE JUNHO

A tal normalidade prometida é uma violência e um desrespeito aos educadores e estudantes. As escolas não estão sem aulas por causa das ocupações ou pela greve dos professores, mas porque a situação da educação gaúcha é insustentável. Estão sem aulas pelo descaso de um governo que trata os servidores e estudantes com desrespeito, que não apresenta proposta enquanto prossegue na farra, e que ataca com covardia os trabalhadores parcelando salários e não somente não pagando o piso, mas também lhe retirando rendimentos e muitas ameaças, e trata-se de um governo que faz das políticas públicas uma brincadeira em seu tempo de folga. É um governo que finge seriedade e responsabilidade. E se você aceita isto também está fingindo. As escolas não têm aulas e o responsável disso é o governo. Parem de fingir que a culpa é dos educadores e estudantes e nos ajudem a defender a educação.

INCITANDO A VIOLÊNCIA CONTRA ALUNOS EM OCUPAÇÕES? - 12 DE JUNHO DE 2016

Contra a incitação à violência por parte do governo, de direções de escolas, país e professores alertamos a todos. Os diretores de escolas, e suas equipes diretivas devem ser afastados caso promovam violências entre alunos, contra alunos ou professores. E todo professor ou professora, cidadão ou quem quer que seja que cometeu ou incitar violência contra os alunos deve sofrer sindicância administrativa e processo crime na justiça. O governo do estado, o governador e seu secretariado também devem ser passíveis de responsabilização caso a situação de impasse entre governo e educadores, entre governo e estudantes descambe para conflitos e violências, principalmente por incitação à violência contra os alunos nas ocupações. O que estes indivíduos cometeram e cometerem contra os estudantes em algumas escolas é inadmissível. E quem faz isto que o governo ousa fazer não tem limites. Imagine o que fará depois da greve e das ocupações. Não podemos negociar com este e sobre este ponto. Não tem perdão para esta covardia e irresponsabilidade, que a justiça seja feita e que o arbítrio seja punido. E peço para os colegas ou cidadãos que flagrarem incitação a violência que levem isto para a delegacia de polícia mais próxima e registrem BO. Já tem professor e professora respondendo a inquérito por ai. E o melhor favor que vocês podem fazer contra isto é denunciar o perfil e a postagem imediatamente, denunciar o emissor da mensagem que incita a violência seja lá quem for. Não podemos nos omitir e ser coniventes com a promoção da violência por parte do poder público, por parte de orgãos de comunicação que são concessões públicas e por parte de qualquer cidadão ou cidadã.

CHEQUE MATE SARTORI! - 14 DE JUNHO

O governo alega que só negocia se houver desocupação. E nós só desocupamos se houver negociação. Ora, a ocupação é justamente porque não há negociação. O governo é sem noção, convenhamos. Vamos resistir!