sexta-feira, 15 de novembro de 2013

TRÊS FILMES DA SEMANA: LINCOLN (2012), HANNAH ARENDT (2013), UM MÉTODO PERIGOSO (2011) - DESTAQUE PARA SABINA SPIELREIN

Esta Semana assisti três filmes muito bons. Começando por Lincoln (de Stephen Spíelberg 2012), passando por Hannah Arendt (Margarethe von Trotta 2013) e, enfim, Um método perigoso (de David Cronenberg, 2011). Curiosamente os três filmes falam de personagens reais e extremamente interessantes, importantes e decisivos para a nossa história e a história da humanidade. 

Lincoln, num desempenho extraordinário de Daniel Day-Lewis, com textos muito bons, tiques muito bons e um enredo bem realista com um roteiro muito preciso na minha opinião> Suponho que seria considerado um filme comunista pelos caçadores de comunistas dos anos 50, 60 e 70, e que, mesmo hoje, deve ser considerado comunista pelo SEA PARTY em bloco, sem discussão e sem nenhuma reflexão. Recomendo muito.

Hannah Arendt me surpreendeu muito positivamente com a direção e a forma como as expressões filosóficas de Hannah, as agruras existenciais de Hannah e o profundo conflito de suas ideais com seus contemporâneos e amigos é apresentada. E, já tratei parcialmente disto, gostei muito da forma cuidadosa e muito inteligente como a diretora trata a relação Heidegger e Hannah. Só esta relação ao meu ver merece um filme e penso que Margarethe von Trotta nos mostra sua ampla capacidade de fazê-lo, com as cinco pequenas pinceladas que deu nesta tela que merece ser reconstruída, restaurada e apresentada, tanto pela sua situação ímpar quanto pela importância dela para a história do pensamento no século XX e as agruras dele também. Chego a ficar imaginando aqui um roteiro para isto e considerando que o tom que ela emprega nas poucas passagens de ambos é o ideal. 

Um método perigoso (2011) me agradou não tanto por sua forma, enredo, roteiro, atuações, direção e etc. Mas sim porque me trouxe ao conhecimento a história, as ideias e a importância de Sabina Spielrein para o desenvolvimento da psicanálise, sua relação com Jung (a descoberta da chamada ANIMA) e sua relação fundamental com as ideias de Freud da obra Para além do Princípio de Prazer e o desenvolvimento da nossa compreensão da relação entre Eros e Tânatos e a teoria das pulsões e, ao mesmo tempo, as ideias seminais e muito interessantes o originais sobre a origem da linguagem e a formação dos atos de fala das crianças em relação a musicalidade e outras coisas mais.

O filme me levou, portanto, a uma descoberta e também a um esclarecimento maior sobre certos detalhes analíticos que já discutia em meados dos anos 80 com o meu grande amigo já falecido Bruno Ellwanger e outras pessoas e amigos de um circuito alternativo, que eram interessadas também em Jung, Freud e o que poderíamos chamar de uma certa crise da civilização. Na época eu lia a obra a Energia Psíquica e ficava um bom tempo pensando na relação entre Anima e Animus em paralelo ao princípio de prazer e a pulsão de morte.  Eu pensava que aquela ideia só poderia ter saído de forma consciente da cabeça de uma mulher, porquanto para mim na cabeça do homem só encontramos vestígios da dor da morte não de sua força. Audaz como eu era, passava um bom tempo fazendo muitas discussões sobre isto. Olhava para As doenças mentais e as avistava como calcadas em doenças coletivas e síndromes individuais de um certo, ao meu ver já na época, desequilíbrio volitivo ou, em outras palavras, das frustrações do desejo e do ego frente ao princípio de realidade.  Supunha sumariamente que as causas de sofrimento e destruição estavam ligadas de forma reativa a estas experiências. Eu, em outras palavras, racionalizava.  E eis que encontro, a partir de uma pesquisa rápida aqui na rede, e após ler várias resenhas do filme também interessantes, uma bela tese de doutorado sobre a autora em língua portuguesa que faço já questão de citar para saciar a curiosidade sobre isto. Veja CROMBERG, Renata Udler. O AMOR QUE OUSA DIZER OS EU NOME: TESE DE DOUTORADO. São Paulo: USP, 2008, 549p.Aqui link para a tese da USP.

Para o filme: UM MÉTODO PERIGOSO


Um abraço amigo. 
    

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