O Outro lado desta argumentação é que afinal, por conta disto, os deuses – planetas e suas representações divinizantes e seus nomes divinos – estão submetidos a uma ordem e direção que ou lhes refuta a divindade por absoluto ou lhes tira toda liberdade de terem seus caprichos e suas vontades de ir e vir ao que bem lhes der na telha.
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
segunda-feira, 18 de março de 2013
TALES DE MILETO CONTRA OS DEUSES?
Ruminando e revendo sempre a grande idéia ou percepção de Tales e de outros de que o cosmos é ordenado e que todas as estrelas andam em ciclos determinados, elas seguem regras - é o fim de toda a liberdade dos deuses, eles seguem regras. Não podem, inventar mais nada, estão presos às rodas do seus próprios destinos.
SÃO LEOPOLDO EM DEMOLIÇÃO: UFRGS PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Tenho orgulho de ver minha Universidade - UFRGS - investindo em patrimônio histórico com apoio dos alunos, professores, ex-alunos e de toda a comunidade interessada....um projeto que se iniciou de forma decisiva no início dos anos 90 e que já dá muitos frutos em preservação, conhecimento e desenvolvimento de técnicas e conceitos para todos...e lamento profundamente que em minha cidade natal onde a história poderia ser muito mais valorizada e preservada a ganância de herdeiros desesperados e incapazes de sobreviver sem dilapidar suas heranças, negam a possibilidade de atuar para preservar suas heranças e patrimônios e optam pela demolição dos imóveis que dão testemunho de uma história magnifica que por eles é profundamente desconhecida...e lamento que toda uma geração de engenheiros e arquitetos compactue com isso produzindo projetos que adulteram a história, zeram o que há de significativo nestas obras e ao mesmo tempo erguem prédios cuja arquitetura tem expressão nula do ponto de vista criativo e construtivo...vejo lojas esqueletos de dois pisos serem erguidas com sistemas pré-montados ali onde haviam casas com identidade própria....não vejo nenhuma solução de preservação e de restauração em lugar algum....e claro o problema é político.....mas não é só político...as pessoas que fazem isto tem relações econômicas e projetos econômicos....assim como também vejo aqueles que deveriam defender os interesses públicos, da cultura, da história e do respeito a memória fazendo vistas grossas e permitindo que os interesses exclusivamente privados e econômicos tenham supremacia...o que é aquela Casa da Central? uma absurda demonstração de que lugar para dois ônibus, vale mais do que um prédio histórico, com fachada original....e não adianta lutar? ...acho que adianta sim...nem que seja para dar testemunho e registrar na memória de amigos e amigas isto que acontece de tal modo que na próxima possibilidade de se reverter este quadro se consiga finalmente optar pela nossa cidade e não por alguns poucos janotas e exterminadores do passado....São Leopoldo, a terra talvez mais pisada deste estado perdendo suas história, assim, sem cerimônia, sem nenhuma consideração....
domingo, 17 de março de 2013
SERÁ QUE A FILOSOFIA VAI PARAR?
Um aluno pergunta: Será que a filosofia pára um dia? Eu respondo, vamos continuar assim como os cientistas, inventores e descobridores, enquanto houverem perguntas, enquanto as perguntas possam ser melhor elaboradas, enquanto forem possíveis as respostas e/ou melhorar as respostas dadas e também enquanto for possível pensar um pouco mais...ou pensar um pouco além do que tem sido pensado antes de nós...então não vamos parar...a filosofia não se acaba, não tem um fim, assim como as ciências em geral....
sexta-feira, 15 de março de 2013
TALES DE MILETO: NOTAS 1
Na releitura de Tales de Mileto (circa 624-545 a.C.), hoje encontramos ainda muitas coisas que intrigam em seu itinerário.
As descrições que encontramos nesta passagem a seguir demonstram ainda uma parte disto:"o observador da natureza, o inventor genial, o político empenhado na luta contra os persas, além de geômetra, astrõnomo e um observador do céu tão atento ao ponto de distrair-se e cair em um buraco de rua" (in: NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: Das origens à idade moderna. São Paulo: Globo, 2005, p. 13)
Na minha atividade, em um plano de aula, sinto com frequência a força das suas idéias que me levam a pensar sempre mais longe e também a me espantar sempre. É é muito incrível mesmo que se consiga suprir tantas lacunas de uma história arrumando em cadeia a observação do Cosmos, a interrogação sobre o arche e a resposta baseada na physis. Pelo menos esta é a estratégia que eu estou usando.
Não se sabe bem ao certo como e quando isso gera a descoberta do logos grego, mas se percebe ao tratar do tema que ele está bem perto como um espírito que paira a nos observar em nossas tentativas de interrogação, investigação e solução de um problema que resolve ao mesmo tempo muitos outros...em 28 de maio de 585 a.C. ocorreu o eclipse previsto por Tales.
Me dá a impressão de que ocorreram muitas outras coisas neste dia. Alguns dizem que a filosofia nasce neste dia e haveria de ser assim considerada porque Tales prova finalmente que seu logos consegue desvendar as regras da physis em ação no cosmos. Outros afirmam que esta data marca a acme de Tales de Mileto, ou seja, o seu florescimento ou principal fruto.
E é um mistério bem grande o fato de que ele não deixou nada mais do que três proposições filosóficas das quais temos apenas testemunho e doxografia. Numa pesquisa rápida encontrei muitas informações dispersas sobre ele. Algumas com fontes de suas origens outras parecem mais depoimentos lendários. Mas dá para se imaginar o universo dos conhecimentos dele como muito vasto. Assim, o vemos como o Primeiro Filósofo, Primeiro Físico, Primeiro Geometra (no sentido de um pensamento abstrato), Primeiro Cosmólogo e, como afirma Michel Serres o Primeiro Logos ( inventor do logos grego).
Também fico admirado que boa parte dos seus conhecimentos que representaram então um salto gigantesco para o futuro ficam meio que abandonados nas aulas de filosofia de muitos professores. Sempre confiei muito nele como primeiro autor, apesar de enfrentar algumas vicissitudes nas primeiras vezes que comecei por ele, hoje vejo como algo absolutamente maravilhoso que a filosofia comece coma proposição o "arche é a água". Ou, como nos diz Hegel, Nietzsche e Heidegger em seus comentários come sta proposição de que "tudo é um" que possui a maravilhosa forma lógica da grande ambição filosófica grega que é pensar o todo e dar um corpo articulado e integrado a todos os conhecimentos que estavam aqui e ali no mundo antigo.
Eu não consigo ficar assim em relação a ele, tendo em vista que seus pensamentos reúnem em si um grande movimento. Movimento este que perfaz e revisa a totalidade dos conhecimentos, informações e técnicas do mundo antigo. Penso nisto quando leio todos os pré-socráticos e adiciono a eles outros gregos que produziram conhecimentos e aquilo tudo que chamamos de ciência grega. Sim, penso que o movimento iniciado por Tales é sim uma nova síntese, se não o considerarmos a primeira grande síntese.
Ao mesmo tempo fico a ver que o cotidiano deste homem parecia ser tão carregado de afazeres e descobertas, reflexões e observações....que me deixa também incrédulo o número parco de conhecimentos que temos dele, pois tudo sobre o qual nos baseamos são reconstruções.
Será que ele passava os dias tão ocupado que não podia escrever? E não tenho dúvida que ele era muito ocupado e operante, apesar de imaginarmos um bom tempo dedicado a reflexões..
Optava mais por suas operações na sua oficina - que suponho que todo homem prático tem e gosta de ter.
E imagino que - como nos são narrados seus dias e sua fama - que ele eventualmente e talvez mais frequentemente ao final da vida recebia algumas vistas para transmitir seu conhecimento e buscar seus conselhos.
Será mesmo que ele não sabia escrever?
Bem não sobrou nada de um texto de Tales e é algo assombroso para mim o fato de fazermos este esforço para ir tão longe no tempo e encontrar este logos muito ativo e produtivo que ele inventou.
Me parece que não há nada nos movimentos e pensamentos dos seus sucessores, que não tenha sido de alguma forma tocado por ele, seja em semente, seja em frutos das suas primeiras reflexões.
As descrições que encontramos nesta passagem a seguir demonstram ainda uma parte disto:"o observador da natureza, o inventor genial, o político empenhado na luta contra os persas, além de geômetra, astrõnomo e um observador do céu tão atento ao ponto de distrair-se e cair em um buraco de rua" (in: NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: Das origens à idade moderna. São Paulo: Globo, 2005, p. 13)
Na minha atividade, em um plano de aula, sinto com frequência a força das suas idéias que me levam a pensar sempre mais longe e também a me espantar sempre. É é muito incrível mesmo que se consiga suprir tantas lacunas de uma história arrumando em cadeia a observação do Cosmos, a interrogação sobre o arche e a resposta baseada na physis. Pelo menos esta é a estratégia que eu estou usando.
Não se sabe bem ao certo como e quando isso gera a descoberta do logos grego, mas se percebe ao tratar do tema que ele está bem perto como um espírito que paira a nos observar em nossas tentativas de interrogação, investigação e solução de um problema que resolve ao mesmo tempo muitos outros...em 28 de maio de 585 a.C. ocorreu o eclipse previsto por Tales.
Me dá a impressão de que ocorreram muitas outras coisas neste dia. Alguns dizem que a filosofia nasce neste dia e haveria de ser assim considerada porque Tales prova finalmente que seu logos consegue desvendar as regras da physis em ação no cosmos. Outros afirmam que esta data marca a acme de Tales de Mileto, ou seja, o seu florescimento ou principal fruto.
E é um mistério bem grande o fato de que ele não deixou nada mais do que três proposições filosóficas das quais temos apenas testemunho e doxografia. Numa pesquisa rápida encontrei muitas informações dispersas sobre ele. Algumas com fontes de suas origens outras parecem mais depoimentos lendários. Mas dá para se imaginar o universo dos conhecimentos dele como muito vasto. Assim, o vemos como o Primeiro Filósofo, Primeiro Físico, Primeiro Geometra (no sentido de um pensamento abstrato), Primeiro Cosmólogo e, como afirma Michel Serres o Primeiro Logos ( inventor do logos grego).
Também fico admirado que boa parte dos seus conhecimentos que representaram então um salto gigantesco para o futuro ficam meio que abandonados nas aulas de filosofia de muitos professores. Sempre confiei muito nele como primeiro autor, apesar de enfrentar algumas vicissitudes nas primeiras vezes que comecei por ele, hoje vejo como algo absolutamente maravilhoso que a filosofia comece coma proposição o "arche é a água". Ou, como nos diz Hegel, Nietzsche e Heidegger em seus comentários come sta proposição de que "tudo é um" que possui a maravilhosa forma lógica da grande ambição filosófica grega que é pensar o todo e dar um corpo articulado e integrado a todos os conhecimentos que estavam aqui e ali no mundo antigo.
Eu não consigo ficar assim em relação a ele, tendo em vista que seus pensamentos reúnem em si um grande movimento. Movimento este que perfaz e revisa a totalidade dos conhecimentos, informações e técnicas do mundo antigo. Penso nisto quando leio todos os pré-socráticos e adiciono a eles outros gregos que produziram conhecimentos e aquilo tudo que chamamos de ciência grega. Sim, penso que o movimento iniciado por Tales é sim uma nova síntese, se não o considerarmos a primeira grande síntese.
Ao mesmo tempo fico a ver que o cotidiano deste homem parecia ser tão carregado de afazeres e descobertas, reflexões e observações....que me deixa também incrédulo o número parco de conhecimentos que temos dele, pois tudo sobre o qual nos baseamos são reconstruções.
Será que ele passava os dias tão ocupado que não podia escrever? E não tenho dúvida que ele era muito ocupado e operante, apesar de imaginarmos um bom tempo dedicado a reflexões..
Optava mais por suas operações na sua oficina - que suponho que todo homem prático tem e gosta de ter.
E imagino que - como nos são narrados seus dias e sua fama - que ele eventualmente e talvez mais frequentemente ao final da vida recebia algumas vistas para transmitir seu conhecimento e buscar seus conselhos.
Será mesmo que ele não sabia escrever?
Bem não sobrou nada de um texto de Tales e é algo assombroso para mim o fato de fazermos este esforço para ir tão longe no tempo e encontrar este logos muito ativo e produtivo que ele inventou.
Me parece que não há nada nos movimentos e pensamentos dos seus sucessores, que não tenha sido de alguma forma tocado por ele, seja em semente, seja em frutos das suas primeiras reflexões.
segunda-feira, 11 de março de 2013
A ENTREVISTA DE FREUD NA BBC
Bom Dia....
A entrevista de Freud na BBC, seu tom de fala e as posições que ele expressa, aqui FREUD BBC 1938 me
parece muito boa para aqueles que gostam de observar detalhes e perceber
diferenças qualitativas entre os dizeres.
E Freud é um senhor ai ao fim de sua vida, mas ainda preserva um rigor em sua fala e s enota a seleção pensada das palavras que ele usa.
E Freud é um senhor ai ao fim de sua vida, mas ainda preserva um rigor em sua fala e s enota a seleção pensada das palavras que ele usa.
Freud dá aqui um depoimento
pessoal da sua história e apresenta um tom de fala muito interessante que me
desperta muitas formas de compreensão.
Sobre as desventuras, amarguras e
conquistas de uma trajetória que começa contra a corrente dominante do
pensamento de uma época e acaba se constituindo como um alternativa a isso por
persistência, inteligência, habilidade, paciência e muito trabalho.
Alguns falam em um marketing
freudiano, mas ousaria dizer que não é bem assim. Ainda que você possa e deva admitir,
em minha opinião, e de muitos especialistas, a grande capacidade expressiva e
literária de Freud como um grande triunfo na sua empreitada de conversão e
ruptura frente a um pensamento dominante de uma época.
É que aquilo de resistência que
ele enfrentou no seu início de jornada parecia muito mais inercial e habitual
do que propriamente militante, ainda que saltassem muitos advogados contrários
as suas idéias, este tabu com relação à sexualidade e à sua abordagem psicanalítica
foi sendo derrubado pelo tempo.
O tempo, sim, a passagem dos trabalhos
e dos dias que ia levando à derrocada ads resistências e não pela melhor
estratégia.
È impossível não lembrar aqui de
Thomas Kuhn e sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas, em que chega um
ponto em que um paradigma só perde a vez porque justamente seus principais
defensores desaparecem. Mas isto não tira nenhum mérito do trabalho e do pensamento
de Freud. Ao contrário, constituir um paradigma alternativo e forjar uma
alternativa ao pensamento dominante é sempre uma grande obra.
Mesmo que todos os critérios para
a sua demonstração sejam difíceis, mesmo impossíveis de serem encontrados;
mesmo que a verificabilidade de suas proposições, sentenças e princípios seja inaceitável
e fortemente recusada por uma razão da moral dominante e mesmo que nenhuma ciência
seja capaz de dar às mesmas aquilo que todas as proposições científicas desejam
ostentar como seu máximo atestado “uma verdade justificada e comprovada formalmente
e materialmente”.
Talvez assim alguns comentários e
leitores se dêem conta de que a melhor estratégia precisa muito do tempo e que
a nossa vida dure um pouco mais que aquela de nossos adversários ideológicos,
científicos ou filosóficos.
Mas então seria uma ventura que
isto ocorresse?
Parece que sim.....e nada mais
absurdo do que imaginar que isto é fácil.
Freud conseguiu...
ainda que ali em 1938 - ao final
da vida - ele diga que continua lutando...que a luta para afirmar suas idéias deva
continuar ainda mesmo assim, após tudo....
VEJAMOS O TEXTO DA ENTREVISTA:
“Eu comecei a minha atividade
profissional como um neurologista tentando trazer alivio para os meus pacientes
neuróticos. Sob a influência de um amigo mais velho e por meus próprios
esforços, descobri alguns fatos novos e importantes sobre o inconsciente na
vida psíquica, o papel dos impulsos instintivos, e assim por diante. A PARTIR destas
descobertas surgiu uma nova ciência, a psicanálise, um novo ramo da psicologia,
e um novo método de tratamento das neuroses. Eu tive que pagar caro por isso e tive
também um pouco de sorte. As pessoas
não acreditam nos meus fatos e pensam que minhas teorias são desagradáveis. A Resistência era forte e implacável. No final, consegui conquistar discípulos
e criar uma Associação Psicanalítica Internacional. Mas a luta ainda não acabou.” ENTREVISTA A BBC 1938 - Sigmund
Freud.
domingo, 10 de março de 2013
SAUDADES DOS MEUS AVÕS MATERNOS E DE MINHA TIA CLARA
Hoje visitei com minha mãe e minha irmã Rachel os túmulos de meus avôs maternos em São Sebastião do Caí. Wilhelm Adolf Adams (1893-1976) e Marie Krahe Adams (1902-1972) e de minha tia Clara Maria Adams (1929-1981) e fiquei por um bom tempo pensando nas lembranças e nas coisas que eles me ensinaram e que me provocaram de forma decisiva em minha primeira infãncia.
Do mesmo modo que olho para minha irmã mais próxima - Rachel, minha sogra e mãe pensando no que elas estão ensinando aos seus netos e netas olhei para aquelas lembranças que me assaltaram de súbito ali no caminho até o túmulo deles.
E me dei conta em um lampejo de como o meu mundo mudou nestes 32-40 anos, isto é, de como meus afazeres e cotidiano mudaram. No sentido de que eu tinha algumas tarefas que recebia deles e que não vejo nada parecido aquilo hoje. Pareceu-me que simplesmente as pessoas estão ai, mas que aquela relação adultos e crianças do meu tempo se desfez. Aquela conexão entre educar sobre coisas na família e fazer coisas se desfez.
Noto também que aumentou mais ainda a distância entre eles - os avôs de hoje - e o tempo dos seus netos. Mas eu ainda sinto saudades daquele envolvimento e fico tentando imaginar os conselhos que eles me dariam para as situações que enfrentamos hoje na vida cotidiana, familiar, profissional e também pública.
Não porque não me sinta confortável com minha autonomia e responsabilidade atual, mas porque dá vontade de ter um pensamento diferente para variar e ter um outro tipo de reflexão sobre as cosias porque as vezes me parece que toda esta autonomia e independência de um conselho alheio me parece tão artificial e também com um tanto de insuficiência para responder com sabedoria frente a vida atual.
Ao lembrar disto me vem à tona que ambos sobreviveram à guerra, ao nazismo e também a adaptação devida ao processo de migração para o Brasil. Eles, assim como minha mãe, devem ter passado certas dificuldades que dificilmente qualquer um de nós passaríamos hoje.
Também pensei que por outro lado isso dá um sentimento também de perda de alguma coisa. Além da saudade das pessoas e de seus humores e modos de ser que eram bem peculiares e interessantes, lembro de muitas coisas que eram bem deles e que sinto falta. Coisas e modos que nunca mais encontrei na minha vida. Do meu avô a conduta muito meditada, reflexiva e tranquila, da minha avó uma espécie de impulso matinal inventivo que eu vejo muito em mim e da minha tia a grande capacidade de conectar as notícias dos jornais com os vastos conhecimentos que possuía e a crítica dura às imperfeições e aos detalhes mal trabalhados das edições e dos textos de informação. Ela apontava o dedo para as páginas e matérias de um grande jornal sobre a mesa e me ensinou a ler e a pesnar no mundo.
Os restos físicos deles repousam lá e visitá-los hoje me levou a pensar também nas suas grandezas e nas influências que eles tiveram sobre mim e outros membros da família.
Acabei falando disto aqui pensando também na estupidez e tibieza dos jovens que hoje tentam defender, atuar e erguer valores como o Neonazismo aqui no sul.
E lembrei que meus avôs e minha tia que viveram a guerra de verdade e não este conflito ideológico imaginário e subjetivo de jovens que só ostentam símbolos, e que aquela insanidade coletiva na Alemanha jamais fez eles terem qualquer pingo de orgulho disto ou sequer carregavam em sua vida o desejo ou ilusão de ver algo assim se repetindo.
Estes jovens de hoje ignoram a dimensão nefasta e os gigantescos horrores do que estão a propor para fazer ao nosso futuro e a agressão que promovem orientados por estes valores estúpidos merece nossa profunda rejeição, reprovação e denúncia.
Tenho muita preocupação com isto porque ofende a possibilidade de termos um futuro e uma sociedade melhor e, ao mesmo tempo, é fruto de pessoas que não passam de covardes e fanfarrões aos quais faltam bons conselhos e conhecimento da história que talvez um avô, uma avó ou uma tia e tio mais experientes poderiam evitar se tivessem ainda alguma informação ou conexão com seus netos e sobrinhos.
Então esta narrativa parece uma expressão de terror e saudade ao mesmo tempo. E uma proposta de reflexão sobre o papel de cada um de nós para as novas gerações.
Do mesmo modo que olho para minha irmã mais próxima - Rachel, minha sogra e mãe pensando no que elas estão ensinando aos seus netos e netas olhei para aquelas lembranças que me assaltaram de súbito ali no caminho até o túmulo deles.
E me dei conta em um lampejo de como o meu mundo mudou nestes 32-40 anos, isto é, de como meus afazeres e cotidiano mudaram. No sentido de que eu tinha algumas tarefas que recebia deles e que não vejo nada parecido aquilo hoje. Pareceu-me que simplesmente as pessoas estão ai, mas que aquela relação adultos e crianças do meu tempo se desfez. Aquela conexão entre educar sobre coisas na família e fazer coisas se desfez.
Noto também que aumentou mais ainda a distância entre eles - os avôs de hoje - e o tempo dos seus netos. Mas eu ainda sinto saudades daquele envolvimento e fico tentando imaginar os conselhos que eles me dariam para as situações que enfrentamos hoje na vida cotidiana, familiar, profissional e também pública.
Não porque não me sinta confortável com minha autonomia e responsabilidade atual, mas porque dá vontade de ter um pensamento diferente para variar e ter um outro tipo de reflexão sobre as cosias porque as vezes me parece que toda esta autonomia e independência de um conselho alheio me parece tão artificial e também com um tanto de insuficiência para responder com sabedoria frente a vida atual.
Ao lembrar disto me vem à tona que ambos sobreviveram à guerra, ao nazismo e também a adaptação devida ao processo de migração para o Brasil. Eles, assim como minha mãe, devem ter passado certas dificuldades que dificilmente qualquer um de nós passaríamos hoje.
Também pensei que por outro lado isso dá um sentimento também de perda de alguma coisa. Além da saudade das pessoas e de seus humores e modos de ser que eram bem peculiares e interessantes, lembro de muitas coisas que eram bem deles e que sinto falta. Coisas e modos que nunca mais encontrei na minha vida. Do meu avô a conduta muito meditada, reflexiva e tranquila, da minha avó uma espécie de impulso matinal inventivo que eu vejo muito em mim e da minha tia a grande capacidade de conectar as notícias dos jornais com os vastos conhecimentos que possuía e a crítica dura às imperfeições e aos detalhes mal trabalhados das edições e dos textos de informação. Ela apontava o dedo para as páginas e matérias de um grande jornal sobre a mesa e me ensinou a ler e a pesnar no mundo.
Os restos físicos deles repousam lá e visitá-los hoje me levou a pensar também nas suas grandezas e nas influências que eles tiveram sobre mim e outros membros da família.
Acabei falando disto aqui pensando também na estupidez e tibieza dos jovens que hoje tentam defender, atuar e erguer valores como o Neonazismo aqui no sul.
E lembrei que meus avôs e minha tia que viveram a guerra de verdade e não este conflito ideológico imaginário e subjetivo de jovens que só ostentam símbolos, e que aquela insanidade coletiva na Alemanha jamais fez eles terem qualquer pingo de orgulho disto ou sequer carregavam em sua vida o desejo ou ilusão de ver algo assim se repetindo.
Estes jovens de hoje ignoram a dimensão nefasta e os gigantescos horrores do que estão a propor para fazer ao nosso futuro e a agressão que promovem orientados por estes valores estúpidos merece nossa profunda rejeição, reprovação e denúncia.
Tenho muita preocupação com isto porque ofende a possibilidade de termos um futuro e uma sociedade melhor e, ao mesmo tempo, é fruto de pessoas que não passam de covardes e fanfarrões aos quais faltam bons conselhos e conhecimento da história que talvez um avô, uma avó ou uma tia e tio mais experientes poderiam evitar se tivessem ainda alguma informação ou conexão com seus netos e sobrinhos.
Então esta narrativa parece uma expressão de terror e saudade ao mesmo tempo. E uma proposta de reflexão sobre o papel de cada um de nós para as novas gerações.
sábado, 9 de março de 2013
A ORIGEM, A TRADIÇÃO, PRÉ-SOCRÁTICOS, ARTE ISLÂMICA ORIGIBALIDADE E ANALOGIA
As vezes a necessidade de superar uma tradição ou uma situação te faz ir mais longe do que aqueles que tratam de desprezar ou de não reconhecer o seu sentido e a sua importância...assim também tem acontecido comigo em muitas coisas...quanto mais perto chego da tradição filosófica originária, mais sinto intuições poderosas que julgo me levarem para algo mais original ainda....um exemplo bem objetivo disto é a leitura e a releitura dos pré-socráticos....como me é prazeroso e desfiador ler acda um deles e tentar entendê-los tanto em seus mistérios, enigmas e revelações...assim de aforismo em aforismo vou indo....ainda tenho que pensar muito neles e agradeço muito a possibilidade de poder fazer isto...a arte islâmica me parece ter em si algo também maravilhoso, pois responde a um impulso em certa direção em virtude de um impedimento, mas assim como o logos nasce de uma certa ruptura, me parece que toda a ruptura provoca sim algo original...esta é apenas uma pequena analogia....e desenhar ela aqui assim é somente mais uma provocação ao meu pensamento e a minha imaginação...
DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES: 8 DE MARÇO SIM!!!
Boa tarde...ontem não postei nada sobre o dia internacional da mulher e no máximo curti a postagem da minha deputada estadual sobre isso. Isto aconteceu comigo muito mais em virtude do meu dia ser repleto de atividades educativas e de planejamento pedagógico de tal modo que sequer consegui parar para pensar muito no que escrever sobre isto e penso que devemos pensar muito sobre isto ainda hoje. Apesar disto, vou tentar aqui dizer porque considero importante o dia, a lembrança do dia e o destaque que alguns dão para isto no seu cotidiano e na sua vida.
Também vi surgirem várias manifestações favoráveis e que eu considero importantes, outras nem tanto, mas bem cada um faz com estas datas o que bem entende e mesmo que ocorram equívocos eu penso que a melhor forma de superar isso é dialogar, formar opinião e se for convencido mudar de opinião também.
Na minha vida este dia sempre foi lembrado, mesmo antes de ser uma data oficial ou internacional das mulheres, como a data do massacre de várias tecelãs em Nova Iorque em 1857. Assim, ele marca para mim o dia de darmos uma certa atenção e também de fazermos um balanço sobre a condição da mulher e ainda que possamos fazer isto todos os dias, a verdade é que muitos deixam de fazer isto todos os dias, pois suas outras prioridades - inclusive de algumas mulheres - se erguem acima disto. Encontrei um texto sobre a data que tem na minha opinião todo o motivos de celebrarmos, refletirmos ou lamentarmos a cada 8 de março sobre a condição da mulher. E eu tenho a opinião que a cada ano que nos afastamos desta data lá de 1857 devemos discutir sim se nos afastamos somente temporalmente ou se este afastamento trouxe melhorias à condição da mulher nas sociedades ocidentais ou orientais. E assim fazer um balanço sobre isto. Vejamos este pequeno texto:
"Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". "
Assim, penso que esta data histórica que foi reivindicada pelo movimento das mulheres é sim uma data importante. Inclusive para fazermos também os balanços das hipocrisias e das coisas que provavelmente só recebem nossa atenção porque ignoramos outras coisas. E confesso que continuo sim me preocupando coma condição feminina e penso sim que esta data deveria ser mais e mais discutida com clareza sobre a história da luta na condição feminina, mas também do diálogo disto com outras lutas.
Neste ano por exemplo, aqui no Brasil, ocorreu desta data coincidir com a desfaçatez e a cara de pau de diversos deputados em dar assento na presidência da comissão de direitos humanos da câmara dos deputados a um cidadão com notórias opiniões contrárias tanto aos negros, quantos aos homossexuais, quanto aos direitos das minorias e ainda que as mulheres não sejam uma minoria eu sei que muitas minorias tiveram suas primeiras defesas justamente a partir da força da luta de movimentos construídos por mulheres. Então penso sim que a data é importante até mesmo para que todas estas lutas continuem.
Assim, desconstituir esta data e sua importância é quase a mesma coisa que tirar da agenda e do calendário um dos muitos momentos de balanço e de discussão desta e outras questões que envolvem nossa disposição para pararmos nossos afazeres cotidianos e pensarmos um pouco sobre isto de forma mais rigorosa, consequente e com efeitos práticos.
Salve o dia internacional das mulheres e que esta grande luta continue e seja mais vitoriosa!
quarta-feira, 6 de março de 2013
NÃO FALA MAL PORQUE ELE É DE VERDADE: CHORÃO, FILOSOFIA, NIETZSCHE, TRAGÉDIA E SKATE
Tava lendo as letras de algumas músicas do Chorão e me dei
conta de muitas coisas:
Que eu nem sei como escolher entre tantas – vou deixar
rolar...
Olhei um monte e lembrei de muita coisa porque tenho a
opinião que ele pode ajudar sim a filosofar.
Ao contrário do que pensam os certinhos, os jeitosinhos e
sensíveis ou a turminha do MIMIMI...que tem aliás boas e razoáveis razões para
serem assim.
Numa hora destas me dou conta também do meu lado grosseiro,
facão e intempestivo...
Peço escusas, pois tento muito superar isto, ou seja, sair
de uma filosofia de oficina, para uma filosofia de salão. Digamos assim.
Mas é um traço característico desta pessoa ter que lidar
com isso: consigo mesmo e as idéias dos outros ao mesmo tempo.
E é um impasse que ficou mais marcado ainda pela filosofia
do martelo de Nietzsche.
Digamos que foi uma temporada juvenil de leitura do volume
dos Pensadores de Nietzsche que gerou este tipo de viés e marca.
Ainda que eu tenha na minha caixa de ferramentas um bom martelo
de borracha para retoques e acabamentos já em uso a um bom tempo.
Mas temos que pensar mais sobre isto: sobre a conexão entre
arte e tragédia também no mundo contemporâneo e não somente entre os gregos, ó
Fídias.
E é uma curiosidade isto que mesmo hoje todos os artistas
que ajudam ao filosofar são meio trágicos
E a coincidência do dia é que estava mesmo lendo e relendo uns
livros sobre Nietzsche – na tentativa de encontrar as sementes do filosofar –
assunto que me ocupa bastante hoje e nestes dias todos deste ano.
Ontem adquiri a biografia Nietzsche: Biografia de uma tragédia de Rüdiger
Safranski em que ele dedica justamente o primeiro capitulo a analisar a relação
entre a música e a filosofia em
Nietzsche. O que é uma audácia eu diria. Pois que assim o primeiro
capítulo não é sobre nascimento, formação familiar e etc, mas sim sobre algo
que era de certa forma a maior paixão de Nietzsche: a música. (este autor
escreveu uma biografia sobre Heidegger que é considerável uma das melhores – e tende
a escrever estas coisas combinando a filosofia e o desenvolvimento filosófico
destes personagens ao longo da obra como um ourives.)
Mas dá para aproveitar algumas coisas sim do compositor
Chorão.
Ele tratava sucessivamente da busca da felicidade e da
busca da sabedoria...
E se preocupava muito com a expressão da verdade – e penso
que nisso se aborrecia, como qualquer um de nós se aborreceria s estivesse no
lugar dele, tendo ou não mais estofo cultural...
E pesno que este impulso dele por dizer a verdade, mesmo
que venal, mesmo que cruel era algo muito forte e decisivo na sua
personalidade.
Apesar das coisas erradas (para não dar aqui outro nome
para isto) que ele já fez – e nem tenho um levantamento disto e nem quero ter;
acho uma bobagem julgar a existência de uma personagem visceral como esta a
partir disto, não creio que o visceral nele seja muito mais que a forma de
existir, ainda que contamine todo o conteúdo, mas me dou conta sim do conteúdo.
Olho e leio as jóias e os rubis, as pedras que ele jogou e que ele escreveu e
cantou e vejo muitos que valem e são importantes, vejo flores e vejo amores como
via na poesia de um Cazuza também.
Mas temos considerar
aqui que ele foi tentando e tentando errou
a acertou – isso aliás é algo bem com,um no skate e só quem anda sabe...vc
cai um montão de vezes até a manobra ou aquilo que vc queria fazer ficar redondo
ou do jeito radical que vc queria...
Mas nenhuma pessoa muito legal que
eu conheço ou conheci não errou em
algo. Não teve que cair e levantar várias vezes. Espero que
olhem para ele dando chance para outros jovens também e que abandonem a
necessidade mesquinha de construir condenações ou uma grande culpa que simplesmente
faça de novo um erro repetido com muitos artistas e heróis trágicos ao se prender
a detalhe esquecer o todo da grande inspiração e sublimação que o sacrifício da
vida destas personagens trazem.
Vá ler um pouco mais sobre o Apolíneo
e o Dionisíaco, se não consegue entender nada sobre isto. Verás que esta luta de
formas espirituais não começou hoje, não termina hoje, nem pertence a um
passado glorioso, pois é presente, se repete e se atualiza na vida de muitos,
ainda que uma grande multidão fique apenas assistindo, testemunhando e tirando
frutos doces e amargos desta velha parreira para o seu próprio vinho da vida.
Serve sim para alguma coisa ou alguma coisa aparece aí
é bom para repensar sempre
Por fim, e me deu uma vontade de andar de skate
muita vontade mesmo
isto é
ainda
tem
um
jovem
dentro
de
mim
NÃO
CHORA
NÃO CHORA, NÃO CHORA, NÃO CHORA - VOCÊ VAI ANDAR DE SKATE UM DIA - HOMENAGEM AO CHORÃO
Bem amanheceu com esta notícia
ruim da morte do cantor, compositor e agitador Chorão da banda Charlie Brown
Jr. - pois eu vou dizer uma coisa que pode parecer coisa de adolescente tardio,
mas confesso que admirava muito a letras dele e as manhas que ele usava para
fazer seus vocais e ao mesmo tempo emocionar os jovens....em algumas
apresentações dele em festivais ou nos Planeta Atlântidas - o acompanhei por
rádio ou tevê e constatei a grande energia que ele gerava com os jovens e as
pessoas em seus shows....fiquei pensando no efeito reflexivo das suas canções
também, não porque elas eram profundas ou cheias de vôos conceituais, mas sim
porque eram simples e diretas e traziam consigo belos golpes em velhos inimigos
psicológicos e individuais....era como se o Chorão enfrentasse muitos dragões
do ego e do status quo em suas canções....e carregava também suas canções com
uma grande fé na vida, uma grande fé no amor e na amizade...mas também dava
porrada nos mascarados, nos otários e etc....não penso que seja uma má educação
os jovens aprenderam a não dar moleza em certas coisas....ao contrário...creio
que faz bem ter a capacidade de desmascarar certas coisas e desmistificar
certas coisas.
Também admirava a trilha que ele tinha na MALHAÇÃO. Fui
ver agora num site e tem umas 228
canções registradas em nome da banda Charlie Brown Jr. vale a pena conhecê-las
e ouvi-las para entender talvez a transição entre a minha geração e as gerações
seguintes dos anos 80 ao ano de 2013, porque considero ele bem representativo
de alguns de nós que vivíamos em centros urbanos e andávamos de skate – muitos com
a divisa SKATE OR DIE – e também é preciso considerar que sempre se manteve com esta
filosofia até agora aos 42 anos de idade.
Ele dizia claramente que buscava a
sabedoria e só isso já é um bom exemplo para mim, meus alunos e minhas filhas.
também não dá para dizer que nestes 21 anos de estrada não houve uma produção...
mas vamos sentir falta é da pessoa, da energia e dos textos cabeção dele...por
fim, considero que com a perda dele e da Cássia Eller – que para mim eram de
certa forma um par musical – cada um na sua - se fecha um ciclo da música
brasileira urbana...tinha tanta coisa para te dizer, mas vou terminar assim:
NÃO CHORA, VOCÊ VAI ANDAR DE SKATE UM DIA, CAIR E LEVANTAR
E SER FELIZ - VALEU CHORÃO!!!!!!
terça-feira, 5 de março de 2013
A MORTE DE HUGO CHAVEZ: TAMBÉM FALTA SENSIBILIDADE HISTÓRICA NESTE MUNDO
Neste exato momento estou pensando nos destinos da América Latina e também do Brasil. E deve ser uma coisa muito pretensiosa da minha parte fazer isto, pois faz muito tempo que não ouso fazê-lo desta forma. Mas deve haver algo de muito interessante na História da América Latina que faz com que a luta pela emancipação dos povos oprimidos e explorados, desaquinhoados e desconsiderados dependa sempre de heróis, lideres e homens e mulheres que sacrifiquem sua vida pela causa.
Ao contrário de alguns conhecidos, amigos, conterrâneos e outros nunca, odiei Hugo Chavez, nem fui seu fã ou seu defensor. Sempre olhei para este homem de uma forma assombrada como olhei para o Brizola e alguns outros durante as suas jornadas e outros homens e mulheres que parecem personagens de filmes de aventuras e de histórias incríveis numa luta permanente contra o Imperialismo de várias nacionalidades, numa luta incessante contra monopólios de uma única classe social, numa luta assombrosa contra uma mentalidade subserviente mesmo de pessoas esclarecidas e cultas, com formação acadêmica e suas leituras ou daqueles que são tisnados e bafejados por uma grande inteligência que entretanto é incapaz de ultrapassar um entendimento superficial e simplista da condição real da América Latina e da história de exploração desses povos que se perpetua com idéias e posições opostas aos chavões que usam para qualificar Chavez e outros com Populismo, Democratismo ou mesmo Socialismo.
Tudo se passa para mim como se as pessoas não tivessem sensibilidade histórica, consciência histórica ou uma capacidade mínima de entender o mundo em que realmente estão vivendo. E interessante que estas pessoas ficam,s ensibilizadas com as odisséias, epopéias americanas e outras como se a luta por dignidade, liberdade e igualdade já estivesse sido encerrada la no século XIX e estivéssemos em um outro tempo. Mas não é o caso para a américa latina amigos.
Fico mesmo triste quando vejo a intensa manipulação desta história por orgãos de comunicação que fazem o serviço da desinformação e da distorção da realidade. E ainda tem a frequência ensandecida da repetição ideológica que afirma só um lado da história.
Pois eu vos direi que seria ótimo se a VEJA, a GLOBO e estes orgãos de imprensa falassem a verdade. Mas não é o caso, em nenhuma das situações em que se vê uma edição marcadamente ideológica dos acontecimentos e chega a ser notável que inteligências medianas acedam a essa impressão distorcida e forçada.
Assim, recomendo que assistam e leiam como eles tratam este acontecimento e suas repercussões sobre a Morte de Hugo Chavez e se perguntem se este "ditador" foi eleito por sufrágio e quais problemas deste pais ele resolveu nestes curtos 14 anos de governo em que ele fez o governo eleito mais longo da América Latina e o mais curto entre todas as ditaduras de direita que já tivemos por aqui.
Derramo neste momento um gole para o santo e afirmo de novo que vou torcer muito por aquele povo...porque o que tem de urubú que já tá de olho no petróleo deles e ainda tem a velha elite que quer voltar a ganhar seus quinhões lá...Que ele acendam seus charutos e brindem com suas champanhes e espumantes, porque - assim espero, não passarão disso.
segunda-feira, 4 de março de 2013
O FUNDAMENTO DO SUCESSO NÃO RESIDE SOMENTE NO SUJEITO OU NO INDIVÍDUO
Há uma grande tendência incentivada por ai de estabelecer o fundamento do sucesso no sujeito, mas eu não vejo nenhum sucesso na solidão ou sem boas relações sociais. Me sinto uma pessoa bem sucedida em muitos aspectos, ainda que não em tudo nesta vida, mas compreendo que não teria nenhum êxito sem todo apoio e ajuda que recebi dos outros. Muitas vezes dependi de uma palavra de incentivo, de uma correção ou ponderação de outros. Além disto, não consigo dissociar meus resultados de um grande jogo social em que estive envolvido durante toda a minha vida. Digo isso com muita gratidão. Inclusive, recomendo que se pense mais nisto. Minha auto estima e auto confiança já foi muito estimulada e corrigida em suas faltas e em seus excessos pelos amigos. Assim, por fim, penso muito no equilíbrio quando me toca este tema do indivíduo frente ao coletivo.
domingo, 3 de março de 2013
PARABÉNS AO AMIGO LUIS LAUERMANN E AO PT DE NOVO HAMBURGO
Parabéns ao Luis Lauermann, ao PT e aos partidos aliados pela vitória na eleição de Novo Hamburgo...não tenho nenhuma dúvida de que vai realizar um bom governo....é uma pessoa responsável, dedicada e com muita disciplina no trabalho e nas suas relações sociais e políticas...desejo muito sucesso e que a sua equipe faça valer cada voto do povo de Novo Hamburgo e todo apoio que recebeu dos militantes do PT e dos partidos que o apoiaram...quase não me meti neste processo, salvo um compartilhamento ou outro aqui....mas tive lado e posição....apesar de não ser eleitor e nem morador de Novo Hamburgo quero o bem desta cidade que é tão importante na região do Vale dos Sinos...assume a prefeitura agora um rapaz que eu conheci na luta e na organização dos trabalhadores da região, tanto os sapateiros, quanto os comerciários e as demais categorias de trabalhadores sindicalizados o conhecem bem...um grande camarada parceiro e comprometido sempre com o trabalho e a qualidade de vida das pessoas...além disso ele coordenou a escola 8 de março, cujo nome diz tudo e que para mim significa que ele vai dar uma atenção especial para a questão das mulheres nesta cidade amiga...um grande abraço e bom trabalho a todos...
sábado, 2 de março de 2013
PRIMEIRA SEMANA DE AULAS 2013
Boa tarde, bom final de semana...ainda meio zonzo com as primeiras aulas e com a grande maratona da semana de muita reunião, muita preparação e muita aula..além disso aquele calorão ontem que ajudou muito a fechar a semana com chave de sufoco...mas apesar disso, tudo correu muito bem e penso que teremos um belo ano letivo...em virtude de ter muitas aulas com disciplinas de um período terei muitas chamadas e também isso exige uma maior preparação das aulas em que vc tem que tecnicamente dar seu recado em 50 minutos e com muita precisão ainda conseguir acolher as oscilações, as pautas e as especulações e opiniões dos alunos...o resumo desta história toda é que você precisa preparar, desenvolver e apresentar uma aula com três questões básicas a serem esclarecidas e articuladas para ir amarrando conteúdo com mais clareza e facilitar o raciocínio e reflexão dos alunos e alunas...e não sobra espaço para delírios, derivações ou muitas digressões não... tem dado certo nesta primeira semana para as minhas três disciplinas de História, Sociologia e Filosofia...tenho sentido boa receptividade dos alunos e daqueles que estão inciando a docência e vamos torcer para seguir em frente com a mesma clareza...mas eu estou cansado sim...
Pensando um pouco mais agora a tarde concordo que o tempo é bem curto...sim..5 minutos para a chamada e algumas notícias e o resto é aquilo...mas dá sim para dar aula...eu tento aproveitar esta compressão para dar objetividade nas falas e no discurso e construir só com detalhes e conexões importantes entre uma proposição e outra...obrigado a nos esforçarmos mais a gente deveria aproveitar para melhorar e fazer deste limão uma limonada...de qualquer forma dizem por ai - rsss - que é só se consegue obter uma hora de concentração mesmo, então de certa forma cada professor deveria...mesmo que dessem três períodos seguidos...construir em três unidades separadas com alguma forma de pausa entre elas..no caso de ser uma exposição ou um debate dialogado..cuidar dos tempos das coisas e construir uma noção de tempo também me parece uma tarefa do pensamento e da reflexão dos professores...mas este é um bom debate e uma importante questão de método também....
Pensando um pouco mais agora a tarde concordo que o tempo é bem curto...sim..5 minutos para a chamada e algumas notícias e o resto é aquilo...mas dá sim para dar aula...eu tento aproveitar esta compressão para dar objetividade nas falas e no discurso e construir só com detalhes e conexões importantes entre uma proposição e outra...obrigado a nos esforçarmos mais a gente deveria aproveitar para melhorar e fazer deste limão uma limonada...de qualquer forma dizem por ai - rsss - que é só se consegue obter uma hora de concentração mesmo, então de certa forma cada professor deveria...mesmo que dessem três períodos seguidos...construir em três unidades separadas com alguma forma de pausa entre elas..no caso de ser uma exposição ou um debate dialogado..cuidar dos tempos das coisas e construir uma noção de tempo também me parece uma tarefa do pensamento e da reflexão dos professores...mas este é um bom debate e uma importante questão de método também....
sexta-feira, 1 de março de 2013
AS PESSOAS ESTÃO EM TEMPOS DIFERENTES
Muitas idéias....nenhuma aparentemente aproveitável ouy util...a não ser aquelas dos velhos amigos...como por exemplo do Professor João Carlos Alves Rodrigues:
"As vezes precisamos entender que as pessoas estão em tempos diferentes."
Uma provável referência a experiência de alfabetização e do ESTALO na aprendizagem da leitura, tão importante hoje para mim nas minahs aulas de filsofia e de certa forma fundamental para sensibilidade necessária a todo o educador que respeita o aluno e compreende o seu processo próprio.
Ele usava isso para me fazer ou nos fazer entender as pessoas que pensam diferente da gente e também para entender que as pessoas estão vivendo momentos diferentes das suas vidas e que não adianta forçar a barra para mudar isso. É preciso compreender.
No meu caso - agora - uso isto fazendo alusão ao fato de que nem todos os alunos vão aprender a filosofar ao mesmo tempo e que também nem todos terão um estalo filosófico, não importando a qualidade e todo o meu esforço ou de meus colegas.
Também vale isto para o fato de que emsmo os professores estão também em momentos próprios.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
SOBRE OS SALÁRIOS DOS PROFESSORES E TALS
Sim...mas eu sou professor...e professor de ensino médio e a cada dia que passa me convenço mais de que não quero fazer outra coisa, sou muito feliz na minha atividade e me sinto muito gratificado mesmo com as dificuldades e os cavacos do ofício e, ao mesmo tempo, tenho sim esperança em dias melhores....já tenho quinze anos de magistério estadual....fiz muitas greves e tive muitas conquistas....quero o piso, mas também quero manter o nosso plano de carreira...vindo de onde eu venho ter um salário garantido, um trabalho digno e perspectiva de crescimento é ótimo...quero mais e como a maioria dos professores trabalho para isto na educação pública estadual e vamos conseguir...sobre o futebol confesso que tentei mas não deu....por outro lado este é um outro problema porque muita gente fica medindo seu salário por parâmetros irreais e absurdos e com necessidades de consumo bem supérfluas....e qualquer comparação entre o salário de professor e outras carreiras é ruim....na minha opinião porque o nosso salário é baixo sim, mas também porque o de algumas carreiras e corporações é muito superior e muito alto...eu defendo teto salarial para todas as carreiras...isonomia salarial de acordo coma função....e a unificação integral das carreiras de estado nos três níveis: municipal, estadual e federal....alguém pode me dizer que é sonho isso...mas acho que é necessário...não admito que pessoas com as mesmas funções em estruturas semelhantes tenho tanta desigualdade nos rendimentos...quer um exemplo?...as secretarias de escola e os demais cargos administrativos no judiciário, legislativo e executivos...tanto no nivel técnico quanto no superior vemos absurdos garantidos por corporações poderosas...e nem vou falar das áreas específicas de formação superior porque daí é um verdadeiro escândalo: ou alguém está afim de comparar mais alguma coisa? rsss....
THE KON CONCERT - KEITH JARRETT
Neste verão retomei contato de novo com um disco que me foi apresentado na casa de uma amiga lá pelos idos de 1982. No dia que fiz contato com ele de novo completam-se 28 anos da execução desta obra-prima. É um disco que me impressiona e me alegra sempre toda vez que eu o escuto. E que na primeira vez que o escutei fiquei muito tocado pela abertura e os improvisos que ele usou para tocar aquele piano, em especial a partir dos 7 minutos da 1A parte. Passados mais ou menos 30 anos do primeiro contato com The Koln Concert de Keith Jarrett, hoje sou um pouco mais sensível e mais racional eu diria assim. Em parte por ter estudado mais, envelhecido mais, acumulado diversas experiências e também por ter iniciado um contato mais contínuo com a música a partir do Canto Coral e, ainda, possuir instrumentos musicais e meios que não tinhamos à época. E, ao mesmo tempo, dispomos de acesso, meios de estudo e pesquisa muito mais abundantes do que naquela época. Imagina que consegui desde o início de janeiro até hoje fazer várias descobertas em torno do concerto e inclusive ensaiar brincadeiras ao violão com ele. É mesmo um outro tempo este que vivemos e fico iompressionado com a s gigantescas possibilidades que estão abertas neste e em outros casos. Temos acesso pela rede a gravação integral de 66 minutos aqui com excelente fidelidade na minha opinião. Temos acesso a toda obra de Keith Jarrett aliás. Acesso a bons comentários sobre este concerto em diversas línguas e ainda - para aqueles que tocam piano e leem partituras - acesso à partitura integral adaptada do Koln Concert. Vou dar as principais referências que encontrei então e desejo bom proveito aos amigos e amigas.
GRAVAÇÃO:
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
HÁ MONSTROS EM TODAS AS COISAS - OU FIQUE FORA DISSO
Tales de Mileto - aquele jovem frajola e experto dizia: existem deuses em todas as coisas.....ele era muito arguto e sagaz....as vezes eu penso que alguns passam o tempo todo dizendo o contrário disso que há na verdade monstros em todos os lugares e em todas as coisas....e que é melhor não ter curiosidade nenhuma, não mexer em nada nem com ninguém e ficar quietinho olhando passar os trabalhos e os dias....não ter opinião também é uma forma de evitar os monstros...mas porque? bem, isto não é da sua conta! Ahhhh...tá legal!!! Tudo Bem....estou espantado contigo..deverás....nossa: MONSTROS? MESMO?
O MILAGRE GREGO
Estive pensando na minha total impossibilidade de entender os gregos...no fato de que bem pensadas as coisas a Grécia é uma coisa meio inexplicável....como explicar para as crianças que os poemas de Homero possuem uma métrica para facilitar - com rimas e etc, a memorização dos rapsodos e que eles sobreviveram graças a uma - talvez a maior de todas - façanhas de transposição da memória oral para a escritura, como explicar que o próprio Homero - essa figura gigantesca talvez não seja um poeta, mas um Deus colocado lá atrás para justificar a unidade e a veracidade moral de certas narrativas fantásticas, mitológicas, cosmogônicas e heróicas.... Aquiles, Helena, Ulisses, e ir desfiando aquelas histórias - não é todo dia que o professor chega na escola disposto a narrar resumidamente e a desafiar radicalmente os jovens a saírem do tempo atual (partiu ao passado) para talvez um tempo passado que talvez não tenha nada que ver com o nosso tempo - como afirmam os ignóbeis desenraizados....me assopra ao ouvido maqui um Totem: mas vc não podia também contar e narrar os mitos Yorubas?...sim, claro...claro que sim...mas também contar e narrar a história de Arjuna...mas voltando ao Milagre Grego e o que me impressiona nele e que me levou a escrever isto aqui: como explicar que esta proeza da memória - a passagem dos poemas de Homero ( Iliada e Odisséia), se conecta diretamente com o surgimento da filosofia, sem apelar para o uso da expressão MILAGRE? eu não sei....eu não sei....vai ter que ser assim....e alguém vai tenatr me convencer de novo de que a filosofia não surgiu na Grécia de que ela foi importada de um outro lugar mais maravilhoso, mas me lembro de uma pequena nota de um classicista: sim, talvez tudo se explique somente pela brisa nova do mediterrâneo que sopra ali em especial na costa de Mileto e o segredo está naquela terra em que um jovem plantou oliveiras e colheu frutos para fazer um azeite e tal.....e que pensando bem, foi a água de lá, foi a combinação daquela lenha no fogo, foi a natureza da pedra e do pó com os quais aqueles homens e mulheres foram feitos e formados pelos seus próprios deuses que levou isto tudo...um mistério glorioso...digno de todo meu esforço para espantar..digno de todo meu impeto para surpreender...vou clamar muito que aconteça uma tempestade na hora desta aula, para que eu faça o que já fiz um dia: aponte o dedo para a rua..para os ventos, arvores balançando e para a chuva e diga: é isto meninos e meninas - é este o motivo de tudo que digo...a força da natureza impeliu os gregos - mais do que qualquer outro povo a procurar razões, causas, explicações....ali aonde justamente todos os temerários deste mundo viam deuses e viam a possibilidade da perpétua danação...estes loucos guardaram na memória um poema de heróis e deuses...em que os heróis brigam entre si, em que os deuses brigam com os heróis e os deuses brigam entre eles para simplesmente dizer para tudo: que agora chegou a hora de começar a pensar...de investigar as causas, abandonar os culpados e tentar compreender o que acontece...venha tempestade, venha que eu te darei meus olhos, venha que eu te darei meu espanto....isso não é um milagre? não sei....não sei....não sei....não tenho certeza alguma sobre isto....
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