Powered By Blogger

segunda-feira, 13 de abril de 2020

SOBRE MEU TEXTO DA PIOR NOTÍCIA


SOBRE MEU TEXTO DA PIOR NOTÍCIA

Aceito as ponderações e críticas com respeito, mas quero deixar claro que fiz uma escolha em defesa da saúde e da vida de todos ao escrever esse texto que escancara diversos problemas nas pressuposições daqueles que querem flexibilizar o isolamento e que destaco de propósito  a atual visão exterior ao nosso país sobre o que estamos vivendo como forma de alertar para a gravidade da nossa atual situação.

Além disso, manifesto nesse texto as minhas preocupações subjetivas e as mais sinceras comigo e com meus próximos. Inclusive, meu texto é claramente em defesa da saúde e da vida daqueles que não concordam comigo ou que não entendem o que eu digo aqui. Meu texto apenas reúne e ecoa as informações já disponíveis.

O problema para mim, da perspectiva a partir da qual observo e pelo meu monitoramento de comportamentos, é que motivados pela conduta e falas do presidente, são justamente os bolsonaristas e alguns cidadãos e cidadãs desavisados que estão promovendo boicote às medidas e tentando transformar essa discussão das medidas em questão política e não técnica. E são essas pessoas que estão promovendo a sua própria exposição e de seus familiares a esse vírus terrível. Além do que, ao fazerem isso, promovem justamente o que mais precisamos evitar o agravamento e a aceleração da disseminação e do contágio pelo vírus de milhões de brasileiros e brasileiras.

Eu me sinto impelido a postar, portanto, nesse tom para contestar claramente o que eles tem dito e também para mostrar a gravidade das consequências disso. A outra crítica que recebo - e que também acolho - é de que é um texto que pode gerar pânico e terror.

Ora, eu estou transmitindo exatamente o que eu sinto, o que eu penso e alertando essas pessoas e aqueles que ainda estão na ilusão de seguir em direção a flexibilização do isolamento para tentar salvar a economia. Quem está disseminando terror, ódio e pânico são eles com dois discursos de que “vamos passar fome” ou que “vamos perder nossos empregos”. Se quiserem ajudar e a grande maioria deles tem renda e condições para tal: doem alimentos e mantenham os empregos, como outros empresários já estão fazendo. E também ajudem a pressionar o governo federal a garantir os empregos e o apoio de alimentos aos cidadãos e cidadãs do nosso país. 

É um momento muito grave. Aceito e acolho as duas críticas, mas não vou me omitir ou preservar em silêncio o que sei e o que vejo. Por fim, as escolhas livres de alguns tem implicações sobre todos nós e eu me sentiria um covarde se não acusasse essa questão. Então, escrevi esse texto com máxima responsabilidade e não temo críticas e nem contestações.

Quando decidi ser professor e adquirir conhecimentos, construir conhecimentos e também ajudar os que precisam de mais conhecimento para as suas vidas, para as suas profissões e para serem cidadãos e cidadãs mais responsáveis, decidi jamais me curvar também a qualquer constrangimento ou censura em minha ação responsável, deliberada e consciente. Também decidi colocar a minha caneta a disposição dessa luta, sem temer adversários ou inimigos, sejam eles mais racionais ou menos racionais. Então, eu apresento a minha posição e topo esse debate com minha máxima responsabilidade e determinação.

Quem não gostou, que faça melhor. Quem acha que devia ser diferente, faça diferente. Quem acredita que está errado ou impreciso, que me corrija, pois aceitarei de bom grado. Quem se perturbou demais com isso, que reflita um pouco mais sobre a minha intenção direta e não sobre algo que julgas sagrado ou que imaginas ser subliminar nesse meu texto, para mim não tem nada de mais importante nesse meu texto, do que a minha defesa da vida e da saúde do nosso povo brasileiro e aqueles que fazem ou dizem as bobagens que tentei dissolver nesse texto, estão atentando contra a vida desse povo.     

Obrigado.

A COMITIVA DE BOLSONARO NOS EUA



domingo, 12 de abril de 2020

A PIOR NOTÍCIA DO CENÁRIO GRAVÍSSIMO A CAMINHO DO BRASIL


A PIOR NOTÍCIA DO CENÁRIO GRAVÍSSIMO A CAMINHO DO BRASIL

Aos brasileiros que estão se achando os heróis da resistência bolsonarista ao isolamento, talvez seja bom contar certas coisas.

Já virou notícia no exterior que estamos a caminho de uma gigantesca calamidade, que talvez seja muito maior que a americana e que se deve a dois fatores: a conduta flagrantemente irresponsável do presidente e ao afrouxamento e flexibilização do isolamento social por uma parte considerável de brasileiros.

Ontem recebi diversas mensagens em que amigos e amigas que moram na Itália, na Alemanha e nos EUA e também outros países, me perguntaram como é que eu estava.

Sim, esses mesmos três países já pediram desde quarta-feira, também através de seus consulados e embaixadas para os seus cidadãos caírem fora do Brasil, o mais rapidamente possível.

Me perguntaram, como eu estava aguentando ou suportando a situação no Brasil e se eu não tinha medo do que poderia acontecer aqui caso o isolamento passe a cada dia a ser mais rompido e boicotado pela população que acredita em Cloroquina e que julga estar fazendo grandes coisa seguindo os exemplos do presidente. Eu disse que não estava suportando e que não estava gostando nada dessa situação.

Eu disse que estava isolado e me cuidando, mas que estava muito mais preocupado com minhas filhas, minha irmã, minha mãe e meus colegas, meus alunos e alunas, meus muitos amigos e conhecidos. E estou muito preocupado mesmo. E disse também que me sentia muito inseguro em relação a minha saúde ou possibilidade de sobrevida, em caso de contrair o vírus.

Eu, porém, não temo a morte. Não entenda isso comigo como coragem ou disposição para correr riscos. Essa morte que estamos, digamos assim, habituados, essa morte que vem repentina ou que vem demorada e com pouco ou muito sofrimento, nós não aceitamos, mas de cera forma já virou algo menos pior do que a outra forma mais torturada.

Mas eu falei algo mais para eles. Que eu temo a morte sofrida e na qual não podemos cuidar ou ser cuidados por quem amamos e quem nos ama.

E a Covid19 tem essa característica terrível. Você, a medida que a doença progride, fica isolado e sem nenhum contato com familiares ou amigos.

Chega um ponto crítico em que você é entubado e que você não pode falar mais. E muito raramente se escapa dessa etapa.

Então, se alguém acha que vai ter sorte ou que não vai dar nada, que é só uma gripezinha, a notícia é muito pior do que parece.

No Brasil, parece que o vírus ganhou uma certa mutação e variação que fez subir a um patamar semelhante dos EUA a letalidade daqueles que não eram considerados como pertencentes aos grupos de risco.

E isso faz com que estejam internados muitos jovens saudáveis por Covid19. O problema disso é o respirador. Porque não existem respiradores para todos.

E se o isolamento for rompido e se todo o esforço do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde que em São Leopoldo tem um Prefeito completamente comprometido com essas medidas para reduzir ao máximo a curva de contágio, provavelmente vamos viver o colapso do sistema de saúde em todos os lugares do país.

Isso vai causar dois tipos de óbitos por falta de leitos de enfermaria e UTIs. De um lado, os pacientes críticos do Covid19 não serão todos atendidos, mas de outro lado, todos os demais pacientes por outras doenças também não serão todos atendidos.

Se alguém acha que vai ter sorte e que vai ter um respirador, a outra notícia triste é que o respirador é o início do fim quase garantido.

Muito poucos escapam.

Então, eu me preocupo muito com meu país, com todos os estados do Brasil e com todas as cidades também.

Me preocupo com São Leopoldo e muito, porque apesar de todo o esforço da administração municipal e de muitos cidadãos e cidadãs, para reduzir o impacto da Pandemia na cidade, nessa última semana, o comportamento de uma parte considerável da população lotando ruas, lotando mercados, fazendo compra em lojas comerciais para comprar presentes de páscoa e fazendo aglomerações até mesmo em portas de banco, não me deixa com uma expectativa boa.

Além disso, tem vocês bolsonaristas que estão fazendo de tudo para boicotar o isolamento fazendo de conta que o que há por trás de fazer ou não o isolamento é somente de um lado uma questão política, ou que vão salvar a economia voltando ao trabalho, abrindo o comércio e etc.

A verdade é que, se fizerem isso e se o povo continuar se comportando assim, a ruptura do isolamento vai trazer simplesmente um segundo reforço de contágio, porque aqueles que possuem o vírus e estão assintomáticos - sem sintomas - vão simplesmente no comércio local, nas aglomerações públicas, nas portas de banco e nos mercados, contagiar todos aqueles que ainda não adquiriram o vírus e isso irá dobrar ou triplicar o número de casos e casos graves em menos de uma semana.

Então, acho bom segurarem essa onda de suicidas e que é muito arriscada para todos.

Acho muito bom manterem o isolamento ao máximo e o mais que puderem.

Será que conseguem entender isso?

#FiquemEmCasa

Daniel Adams Boeira, em 12 de abril de 2020.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Saint Patrick's Day


- Saint Patrick's Day -

- Esse Ano Não Teve -

- Acho que saiu caro isso -

Bem, eu me identifico com essa data e muito. E me sinto bem ou muito bem de chapéu verde, tomando chopp e podendo fazer algum tipo de barulho ou arruaça feliz.

Li esses dias uns debates bem idiotas de que essa festa não é nossa ou que não deveria ser permitida e etc. Na hora, eu fiquei pensando com meus botões que restaram: que diabos é isso de ficar patrulhando a festa e o gozo dos outros? Ou tentando dizer qual festa ou comemoração se pode ou não fazer. Bem, o resultado está aí. Com o Corona Vírus ninguém pode ou deve comemorar nada e não pode e não deve mesmo fazer aglomeração alguma. Agora, aceita isso, que dói menos.

Voltando para Saint Patrick's Day. Não é mesmo uma modinha para mim e quem me conhece bem, sabe muito bem que não. Apesar dessa minha aparência Deutschland, desse me fenótipo mesclado europeu que é muito visível, tô mais para um irlandês beberrão e rabugento, brigão e muito bem humorado do que para um alemão frio e cheio de autocontrole e comedimento - o que convenhamos não passa de outro estereótipo desnecessário e dispensável.

Por causa do meu sobrenome materno. Adams que é uma família mais que milenar irlandesa, eu acabei descobrindo porque as pessoas não tem o menor direito de me chamar de alemão louco ou alemão batata. Podem ter certeza que deu muito trabalho descobrir isso. Deu até uma suave crise de identidade. Mas eu superei. Digamos que minha personalidade que envolve essa soma de espírito, caráter, experiência, influências e educação, com certas propensões de humor bem geniosas.

Com a grande fome vivida na Irlanda num século qualquer da idade moderna - vá pesquisar se quiser saber exatamente, uma parte considerável dos Adams migraram para o mundo. Alguns já viviam na Inglaterra ou Reino Unido, adaptados ou sobrevivendo a dominação inglesa de outras formas, inclusive, contra ela, mas outros deram o fora. Foram cair em algumas regiões alemãs e francesas, belgas e holandesas.

Alguns outros migraram para a Nova Inglaterra e lá, pelo que se tem notícia, tiveram um sucesso razoável ou melhor, tiveram alguma importância e papel na Independência Americana o no livramento da dominação inglesa.

Você pode pensar que eu odeio os ingleses, mas não pense isso. A História que calhou deles serem esses vizinhos pretensiosos e que acreditam muito que podem decidir como a vida dos outros povos deve ser levada ou deve lhes servir aos seus interesses. A maior parte dos ingleses não tem nada que ver com Isso. Somente alguns tem essas pretensões e outros possuem esse hábito por terem sido educados e herdarem quase que uma obrigação de ser assim.

Em Veias Abertas da América Latina, o memorável Eduardo Galeano, se deu ao árduo trabalho de tecer ou reconstruir a trama que fez com que os maravilhosos portugueses explorassem as riquezas do Brasil, extraissem toneladas de ouro das Geraes e que boa parte desse ouro tenha ido parar em cofres ingleses. Ou seja, com o perdão da simplificação, como a astúcia comercial e militar inglesa conseguiu dominar Portugal, e por tabela o Brasil. Entendam, porém, amigos e amigas, meus amores que isso não é nada pessoal contra ingleses.

Isso, essa história da Inglaterra e seus êxitos extraordinários com outros povos, pode ser outro objeto de pesquisa meu caro leitor. Recomendo inclusive alguns livros muito bons que se encontram no acervo da Biblioteca Central da UFRGS, que eu e minhas duas filhas descobrimos em um passeio e roteiro de pai e filhas.

Voltando para Saint Patrick's Day, pois eu creio que terem proibido o Saint Patrick's Day em Porto Alegre ou melhor na Cidade Baixa neste ano deu azar viu. Vai por mim. Não se deve oprimir os dominados em seus pequenos obséquios. Pode dar tudo errado.



Felicitas!

E um coelho sortudo corre em meio às féras...

Como vocês podem ver, estou tentando manter o bom humor.

A METAFÍSICA EM TEMPOS DIFÍCEIS


A METAFÍSICA EM TEMPOS DIFÍCEIS



Peguei As Confissões entre as mãos ontem e comecei a ler de verdade dessa vez. Talvez Santo Agostinho seja um dos poucos filósofos que viveu uma grande mudança de época com certa consciência de qual era a melhor direção a seguir.

Ou seja, ele nos dá seu testemunho e é o testemunho de uma escolha determinada em tempos difíceis. Me parece mesmo que do ponto de vista dele não há escolha e que a escolha dele não é uma opção da liberdade, mas sim o reconhecimento do único caminho a seguir.

Foi uma escolha intuitiva por assim dizer. Devo confessar que essas sempre foram as minhas escolhas. Nada muito planejado. Talvez esse seja um dos exemplos paradigmáticos das últimas possibilidades de escolha em tempos difíceis. Esse livro ou aquele em uma biblioteca qualquer. Pelo menos, por enquanto.

Por conta da leitura de um artigo de uma filósofa respeitável e benevolente em ZH, sugerida pelo Nilson Lopes, que afirma que tempos difíceis trazem escolhas difíceis me vi num dilema fundamental. Temos escolhas em tempos difíceis?

Tudo me leva a crer que não. Vou dispensar aqui uma longa exposição de exemplos para justificar essa crença. Não é possível crer em outra coisa para mim. E este é um modesto testemunho de alguém que percebe que precisa aceitar os fatos como eles são e que só há mesmo um caminho a seguir.

Estou propenso a pensar em uma metafísica mais rígida. Em tempos difíceis não temos escolha. Eles nos impõem uma única opção razoável sempre. A questão crucial é reconhecer e compreender ela e agir de acordo com isso. Nesse sentido, em tempos difíceis a liberdade é uma ilusão. Temo por aqueles que ainda imaginam alguma possibilidade de escolha.

Tempos difíceis, veja bem, nos levam a querer que as coisas fossem diferentes, a sentir saudade de quando eram diferentes, mas elas não podem ser diferentes mais.

Talvez essa seja a Vitória de Parmênides e a Superação de Heráclito: a eternidade desaba sobre a tua cabeça e só um único caminho a seguir. Superar a contradição e o jogo dos contrários e seguir por uma única via da verdade, se não, não haverá chance alguma de botar o pé no mesmo rio de novo.

Se te parecer uma reflexão confusa, ficarei agradecido, porque segundo um psicanalista esse é um bom indício de que nesse aspecto não estou tão mal assim.

domingo, 5 de abril de 2020

DOIS CRIMINOSOS EM CONLUIO


DOIS CRIMINOSOS EM CONLUIO: 
O PRESIDENTE E O PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA

Essa entrevista do Professor Valter Maierovich na rádio CBN que compartilhei hoje é do dia 25 de março de 2020. Ela é muito clara. Fazem hoje 13 dias do Pronunciamento criminoso e irresponsável de Bolsonaro em rede de televisão e rádio nacional. O Procurador Geral da República, Augusto Aras, não encaminhou denúncia de crime contra "medidas sanitárias" e pelo visto não vai encaminhar essa denuncia, repito,do presidente flagrantemente e com o testemunho de toda a nação infringir determinação do poder público destinada a impedir a introdução ou a propagação de doença contagiosa. Segundo o Dr. Valter Maierovich, não encaminhar essa denuncia também é crime de prevaricação tipificado na lei. Ora, temos então dois criminosos. O primeiro que está persistindo em "infringir determinação do poder público destinada a impedir a introdução ou a propagação de doença contagiosa" o segundo que persiste em não denunciar tal crime. Quem vai selar esse destino no Poder e no Sistema Judiciário Brasileiro? Estão esperando alguma providência divina também?

A RAINHA DA INGLATERRA E BOLSONARO


 A RAINHA DA INGLATERRA E BOLSONARO



Muita gente gosta de usar "Rainha da Inglaterra" para exemplificar ou simbolizar alguém que possui um cargo decorativo que é simplesmente simbólico ou que só tem cadeira ou trono e não faz nada ou não significa nada. Bem, creio que é necessário graduar essa avaliação ou esse simplismo que se baseia apenas nas aparências ou nas parcas dimensões de avaliação dos fatos.

Na série The Crown (A Coroa), tomamos conhecimento de uma certa narrativa da história e do papel da Rainha Elizabeth II, na Inglaterra ou no Reino Unido, nos últimos 50 a 70 anos. Não é muito difícil perceber a dimensão laudatória da Rainha na série. Mas é possível também perceber as nuances da personagem, suas ações e decisões e o seu drama em ser a Rainha que não queria ser Rainha, mas que está sendo há 70 anos, sem prejuízos à nação e sem maiores problemas de conduta ou de postura.

A parte que mais me chamou atenção na série e que pode ser cotejada aos fatos um dia, porque envolve um aspecto da biografia e das limitações de formação dela, é essa espécie de confissão de ignorância ou não erudição da Rainha. Pode ser apenas uma forma de criar certa identificação e empatia entre o inglês e a inglesa comuns com sua majestade, mas para mim é muito mais do que isso. E serve de grande lição – nos tempos atuais – para aqueles que tem assento em algum poder, mas que não possuem uma extraordinária ou vasta erudição ou mesmo uma excelente formação superior. Ainda que não apareçam muitos momentos de consulta de sua majestade aos eruditos ou aos universitários. De fato não lembro de ter visto algum momento desses, devemos considerar que, na maior parte dos casos, ela recebe em sua caixinha vermelha de despachos, informações estratégicas para ler e analisar e, eventualmente aconselhar aos primeiros ministros.

Porém, uma Rainha da Inglaterra meramente decorativa ela não é, tal como é hoje o Presidente Mínimo e Isolado Bolsonaro, com bem menos poderes que a própria Rainha e, como essa comparação é muito ruim, com nenhuma estatura ou responsabilidade comparável a de uma Rainha da Inglaterra. Esse cara deve sequer ler a caixinha de despachos direito.

Como ele possui seu próprio Gabinete do Ódio, apelido que foi dado ao Circle of Evils, que é justamente avesso à orientações da ciência, da cultura e da boa educação, que consulta muito mais o demônio do Steve Bannon e que justamente funciona como uma barreira de fanáticos ao bom senso e a sensatez, eles fazem com que nesses tempos difíceis ele erre cada vez mais, persista cada vez mais no erro e se comporte de forma cada vez mais incorrigível. Isso explica a persistência no erro desse cara que ocupa a cadeira de presidente hoje e também explica ou deixa muita clara que não há hipótese alguma dele tomar um curso novo, ou de mais correção no exercício do poder em seu mandato.

E, sendo assim, é claro que a dimensão mais pueril desse símbolo, ou simplória e apressada, nos adverte rapidamente que a sua opinião ou atuação deve perder créditos junto à opinião pública todos os dias e é isso que tem ocorrido.

Assim, basicamente, por não levar em nenhuma consideração aquilo que os mais sábios, mais eruditos ou mais preparados lhe informam e lhe aconselham e muito menos possuir a consciência de seus próprios limites de conhecimento para acolher um bom conselho ou ter boa vontade, ele prossegue fazendo e dizendo besteiras a granel. Desse modo, este irresponsável, miserável e criminoso, dá pouca atenção mesmo aos diversos sinais e alertas de prudência daqueles que não estão como ele e seu Gabinete do Ódio, deslumbrados com o poder ou acreditando, ufanados, que são grandes coisas porque ganharam uma eleição ou um cargo importante com um festival de Fake News e com um engodo sistemático e deletério de uma parte considerável dos eleitores e eleitoras brasileiros.

E, curiosamente, já aparecem claramente outras figuras no governo que contrariam essa postura irresponsável e se enquadram nesses casos políticos, juízes e militares de longa e profissional carreira no serviço público. Seja qual for a crítica que podemos expressar a eles - por diferenças ideológicas ou de competência, é na consciência subjetiva e histórica de cada um deles e de suas próprias experiências que se impõe esse isolamento e condição miserável desse presidente Bolsonaro. Podem não expressar isso, mas todos sabem que esse miserável passa a figurar na história como paradigma máximo de um presidente decorativo e inútil

Então, esse coitado não chega nem perto dos pés de uma Rainha da Inglaterra. Pois essa ainda tem um trono bem estável, serenidade e humildade, longevidade e sabedoria para reinar. Já esse traste se transformou em um móvel velho e abandonado que está todo corroído pelos cupins da vaidade e tolice e que logo mais - assim que passar o pior desse momento - vai parar e acabar no fogo e não fará falta alguma para o povo e o país.

Podem ter certeza que não haverão lamentações e nem sequer um cortejo fúnebre para esse criminoso irresponsável. Não há perdão para traidores e covardes.

sábado, 4 de abril de 2020


TERRA EM TRANSE



OSMAR "MUI AMIGO" TERRA COMO MINISTRO DA SAÚDE?

Acho bem difícil que o presidente não vá avançar na cadeia de erros sucessivos em relação ao Coronavirus por mesquinharia, vaidade e esse tipo de egocentrismo que só alguém com um caráter obtuso é capaz de exercer.

O problema é a contra pressão que ele já sofre. Olha, o que eu vejo para ser muito justo com o esforço gigantesco de todos é que praticamente todos os Governadores e prefeitos, deputados e senadores e também o Ministério da Saúde estão tentando ajudar ao máximo e bem coesos na linha de ação proposta pela OMS e o ministério. E tem mais, os meios de comunicação também estão coesos nisso, bem como, o STF e outros órgãos federais e estaduais do judiciário.

O que eu vejo de outra banda é um presidente isolado fazendo besteiras e dizendo besteiras com seus acólitos contra as medidas protetivas e atrapalhando muito por mau exemplo a compreensão da população da necessidade rigorosa de isolamento horizontal para evitar a disseminação desse vírus. É isso que eu vejo.

Porém, é bom lembrar os efeitos da Síndrome de Estocolmo nessas horas e o alto poder da chantagen entre covardes. Se a relação entre Bolsonaro e Terra for dessa natureza vai vir um agravamento do filme de terror que por enquanto é transmitido apenas pelo canal de Bolsonaro.

Porque, esse Osmar Terra tem também aparecido como um dos principais intrigueiros e negacionistas que faz de conta que não tem nada acontecendo no mundo ou que nada aconteceu de grave na conduta do presidente até aqui. Até os peixes do lago Paranoá sabem que ele quer ser Ministro da Saúde e alguns peixes graúdos sabem porque também.

Se virar ministro, porém, daí que vai ser realmente o caos. Porém, me parece óbvio que Bolsonaro ontem na Jovem Pan tirou a última estaca que escorava não o ministro da saúde no seu cargo, mas sim o seu mandato na presidência.

Eu duvido muito que ele vença essa queda de braço até porque Mandetta não está mesmo sozinho nessa tensão. E do lado dele estão praticamente todas as forças que tem clareza na defesa da gravidade dessa Pandemia e que defendem o isolamento para evitar o colapso da saúde brasileira e o caos social.

Tenho vontade de usar uma metáfora aqui. Não sei porque, mas lá em Vacaria, me lembrava meu pai se aprende bem cedo que para tirar as guampas de um boi tem que primeiro matar ele.

Quer dizer, as coisas não vão mais ser tão fáceis assim para o Bolsonaro. E vou usar outra metáfora nervosa aqui. Veja que provavelmente aquele Haitiano que interpelou ele dizendo "você já era" não era só um pobre coitado de um imigrante revoltado com a vergonha do nosso presidente e outras coisas mais, mas um vidente e um profeta, para quem depois que o boneco tá machucado não tem como aliviar mais.

Por fim, se o pior acontecer, com certeza um monte de gente que agora está na rua de zoeira ou insubordinação insensata, vai ficar em casa sem sair por muito mais tempo.

A História sempre é pródiga em mostrar que os que mais semeiam ventos, são aqueles que de fato mais temem as tempestades. Tudo isso que foi narrado aqui atrás, excetuando os esforços contra a Pandemia, é ridículo e dispensável, porém importa para que alguns vejam o tamanho dessa contradição que temos sentada na cadeira de Presidente.

Como o que está em jogo é a saúde do povo e o futuro do nosso país, espero que entendam definitivamente que com isso não se brinca.

#ÉBomFicarEmCasa

DEFENDA O SUS E TENHA MUITO CLARO QUEM TENTA DESTRUIR ELE


DEFENDA O SUS E TENHA MUITO CLARO QUEM TENTA DESTRUIR ELE

Não é porque agora o Ministro da Saúde, Mandetta, nessa crise da Pandemia procura cumprir o seu papel - contra a vontade de Bolsonaro - e da melhor forma possível, que devemos esquecer o que ele e Bolsonaro estavam a fazer até pouco tempo atrás.

Hoje pela manhã li algumas pessoas defendendo Bolsonaro e clamado que Deus o ilumine ou reclamando que ele não tem trégua dos adversários. Ora, são os mesmos que falam mal do PT e que não registraram que foi o PT que governando o Brasil construiu 476 UPAs, das quais as que estão em funcionamento serão estratégicas nessa Pandemia.

E é bom lembrar que algumas não foram entregues e inauguradas por falta de compromisso dos prefeitos adversários e também daqueles que defendem a redução do estado a um estado mínimo, que segue essa mesma lógica irracional e suicida que levou a essa lista abaixo.

Não é hora de ficar empurrando a conta, é hora de fazer a coisa certa, mas vejam o quanto para fazer a coisa certa e proteger o povo brasileiro dessa Pandemia, essas coisas e decisões e ações de Bolsonaro prejudicam. Veja: 





É uma pena.

Estamos lutando para superar essa Pandemia, mas precisamos ter isso claro porque essa é apenas a primeira situação que pega o nosso sistema de saúde em meio a um processo de desmanche dele.

Espero que levem isso em consideração para que essas besteiras desse tipo não sejam mais feitas e para que esses caras que defendem e fazem isso, não sejam mais eleitos e eleitas.

E se cobre a devida responsabilidade aqueles que dela não podem mais se eximir com desculpas furadas.


O ISOLAMENTO DO PRESIDENTE MÍNIMO

"Vanitas vanitatum et omnia Vanitas" 

Eclesiastes.



Bolsonaro e seus filhos estão sendo isolados paulatina e metodicamenre e da forma mais firme e suave possível. Esse isolamento é tão perfeito que sua arrogância continua se expressando todos os dias. Dizem que é o preço da vaidade e que o preço da vaidade é pago em prestações.

Porém, ele já é moralmente um presidente mínimo e se encaminha para ser de fato uma Rainha da Inglaterra, com bem menos poderes que a própria Rainha e, como essa comparação é muito ruim, com nenhuma estatura ou responsabilidade de uma Rainha da Inglaterra. Sua opinião perde créditos junto a opinião pública todos os dias - permanecem ao seu lado somente aqueles fanáticos e ingênuos ou aqueles que tiram alguma vantagem disso - e a medida que a realidade que ele nega vai se impondo, fica cada vez mais clara a sua completa ignorância e irresponsabilidade. Na minha opinião e de muitos hoje: não passa de um criminosos irresponsável. Vai, assim, deixar até mesmo de ser figura decorativa, se continuar proferindo tantas bobagens e atrapalhando o trabalho do estado brasileiro e do sistema de segurança nacional que nele tem seu centro dirigente essencial.

Um dia resolve tudo com um canetaço, no outro dia afronta governadores e prefeitos, num outro dia faz movimento para fechar o congresso e o STF e, por fim, diz que falta humildade ao Ministro da Saúde que está por ofício e extrema necessidade tendo aparições diárias de modo a sustentar todo o SUS e sua organização no enfrentamento à maior Pandemia da História da Humanidade e seus impactos no Brasil e na saúde do Povo Brasileiro.

Tudo se passa, então, aos olhos da normalidade como se tivesse todos os plenos poderes, autoridade formal e constitucional preservados. Isso é exatamente o que parece aos seus olhos - ainda que ele tenha muitas minhocas de paranóia e narcisismo na cabeça, e aos olhos de seu fiéis e crentes seguidores ou dessa turma do prendo e arrebento, coisa e tal e tal e coisa.

E eles vão ficar assim andando e aparecendo com essa sensação de supremacia e poder absoluto até o seu fim. Esse sentimento, entretanto, já possui muitos contrastes na realidade. Tenho uma nítida impressão e uma absoluta certeza que os generais de carreira e diversos outros oficiais superiores já estão operando num sistema ou dispositivo estratégico do qual já ouvi falar e que é conhecido ou batizado como Mobilização Nacional.

E que esses imbecis do Gabinete do Ódio, deveriam ser muito mais prudentes nesse quadro de crise e Pandemia. A única coisa que segura eles na atual posição que ocupam é a extrema necessidade de se superar essa tempestade sem gestos bruscos e sem aumentar as turbulências.

Apesar do estrago todo que Bolsonaro e seus filhos e seguidores estão a fazer, é certo que estão minguando e muitos cidadãos e cidadãs já entenderam perfeitamente a canoa furada em que embarcaram.

Eu posso estar errado - sempre posso estar errado - e sendo muito otimista - ou muito pessimista na opinião de outros - e/ou friamente racionalista e realista, mas consigo perceber claramente que os militares de boa cepa e diversos outros setores e partidos, o que inclui muitos governadores e prefeitos, deputados e senadores, boa parte do judiciário e também de outras instituições, estão focados absolutamente na Pandemia, e que isso é o que é necessário fazer mesmo e é a prioridade máxima do pais e não a vaidade ou a opinião do cara sentado na cadeira de presidente.

Mas, acredito mesmo que Bolsonaro não sobrevive a ela e se sobreviver passará rapidamente a ser mais e mais desconsiderado. Vai ficar isolado e se arriscar muito mais será sim defenestrado da forma mais dura que for necessária ou suavemente, se conseguir ser razoável em pelo menos alguma coisa nessa vida - o que é difícil. Então, pode esperar que o que é dele e digno do seu destino está bem guardado e será devidamente entregue no tal momento oportuno ou em que for rigorosamente necessário.

Eu sei também que para muitos concidadãos é muito difícil suportar esse quadro e esperar mais um pouco, mas acho que o problema parece começar a ser resolvido e se tiver que ser feito, com certeza precisa ser muito bem feito. Na lógica deles, ele deve ser um fator menor na escala de prioridades imediata e que começa a ser administrado e cujo papel começará a ser reduzido.

E então temos ou um Presidente Mínimo ou teremos mais um Ex-presidente para aquela galeria triste de retratos da história do Brasil onde ficam aqueles que não deram certo, não vingaram ou cometeram tantos erros que não precisam ser lembrados ou que são lembrados somente em circunstâncias similares. São aqueles quadros que só ficam expostos por acidente.

Nessa condição atual, para um presidente que até agora fez o que fez, ou seja, muito barulho e mostrou pouco serviço e que nessa crise mais atrapalhou do que ajudou, acredito que lhe faltará muita humildade para reconhecer suas graves limitações e erros e exatamente por isso será necessário que seja minimizado e limitado em seus poderes, por regulação e por necessidade de proteção da saúde do povo brasileiro e do Brasil.

#FiqueEmCasa
#FaçaASuaParte

Obs. A expressão "Presidente Mínimo" foi utilizada por um comentarista da GloboNews, creio que foi o Valdo Cruz, que abordava a completa e mais vergonhosa falta de estatura política de Bolsonaro para enfrentar essa crise do Coronavirus.

Gabinete do Ódio é o apelido corrente da turma de conselheiros insensatos que em volta de Bolsonaro compartilham de suas convicções mais atrasadas e conservadoras. Nesse gabinete estariam os filhos, os Olavistas, alguns Pastores e Empreendedores inescrupulosos e alguns Militares trombudos. Sugiro que se verifiquem as afinidades e que crie uma metodologia toda especial para separar estes daqueles que vão isolar o presidente. Mas lembro que no final desse processo, ele haverá de ficar só e clamar contra o abandono.

Por fim, Mobilização Nacional, é uma nomenclatura para uma estratégia de planejamento adotada em situações excepcionais e de alto risco. Pode ser ativada pelo Comandante Supremo ou por conselho estratégico de Segurança Nacional ou seu correlato. Constitui um centro de comando autônomo e que vai disseminando ações de correção do sistema de proteção nacional à medida que vai se tornando necessário e de forma planejada. Pode reunir militares e civis, mas possui Coordenação rígida com flexibilidade e adaptabilidade nas ações. Possui sistema de correção próprio e não opera sem laços com os demais poderes.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

GRUPOS DE RISCO E BOM SENSO


GRUPOS DE RISCO E BOM SENSO

Tenho observado alguns jovens distribuindo postagens e intervindo em postagens de outros contra o Isolamento Horizontal e que estão muito preocupados com seus empregos e suas próprias questões. Isso é de uma ingenuidade absurda. Não se enxergam nos grupos de risco por pura ignorância e essa ignorância tem sido reforçada.

Tem burrice sim junto também, mas também tem essa negação - em que são refratários a tudo que lhes chega de Informações contra as suas crenças, desejos e fantasias, e temos também um presidente muito idiota, sem bom senso e descontrolado que mantém a cada besteira que diz, um monte de gente entre esses jovens prisioneiros ao seu mundo da fantasia. Ele tem feito isso mentindo, divulgando Fake news, emitindo sua opinião banal e desinformada que é puro achismo sem nenhuma base científica do alto da cadeira de presidente de nosso país.

Ele está fazendo muito mal ao povo gerando mais negligência e irresponsabilidade, ignorância e uma incapacidade nesses jovens e outros em adotar medidas que os protejam e a entenderem que a Pandemia é um problema muito sério de fato.

Eles estão tão desinformados ainda que não entenderam que não há ninguém fora do grupo de risco hoje. O grupo De risco é hoje a humanidade inteira. Deveriam ter percebido isso e começado a usar seu bom senso em prol de sua própria sobrevivência.

Não adianta ser jovem, ser atleta ou ser muito saudável, ninguém escapa se o contágio se proliferar pela falta de isolamento e atendimento às orientações do Ministério da Saúde, dos Governadores e Prefeitos e de milhares de empresas e organizações que já entenderam isso, o que inclui milhares de empresas de comunicação, jornalismo e mídia.

Então, só posso recomendar o remédio do bom senso e também um velho preceito filosófico: desconfie um pouco mais de si mesmo.



Porque é possível sim ser enganado pelos outros, mas também é possível enganar a si mesmo dando crédito excessivo as suas próprias opiniões e impressões, crenças e preferências.

Vocês podem estar e estão muito errados.

E o maior prejuízo será a vida de vocês.

#FiquemEmCasa

SOBRE A DITADURA E A TORTURA - O RELATO DE PAULO COELHO


O RELATO DE PAULO COELHO



Depoimento do escritor Paulo Coelho (compositor, autor de várias canções em parceria com Raul Seixas), publicado em forma de artigo, no Washington Post (EUA):

"28 de maio de 1974: um grupo de homens armados invade meu apartamento. Começam a revirar gavetas e armários – não sei o que estão procurando, sou apenas um compositor de rock. Um deles, mais gentil, pede que os acompanhe “apenas para esclarecer algumas coisas”. O vizinho vê tudo aquilo e avisa minha família, que entra em desespero. Todo mundo sabia o que o Brasil vivia naquele momento, mesmo que nada fosse publicado nos jornais.

Sou levado para o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), fichado e fotografado. Pergunto o que fiz, ele diz que ali quem pergunta são eles. Um tenente me faz umas perguntas tolas, e me deixa ir embora. Oficialmente já não sou mais preso: o governo não é mais responsável por mim. Quando saio, o homem que me levara ao DOPS sugere que tomemos um café juntos. Em seguida, escolhe um táxi e abre gentilmente a porta. Entro e peço para que vá até a casa de meus pais – espero que não saibam o que aconteceu.

No caminho, o táxi é fechado por dois carros; de dentro de um deles sai um homem com uma arma na mão e me puxa para fora. Caio no chão, sinto o cano da arma na minha nuca. Olho um hotel diante de mim e penso: “não posso morrer tão cedo.” Entro em uma espécie de catatonia: não sinto medo, não sinto nada. Conheço as histórias de outros amigos que desapareceram; sou um desaparecido, e minha última visão será a de um hotel. Ele me levanta, me coloca no chão do seu carro, e pede que eu coloque um capuz.

O carro roda por talvez meia hora. Devem estar escolhendo um lugar para me executarem – mas continuo sem sentir nada, estou conformado com meu destino. O carro para. Sou retirado e espancado enquanto ando por aquilo que parece ser um corredor. Grito, mas sei que ninguém está ouvindo, porque eles também estão gritando. Terrorista, dizem. Merece morrer. Está lutando contra seu país. Vai morrer devagar, mas antes vai sofrer muito. Paradoxalmente, meu instinto de sobrevivência começa a retornar aos poucos.

Sou levado para a sala de torturas, com uma soleira. Tropeço na soleira porque não consigo ver nada: peço que não me empurrem, mas recebo um soco pelas costas e caio. Mandam que tire a roupa. Começa o interrogatório com perguntas que não sei responder. Pedem para que delate gente de quem nunca ouvi falar. Dizem que não quero cooperar, jogam água no chão e colocam algo no meus pés, e posso ver por debaixo do capuz que é uma máquina com eletrodos que são fixados nos meus genitais.

Entendo que, além das pancadas que não sei de onde vêm (e portanto não posso nem sequer contrair o corpo para amortecer o impacto), vou começar a levar choques. Eu digo que não precisam fazer isso, confesso o que quiser, assino onde mandarem. Mas eles não se contentam. Então, desesperado, começo a arranhar minha pele, tirar pedaços de mim mesmo. Os torturadores devem ter se assustado quando me veem coberto de sangue; pouco depois me deixam em paz. Dizem que posso tirar o capuz quando escutar a porta bater. Tiro o capuz e vejo que estou em uma sala a prova de som, com marcas de tiros nas paredes. Por isso a soleira.

No dia seguinte, outra sessão de tortura, com as mesmas perguntas. Repito que assino o que desejarem, confesso o que quiserem, apenas me digam o que devo confessar. Eles ignoram meus pedidos. Depois de não sei quanto tempo e quantas sessões (o tempo no inferno não se conta em horas), batem na porta e pedem para que coloque o capuz. O sujeito me pega pelo braço e diz, constrangido: não é minha culpa. Sou levado para uma sala pequena, toda pintada de negro, com um ar-condicionado fortíssimo. Apagam a luz. Só escuridão, frio, e uma sirene que toca sem parar. Começo a enlouquecer, a ter visões de cavalos. Bato na porta da “geladeira” (descobri mais tarde que esse era o nome), mas ninguém abre. Desmaio. Acordo e desmaio várias vezes, e em uma delas penso: melhor apanhar do que ficar aqui dentro.

Quando acordo estou de novo na sala. Luz sempre acesa, sem poder contar dias e noites. Fico ali o que parece uma eternidade. Anos depois, minha irmã me conta que meus pais não dormiam mais; minha mãe chorava o tempo todo, meu pai se trancou em um mutismo e não falava.

Já não sou mais interrogado. Prisão solitária. Um belo dia, alguém joga minhas roupas no chão e pede que eu me vista. Me visto e coloco o capuz. Sou levado até um carro e posto na mala. Giram por um tempo que parece infinito, até que param – vou morrer agora? Mandam-me tirar o capuz e sair da mala. Estou em uma praça com crianças, não sei em que parte do Rio.

Vou para a casa de meus pais. Minha mãe envelheceu, meu pai diz que não devo mais sair na rua. Procuro os amigos, procuro o cantor, e ninguém responde ao meus telefonemas. Estou só: se fui preso devo ter alguma culpa, devem pensar. É arriscado ser visto ao lado de um preso. Saí da prisão mas ela me acompanha. A redenção vem quando duas pessoas que sequer eram próximas de mim me oferecem emprego. Meus pais nunca se recuperaram.

Decadas depois, os arquivos da ditadura são abertos e meu biógrafo consegue todo o material. Pergunto por que fui preso: uma denúncia, ele diz. Quer saber quem o denunciou? Não quero. Não vai mudar o passado.

E são essas décadas de chumbo que o Presidente Jair Bolsonaro – depois de mencionar no Congresso um dos piores torturadores como seu ídolo – quer festejar nesse dia 31 de março.

PAULO COELHO".

(Do perfil do João Lopes).

Grato aos amigos Gilmar Eitelwein (Brasil) e ao José Linhar (Japão), cada um de um lado do planeta defendendo a memória e a verdade.

Da Dignidade do Outro


Da Dignidade do Outro

Há uma grande tendência incentivada nesse mundo ao que chegamos e que nos trouxe até aqui de se estabelecer o fundamento do sucesso no sujeito. E considerar somente o sucesso individual como meritório.

Tenho considerado isso a mãe das contradições nas nossas sociedades modernas ou pós modernas. De um lado, temos um desprezo por atividades coletivas e organizadas. Isso esconde uma fantasia de independência e autonomia da existência individual de cada um na sociedade que vivemos.

A contradição se agrava mais porque junto disto surge não somente o individualismo ou o egoísmo, o jogo dos interesses mesquinhos e possessivos, a competição inescrupulosa e que aceita que o que importa é a busca do sucesso ou êxito individual e que vencer a qualquer preço pode levar ao bom regime do vale tudo e da ausência de regras morais ou sociais.

Pois, sempre que penso com radicalidade nisso eu não vejo nenhum sucesso na solidão ou sem boas relações sociais preservadas por obediência às regras e a autoridade que deve proteger e se sentir responsável por todos.

Dias atrás ou meses antes da Pandemia que nos aflige hoje, postei aqui no meu perfil do Facebook um texto sobre a importância dos laços sociais para a saúde mental, a longevidade e a felicidade.

Nesse sentido, me sinto uma pessoa bem sucedida em muitos aspectos, mas não teria nenhum êxito sem todo apoio e ajuda que recebi dos outros. Sem amparo e compreensão de um lado e muita boa vontade de forma recíproca nada teria sido possível. Creio que isso vale para todos seja qual for a sua condição material ou espiritual.

E eu digo isso com muita gratidão, inclusive, porque sei que este exemplo pode orientar outras pessoas não por um caminho mais fácil, mas talvez mais justo e mais grandioso e digno. Sim, porque olho para a ação coletiva e considero que levar ela a um bom termo é muito mais grandioso do que a ação individual. Assim como uma orquestra, um coro ou um coletivo afinado e motivado fazem de uma obra aparentemente simples e singela algo muito mais grandioso e bom.

Mas eu creio que minha auto estima e auto confiança já foi muito estimulada e corrigida em suas faltas e em seus excessos pelos amigos e amigas, assim, penso muito no equilíbrio ai. Na possibilidade de que todo grande efeito coletivo seja a superação de pequenas contradições individuais e o resultado de uma harmonia que não se constrói somente pelo consenso ou pelo acordo, mas também pelo dissenso bem expresso e pelo desacordo claramente posto.

Quem não consegue suportar ser contradito, contestado, contrariado, quem não aceita que perdeu um debate e uma eleição, quem não consegue respeitar a dignidade dos outros porque julga que a dignidade dos outros é uma desgraça para si, jamais poderá construir algo realmente coletivo é grandioso.

Por fim, aqueles que ofendem o próximo com palavras fúteis, se recusam a respeitar os limites de uma boa argumentação, que não respondem a tudo que lhes é posto aos olhos, talvez precisem entender que no esteio da dignidade respeitada do outro também se encontra o seu valor, a sua própria dignidade posta à luz clara como o dia.



Obs.: Essa imagem é aquela usada pelo Grupo de Whatsapp que Cuida da Instalação do Abrigo Emergencial para a População de Rua de São Leopoldo. Nele, gestores da SDS e do Governo Municipal, voluntários e outros apoiadores organizam uma ação coletiva que cuida da dignidade e da proteção de um outro que já foi descartado e abandonado por alguns ou que simplesmente não consegue se adaptar e sobreviver dentro do regime e das estruturas sociais em que vivemos até aqui. Isso pode ser diferente e o começo é a Solidariedade e o Respeito inegociáveis com o próximo.

Parabéns, também ao prefeito Ary Vanazzi que exerce a liderança na nossa cidade para reduzir ao máximo o sofrimento de todo o povo leopoldense.

FIM DA AGENDA NEOLIBERAL - O NOCAUTE DO PROJETO E DA COALIZÃO DE BOLSONARO


FIM DA AGENDA NEOLIBERAL - O NOCAUTE DO PROJETO E DA COALIZÃO DE BOLSONARO

Eu, Daniel Boeira, que te escrevo: não há mais futuro, sem mudança.



“Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas.”

Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels.

Teve que aparecer essa PANDEMIA GLOBAL de COVID19 ou CoronaVírus no mundo e no Brasil para sepultar de vez todo esse papo furado de neoliberais, estado mínimo, controle do déficit fiscal, reformas, teto dos gastos e acabar de vez com a supremacia do interesse econômico contra o interesse político ou do bem comum ligado a defesa da vida e do direito à vida digna de todos. Marx interpretava isso como a indestrutível, no capitalismo, supremacia dos interesses da esfera econômica sobre os interesses da esfera política. Que era essa a marca fundamental da subordinação da política aos interesses da burguesia acumuladora de capital com base na exploração do trabalho e na alienação dos sujeitos das classes subalternas.

A História fez com que a profunda e radical transformação das forças produtivas redundasse na substituição do esquema colônia metrópole em centro e periferia e foi das margens dessas periferias que saíram as alterações genéticas que transformaram um vírus de animais que atacava o sistema respiratório desses animais, num vírus fatal ao humanos com um poder galopante de disseminação.

Esse vírus com sua violenta capacidade de contágio que impressiona ao atingir em média entre 50 a 80% de toda a população humana de regiões, países, continentes e no mundo,  em poucas semanas, em caso da não adoção de medidas radicais de isolamento horizontal para tentar suprimir essa disseminação. Desses 80%, uns 20% passam a sintomas e desses automáticos, uns 10% necessitam de internação em UTIs, com uma letalidade de 1,2 a 3% de todos os contagiados. Para piorar o vírus é também mutável e tende a se adaptar ao perfil humano de certas regiões do planeta. Ao fazer isso, ele combina a distribuição da sua letalidade com pessoas que possuem comorbidades anteriores a criar pacientes cuja letalidade não se justifica por isso. Ele tem, portanto, é preciso admitir um grupo de risco, mas também dispara suas cerdas mortais para além desse grupo de risco atingindo pessoas saudáveis e jovens e adultos e não somente idosos ou adultos com comorbidades. É isso que tem se mostrado na sua letalidade na Europa, Espanha, França e Portugal e também nos Estados Unidos da América. 

No Brasil, essa tendência a diversificação já se exibe nos primeiros 159 óbitos até o dia de hoje. E com essa imposição racional, técnica e científica do isolamento como única política ou medida protetiva eficaz para sustar o avanço do vírus e impedir que se gere o Colapso do Sistema de Saúde, se sacrifica claramente as atividades econômicas não essenciais e todas as cadeias de consumo, distribuição e produção dos produtos dessas atividades. O axioma fatal é ou a economia ou a vida. A bolsa ou a vida. De certa forma o Vírus promove um assalto ao sistema capitalista, as suas relações de produção e ao modo de vida contemporâneo e suas respectivas formas e padrões de relações sociais, materiais, culturais, espirituais e políticas   

Aqui no Brasil, em virtude disso e por certo certo um infortúnio do destino, os que vão ter que cumprir essa tarefa de fazer frente com os instrumentos de estado, segurança, proteção social, saúde e infra-estrutura, ou seja, retomar uma agenda de New, New Deal ou Welfare State, são justamente aqueles que lhe são mais antagônicos a isso e que forma eleitos vendendo – com apoio intenso da imprensa também liberal ou ultra liberal – com um projeto de desmanche do estado, das políticas de proteção social e de geração de renda ou trabalho formal.

Eles são obrigados pela história agora, sob pena de não sobreviverem a ela pelas suas consequências e colocarem o povo numa situação mais grave do que aquela em que já se encontrava, a girar a agenda e começar imediatamente a fazer tudo aquilo que eles não consideravam estratégico fazer e que poderia ser mitigado ou atenuado. As Bolsas Família viraram política necessária e não mais dispensável. Para ser objetivo, ao contrário do que o ministro Onix Lorenzoni dizia a menos de um mês atrás – com uma ar de satisfação típica de seu caráter – a porta de saída do Bolsa Família deverá ser fechada e a porta de entrada deverá necessariamente ser aberta e aumentada para acolher mais brasileiros e brasileiras.

Bolsonaro fala agora dos trabalhadores informais como se tivesse compromisso efetivo com eles. Mas foi um dos agentes políticos que junto com o Condomínio Golpista, contribuiu para promover as Reformas Trabalhista e a Reforma Previdenciária. Os recursos do SUS e a sustentação efetiva do SUS vai ter que voltar. O Programa Mais Médicos por força da necessidade vai virar prioridade de novo. Talvez mudem o nome, mas terá que ser promovido algo em escala igual ou semelhante ao programa original criado em 2013. O tema da segurança pública e tudo que vem junto com ele agora vira de fato por força do cenário social uma questão estratégica na sociedade brasileira e eu aposto que nenhum desses energúmenos vai fazer arminha mais. Poderia seguir sobre muitos outros exemplos cujas direções, decisões, medidas e políticas precisam necessariamente ser abandonadas e revertidas.     

Fico imaginando o que passa na cabeça dos militares que estavam caindo nessa ladainha liberal e ultra liberal, desde que preservassem os seus próprios privilégios, ou dessa cambulhada do judiciário que tinha essa mesma perspectiva. Agora não tem volta. Vão ser obrigados a dividir o pão com o povo. 

Tudo que eles imaginavam líquido e certo, sólido e estável nos seus projetos de chegar ao estado mínimo - preservando os seus próprios máximos e satisfazendo a ganância insaciável do rentismo do mercado, dos seus especuladores e da concentração de renda - se esboroou e se desmanchou nos ares de um Vírus.

Agora é que são elas. Muitas cabeças vão ter que mudar e essa mudança vai inclusive atingir aqueles que se julgavam protegidos da miséria ou da dependência do estado. Eles vão ter que limpar direitinho toda a sujeira e perversidade que estavam fazendo e promovendo e reparar, amparar e viabilizar de verdade as condições de vida dos 14 milhões de desempregados, das donas de casa sem renda, dos trabalhadores informais sem renda, dos trabalhadores empregados sem renda e com baixos salários sendo desvalorizados por eles. 

Além disso, a situação provocada pelo Corona Vírus ou Covid19 é tão grave que boa parte da classe média que tonitroava a sua adesão a essa agenda neoliberal também vai precisar agora de bolsas família e ajudas para sobreviver porque todo o seu sistema de sustentação econômica está se dissolvendo aos seus olhos. Alguns querem voltar a trabalhar porque tem mais pânico de ter que viverem como os pobres que eles desprezavam e dos quais desprezavam as políticas de proteção social que os amparavam, do que morrer. O sonho de ficar por cima e melhor do que a grande massa do povo brasileiro acabou de vez. E a vida nunca mais será como antes.

Dá para imaginar muito bem, portanto, porque é tão difícil para eles que essa ficha caia e que eles abandonem o Negacionismo e também toda essa coleção de teorias lastreadas em engodos, mentiras, burrice e ignorância que os fazem resistir a admitir a gravidade da pandemia do Corona Vírus e a adotarem imediatamente uma outra conduta condizente com o isolamento horizontal, a solidariedade ao próximo ou a quem de fato precisa de apoio para sobreviver – isso inclui os trabalhadores que eles não querem ver parar de trabalhar e os mais pobres que precisam de alimentos e mais proteção e essa perversa falta de empatia com os trabalhadores das áreas da saúde que estão clamando que os cidadãos Fiquem em Casa.

Para eles é difícil aceitar que o sonho deles acabou e é difícil aceitar também que não havia nada de sólido no projeto deles que acaba de ser desmanchado por uma força da natureza e que gerou uma outra força social que vai se conformando a medida que os acontecimentos vão evoluindo. Isso, entretanto explica, mas não justifica.

Não há, porém, nenhuma salvação para essas velhas fantasias da elite, as ilusões burguesas e essa profunda falta de solidariedade e empatia com a vida do mais próximo ou do povo brasileiro que já andava se disseminado também naqueles que deveriam pesar mais sobre o que é que realmente importa para as suas vidas e a vida do povo brasileiro ao qual pertencem de forma inextrincável e profunda.