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domingo, 22 de dezembro de 2019

A HISTÓRIA DA HUMANIDADE CONTRA A HISTÓRIA DAS MÁQUINAS


A HISTÓRIA DA HUMANIDADE CONTRA A HISTÓRIA DAS MÁQUINAS

Na pior hipótese, tudo que é humano, demasiado humano, há de desaparecer. Daqui há uns duzentos anos, talvez, quando as máquinas se derem ao trabalho de reconstruir a história da humanidade e civilização perdida no início do Século XXI, a partir de registros digitais cruzados e de pistas e informações várias, terão um panorama sistêmico do que ocorreu de fato e nas mentes dos seres humanos.

É possível que percebam que o surto de mentiras e covardias foi cevado pelo formalismo mais tacanho, por uma casta de pseudo moralistas, por um tecnicismo desumano, pela estupidez e pelo economicismo mais covarde. Descobrirão, pelas omissões e covardias, quem e quais seres humanos tentaram fazer frente a esta desumanidade que se aproxima de nós todos e descobrirão todos os ases, valetes e Reis desse baralho da tragédia.

Nós que estamos a resistir e a lutar todos os dias e noites desses últimos tempos, podemos perder sim, saibam todos e todas disto, mas a culpa não será daqueles que lutaram e nem dos que tentaram lutar, mas sim de um bando de idiotas, néscios e estúpidos que acreditam sempre que a responsabilidade é dos outros e não deles mesmos.

Não basta votar, ser esclarecido e honesto, pagar impostos e ficar cobrando ou criticando partidos e políticos sem fazer partidos e políticos melhores. E fazer partidos e políticos, bem como, políticas melhores não é apenas descartar ou destruir os valores do outro. As ruínas da nossa civilização e sociedades que começam a aparecer em todos os lados com o fim dos direitos, com o fim da proteção social, com o desaparecimento da tolerância e da empatia, com o fim da generosidade e mesmo com o fim da caridade ao próximo e aos desvalidos, há de fazer sucumbir a pirâmide social inteira. Se enganam muito aqueles que se encontram nós andares superiores esfregando suas mãos sem calos, sorrindo com todos os seus dentes nas bocas, triunfando sobre a miséria e a fome do próximo, desdenhando dos nossos esforços, se pensam que sobreviverão.

A posição covarde ou limpinha é muito boa para quem quer ficar sentadinho na cadeirinha sem errar, sem se arriscar e sem ousar compreender mais os limites daqueles que tentam e que conseguem alguma coisa e que ainda não é tudo, mas é alguma coisa, pois tentam ainda não retroceder, tentam ainda não sucumbir a essa lógica perversa. 

Os covardes venceram muitas vezes ao longo da História, muito mais do que aqueles que lutam, porém, o sinal da sobrevivência está fechado para muitos hoje e eu espero que todos entendam que só haverá avanço e reconquista com muita disposição e que sem se arriscar coletivamente nada será possível.

O que perdemos pode ser recuperado sim, mas não resistirá e nem será reconstruído sem essa consciência, porque não são apenas leis, nem apenas instituições e nem  apenas direitos, mas um espírito humano sem o qual a humanidade não vai sobreviver.

Eu prefiro que essa história seja contada e escrita por homens e mulheres dignos da humanidade.



Obs.: Se esse Apocalipse ocorrer não será por obra de algum agente externo a humanidade, mas sim por seres humanos desumanizados e despidos de humanidade. E é elevada a probabilidade de que, ao contrário dos pesadelos das carolas e dos crentes, nada disso será produto de uma ideologia comunista, mas sim da consagração do capitalismo mais selvagem e daqueles que defendem ardentemente a manutenção da desigualdade social a qualquer preço.

EM TEMPOS DE GUERRA: O OBJETIVO É ARRUINAR AS VIDAS DAS PESSOAS


EM TEMPOS DE GUERRA: O OBJETIVO É ARRUINAR AS VIDAS DAS PESSOAS

Entre alguns comentários que eu ouvi sobre os tempos de guerra, um dizia uma coisa muito interessante.

O comentário lembrava à esquerda e aos progressistas que tem dificuldade para encarar a realidade e admitir o que todos os sinais indicam de que de fato estamos em uma guerra.

Esse comentário dizia simplesmente: você pode achar que não estamos em guerra e que tudo não passa de um processo normal da democracia, mas pode ter certeza que se você não sabe que está em guerra, toda a direita sabe muito bem que está em guerra com você ou vocês e esta se comportando completamente a partir desse pressuposto básico e orientador de suas condutas.

Uma das implicações disso, eu entendi assim, é que se é uma guerra então não importa quais armas sejam usadas, não importam os escrúpulos – às favas com os escrúpulos, disse Jarbas Passarinho no agravamento da ditadura militar, antecedendo o AI-5 e todas as  condutas de perseguição, tortura, assassinatos e outras violências. Desse ponto de vista, que marca a tradição radical conservadora brasileira e em qualquer parte do mundo,  trata-se de tratar de aniquilar o adversário à qualquer preço e sem nenhum impedimento moral, jurídico ou político. Nessa perspectiva, não há negociação e nem diálogo. É o estado de guerra, o estado de natureza mais puro e sem regras.

Nesse sentido, não se trata mais de adversário aquele que se opõe ao projeto ou as medidas, mas sim de um inimigo. O que o comentário está a dizer, na ponta mais aguda do lápis de notas, é que não vivemos uma disputa entre adversários, sob regras, que seja regulada por limites ou dispositivos limitadores, mas sim de uma guerra em que todas as regras são abolidas e o que importa não é apenas derrotar o adversário, mas sim aniquilar o inimigo, exterminar o inimigo, destruir o inimigo.

Uma das consequências mais duras disso é aquela que todos devem lembrar: nunca se sabe como vai terminar isso. Tal coisa deve perturbar muito ambos os lados, porque se passa a viver, em especial, aqueles que são agentes conscientes nesse processo, sob a égide da ameaça permanente. O “medo da morte violenta”, como dizia Hobbes para designar o estado permanente de insegurança no estado de natureza, passa a perturbar gravemente a vida e o caráter de todos. E é assim que para isso trata-se também de usar todos os meios para colocar o mundo e a existência do inimigo em ruínas de tal modo que este não tenha mais nenhum instrumento de defesa, sobrevivência ou resistência. Quem leu até aqui deveria se perguntar não porque há uma polarização ou como ficar fora disso. Nesse estado, é mais racional perguntar em qual dos dois balaios você está ou pode acabar, no caso do rumo dos acontecimentos se acelerar. E a escolha desse lado tem um caráter profundamente moral e histórico para a humanidade.       

Nosso estado gaúcho vive hoje claramente um estado de guerra e o nosso país também. Veja que talvez mesmo alguns professores estaduais, por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul, tem dificuldade para entender que essa greve é produto direto de um estado de guerra, porque envolve sim reagir e tomar lado contra uma clara e nítida tentativa de destruição da carreira e provavelmente, por consequência direta e indireta, de toda a educação pública estadual. Esse comentário que eu ouvi há dias atrás dizia uma coisa muito simples, apesar de muitos da esquerda e policias não reconhecerem que estamos em tempos de guerra, toda a direita, todos os reacionários fascistas neoliberais olham exatamente assim para o tempo atual.

Para eles, é sim uma guerra e é uma guerra que lembra muitos episódios de guerra que ao longo da história envolveram lutas entre civilizações, ocupações de territórios, imposição de governos aos povos, derrotas, massacres, humilhações e violências de toda ordem e de todo tipo, inclusive com muitos traços de cinismo, covardia perversidade e também de extrema violência contra aqueles que são. Boa parte das guerras mostram uma situação em que existe um povo que está vivendo em um determinado lugar com determinada situação e aparece, então, um invasor ou um tirano que é aquele que tenta ocupar esse lugar de forma imposta e que rigorosamente trata de eliminar os possíveis adversários ou opositores. Assim, aqueles que promovem a ocupação fazem questão de colocar abaixo ou em ruínas todas as estruturas da sociedade que eles estão ocupando e é exatamente isso que Bolsonaro, Eduardo Leite e vários outros dessa nova geração de fascistas ou neofascistas históricos estão fazendo em prol do reacionarismo ou do retrocesso, estão fazendo.

Estão tentando colocar abaixo o edifício inteiro da civilização que foi estruturada no Brasil a partir da Constituição de 1988 e no Rio Grande do Sul, a partir das lutas históricas dos trabalhadores e também dos progressistas do nosso Estado. Tentaram construir um estado forte pra promover o bem-estar social, mas esse estado vem sendo dilapidado praticamente desde os anos noventa, quando o PMDB e alguns neoliberais resolveram promover a primeira onda de tunga ao Estado privatizar os instrumentos do Estado e conceder fartos benefícios fiscais para vários empresários, que hoje já não estão mais satisfeitos com a partilha e querem mais.  

Eles querem expandir suas empresas e interesses sobre o estado e precisam de mais recursos para financiar ou retroalimentar essa política perversa de caráter neoliberal. No Brasil acontece a mesma coisa trata-se, portanto, de destruir o estado de bem-estar para aumentar a capitalização do empresariado.

Estão, então, pondo abaixo a Constituição de 1988 e todo o sistema de proteção social. Para fazer isso estão destruindo todos os direitos dos trabalhadores e dos cidadãos e também os direitos dos indefesos. Fazem a sociedade olhar para o passado tentando culpar o passado como responsável pelas ruínas do tempo que vivemos hoje. É uma disputa de versão. Ocorre aqui a mesma coisa que ocorre em todas as guerras: a primeira sacrificada é a verdade. Veja que isso é feito através de um bombardeio massivo de mídia com caráter covarde e perverso, não somente ao atacar os direitos dos trabalhadores ou culpar esses direitos pela crise, mas também ao combinar isso com um ataque também sistemático aos valores e aos laços sociais, mais elementares de fraternidade, solidariedade e também de generosidade e tolerância entre os seres humanos. 

E é isso, enfim, que essa ultra direita combinada com os interesses de mercado está promovendo no Brasil e no Rio Grande do Sul. Portanto, é sim uma guerra e uma guerra de destruição e extermínio das vidas dos trabalhadores e das sociedade que vivemos.

sábado, 21 de dezembro de 2019

O CORAÇÃO


“Eis o meu segredo, é muito simples, só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.  Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a fez tão importante.”

Antoine de Saint-Exupêry 

Estou cada vez mais convicto que é preciso escutar o coração e compreender melhor o coração. Eu tenho tentado muito isso. Mas confesso que erro muito. E erro quando acerto também. Porque quando você acerta, você não acredita e começa a desconfiar que está errado. É tão difícil acertar esse tom próprio e manter a fé nele. Mas um dia eu acerto e fico nele. E, então, vou escutar muito e falar essa língua o tempo todo com muita alegria. O resto da minha vida. E se você quiser, tente isso também.

domingo, 15 de dezembro de 2019

MUITA GENTE SOFRENDO NO MUNDO


Tem muita gente sofrendo no mundo.

Lindas por fora e cheias de vidraças quebradas por dentro.

Sabe aquele salão cheio de quadros?

Imagina tudo isso no chão e quebrado.

Assim é o interior de muitas pessoas.

Cheio de imagens tristes, memórias tristes, traumas e frustrações.

É preciso reconstruir o salão e ter uma noção melhor de cada experiência.

Compreender e superar a grande negação da vida.

(Como olhar a vida acima dela? Como sair do labirinto dos afetos e desafetos e contemplar o todo e ao mesmo tempo ser capaz de julgar com justiça o que é de sua responsabilidade e dos outros em cada processo ou relação?)

Também tem muita gente se especializando em fazer os outros sofrerem no mundo.

DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE E O PROBLEMA DAS RELAÇÕES PLENAS


DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE E O PROBLEMA DAS RELAÇÕES PLENAS

Li um texto sobre desenvolvimento da personalidade. É um resumo de uma temática bem ampla dos problemas de desenvolvimento de uma personalidade e caráter da infância até a vida adulta. Aponta claramente vários núcleos temáticos. O abandono, o desamparo, a falta de comunicação de afetos e de sentimentos, o sentimento de desprezo, rejeição e não aceitação, o fantasma da infância infeliz e atormentada. Não é difícil entender porque muitas pessoas tem dificuldade de atravessar essas barreiras que as impedem de ter uma vida plena e uma comunhão genuína com outras. Essas barreiras são construídas através de traumas e também de exemplos de hábitos e certos costumes familiares. Ou seria melhor práticas familiares em relação ao outro. Esse tema merece mais atenção. Não me parece ser tão simples vincular tudo ao contexto de experiências neglicenciado predisposições genéticas e mesmo capacidades cognitivas.  

RELAÇÕES VERTICAIS


RELAÇÕES VERTICAIS - 12/09/2019

Tenho percebido a recorrência de um quadro típico em relações infelizes. A maior parte delas é vista quando uma relação vertical atinge as características quase finais do distanciamento e do afastamento. Em alguns relacionamentos esse fenômeno só aparece a partir de uma crise de traição ou do mais completo desinteresse pelo outro. A assimetria econômica e profissional entre os membros do casal abre um abismo entre eles. Com esse aspecto de relação vertical entre profissionais também acontece isso.

Deve ser muito difícil com o avançar do tempo superar uma relação verticalizada já na origem.

Estou conversando com amigos e amigas e elaborando um pensamento sobre isso.

Acho que essa questão das relações verticais baseadas em diferenças de renda, idade, escolaridade, status profissional e etc, são ou configuram uma espécie de problema de assimetria nos relacionamentos. Gera conflito de subordinação ou submissão. E psicologicamente parece bloquear a evolução do relacionamento para um relacionamento horizontal.

Aliás, pensando nisso me desce a ficha de muitos relacionamentos infelizes por verticalidade ou assimetria. No começo você vai relevando, mas cedo ou tarde essas diferenças se pronunciam. É preciso ter muito amor e compreensão mútua para neutralizar o papel dessas diferenças na relação.

Não tinha parado para expressar isso ainda. Então, pode ser que tenha que aprimorar mais.

COISAS QUE NÃO TEM EXPLICAÇÃO

COISAS QUE NÃO TEM EXPLICAÇÃO

Tem coisas que não tem explicação, nem uma razão muito clara. Elas não deixam de ser importantes por isso. Ao contrário, elas são justamente importantes por causa disso. Por terem essa ligação ou dimensão mais misteriosa e insondável. Algumas pessoas fogem disso por medo, outras enfrentam isso e acabam descobrindo seu sentido. A morte, o amor, a paixão e aquela sensação de um vínculo profundo com o outro, são também dessa natureza. Você pode criar narrativas para compensar essa relação com esse desconhecido que parece conhecido, mas nada disso substitui a sensação real e a dimensão real da tu relação com isso. Para cabeças muito racionais isso é perturbador e aborrece. Talvez por isso seja recomendável observar mais isso do que exigir disto aquilo que não é ou não é correspondente ao teu discurso ou expectativa. 

POEMAS DE BANZO


POEMAS DE BANZO

Veja que isso parece uma tônica.

Em todo poema de amor há um banzo embutido ali dentro.

Ele é um poema de conquista e despedida.

Fica só a lembrança e a imagem, como uma ideia na carne do objeto.

E a carne do amor parece ser a palavra onde o sentimento habita.

DAQUELA NOITE - POEMAS DO BANZO


DAQUELA NOITE

"Mas as palavras dela não chegaram a bater asas."
Odisséia. Canto XIX. Homero.

Aos sorrisos e alegrias
Aguardando a tempestade
Cálices de Vinho
Confiantes em Zeus
Música leve e pouca luz
Enquanto o vento sopra
Enquanto os relâmpagos iluminam

Tudo que teme, foge
Tudo que foge, deixa de existir
Tudo que é frágil, se esvai
Se espalham todas as coisas
Só fica em pé o que é firme

Decisões mudam em balanços
Lembro que te amar nesses momentos
Foi a melhor coisa que vivi
Teus beijos e lábios
Nossos abraços e tremores

Apesar disso, com Zeus
Seguro com a brisa e o ar
Seguro com a chuva e o luar
As cortinas balançam com o vento
E os corpos dançam na cama
Em suaves amores
Risos, alegrias e gozos

Viva a tempestade
Viva o transe
E a segurança
De quem
Ama

Daniel Adams Boeira - 15/12/19

o último poema que é o primeiro 


VOCÊ - TIM MAIA

Você
Tim Maia

De repente a dor
De esperar terminou
E o amor veio enfim

Eu que sempre sonhei
Mas não acreditei
Muito em mim

Vi o tempo passar
O inverno chegar
Outra vez
Mas desta vez

Todo pranto sumiu
Um encanto surgiu
Meu amor

Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava
Baby


Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava
Baby

Sou feliz agora
Não, não vá embora
Não
Não, não, não, não não
Não, não, não

Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava
Baby

Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava
Baby

Sou feliz agora
Não não vá embora
Não
Não não não não não
Não não não

Não não vá embora
Não não vá embora
Não não vá embora
Não não vá embora

Vou morrer de saudade
Vou morrer de saudade
Vou morrer de saudade

Não vá embora
Não vá embora
Não vá
Não vá

Vou morrer de saudade
Vou morrer de saudade
Não vá embora
Não vá
Não vá

Vou morrer de saudade
Vou morrer de saudade


Composição: Tim Maia


Nota: Uma das letras mais interessantes do Tim. Ele vai da descoberta do amor ao banzo da perda do amor.

DESISTA DE MIM - POEMAS DO BANZO


Desista de Mim

Desista de mim
Eu não presto
Não serei teu par
Não sei te amar
Não estarei do teu lado

Desista de mim
Meu caráter não te serve
Minha vontade, não existe
Meu querer, não quer
Meu desejo, não há

Desista de mim
Não sou honesto
Não sei ouvir
Não sei cantar
Não sei dançar

Desista de mim
Me falta o respeito
Me falta a cama e o leito
Me falta todo o jeito
Meu coração é estreito

Desista de mim
Eu não tenho honra
Nunca falo a verdade 
Meu sentido não existe

Desista de mim
Meu ser não está aqui
E nem ali
Não está em lugar nenhum

Eu não existo
Desisto de mim

Daniel Adams Boeira - 15/12/19

EU SOU LIVRE - POEMAS DO BANZO


EU SOU LIVRE

Sabe aquela liberdade,
De que tanto falam
Sabe aquela lealdade
De que tanto calam

Sim, você é livre
Sim, eu sou livre
Sim, a liberdade
Para você, e
Para mim

É um poder
Um poder ser
Ser e ser sentido

Não ser e
Não ser sentido

Nem visto
Nem ouvido
Nem dito e
Nem não dito

A liberdade de ser
A liberdade de sentir
A liberdade de pensar,
Sonhar, Intuir
Esperar ou não esperar

Onde mora o abrigo
Abrigo em mim
A minha liberdade
Fique você com a sua
E se quiser abrigue também
O ser e o sentido

Da liberdade completa
E bem vivida.


Daniel Adams Boeira - 15/12/19

SE EU TE CHAMAR, VOCÊ VEM? - POEMAS DO BANZO


SE EU TE CHAMAR, VOCÊ VEM?

Se eu te chamar,
Você vem?

Se eu te abrir,
Você entra?

Se eu dormir,
Você sonha?

Se eu despertar,
Você me segura?

Se eu te acordar,
Você sorri?

Se eu te chamar,
Você vem?

Se eu te olhar,
Você treme?

Se eu te abraçar,
Você me abraça?

Se eu te beijar,
Você me morde?

Se eu te desnudar,
Você me toma?

Se eu te chamar,
Você vem?

Se eu te der,
Você aceita?

Se eu tiver,
Você tem?

Se eu gostar,
Você repete?

Se eu te amar,
Você fica?


Daniel Adams Boeira - 15/12/19

sábado, 30 de novembro de 2019

RELAÇÕES HUMANAS E EDUCAÇÃO – TEXTO ORIGINAL DE 30 DE NOVEMBRO DE 2015 REVISTO E PUBLICADO


RELAÇÕES HUMANAS E EDUCAÇÃO – TEXTO ORIGINAL DE 30 DE NOVEMBRO DE 2015 REVISTO E PUBLICADO

Hoje surpreendi alguns colegas ao responder a um comentário sobre a forma como algumas pessoas se comportam em grupo e em relação aos outros indivíduos ou grupos com qual convivem cotidianamente. Tratava-se tanto de uma questão ética relativa à conduta individual da pessoa quanto de uma relação política a respeito do seu compromisso com o grupo. Muitas vezes essa relação tem uma assimetria de poder de decisão ou apresenta uma relação vertical ou hierárquica de poder.  

Comentei que algumas pessoas tem muita dificuldade para pedir, aceitar e ouvir conselhos de outros e mesmo consultar as outras a respeito de assuntos que tocam a elas também e que lhes dizem respeito, preferindo na maior parte dos casos decidir ou avaliar a partir de informações ou insuficientes ou subjetivas - seja por ter o poder, por ter influência ou por ter acesso e possibilidade de interferir - sem consultar aos outros.

Não gostaria de usar aqui as palavras de que isso é um desrespeito, desprezo ou desconsideração ou imposição, pois ocorre algo mais simples que isso - e aqui tem um desafio moral e político, ético e cultural também – elas não reconhecem o outro como alguém habilitado a fazer juízo sobre si mesmo e se sentem superiores ao outro. Assim, isso é marcado por um costume, hábito ou prática comum naqueles que não aprenderam a agir de outra forma, não tiveram este exemplo e simplesmente desconsideram esta possibilidade como uma alternativa de se fazer justiça e ter a devida consideração ou um toque suave e tranquilo de reconhecimento do outro.

Sabemos - e quem me leu até aqui deve imaginar muito bem isso - que este é um problema de método, que esta escolha de método incide sobre a qualidade da democracia e das relações de igualdade ou horizontais necessárias as relações humanas justas, mas que também versa sobre o nível de inteligência emocional e sobre nossas sensibilidades em relação aos outros. Eu disse, dada esta caracterização e consideração inicial, que isto se devia a uma certa forma dominante de como somos quase todos nós educados e forjados nas lidas da vida a partir de uma perspectiva verticalizada e como todos tentam ao máximo poder estar acima, nessa hierarquia, para poder julgar assim com este método também. Aqui a pergunta que precisa ser posta é: pode ser diferente?  Eu acredito que sim. E não creio ser um sonho ou devaneio pensar assim.

Trata-se na tradição de educar as pessoas para trabalhar, competir e ganhar dinheiro e a última consideração possível para alguns é que vamos viver a vida inteira nos relacionando com os outros, vamos precisar deles, vamos depender deles. Isto é, não somos educados para nos relacionarmos satisfatoriamente com o próximo, nos relacionar com o próximo e dever algo ao próximo é um desprazer. Para os mais ambiciosos isso é desnecessário e não precisa ser considerado importante. Os outros são descartáveis e substituíveis. Devemos ser produtivos e lucrativos e disso se segue inclusive a priorização de conhecimentos uteis ou necessários e, também, da nossa forma pouco confiante e semi-paranóica de construir relações sociais, compromissos e desta imensa quantidade de burlas à confiança pessoal, ao compromisso político ou ao comprometimento real e existencial com o próximo.

Bem ditos ou malditos individualismos e seus modos de produção que incrementam até mesmo a existência generalizada de tal coisa como síndrome de pânico e estas formas permanentes de baixo envolvimento em temas coletivos saudáveis e prazerosos. Precisamos mudar isto. Precisamos educar as pessoas para relações mais saudáveis, mais compreensivas e de compromisso e lealdade.

Por isso, a vida é tão difícil e tão dura, porque vivemos nesse jogo de perde ou ganha em relação ao próximo e isso é ótimo para o sistema produtivo e nada bom para a saúde mental e social de nossos próximos. Pode sim ser diferente. E é mais do que necessário se acreditamos mesmo que um outro mundo é possível.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Thomas Wolfe, Of time and the River.




"Naquele momento ele viu, em um fulgor de luz, uma imagem de veracidade indescritível, a razão pela qual o artista trabalha e vive e tem o seu lugar — a recompensa que procura — a única recompensa com que realmente se importa, sem a qual não há nada. É para engodar os espíritos da humanidade em redes de magia, para fazer sua vida prevalecer através de sua criação, para desafogar a visão da sua vida, a rude e dolorosa substância de sua própria experiência, na congruência de imagens ardentes e encantadas que são elas mesmas o âmago da vida, o padrão essencial de onde todas as outras coisas provém, o miolo da eternidade."

"At that instant he saw, in one blaze of light, an image of unutterable conviction, the reason why the artist works and lives and has his being—the reward he seeks—the only reward he really cares about, without which there is nothing. It is to snare the spirits of mankind in nets of magic, to make his life prevail through his creation, to wreak the vision of his life, the rude and painful substance of his own experience, into the congruence of blazing and enchanted images that are themselves the core of life, the essential pattern whence all other things proceed, the kernel of eternity."

Excerto de Thomas Wolfe, Of time and the River.

Prá não dizer que não falei de flores


Prá não dizer que não falei de flores
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando e seguindo a canção

Somos todos iguais braços dados ou não

Nas escolas nas ruas campos construções

Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Vem vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações

Pelas ruas marchando indecisos cordões

Ainda fazem da flor seu mais forte refrão

E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Vem vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Ha soldados armados amados ou não

Quase todos perdidos de armas na mão

Nos quarteis lhes ensinam uma antiga lição

De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Vem vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O MASSACRE DA EDUCAÇÃO PÚBLICA GAÚCHA TAMBÉM SE DÁ NA NOVA GRADE CURRICULAR


O MASSACRE DA EDUCAÇÃO PÚBLICA GAÚCHA TAMBÉM SE DÁ NA NOVA GRADE CURRICULAR



Saiu no Diário Oficial do RS hoje a nova matriz curricular.

É um massacre covarde e insensato à Área de Ciências Humanas e suas Linguagens, que tem todos os conteúdos reduzidos.

O componente curricular História no 2º e 3º anos do ensino médio ficou reduzido a apenas um período semanal. Preserva dois períodos no primeiro ano.

O componente curricular Geografia permanece nos três anos do ensino médio, mas ficou reduzido a apenas um período semanal.

O componente curricular Sociologia fica apenas no 1º e 2º ano do ensino médio e ficou reduzido a apenas um período semanal.

O componente curricular filosofia fica apenas no 1º e 2º ano do ensino médio e ficou reduzido a apenas um período semanal. É excluído do 3º ano.

É uma faxina nas disciplinas de humanas que ataca diretamente a possibilidade de aquisição de instrumentos, conceitos, métodos, teorias por parte dos alunos e alunas para lerem a realidade humana e a sua relação com o mundo.  

Para quê aprender história? Para quê relacionar, interpretar, criticar e avaliar os processos históricos? Para quê compreender a relação do homem com a natureza e o mundo? Para quê compreender a sociedade, as dinâmicas sociais, os processos sociais e a mudança social? Para quê pensar e refletir, julgar e formar pensamento crítico e adquirir elementos analíticos e sistemáticos de reflexão sobre a realidade, as ciências, as religiões e a totalidade do mundo e das nossas relações com ele?

Querem tirar da escola pública o direito do povo ser cidadão. Além disso, com o fim da sociologia e dá filosofia promovem o desmantelamento de carreiras do magistério e de formações acadêmicas muito importantes para a compreensão da sociedade e da humanidade.

Teremos mais professores sem oportunidade de trabalho e o esgotamento da capacidade de se enfrentar esse mundo cuja dinâmica é cada vez mais perversa, fascista e autoritária. Sem estudantes de humanas e sem o ensino de humanas, caminhamos para a consagração da desumanidade e da barbárie automatizada, naturalizada e mais banal.

É uma proposta que exibe mais claramente a face tirânica desse governo do Eduardo Leite e do PSDB.

É preciso denunciar isso também!

sábado, 23 de novembro de 2019

SOBRE GREVE E VAGABUNDOS, por Fernando Temporão


SOBRE GREVE E VAGABUNDOS, por Fernando Temporão

"Quando um sujeito de classe média diz que greve é coisa de vagabundo, eu fico com vontade de sentar com ele numa pracinha, comprar um algodão doce, respirar fundo e falar:

"Sabe fulaninho esperto, há 100 anos atrás não existia classe média. Não existia você. Não existia autonomia. Não existia profissional liberal. Nem existia assalariado. Há 100 anos atrás, fulaninho, existia uma pequena elite difusa que se transformou em burguesia, herdeira secular de terras, privilégios, favores e negócios que remetem aos regimes monárquicos, seja no Brasil ou na Europa. Essa elite era dona de tudo: das terras, das fábricas, dos meios de produção. E tudo o que o povão tinha era fome, sede, frio, calor e força de trabalho pra vender por QUALQUER merreca que essa elite quisesse pagar.

Sabe fulaninho, esse povão trabalhador, durante décadas, foi explorado, torturado, privado de tudo, em nome do lucro de poucos. E durante décadas esse povão precisou se unir, e lutou, combateu, apanhou, foi preso....até ser ouvido para, pouco a pouco (bem lentamente mesmo), à duras penas, conquistar direitos trabalhistas que hoje regulam o que você faz.
E foi esse povo que, consolidados os seus direitos, passou a ser um negócio chamado: classe média. Esse povo, com muito suor e sangue, inventou uma classe social potente e enorme que, no caso, Fulaninho, é a SUA classe social. Você é o resultado prático da luta, das greves, das manifestações, e de toda organização política feitas por gente que, por sua força de MASSA, de CONJUNTO, conseguiu mudar o paradigma do século 20.

Seja você um autônomo, dono de uma pequena ou média empresa, seja você um profissional liberal, um prestador de serviços...seja você o que for, você foi inventado por GREVISTAS e só existe porque GREVISTAS permitiram que você pudesse existir e ser livre.

Sem os grevistas, fulaninho espertalhão, hoje você estaria dormindo 3 horas por dia e almoçando água com pedra. Sempre na nobre companhia de um senhorio com uma CHIBATA na mão para que você nunca se esqueça quem manda.
O tempo passou, o mundo mudou, mas nem tanto. Eles continuam tendo o poder e sendo poucos. E os trabalhadores continuam sendo a maioria e fazendo da sua UNIÃO a única arma para garantir sua sobrevivência e seus direitos.

Acorda, fulaninho! O único vagabundo aqui é aquele que teve preguiça e a incapacidade de ler os livros de história: .......!"

Por Fernando Temporão.

A GREVE SÓ CRESCE


A GREVE SÓ CRESCE

A greve dos educadores estaduais do Rio Grande do Sul só cresce!

Os apoios em todas as câmaras de vereadores crescem!

Os apoios dos sindicatos e entidades também!

Essa é a hora de virar o jogo contra o desrespeito e a desvalorização da educação gaúcha!

Vamos derrotar o Pacote de Maldades do Leite!

Pressão nos deputados estaduais!

Diálogo com alunas e alunos, país e mães!

Boa luta!

A MAIOR GREVE DA HISTÓRIA DO RS


A maior greve da história. Ao atacar de forma completa os direitos dos educadores e servidores públicos do estado do Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite e seus apoiadores conseguiram acender um rastilho de pólvora que se alastra e se amplia a cada dia com mais força.

É um incêndio de grandes proporções, porque qualquer professor ou servidor que compreende o impacto de as medidas do Pacote de Maldades, adere ao movimento com muita facilidade.

A aprovação e implantação desse projeto significa simplesmente a destruição da carreira dos educadores do Rio Grande do Sul e por consequência da Educação Pública Gaúcha.