O nível de cinismo, canalhice e
mau caráter do presidente usurpador é tal que chego a não acreditar que um
pusilânime desta grandeza tenha chegado a presidência com apoio do povo
brasileiro. Isso só se explica por seus iguais. Impressionante e me deixa
completamente anojado. Que
vergonha!
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
domingo, 11 de dezembro de 2016
PENSANDO - 28 DE NOVEMBRO DE 2016
Na mais absurda ideia que já tive
sobre a distância entre nossa vida interior e este mundo dos fatos que lhe
corre em paralelo e que parece tentar nos absorver em seus acontecimentos
importantes, terríveis e dramáticos.
Pensando na Separação deste
Mundo.
Na mais absurda ideia que já tive
sobre a distância entre nossa vida interior e este mundo dos fatos que lhe
corre em paralelo e que parece tentar nos absorver em seus acontecimentos
importantes, terríveis e dramáticos. Pensando no mundo interior que resiste e
reside em cada um de nós que possui de reflexões, comentários e diálogos,
coisas que ocorreram ou que poderiam ter ocorrido nesta caminhada da vida, as
nossas criações reconfortantes e suas narrativas ficcionais, idéias
imaginárias, memórias reencontradas, lembranças e retomadas de coisas pessoais,
projetos e sua abissal distância do que ocorre no mundo à nossa volta e que
parece tentar nos tomar todo nosso tempo de vida, como se a vida que vale fosse
apenas esta ocupação com o mundo. Fica fácil compreender porque se escreve
ficção, se criam personagens em carne e osso, porque alguns autores e autoras
vivem isto tão intensamente e, assim, se observa com lupa e muito carinho
pequenos detalhes da vida das pessoas que vistos de muito perto parecem não ter
nenhum sentido nos termos que muitos gostam de dar para suas escolhas e decisões,
mas que pelo surpreendente e até absurdo podem ser vistos como maravilhosos,
excepcionais e determinantes atos de liberdade perante o mundo. No sentido que
percebo aqui - talvez delirante e alienado do bem - em que estas coisas frente
ao tal grande vale de lágrimas que é o mundo, frente aos absurdos e abusos bem
visíveis de poderosos ou notórios tornam estas coisas comuns admiráveis. Gostar
tanto de uma coisa ao ponto de dedicar parte razoável de sua vida àquilo parece
fazer sentido mesmo para poucos. Mas eu compreendo isto sim. Dar tanta
importância ao seu lugar no mundo e seu papel na sociedade ao ponto de lançar
sua vida inteira e o que sobrar dela no grande redemoinho do mundo. Suportar e
encarar bravamente esta realidade no qual esta usina de poder e sucesso que é o
mundo para alguns reduz homens bem vestidos e belas mulheres em pedaços de
gente, escombros de aviões em um cemitério no deserto - a imagem que eu vi ao
olhar para os jornais estes dias - restos ou mortos vivos que ainda andam sobre
a terra mas que estão há muito tempo condenados pela história que um dia será
contada. Pessoas e aviões que não voam mais, mas que conquistaram um lugar só
seu até que algum desmanche ou triturador resolve moer suas carcaças, quebrar
seus vidros e transformar algumas poucas pecas em souvenirs. É possível ver sim
o triste destino de tanto sucesso, poder, vaidade e imaginar o quão importante
é um pequeno jardim, um belo retrato, uma pintura modesta, um móvel restaurado,
uma boa mesa, um álbum de belas imagens e alguns sons e textos espalhados sobre
a mesa nos lembrando que em momentos diferentes alguém fez algo mais belo, algo
que será realmente eterno e admirado não porque é visto todos os dias, mas
porque ao ser revisto, reencontrado ou escutado e lido pela primeira vez terá
mais valor do que aquilo que fica tão presente aos nossos olhos, mas que parece
não trazer mais significado algum. Dá para entender sim a fuga e a travessia de
muitos para uma realidade interior e própria como a realização mais modesta mas
mais importante de um domínio de si, de uma demarcação de um território ou
lugar só seu neste mundo e que será reservado apenas para que se deixar entrar
e que lhe compreender o sentido e a grandeza. Dá para compreender sim os
poetas, os idealistas,o s loucos, os anti sociais, os as autistas ou puristas e
aqueles todos que tratam de construir para si um espaço de isolamento que seja
impenetrável só terrível drama e perturbador ciclo de acontecimentos
incontroláveis e avassaladores deste mundo em que vivemos. Que todos consigam
ter um pouco disto para si e que saibam cuidar desta parte que lhes cabe desta
vida e que só eles podem ser, tecer, sentir e viver. Só um grande e generoso afeto explica tudo
isto..
THOMAS WOLFE SOBRE O ARTISTA
"Naquele momento ele viu, em
um fulgor de luz, uma imagem de veracidade indescritível, a razão pela qual o
artista trabalha e vive e tem o seu lugar — a recompensa que procura — a única
recompensa com que realmente se importa, sem a qual não há nada. É para engodar
os espíritos da humanidade em redes de magia, para fazer sua vida prevalecer
através de sua criação, para desafogar a visão da sua vida, a rude e dolorosa
substância de sua própria experiência, na congruência de imagens ardentes e
encantadas que são elas mesmas o âmago da vida, o padrão essencial de onde
todas as outras coisas provém, o miolo da eternidade."
Excerto de Thomas Wolfe, Of time and the River.
SOBRE ROBERTO FREIRE NA CULTURA
Roberto Freire na cultura é só
mais um sintoma da roubada em que estes caras nos enfiaram.
É o governo dos mortos vivos e da
múmias paralíticas. Inúteis e Usurpadores tomaram um país através de um golpe e
de um ardil covarde e o que se sucedeu após isto é uma vergonha, um atraso e a
mais dura fatalidade que este país já viveu.
TRISTEZA, DESALENTO E GOLPES
Li murais de muitos amigos e
amigas apontando a tristeza e o desalento com o quadro geral que assistimos e
outros bradando à luta e chamando à mobilização. Que bom que vocês não são
indiferentes. Fico realmente feliz. Eu também tive dificuldades para dormir
esta noite. Não tomei remédio algum, mas acordei umas quatro vezes durante toda
à noite. A gente fica preocupado e ressabiado com tudo à nossa volta. A gente
pensa no futuro e nos bons planos que temos no trabalho e na vida e percebe as
ameaças que vem chegando para destruir e derrubar todos que trabalharam
arduamente para ter alguma perspectiva de sociedade melhor. Parece que estamos
entrando no pior dos mundos possíveis e se recebe todo dia um golpe, uma
traição, um retrocesso, uma perda, um recuo, uma frustração e decepções às
pencas. Não é nada difícil de se compreender o recolhimento de muitos e a
retirada do front e do cenário. Fica-se anojado, envergonhado, triste e
furioso, mas se mantém o controle, não se explode, não se cultiva ódios ou
raivas e nem se descarrega nos coitados que parecem ver tudo isto num estágio
de indiferença e certo entorpecimento. Não é fácil mesmo, em especial para nós
que tanto lutamos, reunimos, caminhamos, discutimos e construímos coisas muito
melhores e mais decentes do que isto que está ai. Para nós que sempre fomos
orientados por intenções honestas e francas é muito duro. Tenho esperanças nos
jovens e em suas iniciativas e em todos que lutam e também em algo que podemos
chamar de destino ou de força dialética que me dá a esperança de que eles - a
canalha, os ignorantes, os vis e os picaretas e pilantras - estão esticando a
corda ao máximo e que ela vá arrebentar de algum modo. Não tenho como me
retirar de meu trabalho e me eximir de minhas responsabilidades. Protesto por
aqui. Escrevo aqui. Compartilho e me posiciono, mas percebo que está faltando
algo que não é só mobilização mesmo. E me é algo que parece ser um sentimento
de coletivo e um espírito coletivo. Mas não vamos desistir! Vamos resistir!
Vamos virar esta página e avançar! Mantenhamos nossa esperança e nossa fé na
humanidade. Não é o ano que é ruim, mas sim as ações humanas! Em frente e com boa
vontade. Este é o único apelo que consigo fazer agora!
Em 30 de novembro de 2016...
SOBRE IDEIAS OPOSTAS
"O teste de uma inteligência
de primeira ordem é
a capacidade de manter duas
idéias opostas na
mente ao mesmo tempo e ainda
manter a
capacidade de funcionar."
F. Scott Fitzgerald
FILOSOFIA E LIBERDADE
“Ser livre é querer a liberdade
dos demais.” Simone de Beauvoir
Não haverá filosofia importante
sobre a liberdade ou a igualdade se ela não se aplicar à nossa vida real. A
filosofia não é uma abstração, ela é um desejo de ir além junto...
RELAÇÕES HUMANAS - RESUMO REVISITADO E AMPLIADO
Somos
educados para trabalhar e ganhar dinheiro, não para ter boas relações humanas.
É este tipo de educação que ajuda a determinar o automatismo quase instintivo
do individualismo em nós. Isso constitui, em parte, o que se pode chamar de
selva e este individualismo ou darwinismo social que vivemos no capitalismo. E
o resultado está ai, apesar das relações humanas e sociais serem pré-condição
para as duas metas anteriores e todas as outras metas que nos podemos
constituir por nossas escolhas, gostos, considerações de importância ou juízos
de necessidade, nós só lidamos com elas como prioridade em emergências ou
secundariamente. Por isto, temos que nos dedicar mais ainda a educar nossos
jovens contrariando está lógica e melhorando e compreendendo as relações
humanas. Toda a política e toda ética ou cultura civilizatória possível deve
seguir nesta direção. Por isto também cabe ao estado ser contra fração à este
processo de brutalização da vida humana, não seu agente de primeira fila. E
toda política ou programa que se apresentar no sentido contrário da humanização
deve ser repudiado e denunciado. É indício mais claro ainda deste espírito
avesso à humanização que este programa ou política, por melhor que tenha sido
pensado, acabe por necessitar para ser aplicado ou legislado das armas da
imposição e dos argumentos da violência.
RESERVAR JULGAMENTOS
"Reservar julgamentos é uma
atitude que dá margem ao surgimento de esperanças infinitas."
(The Great
Gatsby)
F. Scott Fitzgerald
LEMBRETE DA LOUCURA DE DA LUCIDEZ
E vamos andando bem
calminhos...eliminando stress e escutando uma musiquinha...vamos indo em
frente....cada um sabe a dor e a alegria de ser o que se é...no final, no final
mesmo, só sobra o amor, o que se amou e o que se deixou como obra do amor...
O cara só é maluco mesmo, se
conseguir ter lampejos de lucidez maiores e mais iluminados sobre o mundo e a
vida do que seus delírios cotidianos e suas pequenas fantasias de si mesmo.
PEQUENA REFLEXÃO SOBRE A DEMOCRACIA COM A CÂMARA E OS CONSELHOS MUNICIPAIS - DE 2012
Para não dizer que não esqueci a
política municipal fiquei pensando hoje por alguns instantes no que acontece ou
pode acontecer quando pensamos em democratizar a gestão e para isto existem 35
Conselhos Municipais cujos cidadãos não são remunerados e 13 vereadores
remunerados. Os vereadores que não tem, na sua grande maioria, nem a menor e
nem a maior noção do que estes conselhos discutem mas que são remunerados para
deliberar em Comissões que devem reunir para tratar sobre políticas públicas,
projetos de lei, ações do executivo e fiscalizar os serviços públicos em todos
os níveis e poderes. Então, que tal cara pálida? o que você teria a dizer sobre
isto? que não seja mera ruminação e retórica tortuosa? Eu gostaria muito e
creio que seria desejável se promover e haver uma boa participação dos
vereadores e vereadoras municipais nos conselhos e dos conselhos na câmara de
vereadores.
NOTA SOBRE HEIDEGGER, FILOSOFIA E DESCAMINHOS - TERCEIRA VERSÃO DANIEL ADAMS BOEIRA•DOMINGO, 4 DE DEZEMBRO DE 2016
“Mais uma vez um caminho da
filosofia perde-se no desconhecido.”
Heidegger pronuncia esta frase
quando da morte de Max Scheler (1874-1928). E esta é a frase final da biografia
Heidegger: Um mestre da Alemanha: entre o bem e o mal, escrita por Rudiger Safranski, página 500.
Filosofar é sempre um jogo ruim.
Pelo menos do ponto de vista de quem acredita que irá ganhar alguma coisa com a
filosofia. Porque você joga mais do que vence. E jogar mais aqui não significa
apenas mais movimentação, mas sim altas apostas e expectativas que devem ser
acompanhadas de muito esforço e que trarão, ao fim e ao cabo, poucos
resultados. Quando digo isto lembro apenas que você não terá vitória e nem
vitória fácil em filosofia. Você terá prazer, emoções, ideias, encontros e
desencontros, aproximações e afastamentos, problemas e questões a resolver e a
rever e isso nunca pára, nunca acaba.
Ou
você se desgraça na entrada, ou no meio da estrada ou no final. Já chamei
muitos filósofos de desgraçados, mas creio que o mais correto seria
desencaminhados, porque muitos deles ainda tem graça e ainda nos deixam sorrir
ao ler e descobrir suas idéias. Mas o que mais ocorre é que nós nos perdemos
com eles e eles também se perdem. Você sempre perde alguma coisa e muda em
alguma coisa e o balanço e a avaliação é sempre provisória. A conta não fecha.
E no final tudo se perde no desconhecido. Isto é, no final, tudo se
desencaminha de novo.
E tal como bem compreendeu Albert
Camus (1913-1960), a pedra arduamente empurrada ladeira acima volta a descer
ladeira a baixo e terá que ser levada de novo arduamente até o cume para voltar
a rolar mais uma vez e sucessivamente até o infinito ou algum tipo de fim dos
tempos que encerre esta aventura do mundo. Um detalhe é que deverá haver
substituição e que muito poucos elevam a pedra até o cume da montanha duas
vezes na vida. Então uma outra pessoa terá que se encarregar e se ocupar dela,
porque o da última elevada se perdeu ou no caminho, ou no topo da montanha ou
foi esmagado pela pedra e restou despedaçado e desgraçado ao sopé de uma imagem
que o mito de Sísifo nos apresenta claramente. Assim, a filosofia nos leva a um
tipo de desencaminhamento.
Ler Martin Heidegger (1889-1976),
nos dá uma mostra disto, pois quando crê que compreendeu o texto logo em
seguida surge uma certa obscuridade que parece colocar tudo a perder. E isso
ocorre com ele em diversas dimensões. Na interpretação da sua biografia, da sua
obra e no alcance e influência de suas ideias. A obscuridade de Heidegger me
parece até perdoada, mas o resto não.
Heidegger como interprete de
outros é muitas vezes assustador. O seu trabalho de 1924 sobre O Sofista de
Platão, por exemplo, me atrai muito por seu detalhamento de plano e também por
anteceder Ser e Tempo, mas me dá medo, confesso. Já o texto dele Kant e o
problema da Metafísica, me pareceu
sempre um dos textos mais interessantes que já li de interpretação de um autor
e de Kant. Aliás, Heidegger sempre consegue ler os outros filósofos e lavrar
pedras novas em seus terrenos próprios e avistar aquilo que poucos avistam em
suas obras.
Porém, seguindo adiante, ele é
deverás surpreendente e é impressionante para mim quando chego a compreender
algumas de suas idéias presentes em suas próprias obras mais acessíveis e
traduzidas para o português. Cito aqui e recomendo o volume da coleção Os
Pensadores com as traduções de Ernildo Stein de diversos textos, as edições e
traduções de Ser e Tempo, as diversas edições das Editoras Vozes, Martins
Fontes e outras.
Quando chego em suas leituras dos
clássicos - além de Kant, Descartes e Platão com os quais parece dialogar e
debater em total e absoluta igualdade - e onde parte de seu pensamento se
resolve por assim dizer na relação com o pensamento de outros ( Nietzsche,
Hölderlin (se eu não botar trema aqui minha mãe me bate) e Heráclito, por
exemplo, são assombrosos) e, também, algo do seu estilo e tratamento
persistente de seus textos que aprece naquela prosa miudinha dele que vai
cerzindo e costurando o texto quase milimetricamente e muito minuciosamente e
algo que muitas vezes nos tira a paciência, porque cansa ver e ler alguém
ruminando e atacando por horas, páginas e até mesmo meses e mais de uma obra
uma espécie de cápsula de idéias.
Mas ele, é preciso reconhecer,
não dá pulos, é muito persistente e focado, apesar da tal obscuridade eventual
- que pode significar apenas que você não consegue pensar na terminologia dele
ou no seu jargão como diria Adorno - não é mesmo um filósofo saltitante, porém
de vez em quando vai nos levando naquele ruminar e de repente nos chuta para
dentro de um abismo. De onde, no mais das vezes, não sabemos como sair ou
simplesmente abandonamos a obra e o seu pensar sobre aquilo e tiramos umas
férias da metafísica. Aliás, creio que ele deve ser o teste por excelência de
quem pretende pensar a metafísica sem cordões, redes de salvamento e orientação
espiritual. A fase poética dele eu não leio não. Confesso me sentir bem
inferior a ele em sua leitura de poesia.
Tenho até pensado que se a sorte
me der mais tempo de vida vou me dedicar cada vez mais a leitura de clássicos
da literatura e da poesia com alguns filósofos e filósofas. Mas devo confessar
que tenho preferido filósofos e obras mais obscuras, nebulosas e intrigantes,
ainda que mantenha minha intuição fixa na obra de Wittgenstein desde a
graduação e, em especial, na Da Certeza como tarefa de leitura e investigação
de alguns dez anos para cá.
Até a crítica da técnica em
Heidegger, eu acompanho numa boa, aquelas obras introdutórias sobre o que é a
metafisica e a filosofia são ótimas para treinar nossa concentração e também
para testar nosso raciocínio de leitor, mas confesso que tenho muita
curiosidade sobre seus textos mais misteriosos e tudo que ele consegue fazer
quando mergulha nos pré-socráticos. (Os textos dele, Nietzsche e Hegel e outros
como Jean Beauferet em comentários sobre os pré-socráticos naquele volume da
coleção Os Pensadores são muito recomendáveis aos estudantes que queiram
entender a intrincada trama entre um autor e as sucessivas abordagens dos
pósteros.)
Em biblioteca de um mestre nosso
- a quem devo bem mais do que posso pagar em uma citação - olhei algumas poucas
imagens de fac-similes dos manuscritos dele - hoje você pode ler isto por aqui,
só que texto é em alemão é claro - e aquilo me deixava espantado também.
Imagina o cara dar um passeio na floresta negra pela manhã, voltar para casa
sentar e escrever ou reescrever 100 páginas em um dia. É no dia seguinte
refazer tudo e revisar tudo e concluir alguma etapa do seu manuscrito até a
madrugada. Imagine que ele fazia isto todos os dias...
A gente pode imaginar a
intrincada trama de um autor como Heidegger em sua obra completa e aprender a
respeitar ele muito mais pelo seu caminhar e desencaminhar próprio. E eu creio
que todo bom Dr. ou Dra., Mestre ou Mestra, Especialista, Bacharel ou Formando,
ou seja, qualquer acadêmico mais dedicado o faz ou pode fazer. Olhar para obra
inteira de um cara destes a medida que vai lendo o que pode, compreendendo mais
ou menos e seus textos e a medida que vai avançando, parece bem começar a
desenhar um quadro ou esquema em uma certa panorâmica e se põe a perceber, com
a ajuda de outros interpretes e introduções, as ligações entre todos os textos,
as chegadas de idéias novas, as idas e vindas de velhos problemas e também as
tais influências e as revisões de questões que eles perseguem. Nós mesmos,
passados alguns anos voltamos e devemos voltar sobre muitas coisas, como se
houvéssemos esquecido algo, lido muito rapidamente ou passado por cima. Para
mim, o chamado segundo Heidegger parece tentar romper com tudo isto.
Eu mesmo confesso estar mais interessado
em literatura ultimamente, por um impulso que me parece semelhante. A busca de
um pensamento que se conecte com os mistérios, escolhas, acidentes, gostos,
compromissos e necessidades da vida. Não consigo mais pensar filosoficamente de
forma a separar reflexões filosóficas de questões objetivas de minha existência
e sua dimensão passageira e incerta. E que não é bem uma fuga, mas talvez uma
contra fuga. Estar mais ocupado com os problemas da vida e suas diversas
versões, suas ficções e narrativas e não tanto em busca de uma teoria de
totalidade que responda às velhas questões de forma basilar ou conceitualmente
explêndida. Me parece que buscamos conceitos de forma diferente quando damos
estes passos. Hoje disse que quando não possuímos conceitos, não podemos
ensinar nada e que então precisamos construir conceitos ou buscar conceitos
prontos em alguém, mas eu creio que as vezes um conceito inacabado e incompleto
é muitas vezes mais interessante. ( Sei e lembro do probleminha dos juízos
sintéticos a priori aqui.)
Minha tergiversação aqui, por
exemplo, está ligada a questão mais fundamental de porque lemos estes caras ou
estas abordagens deles? Porque é um jogo de soma zero mesmo e é por isto mesmo,
assim me parece, que nós apostamos alto e o valor da aposta é justamente o
nosso problema. Todo mundo sabe que jogadores perdem muito dinheiro, assim como
filósofos perdem muito tempo até encontrarem um prêmio que poderá adiante ser
impugnado, refutado ou superado. Assim, a nossa força é muito dispendida na abertura
de uma grande dificuldade pedreira acima e adentro. Mas nós parecemos escolher
sempre a pedra mais dura para cortar, cavar e carregar. Eu diria, para lembrar
minha tia que me fez pensar por meses nesta questão: nós não procuramos o
caminho mais curto entre um ponto e outro não. E até mesmo os mais
disciplinados escondem grandes e tortuosas perdas de tempo.
A clareza aparece nas exibições,
mas a fabricação ou construção de conceitos deve ser muito pior do que fabricar
linguiças. Bismarck, por exemplo, é um inocente neste ramo de atuação. O fardo
mais pesado é o nosso escolhido, mas é justamente isto que acaba por nos
definir na filosofia e não em outras especialidades tão pesadas também, mas
cujo tereno e lavras parecem estar em boa ordem, ainda que não existam só
certezas nestas outras ocupações.
Eu reeditei o texto duas vezes
até chegar nesta nota que o ampliou e tentei corrigir algo de suas imperfeições
porque quando escrevi a primeira versão estava muito sonolento, por exemplo, e
deixei fora certos detalhes do meu pensamento sobre Heidegger, a filosofia e
nossos desencaminhamentos que me parece importante também.
Se alguém ler isto aqui - este
arrazoado posto assim nesta desordem toda - e gostar, recomendo que fuja da
filosofia e não perca tempo com ela e vá ler algum livro de poesia ou decorar
as obras completas dos Beatles em versões inglesas, francesas e portuguesas,
que perderá menos tempo do que tentando colocar as suas ideias em ordem, ou
entender a ordem das minhas. Se alguém se aborrecer com esta recomendação
provocadora, recomendo que não faça nada o que garante nenhuma perda de nenhum
ganho também. E quem não gostar que faça filosofia, ou curse tal coisa para
provar para si mesmo que é capaz de se organizar melhor e pensar melhor.
Um abraço...
Em um comentário inoportuno
talvez, ao meu colega querido Renato Duarte Fonseca que comenta a dificuldade e
obscuridade nas leituras das escrituras de Heidegger.
ANOMIA BRASIL
Brasil em estado de anomia ..
executivo contra o povo, Legislativo contra o povo e judiciário a favor de os
dois e contra o povo!
- Em sete de dezembro após me dar conta de que o STF entregou sua autonomia em sacrifício e homenagem humilhante à Renan Calheiros e à Michel Temer e seus projetos.
ALIMENTAR O ESPÍRITO COM SABEDORIA
É preciso alimentar o espírito
com sabedoria, senão a vida não tem graça!
P.S. O que há de comum entre certas doutrinas religiosas e certas doutrinas da filosofia. E talvez por isto os padres da igreja preservaram as obras dos filósofos gregos porque perceberam que elas alimentavam o espírito e que tal atividade é comum aos cristãos também.
#ForaTemer
Me deram: Direito várias vezes
já...
Qual a chance de fazer isso?
Nenhuma!
Quero/faço: Sou Professor de
Filosofia
Penso em segunda faculdade: Sim.
Medicina
Terceira Opção: Psicologia
Nunca faria: Geologia
Comenta #ForaTemer que eu te falo
um curso
NOTA SOBRE HEIDEGGER, FILOSOFIA E DESCAMINHOS - VERSÃO 2
Filosofar é sempre um jogo ruim.
Ou você se desgraça na entrada ou no final. Você sempre perde alguns coisa e
muda em alguma coisa. A obscuridade de Heidegger me parece até perdoada, mas o
resto não. O seu trabalho sobre O Sofista de Platão me dá medo, confesso.
Porém, ele é deverás surpreendente e é impressionante para mim quando chego a
compreender algumas de suas idéias, as suas leituras dos clássicos ( Nietzsche,
Hölderlin (se eu não botar trema aqui minha mãe me bate) e Heráclito, por
exemplo, são assombrosos) e, também, algo do seu estilo e tratamento
persistente de seus textos que aprece naquela prosa miudinha dele que vai
cerzindo e costurando o texto quase milimetricamente e muito minuciosamente e
algo que muitas vezes nos tira a paciência, porque cansa ver e ler alguém
ruminando e atacando por horas, paginas e até mesmo meses e mais de uma obra
uma espécie de cápsula de idéias. Mas ele, é preciso reconhecer, não dá pulos,
é muito persistente e focado, apesar da tal obscuridade eventual - que pode
significar apenas que você não consegue pensar na terminologia dele ou no seu
jargão como diria Adorno - não é mesmo um filósofo saltitante, porém de vez em
quando vai nos levando naquele ruminar e de repente nos chuta para dentro de um
abismo. De onde, no mais das vezes, não sabemos como sair ou simplesmente
abandonamos a obra e o seu pensar sobre aquilo e tiramos umas férias da
metafísica. Aliás, creio que ele deve ser o teste por excelência de quem
pretende pensar a metafísica sem cordões, redes de salvamento e orientação
espiritual. A fase poética dele eu não leio não. Confesso me sentir bem
inferior a ele em sua leitura. Até a crítica da técnica eu acompanho numa boa,
aquelas obras introdutórias sobre o que é a metafisica e a filosofia são ótimas
para treinar nossa concentração e também para testar nosso raciocínio de
leitor, mas confesso que tenho muita curiosidade sobre seus textos mais
misteriosos e tudo que ele consegue fazer quando mergulha nos pré-socráticos.
(Os textos dele, Nietzsche e Hegel e outros sobre os pré-socráticos naquele
volume da coleção Os Pensadores são muito recomendáveis.) Em biblioteca de um
mestre nosso - a quem devo bem mais do que posso pagar em uma citação - olhei
os fac-similes dos manuscritos dele - hoje você pode ler isto por aqui, só que
texto é em alemão é claro - e aquilo me deixava espantado também. Imagina o
cara dar um passeio na floresta negra pela manhã, voltar para casa sentar e
escrever ou reescrever 100 páginas em um dia. É no dia seguinte refazer tudo e
revisar tudo e manuscrito até a madrugada. A gente pode imaginar, e eu creio
que todo dr. ou dra. o faz. Olhar para obra inteira de um cara destes numa
panorâmica e perceber as ligações entre todos os textos, as chegadas de idéias
novas, as idas e vindas de velhos problemas e também as tais influências e as
revisões de questões que eles perseguem. Nós mesmos, passados alguns anos
voltamos e devemos voltar sobre muitas coisas, como se houvéssemos esquecido
algo, lido muito rapidamente ou passado por cima. Para mim o segundo Heidegger
parece tentar romper com tudo isto. Eu mesmo confesso estar mais interessado em
literatura ultimamente, por um impulso que me parece semelhante. E que não é
bem uma fuga, mas talvez uma contra fuga. Estar mais ocupado com os problemas
da vida e suas diversas versões, suas ficções e narrativas e não tanto em busca
de uma teoria de totalidade que responda às velhas questões de forma basilar ou
conceitualmente explêndida. Me parece que buscamos conceitos de forma diferente
quando damos estes passos. Hoje disse que quando não possuímos conceitos, não
podemos ensinar nada e que então precisamos construir conceitos ou buscar
conceitos prontos em alguém, mas eu creio que as vezes um conceito inacabado e
incompleto é muitas vezes mais interessante. ( Sei e lembro do probleminha dos
juízos sintéticos a priori aqui.) Minha tergiversação aqui, por exemplo, está
ligada a questão mais fundamental de porque lemos estes caras ou estas
abordagens deles? Porque é um jogo de soma zero mesmo e é por isto mesmo, assim
me parece, que nós apostamos alto e o valor da aposta é justamente o nosso
problema. Todo mundo sabe que jogadores perdem muito dinheiro, assim como
filósofos perdem muito tempo até encontrarem um prêmio que poderá adiante ser
impugnado, refutado ou superado. Assim, a nossa força é muito dispendida na
abertura de uma grande dificuldade pedreira acima e adentro. Mas nós parecemos
escolher sempre a pedra mais dura para cortar, cavar e carregar. Eu diria, para
lembrar minha tia que me fez pensar por meses nesta questão: nós não procuramos
o caminho mais curto entre um ponto e outro não. E até mesmo os mais
disciplinados escondem grandes e tortuosas perdas de tempo. A clareza aparece
nas exibições, mas a fabricação ou construção de conceitos deve ser muito pior
do que fabricar linguiças. Bismarck, por exemplo, é um inocente neste ramo de
atuação. O fardo mais pesado é o nosso escolhido, mas é justamente isto que
acaba por nos definir na filosofia e não em outras especialidades tão pesadas
também, mas cujo tereno e lavras parecem estar em boa ordem, ainda que não
existam só certezas nestas outras ocupações. Eu reeditei o texto e tentei
corrigir algo de suas imperfeições porque quando escrevi a primeira versão
estava sonolento, por exemplo, e deixei fora certos detalhes do meu pensamento
sobre Heidegger, a filosofia e nossos desencaminhamentos que me parece
importante também. Se alguém ler isto aqui - este arrazoado posto assim nesta
desordem toda - e gostar, recomendo que fuja da filosofia e não perca tempo com
ela e vá ler algum livro de poesia ou decorar as obras completas dos Beatles em
versões inglesas, francesas e portuguesas, que perderá menos tempo do que
tentando colocar as suas ideias em ordem, ou entender a ordem das minhas. Um
abraço...
Em um comentário inoportuno
talvez, ao meu colega querido Renato Duarte Fonseca que comenta a dificuldade e
obscuridade nas leituras das escrituras de Heidegger.
HEIDEGGER O OBSCURO - VERSÃO 1
Filosofar é sempre um jogo ruim.
Ou você se desgraça na entrada ou no final. Você sempre perde alguns coisa é
muda em alguns coisa. A obscuridade de Heidegger me parece até perdoada, mas o
resto não. Porém ele é deverás surpreendente é impressionante para mim quando
chego a compreender algumas de suas idéias, suas leituras dos clássicos e
também aquela prosa miudinha dele que vai cerzindo e costurando o texto quase
milimetricamente e muito minuciosamente e algo que muitas vezes nos tira a
paciência. Mas ele não dá pulos, porém de vez em quando nos chuta para dentro
de um abismo. A fase poética eu não leio não. Até a crítica da técnica eu
acompanho, mas confesso que tenho muita curiosidade sobre seus textos mais
misteriosos e quando ele mergulha nos pré-socráticos. Em biblioteca de um
mestre nosso olhei fac-similes dos manuscritos dele e aquilo me deixava
espantado também. Imagina o cara dar um passeio na floresta negra pela manhã,
voltar para casa sentar e escrever ou reescrever 100 páginas em um dia. É no
dia seguinte refazer tudo e revisar tudo e manuscrito até a madrugada. A gente
pode imaginar, e eu creio que todo dr. Ou dra. O faz. Olhar para obra inteira
de um cara destes é perceber as ligações entre todos os textos, as chegadas de
idéias novas, as idas e vindas de velhos problemas e também as tais influências
e as revisões de questões que eles perseguem. Nós mesmos, passados alguns anos
voltamos e devemos voltar sobre muitas coisas, como se houvessemos esquecido
algo, lido muito rapidamente ou passado por cima. Para mim o segundo Heidegger
parece tentar romper com tudo isto. Eu mesmo confesso estar mais interessado em
literatura ultimamente por um impulso que me parece semelhante. Estar mais
ocupado com os problemas da vida e suas diversas versões, suas ficções e
narrativas e não tanto em busca de uma teoria que responda as velhas questões.
Me parece que buscamos conceitos de forma diferente quando damos estes passos.
Minha tergiversação aqui, por exemplo, está ligada a questão mais fundamental
de porque lemos estes caras ou estas abordagens deles? Porque é um jogo de soma
zero mesmo e é por isto mesmo, assim me parece, que apostamos alto e o valor da
aposta é justamente o nosso problema. Assim, a força é dispendida na abertura
de uma grande dificuldade pedreira acima e adentro. Mas nós parecemos escolher
a pedra maus dura para cortar, cavar e carregar. O fardo mais pesado, mas é
justamente isto que acaba por nos definir na filosofia e não em outras
especialidades tão pesadas também, mas cujo tereno e lavras parecem estar em
boa ordem, ainda que não existam só certezas nestas outras ocupações.
NA SEMANA PASSADA TEMER NO AEROPORTO DE CHAPECÓ
Fiquei surpreso com o esforço
quase heróico de certa fração da imprensa, em rádios, jornais e tevês, na
tentativa de defender, atenuar ou explicar a presença de Temer no aeroporto de
Chapecó. Isso mostra que falta grandeza e sensibilidade não somente para o
presidente, mas também para os seus acólitos e apoiadores de viés. É o triste
destino de um país que sofreu um golpe de um grupo de Usurpadores e Corruptos e
daqueles que os defendem com uma moral seletiva e que só vale para seus
adversários ideológicos e de concepção de sociedade. Vejo a corda esticando e
só posso aguardar as conseqüências. Tudo passa e eles passarão também.
MUDANÇA BRASIL, CRISE E SUPERAÇÃO – 05/12/16
Vejo que o Brasil sempre fez
mudanças moderadas e pacíficas, apesar de algumas iniciativas revolucionárias e
se não estou equivocado estas transformações podem ser caracterizadas como
feitas à frio e através de gabinetes ou arranjos de lideranças. Isso não pode
se chamar de uma lógica e nem ser preditivo, mas indica uma espécie de padrão
de conduta na sociedade brasileira. Lideranças tomam a frente do processo e
apresentam soluções para a sociedade que se reorienta a partir disto. A crise
hoje se conformou por um arranjo que traiu uma importante fração da sociedade
civil organizada, mas logo voltará a um equilíbrio por necessidade de superar
os atos de violência necessários para manter o poder por segmento sem representatividade
ou que não equaciona a sociedade. As vozes das ruas cantam em diferentes
direções o que por si só já deveria indicar mais prudência aos governantes. O
que vai ocorrer é um reequilíbrio e considerando a grave situação dos que detém
o poder hoje isso será feito através de um pacto de continuidade e a chamada de
novas eleições parece ser a única solução para divisar isto e impedir a tal
convulsão ou revolta que já está se manifestando em ocupações e caminhadas e
protestos em todas as partes do país. O projeto TEMER, PMDB/PSDB/DEM/PP
naufragou e antes que o navio afunde é bom trocar de timoneiro e reorganizar a
vida. Não é nada difícil reconhecer isto mais.
SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA – 07/12/16
A estupidez se consagra com a
reforma da previdência. Vão conseguir aumentar a informalidade, extinguir o
estatuto de seguridade social, falir com a previdência pública porque vai
aumentar a sonegação e baixar o custo da mão de obra no Brasil. Quem vai se dar
mal e o trabalhador e o estado que vai aumentar o custo saúde e ver a
arrecadação previdenciária minguar. É um golpe que ameaça as aposentadorias de
todos que já contribuíram e que ameaça aqueles que iniciam contribuindo. É o
mesmo tipo de barbeiragens cometida já em diversos países do mundo e o
resultado é muito ruim.
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