segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A TRILHA DE UM ROMANCE

Encontrei isso por acidente e fiquei impressionado com a alta qualidade e com a precisão.
Começo a entender finalmente a paixão...

IMORTAIS - QUE NADA

Se acham imortais e pensam ser gigantes, pensam vencer guerras e ter tronos brilhantes mas...


PEDE

Essa p...Pede revolta, pede mudança, pede revolução - 

#ForaTemer & #ForaCensuraCarnaval

SONETOS DE SHAKESPEARE - DOIS LINKS

Grato a Denise Bottmann por ter compartilhado isso...para apaixonados, especialistas e iniciantes...

http://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/cinco-sonetos-de-william-shakespeare-traduzidos-por-emmanuel-santiago-88119/

https://gavetadoivo.wordpress.com/2016/12/10/sobre-um-soneto-de-shakespeare/

MILES AHEAD – O DESCABEÇADO

#MúsicaSocial

Gostei tanto do filme que até olhando em uma versão assim, às avessas me diverti. Mas a música e a interpretação, direção e o roteiro do Dom estão ótimos. Mostrar o amor e a dureza da vida como fio condutor da obra de criação maravilhosa de Miles é um ótimo eixo. Me curvo á grandeza dele e quanto mais conheço, mais me impressiono...

UMA SOCIEDADE SEM RESPEITO

BOM DOMINGO - Algumas pessoas precisam de missa e de sermão, outras de escola e educação e muitas outras de amigos e amigas que compartilhem coisas que possam tornar elas melhores e não piores. Educação é um ato continuo e social que não ocorre só na escola ou em casa. Precisamos nos educar permanentemente para tirar este mundo da brutalidade em que os imbecis tentam mergulhar nossas vidas e as pessoas. Salve este artigo do Jorge Barcellos : http://www.jornalja.com.br/uma-sociedade-sem-respeito/

CHE GUEVARA EM PARIS

Fui perguntado estes dias por uma pessoa muito querida para mim e que pelo visto foi fisgada pela velha tática de desconstrução de símbolos da esquerda, sobre se eu sabia que Che Guevara esteve em Paris e Madri e que ia em lugares muito finos por volta de 1959. Eu imagino que ele ia sim nestes lugares.

A primeira e mais importante coisa que a direita tem feito, e noto muito isto mesmo, não é nem apresentar críticas aso princípios e às propostas da esquerda, é simplesmente atacar a imagem da esquerda, atacar seus símbolos, sejam eles pessoas ou pontas de projetos, até porque isso é mais fácil mesmo do que construir argumentos em defesa do capitalismo e do moedor de carne em que eles se dão muito bem.

Che Guevara era de classe média, nasceu numa família de boas condições de vida, cursou medicina e com a ideologia e a revolução conquistou um charme romântico para a época. Tinha uma combinação de indignação com a miséria e uma inteligência arguta com boa formação. Era muito festejado em diversos lugares do mundo por isso e pela façanha na revolução cubana. Mas lutou muito em Cuba, na África e acabou morrendo na Bolívia, traído por "revolucionários" que fizeram um acordo com o governo e o entregaram ao exército e à CIA que o cassava como animal na floresta. Foi executado sumariamente e covardemente. De 1959 até sua morte passou por tudo que é tipo de situação possível, mas na maior parte do tempo desta viveu sob guerra, guerrilha e tensão revolucionária. Não recomendo e nem faço propaganda de tamanho sacrifício não e se engana quem acha que eu defendo este roteiro de vida como alternativo, mas respeito muito seu sacrifício pela causa.

Muito poucos sobrevivem a isto na real e eu sou daqueles que acho que o seu sacrifício foi muito maior que qualquer luxo que ele possa ter tido em pequenos momentos da sua vida. Então...


P.S. tive que editar um pouco depois de publicar, peço escusas se desagradar alguém que não concorde comigo em algo que inseri aqui agora.


Paneleiro irresponsável é uma forma de ser

Fazem isso e outras coisas com o mesmo senso de impunidade com que sonegam impostos, não pagam direitos trabalhistas, desprezam os humildes, andam na rua sem respeitar os sinais de trânsito, viram para esquerda e para a direita sem usar a seta, jogam lixo, móveis, resto de jardinagem em terreno baldio, calçada de escola, praça ou logradouro público, depredam prédios históricos, abandonam cães de raça por aí, furam fila, prejudicam colegas de trabalho, cometem inconfidência sem escrúpulos alguns e pintam e bordam com o dane-se ligado, sem a menor consideração ou senso de responsabilidade​ e etc. E não é mesmo só a classe média que faz isto não. É toda uma forma de ser.

MUITO OBRIGADO SOL!

Sol...Hoje é domingo dia do Sol, sabia? Então, saiba que nós vamos lembrar legal de você. Foi uma passagem rápida, mas muito marcante, alegre e fraterna de fato. Você foi uma baita colega e parceira de trabalho e também no esforço em manter o bom humor em todas as situações. Essa já era uma tradição nossa que você ajudou a manter e reforçar. Rimos á beça juntos com tua alegria e destemor. Vamos rir à beça sempre nesta escola por muitas coisas e vamos rir das coisas ruins também...porque essa é a melhor forma de desarmar todos os monstros. Seja muito feliz, que tudo dê certo na tua vida, no teu trabalho e que continue conquistando muitos amigos, para aliviar o peso e a dureza da situação da educação e para continuar tornando este mundo melhor, porque ele precisa. Você será sempre da família Olindo. Muito obrigado

MEU IRMÃO SORRIA

MEU IRMÃO SORRIA

E não conheci ninguém que não respondesse dá mesma forma,

Fazia qualquer cão ficar curioso e atento,

Jamais foi rejeitado, nunca tomou mordida de cachorro


e até hoje eu imito ele um pouco.

MEU PAI BRIGAVA

MEU PAI BRIGAVA

Só quando queria,

Nunca quando alguém pedia,

Muito menos por qualquer coisa,


E menos ainda por coisa nenhuma.

TERNO

FAST FORWARD

Visto daqui o que passou


Só vejo o terno que me vestiu

CAPIM

CAPIM

Peguei capim do chão

Coloquei na boca


Distrai, estava bom...

TRAVESSIA DO ROSA E DA VIDA

"... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e se abaixa. Mas que as curvas dos campos estendem sempre para mais longe. Ali envelhece vento. E os brabos bichos, do fundo dele..."


Do Rosa, em GSV

A FILOSOFIA E O BRASIL NO PIOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS

Me sinto tão indisciplinado e oscilante nisto de seguir um mestre que provavelmente pouco me resta para objetar na tua postagem, meu caro Roberto Horácio Sá Pereira. Não ando muito reverente, e talvez nem seja relevante também, mas em alguns casos gosto mais das pessoas dos mestres e menos das ideias e tem outros que gosto mais das ideias do que das pessoas, em todo caso, a gente acaba nem fazendo parricídio e nem erguendo monumentos para eles. E gosto bem mais de filósofos e filósofas vivas do que nos que já passaram. A miséria da filosofia no Brasil é tal que pouco caso fazem de nós mesmos, por isso creio que sem bajulação devemos defender e nos fortalecer em algum tipo de estatuto do pensamento sério e honesto. As convicções de uns contra outros não me agradam e nem me servem para nada. Não me ajudam. Penso que a saída real é incomodar na política e gerar efeitos culturais, ainda que tenha muito interesse em questões epistêmicas, metafísicas e clássicas, tenha predileção por certos filósofos e abertura para descobrir outros que nunca li com mais atenção, penso mesmo é nos efeitos de nossas idéias nos alunos e em suas formas de interpretar este país. A coisa está tão feia no Brasil que a revolta organizada dos filósofos talvez não evite a piora do quadro, mas pode ajudar em alguma reação. O Brasil vive hoje em todos os aspectos que eu posso divisar: O PIOR DOS MUNDO POSSÍVEIS! E não consigo mesmo ficar assistindo isto como expectador. Me parece haver um imperativo moral na denúncia e na reação contra isto. Um grande abraço amigo!

PROVOCAÇÃO POR ROBERTO HORÁCIO SÁ PEREIRA:

Pensamento do dia:


"filosofar "não é seguir um mestre", seja ele Kant, Hegel, Marx, Wittgenstein ou até o pobre do Deleuze (para quem não me conhece já fui até deleuziano, lacaniano, na vida. O primeiro curso que dei tinha o nome de "Pensamento nômade", parece piada, mas não é). Todo filósofo nasce de um parricídio. Quem nunca matou seu Sócrates, e continua o seguindo com um mestre, nunca se tornará um Platão. Fica repetindo aquela mesma baboseira pro resto da vida. E é isso que produz um grande divisor de águas no campo da filosofia, não entre "analíticos" (nem sei mais o que isso significa) e "continentais", ou entre filósofos e historiadores de filosofia, mas entre pessoas que pensam por conta própria e seguidores de mestres. O problema no Brasil, é que todo mundo quer seguir um mestre, até muitos daqueles que se dizem "analíticos". O camarada é ou Deleuziano, ou Wittgensteineano ou Fregeano, ou Kantiano, etc. e não consegue pensar fora da "caixinha". Só assim eles se sentem seguros. Por isso praticamente não se cria nada de minimamente original no Brasil."

SOBRE A INSUSTENTÁVEL AMBIVALÊNCIA DA VONTADE E DO DESEJO

Ninguém suporta por tanto tempo um estado de ambivalência da vontade. De querer e não querer. Você fica se distraindo em relação ao impasse ou às mudanças de humor, tentando usufruir do que há de bom na indecisão e na situação, mas aquilo vai te roendo por dentro e cada episódio de negação reforça teu instinto ou impulso para decidir. Mesmo que você não goste da decisão ou não queira sofrer você começa a pensar seriamente. Tens conseguido controlar tua raiva, mas não a dor é o vácuo que vão surgindo. A distância vai aumentando os silêncios de repetem e você fica sem ação, com uma decepção te aborrecendo, mas tu sabes que não adianta dar muita voz ou vasão para ela. Não tens mais um endereço para enviar. Isto deve ser a solidão e mesmo que tenhas muitos à tua volta, cala e faz um meneio com a cabeça que já não é mais de contrariado, mas sim de um corpo que recebe mais uma contusão dolorosa, uma pancada. É assim que eu sinto todas estas coisas e de cada vez elas todas.

É O MOMENTO DE FORMAÇÃO DO ESPÍRITO HEGELIANO? - 17 12 2016

O surto de direitizacão, fascismo e reacionarismo conservador não me parece um momento da positividade dialética hegeliana. É bom analisar com mais cuidado. Eu diria que isto é fruto de uma certa acomodação de idéias e simplificações de idéias gerada por diversos efeitos combinados. Fragmentação da esquerda, pós modernismo, colapso provocado dos sistemas de bem estar social, diluição dos valores democráticos e grande concentração de riqueza. Um senso comum mais rebaixado e antiintelectualista também se faz presente. A impaciência conceitual e cognitiva também está presente. Então, dito isto, não creio que seja a formação de um espírito, mas sim a descrença em um espírito e a opção direta por valores meramente materiais, imediatos e pragmáticos. A ausência de espírito também se mede pela incapacidade destas pessoas ou massas de pessoas de medirem ou do visarem as consequências e as condições reais em que estão metidas. Hegel deveria olhar para este quadro e considerar que o momento é justamente da negatividade de um projeto do espírito. É um momento também de desnutrição espiritual... e de destruição de um ciclo de democratização coletiva, pelo impulso individualista e egoista e bem amesquinhado que responde aos 25 anos de disseminação, resistência e reação ao neoliberalismo e ao capitalismo globalizado, pós queda da polarização da guerra fria. A crise econômica é um ajustamento...material...

A LOUCURA DOS OUTROS

Muitas falas sobre a loucura dos outros, o delírio dos outros, o alcoolismo dos outros, a drogadicção dos outros, as traições dos outros, os pecados e erros dos outros. E precisamos ouvir isto e ler isto para nos lembrar que tudo isso pode ter sido nosso um dia, pode ser bem próximo de nós de novo e vamos sofrer igual. Sinto muito por tua dor e pela dor dos teus, mas é desta oficina que algumas coisas que nos libertam da dor nascem e vem ao mundo. Não me conformo também com isto, mas é nesta hora que sinto também o quanto nos escapa o controle de nossa própria vida, o controle da nossa história e dos nossos. Sei de nossas escolhas possíveis, decisões, destinos, sortes e azares, mas vejo as vezes a vida de muitos - assim como a minha, e eu gostaria de dizer parte da minha - e muitos próximos irem se encaminhando como que numa estrada única e de uma única possibilidade. Afunilado em uma única direção sem poder voltar. Um passo sem volta foi dado, um voto sem possibilidade de reparo foi dado, um gole de trago foi tomado e você não tem mais como desfazer. Se enganam aqueles que pensam que as palavras não podem ser reparadas, podem sim, o que não pode ser reparado é o tal fato consumado. E assim a passagem na sinaleira da loucura, do delírio, da traição, do álcool, da sua droga preferida, do seu vício controlado, do seu pecado menos venal ou mais venal - e a inveja e a covardia ainda serão coroados neste mundo muitas vezes - e os erros, as injustiças e as tais  omissões, maldades, perfídias e ambições mais mesquinhas continuarão a guiar muitos homens e mulheres deste mundo ao fundo do poço, ao lugar sem volta em que a tua dor e a minha só tem significado para nós dois. E assim vais olhar para tua paixão com os óculos invertidos da razão e reconhecer o que nisto tudo realmente importa, realmente é prioritário, digno de uma luta resistência ou esforço. Sinto muito pela linha a tua e a nossa dor, só nos dois vamos dar significado para isto e talvez encontrar ainda um sentido melhor para está história, apesar de tudo ou do pouco que olhamos ou sentimos. Nenhuma obra genial vale mais que a vida de um homem, mas não é assim que a sociedade e este mundo se comportam. Assim, teu sacrifício faz mais uma vez de alguém o escravo deste mundo. Não adianta chorar, não adianta mesmo e, então, você e eu preferimos sorrir e ironizar frente tudo isso. Nada mais...nada mais resta a dizer...já passou...nunca mais...resta tua obra e o mais completo desentendimento sobre a sua vida...mas eu sei que ela teve amor e paixão... Sei que talvez teve isso como nenhum outro foi capaz de ter antes de tua disposição e grande determinação - inconsciente? - rumo a própria extinção...

A VIDA COMO AS ONDAS DO MAR - REPLAY

Neste momento tive o insight que é objeto deste ensaio breve. Me dei conta que a vida se comporta como as ondas do mar e que temos que estar alertas aos buracos, aos repuxos, às ondas grandes, mas também às pequenas ou médias, porque ocorre que muitas vezes as surpresas vem delas. Ondas pequenas ou médias podem nos derrubar e nos afogar dependendo muito não somente de sua força, mas dá combinação de suas forças com as condições e a nossa atenção quando as enfrentamos. Muitas vezes estamos descuidados e não percebemos os detalhes e que pequenas forças podem ser gigantescas e nos surpreenderem, nos derrubar e nos pôr abaixo. Então, o que podemos fazer é não subestimar e estar atentos aos sinais da vida  em sua totalidade e evitar ao máximo desprezar os detalhes e as pequenas ondas da nossa vida. Término pensando em que esta lição é possível porque minhas filhas acabaram me ajudando a perceber detalhes das vida para os quais sem elas minha sensibilidade seria indiferente ou atenuada pelo hábito que temos arraigado de muitas vezes só olhar para as grandes coisas, esquecendo que as pequenas e mesmo medianas também contribuem e muitas vezes decisivamente no resultado final. Como a vida nos ensina de diferentes formas, aqui concluo nesta forma mínima meu texto que pode parecer desimportante, mas que é verdadeiro e para mim cheio de compreensão, amor e boa vontade.

Bertrand Russell e os absurdos dos bons governos.



Desidério Murcho, filósofo português de boa cepa, compartilhou um meme do Russell que pode ser carregado de controvérsia sobre a posição de Russell sobre a existência do estado e a possibilidade de haver um bom governo.

Só pode ser um teste de inteligência. A tradução não ajuda em nada. O que eu creio que ele diz aí é uma espécie de confissão sobre sua excessiva crença na possibilidade de existir um bom governo, que vive sendo abalada pela quantidade de absurdos que mesmo bons governos cometem. Lembra muito a famosa expressão de Bismarck sobre governos e fabricar linguiças.

Vou retraduzir tudo então e tentar tornar o texto do meme e seu anexo palatável para nós os reles mortais e que precisamos compreender as coisas bem. Uma exigência típica de que sempre penso sobre quem ainda cultiva com muita parcimônia alguma generosidade interpretativa.

"Estou absolutamente convencido de que não há limites para a quantidade de absurdos que um governo qualquer é capaz de cometer, isto tem conseguido abalar a minha esperança em dias melhores."          
             
E complementando com "contrariando aquilo que eu geralmente tenho acreditado."                       

É um constatativo dele que nos lembra muito o seu problema com como perseverar em uma crença quando muitos indicativos podem nos levar a rejeitar está crença.

Perseveramos nesta crença porque julgamos que ela uma orientação moral superior a sua negação.                       


Mas é bom que se diga também que minha tese de interpretação ficará abalada se compararmos isto com sua desconfiança em relação ao cristianismo e ao fato de alguns julgarem isto uma boa ilusão pois manteria a coesão social. E é engraçado este aspecto diferenciado entre uma razão política é uma crença religiosa.

LÓGICA GERAL NO BRASIL - VERSÃO A

A lógica geral no Brasil leva sempre para o vale tudo e a pergunta chave: Como não ser traído na política brasileira? É um vírus recorrente que vai ficando cada vez mais escancarado com este golpe e em todas as esferas. Dos indicados ao STF aos acordos infra e supra partidários, no comportamento da mídia e de corporações poderosas como médicos, engenheiros, advogados, juízes e promotores, grandes e médios empresários, banqueiros e todo um sistema social que envolve a elite brasileira, seus espaços nas grandes corporações burocráticas, a tal classe média, uma parcela razoável do povo que segue na mesma lógica e estes ciclos de avanços e retrocessos que levam mesmo em média 25 anos ou uma geração para se constituírem e se dissolverem. Com ciclos positivos e negativos que dividem a sociedade brasileira como um pêndulo para a escória e imoralidade e, de outro lado, para a honradez e moralidade. Um ciclo Macunaíma e não é difícil datar, marcar no tempo e nem apontar as personagens recorrentes. Mentalidade entranhada na sociedade: tirar vantagem de tudo, sem escrúpulos, sem vergonha e sem responsabilidade. Mentalidade esta que precisa ser combatida, derrotada, contestada e refutada para o bem deste país e do futuro justo pelo qual seu povo deveria lutar e não sucumbir à toda hora às facilidades, privilégios e salameleques.

O AMOR DO CADA UM POR SI: PEQUENA REFLEXÃO SARTREANA - Terceira revisão.

“O amor são duas solidões protegendo-se uma a outra.” 

Rainer Maria Rilke

“Se o outro me ama, decepciona-me radicalmente por seu próprio amor: eu exigia dele que fundasse meu ser como objeto privilegiado, mantendo-se como pura subjetividade perante mim; mas, desde que me ama, ele me sente como sujeito e se afunda na sua objetividade diante de minha subjetividade. O problema de meu ser-para-outrem fica, pois sem solução. Os amorosos ficam cada um por si numa subjetividade total.”

O Ser e o Nada. Sartre.

Estou reescrevendo aqui de novo sobre um comentário e interpretação breve desta passagem de  Sartre. 

Coloco outras pitadas e temperos que considero importantes na agenda e no cardápio deste tema para hoje. Em parte porque senti, ao reler a passagem e confrontar minha interpretação e suas tendências dominantes, que havia certa duplicidade reflexiva encoberta no meu primeiro tratamento e que eu gostaria de explicitar isso mais hoje. Isso vale como um exercício e, quem sabe, como um jogo para além do treino.

Veja-se que o tema do amor se relaciona ao seu modo a um Eu e um Outro, um duplo, uma pluralidade pareada. Essa duplicidade, no sentido que dá exatamente Rilke para tal coisa, envolve dois que acabam, apesar do amor, num cada um por si. 

Veja, então, que ambos são solitários e possuem, na expressão de Heidegger, também analisada por Sartre em O Ser e o Nada, uma “solidão em comum”.  Tal solidão compartilhada é uma forma de amparo, apoio, proteção. Proteção do quê? Talvez da solidão, mas tudo indica que é de algo como um desamparo ou uma certa incompletude, que é o que devemos ver depois mais de perto também. 

Só para lembrar, porque nos será útil depois também, Nietzsche considerava o amor uma das fraquezas dos homens, isto é, somente um homem fraco, insuficiente e incompleto precisaria de um outro ou de um amor pelo outro para ser feliz e andar sobre este mundo. É isto que nos indica está forma de suspeição e frustração com o amor que coloca em suspenso a sua possibilidade de um lado e a sua dignidade de outro.

Já para Hegel, em sua clássica dialética do senhor e do escravo – também analisada por Sartre em o Ser e o Nada, que eu creio que pode ser aplicada aqui, há uma necessidade ou dependência entre um Eu e o Outro. E aqui a diferença entre o um e o outro é indicada também como portadora ou condição que pode ser analisada por certa assimetria entre os diversos. Diferença, assimetria e incompletude são, então, os elementos que eu indicaria aqui para prosseguir no que segue.  

O amor é, em Sartre,  ai uma das disposições do outro em relação ao nosso Eu. E esta disposição gera na reflexão dele uma decepção. Talvez tal decepção esteja ligada a fraqueza aludida por Nietzsche e, de certa forma, a um sinal de que somos incompletos ou de que nossa solidão não ser resolve e não tem solução, isto é, jamais terá algum amparo efetivo e suficiente.

Mas também tal condição pode apenas ser resultante da diferença e da assimetria que ela gera ente um e outro.

Creio ser bem interessante ver o alcance disto na teoria dele e também na nossa vida. Quando falo em alcance falo da questão de que até onde esta reflexão me leva ou nos leva ou o que ela nos ensina, ela nos joga em um impasse para o qual fazemos uma escolha fraca, isto é, sem solução acabamos apostando num cenário de incerteza e por isto mesmo o nosso conceito de amor é tão frágil, líquido ou volátil nos tempos atuais.

Voltei a trabalhar sobre o que fiz sobre isto anos atrás e que a este respeito incide também em minhas escolhas e decisões na vida. E isto porque encontrei de novo a razão de ser deste tema na experiência e na reflexão da experiência. Como sempre afirmo mesmo com certa dificuldade para conquistar alguma certeza a filosofia para mim precisa chegar ou me ajudar a lidar com o mundo prático,com as questões da vida e como eu vivo, trabalho e existo neste mundo das situações em que estou ou que vejo os outros estarem.

E toda vez que vejo este tema percebo que parte do romantismo tem sua parcela de razão por ver no amor uma espécie de poder divino e superior e, por isto mesmo, que pode criar e dar frutos tanto quanto destruir ou constituir uma certa danação ou maldita infelicidade. 

Minha abordagem sobre o amor intelectual estar em vantagem sobre o amor físico parece tentar indiretamente fortalecer a segurança ou racionalidade da admiração intelectual que suplantaria a passionalidade ou a profunda insegurança presente na atração física ou carnal. Ou seja, que o amor por ideias teria mais força e estabilidade que o amor pelas formas da aparência. Tenho descoberto que algumas pessoas estão vivendo estas duas possibilidades em disputa também. Me parece que aqui a incompletude, a assimetria e a diferença de base de afirmam também, porque o outro tem aquilo que eu não possuo. Para rir um pouco o outro não é uma alma gêmea, mas sim a expressão de um não gêmeo, de um distinto ou diverso de mim.  

Deveria ser o que Sartre diz ai e o que eu chamava de amar pelo reconhecimento do gênio. Mas pode ser, numa abordagem agora negativa, algo bem pior que isso se lermos com mais atenção ao que ele parece querer dizer ai. Algo que me escapou no primeiro comentário e que nos leva a uma espécie de absurdo odioso para nossa racionalidade ou nossa confiança na racionalidade. 

Não se trata tanto do reconhecimento do gênio e nem de um amor, mas sim de certa impossibilidade de tomar isto como conhecimento, reconhecimento ou cognição do outro sob qualquer descrição. E esta impossibilidade é a afirmação de diferença sob a qual reside minha admiração ou espanto inexplicável.

Porém, pensando de novo e retomando, ao abstrair dá diferença é para reparar a incognoscibilidade do outro, faço uma síntese dele ou um ideal dele em mim mesmo e a partir de mim mesmo, para me confortar e apaziguar minha razão, que foi contrário se sentiria na impotência. 

Ora,  veja que isto que chamo de reconhecimento do gênio é no fundo um reconhecimento de si mesmo, uma clássica projeção, por isso a decepção da qual ele fala ali nos joga na tal subjetividade total de cada um. Isso seria uma decepção sobre o quê mesmo? No que eu me decepciono com o outro por sua admiração? Minha hipótese que a decepção se deve a impossibilidade de tal coisa se realizar ou ser possível.   

Lançar pela admiração o outro em si mesmo – a vaidade que o carrega – e lançar a si mesmo na contemplação de algo que só eu compreendo e porque eu compreendo me sinto integrado a ela e sua qualidade. Esta é a típica projeção. Admiro o outro como admiro a mim mesmo.

O reconhecimento de uma singularidade ou como ele parece supor ali – esse Sartre me é muito competitivo amorosamente – o reconhecimento de uma superioridade. Mas uma tal superioridade que encontro em mim mesmo ao final. 

Para mim isso é, na minha análise sobre o tema que grifo e reedito aqui, mais simples: só quem possui a beleza e a grandeza reconhece a grandeza e a beleza em outrem. 

Mas isso me colocaria no rol dos presunçosos...despertaria a crítica, a inveja e talvez até mesmo a reprovação de outros superiores, mas e daí? Que cada um seja por si e pelo outro que quiser...então fica explicada a inflação do eu que ele chama ai de subjetividade total.

Quando penso nisto sempre encontro um delírio, uma forma ou espécie de ir além dos limites de si, mas por si mesmo. O delírio é assim um excesso de si. O delírio ultrapassa sua fronteira de conhecimento e te joga como um apostador obsessivo. Aquela aposta exagerada em seu próprio juízo e que esquece que por maior que seja sua inteligência ou qualidade, você pode estar errado, sua intuição pode estar errada e tudo pode apenas ser um engano. Uma grande qualidade não imuniza ao erro, nem torna o erro um acidente afastado de tua caminhada. 

Mais dialética nesta questão explica a decepção sartreana; como podes me amar assim – ou odiar assim – se sequer me conheces de fato? A aposta que fizeste sobre mim, o grande juízo  que ergues em relação a mim, me exibe que em você passei de um ser desconhecido para o conhecido e deixo, então, de possuir qualquer mistério para ti, mas mesmo assim podes estar enganado (a) a meu respeito, podes apenas estar delirando em teu juízo e errando mais uma vez. 

"Pois, no seio mesmo da paixão, nunca se deve tratar de "conhecer perfeitamente o outro".

 Lou Andreas Salomé.

Mas isto é possível?

O problema que ele aponta do ser para outrem ficaria sem solução justamente porque ou o outro não me conhece porque não se arrisca sobre mim – sequer tenta ou ousa me julgar e conhecer – ou, ao contrário disto, faz uma aposta demasiada e delirante sobre mim. Não há meio termo possível. 

A impressão que temos, enfim, é que o conhecimento ai deveria ser infalível e irretocável. Ambos caminhos levam a nos deixar sem solução, por aqui ou por ali, num “cada um por si”. 

P.s. Mas eu não creio nesta abordagem que tenta alcançar um resultado absoluto e nem na necessidade de reconhecer um impasse sem solução e que por consequência disto se deva ficar sem escolha. O que ocorre usualmente, assim me parece, é que paramos de pensar nisto e nos lançamos para a ação.

ALEGRIA CONFUSA DO AMOR

"Tudo o que queremos é a alegria confusa do amor." 

Poeta Rumi a 800 anos atrás.

A DUPLA SARTRE E SIMONE DE BEUAVOIR: ISSO NÃO É AMOR? - REVISADO

O comentário fino e arguto do professor Renato Janine Ribeiro sobre a mais nova polêmica em torno do casal Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, despertada pelo lançamento em português da biografia “Um Relação Perigosa” sobre os dois, de Carole Seymour Jones, me leva a desaguar uma pitadinha só de algo que estou ruminando a alguns tempos sobre amor, relacionamento intelectual, fidelidade e confiança, culpa e liberdade..

Este é um dos temas no qual ando circulando e arrodeando desde o ano passado. Tinha planos de publicar um ensaio específico sobre Sartre e Simone, junto com o outro sobre o par Heidegger e  Arendt aqui, mas não saiu. Meus planos sobre isso se frustraram e também em  muitas outras coisas a partir da Páscoa do ano passado. O mundo não acabou por isso e nem deixei de pensar ao longo do ano sobre isso, com algumas leituras aqui e ali. Além disso, alguns filmes tem abordado este tema aberto durante todo o século XX. Constatei rapidamente ao dar mais atenção para este tema que “quase tudo” que é possível pensar, viver e tratar sobre relacionamentos já foi praticamente encenado também em diversas outras linguagens e teatro, seja na forma de comédia ou tragédia, drama ou novela mas não fiz isso que eu queria fazer. Na literatura, na poesia, na música e também na pintura e fotografia temos um acervo gigantesco que tende a ser aumentado porque este tipo de conteúdo parece ter certa perenidade, mudando apenas a forma e a concepção moral ou cognitiva ao longo do tempo. 

Acabei publicando um esboço sobre Heidegger e Arendt, cheio das minhas velhas imperfeições de abordagem e revisão, mas publiquei para um dia retomar melhor isso, em melhores condições. 

Mas no caso destes dois pares, me salta aos olhos a necessidade que muitos analistas, versionistas e biógrafos, tem de buscar uma condenação moral seja de um seja de outro. E o caso da obra de Carole já nas resenhas, no excerto publicado pelo Estadão e nos releases é gritante. Isso já começa no título do livro que faz paralelo com Ligações Perigosas de Cloderlos de Laclos e prossegue na narrativa construída a partir de testemunhos das “vítimas”.

Para mim se instalou uma profunda resistência e aversão a este tipo de “curiosidade” que me parece satisfazer somente como desvio e tentativa de impugnação das idéias destes intelectuais. Assim, tendo a não aceitar ou julgar o lado podre das relações. No fundo parto de  uma posição que não aceita nem isso e nem aquilo sobre os dois casais.

Sartre, para começar, era tão machista  e tão vil como a autora do texto, que gerou esta discussão, aponta? Para mim não! Eu fico imaginando que ele foi praticamente o único homem do século XX que efetivamente tolerou uma relação aberta, com os dramas todos que isso pode gerar. Mas não abriu mão um milímetro do seus desejos, assim como não impôs a usa companheira necessária de travessia isso também. 

Mas é claro que esta sociedade conservadora e repressiva tem que encontrar um traidor neste homem e é claro que um feminismo decadente como o que se vê muito hoje por ai também precisa condenar ele e elogiar ela. Eu sou um homem e entendo perfeitamente a maravilhosa Simone em sua profunda admiração intelectual e afetiva, com os aspectos críticos e não tão elogiáveis de Sartre e dela mesma. É preciso ver que, sobretudo, ela tinha alta estima por Sartre e muita confiança e que provavelmente a questão fundamental entre os dois não foi corporal ou física. 

E devo dizer - porque é assim que percebo todos os sinais dos dois, mesmo aqueles distorcidos, por interpretações bem tendenciosas, que o amor ou estima dos dois não tinha nada de simulação e tinha os mesmos altos e baixos que toda relação real e duradoura possui, seja ela aberta, seja ela encerrada  numa fidelidade verdadeira ou num castelo de mentiras cujas cartas tem todas valor trocado...

Algumas relações inclusive migram para uma zona intermediária entre a paixão e  o amor e são mais cultivadas como amizade e companheirismo hoje em dia.

Sobre os jogos de gato e rato entre Sartre e as outras mulheres e as ardentes paixões de Simone por dois homens e uma outra mulher, eu penso que seria difícil não encontrar o mesmo enredo em diversas outras pessoas da contemporaneidade. E não é por perversão que isso acontece, como uma mente repressiva ou reprimida poderia pensar. Isso acontece simplesmente, porque a pessoa não tem esta tão almejada fixação sentimental que faz com que somente uma pessoa seja objeto de seu desejo, que faz com que o afeto seja cativo e tenha certificado de propriedade.  Já a sociedade não aceita com tranqüilidade ou como uma normalidade tais idas e vindas e isso é introjetado na mente das pessoas, seja como uma culpa dolorosa ou vergonhosa, seja como um segredo precioso e delicioso. É numa sociedade como a nossa que estas coisas acontecem. 

Assim, provavelmente a “reinvenção do casal” de Sartre e Simone, foi uma atitude não somente experimental e conveniente para eles, mas pioneira e de vanguarda para alguns de nós que precisam dar outra solução para seus afetos, desejos e etc.

O Renato aponta que eles falam de "amores necessários e amores contingentes". E é meio que bem assim que muitos hoje se comportam não somente entre os solteiros. E o que determina o status de necessário ou contingente deve ser um afeto que se desenvolve ou s e desenrola. Assim, pode mudar também o status de necessário para contingente e vice versa. Mas o que há de errado nisso afinal? Que pecado é este meus amigos e amigas?

Isso tudo leva para a pergunta de fundo nestas relações de amizade, namoro, casamento e nestes tipos de relações: porque você fica com esta pessoa?

Todos gostariam de dizer que é por amor, mas, pelo que tenho refletido, às vezes isto é apenas um ingrediente entre vários outros. E em outros momentos se fica só por desejo mesmo. Mas para quem estas opções dizem respeito para além dos dois?

Poderia fazer a analogia crítica de que cada um  é responsável pelo que cativa, mas nem sempre, porque na maior parte das vezes a relação só evolui se você não é responsável pelo outro, mas apenas que os dois colaboram e realizam alguma forma da ajuda mútua.

Às vezes parece haver uma tentativa de impugnação da possibilidade de uma eterna busca de afinidades eletivas, ou de uma eterna busca da melhor afinidade eletiva. Porque?
  
Penso que Sartre conseguiu ser “a pessoa mais importante do mundo para” Simone, mas que este título ou status foi posto à prova várias vezes. Em especial com os casos de Simone com Nelson Algren e Claude Lanzmann.

A acusação de "manipulação" me parece que pode ser feita à muitos outros. E isso não torna Sartre inocente, mas também não o torna culpado, salvo que todos recebessem algum tipo de atestado ou certificação de ausência de manipulação em seus afetos o que não ocorre, por mais sincero, honesto e verdadeiro que se seja. Aliás, o afeto parece ser tão dissociado disso e de outras coisas, ainda que componha com elas e que seja às vezes difícil de discriminá-lo. Mas aqui eu fico sempre pensando na dialética do senhor e do escravo. E em muitos casos não consigo visualizar quem é o senhor e quem é o escravo nestes affairs. Vendo, inclusive, que estes papéis podem ser trocados ao longo do tempo e em relação a outras coisas. 

Aqui abro uma outra dúvida sobre estas coisas. Tenho desconfiado e muito que a combinação entre duas pessoas tem certa singularidade que independe do perfil da pessoa com outros. Isso pode parecer – e de certa forma é – uma abordagem relativista da questão, mas é exatamente o que tenho percebido. Que algumas combinações de pessoas são variáveis de uns para outros e que como na química ocorre que certas combinações de elementos que isoladamente são inofensivos são muito perigosas ou mais intensas o que com outros elementos. E assim ocorre certa variância e alteração contingente no perfil das pessoas na dependência de frente a quem, como e quando, tais relações se dão. Assim como me dou conta recorrentemente que cada um de nós está num tempo próprio e que os encontros, os afetos e também as trocas dependem também desta relação pré-experiência, na experiência ou pós-experiência. Esta variância coloca uma dimensão muito singular para mim sobre este tema específico. Assim a alegada manipulação pode ter só uma dimensão aparente, como pode ser simulada mais facilmente ou mais oportunizada pelo perfil, pelas carências e pelo tempo de cada um.

Eu vejo neste tema uma espécie de atribuição excessiva sobre Sartre de uma performance de um intelectual onipotente e superior aos demais seres humanos. Mas daí a pergunta deveria estar focada no que mesmo que ele fazia, dizia ou tinha que seduzia as mocinhas e não mais no seu caráter. E como ele recebia a colaboração de Simone. Eu acabo tendo dúvidas sobre qual é mesmo o lugar do Pathos nestes circuitos de relações que os dois desenvolveram. Mas lembro de um filme em que justamente se imagina que ter uma relação com este ou aquele pode ser atraente, confortável ou lhe dar prestígio. E não sei da conta, mas parece que havia mais de uma personalidade que ostentava nas horas boas o rótulo “da amante de” ou “do amante de” e nas horas más a peia de sofredor, manipulado ou capturado pela armadilha desta dupla de aranhas perversas. Isso é de doer de engraçado sinceramente, não somente pela metáfora, mas pela possibilidade de alguém se sujeitar a isto e o tipo de satisfação que obtinha combinada como desprazer que vem junto e é inerente na natureza desta aposta relacional.  

Eu escrevi tudo isso agora após revisar meu impulso matinal na questão. 

E tendo a fazer um par nesta longa reflexão com Heidegger e Arendt, que sofrem a mesma vigilância moral e mesquinha, o mesmo patrulhamento. Creio que temos que compreender estes existencialistas no seu direito de escolha e no fato de que todos eles arcaram completamente com suas escolhas, bem ao contrário de outros antes e depois deles que ficaram dando curvas e culpabilizando o outro ou os outros. 
E isso para mim - com o ônus e o bônus em um ou outro - é libertário, é saudável e me gera mais compreensão do que confusão. 

E eu não vou, como deve ter ficado claro acima, tratar as "outras" ou os "outros" nisso tudo como vítimas e coitadinhos como ocorre geralmente nestas narrativas sobre estes dois pares. E te digo que a relação entre Sartre e Simone, me parece tão verdadeira que boa parte da verdade dela se encontra na esfera da intimidade de ambos, por mais que tentemos interpretar, deduzir ou revelar a partir de cartas, biografias e testemunhos deles e de outros. E ao estar na esfera da intimidade se torna indevassável.

A verdade nunca sai inteira em um depoimento ou em um texto, e aqui também entendo o que Platão queria dizer com a vantagem arriscada da oralidade em relação ao texto. Tem muito mais coisas para se discutir nesta relação destes dois como diz a professora Suzana Albornoz Stein. 

O problema mesmo é que alguns querem lançar interpretações absolutas e serem os portadores de uma verdade que escapava até mesmo a eles. Sim estou dizendo que o mundo de Sartre, Simone, Arendt e Heidegger não era mesmo absolutamente interpretado e refletido e esta é uma ilusão de quem olha para a vida de um filósofo buscando uma coerência integral entre idéias e ações, fatos e versões, emoções e razões. 

Isso pode servir para muitas coisas sim. Para vender livros? Para ser a mais nova revelação de veleidades e banalidades, segredos e intimidades dos outros? Eu acho isso muita pretensão e uma tremenda falta de respeito com a vida que o outro conseguiu realizar, pensando e trabalhando, com dilemas e problemas que ele encarou. Falar depois é fácil...

Agradeço, de novo, ao Professor Renato porque com esta finesse e delicadeza no tratamento de todos os debates ele faz um belo ponto médio que permite com que as diferenças importantes sejam vistas e compreendidas. E isso também permite que se saia do maniqueísmo monotemático e irrefletido, tão freqüente nisto tudo aqui. Como se a responsabilidade ou culpabilidade fosse resultado de uma análise, opinião, vivencia ou experiência.  O facebook também não é o tribunal de condenação e nenhum de nós é juiz do outro, ainda que alguns tentem sistematicamente cumprir este papel em sociedade, nas comunidades científicas e neste mundo. E isso é feito com muita freqüência contra aqueles que não tem mais nenhuma possibilidade de se defenderem ou argüirem ao contrário. A fantasia de onipotência e infalibilidade gera este tipo de monstruosidade e perpetra o pior fruto do racionalismo para mim: esta vã idéia de ter um ponto absoluto sobre este ou aquele episódio. 

Entendi, enfim, que a cobrança é com eles...e o fundamental - de um ponto de vista moral ai - fica guardado para a situação de consentimento ou não no jogo de sedução - o desejo é um dos principais expediente para provocar uma traição da moralidade...Porque seria assim?

Talvez o desejo seja uma espécie de grau zero da moralidade - para usar uma figura – quer dizer para desejar o outro fisicamente é preciso certa liberdade que a moralidade não deveria permitir, e isto me aprece algo no que devemos pensar aqui - e vale na reciprocidade.

Por fim, tentei explicitar aqui que eu tendo a ver isso tudo de uma forma diferente, mas confesso que ainda estou elaborando muito sobre isso e não há nada de muito maduro que possa ser exposto sem ser completamente incompreendido ainda... 

Mas penso que ousei me arriscar um pouco aqui...

O FILÓSOFO E O ERRO

Deve haver algum sinal mais claro do que é boa filosofia ou do que é uma filosofia que vale a pena ainda ser lida e estudada, interpretada e compreendida, mas começo a desconfiar que todo bom filósofo e boa filósofa comete um erro providencial e libertador que é não compreender completamente o passado e a tradição, não aceitar conformadamente o presente e a última moda em Paris, ou Londres, ou NY, ou Berlim, ou São Paulo, e etceteras, e no apagamento de um gênio qualquer procurar aquele que expressa na pontinha miúda de um fresta, no dedo mínimo de um corpo, nas entrelinhas ou detalhes de um pé de página ou mesmo no núcleo duro de uma teoria, um sopro ou um pequeno espaço de liberdade para se olhar para o futuro e encontrar algo verdadeiro ou possível, e quando isso acontece nos damos conta da necessidade de enfrentar mais uma vez de um modo novo mais uma linha ou outra de um Platão, um Aristóteles ou mesmo um pré-socrático qualquer para ir de novo ao passado com a cabeça no futuro e quem sabe sair do tempo presente ou linear e encontrar cm algo antes não visto ou jamais percebido. E neste parágrafo só falei de uma impressão superficial de que a filosofia também persiste por um erro e uma repetição do esmo erro até que se encontre um acerto digno de nota.

O QUE NÃO RETORNA - SOBRE DIFERENÇA E REPETIÇÃO

...Por que, na primeira vez, Zaratustra fica zangado e tem um pesadelo tão terrível, quando o anão diz que "toda verdade é curva, o próprio tempo é um círculo"? Ele explicará isto mais tarde, interpretando seu pesadelo ele teme que o eterno retorno signifique o retorno do Todo, do Mesmo e do Semelhante, nele compreendido o anão, nele compreendido o menor dos homens....DIFERENÇA E REPETIÇÃO DE DELLEUZE



DA PEQUENA DIFERENÇA - Um dos livros que mais me atraiam nos tempos de formação. Minha primeira visão dele foi tão nebulosa que eu julgava que ia me perder em suas páginas. Passados 27 anos daquele volume em Francês da PUF que me assustava também já na capa e no índice, tomo ele nas mãos feliz com sua síntese. Hoje não tenho mais nenhum medo do desconhecido, não creio mais que sei se a síntese será negativa ou positiva a priori, não me vejo mais como precisando ser detentor de todos os conceitos para poder pensar, julgar, interpretar e decidir a minha vida. Já aposto bem mais na diferença e me distancio cada vez mais da repetição neurótica ou paranóica do mesmo conceito ou da mesma lógica. Os fantasmas não voltam mais comigo perto e nem as sombras ficam sem a luz que as supera. O que é vazio de um sentido superior e o que é por sua própria natureza não interpretada, sem significado não me preocupam mais. Não tenho mais medo do escuro, não tenho mais medo dos riscos do pensar corajoso. Não escrevo e nem penso mais com raiva, ódio, aflição ou angústia. Ainda que vejo o outro como existente, ainda desconfio de que nele só há representação. Fico olhando sem acreditar em sua existência, nem em suas razões que anulam seu ser. Olho para o rosto em pânico e com medo e percebo que a insegurança quase atávica faz tudo se repetir e o anão retornar porque lhe dá abrigo uma consciência insegura, temerária e que só resolve pela via negativa seus dilemas., Toda vez que se v~e confuso foge de si e do seu desejo. Quebra a cara mais por medo e por uma fantasia dolorosa e perniciosa do que por alguma fatalidade. E vai assim para continuar seguindo no resto da vida sem nenhuma síntese positiva possível. Toda dialética sucumbe justamente nisto: na representação, na diferença entre o representado e a representação. Você não tem acesso ao outro, não compreende o outro e sua singularidade te desafia. E você não consegue aceitar a tal coisa em si determinada completamente por outra vontade. Sim já senti tudo isto. E interpretar o mundo não poderá ser jamais projetar a mesma imagem que já se viu antes num novo quadro. As cópias, as máscaras, as dissimulações e semelhanças nos afastam da verdade, operam com o fugas e totens da perda e o que é singular deixa de ser compreendido com justiça porque o tomamos como mais um exemplo de um conceito ultrapassado e que não tem mais uso. Se não se pode ser feliz sozinho, também não se pode ser feliz junto, porque ser feliz é uma decisão singular com a qual só podemos nos encontrar se já a aceitamos em nós mesmos. A diferença não aparece na repetição, porque se repete não será diferente. O amor não é um espelho no qual olhamos para nós mesmos mais uma vez de novo. O amor é a afirmação incontestável de um outro por isto ele se aproxima tanto de uma negação. O reflexo que contraria a expectativa apresenta a indomável diferença. A primeira vista ela parece menor, mas vista mais de perto ela começa a nos assombrar, espantar e surpreender. Sim, é bem difícil suportar isto...pois o que é complexo não aceita redução ou uma análise definitiva. E gostamos muito de poder manter sobre controle, interpretar e delimitar tudo aquilo que temos à nossa frente. Mas nos escapa...e isso traz a pequena diferença, ao detalhe sua extrema grandiosidade.

CASE DE FILOSOFIA DA MENTE - GRATO AO GREGORY GABOARDI

Com minha leitura rápida e brejeira, que talvez seja ingênua no tema, fiquei pensando na relação entre os dois hemisférios como uma relação de duplicidade, espelhada ou não espelhada, com dependência ou independência e me lembrei da relação complementar entre nossas duas mãos ou duas pernas e também da nossa capacidade operacional com uma mão só ou uma perna só (pulando!). Me coloquei pensando também na consciência ocultada e no genial problema dela poder reaparecer ou como incidiria sobre a consciência ativa. Espero ansiosamente as respostas do David Chalmers. Muito interessante...

“David, tenho uma pergunta sobre a consciência na qual o que está em jogo parece mais do que filosófico. Espero que você não se incomode por ela ser um pouco maior que algumas das outras perguntas. É sobre meu filho. Ele está passando bem depois de uma hemisferectomia (do hemisfério direito), que foi necessária para parar com uma epilepsia catastrófica. Como você provavelmente sabe, essa operação é indicada quando convulsões intratáveis estão restritas a um hemisfério, para permitir que o hemisfério ‘bom’ se desenvolva normalmente. Hemisferectomias agora são normalmente realizadas sem que de fato se remova a maior parte do hemisfério afetado; em vez disso ele é ‘meramente’ desconectado do hemisfério bom e do tronco cerebral. Uma vez desconectado (com parte do lobo temporal removida no processo, para permitir que o cirurgião faça a desconexão) o hemisfério afetado continua a apresentar atividade em uma EEG (eletroencefalografia), incluindo convulsões.

Crianças podem ficar muito bem depois da operação; conhecemos (em um retiro anual e uma conferência para famílias afetadas) cerca de 80 outras crianças, incluindo algumas que se graduadaram em faculdades. Claramente meu filho e seus colegas têm consciência apesar de seus cérebros consistirem em um hemisfério em vez de dois. Eles não parecem ter nem um pouco a menos de consciência que aqueles de nós que têm dois hemisférios, e a plasticidade desempenha um grande papel nas suas recuperações ainda que existam alguns efeitos cognitivos permanentes, como você esperaria.

Minha pergunta é sobre o hemisfério desconectado, ainda eletricamente ativo, mas isolado do resto do corpo e da maioria, se não de todo, estímulo sensorial. Dado que sabemos que um hemisfério é suficiente para sustentar a consciência (pela evidência dos pacientes com consciência pós-hemisferectomia), devemos concluir que talvez o hemisfério isolado, mesmo com partes faltantes ou danificadas pela cirurgia invasiva, retém o potencial de alguma consciência independente? Afinal, ele continua ativo, como determinado pelas leituras de EEG; continua sendo alimentado por vasos sanguíneos, etc. Agora, no caso do meu filho, ele não seria afetado por essa outra consciência, se ela existir, dado que ela estaria restrita ao hemisfério isolado que apenas acontece de ele carregar consigo em seu crânio. E por isso que os médicos me dizem que minha pergunta é filosófica, que não tem a ver com o paciente deles/meu filho. Eu concordo — não estou preocupado com meu filho. Mas, poderia haver ‘alguém’ que pensava ser meu filho, que agora é distinto do meu filho, e que retém ciência de sua própria existência, talvez até mesmo com acesso aos estímulos do campo visual esquerdo que está ligado através do hemisfério direito? Para essa pessoa, se tal pessoa existe, a questão certamente não é filosófica. Nós (os pais; os médicos; qualquer um) temos responsabilidade para com essa pessoa? Se há qualquer consciência presente, imagino que seja uma existência aterradora, incapaz de se comunicar ou receber estímulos do corpo (realmente não sei sobre o nervo óptico, se ele é desconectado na cirurgia ou não — eles desconectam o tecido neural para que as convulsões não se propaguem, mas eles deixam os vasos sanguíneos intactos). Não está exatamente encubado, mas quanto mais eu penso sobre ele mais me parece haver algo sobre ele parecido com estar em uma cuba.

Na maior parte do tempo não me preocupo com esse outro hemisfério e com o que pode estar silenciosamente transpirando dentro dele. Ele foi bastante danificado na cirurgia, e a maioria das EEG mostra somente atividade de convulsão nele. Mas, de tempos em tempos me pergunto se podemos realmente ter certeza de que não há restos de consciência ali, e se há, se deveríamos nos preocupar com isso.

Se você tiver algum insight sobre essa questão ou algum tempo para dar uma sugestão acerca de como pensar sobre ela, eu apreciaria ouvir de você.”

Gregory Gaboardi me postou isto - verti muito rapidamente com o tradutor aqui e ficou assim - Resposta do Chalmers foi bem modesta, ele já não tem mesmo pensado em uma questão como essa e ela envolveria conhecimentos neurobiológicos que fogem ao alcance dele: "essa é uma pergunta séria que eu não tinha pensado antes. Eu não sei a resposta e não quero especular sem possuir boas razões. Acho que a resposta depende do fatos neurobiológicos sobre que tipo de funções permanecem no hemisfério desligado, e eu não conheço estes fatos. Eu ficaria muito surpreso se houvesse sofisticado as funções cognitivas. Que provavelmente iria aparecer ou se expressar através de várias medições no cérebro. Como aspectos afetivos no seu funcionamento (por exemplo, a tua preocupação sobre estar em um estado de terror), diria que isso iria também aparecer por diversas outras medições no cérebro. Se a principal atividade cerebral que aparece é uma convulsão, acho que podemos estar razoavelmente confiantes de que não há algo sofisticado ou cognitivo em efetiva atividade. É possível que haja alguns resquícios de consciência, ou mesmo de experiência visual? Eu ficaria surpreso, mas não posso descartar com certeza. Ao mesmo tempo, não posso excluir, com certeza, que os subsistemas do meu próprio cérebro tem o zumbido de fundo da consciência. Mas eu não acho que os subsistemas são muito parecidos com o que pensamos como pessoas ou como agentes morais. Do mesmo modo meu bem desinformado palpite é que para o hemisfério desligado é extremamente improvável que ele possa cumprir os critérios razoáveis para ser uma pessoa ou um agente moral. Mas somente os médicos estão em melhor posição para contar algo sobre estes fatos neurobiológicos. Ainda bem que o teu filho está bem, e desejo-lhe as maiores felicidades para o futuro.".


OPINIÃO DE VALERY

"Nem sempre sou da minha opinião."


Paul Valéry 

GRATIDÃO

Eternamente grato
Jamais esquecerei

Muito Obrigado!

Limites do Absoluto

Nós não somos absolutos
Nós não podemos ser absolutos
Isso nunca aconteceu, não acontece e não vai acontecer
Nem no sentido mais geral
Muito menos em um aspecto ou atributo específico

Não há esta possibilidade
Isto não é provável
E a necessidade de dizer isto mostra que alguns acreditam, imaginam, fantasiam ou deliram em relação a isto
Em nenhum sentido ou aspecto podemos olhar para o próximo ou para si mesmo e pensar que sim

Cada um tem seus limites e mesmo aqueles
Mais geniais e criativos
Mais sortudos e afortunados
Mais experientes e vivenciados
Mais expertos e sagazes
Mais sábios ou bem formados
Mais velhos ou precoces

Tem seus limites e não vão deixar de encontrar eles ainda um dia, muitas vezes

Temos pena e lamentamos pelos que não encontraram um limite porque tiveram a ilusão do absoluto e é deles que se irradia a grande fantasia de onipotência que tanto contagia aqueles que deveriam por prudência mínima e sabedoria básica, serem mais humildes

Podemos olhar para o absoluto que conseguimos pensar, usar ele como metro aqui ou acolá, ousar atingir seu mais completo e majestoso lugar e dimensão

Podemos sim, mas jamais podemos ousar imaginar que dele iremos traçar e pintar seus contornos últimos


Os limites que atingimos sempre vão ficar conosco como uma mostra clara do que não podemos ser, apesar de todo nosso querer, dá nossa necessidade e ambição e também do nosso belo gosto pela perfeição

TODAS AS LINHAS

E um brinde a todas as linhas que já li, escritas por você. 
Ao início do exagero, aos acidentes do destino e a tudo mais ...

SAMBA E ALICE

Vendo Samba e Alice e o maravilhoso encontro entre eles. Belo filme!


Charlotte Gainsbourg sambando música brasileira é maravilhosa. Take easy my brother Charlie...

OSSO DURO DO PEITO – CORAÇÃO

O famoso osso duro do peito fica bem no centro superior do nosso tórax, e alguns para dar demonstração de força afirmam que tem que matar tudo no osso duro do peito, mas quem realmente segura as pontas na nossa vida é o que fica mais a esquerda, nosso coração. Esquecer dele é imperdoável e por mais forte que tu seja meu caro e minha cara, sem ele você não vai mesmo fazer nada de qualidade nesta vida.


SÃO LEOPOLDO E O TEMPO

São Leopoldo parece uma cidade daquelas que sempre precisa reconquistar a sua história para poder dar um passo para o futuro. E é assim também com o Rio dos Sinos, com todos os cidadãos e as instituições. O tempo em São Leopoldo parece um Saturno que tenta a todo modo devorar todos os seus filhos, seus frutos e suas obras. Mas os filhos sobrevivem quando aprendem a suportar esta dura luta pela vida de forma coletiva o que está, também, ligada ao passado bem compreendido e devidamente respeitado. Então, recuperar a inteligência coletiva desta cidade é um grande desafio e é a ponte mais razoável para chegar num futuro melhor para todos. Esta é, entre muitos amigos e amigas, para você meu amigo Clovis Peres.

A estupidez dos covardes e nazistas contra trabalhadores , seus filhos e os filhos dos representantes dos trabalhadores, contra os direitos dos trabalhadores, só prospera pela omissão dos indiferentes.

NOTES

PERES: Como bem sabiam os alquimistas, quem dissolve o chumbo, a rigidez burocrática do Saturno que quer durar para sempre, é a Lua prateada que sempre varia, também dita do povo em contraposição ao sol dito do chefe. Entre os dois cresce Urano, a ciência dos círculos, o conhecimento científico, que, antigamente, libertava.

DANIEL: Buenas, entender os ciclos encaixa bem com minha visão dá história. Tem o tempo dos gafanhotos que vem e tentam arrasar tudo e tem o tempo dos construtores...

PERES: Os da lua se impressionam com as variações, os saturninos com as constâncias, os uranianos transformam as duas percepções em ciência. Não esqueçamos que Urano foi avistado no ano de 1781, quando o Immanuel publicou a Crítica da Razão Pura.

DANIEL: A crítica é praticamente um trabalho de construção possível após a passagem dá gafanhotagem cética e do delírante impulso dá fé excessiva e dogmática na razão.


Sobre a crítica ao uso da expressão ponte para o futuro. Acalma o coração. As palavras e os conceitos não devem levar a culpa dos mentirosos e dos usurpadores. Alias um usurpador faz exatamente isto também: frauda o significado das palavras. Quem vê eles falando pode acreditar, mas também pode desconfiar. Usei a expresso ponte aqui pensando muito em diversas outras opções para atravessar este presente, pode ser o passo - mais adequado para uma cidade como São Leopoldo, pode ser a travessia, pode ser o salto, pode ser também a estrada ou a viagem, a odisseia e o rumo, mas vamos conseguir passar juntos e quando entendermos que é possível caminhar na mesma direção respeitando as diferenças. Obrigado pela atenção vigilante.

A TAREFA MAIS DIFICIL PARA OS FILÓSOFOS

“La tâche plus difficile pour les philosophes, c’est de descendre du monde des pensées dans le monde réel. La réalité immédiate de la pensée, c’est le langage. De même qu’ils ont fétichisé la pensée, les philosophes ont dû faire du langage un royaume souverain. C’est là le secret du langage philosophique où les idées ont, en tant que mots, leur contenu absolu. Le problème de savoir comment descendre du monde des pensées dans le monde réel, se transforme en problème de savoir comment descendre du langage dans la vie. Les philosophes n’auraient qu’a disoudre leur langage dans le langage ordinaire dont ils ont abstrait leleur, et ils reconnaîtraient que leur langage n’est que la déformation du langage du monde réel; ils comprendraient alors que ni la pensée ne la langage ne forment una sphère indépendante; ils verraient qu’elles ne sont en elles-mêmes que les deformations de la vie réelle.”

Karl Marx


Republico para homenagear meu velho amigo Luiz Müller que em 1979 me estendeu um Manifesto Comunista de Marx e Engels e talvez tenha sido com mais algumas pessoas muito caras para mim um dos detonadores de toda a minha caminhada na cultura, na história, na política, na filosofia e para a vida real.

VENCER O MEDO

"Para aprender as lições importantes da vida
é preciso vencer um medo a cada dia."


Ralph Waldo Emerson

STF BRASIL

O ápice do nosso tempo é consagrar o tribunal dá desrazão nacional. Os poderes deste país nas mãos certas e hábeis do...

Prometo: Vou escrever o Conto do Vigário José Inácio!


DA VIDA NADA SE LEVA

Da vida nada se leva, tudo se perde, tudo se esvaindo, tudo passando até que algo aconteça.

A MIUDINHA

Lembrando meu irmão: "a miudinha pega todo mundo e quanto maior a arrogância e soberba, mais ela morde - mais dor ele sente.


... até a humildade chegar, a gentileza voltar e a pessoa se arrepender."

OUTRO LADO

A inteligência e o conhecimento, porém, também não formam uma armadura inexpugnável, pois ainda assim restará uma gota de dúvida.

Por isto vemos grandiosas convicções e opiniões repousando em alicerces tão instáveis quanto o desejo. ( O DESEJO AQUI E O QUE VOCÊ GOSTARIA QUE FOSSE VERDADE)

Não será necessário investir muita energia para topar com a primeira dúvida. (NEM PROCURAR MUITO E NEM MUITO ESFORÇO)

Basta observar em teus juízos quais elementos dependem principalmente de tuas decisões, escolhas e modos habituais. (AUTO EXAME E INSPEÇÃO)

E a mecânica funciona exatamente assim: você tem um decodificador que foi alimentado a vida inteira.

Acumulou experiências, crenças sobre elas, construiu valores e continua vendo o mundo sob a mesma matriz um pouco transformada.

Acumuladores de crenças e de crenças sobre hábitos, enredos, tramas e etc.


Então, acumulamos crenças que nos libertam, mas também aquelas que erguem muralhas e prisões para a nossa vida.

DESCOBRINDO A VIDA

Um ano sem Umberto Eco e eu me sentindo um Adso de Melk que a pouco descobriu a vida.

A burrice e a ignorância formam a pior armadura para um homem.

Talvez seja exatamente por isto que quando muita coisa começa a dar certo e se encaixar ficamos desconfiados.

É uma hipótese negativa, precisamos ter errado em alguma coisa, ignorar algo ou viver numa burrice ou cegueira.


Assim, o pecado e a imperfeição, o erro e a culpa sempre aparecem como necessários. Precisamos encontrar eles...