terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PORQUE JOBS QUERIA FALAR COM SÓCRATES?

PORQUE STEVE JOBS QUERIA FALAR COM SÓCRATES?


“I would trade all of my technology for an afternoon with Socrates.”
Steve Jobs, CEO, Apple Computer Co. (Newsweek, Oct. 29, 2001)

Quando em 28 de outubro de 2001, foi publicada uma entrevista com Steve Jobs e outros especialistas sobre o uso das novas tecnologias na educação, provavelmente nós estávamos todos discutindo aqui no Brasil como aplicar as tecnologias da informação na produção, em governança e em sistemas de gestão e produção.

A internet existia praticamente para muito poucos. Banda larga estava longe de ser pensada em caráter público. E eu ainda me lembro de uma matéria maluca sobre pontos de conexões, ou nós digitais, no Fantástico nos idos dos 90. Eles tratavam – ora essa - de determinados locais que permitiam na cidade, a gente se conectar a uma grande e misteriosa rede de computadores.

A SALA DE AULA DO FUTURO

Numa entrevista de 2001, inserida em uma matéria especial da revista Newsweek, sobre a Sala de Aula do Futuro (The classroom of the future), com diversas opiniões sobre como seriam as salas de aula do futuro ele disse a frase que vamos usar aqui em nossa análise exploratória e inventiva.

"Trocaria, se pudesse, toda minha tecnologia por uma tarde com Sócrates."
Steve Jobs em entrevista à Newsweek (2001).

Esta expressão de Steve Jobs me fez gerar uma pergunta intrigante aos alunos e alunas e para mim mesmo. Logo após a greve, optamos por retomar as aulas fazendo uma certa problematização - ainda que introdutória e em esboço ainda - sobre a relação entre novas tecnologias e educação e, em especial, filosofia. Usamos como guia para esta reflexão a expressão de Steve Jobs em que ele afirma que “Daria toda a minha tecnologia em troca de passar uma tarde conversando com Sócrates.” Interrogamos o porque disto e aproveitamos esta deixa para valorizar e fazer pontes entre tecnologias e ciências humanas.

E esta foi, ao meu ver, a pergunta mais intrigante que eu apresentei neste ano aos meus alunos e que não foi provocada pela filosofia, nem por um filósofo, nem mesmo por uma investigação filosófica, mas sim por uma expressão de Steve Jobs que merece nossa reflexão e interrogação. Porque ele gostaria, afinal, de passar uma tarde com Sócrates? Ou porque ele gostaria de conversar com Sócrates? E porque daria toda a sua tecnologia em troca disto?

É um conjunto de perguntas que fazem frente a uma explicitação de Steve Jobs de porque ele dedicava parte do seu tempo a desenvolver tecnologias e porque ele acreditava - de uma forma bem otimista - que as novas tecnologias e equipamentos que ele estava desenvolvendo iriam revolucionar e transformar a educação.

Vejamos o texto integral da resposta otimista de Steve Jobs sobre o uso educativo das novas tecnologias à entrevistadora onde se insere no final este apelo à uma conversa com Sócrates:

"Um dos nossos problemas como sociedade daqui para frente é ensinar as crianças desta geração a se expressarem nas mídias atuais. Durante a maior parte do século passado, a mídia era a página impressa, seja um jornal ou um romance. Hoje as pessoas não podem somente consumir; elas podem ser autoras Quando as pessoas lêem romances, elas escrevem cartas. A principal mídia do nosso tempo é o vídeo e a fotografia, mas a maioria de nós ainda é de consumidores em vez de serem autores...”

“Nós estamos vendo as coisas mudarem. Estamos fazendo mais e mais coisas com filmes e DVDs. (…) Achamos que isto é um poder tremendo. Você deveria ver os filmes que as crianças e os professores estão fazendo agora. Eles fazem filmes para vender uma ideia e liderar um time. Eu posso mostrar a você um filme feito por uma professora de 6ª série e os seus alunos sobre como aprender os princípios da geometria de uma maneira que você nunca vai se esquecer. (…) Quando os próprios alunos estão criando, eles acabam aprendendo. E os professores serão o epicentro disto. Qualquer um que pensa diferente disto nunca teve um bom professor. Eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates”.

Neste texto ele apresenta o seguinte problema: como educar os jovens para usar as novas mídias? E a resposta dele, apesar de oculta no texto, parece ser simples ai: usando as novas tecnologias sem medo. E diz que basta dar se aos alunos autonomia para que eles criem por si mesmos as coisas, porque assim, eles acabam aprendendo. E ele diz claramente, ao contrário do que circula como opinião sobre isto – de que os professores perdem seu papel com as novas tecnologias; para ele é o caso que eles serão “o epicentro disto”. E ele diz ao fim que, para pensar isto, “basta ter tido um bom professor”. E daí surge a chave da questão dele que é passar uma tarde com Sócrates, haja visto que, para ele, Sócrates representa o bom professor, que é capaz de ser e manter-se como epicentro mesmo que em uma circunstância como esta, em que se dá aos meninos e meninas, meios avançados para buscarem, por si mesmos o conhecimento. (Vou, sendo assim, me preparar para levar as pedradas agora).

Para constar e ir estendendo a prosa um pouco, vou citar aqui Marcelo Doro (UPF) que se dedicou também tentar responder esta questão de porque Jobs quer falar com Sócrates. Vejamos suas teses e anotações para começar aqui.

Por ELITISMO? Porque, na visão de Doro, ele se cercava de pessoas excepcionais e Sócrates é uma pessoa excepcional, logo..

Tendo a discordar disso, porque a atração por Sócrates se deve muito mais a capacidade interrogativa e investigativa dele do que propriamente a ele poder ser mais uma criatura excepcional no seu círculo de colaboradores. E também temos que levar em conta o valor de vivências  e experiências iluminadoras e místicas para Steve Jobs. E ele acreditava pelo visto na capacidade inovadora de Sócrates também.

Por causa da FINITUDE E MORTALIDADE?

“Nascemos, vivemos por um momento breve e morremos. Tem sido assim há muito tempo. A tecnologia não está mudando muito este cenário”, observou Jobs em fevereiro de 1996.

Esta seria uma boa razão, mas ela me parece mostrar mais o limite do valor das tecnologias e talvez um valor superior na sabedoria de Sócrates. O que para nós agora, mostra o valor do bom professor ou boa professora socrática frente a estas tecnologias limitadas perante as questões da vida.

Pelos FATOS DA VIDA?

O trecho do discurso que Jobs fez em 2005 aos formandos da Universidade de Stanford, sobre “não deixar o barulho das opiniões abafar a voz interior” é um equivalente à resposta de Sócrates de porque seguia seu Daimon. O que isso haveria de explicar aqui sobre o bom professor. Provavelmente porque para ele o bom professor deve estimular a confiança dos jovens alunos e alunas em suas capacidades. Este professor quer inspirar e ser inspirador dos seus alunos. Carmine Gallo comenta em uma entrevista sobre seu outro livro sobre Jobs, assim:

“Steve Jobs nos deu um dos discursos mais inspiradores na história contemporânea quando se dirigiu aos alunos da Universidade de Stanford em 2005. Ele disse: “Seu tempo é limitado. Portanto, não o desperdicem vivendo a vida de alguém. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir seu coração e intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar.” Acho isso incrivelmente inspirador.”

Então estamos aqui agora na questão da liberdade de pensamento e a questão da nossa capacidade de pensarmos por nós mesmos parece ser a chave no núcleo da expressão de Jobs sob re Sócrates. Ora, é muito isso que Sócrates procurava desenvolver em seus alunos, ou seja, a capacidade de encontrarem em si mesmo as respostas. Para ele “uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida” também por conta disto. De que aquele que não reflete, vive a vida dos outros ou vive a vida a partir da cabeça dos outros.  

PENSE DIFERENTE

Steve Jobs fez também uma proeza no mundo dos negócios e das novas tecnologias ao voltar para a Apple. Boa parte do seu êxito se deve posterior em reerguer a empresa – além do esforço e do novo foco de desenvolvimento tecnológico que ele implementou e das novas alianças da empresa - se mostrou em algo aparentemente simples, uma solução de marketing. E ela foi resumida como um slogan de uma grande campanha que apresentado em um comercial da Apple em 1997: Think different - pensar diferente.

Este slogan foi concebido de tal modo a dar a Apple uma marca que a diferenciasse de todas as demais no mercado e conseguiu. E, ao mesmo, era um símbolo da ousadia da empresa e das pessoas no mundo moderno. E o texto publicitário CRAZY ONES, que cito a seguir é representativo deste desafio e de seu foco num caráter de autonomia também. 


The Crazy Ones

Original

“Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados.

Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los.

A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas.
Eles inventam. Eles imaginam. Eles curam. Eles exploram. Eles criam. Eles inspiram.
Eles empurram a raça humana para frente.

Talvez eles tenham que ser loucos.

Como você pode olhar para uma tela em branco e ver uma obra de arte? Ou sentar em silêncio e ouvir uma música jamais composta? Ou olhar para um planeta vermelho e ver um laboratório sobre rodas?

Enquanto alguns os vêem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucos o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam.”
  
 
AS STEVENOTES E SÓCRATES

Mas podemos ver nas técnicas de suas apresentações, que Steve Jobs aplicava também um certo traço socrático ou assinatura socrática. Ao estabelecer a que as suas apresentações – também conhecidas como Stevenotes – tivessem que ser a construção e exibição de um mocinho que antagoniza com certo inimigo para resolver um problema nosso ele faz uso da dialética, e ao gerar questões que levam a platéia a chegar a uma síntese já planejada por ele, ele produz uma maiêutica. Então é pouco provável que ele não tenha se inspirado no método socrático bem apresentado por Platão em seus diálogos socráticos para estruturar suas apresentações. A melhor obra sobre isto é de Carmine Gallo, Faça como Steve Jobs e Realize apresentações incríveis em qualquer situação.

UM TRAÇO MARCANTE DE JOBS

Cito agora o obituário de Frederico Botrell (em Adeus Mrs. Jobs. Estado de Minas, 6/10/2011) “Com todas as revoluções tecnológicas causadas pelo hippie comedor de maçãs, e mesmo com a fama de mandão, perverso e intolerante, o desejo do papo com Sócrates revela o que é mais marcante na trajetória de Jobs. Outra frase famosa do genioso e genial executivo dá a pista: “Nascemos, vivemos por um momento breve e morremos. Tem sido assim há muito tempo. A tecnologia não está mudando muito este cenário”.

A saber, ele tinha plena consciência dos limites da tecnologia perante o mundo da vida e a nossa existência.   

Mas era um homem que dedicou sua vida a desenvolver e produzir um dos maiores avanços tecnológicos da história da humanidade, a saber, não somente criar tecnologias, não somente criar novos equipamentos, mas de certa forma, colocá-los nas mãos de pessoas comuns.

Um dos traços mais marcantes de Steve Jobs foi a sua lendária capacidade de apresentar idéias. Digo isto, porque os produtos que ele criou, lançou e promoveu são em sua base idéias, são conceitos e concepções realizadas e que ganharam realidade em parte por capacidade de desenvolvimento tecnológico e de outra parte por conta de um design e de uma concepção preliminar que dirigia a sua produção e concepção.

Outra característica muito conhecida é que ele tinha uma certa capacidade de constituir em volta de si um CAMPO DE DISTORÇÃO DA REALIDADE, que produzia a proeza de convencer a todos de que possuía a razão, mesmo que houvessem muitas dúvidas a respeito disto.

Bem, talvez na cabeça dele seria um bom teste passar uma tarde com Sócrates para ver, afinal, em que pé andava, qual alcance e qual o poder ou limite de sua CDR.

Mas afinal, porque Steve queria falar com Sócrates? Responda você de novo a esta questão.

"I cannot teach anybody anything, I can only make them think." - Sócrates

Feliz Ano Novo aos Meus Alunos, Alunas, Amigos e Amigas Colegas e Parentes...toca em frente que 2013 acabou!!!!


HASTA LA VISTA BABY!!!

FONTES DE PESQUISA

COELHO, Ana Maria Magni. De Sócrates a Jobs. Lounge Empreendedor. 10/10/2011. (http://loungeempreendedor.com.br/2011/10/10/de-socrates-a-steve-jobs/)

COHEN, Otávio.
Frase da semana: “Trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates” (Steve Jobs). BLOGS. SUPERINTERESSANTE. 07/10/2011 

DORO, Marcelo. Jobs e Sócrates. UPF. 2009

BOTRELL, Frederico. Adeus Mrs. Jobs. O ESTADO DE MINAS. 06/10/211. (http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2011/10/06/internas_economia,254457/adeus-mr-jobs.shtml)

RONAI, Cora. Adeus, Steve Jobs. cora rónai | internETC. uma espécie de diário. 05/10/11 

CRUZ, Patrick. Entrevista com Carmine Gallo: As Lições de Inovação de Steve Jobs – E como aprender com elas. PORTAL IG. 21/06/11. 

THE 100 GREATEST STEVE JOBS QUOTES. 
  


SOBRE O ESQUECIMENTO

"Só é necessário um minuto para simpatizar com alguém, uma hora para gostar de alguém, um dia para querer bem a alguém, mas é preciso de toda uma vida para que possa esquecê-lo".

SONHOS?

"A melhor maneira de realizar seus sonhos é acordar." 

PAUL VALERY

SE BROTAR UM DESERTO



Se brotar um deserto da terra aqui do meu lado esquerdo e para isso basta esquentar mais dois graus e meio, eu prometo que eu vou fazer um desatino...to me sentindo Marroquino....andei até pensando umas coisas estranhas aqui agora...coisas de um menino...e opa esqueci do meu eu inclusive...sei lá...quente, quente e muito quente...isso não é para a gente...eu sei...eu sei..que quanto mais eu falar, reclamar, rabujar mais eu vou sofrer....mas sei lá...já bateu o sino...

ARISTÓTELES VERSUS PLATÃO: NÃO SEJA POR ISTO

Aristóteles não era gente boa - parte 1:

"Conta-se que o afastamento de Aristóteles em relação a Platão ocorreu primeiramente a partir destes fatos. A Platão não agradavam nem seu modo de vida nem o de vestir seu corpo. Com efeito, Aristóteles usava vestimenta exagerada e sapato, aparava o cabelo e, além disso, se embelezava usando muitos anéis – e isso era estranho para Platão. Havia um deboche em seu rosto e falava inoportunamente, tagarelando coisas banais – esse era seu jeito. Que tudo isso é impróprio ao filósofo, é evidente. Vendo isso, Platão não aprovava o homem, e estimava Xenócrates, Espeusipo, Amiclas e outros mais do que ele, cumprimentando-os com respeito e juntando-se a eles para conversar. Certa vez, quando Xenócrates estava fora da cidade, Aristóteles enfrentou Platão rodeado por um coro de gente das suas relações, dentre os quais estavam o fócio Mnáson e outros dessa laia. Espeusipo estava doente na ocasião e, por isso, não pôde juntar-se a Platão. Platão estava com oitenta anos e, por causa da idade, sua memória falhava. Aristóteles, ao atacá-lo e tramar contra ele, fazendo perguntas com extrema arrogância e de um modo refutativo, mostrava-se claramente não apenas injurioso, mas também desleal; por isso, Platão retirou-se da caminhada e recolheu-se com seus amigos" (Cláudio Eliano, Histórias Várias, 3. 19).

Tradução do Professor Junior Baracat.

Meu comentário breve:

Vejo muito exagero na tendência de alguns de tomarem isto como um  indicio do mau caráter de Aristóteles. O estrangeiro e macedônico Aristóteles devia ter um humor muito peculiar. Aliás, considerando as suas influencias platônicas e mediadas por ele a herança de certa ironia socrática e o destemor nos debates típico e marcante na Apologia. Então vejo um exagero na crucificação de Aristóteles. A fonte é histórica, mas a posição é política. E quando a gente lê os textos dele se supõe com certa facilidade esses traços do seu humor e destemor.

O sábio Umberto Eco fez aquela brincadeira com ele em O Nome da Rosa, atribuindo a ele um tratado do riso e da alegria no Segundo livro da sua Poética. Bem eu não vejo como seria conveniente aos atenienses tratar e lembrar de um Aristóteles em 348 a. C. com muito generosidade, posto que quem escreve sta memória tem posição posterior a morte de Platão e provavelemnete posterior a tomada de Filipe da Macedônia das cidades estado gregas em 346 a. C.  A disputa, que se verá depois, após a morte de Platão logo em seguida, pela academia que faz Aristóteles fazer um processo On the Road, após aber que nãos era o sucessor sendo preterido por um parente, um ato de nepotismo justificado de Platão por assim dizer, e depois em sua volta desta viagem de desafogo criar o Liceu e gerar a provável disputa entre liceu e academia não devia ser de conseqüências tão suaves assim.

Creio que é um bom debate para clarear também este conflito que depois segue pelos séculos e séculos até os dias de hoje. Eu que sempre fui um aristotélico empedernido e convicto até o ano passado, hoje me sinto seduzido por Platão. Por força deste meu anno mirabilis acabei mergulhando mais em Platão do que supunha e planejava ao inicio do ano letivo.

Mas seu eu fosse aluno de Platão também não resistiria a tomar certas liberdades. E sabemos que os exercícios de refutação – abstraindo-se aqui da questão estética envolvida neste fuxico grego – eram altamente promovidos e exemplares desde Sócrates e mesmo desde os Sofistas. E, pensando bem agora, um pouco mais e com mais cuidado eu peço que meus alunos também não resistam em me refutarem quando souberem fazê-lo ou julgarem possível e acho que dá para levar para casa isso numa boa. Esta alegria que pode ser gerar sem mágoa ou rancor e que quando isso acontece, com eficácia ou sem, há ai uma influencia libertaria e de uma tentativa de pertinácia do mestre e daquilo que a tempera de nossos alunos deveria ganhar.


Então isso mostra para mim que os pósteros, são pelo fuxico e pela contenda superficial, posto que nem fala de que matéria tratava-se o debate ou colóquio, são menores mesmo que Aristóteles e que Platão juntos. Só isso...e me parece também que tem muitos dodóis aí, sem feridas correspondentes que justifiquem tamanho dano..

PORQUE DEVES ENFRENTAR TEUS ADVERSÁRIOS?: PARA CUMPRIR SUA NATUREZA

"... Por sua natureza, você terá que se ocupar na luta." BAGHAVAD-GITA, verso 59 (trecho final). Ou isso, ou direção errada!

Citado e brevemente comentado pelo amigo Julio Dorneles e me lembrou desta passagem como que num instantâneo.

E me veio à cabeça minha leitura disto lá em 1989. Segundo semestre de curso.

Esta expressão surge num contexto bem específico. E esta é a resposta de porque ele deve sacrificar seus adversários sem temor e sem mágoas...só que os adversários dele na batalha que se aproxima são seus parentes.

No meu trabalho de filosofia oriental que era sobre esta passagem eu tentei ver qual o critério de decisão ai posto. Isso foi lá em 1989 e confesso que tenho poucas lembranças nítidas. Só sei que viajei um bocado nisto e depois que entreguei ao professor Mário Freiberger, me arrependi porque queria ter feito um certo reparo e queria ter ficado com uma cópia também.

No caso, o Principe Arjuna com dó dos seus semelhantes se lamentava doq eu se aproximava...dai que Khrishna aplica esta da natureza nele...ou melhor argumenta que ele precisa cumprir seu Karma, em outra palavra, para que o Dharma de todos seja possível. Este é para mim um argumento clássico a favor da luta...Te faz compreender teu papel no mundo e na história pela realização de um determinada natureza. Eu creio que isto é uma pré-condição para os heróis e todos aqueles que fazem algum tipo de sacrifício em prol de um coletivo. Uma espécie de aceitação do destino e da sua natureza que irá se realizar plenamente nele.

Você não pode matar o próximo no campo de batalha, você deve cumprir sua natureza para manter tudo em equilíbrio...então...

Foi que legal que o amigo e professor de história e teólogo luterano tenha postado  isso também porque reconheci na hora e porque, além disso, ante-ontem assisti pela enésima vez O Último Samurai e me lembrei muito disso tudo. Desta trama entre natureza, graça, honra e destino de um homem. O samurai sabe que vai realizar o seu destino e é educado desta forma para que sua natureza seja enaltecida e aperfeiçoada de tal modo que seu final será de muita honra em um campo de batalha. É.deste tipo de ETHOS e Honra que se nutria para mim também os espartanos, no que o filme 300 dá só uma palha disso, num dos episódios históricos mais conhecidos.

Ainda vou reconstruir um dia meu primeiro ensaio sobre o Bhagavadad. Eu havia escolhido este texto porque - para mim  - era muito importante o sentido e a força daquilo que eu lia. Naquela época e mesmo antes eu nutroa uma forte simpatia e admiração pelos Hare Krishnas. E após conviver com eles e respeitá-los e cantar com eles o hare krishna, como o Beatle George Harrison cantou com muita devoção,  me dei por conta da importância desta cultura e tradição, tanto num sentido espiritual quanto histórico...


Terminando este belo ano com esta rica lembrança do coração e da alma.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

VENDO BIG SUR - EM ETAPAS (3) - CONVERSA COM CÂNDIDO

Meu amigo Cândido me diz que “big sur é muito triste!”.
Eu digo: sim, é a descida da montanha.

Eu digo que não li o livro , mas que pelo que vi Jack Kerouac entra em uma depressão total. É muito triste isso, é demais mesmo, ele me dix ainda que é “de chorar mesmo”.

Assisti até agora e tudo que vi me mostra que é muito bem filmado. Nossa é bem melhor em muitos aspectos que on the Road. É um filme mais silente, mas tem uma voz de Jack ao fundo. Pelo que verei na seqüência vai terminar bem triste mesmo.

Me dei conta de algo que me parece tocar o Jack para dentro desta tristeza toda. E exclamo para mim mesmo: “vou cuidar desta tristeza”. Porque me ficou uma impressão que ele passou por coisas que todos nós passamos da adolescência à vida adulta.

Quando digo todos nós aqui, falo de um certo tipo de jovens libertários como nós, pois que os caretas não passam por isso, porque não amam desta forma maluca da gente, ninguém. E ser libertário não significa ser mais junkie ou menos, ser promiscuo ou não. 

Significa andar da forma mais libre neste mundo, sem arreios e sem coleiros, sem relógios e sem destino definido. Suas relações não são tão apaixonadas assim. Me parece isso sim. Uma coisa burguesa sei lá. Posso até estar errado.  Nem seus amigos, nem seus irmãos e nem mulheres ou seus velhos são amados da forma como nós malucos amamos. Posso até estar errado e gostaria muito de estar. Goistaria que isso fosse um preconecito meu. Só isso. 

Então essa dor dele, essa depressão de Jack deve ser muito isso. Ele devia sentir e pensar “poxa sofro muito com isso e não consigo achar o botão de desliga nisso”.

Mas a vida é meio isso e a gente não quer envelhecer nem ser solitário na real. A gente quer toda a excitação, todas as aventuras e a graça presentes sempre. Pensamos nisso sem parar a medida que os anos passam. Sem parar...

É um lance de alma. Parece a nossa boa estrela que vai nos machucando com o tempo.

O `Pedro disse que você tinha boa estrela na época da casa do estudante. E voc~e lembrou disso logo agora...

E a gente pensou junto “nunca entendi muito aquilo, mas sei o que ele quis dizer” com esta boa estrela.

E ele era quase um personagem de On the Road.

Na casa do estudante nós todos ali éramos meio personagens de On the Road, na real.

Nós que andávamos de carona e tínhamos mochilas e não aquelas malas ou bolsas de viagem como os outros. 

Éramos personagens interpretando à nós mesmos, nossas vidas mesmo.

Bem na real eu tava mais para um coitado. Olha isso, é bom pensar que a gente era muito de verdade e muito frágeis na real. Nossa hoje vejo isso claramente. Era um jovem de 25 anos. Um jovem de 25 anos nunca é adulto cara. A gente é uma gurizada, só isso. Não éramos homens ainda, no sentido que somos hoje. E com meus 48 chegando nos 49 na outra semana.


Com é que pode isso? 25 anos passarem correndo pela frente do meu nariz. Bem, vou lá tocar Whole Lotta Love... 

PROGRAMAÇÃO DE TORTURA E VIOLÊNCIA

Estou me finando para não falar de Violência, Tortura, e esta programação Estúpida de Cinema e Televisão e este monte de bobagens que são espalhadas com imagens, discursos e posições e que estão, ao meu ver, decisivamente relacionadas à Banalização da Violência, a Postura Mesquinha das Pessoas em Relação ao Sofrimento do Próximo e esta Aparente Vida Saudável e de Prazeres, de Liberdade e de Autonomia que alguns acham que levam....sinto uma pena danada disso....

VENDO BIG SUR - EM ETAPAS (2)

SOLITUDINE OR DIE

Uma grande paisagem,

daquelas que dá muito ar para respirar

e que por isto mesmo

te tira todo o ar...


Uma máquina de escrever,

tataritando, sendo pressionada

a dizer aquilo que o outro pensa

e que te lembra muitas palavras...


Um homem  solitário, andando

que poderia ser você,

não fosse o outro,

que poderia ser um menino,

não fosse um homem...


O mar e as gaivotas

num amanhecer,

sem igrejas ou bancos,

sem crenças, sem perdões,

sem dívidas ou senões...


Uma floresta de árvores

grandiosas e que te olham

e te fazem ver o quão pequeno és,

foi ou serás perante a natureza...


E uma velha cabana sem nenhuma alma

sem nenhum abandono, sem nenhuma dano

ou engano para te lembrar...


O homem solitário - - este que ai está

nem sabe mais quem é, foi ou será...

VENDO BIG SUR EM ETAPAS (1)

quando jack kerouac escreve "Solidão ou Morte" no papel me dou conta da tamanha depressão dele - - desse poço sem saída - - em que um alcoólatra ou um junkie pode entrar quando perdeu suas ligações com as grandes emoções, aventuras, paixões, riscos que teve quando jovem - - uma insanidade inocente é muito mais suportável que uma insanidade madura - - me parece mesmo que descer a montanha da vida é muito mais difícil do que subir ela - - estando agora beirando ao meio século, eu sei que já passei do pico num sentido vital, corporal e físico - - devo dizer aos meus jovens aproveitem a vida - - com uma única recomendação: não pensem que são  homens, não enganem a si mesmos - - para ser adulto é preciso perder algo - e ter este sentimento bem claro no coração e na alma de que perdeu e de que não vai mais recuperar mesmo -  - se equilibrar entre aquilo que se conquistou e aquilo que se perdeu, não para sofrer ou se lamentar ou enfiar a fuça em alguma tolice acreditando que isso é um grito de liberdade - - nem resignado e covarde, como se nada mais pudesse acontecer...

domingo, 29 de dezembro de 2013

OUVIR MAIS E FALAR MENOS: PEQUENA NOTA

Ouvir mais e falar menos é um ditame que me preocupa às vezes, porque ele também serve para calar os sentimentos e impedir erros. Considerando-se o oficio de cada um amigo e o papel de cada um neste mundo, esta é uma medida sábia somente em certas circunstâncias. Entretanto, falar menos é sempre recomendável quando não se tem nada a dizer e falar muito é sempre recomendável quando é necessário responder por muitas coisas. Para mim o problema não é o quanto se fala, o tamanho do discurso, mas sim o modo e sua forma, sim a qualidade e o conteúdo do que é dito. Mas é claro que ouvir mais é uma forma de excelência, principalmente quando se compreende o que é dito e sem temor algum, nem para falar, nem por calar. Falar é uma arte e penso sim que deveríamos educar as pessoas pensando nisso. A verdade também pode ser encontrada no colóquio. 
Bom dia...uma brisa matinal sopra e me inspira aqui...tentando ler Wallace Stevens com muito prazer, pois que meu amigo e mestre Paulo Faria publica vez que outra aqui..e espero cada publicação. Me alegro muito nas minhas tentativas de leituras com meu inglês claudicante....cada linha que consigo compreender é um prêmio e uma  grande alegria...um bem como este é como o céu de meus sonhos mais elevados...e a brisa me sopra avisando que é dia de respirar, respirar, respirar....e como diria meu velho amigo cheio de prana: o ar é o fluido da alma...o que um terreno como eu aprende com uma gota disto...bem...

sábado, 28 de dezembro de 2013

DISCURSO DE PARANINFO 2013

DISCURSO DE PARANINFO PARA A TURMA 3M2:


EM 28 DE DEZEMBRO DE 2013

ESCOLA ESTADUAL OLINDO FLORES DA SILVA
SÃO LEOPOLDO


[Obs. Preliminar – realizei este discurso de forma oral, pulando alguns parágrafos e dialogando mais com os alunos. Apontei, com a licença dos 19 formandos presentes na cerimônia, que estavamos formando naquela data mais de 100 alunos. Inclui referências aos textos deles. Elogiei a Alice em nome da comissão de formatura. Em especial o texto feito pela Jéssica Karoline  nos slides sobre a amizade dos alunos. Fiquei muito feliz mesmo com o que li lá. Acrescentei uma pequena referência ao porque sou Paraninfo e que isso não ocorre porque sou “bonzinho” apesar de brigar tanto com os alunos e por isso mesmo. Ao fato de que sei que erro também e que eles me ajudaram a corrigir meus erros. E que, enfim, eles me ensinaram neste ano que o AMOR, O AFETO E A AMIZADE são fundamentais para a educação.] 



[ Nota filosófica: Platão tem absoluta razão em dizer que o diálogo e o discurso oral é superior ao poder do texto e de uma leitura textual. Ao fazer o discurso em aparente improviso aumentei as ênfases emocionais e os acentos verbais possíveis usando este texto que segue como base em seus conteúdos e idéias.]         



Minha saudação carinhosa e especial aos meus afilhados da 3M2 que me distinguiram, aos meus ex-alunos das demais turmas que se formam hoje também. Saudação aos pais e mães, aos meus colegas funcionários e professores, à direção da escola e à todos os amigos e amigas que estão presentes nesta cerimônia de hoje, meus caros cidadãos e cidadãs desta importante comunidade escolar de nossa cidade...Para mim é importante dizer que a cidade é responsabilidade de todos.



Vou tentar ser breve, ao contrário das minhas outras falas como paraninfo aqui na escola. Neste ano, é a quarta vez que sou homenageado com esta distinção e que acolho ela com muito respeito e gratidão. Ano passado pedi de coração para não ser homenageado, pois seria o quarto ano sucessivo e julgava isso uma injustiça com meus colegas que trabalham que merecem também e precisam ser reconhecidos e motivados pelos alunos e alunas. Não educo sozinho, não ensino sozinho e tenho muita fé na força da educação como trabalho coletivo. Para mim ela só é possível coletivamente.



Fazem 15 anos que leciono nesta Escola e desde meu primeiro dia sempre trabalhei focado e pensando no dia a dia, mas principalmente preocupado e almejando este resultado final. A formatura para mim é o momento mais importante de uma escola, porque apresenta o produto de toda a nossa entrega e trabalho com os alunos em um único momento. Lançamos hoje estes jovens em outra etapa da vida. É a nossa plataforma de lançamento, por assim dizer, na qual tentamos lançar eles mais longe, mais ao alto e melhores que nós para o mundo. 



Ao receber o comunicado desta distinção – agradeço muito a Alice que possui este nome maravilhoso e é uma bela mensageira pela capacidade dela de se comunicar e fazer uso de bom humor e graça. É uma virtude e parte fundamental do meu trabalho filosófico é reconhecer virtudes e tentar ensiná-las tais como o bom humor e a gratidão. Vou falar um pouco de uma outra virtude hoje, não como já fiz antes sobre virtudes no passado, mas em uma somente porque simboliza um legado e um tributo importante para eles e todos vocês 



Recebi este comunicado e pensei – em meio à emoção e também à velha pergunta de porque isso acontece comigo? – e a primeira palavra que me veio à cabeça foi PERSISTÊNCIA. Gostaria muito tratar disto me dirigindo especialmente aos meus afilhados, com toda a atenção respeitosa e carinhosa de vocês.



Há uma crença corrente entre nós de que algumas palavras tem certo poder. Tudo se passa como se elas fossem mágicas. Que elas produzem certas mágicas ao serem proferidas e enunciadas no tempo certo e com um sentido correto. Elas viram palavras mágicas porque de certa forma carregam um sentido tão intenso e tão profundo, tão valioso e tão apreciável que ficam assim entre nós andando e fazendo mágicas, e algumas colam em nós como atributos da gente, por nossos atos e caraterísticas.



Claro esta que nenhuma palavra ganha esta distinção simplesmente porque a  gente acha isso ou acha aquilo sobre elas. Não é uma questão de opinião que dá sentido a elas. Compreendemos elas assim e à medida que vivemos mais, pensamos mais, agimos melhor e amadurecemos mais elas ganham certa firmeza. Ao contrário de outras palavras que são abandonadas e desprezadas com o tempo – estas palavras ganham mais sentido e mais poderes e passamos a usá-las com muito cuidado e com muito mais valor e sentido. E me parece que isto também acontece com a persistência. A única explicação que consigo agora apresentar brevemente e aduzir aqui é que ela se mostra realmente distinta em sua mágica. Vamos aos exemplos práticos disto.



O fato de chegarmos todos até aqui hoje é fruto de muita persistência e desta grande mágica que ela fez com nós. Às vezes pelas razões corretas e formas corretas e as vezes sem razão muito clara e de formas das quais não devo falar aqui ultrapassamos barreiras e vencemos desafios. Persistimos em continuar sendo professores e em continuarmos sendo alunos. 



Vocês estão deixando de ser alunos hoje, mas quero dizer que eu jamais consegui deixar de ser exatamente isto: UM ALUNO. E creio que só sou um professor justamente por isto, porque, no fundo, eu quero muito continuar aprendendo. Eu desejo muito mesmo a mudança de minha própria natureza e persisto nesta atividade porque vejo muito valor e dignidade em propor e em tentar fazer isto com vocês.



Existem muitos discursos por ai sobre a crise na educação, o caos na educação, o fim da educação e também de que há uma grande ameaça de que os professores serão substituídos por máquinas.



Eu não penso assim. Penso que uma boa forma de resolver isso é dizer claramente que enquanto os professores continuarem sendo realmente professores, sem desistirem e levarem seus corações cuidando da sua tarefa até o último momento e até concluírem seu trabalho  e enquanto os alunos continuarem sendo alunos, a educação tem jeito. Os problemas começam justamente quando os professores desistem de ser professores, e alguns poucos destes não saem da sala de aula e quando os alunos desistem de ser alunos. Sermos capazes de persistir é que nos leva a avanços.



Meu pai – meu falecido e amado pai – dizia que eu devia ser capaz de jamais deixar alguém ter sequer a impressão mais tola de que eu iria desistir. Ele me educou principalmente para ser tenaz, inquebrantável e sempre concluir meu trabalho, nunca abandonar uma tarefa incompleta e nunca recuar ou fugir perante uma dificuldade. Uma parte disto envolve a coragem, mas hoje eu digo aqui com todas a letras que a maior força ou mágica ai é persistir, não desistir e ir até o fim naquilo que se sabe ser o certo. 



A educação é sem a menor sombra de dúvida uma coisa certa a fazer nesta vida, então nunca desistam, nunca deixem desistir, nunca se deixem dobrar pelas dificuldades, persistam, tenham coragem, a única mágica realmente possível nesta vida é esta.



Nada de bom haveria neste mundo em que vivemos sem a PERSISTÊNCIA de alguns homens e mulheres.



Nos despedimos neste inicio de dezembro de um homem que possuía esta virtude e que nos deu o maior exemplo ao nosso alcance hoje de PERSISTÊNCIA e RESISTÊNCIA.



E ele foi muito vitorioso. Sigamos todos nós o seu exemplo, por um mundo melhor e uma humanidade mais justa.



APÓS 27 ANOS DE PRISÃO, ELE FOI LIBERTADO E VIROU PRESIDENTE DA AFRICA DO SUL.... 



Salve NELSON MANDELA... 



A AFRICA NÃO É MAIS IGUAL OU MAIS DESIGUAL, MAS ELE PERSISTIU E ACABOU COMO APARTHEID...



Poderia dizer que é por isto que estou aqui hoje com vocês meus amados alunos e alunas, como professor e amigo.



Sejam persistentes façam este mundo ser melhor.  



Muito Obrigado!!!  


MENSAGEM ESPECIAL AOS ALUNOS DA TURMA 3M2

Meus queridos alunos..

Muito Obrigado pelas Alegrias que me deram neste ano!

A turma 3M2 conseguiu me fazer ser muito melhor como professor.

Jamais me esquecerei da bondade, da sabedoria e da amizade de vocês.

Confio e aposto no futuro de vocês!

Sejam felizes, avancem e melhorem este mundo.

Do seu Professor Daniel Adams Boeira

Em 28 de dezembro de 2013.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MEU BALANÇO 2013: PEDAGÓGICO, POLÍTICO, FILOSÓFICO E PESSOAL


Tenho amanhecido todos os dias recebendo ótimas mensagens e votos, bons augúrios e lendo algumas notícias aqui e ali. 

Agradeço muito estes votos e me sinto um privilegiado de ter os amigos e amigas que tenho. Este período do ano tem características muito especiais para mim. 

Desde menino tenho uma sucessão de eventos com os quais me acostumei em cadeia por assim dizer, o natal no dia 25 de dezembro, o ano novo em 31 de dezembro e meu aniversário em 8 de janeiro é um período compacto de duas semanas que me é completamente festivo, estando mal ou bem todas as coisas. Assim me acostumei a isto e funciona meio que na marra como um período de balanço. 

Depois, mais tarde na vida, quando comecei a lecionar surgiu o lance que em geral isso é combinado com mais cinco dias de antecedência do final do ano letivo. Então ali pelo dia 20  começa meu balanço. Falo aqui, assim, para aproveitar esta longa margem de tempo para fazer um balanço detalhado com mais reflexão sobre o que me vem à cabeça todo o final de ano e no início do próximo. 

Como minha memória e meio que orientada desde menino por afetos e sentimentos tenho sempre muitas coisas para dizer. Porque comigo é um passo para que sentimentos, afetos e idéias virem palavras e frases. É um ímpeto meu que se desenvolveu muito ultimamente. Se um jovem qualquer me perguntasse qual a coisa mais importante que ele pode fazer nesta vida eu diria que é ter afetos. E se ele me perguntasse qual a segunda coisa mais importante eu diria que é escrever sobre eles, com muito carinho, delicadeza e atenção.  

Se já não fosse prolixo por hábito ou acidente, seria um pouco mais por rotina e repetição sistemática de um exercício como este. Por conta disto tenho uma imagem e um panorama razoavelmente claro de cada ano de minha vida. Isso, é claro, também não passa de um exercício de consciência e de sentido para a minha existência. Não creio com isso que todos devam ser assim, mas eu sou e tento tirar o maior proveito disto e à medida que conquisto tempo para fazer isto e avanço nos meus estudos e afetos e me dedico mais a eles, como aconteceu muito neste ano, isso foi virando certa rotina...O que se segue reúne uma parte do meu balanço que julgo que pode ser divulgado e compartilhado para aqueles amigos e amigas que dão valor a isto. Algumas coisas foram escritas para Relatórios Pedagógicos, mas julguei bem importante colocar aqui para que meus alunos e alunas, que vivenciaram e que estudaram neste ano letivo, possam também reconstruir suas lições de filosofia. Em especial aos meus alunos dos primeiros anos cujo curso de filosofia terá continuidade em 2014 no segundo ano. E há algumas reflexões aparentemente deslocadas sobre novas tecnologias e educação que dão só uma palhinha do que eu acho que vai receber mais atenção no futuro. Faltaria – para fechar este ano, creio que apenas as minhas reflexões sobre MEGATRENDS, que vou tentar fecha na semana que vem, donde faço a transição entre a pergunta: Que escola queremos? Para a questão: em que tipo de mundo queremos viver daqui a trinta anos? O que me parece ser aquilo que a escolas estão decidindo ou incidindo quando optam por mais isso ou aquilo em seus projetos político pedagógicos.            

O ano de 2013 que vai terminando foi ótimo para mim. Mesmo com as doenças leves, mas perturbadoras que tive da Hepatite A da Páscoa até uma pequena perturbação estomacal que já está sendo devidamente tratada e cuidada, até agora, o ano foi muito gratificante e muito vitorioso e isso não somente numa dimensão pessoal. Também sofri certas mazelas pessoais, um luto de três parentes acumulado, mas não penso que minhas dores sejam maiores e mais importantes que as de muitos outros seres humanos neste mundo. Não penso que minha dor é mais importante que a dos demais. Porém, no que toca ao meu trabalho de educador e ao trabalho coletivo na escola, em especial à minha participação na vida dos estudantes e da escola, me sinto muito gratificado. Muitos objetivos foram atingidos plenamente, apesar deste ter sido o ano mais complicado para os alunos ao meu ver, pude me equilibrar bem nas tarefas pelo fato de ter dedicação exclusiva a isto. 

Foi o primeiro ano, é importante dizer isto aqui com todas as letras, desde que completei minha graduação em 1993, no qual me dediquei exclusivamente a lecionar, sem nenhuma outra ocupação que dividisse minha atenção ou que tomasse parte da minha energia. Foi um ano em que desenvolvi e planejei muito mais e como nunca antes minhas aulas. E a lição mais importante derivada disto tudo é não se priorizar a quantidade, mas sim a qualidade na construção dos planos de aulas, de tal modo que dez aulas bem trabalhadas durante um ano inteiro valem mais que 40 aulas apressadas e aplicadas independentemente da circunstância, do contexto e do conhecimento dos alunos. Uma conseqüência disto, na orientação pedagógica, é reduzir os objetivos e priorizar mais as idéias gerais e uma certa visão panorâmica e histórica da filosofia que desce aqui e ali ao detalhe do que é principal nas obras e biografias dos autores para a nossa leitura atual. 

E foi a partir disto que decidi planejar as aulas um pouco mais e ir revisando semanalmente o plano de forma mais objetiva e simples. É importante registrar que a carga horária semanal em sala de aula da disciplina de filosofia é de um período de 50 minutos por semana nos primeiros anos e terceiros anos e que neste ano lecionei somente nos primeiros e terceiros anos. 

Considerando a limitação de tempo da disciplina e o desafio de estruturar um plano de aula para os primeiros anos, deliberamos por fazer uma Introdução à filosofia, explicamos seu surgimento na Grécia, situamos histórica e geograficamente isto, passamos por uma revisão dos filósofos pré-socráticos e concluímos com a escola de Atenas, em que Sócrates, Platão e Aristóteles foram introduzidos com um texto cada um e alguns materiais didáticos, fazendo-se referência ao livro didático também.. 

Uma das primeiras descobertas promovidas no início do ano era da fertilidade reflexiva das primeiras lições serem baseadas no tema geral do encontro com a filosofia e da dificuldade de cada um de ter um “estalo filosófico” para iniciar a filosofar. Usamos aqui a clássica expressão de Kant: “Não se ensina filosofia, se ensina a filosofar.” 

Procuramos entusiasmar os alunos com as aulas baseadas em textos da tradição, que mostravam, também, na dificuldade de ensinar filosofia e de se filosofar, a necessidade de certa valorização da reflexão. Descobriu-se também que a Introdução à Filosofia que dê atenção ao fenômeno de seu surgimento na Grécia Antiga a partir do filme proposto Legados da Ciência tem eficácia. No fundo não importa tanto se atribuímos esta causa do surgimento do logos a um Milagre Grego ou a um fenômeno cultural bem definido e explicado. Isto contribui bem para a caracterização do que há de sui generis, no fazer filosófico, em relação às outras formas de pensamento e de questionamento da realidade, do mundo, das causas da natureza, do sentido da vida, da existência e de nossas relações sociais. 

Descobriu-se como é determinante e positiva a leitura dos pré-socráticos pelos alunos que apresentaram, após uma pesquisa orientada, cada um deles um filósofo pré-socrático de sua escolha para estimular o hábito de pesquisa dos alunos e para explicar também a diversidade de ocupações cientificas e filosóficas no surgimento do “logos” grego. 

Também foi muito importante, ao longo de todo ano, a leitura de excertos da Apologia de Sócrates, de Metafísica, Livro 1, Capítulo 1 de Aristóteles, e, enfim, do início do livro VII da República de Platão.  

Quanto a este último texto, fez-se uma adaptação na tradução e umas alterações  vocabulares no texto para tornar mais legível aos alunos e eliminar certas expressões usadas nas traduções correntes que só preservam arcaísmos e não facilitam no trabalho da leitura, do pensamento e da interpretação. Após ler muitas traduções da famosa e muito importante passagem de República de Platão, Livro VII, nos vimos na obrigação de concluir que era preciso adaptar a tradução do texto para fazer aquilo ser legível e compreensível aos ouvidos editores e ligeiros destes alunos atuais. Adotamos basicamente estas medidas nesta tarefa: 1. alteração e adequação do vocabulário, suprimindo ou substituindo arcaísmos, sem perda conceitual; 2. tentar promover uma redução dos períodos das frases com a pontuação; 3 fazer uma marcação e índice dos níveis da argumentação; 4. introdução abundante – onde foi possível e se sentiu importante – do pronome pessoal de terceira pessoa (ele ou eles) de tal modo a  destacar o sujeito leitor do texto e da ficção, colocando-o como observador a partir de uma perspectiva reiteradamente externa à narrativa. Usou-se, então no exercício de leitura e interpretação, este texto na fixação do sentido da ficção do Mito da Caverna Platônico, para depois desconstruí-lo ou desmontá-lo, em suas características principais e aplicá-lo como chave interpretativa à nossa realidade

Entremeamos isto tudo com algumas digressões políticas da época dos gregos, inserimos também, por força das circunstâncias, o debate das manifestações de junho de 2013 e, após a greve, optamos por retomar as aulas fazendo certa problematização - ainda que introdutória e em esboço ainda - sobre a relação entre novas tecnologias e educação e, em especial, filosofia. Usamos como guia para esta reflexão o Caso de Steve Jobs em que ele afirma que “Daria toda a minha tecnologia em troca de passar uma tarde conversando com Sócrates.” Interrogamos o porque disto e aproveitamos esta deixa para valorizar e fazer pontes entre tecnologias e ciências humanas. 

Adotamos aqui uma abordagem bem mais otimista que aquela geralmente veiculada. Para nós o pensamento ganha muito em médio prazo com os incrementos e facilidades de acesso e produção de informação e distribuição de obras e pensamentos culturais em geral. E defendi a opinião ou tese este ano, em alguns espaços de atuação e em textos aqui e ali, que a área de ciências humanas e artes tenderá a receber muita atenção pública nos próximos anos. 

Serão, na minha opinião, publicados mais livros, vendidos mais livros, irão aumentar os leitores e os interessados, nestas áreas das humanas e das artes, porque vejo uma tendência inversa da esperada, que faz ênfase ao mundo da técnica, e penso que, por conta da consolidação tecnológica resultante das tecnologias digitais e de informação, haverá uma saturação de interesses nestas áreas das técnicas e exatas e irá aumentar em muito a oferta e a produção resultante do aumento dos interesses, no extremo oposto ao mundo da técnica que é o mundo das ciências e das artes. 

Ou seja, sou bem otimista quanto aos efeitos e ao impacto das revoluções tecnológicas. E aquilo que é uma pista dada na questão de Steve Jobs irá se generalizar. Isto é, muitos jovens vão querer falar com Sócrates no futuro, simbolicamente se fazendo a troca ou o trânsito do mundo tecnológico para o mundo das humanas.

Aliás, uma das maravilhas é que hoje dispomos – ao contrário do que outras gerações vivenciaram em seus anos de formação - de facílimo acesso e também acesso gratuito às obras e publicações em formato digital de autores de inestimável valor em filosofia, sociologia, história e etc. Neste ano foi possível compartilhar com os alunos e alunas e os bolsistas diversas obras, teses e trabalhos que em nosso tempo de formação exigiriam muitas pesquisas adicionais e esforços de busca, muitos custos e muito tempo dispendido até termos os exemplares entre as mãos. Minha opinião é que isto terá um impacto muito positivo e mesmo revolucionário na área de ciências humanas e na educação.     

Foi um ano de muitas descobertas importantes através de estudos, investigações e novas leituras. E entre estas descobertas devo registrar em meu balanço que foi o ano em que descobri efetivamente Platão. Pois os estudos e o plano de aula cabaram me levando para ele com muita força. 

Um ano, também, em que voltei a lecionar no turno da manhã no Olindo Flores. Exatamente dez anos após ter saído da convocação na escola em 2003 e passado a lecionar por um ano no turno da tarde na Escola Estadual Visconde de São Leopoldo. Neste ano fui nomeado em uma segunda matrícula e eis me pela manhã conhecendo novos alunos e iniciando uma nova jornada que me foi maravilhosa em conhecimentos e em amizades com os primeiros anos da manhã (1M1, 1M2, 1M3, 1M4, 1M5) e um terceiro ano (3M2). Foi um ano atípico no noturno em que nunca antes tivemos tantas situações que prejudicaram o desenvolvimento do ano letivo. Eu diria que foi o primeiro ano em que o uso intensivo e obsessivo do celular e do smartphone disputaram as aulas e a atenção dos alunos em sala de aula. E isso aborreceu e ocupou muito os professores. 

Tendo sido professor substituto na Escola Técnica da UFRGS, em 1995, 1996 e até meados de 1997, tive certa experiência com alunos de escolas técnicas e me relembrei do fato de que, tanto eles como os jovens atuais, tem prioridades práticas e pragmáticas, mas que, no entanto, não deixam de se surpreender com os temas humanos, quando eles são bem articulados e conectados com as realidades de interesse deles. E o paralelo é válido porque, neste ano, provavelmente tivemos em nossa escola o maior conflito entre uso de equipamentos digitais, celulares, tablets, smartphones e o desenvolvimento satisfatório das aulas. 

E esta é uma situação compartilhada por todos os professores da escola e que se impôs como um grande desafio. Disputar a atenção dos alunos, conseguir obter audiência e uma presença atenta em sala de aula de alunos com dispositivos eletrônicos às mãos é uma importante tarefa, para a qual a repetição de regras e o reinado da autoridade nada pode fazer mais. Esta é uma realidade que requer muita capacidade criativa nas aulas e argumentativa em relação ao domínio da máquina por parte do homem e não o contrário, o homem sendo dominado pela máquina.     

E com isso tentei atenuar e enfrentar este desafio, logo após a greve de três semanas, tentando reduzir também o impacto da volta às aulas, após algumas leituras sobre a Biografia de Jobs, e usando como guia a expressão e o slogan da campanha da Apple: Think Different, como case também e chave para a identificação do que há em filosofia que nos permite fazer isto. Mesmo lendo Platão ou Aristóteles que escreveram no século IV a.C. Por força de coincidências, também, havia assistido um documentário sobre a HIGHLINE de New York em que os moradores, contrariando a lógica e o pensamento do gestor municipal que queria pôr abaixo tudo, preservaram a mesma e revitalizaram e reprojetaram todo o uso daquela linha de trem aérea que cruzava Manhattan de modo a fazer um uso humano e muito inteligente do mesmo espaço (o que pode ser visto em: thehighline.org). E ainda adicionei uma breve introdução à vida de Che Guevara, como um exemplo para lembrar aos alunos que pensar diferente também é mais difícil do que parece. O caso dele (do que há abundante filmografia hoje para conhecê-lo melhor) representa o paradigma de um jovem que faz o curso de medicina em Córdoba e contrariando a lógica do pensamento dominante de sua época, pensa diferente e se lança à aventura muito arriscada de tentar mudar o mundo e emancipar os trabalhadores que ele viu sendo explorados por toda a América, o que é narrado e filmado em Diários de uma Motocicleta.

Além disto, gostaria de acrescentar sobre as aulas aqui ainda mais duas ou três considerações pessoais. A primeira é que desde o início do ano quando iniciei a preparação das aulas retomei algumas leituras da época de faculdade e fiz certa busca bibliográfica também sobre o desafio geral de introduzir à filosofia e sobre os autores e temas que vislumbrava no horizonte deste ano letivo. O que ocorreu efetivamente a partir disto foi uma grande revisão de minhas bases filosóficas articuladas com uma reconstrução da minha formação e também com a escritura disto aqui ou ali, colocando-se em disponibilidade para os alunos e alunas, amigos e amigas, antigos colegas e novos, todos os temas que iam surgindo ao longo do ano. Assim, após ser consultado sobre a possibilidade de assumir a supervisão me coloquei a disposição da então supervisora já ainda em dezembro e, ao fazer isto, visualizei também um desafio preliminar e preparatório essencial. Este foi o trabalho de refazer o itinerário de encontro e formação na filosofia que vinha desde minha juventude, passava pelos meus cinco anos de formação e invadia os últimos 20 anos em que pós-formado, iniciei a carreira de professor. Isto foi feito com o propósito de revisar conteúdos, rever métodos e também de refazer brevemente uma caminhada e passagem sobre aquilo que havia se acumulado neste tempo de tal modo a se apresentar sob nova forma e se reconstruir um Plano de Aula mais articulado e mais planejado para este ano letivo. Para fazer isto acabei ocupando boa parte das férias em revisões de minhas agendas de leituras, fichas de leitura, artigos, cadernos de anotações e também nos materiais didáticos e na bibliografia disponível pelo FNDE e outros programas nas escolas públicas. Após isto, defini algumas idéias gerais e propus uma espécie de Desenho de Plano de Aula para o Primeiro Trimestre que, de um lado, incorporasse o programa específico sobre direitos humanos e, por outro lado, desse uma nova luz com uma didática renovada à uma Introdução à filosofia com, na medida do possível, um forte alicerce na história e na tradição filosófica.

Não tenho todos os dados e registros para comprovar isto que vou dizer, mas também foi o ano em que a entrada foi antecipada para as 18:30 horas e penso que tivemos mais evasões, abandonos e atrasos. Foi o ano em que tivemos e isso ainda continua não resolvido -  a enésima luta por ônibus na escola com a mudança do itinerário do Vila Glória. Foi o ano em que a escola vivenciou uma certa transição razoavelmente crítica em virtude de fatores pessoais, pedagógicos, administrativos e financeiros e políticos na gestão e em que se construiu uma nova solução para a gestão. Mas também foi o ano do 50º Aniversário da Escola, que foi comemorado devidamente. Foi o ano em que passamos a tratar do Projeto de Escola a partir de Objetivos como a Inserção dos Alunos da escola no Tecnosinos, por exemplo. Neste ano o projeto Observatório da Educação, com a Unisinos, trouxe muitos resultados e informações importantes e também. E foi o ano em que recebemos informações mais claras sobre os números de ingressos de alunos egressos do Olindo Flores em universidades de toda a região. Também foi o ano em que demos continuidade ao PIBID de filosofia que até então era realizado com a participação da professora Márcia Mittmann aqui na escola. Ele consiste basicamente em proporcionar a Iniciação a Docência de  alunos dos cursos de licenciatura das universidades. No nosso caso, 4 alunos do curso de filosofia da Unisinos passaram a participar semanalmente do meu cotidiano escolar, planejando, discutindo e participando das minhas  aulas. O debates com eles sobre objetivos, conteúdos, métodos e leituras foram muito interessantes. E foi gratificante ver isto se traduzindo também nas aulas, nas minhas investigações e na minha produção. Bem como, espero que tenha permitido e estimulado o crescimento e amadurecimento dos alunos também. E que isso tenha gerado avanço na prática docente e na investigação filosófica deles e nossa.

A filosofia como atividade realizada coletivamente, apesar da importância da reflexão individual, é uma área ou campo maravilhoso de ocupação. Tem suas dificuldades próprias, porque envolve a apresentação de diferenças, envolve se compreender os tempos diversos de cada um e os processos próprios de cada um,  mas tem também suas peculiaridades e gratificações. Uma delas é a amizade e o sentido coletivo para um trabalho que parece ser individual e muito particular. Noto assim que todo trabalho realizado com disposição e tranquilidade é satisfatório e não nos causa desconforto.

Na minha família, que apesar de ser o terceiro ano seguido que perdemos um familiar muito próximo, meu irmão Rafael em 2011, meu pai Antônio em 2012 e neste ano minha irmã Verônica em 2013, penso que houveram progressos aqui e ali, conquistas e também trabalho e estudo para todos, em especial minhas duas filhas e meus dois enteados...eu agradeço muito isso e sei que  muito disso depende da fortuna e do destino do meu país, do meu estado e de minha cidade...e em tempos estranhos e imprevisíveis como os atuais, também depende da proteção e da salvaguarda frente à acidentes. O meu enteado Gui escapou de uma bem feia este ano – e acontecimentos naturais.

Na esfera local a nova política que assisto e testemunho, com protestos e tomadas de posição durante o ano inteiro, é um verdadeiro descalabro na gestão pública de São Leopoldo. Falei tanto disto este ano que nem vou me perder aqui avaliando isso mais.

Na esfera estadual e na esfera nacional, as coisas para mim estão andando e, mesmo tendo feito greve e apoiado as manifestações não vejo mesmo nada melhor no horizonte se apresentando como opção. No estado, penso que algumas mudanças de método e de mediação na educação estadual podem ajudar muito. E como estas coisas envolvem pessoas digo claramente que penso que deva mudar a equipe na gestão estadual de educação. No Plano Nacional tenho me admirado muito com a Dilma e eu poderia ser suspeito ao falar disto, mas não tenho a menor dúvida de que ela está fazendo aquilo que é necessário e sua resposta – os Cinco Pactos - às manifestações me foram convincentes. O meu sonho mesmo – desde menino aliás - é que houvesse uma Reforma Política no Brasil, mas isso vai depender do teu voto eleitor em 2014. Podes votar e repetir a mesma correlação de forças que existe no Congresso Nacional e vamos ficar esperando a Reforma Política de novo ou podes mudar a composição desbloqueando a reforma política das máquinas eleitorais já conhecidas e que obtém altos valores privados no financiamento de campanha.

Publiquei neste ano alguns artigos no blogue do Nassif até minha doença. E depois disto dei uma pausa, mas fiquei muito feliz com a acolhida lá e com a medida das repercussões deles.

No meu blogue pessoal (...) o movimento foi muito intenso neste ano em diversos sentidos. Qualitativamente minhas publicações melhoraram em muito e quantitativamente também. Fecho o ano com mais de seis mil visitas neste mês de dezembro o que eu considero uma explosão de audiência para um blogue que recebia no máximo mil visitas por mês. O número de postagens deste ano que se aproxima das 450, superando o número de postagens de 2007, ano em que abri o blog, mas que iniciei a postar somente em 2009 resgatando meus trabalhos de graduação, 2010, 2011 e 2012. Neste ano, aliás, digitalizei e dei uma revisada aos meus trabalhos do tempo da Graduação, em especial, o Trabalho de Conclusão do Bacharelado em Filosofia sobre a Crítica da Razão Pura de Kant e meu Relatório de Trabalho ao CNPq sobre o sujeito em Kant e a crítica de Adorno.

E ao final do ano comecei a tratar de um calhamaço de 370 páginas que reúne todas as minhas iniciativas filosóficas de um itinerário de 20 anos. Inclui-se nisso algumas digressões literárias e estéticas e também o tema do amor e dos afetos. Separando-se  tudo em três capítulos: Primeiro capítulo produção acadêmica e ensaística até 2012; Segundo Capítulo: Curso de Filosofia 2013; e, Capítulo Terceiro: Investigações Paralelas de 2000 a 2014. Tal calhamaço requer revisão bibliográfica, as devidas citações e o arranjo dos conteúdos de modo a dar coesão a uma investigação que vista hoje parece envolver dois eixos básicos para mim: COMPREENSÃO e PRAXIS & LIBERDADE E APRISIONAMENTO DA RAZÃO.    

Mas foi um ano também em que diversos outros interesses culturais se consolidaram na música, apesar de não ter participado de nenhum coral, é o ano que comecei a cantar e a tocar violão com certa facilidade após 33 anos de dedilhados e blim-blim como diz minha mãe.

E foi também o ano em que me dei conta da minha idade e pude também refletir mais sobre o modo como as coisas tem acontecido para mim desde a minha juventude. Foi um ano de muitas revelações, reavaliações e muitas lembranças e, também, o ano em que meu coração se abriu de certa forma para o novo, como nunca tinha se aberto antes. E eu estou muito feliz com isso, pois vejo que meu envolvimento maior com a educação, a filosofia e o desenvolvimento de minha sensibilidade me deu grandes e belas surpresas, pequenas e maravilhosas descobertas e muitas alegrias. Na amizade com meus alunos e alunas e com meus companheiros e camaradas de luta de caminhada e de jornada me senti fazendo parte de forma autêntica e generosa de um novo tempo...