E há também aqueles que são a
esperança de muitos de se colocar a casa em ordem, pacificar conflitos
absurdos, reparar danos administrativos e fazer São Leopoldo voltar a ter
projeto e programas para ficar melhor. Nada na história desta cidade se compara
ao terrível resultado das aventuras daqueles que venceram as eleições em 2012 e
dos que se associaram a eles simplesmente para possuir o poder e usufruir de
algum privilégio, ganhar um soldo polpudo e inflar suas vaidades.
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
domingo, 8 de novembro de 2015
IMIGRANTES, REFUGIADOS, FRONTEIRAS E SERES HUMANOS
Sou filho e descendente de
imigrantes. Meu pai - que me dá meu sobrenome Boeira - é provavelmente
descendente masculino direto de um dos três irmãos de uma leva de açorianos
cuja caravela ou nave naufragou por volta de 1760 ou 1780 - sem precisão aqui -
na costa de Torres. Muitos deles sobreviveram, não tenho notícia quantos, não
tenho notícias quantas crianças, nem confirmação de todos os dados, mas sei que
eram três irmãos e que um destes inclusive acabou optando por migrar para o
nordeste brasileiro numa leva de tropeiros indo parar no extremo norte deste
pais - meu relato aqui soma informações diversas que minha memória familiar e
histórica reúne. Alguns deles se espalharam pela costa gaúcha de Santo Antônio
da Patrulha até Laguna. Outros subiram a serra e acabaram se instalando nos
campos de cima da serra em especial em Vacaria dos Pinhais e em outras cidades
da serra gaúcha a catarinense. E Minha
mãe é imigrante também...então... a busca de uma vida melhor deve ser muito mais respeitada e defendida por todos.
PARA UM AMIGO QUE QUER SE AFASTAR DO FACEBOOK
Entendo teu vício. Entendo tua
necessidade e exigência de se concentrar mais no trabalho e na vida, no mundo
real e concreto. Vou sentir tua falta por aqui. Meus alunos também porque
muitas vezes tuas postagens - como de outros amigos, ex-colegas e colegas -
acabam virando assunto deles em sala de aula. E eu gosto disso também, porque
sempre amplia os debates. Mas paciência...Descobri algo interessante sobre nós
todos, o fato que temos vício de leitura e de escrever. E tudo é e está
relacionado a um impulso comum nosso a interpretar. compreender e explicar o
mundo. E fazemos isso tentando alterá-lo também. Tentando criar uma nova ordem
sentimental, moral, cultural e política dos fatos. Temos certa compulsão a
responder ao mundo, compulsão a exteriorizar opinião e compartilhar posições e
conhecimentos. Nos alegramos a cada diferença e detalhe descobertos e
expressamos isso. Já chamamos isso de deslumbramento um dia, mas é também a
tensão de nossos laços culturais e intelectuais que sustenta tal coisa. Um
abraço.
O PT E A CORRUPÇÃO
Tanto o tema da corrupção, quanto
a questão de sua história merece uma visão bem mais apurada. Não dá mesmo para
aceitar a crítica generalizante e bem interessada contra o PT basicamente
porque ela é seletiva e trata do problema como se os "opositores" tivessem
conduta melhor o que não é o caso em nenhum caso. Àqueles que ainda não
estiveram no poder resta só dizer que terão talvez um dia para provar sua
capacidade em relação a isso. Mas até lá muita corrupção que viveu sob o
tapete, foi engavetada ou aliviada virá à tona. Ninguém me convence de que a
oposição à Dilma está de fato comprometida com o fim da corrupção. Tanto o petrolão,
como o mensalão e a lava jato mostram o contrário disto. Será tão difícil
perceber isto?
UM PETRALHA DE BAIXO CALÃO
Sou professor estadual no RS. De
uma categoria de trabalhadores que sofre mais uma vez a tunga do PMDB, com
salários atrasados e terrorismo continuo, moro numa cidade governada pelo PSDB
que não paga salários em dia e promove violência sistemática contra
trabalhadores e servidores, sou formado em Universidade Pública e nunca
precisei ofender ninguém para argumentar melhor. Mas, por fim, tenho alergia à
mortadela e, também, não gosto de salame. E trabalho uma vida inteira.
SUPERANDO DIFICULDADES NOS ESTUDOS
A melhor sensação possível é
superar uma dificuldade, um impedimento ou uma ilusão e conseguir avançar
livremente e com segurança. Quando estudamos algo difícil há - me parece - um
momento de desafogo e, então, conseguimos prosseguir, sem aquele bloqueio e
aquela dificuldade inicial. E mesmo que muitos outros obstáculos se ergam - e
com certeza eles vão aparecendo no caminho e na leitura - a gente tem aquela sensação
de leveza e tranquilidade e dai se passa a, com um cuidado redobrado
conquistado pela superação da dificuldade inicial, ver tudo sob outros olhos.
Me sinto como uma espécie de general que conquistou um bom ponto de observação
e de organização, localização e logística para os seus próximos esforços.
Podemos abandoná-lo ali adiante - no tempo – mas é a primeira base e algo que
nos dá uma relativa segurança - que é melhor que nenhuma - para continuar.
Respiro aliviado e meu cérebro parece star arejado e satisfeito ate a próxima
fortaleza e obstáculo pela frente. Agora podemos seguir mais um pouco e temos a
certeza de que estamos no caminho certo. A questão fundamental nunca é chegar
logo aqui, mas chegar bem aqui e poder desfrutar por alguns instantes deste
benefício e perspectiva. Amanhã é somente mais outro dia...
sábado, 7 de novembro de 2015
TOTALITARISMO E PERVERSIDADE MORAL
O assassinato de um Grande Poeta
como Pablo Neruda ( que passa a partir edsta semana a ser confirmado pelo
Chile), ou de um Garcia Lorca (na guerra civil espanhola), de uma grande Músico
como Victor Jara (que teve covardemente suas mãos amputadas no Estádio Nacional
de Chile em 1973) ou de um cidadão qualquer não tem absolutamente nenhuma
justificativa. Nenhuma ideia, projeto de sociedade, conceito de justiça,
caráter ou situação pode justificar isto. Quando se descobrem estas coisas
sobre as ditaduras e os regimes de exceção e algumas vezes nem tão exceção
assim, nos damos conta de quanto nossa humanidade é ameaçada por ideias
totalitárias, regimes autoritários e as tais soluções absolutas ou finais para
aquilo que não é um problema mas apenas a resistência moral e humana a toda e
qualquer forma de perversão. Quem defende um Bolsonaro e outros tipos de jaez
autoritária não percebe que ao fim e ao cabo defende isto, algumas vezes por
ignorância voluntária (não quer saber ou não fez nenhum esforço para saber),
outras vezes por certa ilusão de que haverá alguém com atributos
extraordinários que nos livrará de todo mal por um ato de força ou extrema
determinação. Hitler e muitos outros facistas conquistaram o poder. E em outros
casos por certa psicopatia ou sociopatia que é indiferente ao sofrimento do
próximo e que pensa apenas em sua própria satisfação subjetiva e conforto
pessoal. Para mudar este mundo é preciso trabalhar, mas também é preciso muita
arte e muita cultura, muita educação e muita liberdade de crítica, muita
democracia e muita participação e um respeito às diferenças que não seja
leniente ou conivente com aqueles que querem exterminar os diferentes e ter
poder absoluto para tal finalidade.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
EXORCISMO DO ERRO
Pensando numa certa versão de um
tal processo de exorcismo do erro. Tem, pelo menos aos meus olhos, toda uma
tradição que tira isso de letra simplesmente olhando para as coisas e aceitando
que o erro não está nelas. E parece mesmo razoável chamar isto de um "exorcismo"
pois trata se de um método bem simples que para uma parcela razoável das
pessoas desenfeitiçou as ideias que elas tinham ou julgavam ter do mundo. Mas,
eu, o que sei disto?
Grato mais uma vez ao Bento Prado
Jr.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
NIETZSCHE E SCHOPENHAUER
NIETZSCHE E SCHOPENHAUER
Além da obrigação e do cuidado de
não se citar Nietzsche fora de contexto é preciso prestar atenção também ao seu
humor e radical indisposição com a humanidade e as relações sociais. Vejo que
tem algo do seu ânimo e do seu espirito e modo de ser que não é recomendável
aqueles que querem viver de forma satisfatória em sociedade. Então temos dois problemas ai: o primeiro da coerência
da sua obra e o segundo do seu humor excessivamente pessimista.
Alguns autores facilitam muito a
nossa vida de compreender e interpretar o que pensam, construindo obras com
muita coerência e unidade e ainda prestam a nos tornar mais livres e animados a
viver esta vida que podemos ter neste mundo. Autores como Kant e Descartes, por
exemplo, apresentam tal unidade de pensamento que facilitam muito a nossa vida.
Já outros dizem algo aqui e outro ali. Mudam de posição ou simplesmente
passam boa parte do tempo amaldiçoando nossa miserável vida. O mundo é sim um
vale de lágrimas, mas este aspecto terrível que já nos traz dor que chega não
precisa ser diluviano. São autores que
tratam de certa forma de questões vistas de perspectivas diferentes num tempo e
em outro de suas trajetórias. Isto não é um defeito, pois podem estar apenas
evoluindo de um tipo de abordagem para outra. Ou como se poderia dizer em uma
investigação científica progredindo de uma abordagem e método para outro.
Mas é claro que citar o contexto de
onde se tira uma citação de suas obras de forma adequada e precisa é importante
porque o uso mais rigoroso de qualquer autor deve ser sempre incentivado em
respeito a importância de sua obra e ideias e algo que sempre ajuda na
interpretação ao se ter uma leitura contextualizada. Porém, eu poderia dar
exemplos aqui de expressões e citações que são usadas de forma incorreta e com
objetivos escusos, sem respeitar o espírito do autor.
Ele Nietzsche é muito bom e
genial porque literalmente ataca os problemas sobre os quais reflete com muita
radicalidade e coragem. A filosofia feita a martelos dele não é uma força de expressão,
é real, pois ele de fato massacra com muita precisão os argumentos que encara,
de forma impiedosa e sem concessões à tradições de todo tipo. Nada para ele é
sagrado, nenhum ídolo se impõe em sua investigação. Porém, isso leva para uma
postura de tal desprendimento que acabar podendo incidir sobre as relações
objetivas dos leitores desavisados. Assim poderá parecer que ele é o orientador
da maior libertação da tua vida, mas há
um problema semelhante a este mesmo de deixar a gente perdido num labirinto.
Este falar do problema, apontar
muito bem o problema e a questão que ele apresenta, ainda não é, entretanto,
resolver o problema. Eu diria que aqui Nietzcshe parece para mim um filósofo da
crise e também da obra inacabada. Pois não há saída e não há futuro após a sua
filosofia feita a marteladas.
Nietzsche é um autor que eu
comecei a ler muito cedo, antes dele havia lido Platão e Kant, porém, tinha uma
advertência e orientação bem qualificada que me orientava não por preconceito,
mas por reconhecer o poder dele nestes e em outros temas, mas a situação de SEM
SAÍDA que você aponta no labirinto. Eu adoro ler Nietzsche mas aprendi a ler
ele sempre com alguns descontos bem fortes o que é muito bom também porque
evita a idolatria e a tal perdição que joga água abaixo a necessidade de pensar
por si mesmo e ser capitão de seu próprio navio nesta vida.
Já Schopenhauer comecei a ler
agora com prudência redobrada. Mas com muito respeito porque ele não era nada
bobo mesmo. Tinha seus excessos em relação a outros pensadores, mas a leitura dele
é algo muito bom.
Eu li com 17 anos Nietzsche.
Praticamente morando sozinho e andando como aquele cara na carta do tarot à
beira do abismo. Eu sabia assim que cada passo para cá e para lá era
responsabilidade minha. Mas já que estais a dizer isto, vi hoje a biografia do
Nietzsche escrita por Rudiger Safranski num sebo e recomendo. Aliás a biografia de Schopenhauer escrita por ele também é notavelmente bem escrita e eu diria que é inclusive um extraordinária abordagem ao tema em Schopenhauer a tal ponto de ser boa parte da base do Livro de Irvin B. Yalon A Cura de Schopenhauer que tarta desta crise existencial dele. .É muito bem
escrita a obra de Niezsche e serve de bom guia para quem como você que chegou até aqui parece dirigido e firme em ler
toda obra dele.
E Kant...bem Kant é algo. Sou aqui como Schopenhauer, tenho a
maior admiração por Kant e Platão. Além de outros.
NÃO É SÓ NEM MENOS QUE FILOSOFIA
NÃO É SÓ NEM MENOS QUE FILOSOFIA
Não glorifiques o heroísmo e o
auto-sacrifício, não glorifiques o voluntarismo e este impulso infantil para o
gesto individual dissociado de uma reflexão coletiva e de um com promisso com a
conjuntura e o cenário real da luta, não estimule o sectarismo e o arrivismo.
As pessoas são muito mais
importantes vivas e podem mudar muito mais este mundo com suas presença do que
se imolando ou se auto-glorificando em sacrifícios vãos.
E eu respeito muito os heróis do
nosso tempo, mas não desejo nenhum sacrifício de vidas mais. A luta coletiva
depende mesmo da presença e da vontade de cada um de nós em permanecer, resistir,
sobreviver e conquistar vitórias que só são possíveis coletivamente.
Ainda vou dizer algo sobre Che
Guevara e sobre isto mais longamente. E olha que sou um daqueles professores
que mais usa o exemplo dele para apontar para a necessária contestação da
lógica burguesa, para a necessária mudança no nosso pensamento, mas também para
necessidade de ação coletiva.
E eu falo aqui em uma necessidade histórica, em
um clamor coletivo por mudança da ordem vigente, superação da dominação
ideológica e da exploração econômica material e também da emancipação intelectual
do homem e da mulher perante o sistema capitalista e os sistemas de crenças que
o sustentam.
Bom feriado e boa reflexão...
EDUCAÇÃO, AUTORIDADE E IMPESSOALIDADE: NOTA A SAVATER
Compreender o papel da relação de autoridade sob uma forma mais compartilhada..porque na escola se educa e também se ensina...pode ser a chave para uma educação melhor neste país...e isso só poderá ser feito se abandonarmos os nossos excessos de impessoalidade...uma impessoalidade que funciona como escudo e que ergue certa indiferença à vida real do aluno e à sua forma de educação familiar...assim como aproximar a comunidade da escola e a vida do aluno da educação também...tenho vivido importantes mudanças a partir do foco no conhecimento dos alunos nos meus processos de educador....aliás eu e meus colegas que tem adotado esta abordagem...no começo é difícil, se age com certa timidez e insegurança porque parecemos ser prisioneiros de uma espécie de mito da impessoalidade e de uma certa ideia que torna nossas vidas pessoais indevassáveis e que devemos protegermos do contato real com os alunos através de uma certa armadura do conhecimento ou da autoridade...mas depois passa e a tua relação se torna a cada dia mais franca, verdadeira e real com os alunos...aparecem contradições de todo tipo, mas se constrói tudo com muito respeito à diferença e com compreensão ao que é singular em cada um...
domingo, 1 de novembro de 2015
NEGAÇÃO
Aprenda uma coisa: por mais que você
mostre, prove e argumente, não faz diferença. As pessoas só enxergam o que
querem exergar.
O QUE PROVA QUE ALGUMAS SITUAÇÕES
DE IGNORÂNCIA SÃO VOLUNTÁRIAS, AINDA QUE ME PAREÇA QUE O GUIA DISTO SEJA
SENTIMENTAL E NÃO RACIONALIZADO...a negação da razão do outro como um ditame
absoluto da identidade pessoal...MUITO PARA INVESTIGAR AQUI, o que inclui
AUTO-ENGANO!
KANT - ESCLARECIMENTO
"Pois encontrar-se-ão sempre alguns indivíduos capazes
de pensamento próprio, até entre os tutores estabelecidos da grande massa, que
depois de terem sacudido de si mesmos o jugo da menoridade, espalharão em redor
de si o espírito de uma avaliação racional do próprio valor e da vocação de
cada homem em pensar por si mesmo."
Immanuel Kant, Resposta à pergunta: Que é o esclarecimento?
5 de dezembro de 1783.
LIVROS E SEUS VÍCIOS
Vou aproveitar para me confessar
a partir desta tua boa provocação e quem sabe me aliviar aqui na tua postagem.
Com permiso. Sou um viciado em comprar livros e quando li o Irmão Alemão do
Chico Buarque me avistei quando descrevendo que o pai dele comprava livros
escondido da esposa - haja vista a casa cheia deles - e que tinha um
subterfúgio para colocá-los dentro de casa deixando eles numa sacolinha na
porta dos fundos e entrando pela frente com as mãos vazias em combinação com a
empregada que os recolhia, me vi quase desta forma, apesar de não poder
comparar minha biblioteca com a de um Sérgio Buarque de Hollanda. Também gosto
como ele gostava e muitos outros e outras de ler muito também, chego a ler mais
de cinco livros ao mesmo tempo, arrastando alguns comigo da sala para a cama,
mas noto que poucas pessoas gostam de ler e que, além disto, algumas pessoas
não tem paciência para ler e que outras não tem tempo também. Eu arranjei um
bom tempo para isto em função do meu atual trabalho exclusivo de professor. E
estes dias escutei um depoimento sofrido de uma pessoa que vivia atribulada em
função de sua vida pessoal e que disse que não conseguia sequer se concentrar
para ler um único livro. E ela queria ler, mas não conseguia e me compadeci
dela, porque fiquei pensando que tamanho sofrimento poderia causar tal mal a
uma pessoa. E depois fiquei me vendo privado de leitura e em pânico por isto.
Então, até chegar no tal vício da leitura a caminhada é muito grande mesmo, até
chegar na compulsão de comprar livros maior ainda, porque para tal muitas
outras prioridades precisam ficar no caminho, mas eu leio por necessidade,
assim como escrevo por necessidade. De um lado, buscar e encontrar ideias e, de
outro lado, colocar ideias em um texto para tentar cada vez mais encontrar uma
melhor expressão e que me dê certo conforto e tranquilidade que para mim só o
entendimento das coisas dá. Não aceito o mero sofrer, assim como não resisto a
uma boa provocação. Dai porque - sem saber se é da minha inteligência ou não -
adquiro livros e escrevo, talvez não sofra calado apenas e não temo dar mais um
palpite, ainda que como uma confissão, naquilo que tantos já tentaram.
TROTSKI CONTRA O AUTISMO DE ESQUERDA
AUTISMO REVOLUCIONÁRIO
"Revolucionários em frases
de efeito e nada mais. Incapazes de trabalhar as necessidades imediatas da
classe trabalhadora, vivem num fictício mundo 'vanguardista', só existente em
suas mentes."
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
NÃO SE DEVE CITAR NIETZSCHE FORA DE CONTEXTO, para o David Araújo uma boa leitura!
E na totalidade de sua obra não
há sempre acordo não. Nietzsche não produziu um sistema filosófico. É
considerável o esforço dele em atacar inclusive isto E nenhum filósofo tem mais
situações delicadas, contradições internas, algumas aparentes e outras
intencionais do que ele. Nietzsche, até pela sua profunda criticidade, merece
ser usado com muita parcimônia, cuidado e atenção. Afora situações críticas que
envolvem ele e o grande Schopenhauer numa espécie de depressão filosófica
profunda, carregada de manias, compulsões
e neuroses, que deveriam exigir dos seus leitores mais cuidado ainda
para não vender neurose como sabedoria. E tanto o fatalismo, o pessimismo como
o criticismo de ambos é muitas vezes exagerado e devido aos grandes insucessos
de suas relações com os demais seres humanos. Para ficar num único tema chave,
como exemplo, eu diria que tudo que ambos dizem sobre amor e humanidade possui
um prejuízo a priori existencial que é insuperável, e só alguém muito blasê e
insensato, infeliz e frustrado usaria sem senso de medida citações de ambos
nestes temas. A rebeldia,a grande revolta e as palavras que elas carregam juntas
são muito boas na adolescência, como desabafos ou descarregos, porém, não
resolvem nenhum dos problemas contra os
quais se dirigem e aqui vale a mesma coisa que vale para o nó górdio de
Alexandre, e a mesma coisa para a nossa vida: você não resolve o problema
negando ele ou apenas passando a tesoura em todos os cordões que te prendem ao
mundo. É preciso ter muita sabedoria e paciência para desentramar de fato as
linhas da vida e isso nenhum dos dois nos legou. Por mais que eu possa elogiar
a extraordinária e superior visão que ambos tem do mundo e das coisas, quando
se volta a terra pouca ajuda nos trazem. Olhar os problemas da vida de outra
forma, chocando nossas convicções é muito bom para nos ajudar a saber que
crenças são de fato fundamentais, mas a suspensão de todas as crenças e da
vida, não resolve.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
70 ANOS - FELIZ ANIVERSÁRIO LULA!
#LULA70
Feliz Aniversário Lula! Os que
não entendem teu mérito precisam apenas ler a tua história e saber o que realmente
resultou de teu governo e da tua luta no Brasil dos últimos 40 anos. A gestão do Governo Lula de 2003 a 2010 foi
absolutamente republicana e imparcial. Lula foi, para alguns, excessivamente
conciliador nos seus governos de tal modo que boa parte da oposição que
governava estados e municípios jamais foi prejudicada ou alijada de atenção pelos
seus governos. Isto trouxe resultados que alguns gostam de negar, mas o Brasil
cresceu neste período, diversas obras de infraestrutura foram realizadas e muitas
políticas sociais e melhorias consideráveis foram implementadas criando o
extraordinário efeito de passar 44 milhões de brasileiros da classe C para B, como
qualquer pirâmide social demonstra por ai. Aliás, a pirâmide social como figura
nem existe mais, pois hoje a figura é assim E isto viabilizou tanto sua reeleição como a
eleição de Dilma que depois continuou e foi reeleita. Mas eu sei que é difícil
engolir o seu reposicionamento ofensivo atual, porque ele esta reagindo e
contra atacando seus adversários, e porque de fato esta coragem e liderança
dele é uma ameaça real ao intento de golpear o governo Dilma ou fazer butim do
estado brasileiro achacando o governo. E ele ainda tem liderança sim para se
eleger presidente em 2018, apesar de toda grita e da pesada campanha contra.
Aqueles que não entendem isto precisam aprender a conhecer o povo brasileiro, o
que não se aprende em jornal, nem em novela e muito menos em um gabinete com
especialistas e sumidades. Mas alguns não querem ler e vão negar estas
realidades com muito gosto, ainda que em flagrante desespero de causa.
VIDAS SINGELAS
Nossas vidas são singelas.
Nascemos nos alegrando com descobertas maravilhosas, andamos então um pouco e
logo começam a aparecer os obstáculos em diversas escalas. Olhamos para eles e
eventualmente alguns de nós passam a acreditar que podem superar todos, outros
aceitam algumas coisas e uns últimos aceitam tudo. Com o tempo vamos nos adaptando
e passando a ter medidas também em escalas. Vamos aprendendo como dirigir nosso
corpo e nossa alma. Alguns sofrem muito com isto, pois fatalidades, surpresas e
acidentes acontecem e então olhamos uns para os outros e nos vemos
diferentemente. Num tempo alguns eram sonhadores e outros realistas, mas
passados alguns anos parece até que as coisas se inverteram e, desta forma,
vamos nos dando conta de nosso lugar, papel e ofício no mundo. Pareceria
estranho dizer que além de nossas profissões, trabalhos e relações acabamos
assumindo uma espécie de função social que mistura habilidades, talentos e
oportunidades com coisas que ganhamos de presente dos outros. E passamos a nos
ver então em sociedade com uma aparente imagem cujo despreendimento dela não é
sequer mais possível. Vira uma marca, uma espécie de apelido ou assinatura que
nem faz mais parte do que você é, mas sim do modo como os outros avistam e
compreendem você. O que encontro de singelo misto é que somente um hábito de
associação e não tanto de comportamento está em jogo aqui. Tua conduta pode ter
sido alterada, teu modus operandi, preferências, apetites e intenções podem ter
sido quase todos abandonados e você descobre assim que mudou. Não foram suas
células ou mãos que mudaram, mas sim algo dentro de você. No meu caso ao me
sentir chegando neste ponto penso agora em todas as ambições e projetos. Penso
em como ficou aquela ideia de mudar o mundo, penso na remota, mas desejável
possibilidade de tornar um outro mundo possível e me alegro agora de forma
singela, pois o mundo já mudou e eu percebo isto. Alguns aqui dizem que não,
não mudou coisa alguma. Nada melhorou ou ocorreu e, então, eu volto a pensar de
forma diminuta em minha mente só no meu pequeno mundinho de novo e vou me
recolhendo e pensando que, afinal, não mudamos o mundo das pessoas e passamos
apenas, qual comediantes ou país sobre um bebê fazendo lhes uma ou outras
cosquinhas na barrigas deles. E eles riram um pouco, choraram quando tiveram
fome e beberam quando tiveram sede, aprenderam a andar, a cair, a levantar e a
subir e descer na montanha da vida. E eu, já cansado, concluo está prosa
dizendo que talvez a única coisa que possamos fazer uma vida inteira é algumas
cosquinhas no mundo. Alguns mais e outros menos, mas nenhum deles deixara de
ser apenas singelo quando partir. E quando sair será lembrado ou esquecido, mas
não será isso que importará mais.
FILOSOFIA EXPERIMENTAL, DIALÉTICA E METAFÍSICA - PÓS ANALÍTICA
Meu admirável contemporâneo na
UFRGS, Eduardo Vicentini de Medeiros merece congratulações, pois se lançou com
a audácia necessária para conquistar o saber em uma nova aventura filosófica e
relata sua boa lição colhida na empreitada, assim:
“Me arrisquei em tema novo:
"Contrafactuais e moralidade" no XVIII Colóquio de Filosofia Unisinos
- Filosofia e Cognição.
Um belíssimo evento, com a
seguinte lição: você é filósofo e quer falar de neurociência? então aprenda a
ler EEG e fMRI, saiba o que está sendo medido e como...”
E eu creio ser bem importante
destacar isto neste momento em que a filosofia parece sair da caverna e ver a
luz do dia em sociedade neste pais. Porque não são tão somente as medidas de
EEG e fMRI, os métodos para fazer isto, os métodos para interpretar e as
consequências destas interpretações que se apresentam para nós hoje nos
domínios da nova epistemologia ou das ciências cognitivas, mas também os
debates sobre ética em nossa sociedade, sobre diferenças sociais e relações
sociais, sobre desigualdade e violência, sobre democracia e política e ainda
mais sobre amor, qualidade de vida e como vivemos - tudo isso que faz parte da
nossa grande experiência humana - que nos chama à reflexão tanto científica
como filosófica, que nos chama ao debate em sociedade para alargar a
compreensão sobre estes temas e mudar comportamentos sobre eles.
As provas do Enem neste final de
semana, não seriam o que foram - creio eu - sem
a bela passagem do Renato Janine Ribeiro e sua equipe, que inclui o menino
prodígio Alexey Dodsworth Magnavita, que devem ter pautado, com certeza com a
anuência e o conhecimento da presidenta Dilma Rousseff a questão da mulher. E
eu saúdo isto porque traduz exatamente aquilo que é o maior desafio da
filosofia numa democracia jovem como a brasileira que é estabelecer um diálogo
franco e aberto com toda a sociedade, reflexivo, provocativo e humanizador e
que também tenha escuta, que aprenda com a sociedade e descubra seus anseios. E
o tema da mulher com a devida referência cruzada a Simone de Beauvoir e á
realidade da mulher brasileira foi um
golaço de placa que precisa ser agora mais explorado por professores de boa
vontade e incluído nos debates. É a deixa que faltava para muitos que
consideravam o tema lateral ou externo ao afazer filosófico. Assim, como alguns
olham para a questão do negro pensando que é um tema de sociologia e esquecendo
que é justamente ai que o desafio prático de construção de igualdade na
diversidade se apresenta, como a questão da pobreza e também das outras ditas
"minorias" que não são.
Muitos outros debates, com o
auxílio das redes sociais são possíveis hoje. Mais acesso a informação,
bibliografia e referências, relatos e reflexões são possíveis hoje. E vejo,
então uma dialética fina sendo produzida aqui. Meus demais colegas que vejo
participarem deste processo cultural e de pensamento, ao seu modo. De poesia à
política, de arte à música, de teatro à dança, da sociedade á filosofia e da
filosofia ou das artes e humanidades à sociedade. Disse um dia que apostava em
uma superação da técnica por saturação tecnológica e cada dia me convenço mais
disto que o que será top de linha nos próximos anos são as letras, as artes e
as humanidades e suas novas relações com as demais ciências e com a nossa vida.
Comparto aqui, citando meus
colegas de formação ativistas mais próximos e novas relações e considero afins:
Alexandre Noronha Machado, César Dos Santos, Benedito Tadeu César, Gustavo
De Mello, Paulo Faria, Renato Duarte Fonseca, Roberto Horácio Sá Pereira,
Gregory Gaboardi, Marcia Tiburi, Elenilton Neukamp, Janio Alves, Rogerio P
Severo, Rogerio Saucedo, Rogério Lopes, Vanessa Marocco, Flavio Williges, Noé
Oliveira, Vinicius Wu, Jackson Raymundo,
Suzana Guerra Albornoz, Francisco Xarão, Simone Ferreira, e muitos
outros.
Creio que a história da filosofia
no Brasil teve apenas três momentos o primeiro foi predominantemente
escolástico, o segundo foi existencial ou continental e é bem recente e convive
ainda com a escolástica e este último é analítico e pós analítico. Ainda que
nem a filosofia analítica e nem o que é chamado de pós analítica esteja à
margem de preconceito, porque ocorre nele a superação e a inclusão de uma
temática mais existencial sob certa predominância de um método mais analítico.
Gosto muito do termo analítica existencial porque indica a superação da fase
crítica e internalizada da filosofia e a coloca de volta ao contato com as
ciências e a sociedade, ou, como alguns preferem, em contato com o nosso mundo
da vida e nossos afazeres existenciais e sociais.
Assim, eu fiquei pensando sobre
isto tudo ao ver as postagens de diversos colegas e ao ler também o programa
deste grande encontro que houve na Unisinos sobre Cognição e Neurociências e
sobre temas que, ao fim e ao cabo, tratam de interpretar ou revisar
interpretações da nossa experiência. E sempre lembro de Aristóteles e de
diversos outros filósofos que mantiveram um pé na "lógica" e outro na
"experiência". E muita filosofia boa saiu disto. Então, isto deve ser
uma nova onda experimental na filosofia de fato o que, entretanto, vai acabar
por nos trazer também uma nova metafísica destas novas experiências.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
ANDO PREFERINDO TER PAZ DO QUE RAZÃO
Às vezes é melhor calar e ouvir
com atenção, esperando que a vida mostre de alguma forma para quem não quer ver
ou entender qual é realmente a questão. Isto tem me dado paz e tranquilidade e
também muita paciência para assistir o curso quase natural das coisas ajeitar
aquilo que um certo modo de entendimento e uma excessiva e desnecessária resistência
não querem ver. Na maior parte dos casos, os problemas não são de ideias, mas
sim dos sentimentos incontroláveis que as movem e que em muitos casos são
embalados por pitadas de medo, insegurança, culpa, ódio ou mesmo uma boa dose
de certo fatalismo que parece sobrevoar como uma nuvem a vida de alguém, por
conta de suas emoções, experiências não digeridas e incompreensões. Nenhuma
doutrina da razão resolve isso, apenas a boa vontade. E se ela não aparecer na
vida da pessoa, então é bom deixar em paz. E esta boa vontade vale para mim
também. E é ela que me dá paz.
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