as vezes eu me sinto um errante...
..alguém de passagem pelos lugares...
e também me sinto errado em muitas coisas....
talvez eu esteja completamente errado em todas as coisas...
mas por outro lado....
continuo acreditando que uma pessoa só tem realmente valor quando é capaz de questionar o próprio modo de viver....
interrogar se não está tudo errado....
só será um grande homem aquele que for capaz de mudar toda a sua própria, maldita e miserável vida....
o resto é um sonho, uma grande ilusão do mundo....
e eu quero conquistar a glória de verdade nesta vida, muito mais do que a fortuna, a fama ou qualquer outro mérito que tem mais valor aos olhos dos outros do que aos meus próprios olhos...
posso estar errado?....
sim.....
é possível que sim...
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
NIRVANA - CHARLES BUKOWSKI
not much chance,
completely cut loose from
purpose,
he was a young man
riding a bus
through North Carolina
on the wat to somewhere
and it began to snow
and the bus stopped
at a little cafe
in the hills
and the passengers
entered.
he sat at the counter
with the others,
he ordered and the
food arived.
the meal was
particularly
good
and the
coffee.
the waitress was
unlike the women
he had
known.
she was unaffected,
there was a natural
humor which came
from her.
the fry cook said
crazy things.
the dishwasher.
in back,
laughed, a good
clean
pleasant
laugh.
the young man watched
the snow through the
windows.
he wanted to stay
in that cafe
forever.
the curious feeling
swam through him
that everything
was
beautiful
there,
that it would always
stay beautiful
there.
then the bus driver
told the passengers
that it was time
to board.
the young man
thought, I'll just sit
here, I'll just stay
here.
but then
he rose and followed
the others into the
bus.
he found his seat
and looked at the cafe
through the bus
window.
then the bus moved
off, down a curve,
downward, out of
the hills.
the young man
looked straight
foreward.
he heard the other
passengers
speaking
of other things,
or they were
reading
or
attempting to
sleep.
they had not
noticed
the
magic.
the young man
put his head to
one side,
closed his
eyes,
pretended to
sleep.
there was nothing
else to do-
just to listen to the
sound of the
engine,
the sound of the
tires
in the
snow.
In memorian Rafael Adams Boeira - 24/12/1966 - 29/09/2011
completely cut loose from
purpose,
he was a young man
riding a bus
through North Carolina
on the wat to somewhere
and it began to snow
and the bus stopped
at a little cafe
in the hills
and the passengers
entered.
he sat at the counter
with the others,
he ordered and the
food arived.
the meal was
particularly
good
and the
coffee.
the waitress was
unlike the women
he had
known.
she was unaffected,
there was a natural
humor which came
from her.
the fry cook said
crazy things.
the dishwasher.
in back,
laughed, a good
clean
pleasant
laugh.
the young man watched
the snow through the
windows.
he wanted to stay
in that cafe
forever.
the curious feeling
swam through him
that everything
was
beautiful
there,
that it would always
stay beautiful
there.
then the bus driver
told the passengers
that it was time
to board.
the young man
thought, I'll just sit
here, I'll just stay
here.
but then
he rose and followed
the others into the
bus.
he found his seat
and looked at the cafe
through the bus
window.
then the bus moved
off, down a curve,
downward, out of
the hills.
the young man
looked straight
foreward.
he heard the other
passengers
speaking
of other things,
or they were
reading
or
attempting to
sleep.
they had not
noticed
the
magic.
the young man
put his head to
one side,
closed his
eyes,
pretended to
sleep.
there was nothing
else to do-
just to listen to the
sound of the
engine,
the sound of the
tires
in the
snow.
In memorian Rafael Adams Boeira - 24/12/1966 - 29/09/2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
UM ANO DE SECRETARIA DA CULTURA
Hoje completo um ano de Secretaria de Cultura.
Tem sido uma grande experiência para mim.
Conheci um grupo muito legal e esta experiência tem mudado minha vida para melhor.
Continuo tão exigente quanto perfecionista como sempre fui, mas sou mais tolerante e compreensivo agora.
O Woodstock não acabou, mas ele parece ter ficado mais organizado em alguns aspectos.
O Secretário Pedro Vasconcellos é um baita cara e temos passados muito bons momentos juntos com a equipe inteira!
Meus colegas e passantes daqui me deram muito apoio.
A gente não sabe quanto tempo estas coisas duram, por isto eu comemoro e registro cada mês e cada ano das minhas experiências com atenção.
Se continuar melhorando com todos juntos e focados no mesmo objetivo já é uma grande caminhada.
É interessante que eu tenha voltado para cá após tudo que passei nos anos 80, desde acompanhar o nascimento e formação da Thule, Paulo Pink, acompanhar com admiração Coral Unisinos, participar de duas edições do Diga Diga de Artes, Teatro com a Centopéia Consumista, e música com o Grupo Velas, participar de belos momentos no CLIC, ter compartilhado muitos dias e idéias com Luis Brasil, Nando D´Ávila, Silvana Mariani, Ricardo Sefrin e muitos outros.
Ao sair de São Leopoldo em 1987 para Estudar na UFRGS, ter me tornado professor de filosofia (1993), sindicalista (1999), gestor público (2005) graças ao apoio do Vanazzi e, de repente, em novembro de 2010 passada a Eleição de Dilma, Tarso, Paim, Marcon e e Ana Affonso Lotado Perfil I , vir trabalhar aqui. foi a volta a um ponto de origem.
E um ponto de origem verdadeiramente fundamental como sinto hoje, pois acabei por voltar à música pelo Coral Municipal e a várias outras artes.
E reencontro todos os dias velhos amigos, conheço novos e vamos que vamos.
Obrigado!
Tem sido uma grande experiência para mim.
Conheci um grupo muito legal e esta experiência tem mudado minha vida para melhor.
Continuo tão exigente quanto perfecionista como sempre fui, mas sou mais tolerante e compreensivo agora.
O Woodstock não acabou, mas ele parece ter ficado mais organizado em alguns aspectos.
O Secretário Pedro Vasconcellos é um baita cara e temos passados muito bons momentos juntos com a equipe inteira!
Meus colegas e passantes daqui me deram muito apoio.
A gente não sabe quanto tempo estas coisas duram, por isto eu comemoro e registro cada mês e cada ano das minhas experiências com atenção.
Se continuar melhorando com todos juntos e focados no mesmo objetivo já é uma grande caminhada.
É interessante que eu tenha voltado para cá após tudo que passei nos anos 80, desde acompanhar o nascimento e formação da Thule, Paulo Pink, acompanhar com admiração Coral Unisinos, participar de duas edições do Diga Diga de Artes, Teatro com a Centopéia Consumista, e música com o Grupo Velas, participar de belos momentos no CLIC, ter compartilhado muitos dias e idéias com Luis Brasil, Nando D´Ávila, Silvana Mariani, Ricardo Sefrin e muitos outros.
Ao sair de São Leopoldo em 1987 para Estudar na UFRGS, ter me tornado professor de filosofia (1993), sindicalista (1999), gestor público (2005) graças ao apoio do Vanazzi e, de repente, em novembro de 2010 passada a Eleição de Dilma, Tarso, Paim, Marcon e e Ana Affonso Lotado Perfil I , vir trabalhar aqui. foi a volta a um ponto de origem.
E um ponto de origem verdadeiramente fundamental como sinto hoje, pois acabei por voltar à música pelo Coral Municipal e a várias outras artes.
E reencontro todos os dias velhos amigos, conheço novos e vamos que vamos.
Obrigado!
terça-feira, 30 de agosto de 2011
PREPARANDO TRÊS PROVAS SOBRE A PRIMEIRA MEDITAÇÃO DE DESCARTES
Bom Dia!
mais um dia com filosofia e curiosidades como pano de fundo.
Em meio ao trabalho sério e dedicado de todos os dias, temos boas surpresas e alegrias. Uma delas é fazer as provas dos alunos da noite. Para a disciplina de filosofia.
Tenho que preparar três provas diferentes sobre a Primeira Meditação de Descartes.
Em gradiente, porque são três séries diferentes com niveis diferentes de compreensão. Um dos dilemas é o fato de que somente o segundo ano tem dois períodos, tanto o primeiro quanto o terceiro ano tem um período para realizar a prova.
Assim, para o 1o, 2o e 3o anos do noturno tenho que elaborar algo adequado ao tempo disponível. é uma das avaliações do segundo trimestre, após uma introdução sobre a vida e obra de Descartes e o seu método.
Minha idéia ou plano é produzir cinco questões com complexidade e extensão diferentes. Em algum caso com conteúdos e pontos diferentes na abordagem da Primeira Meditação.
A parte legal de ser professor é construir a pergunta certa que leva ao cerne da questão sem perder os detalhes. No nosso caso os detalhes realmente relevantes.
No caso atual tenho que levar em três abordagens diferentes os alunos para a percepção da terra arrasada de Descartes na primeira meditação em que não sobrará pedra sobre pedra.
Poderia dizer na metáfora aqui que só sobra o pedreiro.
Vamos para o rascunho das questões.
Passo a passo: Papel e lápis, uma folha em branco, três estruturas de cinco questões e os núcleos argumentativos dos parágrafos sublinhados na folha ao lado.
E daí segue-se a derivação e a transferência das questões em seus graus de dificuldade para as tres estruturas de cinco pontos.
Vamos lá cara você já fiz isto zihões de vezes antes e você gosta de fazer este exercício.
Faz isto como uma brincadeira como um esboço de artista.
Mas, atenção, não promova um ataque direto.
As primeiras questões são escadas a questão central é o núcleo e as duas últimas questões são corolários ou consequências.
Faça isto direito.
Semana que vém você publica aqui as questões.
Até lá vê se coloca aqui as tuas anotações introdutórias sobre Descartes, sobre tuas experiências acadêmicas e pedestres sobre Descartes.
Vê se coloca aqui as questões que te motivam também.
Principalmente aquela sobre Descartes para adolescentes.
mais um dia com filosofia e curiosidades como pano de fundo.
Em meio ao trabalho sério e dedicado de todos os dias, temos boas surpresas e alegrias. Uma delas é fazer as provas dos alunos da noite. Para a disciplina de filosofia.
Tenho que preparar três provas diferentes sobre a Primeira Meditação de Descartes.
Em gradiente, porque são três séries diferentes com niveis diferentes de compreensão. Um dos dilemas é o fato de que somente o segundo ano tem dois períodos, tanto o primeiro quanto o terceiro ano tem um período para realizar a prova.
Assim, para o 1o, 2o e 3o anos do noturno tenho que elaborar algo adequado ao tempo disponível. é uma das avaliações do segundo trimestre, após uma introdução sobre a vida e obra de Descartes e o seu método.
Minha idéia ou plano é produzir cinco questões com complexidade e extensão diferentes. Em algum caso com conteúdos e pontos diferentes na abordagem da Primeira Meditação.
A parte legal de ser professor é construir a pergunta certa que leva ao cerne da questão sem perder os detalhes. No nosso caso os detalhes realmente relevantes.
No caso atual tenho que levar em três abordagens diferentes os alunos para a percepção da terra arrasada de Descartes na primeira meditação em que não sobrará pedra sobre pedra.
Poderia dizer na metáfora aqui que só sobra o pedreiro.
Vamos para o rascunho das questões.
Passo a passo: Papel e lápis, uma folha em branco, três estruturas de cinco questões e os núcleos argumentativos dos parágrafos sublinhados na folha ao lado.
E daí segue-se a derivação e a transferência das questões em seus graus de dificuldade para as tres estruturas de cinco pontos.
Vamos lá cara você já fiz isto zihões de vezes antes e você gosta de fazer este exercício.
Faz isto como uma brincadeira como um esboço de artista.
Mas, atenção, não promova um ataque direto.
As primeiras questões são escadas a questão central é o núcleo e as duas últimas questões são corolários ou consequências.
Faça isto direito.
Semana que vém você publica aqui as questões.
Até lá vê se coloca aqui as tuas anotações introdutórias sobre Descartes, sobre tuas experiências acadêmicas e pedestres sobre Descartes.
Vê se coloca aqui as questões que te motivam também.
Principalmente aquela sobre Descartes para adolescentes.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
MEU PRIMEIRO TRABALHO: REPRODUÇÃO INCESSANTE DE MITOS
Meu primeiro trabalho de filosofia era sobre a fecundidade dos mitos e o surgimento da verdade na filosofia...ou da questão da verdade na filosofia. Escrevi em 1989 e tenho guardado ali no meu arquivo. Nem vou procurar agora. Quero aquecer a memória um pouco porque gosto de pensar e lembrar. É um bom exercício para a gente.
O mote era a reprodução incessante dos mitos. Ouvi esta expressão na primeira cadeira de filosofia, na primeira aula. Introdução a filosofia, ministrada pelo Prof. Dr. Hans Georg Flickinger. O nosso primeiro professor alemão. Especialista em Adorno, escola de Frankfurt e que havia sido aluno e orientando do gigante Hans Georg Gadamer, o pai da hermenêutica. Portanto, havia uma boa linha de passe entre a gente. Mais tarde descobri outras relações também importantes e referências importantes. As referências e lições dele nos levaram diretamente para uma obra Dialética do Esclarecimento que traz a crítica ao iluminismo e seus desdobramentos. E depois chegamos a outra obra dele a Dialética Negativa em que é feita a crítica do sujeito em Kant. O que foi objeto de estudo e perdição em meu trabalho de iniciação científica e conclusão.
Voltando aos gregos, a produção de mitos é incessante, porque tinham mito para quase tudo. Era uma coisa que se fazia bastante na Grécia pré-clássica ou arcaica. Que se entenda minha ironia, off course, era a única coisa que se podia fazer antes de começar a constituir outra abordagem para certas questões. Tatear e poetar sober as vontades alhures. Como diria Platão: estes malditos poetas..kkkkk.
A minha primeira impressão foi de espanto, bem clássica, e a pergunta era: como a verdade surge em meio a um oceano de ilusões, fantasias, engodos e etc? Mas os mitos não são isso dizia o manual?
São explicações, enredos narrados com o propósito de erguer uma causa como candidata a verdade.
A vontade divina ou o capricho dos deuses.
Eu me interrogava mais ainda.
No final, por preguiça e impaciência lógica eu concluí: a verdade não surge deste oceano não, o que surge dele é a procura de uma outra verdade, a pergunta pelo fundamento da verdade.
Abandonamos todos os deuses, heróis e etc e partimos para uma causa material, intencional ou natural. Para cada fenômeno uma ou mais possibilidades de acordo com a sua natureza ou categoria.
E aqui eu recaio em Heidegger e Nietzsche. Mas isto conto outro dia.
Filosofia Matinal.
Nunca entendi por que minhas idéias e minhas boas lembranças sempre me aparecem pela manhã.
Mas sempre me ocorre que é fruto do despertar após um bom repouso.
E também como uma resposta ao cotidiano.
Uma resposta que repara certas coisas.
E põe certas idéias no seu devido lugar.
Bom Dia
O mote era a reprodução incessante dos mitos. Ouvi esta expressão na primeira cadeira de filosofia, na primeira aula. Introdução a filosofia, ministrada pelo Prof. Dr. Hans Georg Flickinger. O nosso primeiro professor alemão. Especialista em Adorno, escola de Frankfurt e que havia sido aluno e orientando do gigante Hans Georg Gadamer, o pai da hermenêutica. Portanto, havia uma boa linha de passe entre a gente. Mais tarde descobri outras relações também importantes e referências importantes. As referências e lições dele nos levaram diretamente para uma obra Dialética do Esclarecimento que traz a crítica ao iluminismo e seus desdobramentos. E depois chegamos a outra obra dele a Dialética Negativa em que é feita a crítica do sujeito em Kant. O que foi objeto de estudo e perdição em meu trabalho de iniciação científica e conclusão.
Voltando aos gregos, a produção de mitos é incessante, porque tinham mito para quase tudo. Era uma coisa que se fazia bastante na Grécia pré-clássica ou arcaica. Que se entenda minha ironia, off course, era a única coisa que se podia fazer antes de começar a constituir outra abordagem para certas questões. Tatear e poetar sober as vontades alhures. Como diria Platão: estes malditos poetas..kkkkk.
A minha primeira impressão foi de espanto, bem clássica, e a pergunta era: como a verdade surge em meio a um oceano de ilusões, fantasias, engodos e etc? Mas os mitos não são isso dizia o manual?
São explicações, enredos narrados com o propósito de erguer uma causa como candidata a verdade.
A vontade divina ou o capricho dos deuses.
Eu me interrogava mais ainda.
No final, por preguiça e impaciência lógica eu concluí: a verdade não surge deste oceano não, o que surge dele é a procura de uma outra verdade, a pergunta pelo fundamento da verdade.
Abandonamos todos os deuses, heróis e etc e partimos para uma causa material, intencional ou natural. Para cada fenômeno uma ou mais possibilidades de acordo com a sua natureza ou categoria.
E aqui eu recaio em Heidegger e Nietzsche. Mas isto conto outro dia.
Filosofia Matinal.
Nunca entendi por que minhas idéias e minhas boas lembranças sempre me aparecem pela manhã.
Mas sempre me ocorre que é fruto do despertar após um bom repouso.
E também como uma resposta ao cotidiano.
Uma resposta que repara certas coisas.
E põe certas idéias no seu devido lugar.
Bom Dia
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
SUBFUNÇÃO PENSAMENTO FILOSÓFICO
Ensinar filosofia? Talvez seja simplesmente um esforço para tentar ativar uma função pensamento filosófico inutilizada. Uma subfunção da função pensamento que todo mundo usa, mas jamais avança sobre o filosofar sem a devida provocação. mas isto não é filosofar, é somente uma provocação que pode não dar certo na maioria dos casos. Ocorre, como disse um aluno meu ontem: nem todos tem o mesmo celular. Alguns tem um celular sem esta função ou com esta função inutilizada. Talvez não..
Ontem voltei à minha velha metáfora de 1995 da prateleira de loja de eletrodomésticos. Todos os liquidificadores na preteleira da loja e eu sou só um vendedor de eletrodomésticos. Usada na minha primeira aula na ETC em Porto Alegre. É preciso plugá-los na tomada e ligá-los. No atual caso: ativar a subfunção pensamento filosófico. Descartes sempre me ajuda muito aqui....
Ontem voltei à minha velha metáfora de 1995 da prateleira de loja de eletrodomésticos. Todos os liquidificadores na preteleira da loja e eu sou só um vendedor de eletrodomésticos. Usada na minha primeira aula na ETC em Porto Alegre. É preciso plugá-los na tomada e ligá-los. No atual caso: ativar a subfunção pensamento filosófico. Descartes sempre me ajuda muito aqui....
sábado, 6 de agosto de 2011
Murga, SL-FEST 2011, Preconceito e Tolerância Cultural
Na São Leopoldo Fest 2011 assisti pela primeira vez em minha vida uma Murga - Lo gran siete. Cito parte do verbete da Wikipédia (PT) aqui:
“A palavra murga é originária da Espanha. O ritmo musical teria surgido em 1906, quando chegou ao Uruguai uma companhia de zarzuela cujos componentes formaram um agrupamento ao qual chamaram La Gaditana e desfilaram pelas ruas de Montevidéu para cantar, dançar e arrecadar dinheiro para as apresentações da companhia. O evento teria inspirado a criação, no ano seguinte, de uma agremiação carnavalesca de uruguaios denominada a "Murga La Gaditana que se va", para parodiar o ocorrido com os artistas espanhóis. A partir daí a palavra murga passou a designar esses grupos, que com o passar do tempo agregaram à música que tocavam elementos do candombe e de outros ritmos de origem africana. A proximidade com o Uruguai fez com que surgisse à mesma época a murga portenha, a qual se difundiria por toda a Argentina. Atualmente, é manifestação presente no carnaval de diversas cidades espanholas, uruguaias, chilenas e argentinas.”
Ou seja, para nós que organizamos em São Leopoldo um dos maiores carnavais do estado, trouxemos a Murga direto do Uruguai para a São Leopoldo Fest 2011 e para o nosso povo.
Pois achei muito legal, diferente e creio que se acerta quando se propõe apresentar estilos, músicos e coisas diferentes num evento popular como este. O povo precisa conhecer a cultura de outros povos e esta é uma forma de promover não só intercâmbio cultural, mas também o entendimento entre os povos. Os uruguaios são nossos vizinhos aqui do lado, ou melhor, na extrema sul do nosso continente e foram, até o início do século XIX, parte, assim como nós de uma região sem fronteiras em que os gaúchos, os índios, os portugueses e os espanhóis se encontravam para intensas disputas de território e, suponho, em alguns momentos de paz e convívio.
Nota baixa para um coroa resmungando e praguejando contra a apresentação deles. Se não gosta vai passear ora bolas!, a feira é tão grande. Mas o ser grosso fez com que o cara se exiba ridiculamente. É algo ridículo o papel da falta de compreensão cultural que ele fez para mim e fiquei pensando na educação que a pessoa dá para os seus filhos e decendentes. Me lembrei de uma imagem do intolerante frente ao outro. Do preconceito frente ao diverso.
Fiz questão de ignorá-lo, mas me fez pensar na condição característica dele.
Estava de bombachas e de botas, como um paladino do Rio Grande. Soubesse ele do parentesco entre a Murga, Candombe, a Trova, a Milonga e etc. Ou seja , dos laços culturais profundos entre a música gaudéria e a música de vertente uruguaia.
Baixava a crista e se afundava na sua ignorância.
“A palavra murga é originária da Espanha. O ritmo musical teria surgido em 1906, quando chegou ao Uruguai uma companhia de zarzuela cujos componentes formaram um agrupamento ao qual chamaram La Gaditana e desfilaram pelas ruas de Montevidéu para cantar, dançar e arrecadar dinheiro para as apresentações da companhia. O evento teria inspirado a criação, no ano seguinte, de uma agremiação carnavalesca de uruguaios denominada a "Murga La Gaditana que se va", para parodiar o ocorrido com os artistas espanhóis. A partir daí a palavra murga passou a designar esses grupos, que com o passar do tempo agregaram à música que tocavam elementos do candombe e de outros ritmos de origem africana. A proximidade com o Uruguai fez com que surgisse à mesma época a murga portenha, a qual se difundiria por toda a Argentina. Atualmente, é manifestação presente no carnaval de diversas cidades espanholas, uruguaias, chilenas e argentinas.”
Ou seja, para nós que organizamos em São Leopoldo um dos maiores carnavais do estado, trouxemos a Murga direto do Uruguai para a São Leopoldo Fest 2011 e para o nosso povo.
Pois achei muito legal, diferente e creio que se acerta quando se propõe apresentar estilos, músicos e coisas diferentes num evento popular como este. O povo precisa conhecer a cultura de outros povos e esta é uma forma de promover não só intercâmbio cultural, mas também o entendimento entre os povos. Os uruguaios são nossos vizinhos aqui do lado, ou melhor, na extrema sul do nosso continente e foram, até o início do século XIX, parte, assim como nós de uma região sem fronteiras em que os gaúchos, os índios, os portugueses e os espanhóis se encontravam para intensas disputas de território e, suponho, em alguns momentos de paz e convívio.
Nota baixa para um coroa resmungando e praguejando contra a apresentação deles. Se não gosta vai passear ora bolas!, a feira é tão grande. Mas o ser grosso fez com que o cara se exiba ridiculamente. É algo ridículo o papel da falta de compreensão cultural que ele fez para mim e fiquei pensando na educação que a pessoa dá para os seus filhos e decendentes. Me lembrei de uma imagem do intolerante frente ao outro. Do preconceito frente ao diverso.
Fiz questão de ignorá-lo, mas me fez pensar na condição característica dele.
Estava de bombachas e de botas, como um paladino do Rio Grande. Soubesse ele do parentesco entre a Murga, Candombe, a Trova, a Milonga e etc. Ou seja , dos laços culturais profundos entre a música gaudéria e a música de vertente uruguaia.
Baixava a crista e se afundava na sua ignorância.
sábado, 23 de julho de 2011
SL-FEST, AMY, UM HINO, LIED, SCHUBERT E O PONTO MÁGICO
He he He
Cheguei em casa agora. Após um longo dia na organização da 20a São Leopoldo Fest 2011. Minha primeira edição, aliás, como organizador. Muito trabalho, mas tudo bem, tudo exatamente como deve ser e como já era esperado. Graças ao grupo e aos parceiros de atividade. Espero que os meus amigos aproveitem e curtam. Mesmo trabalhando muito estou gostando. Tá valendo a pena.
A atividade legal de hoje foi acompanhar a gravação do Anonimous Gourmet e lembrar de velhos tempos – nos anos 80 - em que ele não era o Anonimous e eu não era o professor e gestor que sou hoje. Tempos de Bar do Beto – na esquina mágica - e uma cervejinha na boa, com bolinhos de bacalhau. E transcorreu tudo muito bem na produção. E Rogério Tosca, meu baita colega, me deve uma foto.
A marca triste do dia é a morte da Amy Winehouse. Que voz linda!
Bem mais importante, para mim, do que a lenda da morte aos 27 anos é o fato dela e dos demais deixarem esta marca absolutamente extraordinária na história da música. Vá em paz!
Para os meus amigos astrólogos, fui até espiar o mapinha da cantora na Astrotheme.
Nossa. Tem as conjunções mais incríveis que já vi.
Para os não especializados: a moça tinha muitas usinas de força de difícil gestão.
É muito difícil viver com tantos excessos. Se você pensa nas drogas faço questão de dirigir vossa atenção aos sentimentos dela. Aquilo que vém antes das drogas.
Poderíamos chamar de um complexo em confiito e intensidade muito singulares.
Numa abordagem moderna: um complexo cujas escolhas são difíceis e limitadas e na qual a pessoa pouco ou com muita dificuldade consegue resistir a forte tentação de se consumir e de investir intensamente em algo.
Nela resultou na mais perfeita arte do canto.
Outra coisa foi procurar a Partitura do Hino da Alemanha para banda ( escrito por Haydn em 1797, muito antes - quase 80 anos - da Alemanha se unificar adveio:Das Lied des Deutches ).
Encontrá-lo inteirinho e pesquisar sobre a história dele. E, em meio a isto, num bate papo sobre o programa do Coral Municipal da P´roxima segunda-feira encontrar um momento para lembrar de Schubert.
Franz Schubert. Nossa que gênio. O cara escrevia em quardanapos e folhas de pão em meio a porres homéricos de cerveja ou chopp como queiram. E jogava fora ao lixo aquilo que considerava imperfeito segundo o seu humor.
Escrevia espontaneamente e achava o resultado ruim. Se voc~e conhece alguém assim, vá aprendendo a se surpreender. Há um g~enio habitando esta pobre alma que sobrevive neste grande vale de lágrimas que é o mundo.
Os amigos de Schubert, logo perceberam isto e guardavam os rascunhos. Algumas desta sobras estão aí para o nosso espanto.
Como diz minha querida colega Liana: 64 Lieds. Ufa...
Schubert morreu aos 31 anos, e, agora – esta coincidência, nasceu no mesmo ano em que Haydn compôs o Das Lied des Deutches.
O Hino da Alemanha que vocês escutaram muitos domingos com as vitórias de Michael Schumacher na fórmula 1.
O hino alemão é, na minha opinião, um belo hino.
Tanto ele como o da Inglaterra tem um toque majestoso e espirituoso ao mesmo tempo.
E ambos exigem ou permitem, na minha modesta opinião: belos arranjos vocais.
A Evelyn – esta menina genial que parou de escrever no seu blog, diria que é toda a alma de um povo. Ali te dizendo algo.
A parte legal desta história provém do fato de que as Lieder são as mães da canção moderna, ou seja, o romantismo alemão deu liberdade formal para canções cujos arranjos são realizados sobre uma melodia razoavelmente simples e que tem seus desdobramentos compostos num curto espaço de tempo.
Adoro esta combinação verbal e modal: um curto espaço de tempo.
Mais que uma singela contradição em termos, me parece uma expressão da liberdade criativa.
Uma frase repetida com pequenas e carinhosas variações....ha ha ha...e você sonhando numa busca de um sentimento.....com aquela emoção suscitada pela música.
Uma frase repetida com pequenas e carinhosas variações....ha ha ha...e você sonhando numa busca de um sentimento que voc~e não consegue entender.
Com aquela emoção suscitada suavemente por uma canção, pela música.
O Coral Municipal está cantando um Lied de Schubert: Der Lindenbaum.
Já coloquei aqui no meu Facebook numa bela gravação de Fischer Dieskau e noutra de Thomas Hampson.
Quem gosta de canto e música deveria passar um tempinho comparando as duas.
A suavidade basilar de Fischer e a força do timbre de Thomas.
Como encontrar um ponto entre os dois?
Não sei!
Não preciso saber tudo!
Cheguei em casa agora. Após um longo dia na organização da 20a São Leopoldo Fest 2011. Minha primeira edição, aliás, como organizador. Muito trabalho, mas tudo bem, tudo exatamente como deve ser e como já era esperado. Graças ao grupo e aos parceiros de atividade. Espero que os meus amigos aproveitem e curtam. Mesmo trabalhando muito estou gostando. Tá valendo a pena.
A atividade legal de hoje foi acompanhar a gravação do Anonimous Gourmet e lembrar de velhos tempos – nos anos 80 - em que ele não era o Anonimous e eu não era o professor e gestor que sou hoje. Tempos de Bar do Beto – na esquina mágica - e uma cervejinha na boa, com bolinhos de bacalhau. E transcorreu tudo muito bem na produção. E Rogério Tosca, meu baita colega, me deve uma foto.
A marca triste do dia é a morte da Amy Winehouse. Que voz linda!
Bem mais importante, para mim, do que a lenda da morte aos 27 anos é o fato dela e dos demais deixarem esta marca absolutamente extraordinária na história da música. Vá em paz!
Para os meus amigos astrólogos, fui até espiar o mapinha da cantora na Astrotheme.
Nossa. Tem as conjunções mais incríveis que já vi.
Para os não especializados: a moça tinha muitas usinas de força de difícil gestão.
É muito difícil viver com tantos excessos. Se você pensa nas drogas faço questão de dirigir vossa atenção aos sentimentos dela. Aquilo que vém antes das drogas.
Poderíamos chamar de um complexo em confiito e intensidade muito singulares.
Numa abordagem moderna: um complexo cujas escolhas são difíceis e limitadas e na qual a pessoa pouco ou com muita dificuldade consegue resistir a forte tentação de se consumir e de investir intensamente em algo.
Nela resultou na mais perfeita arte do canto.
Outra coisa foi procurar a Partitura do Hino da Alemanha para banda ( escrito por Haydn em 1797, muito antes - quase 80 anos - da Alemanha se unificar adveio:Das Lied des Deutches ).
Encontrá-lo inteirinho e pesquisar sobre a história dele. E, em meio a isto, num bate papo sobre o programa do Coral Municipal da P´roxima segunda-feira encontrar um momento para lembrar de Schubert.
Franz Schubert. Nossa que gênio. O cara escrevia em quardanapos e folhas de pão em meio a porres homéricos de cerveja ou chopp como queiram. E jogava fora ao lixo aquilo que considerava imperfeito segundo o seu humor.
Escrevia espontaneamente e achava o resultado ruim. Se voc~e conhece alguém assim, vá aprendendo a se surpreender. Há um g~enio habitando esta pobre alma que sobrevive neste grande vale de lágrimas que é o mundo.
Os amigos de Schubert, logo perceberam isto e guardavam os rascunhos. Algumas desta sobras estão aí para o nosso espanto.
Como diz minha querida colega Liana: 64 Lieds. Ufa...
Schubert morreu aos 31 anos, e, agora – esta coincidência, nasceu no mesmo ano em que Haydn compôs o Das Lied des Deutches.
O Hino da Alemanha que vocês escutaram muitos domingos com as vitórias de Michael Schumacher na fórmula 1.
O hino alemão é, na minha opinião, um belo hino.
Tanto ele como o da Inglaterra tem um toque majestoso e espirituoso ao mesmo tempo.
E ambos exigem ou permitem, na minha modesta opinião: belos arranjos vocais.
A Evelyn – esta menina genial que parou de escrever no seu blog, diria que é toda a alma de um povo. Ali te dizendo algo.
A parte legal desta história provém do fato de que as Lieder são as mães da canção moderna, ou seja, o romantismo alemão deu liberdade formal para canções cujos arranjos são realizados sobre uma melodia razoavelmente simples e que tem seus desdobramentos compostos num curto espaço de tempo.
Adoro esta combinação verbal e modal: um curto espaço de tempo.
Mais que uma singela contradição em termos, me parece uma expressão da liberdade criativa.
Uma frase repetida com pequenas e carinhosas variações....ha ha ha...e você sonhando numa busca de um sentimento.....com aquela emoção suscitada pela música.
Uma frase repetida com pequenas e carinhosas variações....ha ha ha...e você sonhando numa busca de um sentimento que voc~e não consegue entender.
Com aquela emoção suscitada suavemente por uma canção, pela música.
O Coral Municipal está cantando um Lied de Schubert: Der Lindenbaum.
Já coloquei aqui no meu Facebook numa bela gravação de Fischer Dieskau e noutra de Thomas Hampson.
Quem gosta de canto e música deveria passar um tempinho comparando as duas.
A suavidade basilar de Fischer e a força do timbre de Thomas.
Como encontrar um ponto entre os dois?
Não sei!
Não preciso saber tudo!
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Lótus, Lembranças e Moranguinhos: Ontem foi um dia legal
Em meio a diversos afazeres e muitas atividades de trabalho e organização fui almoçar num restaurante tailandês que eu não conhecia em São Leopoldo. Eu passava na frente várias vezes e nunca entrava e ontem resolvi entrar. Se você lembrar bem, ontem foi um dia muito frio a ao meio dia estava chuvoso e nada confortável para andar por aí.
Bem eu fui no Lótus e acabei tendo aquelas boas lembranças que sempre me vem a cabeça quando me encontro em situações novas ou experiências boas. Talvez você que está me lendo tenha um mecanismo semelhante ao meu. Frente a uma experiência com bom registro outros bons registros vem à tona.
Sobre o restaurante eu posso dizer que gostei da comida, gostei do ambiente e não achei caro nem excessivo o preço pago pela refeição que fiz.
Também era um dia interessante por outro motivo. Fecharam três meses contínuos de participação no laboratório Coral e no Coral Municipal. Coisa que sempre quiz fazer e nunca fiz. Hoje me ocupa regularmente das 18:00 as 21:30 de todas as terças-feiras. E tive aquela sensação mágica definitiva: vou cantar o resto da minha vida. E nesse caso acho que não tem volta mesmo. Minha respiração está melhor, minha voz está melhor, parei de fumar de novo desde que comecei a cantar e tenho uma sensação por dois dias de muito oxigênio no cérebro. O que me levou a dizer para um colega que vou ter que cantar pelo menos três vezes por semana. Nas terças no ensaio, nas quintas e no sábado. Bem vou ter que ver melhor como preencher estas duas últimas agendas como e onde.
É também a mesma sensação que tive quando morava na casa do estudante e jogava futebol de campo três vezes por semana, faça chuva, faça sol, faça calor ou frio, tenha 30 ou duas pessoas para bater bola, a gente ia lá para o campo e jogava uma, duas e as vezes mais horas contínuas. A tal da endorfina. Bem, talvez o canto coral também gere algo semelhante a uma endorfina. Hoje não jogo futebol mais, por falta de tempo e espaço na agendinha do professor que não é mais estudante, nem desempregado, mas as vezes dá um ímpeto de fazer algo assim.
Mas estou enrolando vocês e acabei não entrando na lembrança.
Bem vou deixar para depois.
A pista é: Vou Cuidar dos Meus Moranguinhos.
Bem eu fui no Lótus e acabei tendo aquelas boas lembranças que sempre me vem a cabeça quando me encontro em situações novas ou experiências boas. Talvez você que está me lendo tenha um mecanismo semelhante ao meu. Frente a uma experiência com bom registro outros bons registros vem à tona.
Sobre o restaurante eu posso dizer que gostei da comida, gostei do ambiente e não achei caro nem excessivo o preço pago pela refeição que fiz.
Também era um dia interessante por outro motivo. Fecharam três meses contínuos de participação no laboratório Coral e no Coral Municipal. Coisa que sempre quiz fazer e nunca fiz. Hoje me ocupa regularmente das 18:00 as 21:30 de todas as terças-feiras. E tive aquela sensação mágica definitiva: vou cantar o resto da minha vida. E nesse caso acho que não tem volta mesmo. Minha respiração está melhor, minha voz está melhor, parei de fumar de novo desde que comecei a cantar e tenho uma sensação por dois dias de muito oxigênio no cérebro. O que me levou a dizer para um colega que vou ter que cantar pelo menos três vezes por semana. Nas terças no ensaio, nas quintas e no sábado. Bem vou ter que ver melhor como preencher estas duas últimas agendas como e onde.
É também a mesma sensação que tive quando morava na casa do estudante e jogava futebol de campo três vezes por semana, faça chuva, faça sol, faça calor ou frio, tenha 30 ou duas pessoas para bater bola, a gente ia lá para o campo e jogava uma, duas e as vezes mais horas contínuas. A tal da endorfina. Bem, talvez o canto coral também gere algo semelhante a uma endorfina. Hoje não jogo futebol mais, por falta de tempo e espaço na agendinha do professor que não é mais estudante, nem desempregado, mas as vezes dá um ímpeto de fazer algo assim.
Mas estou enrolando vocês e acabei não entrando na lembrança.
Bem vou deixar para depois.
A pista é: Vou Cuidar dos Meus Moranguinhos.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América
Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo.
Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.
Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.
Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grande distritos de povo, a menos que abandonassem o direito à representação no Legislativo, direito inestimável para eles temível apenas para os tiranos,
Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, ser conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento às medidas que lhe conviessem.
Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque: opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.
Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.
Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.
Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.
Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.
Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.
Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.
Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.
Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação:
por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;
por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados;
por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo;
pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento;
por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;
por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas;
por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias;
por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;
por suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.
Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós.
Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.
Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.
Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem por suas mãos.
Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.
Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano não está em condições de governar um povo livre. Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável.
Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consangüinidade. Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.
Nós, Por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.
No Congresso em 04 de julho de 1776.
Nota: Tenho muita admiração por este texto. Me parece ser paradigmático e valer em forma e conteúdo como modelo de apresentação de razões. O escritor/relator dele, Thomas Jeferson, tinha extrema habilidade argumentativa e um acurado senso equilíbrio. Espero que meus alunos de política e filosofia política, nas poucas aulas em que trato disto, aproveitem. Na idade moderna a política conquista um espaço de discurso que antes não possuia. Mas é claro que tá cheio de político por aí que mal imagina o quão importante é para a qualidade da política e da democracia o simples dar razões para seus atos e decisões. Alguns falam ainda como parlapatões, sem senso de precisão e rigor argumentativo, sem clareza e muitaa vezes aos volteios retóricos. O texto que trago aqui é um exemplo de discurso ao ponto, no ponto e devidamente afinado.
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo.
Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.
Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.
Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grande distritos de povo, a menos que abandonassem o direito à representação no Legislativo, direito inestimável para eles temível apenas para os tiranos,
Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, ser conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento às medidas que lhe conviessem.
Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque: opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.
Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.
Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.
Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.
Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.
Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.
Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.
Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.
Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação:
por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;
por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados;
por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo;
pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento;
por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;
por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas;
por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias;
por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;
por suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.
Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós.
Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.
Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.
Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem por suas mãos.
Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.
Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano não está em condições de governar um povo livre. Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável.
Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consangüinidade. Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.
Nós, Por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.
No Congresso em 04 de julho de 1776.
Nota: Tenho muita admiração por este texto. Me parece ser paradigmático e valer em forma e conteúdo como modelo de apresentação de razões. O escritor/relator dele, Thomas Jeferson, tinha extrema habilidade argumentativa e um acurado senso equilíbrio. Espero que meus alunos de política e filosofia política, nas poucas aulas em que trato disto, aproveitem. Na idade moderna a política conquista um espaço de discurso que antes não possuia. Mas é claro que tá cheio de político por aí que mal imagina o quão importante é para a qualidade da política e da democracia o simples dar razões para seus atos e decisões. Alguns falam ainda como parlapatões, sem senso de precisão e rigor argumentativo, sem clareza e muitaa vezes aos volteios retóricos. O texto que trago aqui é um exemplo de discurso ao ponto, no ponto e devidamente afinado.
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Declaração da Independência - EUA - 1776
quarta-feira, 22 de junho de 2011
ARTE, ABELHAS E LIBERDADE EM KANT
A rigor dever-se-ia chamar de arte somente a produção mediante liberdade isto é, mediante arbítrio que põe a razão como fundamento dê suas ações. Pois embora agrade denominar o produto das abelhas (os favos de cera construídos regularmente) uma obra de arte, isto contudo ocorre somente devido à analogia com a arte; tão logo nos recordemos que elas não fundam o seu trabalho sobre nenhuma ponderação racional própria, dizemos imediatamente que se trata de um produto de sua natureza (do instinto) e enquanto arte é atribuída somente a seu criador.
Immanuel Kant. Crítica da Faculdade do Juízo. Tradução Valério Rohden e Antônio Marques. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1993, p. 149.
Bela passagem sobre a arte, publicada por Kant em 1790. Trata-se da terceira crítica onde o juízo de gosto é elevado ao grau máximo da racionalidade.
In memoriam ao meu Orientador de Bolsa de Iniciação Científica Dr. Valério Rohden – falecido em 2010.
Immanuel Kant. Crítica da Faculdade do Juízo. Tradução Valério Rohden e Antônio Marques. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1993, p. 149.
Bela passagem sobre a arte, publicada por Kant em 1790. Trata-se da terceira crítica onde o juízo de gosto é elevado ao grau máximo da racionalidade.
In memoriam ao meu Orientador de Bolsa de Iniciação Científica Dr. Valério Rohden – falecido em 2010.
domingo, 19 de junho de 2011
ABRA SUA MENTE: PENSE MAIS
Nunca estou pensando uma coisa só.
Sempre pensando em muitas coisas ao mesmo tempo e houve um tempo que eu me julgava maluco por causa disto. Fazia até segredo do fato de que estava fazendo diversas operações simultâneas na minha mente.
Em meio a discursos então nem se fala. Agora que comecei a cantar tive um consciência mais clara desta experiência. Eu cantando de olhos abertos pensando nas partituras, nas letras, nas notas e trocando com o olhar expressões com o público. Por mais concentrado que eu estivesse notei trocas. Assim, passei a meditar sobre o fato de que o pensar é um fluxo de diversos discursos.
O “discurso silencioso da alma” do amigo Platão, inimigo dos poetas, me fez pensar no sistema de idéias, ou nas constelações de idéias de que falam certos autores. Ora, fica claro que a hermenêutica tenta nos aproximar disto. Um convite para pensar sem as amarras do nosso tempo.
As vezes, pensando, me sinto um músico que escuta a sua composição com todas as notas de um arranjo. Como ao escrever isto agora. Por mais desorganizado que pareça este texto ele traz em si diversas camadas e linhas de raciocínio. Não tenho como derramar aqui toda a polifonia do meu pensamento. Penso na hipermídia, como penso também naquele percentual baixo que usamos da nossa capacidade mental. Einstein deveria ter uma noção disto. Temos a capacidade de dar andamento a paralelas de idéias num fluxo tal em que cada uma delas está no seu ritmo e tom próprio.
Assim, quando te disserem abra sua mente, entenda: pense mais, tenha coragem de pensar mais.
O foco é um exercício, é um começo.
Você deve ultrapassar a idéia enganadora de que só é possível pensar uma coisa só.
Não reprima sua mente.
Se reeduque e se exercite para pensar mais.
Não tenha medo.
Sempre pensando em muitas coisas ao mesmo tempo e houve um tempo que eu me julgava maluco por causa disto. Fazia até segredo do fato de que estava fazendo diversas operações simultâneas na minha mente.
Em meio a discursos então nem se fala. Agora que comecei a cantar tive um consciência mais clara desta experiência. Eu cantando de olhos abertos pensando nas partituras, nas letras, nas notas e trocando com o olhar expressões com o público. Por mais concentrado que eu estivesse notei trocas. Assim, passei a meditar sobre o fato de que o pensar é um fluxo de diversos discursos.
O “discurso silencioso da alma” do amigo Platão, inimigo dos poetas, me fez pensar no sistema de idéias, ou nas constelações de idéias de que falam certos autores. Ora, fica claro que a hermenêutica tenta nos aproximar disto. Um convite para pensar sem as amarras do nosso tempo.
As vezes, pensando, me sinto um músico que escuta a sua composição com todas as notas de um arranjo. Como ao escrever isto agora. Por mais desorganizado que pareça este texto ele traz em si diversas camadas e linhas de raciocínio. Não tenho como derramar aqui toda a polifonia do meu pensamento. Penso na hipermídia, como penso também naquele percentual baixo que usamos da nossa capacidade mental. Einstein deveria ter uma noção disto. Temos a capacidade de dar andamento a paralelas de idéias num fluxo tal em que cada uma delas está no seu ritmo e tom próprio.
Assim, quando te disserem abra sua mente, entenda: pense mais, tenha coragem de pensar mais.
O foco é um exercício, é um começo.
Você deve ultrapassar a idéia enganadora de que só é possível pensar uma coisa só.
Não reprima sua mente.
Se reeduque e se exercite para pensar mais.
Não tenha medo.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
PIBID - APRESENTAÇÃO
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid)
O programa oferece bolsas de iniciação à docência aos alunos de cursos presenciais que se dediquem ao estágio nas escolas públicas e que, quando graduados, se comprometam com o exercício do magistério na rede pública. O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública. Com essa iniciativa, o Pibid faz uma articulação entre a educação superior (por meio das licenciaturas), a escola e os sistemas estaduais e municipais.
A intenção do programa é unir as secretarias estaduais e municipais de educação e as universidades públicas, a favor da melhoria do ensino nas escolas públicas em que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) esteja abaixo da média nacional, de 4,4. Entre as propostas do Pibid está o incentivo à carreira do magistério nas áreas da educação básica com maior carência de professores com formação específica: ciência e matemática de quinta a oitava séries do ensino fundamental e física, química, biologia e matemática para o ensino médio.
Os coordenadores de áreas do conhecimento recebem bolsas mensais de R$ 1,2 mil. Os alunos dos cursos de licenciatura têm direito a bolsa de R$ 350 e os supervisores, que são os professores das disciplinas nas escolas onde os estudantes universitários vão estagiar, recebem bolsa de R$ 600 por mês.
Podem apresentar propostas de projetos de iniciação à docência instituições federais e estaduais de ensino superior, além de institutos federais de educação, ciência e tecnologia com cursos de licenciatura que apresentem avaliação satisfatória no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Os estabelecimentos devem ter firmado convênio ou acordo de cooperação com as redes de educação básica pública dos municípios e dos estados, prevendo a participação dos bolsistas do Pibid em atividades nas escolas públicas.
Palavras-chave: Pibid, bolsa, iniciação à docência, estágio na escola pública
FONTE: http://portal.mec.gov.br
O programa oferece bolsas de iniciação à docência aos alunos de cursos presenciais que se dediquem ao estágio nas escolas públicas e que, quando graduados, se comprometam com o exercício do magistério na rede pública. O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública. Com essa iniciativa, o Pibid faz uma articulação entre a educação superior (por meio das licenciaturas), a escola e os sistemas estaduais e municipais.
A intenção do programa é unir as secretarias estaduais e municipais de educação e as universidades públicas, a favor da melhoria do ensino nas escolas públicas em que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) esteja abaixo da média nacional, de 4,4. Entre as propostas do Pibid está o incentivo à carreira do magistério nas áreas da educação básica com maior carência de professores com formação específica: ciência e matemática de quinta a oitava séries do ensino fundamental e física, química, biologia e matemática para o ensino médio.
Os coordenadores de áreas do conhecimento recebem bolsas mensais de R$ 1,2 mil. Os alunos dos cursos de licenciatura têm direito a bolsa de R$ 350 e os supervisores, que são os professores das disciplinas nas escolas onde os estudantes universitários vão estagiar, recebem bolsa de R$ 600 por mês.
Podem apresentar propostas de projetos de iniciação à docência instituições federais e estaduais de ensino superior, além de institutos federais de educação, ciência e tecnologia com cursos de licenciatura que apresentem avaliação satisfatória no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Os estabelecimentos devem ter firmado convênio ou acordo de cooperação com as redes de educação básica pública dos municípios e dos estados, prevendo a participação dos bolsistas do Pibid em atividades nas escolas públicas.
Palavras-chave: Pibid, bolsa, iniciação à docência, estágio na escola pública
FONTE: http://portal.mec.gov.br
domingo, 5 de junho de 2011
O Problema do Pensamento: NOTA
É grande a tentação de respondermos a pergunta sobre o que é o pensamento com uma definição que o distingue da linguagem e da realidade. Esta tendência está instaurada na tradição filosófica desde muito tempo. E as coisas tem corrido bem com isto. Os setores se mantém distitntos e cabe apenas estabelecer as conexões adequadas e comprováveis. Mas tenho pensado nesta tendência à simplificação da questão do pensamento.
domingo, 8 de maio de 2011
Feliz dia das Mães
Estamos em pleno dia das mães e é um daqueles dias com dimensão comercial que provoca nossa reflexão.
Eu estava pensando que tem feminista que acredita que uma mulher não pode amar. Um exemplo disto aconteceu a menos de dois anos quando completaram-se 100 anos de nascimento de Simone de Beauvoir.
Pois num é que três comentaristas feministas conseguem dar ênfase especial às cartas de amor de Simone e as suas paixões paralelas a Sartre como se significassem uma traição ao ideário feminista construído por ela em sua principal obra O segundo Sexo. Eu fiquei meio aborrecido com isto porque pensei – como em outros diversos casos - joga fora esta gaiola conceitual e vai viver a vida com tudo que tem direito, ora bolas.
Temos que desejar um feliz dia das mães para as mulheres que gostam de ser mães e que aquelas que não conseguem isto sobrevivam a avalanche cultural e moral deste dia.
E, também, temos que desejar um feliz dia das mães para aqueles que tem mães distantes, desaparecidas ou que sofrem. Digo isto porque as coisas não são tão regulares, estáveis e tranquilas na relação mãe e filhos, filhos e mães.
Muitos sofrem com doenças mentais, depressões e com diversas outras situações como velhice, senilidade e ainda muita coisa que os filhos tem uma dificuldade de admitir ou revelar.
Eu penso aqui naqueles filhos que tem as mães atingidas pela solidão, que estão em asilos e semi solidão. Muitos não conseguem nem falar desta relação.
Assim, por realismo e piedade deveríamos pensar mais num dia como hoje.
O modelo mãe feliz de propaganda de margarina precisa ser abandonado pela mãe real de cada um de nós.
Jesus Cristo, segundo todas as representações e narrativas que recebemos deste evento, chamava ela de mulher, e não há nada de grosseiro nisto, és mulher, minha mãe.
Tenha uma boa vida e seja feliz ao máximo e o quanto puder.
Eu estava pensando que tem feminista que acredita que uma mulher não pode amar. Um exemplo disto aconteceu a menos de dois anos quando completaram-se 100 anos de nascimento de Simone de Beauvoir.
Pois num é que três comentaristas feministas conseguem dar ênfase especial às cartas de amor de Simone e as suas paixões paralelas a Sartre como se significassem uma traição ao ideário feminista construído por ela em sua principal obra O segundo Sexo. Eu fiquei meio aborrecido com isto porque pensei – como em outros diversos casos - joga fora esta gaiola conceitual e vai viver a vida com tudo que tem direito, ora bolas.
Temos que desejar um feliz dia das mães para as mulheres que gostam de ser mães e que aquelas que não conseguem isto sobrevivam a avalanche cultural e moral deste dia.
E, também, temos que desejar um feliz dia das mães para aqueles que tem mães distantes, desaparecidas ou que sofrem. Digo isto porque as coisas não são tão regulares, estáveis e tranquilas na relação mãe e filhos, filhos e mães.
Muitos sofrem com doenças mentais, depressões e com diversas outras situações como velhice, senilidade e ainda muita coisa que os filhos tem uma dificuldade de admitir ou revelar.
Eu penso aqui naqueles filhos que tem as mães atingidas pela solidão, que estão em asilos e semi solidão. Muitos não conseguem nem falar desta relação.
Assim, por realismo e piedade deveríamos pensar mais num dia como hoje.
O modelo mãe feliz de propaganda de margarina precisa ser abandonado pela mãe real de cada um de nós.
Jesus Cristo, segundo todas as representações e narrativas que recebemos deste evento, chamava ela de mulher, e não há nada de grosseiro nisto, és mulher, minha mãe.
Tenha uma boa vida e seja feliz ao máximo e o quanto puder.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
PORQUE NÃO RESPONDO MAIS A CERTAS COISAS OU E-MAILS
Sim, não te respondi e li com atenção tudo que você me disse. Fiquei pensando e tomei certas decisões que são novas para mim que sempre fui dado a responder a tudo que recebo por e-mail.
Nâo posso assumir todas as batalhas do mundo e das pessoas.
Tenho que me esforçar para cada vez mais entender as pessoas e suas motivações eternas ou passageiras.
Eu prefiro as eternas.
Sinceramente.
As passageiras são importantes naquele momento, depois, à medida que nos afastamos delas, consideramos inuteis.
Pensei muito no que alguém me escreveu por e-mail estes dias
e resolvi não responder.
Porque assim como você tem o direito de escrever o que quiser
eu tenho direito de escrever ou não o que eu quiser, e tenho o direito de decidir sobre isto também, pensando mais livremente também.
Não devo responder por tudo que encomoda ou chateia as pessoas.
Somente porque sou amigo delas ou pertenço ao partido x ou y, e nem mesmo por ser do governo ou de parte dele, devo responder a tudo que é jogado na minha cara, nos meus pés ou ouvidos.
Tenho envolvimento muito alto com minhas coisas e responsabilidades. E com minha prória vida também. Afinal, como diz a música, quem me levará sou eu.
Estou me esforçando muito para cuidar bem daquilo que me cabe cuidar bem.
Nem sempre consigo, mas sempre tento.
Isso vale como uma resposta e um gesto de carinho aos meus amigos que esperam de mim respostas para todas as aflições e angustias.
Um grande abraço amigo.
Nâo posso assumir todas as batalhas do mundo e das pessoas.
Tenho que me esforçar para cada vez mais entender as pessoas e suas motivações eternas ou passageiras.
Eu prefiro as eternas.
Sinceramente.
As passageiras são importantes naquele momento, depois, à medida que nos afastamos delas, consideramos inuteis.
Pensei muito no que alguém me escreveu por e-mail estes dias
e resolvi não responder.
Porque assim como você tem o direito de escrever o que quiser
eu tenho direito de escrever ou não o que eu quiser, e tenho o direito de decidir sobre isto também, pensando mais livremente também.
Não devo responder por tudo que encomoda ou chateia as pessoas.
Somente porque sou amigo delas ou pertenço ao partido x ou y, e nem mesmo por ser do governo ou de parte dele, devo responder a tudo que é jogado na minha cara, nos meus pés ou ouvidos.
Tenho envolvimento muito alto com minhas coisas e responsabilidades. E com minha prória vida também. Afinal, como diz a música, quem me levará sou eu.
Estou me esforçando muito para cuidar bem daquilo que me cabe cuidar bem.
Nem sempre consigo, mas sempre tento.
Isso vale como uma resposta e um gesto de carinho aos meus amigos que esperam de mim respostas para todas as aflições e angustias.
Um grande abraço amigo.
domingo, 10 de abril de 2011
A TRAGÉDIA DO REALENGO, ESCOLA ESPECIAL, DESARMAMENTO E DOENÇAS MENTAIS
Esta semana a bruxa esteve solta e atacando gravemente a educação e a sociedade brasileira. Em São Leopoldo mesmo tivemos uma escola fechada por conta de brigas que ameaçavam a paz dos estudantes e educadores desta escola. Falo aqui da Escola Municipal Padre Orestes Stragliotto. Digo a bruxa, porque não quero colocar a culpa em alguém particular, nem adotar o raciocínio simplista de que o problema é da falta de segurança ou falta da proteção da escola e dos cidadãos.
O problema é da sociedade brasileira que precisa tomar atitudes diferentes das que tem tomado em relação a diversos assuntos, entre eles o tema do desarmamento, a relação com a escola dos seus filhos, a forma como tratamos as doenças mentais e a tolerância permissiva, ao meu ver, com discursos religiosos que dividem o mundo entre pecadores e puros, por exemplo, fazendo promessa de salvação.
Para começar li em jornais, vi na televisão, e ouvi no rádio algo sobre três ou quatro eventos tristes nesta semana última semana e assisti e acompanhei, com muito pesar e lamento, os desdobramentos da notícia deste golpe cruel em uma escola especial do Realengo. Este massacre foi terrível. Primeiro, porque as vitimas não tiveram nenhuma alternativa frente à execução premeditada de um psicopata. Segundo, porque acentuou um sentimento que já vaga na sociedade brasileira de que a violência atingiu limites nunca antes vistos. O que gera terror, pânico e muita dor na sociedade.
Me solidarizo com os educadores do Rio de Janeiro e de todo o Brasil que tem sofrido em diversas circunstâncias e peço que sejamos mais fortes do que já temos sido e que a sabedoria nos dê luz para enfrentar estas situações com atenção e muito carinho pelo próximo. E peço que os pais e os alunos tomem uma atitude decisiva também em relação as suas responsabilidades com a escola. A melhor proteção que a escola pode receber é a participação e a atuação de toda a comunidade no seu espaço escolar. A intensificação do relacionamento da comunidade com os trabalhadores em educação pode sim alterar os sinais de violência e aumentar a proteção do espaço escolar e da comunidade.
Nós professores e professoras, educadores e funcionários de escola, entramos todos os dias nas escolas do Brasil e tentamos dar o máximo de nós. Muitas vezes sofremos com insucessos e frustrações e muitas vezes vemos sucessos e belos resultados serem desprezados e tratados como coisa comum.
É preciso dizer que muitos de nós conseguem realizar verdadeiros milagres individuais e coletivos, considerando as dificuldades que enfrentamos e a incompreensão generalizada hoje da responsabilidade dos pais com o ambiente escolar.
Mas também precisamos aprender todos os dias a conviver com a falha e as frustrações. E algumas destas frustrações são as vezes grandes e trágicas como esta. Me coloco no lugar das ex-professoras deste jovem que massacrou os alunos, devem estar arrasadas e se sentindo culpadas e vão passar muito tempo de suas vidas convivendo com a dor, o luto e a culpa. Uma culpa que não é delas, mas que dará muito trabalho para ser extraída do coração e da consciência delas. Será difícil para elas escapar da encruzilhada imposta entre o poder que elas tem de educar e humanizar e os descaminhos que se deram com este jovem que o levaram insanamente a esta tragédia.
Por isto um dia escrevi que vamos levando e aprendendo a desistir de desistir durante toda a nossa carreira. Porque é uma processo de resistência contínua em que mantemos a esperança nos resultados do nosso trabalho e superamos as frustrações e eventualmente os golpes duros que sofremos ao longo da nossa carreira.
Temos quase todos os educadores conhecimento do fato de que muitos desistem ao longo desta jornada e, muitas vezes, bem no começo dela. Já vi casos de desistência no estágio, após a primeira observação de sala de aula, na primeira semana de exercício profissional e alguns desistem, mas ficam. O que é uma pena porque ficam desolados e sofrendo durante esta permanência. Não há como culpar ou condenar alguém por não ter tolerância a certas frustrações, ambientes, situações e acabar por desitir no enfrentamento destas. Aqui tratamos de algo relacionado àquelas habilidades que não são igualmente distribuídas entre os homens tal como inteligência emocional ou resiliência “a capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente as adversidades”.
Mas quero aqui dizer que todos aqueles que não desistem merecem todo o nosso respeito e admiração. E em momentos como estes precisam ser apoiados e reforçados por conta do que as tarefas que se colocam para eles agora, em especial, aos educadores da Escola do Realengo, são superiores aquilo que todos nós estávamos preparados. O luto e a dor são duas delas que nos desafiam mais. E que aqueles que suportam esta dor, ao seu modo, saberão continuar educando e aprendendo a fazer mais humanidade e mais vida no Brasil.
Este terrível evento é tão grave que encobre a vitória da luta pela valorização profissional ontem no Supremo Tribunal Federal em sentença sobre o Piso Salarial Nacional, mesmo vencendo a luta legal pelo piso salarial profissional, mal podemos comemorar esta vitória pois que sobreveio um golpe em toda a educação brasileira.
A coincidência é que eu iniciei a semana com uma reunião sobre educação especial e/ou educação inclusiva. Se você ainda não sabe o que significa isto te direi. É chamada de educação especial aquele regime educacional que trata somente de alunos com necessidades educacionais especiais. E é chamada de educação inclusiva aquela que inclui os alunos portadores de deficiências, necessidades especiais, sejam estas genéticas ou adquiridas, na escola regular. Devemos anotar aqui que alguns alunos e alunas tem necessidades especiais que não são atendidas na escola regular por conta da escala ou nível de prejuízo, motor, cognitivo ou mental de que são portadores.
Tenho discutido muito o tema da deficiência nos últimos sete anos desde que iniciamos a gestão na educação municipal em 2005 e, mesmo antes, no processo de discussão do programa de governo local. Um dos desafios colocados a mesa foi a escola de surdos e outro o tema da acessibilidade aos alunos cadeirantes. Mas estes são os problemas mais visíveis. Ficam menos visíveis todas as outras deficiências mais singulares e menos generalizadas entre os alunos da rede municipal e estadual. Confesso que sempre enfrentamos este tema com dificuldade, e que, aliás, qualquer um que enfrentá-lo terá dificuldades sérias, porquanto, sanando a acessibilidade subsiste também os outros temas que requerem especialização pedagógica para servidores em geral, supervisores, orientadores e educadores nas escolas.
Também me preocupo tanto com a manutenção das escolas especiais para os casos que requerem um cuidado e atenção em escala mais especializada, como quanto ao fato de que precisamos dar maior atenção para alternativas nas escolas regulares. Ou seja, é preciso criar suporte e generalizar certos conhecimentos sobre estas condições especiais ou de deficiência. Você não trata alguém de acordo com a sua singularidade se não reconhecer esta singularidade. Neste sentido, é importante aos educadores terem o conhecimento de laudos e de procedimentos alternativos e métodos alternativos adequados a cada condição. E entre estes métodos alternativos garantir atividades especializadas e adaptadas a estas condições que dêem conta delas.
Por exemplo: viabilizar atividades em contra-turno para os deficientes de inclusão e também envolver mais a família com o processo escolar destes alunos. Devemos incluir aí a perspectiva de contribuir para a inclusão também dos pais em outras etapas e suas etapas próprias de aprendizagem. A inclusão sempre é um tema que se bem respondido, ajuda a escola normal a dar conta de suas tarefas com maior humanização e com ganhos sociais relevantes.
Quanto ao tema das doenças mentais, às psicoses e outras manias, temos que refletir seriamente em que sentido estamos dando atenção adequada a isto. Não creio ser razoável dizer de que porque os serviços são disponíveis, basta aos doentes, parentes ou pacientes procurá-los. Creio que estamos num ambiente de laissez-faire no que toca a doenças mentais e o resultado disto é somente uma parcela inteira da população portadora de alguma forma de sofrimento mental desassistida e sem nenhum acompanhamento especializado. Isto não pode continuar assim.
Quanto a outro tema que sobressai desta tragédia, a questão do desarmamento quero terminar falando do que li e ouvi nos desdobramentos.
Veja-se Eduardo Valdoski no twitter: "A tragédia no Rio deve ser faturada na conta de quem foi contra o desarmamento no plebiscito de 2005"
Reproduzi no meu feice isto por conta da evidência deste tema para a sociedade. Claro, só fala da segurança pública e do papel do estado em supri-la, mas não relacionam isto a suas atitudes e escolhas políticas no tema.
Quando tem a vez de fazer sua parte votaram sim no plebiscito das armas. Seduzidos por uma apelação absurda de que o cidadão deve ter o direito às suas armas porque se o estado não funciona deve se defender com suas próprias mãos e armas. Ora, para concluir isto aqui mesmo: defender-se de si mesmo, é claro.
O problema é da sociedade brasileira que precisa tomar atitudes diferentes das que tem tomado em relação a diversos assuntos, entre eles o tema do desarmamento, a relação com a escola dos seus filhos, a forma como tratamos as doenças mentais e a tolerância permissiva, ao meu ver, com discursos religiosos que dividem o mundo entre pecadores e puros, por exemplo, fazendo promessa de salvação.
Para começar li em jornais, vi na televisão, e ouvi no rádio algo sobre três ou quatro eventos tristes nesta semana última semana e assisti e acompanhei, com muito pesar e lamento, os desdobramentos da notícia deste golpe cruel em uma escola especial do Realengo. Este massacre foi terrível. Primeiro, porque as vitimas não tiveram nenhuma alternativa frente à execução premeditada de um psicopata. Segundo, porque acentuou um sentimento que já vaga na sociedade brasileira de que a violência atingiu limites nunca antes vistos. O que gera terror, pânico e muita dor na sociedade.
Me solidarizo com os educadores do Rio de Janeiro e de todo o Brasil que tem sofrido em diversas circunstâncias e peço que sejamos mais fortes do que já temos sido e que a sabedoria nos dê luz para enfrentar estas situações com atenção e muito carinho pelo próximo. E peço que os pais e os alunos tomem uma atitude decisiva também em relação as suas responsabilidades com a escola. A melhor proteção que a escola pode receber é a participação e a atuação de toda a comunidade no seu espaço escolar. A intensificação do relacionamento da comunidade com os trabalhadores em educação pode sim alterar os sinais de violência e aumentar a proteção do espaço escolar e da comunidade.
Nós professores e professoras, educadores e funcionários de escola, entramos todos os dias nas escolas do Brasil e tentamos dar o máximo de nós. Muitas vezes sofremos com insucessos e frustrações e muitas vezes vemos sucessos e belos resultados serem desprezados e tratados como coisa comum.
É preciso dizer que muitos de nós conseguem realizar verdadeiros milagres individuais e coletivos, considerando as dificuldades que enfrentamos e a incompreensão generalizada hoje da responsabilidade dos pais com o ambiente escolar.
Mas também precisamos aprender todos os dias a conviver com a falha e as frustrações. E algumas destas frustrações são as vezes grandes e trágicas como esta. Me coloco no lugar das ex-professoras deste jovem que massacrou os alunos, devem estar arrasadas e se sentindo culpadas e vão passar muito tempo de suas vidas convivendo com a dor, o luto e a culpa. Uma culpa que não é delas, mas que dará muito trabalho para ser extraída do coração e da consciência delas. Será difícil para elas escapar da encruzilhada imposta entre o poder que elas tem de educar e humanizar e os descaminhos que se deram com este jovem que o levaram insanamente a esta tragédia.
Por isto um dia escrevi que vamos levando e aprendendo a desistir de desistir durante toda a nossa carreira. Porque é uma processo de resistência contínua em que mantemos a esperança nos resultados do nosso trabalho e superamos as frustrações e eventualmente os golpes duros que sofremos ao longo da nossa carreira.
Temos quase todos os educadores conhecimento do fato de que muitos desistem ao longo desta jornada e, muitas vezes, bem no começo dela. Já vi casos de desistência no estágio, após a primeira observação de sala de aula, na primeira semana de exercício profissional e alguns desistem, mas ficam. O que é uma pena porque ficam desolados e sofrendo durante esta permanência. Não há como culpar ou condenar alguém por não ter tolerância a certas frustrações, ambientes, situações e acabar por desitir no enfrentamento destas. Aqui tratamos de algo relacionado àquelas habilidades que não são igualmente distribuídas entre os homens tal como inteligência emocional ou resiliência “a capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente as adversidades”.
Mas quero aqui dizer que todos aqueles que não desistem merecem todo o nosso respeito e admiração. E em momentos como estes precisam ser apoiados e reforçados por conta do que as tarefas que se colocam para eles agora, em especial, aos educadores da Escola do Realengo, são superiores aquilo que todos nós estávamos preparados. O luto e a dor são duas delas que nos desafiam mais. E que aqueles que suportam esta dor, ao seu modo, saberão continuar educando e aprendendo a fazer mais humanidade e mais vida no Brasil.
Este terrível evento é tão grave que encobre a vitória da luta pela valorização profissional ontem no Supremo Tribunal Federal em sentença sobre o Piso Salarial Nacional, mesmo vencendo a luta legal pelo piso salarial profissional, mal podemos comemorar esta vitória pois que sobreveio um golpe em toda a educação brasileira.
A coincidência é que eu iniciei a semana com uma reunião sobre educação especial e/ou educação inclusiva. Se você ainda não sabe o que significa isto te direi. É chamada de educação especial aquele regime educacional que trata somente de alunos com necessidades educacionais especiais. E é chamada de educação inclusiva aquela que inclui os alunos portadores de deficiências, necessidades especiais, sejam estas genéticas ou adquiridas, na escola regular. Devemos anotar aqui que alguns alunos e alunas tem necessidades especiais que não são atendidas na escola regular por conta da escala ou nível de prejuízo, motor, cognitivo ou mental de que são portadores.
Tenho discutido muito o tema da deficiência nos últimos sete anos desde que iniciamos a gestão na educação municipal em 2005 e, mesmo antes, no processo de discussão do programa de governo local. Um dos desafios colocados a mesa foi a escola de surdos e outro o tema da acessibilidade aos alunos cadeirantes. Mas estes são os problemas mais visíveis. Ficam menos visíveis todas as outras deficiências mais singulares e menos generalizadas entre os alunos da rede municipal e estadual. Confesso que sempre enfrentamos este tema com dificuldade, e que, aliás, qualquer um que enfrentá-lo terá dificuldades sérias, porquanto, sanando a acessibilidade subsiste também os outros temas que requerem especialização pedagógica para servidores em geral, supervisores, orientadores e educadores nas escolas.
Também me preocupo tanto com a manutenção das escolas especiais para os casos que requerem um cuidado e atenção em escala mais especializada, como quanto ao fato de que precisamos dar maior atenção para alternativas nas escolas regulares. Ou seja, é preciso criar suporte e generalizar certos conhecimentos sobre estas condições especiais ou de deficiência. Você não trata alguém de acordo com a sua singularidade se não reconhecer esta singularidade. Neste sentido, é importante aos educadores terem o conhecimento de laudos e de procedimentos alternativos e métodos alternativos adequados a cada condição. E entre estes métodos alternativos garantir atividades especializadas e adaptadas a estas condições que dêem conta delas.
Por exemplo: viabilizar atividades em contra-turno para os deficientes de inclusão e também envolver mais a família com o processo escolar destes alunos. Devemos incluir aí a perspectiva de contribuir para a inclusão também dos pais em outras etapas e suas etapas próprias de aprendizagem. A inclusão sempre é um tema que se bem respondido, ajuda a escola normal a dar conta de suas tarefas com maior humanização e com ganhos sociais relevantes.
Quanto ao tema das doenças mentais, às psicoses e outras manias, temos que refletir seriamente em que sentido estamos dando atenção adequada a isto. Não creio ser razoável dizer de que porque os serviços são disponíveis, basta aos doentes, parentes ou pacientes procurá-los. Creio que estamos num ambiente de laissez-faire no que toca a doenças mentais e o resultado disto é somente uma parcela inteira da população portadora de alguma forma de sofrimento mental desassistida e sem nenhum acompanhamento especializado. Isto não pode continuar assim.
Quanto a outro tema que sobressai desta tragédia, a questão do desarmamento quero terminar falando do que li e ouvi nos desdobramentos.
Veja-se Eduardo Valdoski no twitter: "A tragédia no Rio deve ser faturada na conta de quem foi contra o desarmamento no plebiscito de 2005"
Reproduzi no meu feice isto por conta da evidência deste tema para a sociedade. Claro, só fala da segurança pública e do papel do estado em supri-la, mas não relacionam isto a suas atitudes e escolhas políticas no tema.
Quando tem a vez de fazer sua parte votaram sim no plebiscito das armas. Seduzidos por uma apelação absurda de que o cidadão deve ter o direito às suas armas porque se o estado não funciona deve se defender com suas próprias mãos e armas. Ora, para concluir isto aqui mesmo: defender-se de si mesmo, é claro.
domingo, 3 de abril de 2011
BERRY NO TEATRO MUNICIPAL DE SÃO LEOPOLDO
O Show foi excelente. De Sábado no Teatro Municipal do Centro Cultural José Pedro Boéssio em São Leopoldo ficará uma marca indelével nas consciências dos que aceitaram os convites, leram o jornal ou ficaram sabendo do show. Noto que o pessoal precisa estar mais ligado e atento, pois São Leopoldo tem tido verdadeiros espetáculos nos últimos tempos. Com a reabertuira do Teatro Municipal em 2008, São Leopoldo tem palco como poucas cidades tem no Rio Grande do Sul.
A Sra. Berry canta como poucas e suas letras e as melodias são muito bem arranjadas. Hoje é em Caxias e espero que o povo de Caxias aproveite, porque é algo maravilhoso poder assistir ao vivo uma cantora como esta.
Nas palavras de Messier Jacques (Diretor da ALiança Francesa de Porto Alegre) ela representa o renascimento da canção francesa. E quem assistiu ao show teve a certeza de que a canção francesa está em boas mãos e terá ainda uma vida longa pela frente.
A voz dela não fica devendo para a voz de nenhuma diva francesa, ou alemã ou brasileira. A impressão que tive é de ter assitido uma cantora realmente de nivel superior. Fiquei pensando o que ela seria capaz de fazer com uma coleção de bossa nova. Também, pensei nas pontes possíveis com Totonho Villeroy, Nei Lisboa (por afinidade melódica ao meu ver) e Vitor Ramil ( em especial as composições do disco Tango), seria um luxo só e traria com certeza um belo resultado.
E o público vibrou ardentemente com as canções dela. A casa estava em 80% de sua lotação. Ao final o Rodrigo do Rally de Comunicação da ONG Trilha Cidadã foi tomar um depoimento dela nos bastidores. O rapaz ficou emocionadísssimo, pensei que ia ter que chamar o SAMU. E ela foi bem atenciosa na tomada do depoimento. Deste depoimento, entre outras coisas, ficou uma impressão dela sobre o Brasi.
Segundo Berry: No Brasil tudo é mais. As pessoas são mais carinhosas. As pessoas dão abraços. Tem mais paixão. Tudo é mais. Daí ela listou também mais paixão, mais violência, mais emoção, mais amor, mais carinho rsss. É uma Sra. impressão esta.
E teve também aquele fã entregando um buquê de rosas para a diva no momento certo de uma certa canção. Foi um momento lindo. Bem, com certeza quem assistiu teve um razoável privilégio mesmo. Espero muito que ela volte e não vejo a hora de comprar um ou dois CDs dela. Ela convence mesmo.
A Sra. Berry canta como poucas e suas letras e as melodias são muito bem arranjadas. Hoje é em Caxias e espero que o povo de Caxias aproveite, porque é algo maravilhoso poder assistir ao vivo uma cantora como esta.
Nas palavras de Messier Jacques (Diretor da ALiança Francesa de Porto Alegre) ela representa o renascimento da canção francesa. E quem assistiu ao show teve a certeza de que a canção francesa está em boas mãos e terá ainda uma vida longa pela frente.
A voz dela não fica devendo para a voz de nenhuma diva francesa, ou alemã ou brasileira. A impressão que tive é de ter assitido uma cantora realmente de nivel superior. Fiquei pensando o que ela seria capaz de fazer com uma coleção de bossa nova. Também, pensei nas pontes possíveis com Totonho Villeroy, Nei Lisboa (por afinidade melódica ao meu ver) e Vitor Ramil ( em especial as composições do disco Tango), seria um luxo só e traria com certeza um belo resultado.
E o público vibrou ardentemente com as canções dela. A casa estava em 80% de sua lotação. Ao final o Rodrigo do Rally de Comunicação da ONG Trilha Cidadã foi tomar um depoimento dela nos bastidores. O rapaz ficou emocionadísssimo, pensei que ia ter que chamar o SAMU. E ela foi bem atenciosa na tomada do depoimento. Deste depoimento, entre outras coisas, ficou uma impressão dela sobre o Brasi.
Segundo Berry: No Brasil tudo é mais. As pessoas são mais carinhosas. As pessoas dão abraços. Tem mais paixão. Tudo é mais. Daí ela listou também mais paixão, mais violência, mais emoção, mais amor, mais carinho rsss. É uma Sra. impressão esta.
E teve também aquele fã entregando um buquê de rosas para a diva no momento certo de uma certa canção. Foi um momento lindo. Bem, com certeza quem assistiu teve um razoável privilégio mesmo. Espero muito que ela volte e não vejo a hora de comprar um ou dois CDs dela. Ela convence mesmo.
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Berry - São Leopoldo 2 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
FILOSOFIA, PENSAMENTO, SOCIOLOGIA E NOSSAS MISÉRIAS
Na pergunta guia da aula de ontem: O que é uma idéia?
uma imagem, a forma de algo, uma construção mental, o pensamento? Há um desacordo aqui. Um desacordo que não se expressa como detalhe. A pergunta se transforma no que você está pensando agora?
Cada aluno lê a pergunta a partir de uma perspectiva não elaborada.
Então quer dizer que você nunca parou para pensar nisto?
Mas o que anda acontecendo com a gente afinal?
Renunciamos ao pensamento?
Cada vez que abordo uma questão como esta me dou conta da medida da grandiosidade da pergunta de Heidegger.
Ele chegou até ela se dando conta de que paramos de pensar.
A metafísica ocidental se afastou do pensamento. Se afastou da questão do pensamento. A questão do ser.
Semana passada teve uma reunião na escola. Estávamos discutindo o texto do PPP. O Projeto Político-Pedagógico. E voltou a baila a questão de porque a filosofia da escola não exibe logo a sua aplicação e não tanta teoria, ou abstração ou idéias. Me dei conta de algo semelhante aqui: As pessoas não gostam e não se dedicam ao esforço do pensamento. É muito desgastante, obtuso, retórico e etc.
Mas pô o pensamento é justamente aquilo que deveria propor os princípios, valores e critérios fundamentais da escola. Bem, elas só querem as orientações práticas. Entendemos este impulso como afastamento do pensamento. Mas prá que servem as orientações práticas se você não sabe de onde vai e para onde quer ir?
As pessoas não fazem isto por mal. Não é justo chamá-las de ignorantes ou mediocres. Elas se comportam aqui como a manada, renunciam ao pensamento e quando precisam pensar compram um pensamento pronto para botar naquele lugar em que o pensamento é exigido. Vai lá e copia o PPP pronto de outra escola. É mais fácil e nos afasta de contradições e de nossos problemas fundamentais.
É um hábito que tem origem nos hábitos da nossa elite. E que a nossa elite tenta passar com discurso altissonante para o povo. Afinal para que aprender filosofia ou sociologia? Você não precisa pensar precisa produzir. Você precisa se ocupar com coisas práticas para sobreviver. Vá trabalhar e para de pensar bobagens.
Um exemplo das aulas de sociologia. Passada a introdução a gente dá uma "paradinha" em Augusto Comte. Você se surpreende com o fato de que Comte foi capaz de expressar a necessidade de uma ciência da sociedade e, no entanto, a ciência da sociedade hoje praticamente prescinde de Comte. Nada mal. O pensamento de Comte nos resta como Doutrina: o Positivismo.
Positivismo este inscrito na nossa bandeira "Ordem e Progresso". Valem aqui duas críticas. A primeira da recepção e importação de idéias de fora, como se incapazes de pensar o social com nossos conceitos sociais. E isto foi feito por uma elite ilustrada do beletrismo. Aliás elite esta que representava o pensamento, haja visto que ao povo do século XIX não cabia as tarefas do pensamento.
DE outra banda a crítica ao mérito da idéia de que a ordem é garantia de progresso. Diria um filósofo indigena: Ordem de quem cara pálida? Progresso para quem cara pálida?
Continuo depois....
uma imagem, a forma de algo, uma construção mental, o pensamento? Há um desacordo aqui. Um desacordo que não se expressa como detalhe. A pergunta se transforma no que você está pensando agora?
Cada aluno lê a pergunta a partir de uma perspectiva não elaborada.
Então quer dizer que você nunca parou para pensar nisto?
Mas o que anda acontecendo com a gente afinal?
Renunciamos ao pensamento?
Cada vez que abordo uma questão como esta me dou conta da medida da grandiosidade da pergunta de Heidegger.
Ele chegou até ela se dando conta de que paramos de pensar.
A metafísica ocidental se afastou do pensamento. Se afastou da questão do pensamento. A questão do ser.
Semana passada teve uma reunião na escola. Estávamos discutindo o texto do PPP. O Projeto Político-Pedagógico. E voltou a baila a questão de porque a filosofia da escola não exibe logo a sua aplicação e não tanta teoria, ou abstração ou idéias. Me dei conta de algo semelhante aqui: As pessoas não gostam e não se dedicam ao esforço do pensamento. É muito desgastante, obtuso, retórico e etc.
Mas pô o pensamento é justamente aquilo que deveria propor os princípios, valores e critérios fundamentais da escola. Bem, elas só querem as orientações práticas. Entendemos este impulso como afastamento do pensamento. Mas prá que servem as orientações práticas se você não sabe de onde vai e para onde quer ir?
As pessoas não fazem isto por mal. Não é justo chamá-las de ignorantes ou mediocres. Elas se comportam aqui como a manada, renunciam ao pensamento e quando precisam pensar compram um pensamento pronto para botar naquele lugar em que o pensamento é exigido. Vai lá e copia o PPP pronto de outra escola. É mais fácil e nos afasta de contradições e de nossos problemas fundamentais.
É um hábito que tem origem nos hábitos da nossa elite. E que a nossa elite tenta passar com discurso altissonante para o povo. Afinal para que aprender filosofia ou sociologia? Você não precisa pensar precisa produzir. Você precisa se ocupar com coisas práticas para sobreviver. Vá trabalhar e para de pensar bobagens.
Um exemplo das aulas de sociologia. Passada a introdução a gente dá uma "paradinha" em Augusto Comte. Você se surpreende com o fato de que Comte foi capaz de expressar a necessidade de uma ciência da sociedade e, no entanto, a ciência da sociedade hoje praticamente prescinde de Comte. Nada mal. O pensamento de Comte nos resta como Doutrina: o Positivismo.
Positivismo este inscrito na nossa bandeira "Ordem e Progresso". Valem aqui duas críticas. A primeira da recepção e importação de idéias de fora, como se incapazes de pensar o social com nossos conceitos sociais. E isto foi feito por uma elite ilustrada do beletrismo. Aliás elite esta que representava o pensamento, haja visto que ao povo do século XIX não cabia as tarefas do pensamento.
DE outra banda a crítica ao mérito da idéia de que a ordem é garantia de progresso. Diria um filósofo indigena: Ordem de quem cara pálida? Progresso para quem cara pálida?
Continuo depois....
quarta-feira, 2 de março de 2011
JUH WERCKMEISTER NA GALERIA DO CENTRO CULTURAL JOSÉ PEDRO BOÉSSIO - SÃO LEOPOLDO
Juh Werckmeister é uma artista contemporânea.
Apresenta-nos suas obras que mostram uma transição marcante e bela da costura, da colagem para a pintura.
Os elementos desta transição são linhas, cores, tecidos, volumes, relevos e teias tecidas em obras em que o todo e os detalhes dialogam com os nossos sentidos.
A luz e a sombra abrem um diálogo sutil nesta obra nos mostrando que o olhar e o tato têm, sim, similaridade.
Dá vontade de tocar, mas não toque!
A proposta é fazer, fazer e fazer.
E os feitos e os frutos que hoje conhecemos têm sementes muito férteis, pois transbordam deles uma vontade de totalidade, uma busca pelo domínio tanto dos materiais quanto das cores e a conseqüência mais bela disto não é tanto a obra, mas o efeito desta obra, desta jovem autora sobre nós.
Vamos somente olhar e quem sabe descobrir a ligação entre as nossas palavras, aqui apresentadas, e as coisas.
Apresenta-nos suas obras que mostram uma transição marcante e bela da costura, da colagem para a pintura.
Os elementos desta transição são linhas, cores, tecidos, volumes, relevos e teias tecidas em obras em que o todo e os detalhes dialogam com os nossos sentidos.
A luz e a sombra abrem um diálogo sutil nesta obra nos mostrando que o olhar e o tato têm, sim, similaridade.
Dá vontade de tocar, mas não toque!
A proposta é fazer, fazer e fazer.
E os feitos e os frutos que hoje conhecemos têm sementes muito férteis, pois transbordam deles uma vontade de totalidade, uma busca pelo domínio tanto dos materiais quanto das cores e a conseqüência mais bela disto não é tanto a obra, mas o efeito desta obra, desta jovem autora sobre nós.
Vamos somente olhar e quem sabe descobrir a ligação entre as nossas palavras, aqui apresentadas, e as coisas.
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