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domingo, 5 de julho de 2015

O LIVRO DE ELI E O SOL QUE NOS GUIA

No filme - para mim maravilhoso - O Livro de Eli, com Eli (Denzel Washington) e Solara (Mila Kunis) fazendo uma dupla de sobreviventes, mestre e discípula, pai e filha, mas também um homem e uma mulher, a primeira Bíblia a ser impressa após o apocalipse e o colapso da civilização. Esta Bíblia que foi toda memorizada de uma versão em braile por um cego cuja sensibilidade mais que aguçada alimentou uma fé que o guia para o Oeste por mais de trinta anos palavra por palavra, passo a passo do seu caminho em um mundo vil, cruel e perverso.

A imagem solar é como uma luz vidente ao fundo, em meio ao deserto há uma luz que nos cega e que nos guia. E tanto o nome de Eli (Hélios) quanto Solara (de Solar) evocam esta imagem de uma luz presente e que guia, em meio a tantas trevas, os passos dos sobreviventes de um apocalipse, de um sol perverso que desceu a terra em uma guerra nuclear.  

E é a bíblia do rei James, cuja primeira impressão de 1611, marca a divulgação em língua inglesa das escrituras – correspondendo ao feito de Lutero ao traduzir do latim para o alemão a Bíblia. Esta Bíblia do Rei James que acaba de completar 400 anos.

Neste mundo é e continuará sendo precisão muita fé (luz) e firmeza (na linguagem) para sobreviver com o que se sabe e o que não se consegue saber, aceitar ou perceber. Para sobreviver em meio as crenças perdidas e às crenças na perdição. E ainda precisamos de mais tolerância e muita compreensão para conseguir criar um novo mundo em que o excesso de bens materiais não ultrapasse a necessidade e o aceitável.

O buraco da agulha continua do mesmo tamanho que tinha no primeiro século e a possibilidade de paz social ainda exige bem mais do que migalhas, esmolas e moedas. Salve o povo grego, salve todos aqueles que se negam a usura e que já entenderam a necessidade ainda a mesma de Justiça na República. Platão não estava errado contra a ganância, os desejos e ambições de poucos sobre os muitos e as multidões.


A tragédia não é produto de uma catarse coletiva, mas sim de ações individuais e escolhas mesquinhas...enquanto não aprendemos a compartilhar viveremos à margem do fim....

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