segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

VENDO BIG SUR - EM ETAPAS (3) - CONVERSA COM CÂNDIDO

Meu amigo Cândido me diz que “big sur é muito triste!”.
Eu digo: sim, é a descida da montanha.

Eu digo que não li o livro , mas que pelo que vi Jack Kerouac entra em uma depressão total. É muito triste isso, é demais mesmo, ele me dix ainda que é “de chorar mesmo”.

Assisti até agora e tudo que vi me mostra que é muito bem filmado. Nossa é bem melhor em muitos aspectos que on the Road. É um filme mais silente, mas tem uma voz de Jack ao fundo. Pelo que verei na seqüência vai terminar bem triste mesmo.

Me dei conta de algo que me parece tocar o Jack para dentro desta tristeza toda. E exclamo para mim mesmo: “vou cuidar desta tristeza”. Porque me ficou uma impressão que ele passou por coisas que todos nós passamos da adolescência à vida adulta.

Quando digo todos nós aqui, falo de um certo tipo de jovens libertários como nós, pois que os caretas não passam por isso, porque não amam desta forma maluca da gente, ninguém. E ser libertário não significa ser mais junkie ou menos, ser promiscuo ou não. 

Significa andar da forma mais libre neste mundo, sem arreios e sem coleiros, sem relógios e sem destino definido. Suas relações não são tão apaixonadas assim. Me parece isso sim. Uma coisa burguesa sei lá. Posso até estar errado.  Nem seus amigos, nem seus irmãos e nem mulheres ou seus velhos são amados da forma como nós malucos amamos. Posso até estar errado e gostaria muito de estar. Goistaria que isso fosse um preconecito meu. Só isso. 

Então essa dor dele, essa depressão de Jack deve ser muito isso. Ele devia sentir e pensar “poxa sofro muito com isso e não consigo achar o botão de desliga nisso”.

Mas a vida é meio isso e a gente não quer envelhecer nem ser solitário na real. A gente quer toda a excitação, todas as aventuras e a graça presentes sempre. Pensamos nisso sem parar a medida que os anos passam. Sem parar...

É um lance de alma. Parece a nossa boa estrela que vai nos machucando com o tempo.

O `Pedro disse que você tinha boa estrela na época da casa do estudante. E voc~e lembrou disso logo agora...

E a gente pensou junto “nunca entendi muito aquilo, mas sei o que ele quis dizer” com esta boa estrela.

E ele era quase um personagem de On the Road.

Na casa do estudante nós todos ali éramos meio personagens de On the Road, na real.

Nós que andávamos de carona e tínhamos mochilas e não aquelas malas ou bolsas de viagem como os outros. 

Éramos personagens interpretando à nós mesmos, nossas vidas mesmo.

Bem na real eu tava mais para um coitado. Olha isso, é bom pensar que a gente era muito de verdade e muito frágeis na real. Nossa hoje vejo isso claramente. Era um jovem de 25 anos. Um jovem de 25 anos nunca é adulto cara. A gente é uma gurizada, só isso. Não éramos homens ainda, no sentido que somos hoje. E com meus 48 chegando nos 49 na outra semana.


Com é que pode isso? 25 anos passarem correndo pela frente do meu nariz. Bem, vou lá tocar Whole Lotta Love... 

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