terça-feira, 10 de dezembro de 2013

FRIEDRICH NIETZSCHE - VONTADE DE PODER - FRAGMENTO 1066 - ITEM 5

"Se o mundo pode ser pensado como grandeza determinada de força e como número determinado de centros de força — e toda outra representação permanece indeterminada e, consequentemente, inutilizável—, segue-se disso que ele há de perfazer um número de combinações seriais no grande jogo de dados da sua existência. Em um tempo infinito, cada combinação possível haveria de ser alcançada em qualquer altura por uma vez; mais ainda: ela haveria de ser alcançada infinitas vezes. E então, entre cada "combinação” e seu próximo “retorno”, todas as combinações possíveis haveriam de ter decorrido, e cada uma dessas combinações condiciona toda a seqüência das combinações na mesma série, e assim seria, com isso, provado um circuito de séries absolutamente idênticas: o mundo como circuito que já se repetiu com infinita freqüência e que joga seu jogo in infinitum. — Essa concepção não é, sem mais, uma concepção mecanicista: pois se ela fosse tal, então não condicionaria um infinito retorno de casos idênticos, mas sim um estado final. Porque o mundo não alcançou esse estado, o mecanicismo há de valer, para nós, como uma hipótese incompleta e somente provisória."

(Quem conhece a obra sabe exatamente o que estou a fazer - substitui na tradução "combinações computáveis" por "combinações seriais" para não gerar confusões apressadas e induções indevidas. A hipótese de força como única representável é muito interessante. Nietzsche pensa ai no mundo e nas suas séries de possibilidades e no eterno retorno. É uma teoria fascinante do ponto de vista lógico e matemático e, também, admirável metafisicamente. Me lembra muito as idéias de Leibniz, Pascal, Spinoza e Platão sobre o mundo e sua totalidade. O que precisa ser melhor apurado e apreciado também. GOOD NIGHT!!!)

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