Tomei um anti-ácido estes
dias...quer dizer: batizei um mantra da humildade de anti-ácido estes dias e
fiquei pensando em tudo que vejo, leio e escuto nesta vida...com uma ênfase
especial nos últimos anos em que tenho - digamos assim ou assado - andado por aqui
– na internet, encontrado e reencontrado muitos amigos, muitos conhecidos e velhos
conhecidos e outras coisas parecidas ou semelhantes e dessemelhantes...e tenho
uma firme impressão que nunca tinha imaginado que tudo isso seria possível...ou
seja, jamais imaginei em minhas diversas especulações de jovem que seria possível
esta forma de contato....sou do tempo das cartas, das visitas, dos recados
enviados por amigos comuns e em que a gente só sabia o que estava acontecendo
com as outras pessoas em suas vidas ou pelo telefone, ou por jornais ou por
comentários de terceiros...e vejam só...nossas relações são hoje instantâneas, simultâneas
e também, mais momentâneas que antes, mas me parece e tenho a firme impressão
que hoje conhecemos muito mais uns aos outros de um ponto de vista cultural, político
e ideológico e existencial hoje do que antes....digo isso porque milhões de
diálogos e perguntas e informações foram substituídas por postagens
recíprocas...as afinidades e as diferenças são bem mais nítidas....e apesar dos
desentendimentos e bloqueios e afastamentos, está sendo e é até legal...Uma coisa me parece
absolutamente certa: FALTA AMOR MESMO NESTA JOGADA e falta também
DISCERNIMENTO...(morri de rir porque o Sakamoto em pleno coincidência espiritual postou um MEME neste sábado com os seguintes dizeres: FALTA AMOR NESTE MUNDO, MAS FALTA TAMBÉM INTERPRETAÇÃO DE TEXTO...e este meu texto é de sexta-feira, o Meme agora sumiu do Facebook, nem entendi bem porque...mas tá bom) porque sem estas duas coisas não há mesmo motivo algum para
dizer que isso ou aquilo é melhor ou pior...e a partir disso Cara, vou começar
a olhar para o outro lado, vou começar a dar uma priorizada nesta minha lista
das pessoas legais....e na minha lista das coisas mais legais....como nada
disso pode acontecer com o lixo da cidade, a mentira campeando e a baixaria
rolando...vou continuar brigando um pouquinho por coisas melhores...se andei me
levando a sério demais ou não...bem...esta é uma questão de perspectiva somente
e a minha é a que me interessa...além daquela das pessoas que eu amo e que me
amam...
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
domingo, 9 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
SOBRE A USSA E A GIANE - PARA QUEM GOSTA DE ANIMAIS E DE GENTE
Eu sinto muito por ti e pela Ussa
que partiu, e quero te dizer mais alguma coisa de novo sobre isto e esta tua relação
e a nossa com estes bichinhos. Se não me engano tentei te consolar também
quando a Manchinha foi ao céu dos gatos e espero acalentar teu coração e do Drégus
com isto também.
Minha querida e estimada amiga Giane,
desde que te conheço você é assim: apaixonada por gatos e gatas. E por conta
disto tens teus gatos e gatas e trabalha muito bem, inclusive, fazendo retratos
destes bichanos, dos seus e dos outros donos e dos sem donos, também, que são
admiráveis, expressivos, que nos emocionam e passam um sentido da graça, da beleza
e da liberdade de espírito destes seres. Vejo também que consegues pegar e
mostrar, nestas fotos, uma bela pitada das características que estes seres no
mostram no cotidiano, em situações informais e em situações de até sedução do
homem ao bicho e do bicho ao homem.
Eu sou um cara que já sofreu
muito por causa de bichinhos e olha que digo isso sem sentir nenhuma ameaça e
nenhum tipo vergonha, ao contrário, tenho orgulho disto porque há nisto algo de
demasiado humano e de demasiado animal e penso até que através deles e do
contato com eles eu me compreendo melhor em minha dimensão instintiva e em alguns
impulsos e atitudes aparentemente meio despropositadas e não muito racionais.
Penso que a gente sabe bem que as crianças e as pessoas em geral podem aprender
muito com estes animais sobre emoções, sentimentos, a importância do carinho e
do afeto, sobre cuidado, sobre interesse em primeiras intenções (que me é algo
bem admirável neles) e também sobre a convivência e a liberdade dos outros
seres serem exatamente como são e do modo que são.
Queria te dizer que muita gente
deve à ti à Ussa, à Manchinha, aos teus demais gatos (penso muito no Goku Tb. Quando
lembro destes teus e nossos queridos ), e à muitos animais uma série de coisas.
Eu tive muitas gatas e gatos também. Gosto de animais, mas também gosto muito
de gente. E tenho o maior respeito por pessoas que gostam muito de animais.
Herdo em meu coração e da minha avó algumas palavras simples e singelas sobre este
gosto por animais e praticamente toda a minha família de ponta a ponta tem
animais de estimação e alguns são inclusive veterinários e outros querem ser. É
até um negócio engraçado isso porque a medida que minha vida avança a cada dia
se intensifica mais a minha relação com os seres humanos como professor e com
os animais como pessoa. E não é por capricho, de certa forma uma coisa vem
trazendo a outra e me vejo hoje num mundo cujos habitantes e minhas relações não
são mais mesmo somente os seres humanos. Isso inclui os pássaros e se eu não me
cuidar toda a fauna e toda flora. E eu vejo a mesma coisa em você e em muitos
outros amigos e amigas. E isto é uma coisa que me dá certa confiança no futuro
da humanidade, inclusive, porque ocorre aí uma espécie de educação de nossa
sensibilidade, tão necessária para se reduzir as guerras, as soluções violentas
e melhorar a vida de todos nós
Eu penso que o mundo é dividido
espacialmente e afetivamente e penso que se houver algum tipo de outro mundo
também deve ser assim, mas eu não tenho a menor dúvida que o melhor espaço deste
mundo, do nosso mundo, do mundo deste seres todos, deve ser mesmo o nosso coração
e que o melhor sentimento é mesmo o afeto, a estima, a graça e a beleza de
poder amar. Assim, minha amiga e meu amigo Dregus guardem nestes espaço todo
amor e todo carinho pela Ussa e saibam que se houver um outro mundo este
sentimento vai se realizar lá também.
Nunca se arrependam de amar, nunca
fiquem tristes por serem amados e continuem amando porque é esta mesmo a melhor
experiência e o maior privilégio que
temos nesta nossa vida.
Um grande abraço amigo!
SOBRE A PALESTINA
Sou radicalmente contrário a qualquer forma de violência...não sou antissemitista e nem tenho uma abordagem parcial da realidade...aliás, inclusive, tenho conhecimento de organizações Judaicas que são contrárias ao que é feito como política de guerra contra os palestinos...e não admito nenhuma forma de desrespeito à dignidade humana nem de ocupação territorial da Palestina....na minha opinião e da maioria dos militantes sociais deste planeta já passou da auto defesa faz tempo as medidas israelenses contra os palestinos...para mim já está no grau de ABUSO E CRIME...contra a HUMANIDADE, para concluir, discordo também da política militar americana e russa mas isto não me torna anti-americano e nem anti-russo...não sou contra o povo de nenhum país deste planeta....mas sou contra as políticas que avançam para o domínio da guerra a partir de pretextos que envolvem exploração, expropriação e dominação dos outros povos....
quarta-feira, 5 de março de 2014
LOS ROSALES - LORCA - POR LUIS BRASIL
En un rincón, junto a una fuente, se deshace una estatua de Apolo, que
aterida de frío se tapa entre los rosales...
MAS QUE ABSURDO ISSO
Bom Dia...amanheci pensando em categorias filosóficas carregadas de metafísica e às voltas com ideias carregadas de sentido afetivo e de esperança....prometo que da próxima vez que eu me meter com o INDETERMINADO e a LIBERDADE vou tentar ser mais claro ainda...e nesta curta semana de aulas vamos ver como SURGIU A FILOSOFIA....e o que nos fez pensar tão diferente e tão estranhamente....enfim como começou este vírus contagioso e incurável de pensar contra a tradição, a autoridade - e a única razão para ir contra a autoridade e a tradição é porque elas não são capazes de responder a certas perguntas e não dão razões - e como se faz isso e se continua andando sobre o mundo...uma forma de fazer isto fácil hoje é ser cientista...a mais difícil é repousar no filosofar...porque quando a filosofia vira tradição, tá na hora de mudar de novo...alguém disse que a reflexão filosófica anda esgotada, que não pergunta e nem responde mais a questões importantes, que esta tudo resolvido e que om babado agora é curtir e usar toda a técnica...sei....e quando é que vais me dizer porque começou a acreditar em papai noel de novo? e eu sei que uma mágica aqui e uma ciência ali não faz mal nenhum...que dá para ir levando...mas eu gosto de pensar, pensar um pouco mais sem ter medo algum de procurar novas razões, novos sentidos e novas formas de compreensão que me ajudem a viver...Com certeza você não há de me dizer que está tudo bem assim...e você sabe mais onde aperta seu próprio sapato do que mesmo...onde o sufoco se torna insuportável...quando te bate aquele sentimento de inconformidade, desconforto e inadequação....o que você faz?...grita a plenos pulmões como o poeta russo?...visita o terapeuta e procura uma gota de paciência diária?...respira fundo e começa a correr?...liga um cigarro e sobrecarrega teu sangue de um montão de pneus de nicotina?...bate com a cabeça na parede?...bota a culpa no mundo e nos outros de tua infelicidade?...inventa uma nova desculpa para persistir no erro?...afoga tuas mágoas numa garrafa?...procura a amizade silente de um cão engarrafado?...vai para Sbornia visitar o bordel mais caro?...liga a guitarra a todo volume e espera uma transformação do mundo?...viaja à custos módicos a procura do nada?...abre um livro e não consegue pensar em outra coisa?....compra um presente para sui mesmo?...dedica horas a uma lição de culinária?...vai te embora para Pasárgada?...mergulha no mediterrâneo?...tira fotos de tudo?...brinca de gato e rato consigo mesmo?....assiste um serial killer na tevê?....mas que tal? Como anda a vida?...BOM DIA!!!
terça-feira, 4 de março de 2014
TAROT E OUTRAS ESCOLHAS – AINDA NA DIGRESSÃO SOBRE LIBERDADE E INDETERMINAÇÃO
Ontem no meu ensaio sobre
LIBERDADE E INDETERMINAÇÃO: CONFRONTO DE ESCOLHAS, tratei nele sobre o Tarot apenas de
passagem. Este ensaio de ontem, primeiro, responde de forma liminar e superficial,
desorganizada e pouco analítica e profunda, à certas interrogações que ando
fazendo. Em segundo lugar ele foi provocado pela conjunção na minha tela de
pensamento de idéias sobre um Filme (Onde os fracos não tem vez, 2007, dos
irmãos Coen), um Texto (a crônica Pedras que Rolam, do Menalton Braff), outro Texto (a crônica O FIM,
do Luis Fernando Veríssimo) e, ainda, entrou no samba final uma postagem e
discussão sobre Tarot (do perfil do Renato Janine Ribeiro). Entrou nele também os
meus recorrentes estudos de filosofia grega (Platão, Aristóteles, Tales de
Mileto e Sócrates), onde ando entabulando, revisitando e refletindo sobre
diversas coisas que incluem o surgimento da filosofia, o tema da liberdade e do
destino, da indeterminação e dos acidentes na vida.
Além disso, também o tema da escolha das cartas no Tarot, como uma escolha às cegas, me lembra que em boa parte das artes divinatórias se faz do começo ao fim, escolhas nos búzios, nas cartas, no I Ching e mesmo na astrologia em que o desenho do mapa é posto ao nascer e sofre certa evolução determinada, cuja única variação possível na vida da pessoa é com quem ela se relaciona e onde se relaciona, mas que na astrologia quando é feita uma escolha das palavras e das ênfases de significados por parte do astrólogo também há escolhas que envolvem desde a formação, concepção e metodologia própria do astrólogo até outras escolhas que incidem na interpretação.
Comparei e comparo tudo isto com as nossas escolhas na vida que, como bem disse o professor Renato, são arriscadas também, ao meu ver, porque expressam e realizam nossa liberdade em confronto com o indeterminado.
Além disso, também o tema da escolha das cartas no Tarot, como uma escolha às cegas, me lembra que em boa parte das artes divinatórias se faz do começo ao fim, escolhas nos búzios, nas cartas, no I Ching e mesmo na astrologia em que o desenho do mapa é posto ao nascer e sofre certa evolução determinada, cuja única variação possível na vida da pessoa é com quem ela se relaciona e onde se relaciona, mas que na astrologia quando é feita uma escolha das palavras e das ênfases de significados por parte do astrólogo também há escolhas que envolvem desde a formação, concepção e metodologia própria do astrólogo até outras escolhas que incidem na interpretação.
Comparei e comparo tudo isto com as nossas escolhas na vida que, como bem disse o professor Renato, são arriscadas também, ao meu ver, porque expressam e realizam nossa liberdade em confronto com o indeterminado.
A gente sabe bem porque são
arriscadas. Ora a vida é feita de escolhas e tem sido recorrente até os usos
publicitários disto para atrair estas escolhas de nós, mas algumas escolhas não
são nossas, nem dependem somente de nós. A maioria das escolhas que nos definem
em muito em nossas vidas aliás provém também de elementos externos à nós. Isso
não significa que não escolhemos. Significa que tem mais gente escolhendo e que
tem escolhas que ninguém escolheu, digamos assim.
Assim, nossas escolhas sofrem um
fator indeterminado. Basicamente porque sofrem de efeitos que como muitas
coisas que escapam às ciências exatas ou físicas e às previsibilidades bem e
razoavelmente estabelecidas, se sucedem mesmo assim no mundo. De tal modo que não
há garantia alguma do que vai ser, nem do modo como vai ser e é a vida um tipo
de obra que depende do projeto, mas cujo segredo ou o mistério, o insondável e
o inexplicável, o imponderável e o imprevisível rondam à nossa existência e de
nossas escolhas.
Em resumo, tem uma parte que
depende de nós e tem uma parte que depende dos outros, mas também há uma parte
que parece não depender de ninguém ou que não é deteminável. Chamei isso que
não é deteminável de indeterminado. E
esta última parte da equação do que acontece com a gente nos provoca a pensar
no místico, no divino ou no que fica superior, para além do nosso alcance e que
é tributado como sobrenatural.
Vou me repetir aqui. Então isso
nos mostra que não depende somente de nós, de nossa prudência, maestria,
virtude ou sabedoria, as condições do desfecho ou do que vai ocorrer. E nos
vemos assim com duas dimensões efetivamente decisivas e indecisas. De um lado o
que está ao nosso alcance o que está ao alcance de nossa compreensão (o que
inclui algumas escolhas dos outros) e, do outro lado, o imponderável, o sobrenatural
de Almeida, o que é misterioso e espantoso e que nos surpreende ao longo da
vida (que também pode ser resultado das escolhas dos outros. Nosso mundo de
possibilidades passa a ser cindido por aquilo que podemos fazer e compreender e
aquilo que não depende de nós e que também não conseguimos compreender. E as
vezes aquilo que não depende de nós nos joga em um trecho pelo qual devemos
passar compreendendo com muito esforço. E tal esforço pode nos levar a desistir
de tentar explicar.
Como dizem e reproduzem já a
exaustão por ai: somos responsáveis pelos afetos que conquistamos, somos livres
para escolher, mas depois de escolhermos não escapam as conseqüências, todas elas nos advém à medida exata do seu
tempo e da afinação dos demais instrumentos e personagens da vida. Porém, não
somos tão livres assim como julgamos.
O Tarot entrou nesta conversa por
conta da constatação do filósofo e amigo Renato – e tomo a liberdade de chamar
alguém de amigo não quando o conheço, mas quando guardo certa estima e
admiração por ele e, neste caso, seja pelas epístolas, seja pelas posições, que
na maioria das situações compartilho; ele
percebeu que havia algo interessante no Tarot: a escolha do consulente.
Ele sempre pensou que dependesse da mão do oraculista como os búzios, e que
então surpreendido com o fato de que as
cartas são escolhidas pelo consulente e que somente a interpretação é do
tarólogo ou taróloga.
Excluindo a idéia de uma vidência
ou do sobrenatural resta apenas o indeterminado. Porém ai há no elemento
fortuito e indeterminado, um elemento para o qual nossa tendência é atribuir a
alguma força sobrenatural ou mística, ou a uma vontade divina, o que ocorre,
mas eu não sei não. Não sei nada sobre isto e não tenho como saber. E o exemplo
do jogo de Tarot é um bom caso para percebermos isto, haja visto que ele
depende de uma escolha e de um indeterminação também. Porém, a escolha é, também, indeterminada na contraface
e na ocultação da face das cartas escolhidas, pois esta escolha de cartas é
feita por alguém que não sabe, enfim, qual carta está a escolher na
aleatoriedade do que foi embaralhado e disposto à mesa. É uma escolha no escuro como muitas outras em
nossa vida, com o risco para o bem e para o mal disto. (O filósofo Michael Dummett talvez tenha algo
mais a nos dizer sobre o Tarot. Vamos ver isso mais de perto uma hora destas.)
Fiquei feliz ao saber que o papo
dele, no Encontro da Nova Consciência em Campina Grande, sobre isto foi com a
minha grande amiga Giane Portal, que é publicitária, taróloga, gatóloga,
astróloga e fotógrafa. Então resolvi estender a prosa para além do que disse
acima e contemplando algumas coisas que as demais tarólogas dizem sobre isto.
Eu disse a ela que tinha um texto
maior sobre destino na minha página e que ofereci também como a ele e que é um
começo de algo maior sobre isto que estou tratando às voltas com o
livre-arbítrio, e o tema do amor, e ainda o tema geral da liberdade, o que me
referia acima no confronto com a indeterminação, e que eu considerava tudo isto
numa espécie de grande confronto de possibilidades na nossa vida. (Para os
astrólogos sugiro pensarem bem no quadrado Plutão (Capricórnio) Urano (Áries)
que para mim, na semântica astrológica é justamente o confronto entre a máxima
indeterminação e a máxima liberdade, ou o máximo poder e o impulso máximo pela
liberdade – nossa geração que tem isso em virgo deve toda ter boa experiência
disto em alguma área de sua vida, já no meu caso vai para a análise.)
Anoto aqui que alguns vão
estranhar esta minha postagem a mais não poder, tanto por seu conteúdo como
pelos elementos que ela traz, mas vou tentar ser claro porque eu sei bem que há
um quê ou risco de loucura nisto tudo e eu penso e digo que é bem possível mesmo.
Estamos aqui nos limites máximos, na minha
opinião, da sensatez,
razoabilidade, racionalidade e cientificidade.
E eu sei que tanto a filosofia
quanto o esoterismo atraem os gênios e os loucos sendo que uns viram os outros
de vez enquando. E uns são tomados pelos outros na maior parte das vezes. Fui
também reler agora as postagens lá e a primeira que encontrei me pareceu ser portadora
de uma tendência dogmática, mas que vai se desfazendo ao longo do debate. É
importante dizer aqui que isto tem ocorrido desde os idos de 2005 e 2006 também
no Orkut nos debates nas comunidades de Astrologia e de esoterismo ou artes divinatórias.
Debates estes que nos levaram a conquistar e conhecer muitos amigos e amigas que hoje se reencontram no Facebook e
que criam outras redes e relações alternativas. Curiosamente a reprodução desta
tendência é tanto para um lado como para o outro. Ou seja, há uma tendência dogmática
na defesa da cientificidade e há uma tendência dogmática na defesa da mística.
Mas oq eu eu posso fazer com isso? Quase nada...
A idéia de que há um ÓRACULO
presente – que é uma entidade outra que o consulente e o tarólogo é bem clássica
e acompanha toda a tradição de leitura do futuro. Haveria uma receira
personagem ali que indicaria ou inspiraria como que numa possessão ou mesmo ao
ombro ou guinado a mão e a fala do intérprete sobre a leitura. Não é esta uma
idéia ou argumento refutável, simplesmente porque ela também faz parte do
conjunto de crenças adotadas nesta ou em outra formação de tarólogo. Mas cabe
registrar que já existem tarólogos que tentam trabalhar mais em uma dimensão
técnica, ou seja, procuram atuar abrindo mão desta dimensão mística.
A idéia maravilhosa de CURA DA
ANGUSTIA PELA PALAVRA me lembra muito Freud.
O senão aí é que nem sempre rola esta cura e que às vezes fica só a
palavra e a doença ali se reproduzindo e se reapresentando e mesmo Freud
percebeu isso em suas lidas com a hipnose. Percebe-se, então, o limite da cura
na fala porque falta uma outra coisa nesta relação que não é somente presencial
ou confessional. O nome disso em qualquer hipótese deveria ser Tratamento, ou
seja, deveria - para efetuar a cura - haver a prescrição de uma conduta, porque
aquele nó, aquela dor ou sofrimento, aquele rolo ou embaraço não se desfaz
apenas em pensamento ou palavras. Ainda
que alguns gostem da idéia de uma cura instantânea, e se sentiriam muito
privilegiados caso se desse uma iluminação ali.
Mas concordo com a opinião de
muitos que mesmo assim o Tarot não é uma ciência, aliás o Tarot muitas outras
atividades semelhantes, porque entendo que não é o tipo de atividade que
precisa ser comprovada como tal. Assim, a atividade é ela mesma uma Arte e a sua
relação com uma religião é possível ou facultativa em qualquer caso...Deste
modo, não é ser ou não místico que transforma o Tarot em ciência...mesmo não
sendo místico continuará sendo uma arte.
A tendência que também aparece –
que às vezes me parece uma força de atração muito poderosa quando se enfrenta o
tema do imponderável ou inexplicável – é a presença constante deste lado
místico, que às vezes me parece não ser um lado, mas o todo. E vem junto dela o
famigerado e temível, fatal e impressionante DESTINO. Eu tendo a tratar deste
tema abrindo mão mesmo do destino e atribuindo a este conjunto de
possibilidades um caráter aberto e indeterminado. Ou seja, para mim não está
escrito em lugar algum, vai se realizar se você e outros tomarem a iniciativa e
fizerem a escolha para isto. Fiquei pensando na palavra dosimetria aqui, porque
ela poderia entrar neste jogo para a gente tentar entender porque alguns
destinos brilhantes não se realizam. Ou
porque alguns se realizam na mínima, na média ou na máxima acepção da palavra.
Há que ter trabalho ou algo mais ai que explique. E o fator sorte, fortuito ou
o acaso também entra no jogo. Assim, a tiragem de cartas, e a sua calibração
depende da própria dosimetria do individuo ou consulente para se realizar e da
sua exposição a estes ou aqueles elementos que fortuitamente podem beneficiar
ou prejudicar o seu andamento.
Vou usar um elemento incrível
aqui. O do pianista Keith Jarret. Um virtuose do piano cuja gravação mais
importante e mais evocativa se deu justamente com um pi8ano ruim, com um
defeito na afinação de uma das cordas o que lhe obrigava a arranjar mentalmente
um acorde no entorno desta corda. O Koln Concert, junto com Kind of Blue de
Miles Davis é considerado um dos maiores discos de Jazz, mas é um disco solo
meu amigo e é simplesmente o mais vendido da história do Jazz. Eu tenho
predileção absoluta por este disco. Mas o que aconteceu ali? O piano que ele usou era de ensaio e estava
em mau estado e exigiu antes do concerto várias horas de afinação e ajuste para
torná-lo usável. O instrumento era metálico e fino nos registros superiores e
fraco nos registros dos baixos, e os pedais não funcionavam corretamente. Como o Concerto
tinha sido organizado por uma menina de 17 anos (Vera Brandes), boa parte do
planejamento prévio e de certos detalhes parece que foi dispensado. No entanto,
ele foi perfeitamente gravado e registrado e se tornou neste disco memorável.
Em virtude destas dificuldades Jarrett usou muitos obstinatos e rolavaos dedos rapidamente do lado esquerdo do teclado com figuras
rítmicas durante sua performance com o objetivo de dar o efeito de notas graves
e mais fortes, e concentrou-se na porção média do teclado. O produtor da ECM Records Manfred Eicher disse mais tarde:
"Provavelmente, Keith Jarrett fez tudo assim, porque o piano não era bom. Porque
ele não cairia de amores com o som dele, ele encontrou então uma outra maneira
de obter o máximo proveito disso.” (Usei aqui parte do texto do verbete da
Wikipedia em inglês sobre o Koln Concert
com alguns acréscimos e alterações minhas). E isso basta para demonstrar o que quero
mostrar aqui que nem sempre as melhores condições levam ao melhor resultado e
que às vezes algumas condições ruins podem levar ao melhor resultado.
Substitua-se as condições ai por cartas ou pela interpretação ou pela leitura
do consulente e está bem formado o quadro que eu gostaria de atingir sobre o
êxito ou não de uma leitura, da sorte fortuita e das escolhas e seus limites.
Ainda creio que seja algo
opcional ou facultativo este elemento místico ou divinizante na leitura seja
dos búzios, seja das cartas, seja de um mapa astral ou no lançamento do I Ching.
Creio que todas estas artes preservam algo de místico e indeterminado quando
seus leitores falam não mais em divindade ou deuses, ma sim em intuição. A
intuição aí não é nem temporal nem espacial, sua acepção é a mesma de Insight e
tudo se passa como se viesse ou sobreviesse repentinamente uma luz ao intérprete
que lhe guiaria a leitura. Aqui eu encontro algo tão inefável ou místico e
inexplicável como a tão desejada epifânia que James Joyce almeja em seu Retrato
do Artista Quando Jovem. Porém, vamos às
palavras e às palavras velhas sobre isto. Trata-se ai deste fluxo ou discurso silencioso
da alma como dizia Platão que chamamos de pensamento e que muitas vezes nos
aparece como que do nada e deslinda a questão, o problema ao dá a ordem das idéias
que precisamos para interpretar o mundo ou o que ts posto diante de nós. Isso
acontece muitas vezes após intensa e contínua reflexão, e outars vezes num
repente ou estalo e muitas vezes não acontece de bate-pronto ou instantâneo como
alguns gostariam, mas acontece. E neste tema eu me pergunto: como isto é
possível? (e aqui esta pergunta se lança sobre a própria filosofia, em como é
possível pensar-se diferente de toda a tradição que nos circunda, o que é mais
ou menos o que acontece com a boa filosofia.) Com certeza houve uma escolha
nossa aí que deve começar com nossa atenção ao tema e prosseguir com nossa
reflexão até que a ideia irrompe e deslinda ou desvenda a questão.
É uma escolha da preferência de
quem lê e mesmo que quem leia as cartas seja cético, pode ocorrer que o
consulente tenha sua própria crença e construa os significados a partir disso.
Ou seja, como o consulente tem sua própria crença e Le pode construir um
significado próprio sobre aquilo que o tarólogo diz. O consulente que pode ter
sua crença também vive um fluxo reflexivo
e também vai atribuir significado ao que vê e escuta, ao que sente e imagina
neste contexto de leitura das cartas.
A questão, então, não é se
funciona bem ou mal para o místico, a questão é se você acredita e como você
acredita e atribui significado ali neste contexto, o que seria ai funcionar vai
depender da sua crença e da construção de sentido que você faz sobre o que é
lido e que te é compreendido ou traduzido em sua linguagem de crenças próprias.
Senão o que seria mesmo funcionar ai? Dar certo? Ora essa, a gente sabe que pode
dar tudo errado na vida e nas cartas e a gente continuar achando que está certo,
que era isso mesmo. E mesmo assim o resultado pode ser ótimo. (Recomendaria
aqui o estudo sobre Teoria do Auto-Engano.)
Julguei aqui e considerei aqui
que é muito importante clarificar as opções de idéias e não defender esta ou aquela
dogmaticamente e tentei me dedicar, em especial, um pouco a isto porque sei que
muitas escolhas na vida passam por processos como estes. Nossa compreensão de
possibilidades não pode se fechar e talvez seja melhor perceber as aberturas e
não tanto ter as definições finais do tema. E, assim, devolvo o baralho a mesa
para que outra sorte seja lançada e outras escolhas possam ser feitas.
A MINHA GATA E O TELHADO
Bom Dia...a minha gata passou horas no telhado miando até
que o gatão dela fosse lá salvá-la. Peguei a escada e ela com aquelas garrinhas
afiadas e armadas finalmente ganhou o chão, me agradeceu e foi-se ao pote de
ração, depois veio roliçar minhas pernas com um miado carinhoso. Quando tu te
acostuma com estes bichanos, tu sabe que na real tudo que eles fazem tem um
propósito que no fundo é afetivo e social. Dá para entender? Acho que nem
precisa...tá né...seu GATOSO!!!!
SOBRE CAÇADAS E ARMADILHAS: O DIA DA CAÇA E O DO CAÇADOR
Meu avô dizia que o lugar mais perigoso é onde a onça bebe
água, só que às vezes é mais perigoso ainda para ela. TÁ LIGADO?
PARTIU O NADA
Partiu ao nada, porque já era ser ou qualquer coisa..
E quer tentar se definir ou dizer, mas calou...
Porque já era ser ou qualquer coisa...
Então voltou, porque já era ser ou qualquer coisa..
E quem partiu foi o nada...
MANTRA DA HUMILDADE: CONTRA TODA A RAIVA E TODA DOR
Humildade, humildade, humildade, humildade, nada que te possam fazer de mal deve ter a força de ferir teu orgulho ou tua vaidade e nem você mesmo pode agir por orgulho ou vaidade, aplaca toda a tua dor e toda raiva que aparecer em teu coração cantando assim, um mantra, humildade, humildade, humildade, abre para mim o teu amor...e não vais errar, não vais sofrer..vais andar e seguir em tua vida, com paz e com amor.
segunda-feira, 3 de março de 2014
TODOS CONTRA O PT? - OS PARTIDOS QUE EXISTEM, A FALTA DE UNIDADE DAS ESQUERDAS E UM NOVO PARTIDO
Um amigo meu bem mais pessimista
disse que, bem na real, no afinal de contas mesmo, contra o PT hoje os demais
partidos ESTÃO TODOS JUNTOS!!!!
Eu nuca fui pessimista. Mesmo
muito jovem nos idos dos 70 tinha certeza que íamos superar a ditadura militar,
consolidar a democracia e promover uma grande mudança na sociedade brasileira.
Depois nos anos 80, ajudei a fundar um partido e sempre tive também a convicção
de que um dia este partido governaria minha cidade natal, o estado onde vivo e
o nosso pais. Bem, já governamos São Leopoldo de 2005 a 2012 e vou usar a
ironia cínica aqui da oposição e dos conservadores: viva o desenvolvimento que
els alegam que endividou a cidade para não fazer nada. E também, já governou
meu estado duas vezes e os resultados na minha avaliação são ótimos,
entretanto, na primeira ocasião praticamente se autodestruiu por disputas
internas e rachas na base aliada, além
do fogo de barragem do PRBS e, nesta última vez que é hoje, com Tarso
Genro sofre de quase as mesmas oposições e com algumas outras condições que são
novas, nota básica para o tema do Piso Salarial dos Professores e o desgaste
disto e com o ínterim de que agora enfrenta uma grande reação conservadora que
se apõe, também, ao governo federal. E, enfim, após duas gestões de Lula, Dilma
se encaminha para a reeleição não sem que haja nenhuma reação conservadora. Ao
contrário, absolutamente todos os emuladores possíveis estão ativos contra ela
com o propósito de colocar simplesmente qualquer coisa no governo contra o PT.
Como, aliás, fizeram em São Leopoldo, no que me recuso simplesmente em comentar
porque é trágico, para não dizer cômica e ridícula a situação administrativa em
que a cidade se encontra hoje, com retrocessos e atrasos em todas as
questões.
Na minha formação política fui
estimulado a estudar e a avançar nos estudos para me preparar para o futuro e
ter de fato alguma função ou utilidade objetiva e real para estas mudanças com
as quais tanto sonhávamos. Comigo aconteceram muitas coisas nestes 34 anos e
como outros companheiros e camaradas tudo começou mesmo quando me aborreci
muito com a embromação que sofremos na luta das diretas, com os altos índices de
desemprego dos anos 80 e a grande inflação que corroia nossos salários quando o
tínhamos. Mesmo assim continuamos lutando primeiro pela Constituinte de 1986,
segundo através de greves e muita militância espontânea e cotidiana, gratuita e
voluntária em todos os lugares e espaços por onde passávamos. Se os jovens de
hoje julgam que estão vivendo intensamente eles não tem a menor idéia da
quantidade de reuniões semanais, cursos de formação e atividades de agitação,
panfleteação e, também, quantos discursos fazíamos por semana. Cara, tudo era
comício, meu amigo e amiga. E algumas pessoas que estão me lendo agora devem
lembrar da discussões acaloradas e dos diálogos com ênfases em palavras de
ordem que fazíamos nas paradas de ônibus, nos ônibus, nas estações de trem, no
trem, em bares, corredores, filas de cinema, e até mesmo em um prosaico passeio
de compras ao supermercado. Mesmo um resmungo ou um reclame possuía conteúdo
político, crítico e ideológico.
Devo dizer, porém que existem
duas formas de pessimismo o conjuntural ou tópico e o permanente, generalizado
ou de longo prazo. E, no que toca a atividade política o último deveria ser
proibitivo. Quer dizer, quem sofre da última modalidade deveria se afastar ou
ser afastado ao máximo de atividades políticas, seja porque pode promover
estragos seja porque pode nunca reconhecer qualquer avanço e, portanto, acaba
por negar e diminuir os ganhos desta atividade árdua. Somente em uma hipótese
compreendo a presença do pessimista genérico e permanente na política como conselheiro
prudencial dos limites da ação e como sinalizador de quando de fato o piro dos
mundos possíveis é real. Afora isso, como já dizia a Xuxa, senta lá então Claudia
e não atrapalha...
Mas ao dizer que TODOS OS
PARTIDOS ESTÃO JUNTOS CONTRA O PT é uma expressão de generalidade absurda e
excessiva não podemos desconhecer a sua face verdadeira. Devemos compreender,
na prática de cada partido que por definição segue a concepção mais pragmática de partido e é
esta mesma: cada um por si e só se anda junto com o outro se houver vantagem nisso.
E isto não é uma invençõa do PT, mas sim da lógica partidária vigente hoje no
pais por conta das práticas e do sistema político existente. O que ocorre no
Brasil também é que alguns partidos cresceram, outros vão minguando, alguns são
novos, outros estão se criando e alguns ainda se mantém como uma espécie de
centro de equilíbrio da democracia brasileira como o PMDB, que mantendo suas
votações e suas bases nos últimos 30 anos ou 45 anos se mantém no centro (o MDB
não morreu). O PMDB funciona como uma espécie de berçário político também, como
uma espécie de grande frente ampla, estação de passagem e meio que porta de
entrada e origem de todos que não querem grandes compromissos ideológicos, nem
à direita e nem à esquerda e se lançam politicamente para eventualmente
migrarem ou fundarem outros partidos.
A gente fica pensando nisso e
olha para o arco de alianças e para os atos, movimentos e gestos cotidianos, no congresso, nos
ministérios, nos estados e municípios e tende a dar razão para o pessimismo do
meu amigo. E tende a dar razão não para um pessimismo tópico, mas sim genérico.
E a conseqüência disto é que as alianças
tem limites e que elas namoram ou beiram
de forma permanente com a possibilidade de mortalidade de um de outro.
Entretanto, deveria haver um outro indicador para se avaliar as alianças que
ultrapasse o mero pragmatismo ou a imposição do sistema político e fosse capaz
de justificar por programas e projetos, produtos e fatos.
Assim, não são somente as
alianças do PT, que sofrem uma espécie de condição relativa e instável, mas todas as alianças sofrem
disto. Quando somos, por exemplo, acusados de ter feito aliança aqui e ali pela
governabilidade, parece que todo mundo esquece que temos um regime
presidencialista, mas 75%, 70%, 65%, 60%, 55%, 51% não dá o mesmo percentual de
deputados ou senadores e que todos os governos no Brasil, mantida a atual
legislação tendem a ser de coalizão e a compor por necessidade e principio de
realidade com os demais partidos para poder aprovar leis e dar conta de suas
tarefas programáticas. Não se governa sozinho e isso é inclusive uma certa
garantia de que a democracia não é somente um momento ou episódio, mas um
exercício cotidiano de renovação de compromissos muita negociação e construção
de acordos para este ou aquele tema. Quando penso nisto chego a me impressionar
quando os governantes do PT são acusados de ter aliança com este ou aquele,
porque o que determina isso não é a disposição do PT, mas exclusivamente o voto
do eleitorado que impõe ao PT o reconhecimento e a negociação com aqueles que
são eleitos. E não irá surgir este mundo ideal que alguns imaginam de Eleger ou
Governar com chapa pura, e cumprir somente o programa do PT.
Exceptuando-se, dentre todos os
aliados, o PCdoB com grandes afinidades programáticas e políticas e um ou outro
aqui e ali, todos os demais partidos aliados são conjunturais e para um período
e com todos ocorrem crises de composição
de governo, apertos e pressões por mais cargos e um jogo que nos bastidores é
conhecido como morde e assopra, ou seja, fere (morde, ataca, denuncia, etc) o
governo, mas logo faz um discurso (assopra para curar a ferida) para recompor
após o ponto concedido. E eu sei que Dilma é provavelmente a mais dura governante
do PT neste sentido, o que explica parte da revolta ou do muchocho corrente na
base aliada. A gente até se acostumou a lidar com isto, porque faz parte do
jogo democrático ainda que alguns possam chamar de chantagem, traição ou como o
Brizola chamava costear o alambrado e
ameaçar cair fora. E eu fiquei
pensand o nisso um pouco mais. Que é um objetivo bem nobre o deles é
claro...tirar o PT do poder, e depois
AZAR...bem, o azar a gente vai descobrir bem rapidinho de quem.....
Em vários estados e cidades a
gente já viu isso acontecer várias vezes já e depois ficam mangando 12 anos até
ter de novo políticas públicas voltadas para minorias e segmentos sociais. E em
alguns lugares nem em 12 anos as coisas mudam ou voltam a melhorar novamente. É
uma livre opção do eleitorado, das lideranças de movimentos, dos quadros
políticos e dos partidos, é claro, apoiar ou deixar de apoiar governos e
candidaturas. Mas tem um mecanismo comum ai. Primeiro eles apoiam quem fez as
manobras contra e ao fim e ao cabo acabam fora também, sem receber atenção, sem
receber atendimento de demandas e sem ter espaços para atuar. Isso quando não
há uma regressão ou decadência completa nas políticas públicas com o respectivo
acirramento político e regressão a violência na ação política haja vista a
extinção de canais de comunicação, debate e mesmo conflito nas gestões de
centro, de direita e mesmo nas pseudo-esquerdas..é uma espécie de disposição inconseqüente deles. E daqui a 12 anos a vida vai estar bem diferente
para eles e para quem estiver vivo, é claro...Mas daí já eras...Tenho visto
estes ciclos de 12 anos se repetirem desde a redemocratização em poucos
lugares. No RS, em São Paulo
capital, e me chama atenção que estes são lugares simbólicos para certa
tradição petista. Já em
Porto Alegre vejo a coisa de mal a pior.
Eu fico pensando – ainda que
resista a pensar assim – que não tenho mais nenhuma esperança, porque quando há
certa regressão como vemos, a recuperação fica impedida também por adaptação ou
readaptação às velhas práticas e formas de fazer política que é o que eu vejo em Porto Alegre , por
exemplo. Assim, alguns fazem esta política contra o PT, como uma política artificial
até, com certa indiferença e deboche até, como se estivessem num vídeo game,
mas sempre lembro que trata-se da vida real...
Mas não considero que tudo está
perdido definitivamente, apesar desta grande reação conservadora no Brasil e
dos equívocos dos demais partidos de esquerda. Não excluo com isso os equívocos
do PT aqui ou ali também. O PT já se sabe como falível.
Dilma conseguiu, na visão de
alguns cometer erros, e de fato teve sérias dificuldades porque a eleição de
2010 não deu a ela as tão alegadas bases melhores, ela não é tão pragmática e
tão hábil quanto o Lula com certeza...mas também foi capaz de coisas que o Lula
não foi...porém boa parte destas coisas ficam restritas aos ambientes internos
ao governo.
Creio que na área cultural
poderia ter avançado mais não fosse a desastrada e polêmica gestão de Ana de
Hollanda, a qual infelizmente não chega perto à sombra do pai ou ao gênio do
mano. E Marta nesta até fica gerenciando. Diversas políticas setoriais ficaram
travadas na minha opinião.
Entretanto, eu considero que ela
se reelege por conta da estabilidade econômica, da demissão muito sumária dos
ministros suspeitos na primeira metade do governo, o que deixou ela imunizada à
corrupção e, também, da reação clara e nítida às manifestações. Tem para
decidir os detalhes ainda a Copa do Mundo, as disputas regionais com seus
palanques e, também, o tema das relações externas Cuba, Venezuela e Estados
Unidos, seja pelo mais médicos que precisa ganhar a nitidez contratual, o
golpismo na Venezuela que precisa ser repudiado e qualquer sinal de firmeza em
relação aos EUA que pode sinalizar ao povo trabalhador e à classe média a
Soberania Nacional. E ainda soma-se a isso o que todos analistas já estão a
indicar que Dilma se reelege porque não há nenhuma opção clara e estável na
oposição. E quanto mais manobras os adversários de Dilma produzem pior tem
ficado a situação deles. Um exemplo disto é a união Marina e Campos que gerou
mais suspeita do que confiança em afinidades e em alguma forma de projeto
consistente.
Não sou, portanto, pessimista e
muito me estranha este impulso pedagógico e punitivo de alguns adversários e
aliados sobre o PT. Não creio mesmo que o PT e a Dilma ou o Lula ou qualquer um
de nós é perfeito, nem que tudo dá certo e que nada é mais importante do que o
poder, mas também não sou nem ex-petista raivoso ou rançoso e nem esquerdista
com complexo de inferioridade, tão pouco brasileiro com complexo de vira-lata,
ou pertenço a elite decadente deste país que assiste ao que acontece com
revolta irrefletida.
Então eu as vezes olho muito mais
mesmo para as questões gerais do que para as causas e pautas específicas e
jamais eu privilegiaria a minha causa em relação ao todo. Assom creio que
construir unidade e fazer o debate duro é melhor. O PT não voltará a ser mais o
que já foi um dia e tem na minha opinião um prazo de validade de uns 12 anos
mesmo, mas até lá vai continuar sendo a ponta eleitoral de toda a esquerda
brasileira, até que se crie algo melhor.
E digo com muita sinceridade - até
porque não conheço mesmo todos que me lêem - e a minha declaração aqui tem
custo zero, mas pode ter um bom efeito reflexivo, ainda que não concorde
comigo, não vejo sequer a semente de uma Nova Esquerda para o Brasil, nem no
PSOL, nem no PSTU, nem no PCO, muito menos na REDE, no PSB e no PV.
Na exata medida que a maior parte
deles fazem, contraposição ao PT e não constroem suas plataformas negando ao
PP, ao PMDB, ao DEM, ao PSDB, ao PPS e a tudo que a gente tem tido de força
ainda para enfrentar neste país, o que significa não somente o debate eleitoral
neste país.
Ao contrário, todos eles fazem
alianças táticas contra o PT, mas é preciso dizer que isso segue em sacrifício
da estratégia de existência deles mesmos e que aqueles que sequer fazem
alianças ficam exatamente como estão.
Pragmatismo é pragmatismo e penso
também que é verdade mesmo que um programa e um projeto novo precisa ser
construído. Penso que este projeto
precisa ultrapassar e abandonar estas mazelas da conjuntura eleitoral, mas
penso que nem a REDE e nem o PSOL que poderiam fazer isso, fazem...a maior
prova disto é que nenhum deles assina em baixo de uma consigna como a REFORMA
POLÍTICA, que eles não se posicionam mesmo de modo a serem portadores do novo,
sem as peias pragmáticas do passado e
sem os quadros pragmáticos do passado.
Se você analisar bem só há
burocracias e velhos conhecidos bem carreiristas e são os mesmos que
abandonaram o navio no meio das lutas mais difíceis pela mudança.
Não tenho absolutamente nada, por
exemplo, contra a causa LGBT e sei inclusive o quanto fizemos para que ela
tivesse visibilidade e o quanto disputamos isso, mas ela também é, foi e
continuará sendo fortalecida também por causas indiretas...e você com certeza
sabe que a geração de empregos e a redução da pobreza ajuda nisto....Te digo de
coração que sou daqueles que jamais vou deixar de defender esta causa por
pragmatismo ou conveniência alguma. Então eu peço apenas que você ou alguém
explicite as condições que determinaram aquela lista de apoios lá acima, porque
entre contas a pagar e as cobranças acima creio que seria bom saber quais são
as prioridades que determinaram afinal aquilo lá. Só isso. LGBT é uma entre
outras causas amigo e eu jamais sacrificaria as demais para satisfazer uma
contra as outras e sei que os direitos humanos podem ser ameaçados ainda mesmo
que se atenda todas as condições e propostas LGBT...eu lido com questões de
classe por formação e muito me preocupa quando se sacrificam estas questões e
nome do conforto de um ou outro segmento...só isso...
E não venha me refutar com
violência porque eu conheço a condição feminina e a condição dos negros e dos
pobres também. Sou professor e luto por isto o tempo todo.
A vida é dura..aqueles que nos
acusam de trairmos os ideias são os primeiros a nos traírem logo após nós
assumirmos estes mesmos ideais claramente e arriscadamente...ai se abraçam..com
os demais....o PSB, por exemplo, de forma muito bonitinha está se associando
aqui no sul, com aval da Marina ao PP de deputado Heinze e da senadora que foi
contra a cartilha na educação que aborda a questão LGBT..tá legal...bem bom
né...coerência esta..mas acusar a gente de ser contra a democracia, direitos
humanos e estado laico é simplesmente desconhecer todas as dificuldades que
enfrentamos e vamos continuar enfrentando com ou sem a ajuda de vcs...só para
variar..e falar sobre o EMPONDERAMENTO DO POVO então daí é dose...
Porque nenhum outro partido na
América Latina emponderou tanto o povo como o nosso econômica e
politicamente....agora eu não posso ser responsabilizado com o PT porque o povo
resolve votar em quem vota...esta disputa não é só minha ou do PT.. e com
certeza ela fica cada vez mais dificil e cada vez o cenário fica mais duro por
falta de unidade mínima das esquerdas ou daqueles que se consideram de
esquerda...mas enfim...vou indo porque quando se começa a debochar e a tripudiar
o debate perde sentido e propósito....para questões que são mais sérias e que
estão acima de uma bandeira...
A ENGANAÇÃO ACABOU EM SÃO LEOPOLDO
Aqueles que ajudaram essa farsa a se eleger agora se
escondem de vergonha. E os que governam com ele, não conseguem ajudá-lo a
defender-se da sua gritante incompetência como gestor. E esta incompetência é
coletiva de toda a equipe e STAFF dele.
Ficam
postando bobagens e dando voltinhas sem ter a capacidade de cuidar de coisas básicas
das cidade . A maioria não tem nenhuma desculpa aceitável ou razoável pelo caos
na nossa cidade, onde moramos, onde pagamos impostos e onde trabalhamos. É uma
cara de pau gigantesca da parte deles. A falta de varrição, limpeza e coleta de
lixo não ocorre pela falta de pagamento, mas pela incapacidade absoluta de
gestão deles.
E eles continuam falando da dívida, nomeando e trazendo mais Ccs para São Leopoldo, batendo
nas pessoas na Câmara e nas ruas - como bateram nos jovens universitários no saguão da prefeitura e em frente a Unisinos e pelo jeito tudo que temíamos como o pior
desfecho disso permanece um ano depois, porque todas as ruas da cidade, todas
as praças, as unidades de saúde estão uma vergonha. Existem buracos no asfalto
a cada esquina, e não é porque não deve ter nem piche para tapar os buracos,
mas sim porque é uma gestão inoperante. Em obras eles conseguem a façanha de
deixar incendiar um prédio em reforma e em um outro prédio do hospital o telhado
e o forro caíram por completa imperícia e falta de planejamento comezinho em
uma obra. E levaram 14 meses para consertar. Na saúde já é um horror completo,
funcionários pedem demissão, e os CCs deles ficam pousando de chefes sem
trabalhar e a promessa do hospital não vai sair mesmo...enfim...
A PERNA CURTA
deles apareceu. E é muito ruim isso. Eu e provavelmente todos os cidadãos e
cidadãs desta cidade preferíamos que fosse diferente. A última piada deles foi
dizer que só faltou água na casa de petistas. Ora essa...estão a 15 meses
governando e não fizeram absolutamente nada ainda e sabe da maior?
Eles tem e
são candidatos a deputado...dá para acreditar nisso? Porque eu ou qualquer
cidadão trabalhador e honesto desta cidade votaria em alguém que ainda não fez
nada para provar sua serventia?
SEM PALAVRAS!
LIBERDADE E INDETERMINAÇÃO: O CONFRONTO DE POSSIBILIDADES
Menalton Braff, este notável
escritor que vem sendo reconhecido no início do século XXI, em seu artigo ou
Crônica de hoje (03.03.2014) da CaRTA Capital, Pedras que Rolam, (aqui) após detalhar a sua relação com um amigo e
conhecido e de quantas vezes estiveram próximos ou paralelos sem no entanto se
encontrarem, diz que as vezes pensa “nas
pessoas que cruzamos na vida, que poderiam ter sido amigos ou inimigos” e etc. Eu
vou suar isto como uma alavanca aqui para tratar e tentar compreender a nossa
liberdade e indeterminação.
Este tema dele sobre o que lhe é
fortuito e indeterminado e sua curiosidade com isso é um belo tema que recebe
outros títulos na literatura. Os encontros e desencontros, as afinidades eletivas,
aproximações, contatos e cruzamentos, as vidas paralelas e – por conta do seu
caráter fortuito, imprevisível, indeterminado e acidental, estes casos de
aproximação e afastamento de uns e de outros caem no rol das possibilidades,
daquilo que é possível acontecer, mas que não possui necessidade alguma de
acontecer. E que sendo possível acontecer nos leva a pensar em quanto destes
encontros determinam o que nós somos e como vivemos.
No filme dirigido pelos irmãos
Coen, ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ (2007) aqui que assisti de novo com mais atenção na
semana passada, observamos um velho xerife às voltas com uma série de
assassinatos e um caçador profissional que caça seu alvo e impiedosamente mata
tudo que se atravessa no caminho dele, o momento mais tenso do filme – para
minha escolha e opinião - se dá quando o policial cruza por segundos com o
assassino profissional e psicopata. E isso é tenso porque na trajetória da
personagem de Tommi Lee Jones vemos um homem que reflete com todas as suas
dificuldades e limitações sobre as fatalidades da vida e sobre a sua
dificuldade para entender o mundo ou o tempo em que vive. E esta personagem
conquista nossa admiração seja pela singeleza das suas reflexões, diálogos e
exemplos, seja pela piedade que desperta em nós aquilo que parece ser um pobre
homem, mas que nos fundos me mostra um
bom homem, um homem comum que parece não merecer um final trágico. Devo confessar – abre aspas ou parênteses aqui
- que tanto fisicamente como em suas expressões Tommi Lee Jones sempre lembra e
vai lembrar meu falecido pai. E quem conheceu ou conviveu com meu pai nos
últimos 40 anos deve perceber rapidamente porque. E as suas personagens que
misturam um heróico com um irônico sempre fazem isso comigo, porque meu pai
parecia meio assim também um homem prosaico e simples, mas reflexivo e bondoso,
enérgico e corajoso e bem determinado no seu andamento sobre o mundo. Voltando
ao filme. Fica no ar a possibilidade do encontro cujo desfecho é trágico e bem
previsível para o xerife, mas que mesmo assim é indeterminado e fortuito. E
este encontro entre Ed Tom e Cigurth – a personagem assassina e quase marciana
de Javier Bardem - não acontece, o que nos mostra que mesmo a sorte pode ajudar
ainda em meio ao grande mar de sangue, lágrimas e azares do filme.
E isto nos impressiona neste
filme e na crônica de Menalton, porque nos dá uma noção, de um lado, da nossa
liberdade de escolha, bem como, da nossa responsabilidade nas escolhas, ações e
iniciativas que tomamos, mas também, de outro lado, de que o fator sorte, o
fator fortuito e indeterminado também intervém ai. Vai saber? Diria meu pai.
Então isso nos mostra que não
depende somente de nós, de nossa prudência, maestria, virtude ou sabedoria, as
condições do desfecho ou do que vai ocorrer. E nos vemos assim com duas
dimensões efetivamente decisivas e indecisas. De um lado o que está ao nosso
alcance do outro lado o imponderável, o sobrenatural de Almeida, o que é
misterioso e espantoso e que nos surpreende ao longo da vida. Nosso mundo de
possibilidades passa a ser cindido por aquilo que podemos fazer e aquilo que
não depende de nós. E as vezes aquilo que não depende de nós nos joga em um
trecho pelo qual devemos passar compreendendo.
Como dizem e reproduzem já a
exaustão por ai: somos responsáveis pelos afetos que conquistamos, somos livres
para escolher, mas depois de escolhermos não escapam as conseqüências, todas elas nos advém à medida exata do seu
tempo e da afinação dos demais instrumentos e personagens da vida. Porém, não
somos tão livres assim como julgamos.
Um fantasma ronda nossas vidas, se
aproxima e se afasta da gente, quase como um termômetro que marcasse os nossos
momentos em que passamos por um fio, escapamos por um triz de uma fatalidade,
tragédia, grande alegria ou grande sorte. Andamos sem saber em uma corda bamba
como dizia a canção O bêbado e o equilibrista, que Elis Regina cantou com tanta
beleza. (aqui) Mas isso não deveria nos levar a
pensar em termos fatalistas, nem estabelecer decretos de impossibilidades ou, a
partir de insucessos, determinar que certas coisas não podem dar certo.
Eu andei pensando neste tema dos
cruzamentos e seus efeitos também de uma outra forma ainda, mergulhando em
nossas relações indo para além dos fatos. Aliás, eu suponho que todos que
estudam filosofia ou literatura devam refletir em algum momento sobre isto. Não
creio que seja possível ler o que lemos sobre liberdade, sabedoria, amor,
amizade, compreender tramas ficcionais ou reais, casos existenciais ou
imaginários, sem pensar uma pitadinha nisto.
Todos sabem que pensar nisso e
também isso que se pensa é chamado de influência e que isso também é um dos
elementos de disputa no sentido de explicarmos os comportamentos das pessoas
para além de seus atributos ou herança genética e para além das influências
familiares ou sociais imediatas. E é possível se imaginar aqui como explicar a
trajetória de determinada personagem a partir dos livros que ela leu. Ou como
Harold Bloom tratou da angústia da influência em sua obra.
Penso nisso também por conta de
certo mistério que me provoca no entendimento da filosofia, das obras e
idéias de certos filósofos e filósofas, de como explicar certas direções, certos
estalos, usando aqui uma perspectiva que percebe e se surpreende quando observa
um autor andar em direção do desconhecido e do impensado de forma surpreendente
e ficar se perguntando: Mas como? Sim eu fico me perguntando em como é que ele
foi pensar nisto e guardo esta pergunta às vezes durante a leitura de uma obra
inteira, procurando a sua resposta. Sei que alguns autores tentam ser o mais
transparente possível, sobre suas motivações, sobre o que lhes fez pensar assim
e que registram isso em suas obras e que às vezes o mistério se dissipa, mas,
mesmo assim, permanece uma dúvida, não por falta de confiança, mas porque as
vezes as explicações para tal movimento, direção ou interrogação parecem tão
insuficientes. ( Tenho adotado uma narrativa muito pessoal e confessional
também muito por conta disto, para tentar explicitar ao máximo as influencias,
os tempos delas e as ocorrências que me levam a pensar nisto ou naquilo.)
Este tema do lançamento ou da
escolha – e escrever em tom confessional também é um lançamento aqui - em meio
a indeterminação de muitas possibilidades e seu risco é, então, como a vida...e também a vida do pensamento
tem disto quando escolhemos determinada
direção ou posição para nossa reflexão. É arriscado sim e a sabedoria está em
fazer esta escolha e em saber ou aprender a lidar com aquilo que independe
desta escolha.
Estou então, a partir do texto do
Menalton Braff, do exemplo do filme Onde os fracos não tem vez, da angustia da
influência, escrevendo sobre isto agora: sobre as nossas escolhas e os limites
delas...e ao mesmo tempo lendo a percepção de um filósofo (Renato Janine
Ribeiro) sobre o jogo do Tarot, que ele sempre pensou que dependesse da mão do
oraculista como os búzios, e que então
surpreendido com o fato de que as cartas são escolhidas pelo consulente
e que somente a interpretação é do tarólogo ou taróloga.
Excluindo a idéia de uma vidência
ou do sobrenatural resta apenas o indeterminado. Porém ai há no elemento
fortuito e indeterminado, um elemento para o qual nossa tendência é atribuir a
alguma força sobrenatural ou mística, ou a uma vontade divina, o que ocorre,
mas eu não sei não. Não sei nada sobre isto e não tenho como saber. E o exemplo
do jogo de tarot é um bom caso para percebermos isto, haja visto que ele
depende de uma escolha e de um indeterminação também. Porem a escolha é também
indeterminada na contra-face e na ocultação da face das cartas escolhidas, pois
esta escolha de cartas é feita por alguém que não sabe, enfim, qual carta esta
a escolher na aleatoriedade do que foi embaralhado e disposto à mesa. É uma escolha no escuro como muitas outras em
nossa vida, com o risco para o bem e para o mal disto. (O filósofo Michael Dummett talvez tenha algo
mais a nos dizer sobre o Tarot.)
Mudando um pouco a direção da
minha digressão me lembrei de algo mais ai. Sempre tive que lidar com esta
espécie de dogma do pensamento solitário, e falo dele agora por conta de que
creio que ele não ajuda na compreensão, tanto da influencia como da
indeterminação, porque tudo parece depender do sujeito que pensa quando sabemos
que não. Há, portanto, duas ilusões ai: a ilusão de liberdade e a ilusão de uma
originalidade. Ambas tendem a ser maximizadas para certo proveito pessoal e
para a vaidade de quem pensa ou compartilha seus pensamentos. Creio que há uma
tendência de que isso desapareça com algo que eu poderia chamar de certa
planície do pensamento que vai sendo construída aqui e ali em que a fantasia de
liberdade e de originalidade vão sendo dissolvidas pelo encontro com o outro e
pelo encontro com outros textos e outros pensadores que antes eram
inimagináveis sem as redes sociais blogs e esta ampla circulação de opiniões e
artigos. E hoje é maior e mais intensa a influencia recíproca entre certos
grupos sociais e eu creio nisso como um fenômeno que tenderá a depurar e
qualificar nossos textos, debates e abordagens.
Porque sempre tive comigo mesmo certos
registros de minhas influências e sempre percebi que isso se confrontava com um
certo dogma intelectual. Um dogma em que tudo se passa como se as idéias que
temos fossem produtos somente de nossa reflexão individual, como se nada fora
de nós tivesse provocado. Eu não tenho a menor idéia se tenho mais consciência
que outros, mas eu tenho uma memória que me dá informações sobre muitas influências
conscientes minhas e as recordações são
tão nítidas de tal modo que poderia enumerar as experiências, as vivências e as
fontes de muitas de minhas idéias e concepções.
Ontem mesmo dei de cara com duas
matérias que para mim estão vinculadas a este tema geral das RELAÇÕES SOCIAIS,
das INFLUÊNCIAS e das diversas formas de CONTATOS temporais ou espaciais entre
as pessoas...uma destas teorias é aquela sobre os seis graus que nos separam de
outras pessoas, outra que compartilhei aqui é sobre as DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS
ENTRE IRMÃOS e enfim - agora mesmo lendo textos especializados sobre a relação
entre Platão e Aristóteles (Gadamer, Ross e Jaeger), ou entre discípulo e
mestre ou mestre e aluno e suas diferenças fiquei pensando nas marcas e em como
nos relacionamos com elas.
Já disse antes que virei
professor por conta de certo privilégio dos professores que tive e que isto me
motivou a ser como eles em algum sentido e a lecionar tendo eles como modelo em
muitas coisas, ao contrário de outros que partiram de modelos negativos e que
hoje tem uma performance e concepção diversa...mas bem como seria se fosse
diferente? estamos aqui naquele oceano logo posterior a pergunta: Como isto foi
possível? e que nos leva ao caso de que outra coisa poderia ter sido possível
também.
Mas daí eu lembro de Leibniz e
esta lembrança me destaca a diferença de nível das possibilidades sub specie
aeternitate, onde a opção do criador é A MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS, frente ao
nosso nivel mundano em que isso aqui é somente isso aqui que é, nem melhor nem
pior, não há escolha ou há apenas uma pequena margem de escolha e uma grande
margem que independe de nós. Quando Albert Einstein disse que Deus não joga
dados ele pensou em uma dimensão sub specie aeternitate, porém este lançamento
divino permanece em certa medida insondável e a medida que a ciência vai
eliminando alguma indeterminação ou aleatoriedade o que ocorre não é o aumento
da nossa liberdade, mas sim o contrário que é a imposição de um limite físico e
material a ela. Porém tanto a confirmar a hipótese do Big Bang quanto o fim dos
tempos nada poderemos fazer em relação a isso que o mude. E quando Luis
Fernando Veríssimo escreveu a última crônica dele posta em Zero Hora no caderno
dominical, não coincidiu esta publicação com o nosso tema, mas somente
indiciou-se que este tema é mais uma vez presente em reflexões literárias e
filosóficas sob muitas formas, mostrando mais uma vez o limite desta bela
ilusão que temos sobre nossa originalidade e liberdade. Então sofremos influencias seis graus ao
lado, seis graus ao passado, seis graus na literatura e seis graus na
filosofia, enfim, seis graus na vida desta humanidade.
Compreender isto é superar a
vaidade (aquela vaidade que o tio de Ed Tom acusa no filme) de julgar que
podemos realizar a escolha completa ou que podemos superar esta condição com
toda a nossa racionalidade. E não digo
isso para promover alguma resignação, mas sim para despertar uma compreensão
melhor sobre este lançamento e nossa comunidade de condição.
As pedras que rolam são como os
dados que são lançados ou as cartas que escolhemos nos nossos jogos da vida. E
dependem em parte da nossa sabedoria, da nossa sorte e também da dos demais
seres humanos. Isso significa que não é porque algo é assim que somente assim deveria
ter sido ou que esta era a única possibilidade, poderia ser diferente e este é
sim um mistério que devemos respeitar, em especial, nos assuntos humanos para
compreendermos melhor os demais seres humanos que compartilham da mesma
condição de liberdade e indeterminação.
domingo, 2 de março de 2014
PENSAR PARA O BANQUETE DA ALMA
"Pensar é um dos prazeres menos caros. A opulência o considera insípido e pega o carro para ir à ópera; não se dá tempo para o pensar."
Stendhal, Sur la littérature et le stile. In: Pensées et reflexions.
PENSANDO MAIS NA JUSTIÇA
.. É algo absolutamente da ordem do extraordinário e do impressionante o que o Barroso procedeu no STF. Eu creio que aquele voto dele vai virar lição de faculdade e prova de juiz para todo e qualquer caso. Porque o que ele mediu ali e como ele aplicou a legislação de reconhecimento do crime e de aplicação da pena é de uma limpidez como nunca tinha visto. E o nível do debate da argumentação que ele impôs ao espírito raivoso e grosseiro de Barbosa foi uma lição para todos nós brasileiros de que o elementar deve ser observado. E ISTO NOS FAZ PENSAR:VOTO DO MINISTRO BARROSO NO PLENO DO STF - 27 - 02 - 2014
NO COUNTRY FOR OLD MAN (2007)
ISSO AQUI NÃO É MAIS LUGAR PARA UM VELHO HOMEM
Nunca foi lugar para cosia nenhuma Ed Thom. Veja bem esta é uma terra dura, sempre foi dura e a gente vive aqui porque não há maior dádiva do que conseguir sobreviver em meio a tantas fatalidades. Então cada um carrega o seu candieiro e o seu corpo para se proteger do frio. Não há esta opção: Caia fora! Somente: Vá andando! Siga em frente! Toma cuidado! Como sempre foi....
O filme Onde os fracos não tem vez (2007) NO COUNTRY FOR OLD MAN....desenha a possibilidade em meio a grandes impossibilidades...
sábado, 1 de março de 2014
JOAQUIM BARBOSA E SUAS PAIXÕES POLÍTICAS vs BARROSO E SUA RACIONALIDADE
Tenho observado certos debates
entre muitos amigos e tenho lamentado, como creio que deveria lamentar qualquer
intelectual perante os demais, quando as paixões políticas, as aversões morais,
o desprezo, e a virulência aparece mais do que as razões e os argumentos.
E mesmo quando vejo o impulso punitivo se sobressaindo sobre a racionalidade, o juízo e o espírito de justiça tendo a lamentar porque o resultado disto não é justiça.
E eu me orgulho muito dos meus
amigos que vejo apoiar e compactuar com coragem e lucidez de teses contra a
maioria, contra a turba e contra a manada. Penso que estes ainda não perderam o
espírito da sensatez e não embarcaram nessa coisa odiosa, nessa marcha daqueles
que não fazem política e nunca se dedicaram à política em que nos encontramos
contra o PT. O PT não é certamente um partido de santos, mas não é este partido
de demônios que alguns parecem mesmo querer pintar para justificar a sua não
militância a sua não adesão e o fato de nunca terem se dedicado aos assuntos
públicos. É uma boa justificativa no inconsciente ou no subconsciente deles: se
até o PT está assim, então....É tudo igual mesmo....
E na cabeça judiciosa e raivosa deles
em cada gota de decepção encontramos um espanto que diz que se o PT que fez o
que fez contra a corrupção, que lutou e sofreu contra a corrupção está assim,
então não tem jeito.
Uma amiga diz que há um risco de involução no
caminho da democracia, se continuarem a radicalizar...raivosamente e desta forma.
Eu penso que é muito vergonhoso
para nossa história que isto tudo tenha e esteja acontecendo e acontecido no
STF, e pela razão contrária dos que bradam contra a posição de Barroso e da
última votação contra o enquadramento e as penas por formação de quadrilha.
Vejo que este Sr., o Dr. Barroso conquistou
minha mais profunda admiração intelectual pela sua racionalidade e judiciosa e
ponderada inteligência, pela sua educação e bom espírito que tanto nos falta.
Eu sou um militante partidário desde
menino, desde muito jovem e tem uma coisa que jamais compactuei ou deliberei
pelo mal ou pela injustiça e conheço muitos petistas e se tem uma única coisa
que eu realmente admiro neles, nos meus companheiros e companheiras de viagem e
luta, é que apesar das nossas divergências programáticas e estratégicas, sempre
se mantém o nosso firme propósito de melhorar a vida deste povo brasileiro em
qualquer situação. E eu falo isso com
muito orgulho mesmo, porque a única possibilidade de provar o contrário é
ignorando fatos, ações, programas e resultados em todas as nossas gestões. Ou
seja, somente distorcendo a verdade ou criando versão ou omitindo informações e
indicadores se consegue dizer que o PT faz mal para o Brasil e mesmo no quesito
corrupção – concedendo o que não concordo que os réus do “mensalão” são
corruptos – o PT é o último colocado entre todos os partidos.
E eu vejo a mesma coisa, que esta
minha amiga vê que “Há um fascismo enrustido mostrando os dentes em forma de
acusação e ódio à política, ódio à democracia, ódio à esquerda... que o PT
sofre...”
Nosso propósito mais nobre de emancipar
as pessoas economicamente, politicamente e culturalmente e de profundo respeito
a lei e a democracia é verdadeiro sim.
Eu estava olhando agora aquele
filme brasileiro OS DESAFINADOS (2008) e me chamou a atenção que a cosia mais
marcante na ditadura foram as diversas formas de violências, foram
as violências cometidas contra
intelectuais, artistas, criadores, escritores e políticos, mas também a tortura
e a perseguição impiedosa e violenta,assassina e sanguinária contra os jovem,
mas olhando bem também houve a omissão da sociedade, a omissão das ditas
pessoas de bem que na época NÃO QUERIAM SABER.
E estas pessoas apoiavam qualquer
medida radical ou moralista do governo e muito me dói quando vejo pessoas que
tem esclarecimento se portarem como tenho visto num VALE TUDO moral. Conheço
muitas histórias da filosofia daquele tempo...
Dos embates e disputas da filosofia
tomei conhecimento quando os expurgados da UFRGS voltaram na época da Anistia e
houve um longo período e uma época que eu imaginei que na filosofia todos foram vítimas, mas quando
ingressei na universidade e tomei conhecimento do que de fato aconteceu, me
senti muito mal, muito envergonhado porque de fato não foi bem assim. Haviam os
professores cassados, houve a renuncia do Victor de Britto Velho após a
perseguição, mas alguns ficaram e fizeram parte de certa forma desta Vendetta
Ideológica e Anticomunista. Ainda tomei conhecimento de uma perseguição cuja
motivação que era marcada para além do ideológico, era simplesmente de cunho
homofóbico.
O professor Jaime Valim Mansan
que pesquisou este tema em seu mestrado, com o qual tive o privilégio de
trabalhar no Olindo Flores da Silva, narrava em detalhes o processo e esta
trama em sua dissertação.
Então, uso este exemplo, porque
penso neste tema da perseguição política e da vendetta ideológica ainda hoje e
vejop claramente a perda da racionalidade e o vale tudo moral contra os
petistas reproduzir este mesmo processo contra uma filosofia e uma forma de
vida e pensamento e me sinto incluído no presente no rol daqueles que são
cotidianamente ameaçados pela falta de pensamento, ausência de reflexão e argumentação
para as coisas. E Barroso foi preciso em sua resposta ao Joaquim Barbosa:
“O esforço para depreciar quem
pensa diferentemente, com todo o respeito, é um déficit civilizatório. Quem
pensa diferente de mim só pode estar mal intencionado ou com motivação
indevida: é errada essa forma de pensar. Precisamos evoluir. Discutir o argumento e não
a pessoa. É assim que se vive
civilizadamente".
E isto resume parte do desafio
nos debates atuais, não somente sobre o mensalão, ou o governo Dilma e o governo
Lula, ou o Governo Tarso, ou o governo local, mas o clima geral de depreciação,
desprezo, desdém, desrespeito e ofensas gratuitas que hora assisto nas intensas
passionalidades políticas cujos portadores em sua grande maioria pouco se dedicam
em suas vidas para superar as mazelas da nossa sociedade e ainda tem por hábito
ver Pedro, mas não ver Paulo...
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