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domingo, 9 de março de 2014

TOMEI UM ANTIÁCIDO

Tomei um anti-ácido estes dias...quer dizer: batizei um mantra da humildade de anti-ácido estes dias e fiquei pensando em tudo que vejo, leio e escuto nesta vida...com uma ênfase especial nos últimos anos em que tenho - digamos assim ou assado - andado por aqui – na internet, encontrado e reencontrado muitos amigos, muitos conhecidos e velhos conhecidos e outras coisas parecidas ou semelhantes e dessemelhantes...e tenho uma firme impressão que nunca tinha imaginado que tudo isso seria possível...ou seja, jamais imaginei em minhas diversas especulações de jovem que seria possível esta forma de contato....sou do tempo das cartas, das visitas, dos recados enviados por amigos comuns e em que a gente só sabia o que estava acontecendo com as outras pessoas em suas vidas ou pelo telefone, ou por jornais ou por comentários de terceiros...e vejam só...nossas relações são hoje instantâneas, simultâneas e também, mais momentâneas que antes, mas me parece e tenho a firme impressão que hoje conhecemos muito mais uns aos outros de um ponto de vista cultural, político e ideológico e existencial hoje do que antes....digo isso porque milhões de diálogos e perguntas e informações foram substituídas por postagens recíprocas...as afinidades e as diferenças são bem mais nítidas....e apesar dos desentendimentos e bloqueios e afastamentos,  está sendo e é até legal...Uma coisa me parece absolutamente certa: FALTA AMOR MESMO NESTA JOGADA e falta também DISCERNIMENTO...(morri de rir porque o Sakamoto em pleno coincidência espiritual postou um MEME neste sábado com os seguintes dizeres: FALTA AMOR NESTE MUNDO, MAS FALTA TAMBÉM INTERPRETAÇÃO DE TEXTO...e este meu texto é de sexta-feira, o Meme agora sumiu do Facebook, nem entendi bem porque...mas tá bom) porque sem estas duas coisas não há mesmo motivo algum para dizer que isso ou aquilo é melhor ou pior...e a partir disso Cara, vou começar a olhar para o outro lado, vou começar a dar uma priorizada nesta minha lista das pessoas legais....e na minha lista das coisas mais legais....como nada disso pode acontecer com o lixo da cidade, a mentira campeando e a baixaria rolando...vou continuar brigando um pouquinho por coisas melhores...se andei me levando a sério demais ou não...bem...esta é uma questão de perspectiva somente e a minha é a que me interessa...além daquela das pessoas que eu amo e que me amam...

quinta-feira, 6 de março de 2014

SOBRE A USSA E A GIANE - PARA QUEM GOSTA DE ANIMAIS E DE GENTE

Eu sinto muito por ti e pela Ussa que partiu, e quero te dizer mais alguma coisa de novo sobre isto e esta tua relação e a nossa com estes bichinhos. Se não me engano tentei te consolar também quando a Manchinha foi ao céu dos gatos e espero acalentar teu coração e do Drégus com isto também.

Minha querida e estimada amiga Giane, desde que te conheço você é assim: apaixonada por gatos e gatas. E por conta disto tens teus gatos e gatas e trabalha muito bem, inclusive, fazendo retratos destes bichanos, dos seus e dos outros donos e dos sem donos, também, que são admiráveis, expressivos, que nos emocionam e passam um sentido da graça, da beleza e da liberdade de espírito destes seres. Vejo também que consegues pegar e mostrar, nestas fotos, uma bela pitada das características que estes seres no mostram no cotidiano, em situações informais e em situações de até sedução do homem ao bicho e do bicho ao homem.

Eu sou um cara que já sofreu muito por causa de bichinhos e olha que digo isso sem sentir nenhuma ameaça e nenhum tipo vergonha, ao contrário, tenho orgulho disto porque há nisto algo de demasiado humano e de demasiado animal e penso até que através deles e do contato com eles eu me compreendo melhor em minha dimensão instintiva e em alguns impulsos e atitudes aparentemente meio despropositadas e não muito racionais. Penso que a gente sabe bem que as crianças e as pessoas em geral podem aprender muito com estes animais sobre emoções, sentimentos, a importância do carinho e do afeto, sobre cuidado, sobre interesse em primeiras intenções (que me é algo bem admirável neles) e também sobre a convivência e a liberdade dos outros seres serem exatamente como são e do modo que são.

Queria te dizer que muita gente deve à ti à Ussa, à Manchinha, aos teus demais gatos (penso muito no Goku Tb. Quando lembro destes teus e nossos queridos ), e à muitos animais uma série de coisas. Eu tive muitas gatas e gatos também. Gosto de animais, mas também gosto muito de gente. E tenho o maior respeito por pessoas que gostam muito de animais. Herdo em meu coração e da minha avó algumas palavras simples e singelas sobre este gosto por animais e praticamente toda a minha família de ponta a ponta tem animais de estimação e alguns são inclusive veterinários e outros querem ser. É até um negócio engraçado isso porque a medida que minha vida avança a cada dia se intensifica mais a minha relação com os seres humanos como professor e com os animais como pessoa. E não é por capricho, de certa forma uma coisa vem trazendo a outra e me vejo hoje num mundo cujos habitantes e minhas relações não são mais mesmo somente os seres humanos. Isso inclui os pássaros e se eu não me cuidar toda a fauna e toda flora. E eu vejo a mesma coisa em você e em muitos outros amigos e amigas. E isto é uma coisa que me dá certa confiança no futuro da humanidade, inclusive, porque ocorre aí uma espécie de educação de nossa sensibilidade, tão necessária para se reduzir as guerras, as soluções violentas e melhorar a vida de todos nós     

Eu penso que o mundo é dividido espacialmente e afetivamente e penso que se houver algum tipo de outro mundo também deve ser assim, mas eu não tenho a menor dúvida que o melhor espaço deste mundo, do nosso mundo, do mundo deste seres todos, deve ser mesmo o nosso coração e que o melhor sentimento é mesmo o afeto, a estima, a graça e a beleza de poder amar. Assim, minha amiga e meu amigo Dregus guardem nestes espaço todo amor e todo carinho pela Ussa e saibam que se houver um outro mundo este sentimento vai se realizar lá também.

Nunca se arrependam de amar, nunca fiquem tristes por serem amados e continuem amando porque é esta mesmo a melhor experiência  e o maior privilégio que temos nesta nossa vida.

Um grande abraço amigo!           

SOBRE A PALESTINA

Sou radicalmente contrário a qualquer forma de violência...não sou antissemitista e nem tenho uma abordagem parcial da realidade...aliás, inclusive, tenho conhecimento de organizações Judaicas que são contrárias ao que é feito como política de guerra contra os palestinos...e não admito nenhuma forma de desrespeito à dignidade humana nem de ocupação territorial da Palestina....na minha opinião e da maioria dos militantes sociais deste planeta já passou da auto defesa faz tempo as medidas israelenses contra os palestinos...para mim já está no grau de ABUSO E CRIME...contra a HUMANIDADE, para concluir, discordo também da política militar americana e russa mas isto não me torna anti-americano e nem anti-russo...não sou contra o povo de nenhum país deste planeta....mas sou contra as políticas que avançam para o domínio da guerra a partir de pretextos que envolvem exploração, expropriação e dominação dos outros povos....

quarta-feira, 5 de março de 2014

LOS ROSALES - LORCA - POR LUIS BRASIL

En un rincón, junto a una fuente, se deshace una estatua de Apolo, que 
aterida de frío se tapa entre los rosales... 



MAS QUE ABSURDO ISSO

Bom Dia...amanheci pensando em categorias filosóficas carregadas de metafísica e às voltas com ideias carregadas de sentido afetivo e de esperança....prometo que da próxima vez que eu me meter com o INDETERMINADO e a LIBERDADE vou tentar ser mais claro ainda...e nesta curta semana de aulas vamos ver como SURGIU A FILOSOFIA....e o que nos fez pensar tão diferente e tão estranhamente....enfim como começou este vírus contagioso e incurável de pensar contra a tradição, a autoridade - e a única razão para ir contra a autoridade e a tradição é porque elas não são capazes de responder a certas perguntas e não dão razões - e como se faz isso e se continua andando sobre o mundo...uma forma de fazer isto fácil hoje é ser cientista...a mais difícil é repousar no filosofar...porque quando a filosofia vira tradição, tá na hora de mudar de novo...alguém disse que a reflexão filosófica anda esgotada, que não pergunta e nem responde mais a questões importantes, que esta tudo resolvido e que om babado agora é curtir e usar toda a técnica...sei....e quando é que vais me dizer porque começou a acreditar em papai noel de novo? e eu sei que uma mágica aqui e uma ciência ali não faz mal nenhum...que dá para ir levando...mas eu gosto de pensar, pensar um pouco mais sem ter medo algum de procurar novas razões, novos sentidos e novas formas de compreensão que me ajudem a viver...Com certeza você não há de me dizer que está tudo bem assim...e você sabe mais onde aperta seu próprio sapato do que mesmo...onde o sufoco se torna insuportável...quando te bate aquele sentimento de inconformidade, desconforto e inadequação....o que você faz?...grita a plenos pulmões como o poeta russo?...visita o terapeuta e procura uma gota de paciência diária?...respira fundo e  começa a correr?...liga um cigarro e sobrecarrega teu sangue de um montão de pneus de nicotina?...bate com a cabeça na parede?...bota a culpa no mundo e nos outros de tua infelicidade?...inventa uma nova desculpa para persistir no erro?...afoga tuas mágoas numa garrafa?...procura a amizade silente de um cão engarrafado?...vai para Sbornia visitar o bordel mais caro?...liga a guitarra a todo volume e espera uma transformação do mundo?...viaja à custos módicos a procura do nada?...abre um livro e não consegue pensar em outra coisa?....compra um presente para sui mesmo?...dedica horas a uma lição de culinária?...vai te embora para Pasárgada?...mergulha no mediterrâneo?...tira fotos de tudo?...brinca de gato e rato consigo mesmo?....assiste um serial killer na  tevê?....mas que tal? Como anda a vida?...BOM DIA!!!     

terça-feira, 4 de março de 2014

TAROT E OUTRAS ESCOLHAS – AINDA NA DIGRESSÃO SOBRE LIBERDADE E INDETERMINAÇÃO

Ontem no meu ensaio sobre LIBERDADE E INDETERMINAÇÃO: CONFRONTO DE ESCOLHAS, tratei nele sobre o Tarot  apenas de passagem. Este ensaio de ontem, primeiro, responde de forma liminar e superficial, desorganizada e pouco analítica e profunda, à certas interrogações que ando fazendo. Em segundo lugar ele foi provocado pela conjunção na minha tela de pensamento de idéias sobre um Filme (Onde os fracos não tem vez, 2007, dos irmãos Coen), um Texto (a crônica Pedras que Rolam, do Menalton Braff), outro Texto (a crônica O FIM, do Luis Fernando Veríssimo) e, ainda, entrou no samba final uma postagem e discussão sobre Tarot (do perfil do Renato Janine Ribeiro). Entrou nele também os meus recorrentes estudos de filosofia grega (Platão, Aristóteles, Tales de Mileto e Sócrates), onde ando entabulando, revisitando e refletindo sobre diversas coisas que incluem o surgimento da filosofia, o tema da liberdade e do destino, da indeterminação e dos acidentes na vida. 

Além disso, também o tema da escolha das cartas no Tarot, como uma escolha às cegas, me lembra que em boa parte das artes divinatórias se faz do começo ao fim, escolhas nos búzios, nas cartas, no I Ching e mesmo na astrologia em que o desenho do mapa é posto ao nascer e sofre certa evolução determinada, cuja única variação possível na vida da pessoa é com quem ela se relaciona e onde se relaciona, mas que na astrologia quando é feita uma escolha das palavras e das ênfases de significados por parte do astrólogo também há escolhas que envolvem desde a formação, concepção e metodologia própria do astrólogo até outras escolhas que incidem na interpretação. 


Comparei e comparo tudo isto com as nossas escolhas na vida que, como bem disse o professor Renato, são arriscadas também, ao meu ver, porque expressam e realizam nossa liberdade em confronto com o indeterminado.

A gente sabe bem porque são arriscadas. Ora a vida é feita de escolhas e tem sido recorrente até os usos publicitários disto para atrair estas escolhas de nós, mas algumas escolhas não são nossas, nem dependem somente de nós. A maioria das escolhas que nos definem em muito em nossas vidas aliás provém também de elementos externos à nós. Isso não significa que não escolhemos. Significa que tem mais gente escolhendo e que tem escolhas que ninguém escolheu, digamos assim.

Assim, nossas escolhas sofrem um fator indeterminado. Basicamente porque sofrem de efeitos que como muitas coisas que escapam às ciências exatas ou físicas e às previsibilidades bem e razoavelmente estabelecidas, se sucedem mesmo assim no mundo. De tal modo que não há garantia alguma do que vai ser, nem do modo como vai ser e é a vida um tipo de obra que depende do projeto, mas cujo segredo ou o mistério, o insondável e o inexplicável, o imponderável e o imprevisível rondam à nossa existência e de nossas escolhas.

Em resumo, tem uma parte que depende de nós e tem uma parte que depende dos outros, mas também há uma parte que parece não depender de ninguém ou que não é deteminável. Chamei isso que não é deteminável de indeterminado.  E esta última parte da equação do que acontece com a gente nos provoca a pensar no místico, no divino ou no que fica superior, para além do nosso alcance e que é tributado como sobrenatural.

Vou me repetir aqui. Então isso nos mostra que não depende somente de nós, de nossa prudência, maestria, virtude ou sabedoria, as condições do desfecho ou do que vai ocorrer. E nos vemos assim com duas dimensões efetivamente decisivas e indecisas. De um lado o que está ao nosso alcance o que está ao alcance de nossa compreensão (o que inclui algumas escolhas dos outros) e,  do outro lado, o imponderável, o sobrenatural de Almeida, o que é misterioso e espantoso e que nos surpreende ao longo da vida (que também pode ser resultado das escolhas dos outros. Nosso mundo de possibilidades passa a ser cindido por aquilo que podemos fazer e compreender e aquilo que não depende de nós e que também não conseguimos compreender. E as vezes aquilo que não depende de nós nos joga em um trecho pelo qual devemos passar compreendendo com muito esforço. E tal esforço pode nos levar a desistir de tentar explicar.

Como dizem e reproduzem já a exaustão por ai: somos responsáveis pelos afetos que conquistamos, somos livres para escolher, mas depois de escolhermos não escapam as conseqüências,  todas elas nos advém à medida exata do seu tempo e da afinação dos demais instrumentos e personagens da vida. Porém, não somos tão livres assim como julgamos.

O Tarot entrou nesta conversa por conta da constatação do filósofo e amigo Renato – e tomo a liberdade de chamar alguém de amigo não quando o conheço, mas quando guardo certa estima e admiração por ele e, neste caso, seja pelas epístolas, seja pelas posições, que na maioria das situações compartilho; ele  percebeu que havia algo interessante no Tarot: a escolha do consulente. Ele sempre pensou que dependesse da mão do oraculista como os búzios, e que então  surpreendido com o fato de que as cartas são escolhidas pelo consulente e que somente a interpretação é do tarólogo ou taróloga.

Excluindo a idéia de uma vidência ou do sobrenatural resta apenas o indeterminado. Porém ai há no elemento fortuito e indeterminado, um elemento para o qual nossa tendência é atribuir a alguma força sobrenatural ou mística, ou a uma vontade divina, o que ocorre, mas eu não sei não. Não sei nada sobre isto e não tenho como saber. E o exemplo do jogo de Tarot é um bom caso para percebermos isto, haja visto que ele depende de uma escolha e de um indeterminação também. Porém,  a escolha é, também, indeterminada na contraface e na ocultação da face das cartas escolhidas, pois esta escolha de cartas é feita por alguém que não sabe, enfim, qual carta está a escolher na aleatoriedade do que foi embaralhado e disposto à mesa.  É uma escolha no escuro como muitas outras em nossa vida, com o risco para o bem e para o mal disto.  (O filósofo Michael Dummett talvez tenha algo mais a nos dizer sobre o Tarot. Vamos ver isso mais de perto uma hora destas.)

Fiquei feliz ao saber que o papo dele, no Encontro da Nova Consciência em Campina Grande, sobre isto foi com a minha grande amiga Giane Portal, que é publicitária, taróloga, gatóloga, astróloga e fotógrafa. Então resolvi estender a prosa para além do que disse acima e contemplando algumas coisas que as demais tarólogas dizem sobre isto.

Eu disse a ela que tinha um texto maior sobre destino na minha página e que ofereci também como a ele e que é um começo de algo maior sobre isto que estou tratando às voltas com o livre-arbítrio, e o tema do amor, e ainda o tema geral da liberdade, o que me referia acima no confronto com a indeterminação, e que eu considerava tudo isto numa espécie de grande confronto de possibilidades na nossa vida. (Para os astrólogos sugiro pensarem bem no quadrado Plutão (Capricórnio) Urano (Áries) que para mim, na semântica astrológica é justamente o confronto entre a máxima indeterminação e a máxima liberdade, ou o máximo poder e o impulso máximo pela liberdade – nossa geração que tem isso em virgo deve toda ter boa experiência disto em alguma área de sua vida, já no meu caso vai para a análise.)

Anoto aqui que alguns vão estranhar esta minha postagem a mais não poder, tanto por seu conteúdo como pelos elementos que ela traz, mas vou tentar ser claro porque eu sei bem que há um quê ou risco de loucura nisto tudo e eu penso e digo que é bem possível mesmo. Estamos aqui nos limites máximos, na minha  opinião,  da sensatez, razoabilidade, racionalidade e cientificidade.

E eu sei que tanto a filosofia quanto o esoterismo atraem os gênios e os loucos sendo que uns viram os outros de vez enquando. E uns são tomados pelos outros na maior parte das vezes. Fui também reler agora as postagens lá e a primeira que encontrei me pareceu ser portadora de uma tendência dogmática, mas que vai se desfazendo ao longo do debate. É importante dizer aqui que isto tem ocorrido desde os idos de 2005 e 2006 também no Orkut nos debates nas comunidades de Astrologia e de esoterismo ou artes divinatórias. Debates estes que nos levaram a conquistar e conhecer muitos amigos  e amigas que hoje se reencontram no Facebook e que criam outras redes e relações alternativas. Curiosamente a reprodução desta tendência é tanto para um lado como para o outro. Ou seja, há uma tendência dogmática na defesa da cientificidade e há uma tendência dogmática na defesa da mística. Mas oq eu eu posso fazer com isso? Quase nada...   

A idéia de que há um ÓRACULO presente – que é uma entidade outra que o consulente e o tarólogo é bem clássica e acompanha toda a tradição de leitura do futuro. Haveria uma receira personagem ali que indicaria ou inspiraria como que numa possessão ou mesmo ao ombro ou guinado a mão e a fala do intérprete sobre a leitura. Não é esta uma idéia ou argumento refutável, simplesmente porque ela também faz parte do conjunto de crenças adotadas nesta ou em outra formação de tarólogo. Mas cabe registrar que já existem tarólogos que tentam trabalhar mais em uma dimensão técnica, ou seja, procuram atuar abrindo mão desta dimensão mística.

A idéia maravilhosa de CURA DA ANGUSTIA PELA PALAVRA me lembra muito Freud.  O senão aí é que nem sempre rola esta cura e que às vezes fica só a palavra e a doença ali se reproduzindo e se reapresentando e mesmo Freud percebeu isso em suas lidas com a hipnose. Percebe-se, então, o limite da cura na fala porque falta uma outra coisa nesta relação que não é somente presencial ou confessional. O nome disso em qualquer hipótese deveria ser Tratamento, ou seja, deveria - para efetuar a cura - haver a prescrição de uma conduta, porque aquele nó, aquela dor ou sofrimento, aquele rolo ou embaraço não se desfaz apenas em pensamento ou palavras.  Ainda que alguns gostem da idéia de uma cura instantânea, e se sentiriam muito privilegiados caso se desse uma iluminação ali.

Mas concordo com a opinião de muitos que mesmo assim o Tarot não é uma ciência, aliás o Tarot muitas outras atividades semelhantes, porque entendo que não é o tipo de atividade que precisa ser comprovada como tal. Assim, a atividade é ela mesma uma Arte e a sua relação com uma religião é possível ou facultativa em qualquer caso...Deste modo, não é ser ou não místico que transforma o Tarot em ciência...mesmo não sendo místico continuará sendo uma arte. 

A tendência que também aparece – que às vezes me parece uma força de atração muito poderosa quando se enfrenta o tema do imponderável ou inexplicável – é a presença constante deste lado místico, que às vezes me parece não ser um lado, mas o todo. E vem junto dela o famigerado e temível, fatal e impressionante DESTINO. Eu tendo a tratar deste tema abrindo mão mesmo do destino e atribuindo a este conjunto de possibilidades um caráter aberto e indeterminado. Ou seja, para mim não está escrito em lugar algum, vai se realizar se você e outros tomarem a iniciativa e fizerem a escolha para isto. Fiquei pensando na palavra dosimetria aqui, porque ela poderia entrar neste jogo para a gente tentar entender porque alguns destinos brilhantes não se realizam.  Ou porque alguns se realizam na mínima, na média ou na máxima acepção da palavra. Há que ter trabalho ou algo mais ai que explique. E o fator sorte, fortuito ou o acaso também entra no jogo. Assim, a tiragem de cartas, e a sua calibração depende da própria dosimetria do individuo ou consulente para se realizar e da sua exposição a estes ou aqueles elementos que fortuitamente podem beneficiar ou prejudicar o seu andamento.

Vou usar um elemento incrível aqui. O do pianista Keith Jarret. Um virtuose do piano cuja gravação mais importante e mais evocativa se deu justamente com um pi8ano ruim, com um defeito na afinação de uma das cordas o que lhe obrigava a arranjar mentalmente um acorde no entorno desta corda. O Koln Concert, junto com Kind of Blue de Miles Davis é considerado um dos maiores discos de Jazz, mas é um disco solo meu amigo e é simplesmente o mais vendido da história do Jazz. Eu tenho predileção absoluta por este disco. Mas o que aconteceu ali? O piano que ele usou era de ensaio e estava em mau estado e exigiu antes do concerto várias horas de afinação e ajuste para torná-lo usável. O instrumento era metálico e fino nos registros superiores e fraco nos registros dos baixos, e os pedais não funcionavam corretamente. Como o Concerto tinha sido organizado por uma menina de 17 anos (Vera Brandes), boa parte do planejamento prévio e de certos detalhes parece que foi dispensado. No entanto, ele foi perfeitamente gravado e registrado e se tornou neste disco memorável. Em virtude destas dificuldades  Jarrett usou muitos obstinatos e rolavaos dedos rapidamente do lado esquerdo do teclado com figuras rítmicas durante sua performance com o objetivo de dar o efeito de notas graves e mais fortes, e concentrou-se na porção média do teclado. O produtor da ECM Records Manfred Eicher disse mais tarde: "Provavelmente, Keith Jarrett fez tudo assim, porque o piano não era bom. Porque ele não cairia de amores com o som dele, ele encontrou então uma outra maneira de obter o máximo proveito disso.” (Usei aqui parte do texto do verbete da Wikipedia em inglês  sobre o Koln Concert com alguns acréscimos e alterações minhas). E isso basta para demonstrar  o que quero mostrar aqui que nem sempre as melhores condições levam ao melhor resultado e que às vezes algumas condições ruins podem levar ao melhor resultado. Substitua-se as condições ai por cartas ou pela interpretação ou pela leitura do consulente e está bem formado o quadro que eu gostaria de atingir sobre o êxito ou não de uma leitura, da sorte fortuita e das escolhas e seus limites.  
Ainda creio que seja algo opcional ou facultativo este elemento místico ou divinizante na leitura seja dos búzios, seja das cartas, seja de um mapa astral ou no lançamento do I Ching. Creio que todas estas artes preservam algo de místico e indeterminado quando seus leitores falam não mais em divindade ou deuses, ma sim em intuição. A intuição aí não é nem temporal nem espacial, sua acepção é a mesma de Insight e tudo se passa como se viesse ou sobreviesse repentinamente uma luz ao intérprete que lhe guiaria a leitura. Aqui eu encontro algo tão inefável ou místico e inexplicável como a tão desejada epifânia que James Joyce almeja em seu Retrato do Artista Quando Jovem.  Porém, vamos às palavras e às palavras velhas sobre isto. Trata-se ai deste fluxo ou discurso silencioso da alma como dizia Platão que chamamos de pensamento e que muitas vezes nos aparece como que do nada e deslinda a questão, o problema ao dá a ordem das idéias que precisamos para interpretar o mundo ou o que ts posto diante de nós. Isso acontece muitas vezes após intensa e contínua reflexão, e outars vezes num repente ou estalo e muitas vezes não acontece de bate-pronto ou instantâneo como alguns gostariam, mas acontece. E neste tema eu me pergunto: como isto é possível? (e aqui esta pergunta se lança sobre a própria filosofia, em como é possível pensar-se diferente de toda a tradição que nos circunda, o que é mais ou menos o que acontece com a boa filosofia.) Com certeza houve uma escolha nossa aí que deve começar com nossa atenção ao tema e prosseguir com nossa reflexão até que a ideia irrompe e deslinda ou desvenda a questão.

É uma escolha da preferência de quem lê e mesmo que quem leia as cartas seja cético, pode ocorrer que o consulente tenha sua própria crença e construa os significados a partir disso. Ou seja, como o consulente tem sua própria crença e Le pode construir um significado próprio sobre aquilo que o tarólogo diz. O consulente que pode ter sua crença também vive um  fluxo reflexivo e também vai atribuir significado ao que vê e escuta, ao que sente e imagina neste contexto de leitura das cartas.

A questão, então, não é se funciona bem ou mal para o místico, a questão é se você acredita e como você acredita e atribui significado ali neste contexto, o que seria ai funcionar vai depender da sua crença e da construção de sentido que você faz sobre o que é lido e que te é compreendido ou traduzido em sua linguagem de crenças próprias. Senão o que seria mesmo funcionar ai? Dar certo? Ora essa, a gente sabe que pode dar tudo errado na vida e nas cartas e a gente continuar achando que está certo, que era isso mesmo. E mesmo assim o resultado pode ser ótimo. (Recomendaria aqui o estudo sobre Teoria do Auto-Engano.)


Julguei aqui e considerei aqui que é muito importante clarificar as opções de idéias e não defender esta ou aquela dogmaticamente e tentei me dedicar, em especial, um pouco a isto porque sei que muitas escolhas na vida passam por processos como estes. Nossa compreensão de possibilidades não pode se fechar e talvez seja melhor perceber as aberturas e não tanto ter as definições finais do tema. E, assim, devolvo o baralho a mesa para que outra sorte seja lançada e outras escolhas possam ser feitas. 

A MINHA GATA E O TELHADO

Bom Dia...a minha gata passou horas no telhado miando até que o gatão dela fosse lá salvá-la. Peguei a escada e ela com aquelas garrinhas afiadas e armadas finalmente ganhou o chão, me agradeceu e foi-se ao pote de ração, depois veio roliçar minhas pernas com um miado carinhoso. Quando tu te acostuma com estes bichanos, tu sabe que na real tudo que eles fazem tem um propósito que no fundo é afetivo e social. Dá para entender? Acho que nem precisa...tá né...seu GATOSO!!!!

SOBRE CAÇADAS E ARMADILHAS: O DIA DA CAÇA E O DO CAÇADOR

Meu avô dizia que o lugar mais perigoso é onde a onça bebe água, só que às vezes é mais perigoso ainda para ela. TÁ LIGADO?

PARTIU O NADA

Partiu ao nada, porque já era ser ou qualquer coisa..
E quer tentar se definir ou dizer, mas calou...
Porque já era ser ou qualquer coisa...
Então voltou, porque já era ser ou qualquer coisa..

E quem partiu foi o nada...

MANTRA DA HUMILDADE: CONTRA TODA A RAIVA E TODA DOR

Humildade, humildade, humildade, humildade, nada que te possam fazer de mal deve ter a força de ferir teu orgulho ou tua vaidade e nem você mesmo pode agir por orgulho ou vaidade, aplaca toda a tua dor e toda raiva que aparecer em teu coração cantando assim, um mantra, humildade, humildade, humildade, abre para mim o teu amor...e não vais errar, não vais sofrer..vais andar e seguir em tua vida, com paz e com amor.

segunda-feira, 3 de março de 2014

TODOS CONTRA O PT? - OS PARTIDOS QUE EXISTEM, A FALTA DE UNIDADE DAS ESQUERDAS E UM NOVO PARTIDO

Um amigo meu bem mais pessimista disse que, bem na real, no afinal de contas mesmo, contra o PT hoje os demais partidos ESTÃO TODOS JUNTOS!!!!

Eu nuca fui pessimista. Mesmo muito jovem nos idos dos 70 tinha certeza que íamos superar a ditadura militar, consolidar a democracia e promover uma grande mudança na sociedade brasileira. Depois nos anos 80, ajudei a fundar um partido e sempre tive também a convicção de que um dia este partido governaria minha cidade natal, o estado onde vivo e o nosso pais. Bem, já governamos São Leopoldo de 2005 a 2012 e vou usar a ironia cínica aqui da oposição e dos conservadores: viva o desenvolvimento que els alegam que endividou a cidade para não fazer nada. E também, já governou meu estado duas vezes e os resultados na minha avaliação são ótimos, entretanto, na primeira ocasião praticamente se autodestruiu por disputas internas e rachas na base aliada, além  do fogo de barragem do PRBS e, nesta última vez que é hoje, com Tarso Genro sofre de quase as mesmas oposições e com algumas outras condições que são novas, nota básica para o tema do Piso Salarial dos Professores e o desgaste disto e com o ínterim de que agora enfrenta uma grande reação conservadora que se apõe, também, ao governo federal. E, enfim, após duas gestões de Lula, Dilma se encaminha para a reeleição não sem que haja nenhuma reação conservadora. Ao contrário, absolutamente todos os emuladores possíveis estão ativos contra ela com o propósito de colocar simplesmente qualquer coisa no governo contra o PT. Como, aliás, fizeram em São Leopoldo, no que me recuso simplesmente em comentar porque é trágico, para não dizer cômica e ridícula a situação administrativa em que a cidade se encontra hoje, com retrocessos e atrasos em todas as questões.   

Na minha formação política fui estimulado a estudar e a avançar nos estudos para me preparar para o futuro e ter de fato alguma função ou utilidade objetiva e real para estas mudanças com as quais tanto sonhávamos. Comigo aconteceram muitas coisas nestes 34 anos e como outros companheiros e camaradas tudo começou mesmo quando me aborreci muito com a embromação que sofremos na luta das diretas, com os altos índices de desemprego dos anos 80 e a grande inflação que corroia nossos salários quando o tínhamos. Mesmo assim continuamos lutando primeiro pela Constituinte de 1986, segundo através de greves e muita militância espontânea e cotidiana, gratuita e voluntária em todos os lugares e espaços por onde passávamos. Se os jovens de hoje julgam que estão vivendo intensamente eles não tem a menor idéia da quantidade de reuniões semanais, cursos de formação e atividades de agitação, panfleteação e, também, quantos discursos fazíamos por semana. Cara, tudo era comício, meu amigo e amiga. E algumas pessoas que estão me lendo agora devem lembrar da discussões acaloradas e dos diálogos com ênfases em palavras de ordem que fazíamos nas paradas de ônibus, nos ônibus, nas estações de trem, no trem, em bares, corredores, filas de cinema, e até mesmo em um prosaico passeio de compras ao supermercado. Mesmo um resmungo ou um reclame possuía conteúdo político, crítico e ideológico.

Devo dizer, porém que existem duas formas de pessimismo o conjuntural ou tópico e o permanente, generalizado ou de longo prazo. E, no que toca a atividade política o último deveria ser proibitivo. Quer dizer, quem sofre da última modalidade deveria se afastar ou ser afastado ao máximo de atividades políticas, seja porque pode promover estragos seja porque pode nunca reconhecer qualquer avanço e, portanto, acaba por negar e diminuir os ganhos desta atividade árdua. Somente em uma hipótese compreendo a presença do pessimista genérico e permanente na política como conselheiro prudencial dos limites da ação e como sinalizador de quando de fato o piro dos mundos possíveis é real. Afora isso, como já dizia a Xuxa, senta lá então Claudia e não atrapalha...             

Mas ao dizer que TODOS OS PARTIDOS ESTÃO JUNTOS CONTRA O PT é uma expressão de generalidade absurda e excessiva não podemos desconhecer a sua face verdadeira. Devemos compreender, na prática de cada partido que por definição segue  a concepção mais pragmática de partido e é esta mesma: cada um por si e só se anda junto com o outro se houver vantagem nisso. E isto não é uma invençõa do PT, mas sim da lógica partidária vigente hoje no pais por conta das práticas e do sistema político existente. O que ocorre no Brasil também é que alguns partidos cresceram, outros vão minguando, alguns são novos, outros estão se criando e alguns ainda se mantém como uma espécie de centro de equilíbrio da democracia brasileira como o PMDB, que mantendo suas votações e suas bases nos últimos 30 anos ou 45 anos se mantém no centro (o MDB não morreu). O PMDB funciona como uma espécie de berçário político também, como uma espécie de grande frente ampla, estação de passagem e meio que porta de entrada e origem de todos que não querem grandes compromissos ideológicos, nem à direita e nem à esquerda e se lançam politicamente para eventualmente migrarem ou fundarem outros partidos.     

A gente fica pensando nisso e olha para o arco de alianças e para os atos, movimentos  e gestos cotidianos, no congresso, nos ministérios, nos estados e municípios e tende a dar razão para o pessimismo do meu amigo. E tende a dar razão não para um pessimismo tópico, mas sim genérico.  E a conseqüência disto é que as alianças tem limites  e que elas namoram ou beiram de forma permanente com a possibilidade de mortalidade de um de outro. Entretanto, deveria haver um outro indicador para se avaliar as alianças que ultrapasse o mero pragmatismo ou a imposição do sistema político e fosse capaz de justificar por programas e projetos, produtos e fatos.

Assim, não são somente as alianças do PT, que sofrem uma espécie de condição relativa  e instável, mas todas as alianças sofrem disto. Quando somos, por exemplo, acusados de ter feito aliança aqui e ali pela governabilidade, parece que todo mundo esquece que temos um regime presidencialista, mas 75%, 70%, 65%, 60%, 55%, 51% não dá o mesmo percentual de deputados ou senadores e que todos os governos no Brasil, mantida a atual legislação tendem a ser de coalizão e a compor por necessidade e principio de realidade com os demais partidos para poder aprovar leis e dar conta de suas tarefas programáticas. Não se governa sozinho e isso é inclusive uma certa garantia de que a democracia não é somente um momento ou episódio, mas um exercício cotidiano de renovação de compromissos muita negociação e construção de acordos para este ou aquele tema. Quando penso nisto chego a me impressionar quando os governantes do PT são acusados de ter aliança com este ou aquele, porque o que determina isso não é a disposição do PT, mas exclusivamente o voto do eleitorado que impõe ao PT o reconhecimento e a negociação com aqueles que são eleitos. E não irá surgir este mundo ideal que alguns imaginam de Eleger ou Governar com chapa pura, e cumprir somente o programa do PT.

Exceptuando-se, dentre todos os aliados, o PCdoB com grandes afinidades programáticas e políticas e um ou outro aqui e ali, todos os demais partidos aliados são conjunturais e para um período e com todos ocorrem crises  de composição de governo, apertos e pressões por mais cargos e um jogo que nos bastidores é conhecido como morde e assopra, ou seja, fere (morde, ataca, denuncia, etc) o governo, mas logo faz um discurso (assopra para curar a ferida) para recompor após o ponto concedido. E eu sei que Dilma é provavelmente a mais dura governante do PT neste sentido, o que explica parte da revolta ou do muchocho corrente na base aliada. A gente até se acostumou a lidar com isto, porque faz parte do jogo democrático ainda que alguns possam chamar de chantagem, traição ou como o Brizola chamava costear o alambrado e  ameaçar cair fora.  E eu fiquei pensand o nisso um pouco mais. Que é um objetivo bem nobre o deles é claro...tirar o PT do poder, e  depois AZAR...bem, o azar a gente vai descobrir bem rapidinho de quem.....

Em vários estados e cidades a gente já viu isso acontecer várias vezes já e depois ficam mangando 12 anos até ter de novo políticas públicas voltadas para minorias e segmentos sociais. E em alguns lugares nem em 12 anos as coisas mudam ou voltam a melhorar novamente. É uma livre opção do eleitorado, das lideranças de movimentos, dos quadros políticos e dos partidos, é claro, apoiar ou deixar de apoiar governos e candidaturas. Mas tem um mecanismo comum ai. Primeiro eles apoiam quem fez as manobras contra e ao fim e ao cabo acabam fora também, sem receber atenção, sem receber atendimento de demandas e sem ter espaços para atuar. Isso quando não há uma regressão ou decadência completa nas políticas públicas com o respectivo acirramento político e regressão a violência na ação política haja vista a extinção de canais de comunicação, debate e mesmo conflito nas gestões de centro, de direita e mesmo nas pseudo-esquerdas..é uma espécie de disposição  inconseqüente  deles. E  daqui a 12 anos a vida vai estar bem diferente para eles e para quem estiver vivo, é claro...Mas daí já eras...Tenho visto estes ciclos de 12 anos se repetirem desde a redemocratização em poucos lugares. No RS, em São Paulo capital, e me chama atenção que estes são lugares simbólicos para certa tradição petista. Já em Porto Alegre vejo a coisa de mal a pior.

Eu fico pensando – ainda que resista a pensar assim – que não tenho mais nenhuma esperança, porque quando há certa regressão como vemos, a recuperação fica impedida também por adaptação ou readaptação às velhas práticas e formas de fazer política que é o que eu vejo em Porto Alegre, por exemplo. Assim, alguns fazem esta política contra o PT, como uma política artificial até, com certa indiferença e deboche até, como se estivessem num vídeo game, mas sempre lembro que trata-se da vida real...

Mas não considero que tudo está perdido definitivamente, apesar desta grande reação conservadora no Brasil e dos equívocos dos demais partidos de esquerda. Não excluo com isso os equívocos do PT aqui ou ali também. O PT já se sabe como falível.

Dilma conseguiu, na visão de alguns cometer erros, e de fato teve sérias dificuldades porque a eleição de 2010 não deu a ela as tão alegadas bases melhores, ela não é tão pragmática e tão hábil quanto o Lula com certeza...mas também foi capaz de coisas que o Lula não foi...porém boa parte destas coisas ficam restritas aos ambientes internos ao governo.

Creio que na área cultural poderia ter avançado mais não fosse a desastrada e polêmica gestão de Ana de Hollanda, a qual infelizmente não chega perto à sombra do pai ou ao gênio do mano. E Marta nesta até fica gerenciando. Diversas políticas setoriais ficaram travadas na minha opinião.  

Entretanto, eu considero que ela se reelege por conta da estabilidade econômica, da demissão muito sumária dos ministros suspeitos na primeira metade do governo, o que deixou ela imunizada à corrupção e, também, da reação clara e nítida às manifestações. Tem para decidir os detalhes ainda a Copa do Mundo, as disputas regionais com seus palanques e, também, o tema das relações externas Cuba, Venezuela e Estados Unidos, seja pelo mais médicos que precisa ganhar a nitidez contratual, o golpismo na Venezuela que precisa ser repudiado e qualquer sinal de firmeza em relação aos EUA que pode sinalizar ao povo trabalhador e à classe média a Soberania Nacional. E ainda soma-se a isso o que todos analistas já estão a indicar que Dilma se reelege porque não há nenhuma opção clara e estável na oposição. E quanto mais manobras os adversários de Dilma produzem pior tem ficado a situação deles. Um exemplo disto é a união Marina e Campos que gerou mais suspeita do que confiança em afinidades e em alguma forma de projeto consistente. 

Não sou, portanto, pessimista e muito me estranha este impulso pedagógico e punitivo de alguns adversários e aliados sobre o PT. Não creio mesmo que o PT e a Dilma ou o Lula ou qualquer um de nós é perfeito, nem que tudo dá certo e que nada é mais importante do que o poder, mas também não sou nem ex-petista raivoso ou rançoso e nem esquerdista com complexo de inferioridade, tão pouco brasileiro com complexo de vira-lata, ou pertenço a elite decadente deste país que assiste ao que acontece com revolta irrefletida.

Então eu as vezes olho muito mais mesmo para as questões gerais do que para as causas e pautas específicas e jamais eu privilegiaria a minha causa em relação ao todo. Assom creio que construir unidade e fazer o debate duro é melhor. O PT não voltará a ser mais o que já foi um dia e tem na minha opinião um prazo de validade de uns 12 anos mesmo, mas até lá vai continuar sendo a ponta eleitoral de toda a esquerda brasileira, até que se crie algo melhor.

E digo com muita sinceridade - até porque não conheço mesmo todos que me lêem - e a minha declaração aqui tem custo zero, mas pode ter um bom efeito reflexivo, ainda que não concorde comigo, não vejo sequer a semente de uma Nova Esquerda para o Brasil, nem no PSOL, nem no PSTU, nem no PCO, muito menos na REDE, no PSB e no PV.

Na exata medida que a maior parte deles fazem, contraposição ao PT e não constroem suas plataformas negando ao PP, ao PMDB, ao DEM, ao PSDB, ao PPS e a tudo que a gente tem tido de força ainda para enfrentar neste país, o que significa não somente o debate eleitoral neste país.

Ao contrário, todos eles fazem alianças táticas contra o PT, mas é preciso dizer que isso segue em sacrifício da estratégia de existência deles mesmos e que aqueles que sequer fazem alianças ficam exatamente como estão.

Pragmatismo é pragmatismo e penso também que é verdade mesmo que um programa e um projeto novo precisa ser construído. Penso  que este projeto precisa ultrapassar e abandonar estas mazelas da conjuntura eleitoral, mas penso que nem a REDE e nem o PSOL que poderiam fazer isso, fazem...a maior prova disto é que nenhum deles assina em baixo de uma consigna como a REFORMA POLÍTICA, que eles não se posicionam mesmo de modo a serem portadores do novo, sem as peias pragmáticas do passado e  sem os quadros pragmáticos do passado.

Se você analisar bem só há burocracias e velhos conhecidos bem carreiristas e são os mesmos que abandonaram o navio no meio das lutas mais difíceis pela mudança.

Não tenho absolutamente nada, por exemplo, contra a causa LGBT e sei inclusive o quanto fizemos para que ela tivesse visibilidade e o quanto disputamos isso, mas ela também é, foi e continuará sendo fortalecida também por causas indiretas...e você com certeza sabe que a geração de empregos e a redução da pobreza ajuda nisto....Te digo de coração que sou daqueles que jamais vou deixar de defender esta causa por pragmatismo ou conveniência alguma. Então eu peço apenas que você ou alguém explicite as condições que determinaram aquela lista de apoios lá acima, porque entre contas a pagar e as cobranças acima creio que seria bom saber quais são as prioridades que determinaram afinal aquilo lá. Só isso. LGBT é uma entre outras causas amigo e eu jamais sacrificaria as demais para satisfazer uma contra as outras e sei que os direitos humanos podem ser ameaçados ainda mesmo que se atenda todas as condições e propostas LGBT...eu lido com questões de classe por formação e muito me preocupa quando se sacrificam estas questões e nome do conforto de um ou outro segmento...só isso...

E não venha me refutar com violência porque eu conheço a condição feminina e a condição dos negros e dos pobres também. Sou professor e luto por isto o tempo todo.

A vida é dura..aqueles que nos acusam de trairmos os ideias são os primeiros a nos traírem logo após nós assumirmos estes mesmos ideais claramente e arriscadamente...ai se abraçam..com os demais....o PSB, por exemplo, de forma muito bonitinha está se associando aqui no sul, com aval da Marina ao PP de deputado Heinze e da senadora que foi contra a cartilha na educação que aborda a questão LGBT..tá legal...bem bom né...coerência esta..mas acusar a gente de ser contra a democracia, direitos humanos e estado laico é simplesmente desconhecer todas as dificuldades que enfrentamos e vamos continuar enfrentando com ou sem a ajuda de vcs...só para variar..e falar sobre o EMPONDERAMENTO DO POVO então daí é dose...

Porque nenhum outro partido na América Latina emponderou tanto o povo como o nosso econômica e politicamente....agora eu não posso ser responsabilizado com o PT porque o povo resolve votar em quem vota...esta disputa não é só minha ou do PT.. e com certeza ela fica cada vez mais dificil e cada vez o cenário fica mais duro por falta de unidade mínima das esquerdas ou daqueles que se consideram de esquerda...mas enfim...vou indo porque quando se começa a debochar e a tripudiar o debate perde sentido e propósito....para questões que são mais sérias e que estão acima de uma bandeira...





A ENGANAÇÃO ACABOU EM SÃO LEOPOLDO

Aqueles que ajudaram essa farsa a se eleger agora se escondem de vergonha. E os que governam com ele, não conseguem ajudá-lo a defender-se da sua gritante incompetência como gestor. E esta incompetência é coletiva de toda a equipe e STAFF dele.  

Ficam postando bobagens e dando voltinhas sem ter a capacidade de cuidar de coisas básicas das cidade . A maioria não tem nenhuma desculpa aceitável ou razoável pelo caos na nossa cidade, onde moramos, onde pagamos impostos e onde trabalhamos. É uma cara de pau gigantesca da parte deles. A falta de varrição, limpeza e coleta de lixo não ocorre pela falta de pagamento, mas pela incapacidade absoluta de gestão deles. 

E eles continuam falando da dívida, nomeando e trazendo mais Ccs para São Leopoldo, batendo nas pessoas na Câmara e nas ruas - como bateram nos jovens universitários no saguão da prefeitura e em frente a Unisinos e pelo jeito tudo que temíamos como o pior desfecho disso permanece um ano depois, porque todas as ruas da cidade, todas as praças, as unidades de saúde estão uma vergonha. Existem buracos no asfalto a cada esquina, e não é porque não deve ter nem piche para tapar os buracos, mas sim porque é uma gestão inoperante. Em obras eles conseguem a façanha de deixar incendiar um prédio em reforma e em um outro prédio do hospital o telhado e o forro caíram por completa imperícia e falta de planejamento comezinho em uma obra. E levaram 14 meses para consertar. Na saúde já é um horror completo, funcionários pedem demissão, e os CCs deles ficam pousando de chefes sem trabalhar e a promessa do hospital não vai sair mesmo...enfim... 

A PERNA CURTA deles apareceu. E é muito ruim isso. Eu e provavelmente todos os cidadãos e cidadãs desta cidade preferíamos que fosse diferente. A última piada deles foi dizer que só faltou água na casa de petistas. Ora essa...estão a 15 meses governando e não fizeram absolutamente nada ainda e sabe da maior? 

Eles tem e são candidatos a deputado...dá para acreditar nisso? Porque eu ou qualquer cidadão trabalhador e honesto desta cidade votaria em alguém que ainda não fez nada para provar sua serventia? 

SEM PALAVRAS!

LIBERDADE E INDETERMINAÇÃO: O CONFRONTO DE POSSIBILIDADES

Menalton Braff, este notável escritor que vem sendo reconhecido no início do século XXI, em seu artigo ou Crônica de hoje (03.03.2014) da CaRTA Capital, Pedras que Rolam, (aqui) após detalhar a sua relação com um amigo e conhecido e de quantas vezes estiveram próximos ou paralelos sem no entanto se encontrarem,  diz que as vezes pensa “nas pessoas que cruzamos na vida, que poderiam ter sido amigos ou inimigos” e etc. Eu vou suar isto como uma alavanca aqui para tratar e tentar compreender a nossa liberdade e indeterminação.

Este tema dele sobre o que lhe é fortuito e indeterminado e sua curiosidade com isso é um belo tema que recebe outros títulos na literatura. Os encontros e desencontros, as afinidades eletivas, aproximações, contatos e cruzamentos, as vidas paralelas e – por conta do seu caráter fortuito, imprevisível, indeterminado e acidental, estes casos de aproximação e afastamento de uns e de outros caem no rol das possibilidades, daquilo que é possível acontecer, mas que não possui necessidade alguma de acontecer. E que sendo possível acontecer nos leva a pensar em quanto destes encontros determinam o que nós somos e como vivemos.

No filme dirigido pelos irmãos Coen, ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ (2007) aqui que assisti de novo com mais atenção na semana passada, observamos um velho xerife às voltas com uma série de assassinatos e um caçador profissional que caça seu alvo e impiedosamente mata tudo que se atravessa no caminho dele, o momento mais tenso do filme – para minha escolha e opinião - se dá quando o policial cruza por segundos com o assassino profissional e psicopata. E isso é tenso porque na trajetória da personagem de Tommi Lee Jones vemos um homem que reflete com todas as suas dificuldades e limitações sobre as fatalidades da vida e sobre a sua dificuldade para entender o mundo ou o tempo em que vive. E esta personagem conquista nossa admiração seja pela singeleza das suas reflexões, diálogos e exemplos, seja pela piedade que desperta em nós aquilo que parece ser um pobre homem, mas que nos fundos  me mostra um bom homem, um homem comum que parece não merecer um final trágico.  Devo confessar – abre aspas ou parênteses aqui - que tanto fisicamente como em suas expressões Tommi Lee Jones sempre lembra e vai lembrar meu falecido pai. E quem conheceu ou conviveu com meu pai nos últimos 40 anos deve perceber rapidamente porque. E as suas personagens que misturam um heróico com um irônico sempre fazem isso comigo, porque meu pai parecia meio assim também um homem prosaico e simples, mas reflexivo e bondoso, enérgico e corajoso e bem determinado no seu andamento sobre o mundo. Voltando ao filme. Fica no ar a possibilidade do encontro cujo desfecho é trágico e bem previsível para o xerife, mas que mesmo assim é indeterminado e fortuito. E este encontro entre Ed Tom e Cigurth – a personagem assassina e quase marciana de Javier Bardem - não acontece, o que nos mostra que mesmo a sorte pode ajudar ainda em meio ao grande mar de sangue, lágrimas e azares do filme.

E isto nos impressiona neste filme e na crônica de Menalton, porque nos dá uma noção, de um lado, da nossa liberdade de escolha, bem como, da nossa responsabilidade nas escolhas, ações e iniciativas que tomamos, mas também, de outro lado, de que o fator sorte, o fator fortuito e indeterminado também intervém ai. Vai saber? Diria meu pai.

Então isso nos mostra que não depende somente de nós, de nossa prudência, maestria, virtude ou sabedoria, as condições do desfecho ou do que vai ocorrer. E nos vemos assim com duas dimensões efetivamente decisivas e indecisas. De um lado o que está ao nosso alcance do outro lado o imponderável, o sobrenatural de Almeida, o que é misterioso e espantoso e que nos surpreende ao longo da vida. Nosso mundo de possibilidades passa a ser cindido por aquilo que podemos fazer e aquilo que não depende de nós. E as vezes aquilo que não depende de nós nos joga em um trecho pelo qual devemos passar compreendendo.

Como dizem e reproduzem já a exaustão por ai: somos responsáveis pelos afetos que conquistamos, somos livres para escolher, mas depois de escolhermos não escapam as conseqüências,  todas elas nos advém à medida exata do seu tempo e da afinação dos demais instrumentos e personagens da vida. Porém, não somos tão livres assim como julgamos.

Um fantasma ronda nossas vidas, se aproxima e se afasta da gente, quase como um termômetro que marcasse os nossos momentos em que passamos por um fio, escapamos por um triz de uma fatalidade, tragédia, grande alegria ou grande sorte. Andamos sem saber em uma corda bamba como dizia a canção O bêbado e o equilibrista, que Elis Regina cantou com tanta beleza. (aqui) Mas isso não deveria nos levar a pensar em termos fatalistas, nem estabelecer decretos de impossibilidades ou, a partir de insucessos, determinar que certas coisas não podem dar certo.  

Eu andei pensando neste tema dos cruzamentos e seus efeitos também de uma outra forma ainda, mergulhando em nossas relações indo para além dos fatos. Aliás, eu suponho que todos que estudam filosofia ou literatura devam refletir em algum momento sobre isto. Não creio que seja possível ler o que lemos sobre liberdade, sabedoria, amor, amizade, compreender tramas ficcionais ou reais, casos existenciais ou imaginários, sem pensar uma pitadinha nisto.

Todos sabem que pensar nisso e também isso que se pensa é chamado de influência e que isso também é um dos elementos de disputa no sentido de explicarmos os comportamentos das pessoas para além de seus atributos ou herança genética e para além das influências familiares ou sociais imediatas. E é possível se imaginar aqui como explicar a trajetória de determinada personagem a partir dos livros que ela leu. Ou como Harold Bloom tratou da angústia da influência em sua obra.

Penso nisso também por conta de certo mistério que me provoca no entendimento da filosofia, das obras e idéias  de certos filósofos e filósofas,  de como explicar certas direções, certos estalos, usando aqui uma perspectiva que percebe e se surpreende quando observa um autor andar em direção do desconhecido e do impensado de forma surpreendente e ficar se perguntando: Mas como? Sim eu fico me perguntando em como é que ele foi pensar nisto e guardo esta pergunta às vezes durante a leitura de uma obra inteira, procurando a sua resposta. Sei que alguns autores tentam ser o mais transparente possível, sobre suas motivações, sobre o que lhes fez pensar assim e que registram isso em suas obras e que às vezes o mistério se dissipa, mas, mesmo assim, permanece uma dúvida, não por falta de confiança, mas porque as vezes as explicações para tal movimento, direção ou interrogação parecem tão insuficientes. ( Tenho adotado uma narrativa muito pessoal e confessional também muito por conta disto, para tentar explicitar ao máximo as influencias, os tempos delas e as ocorrências que me levam a pensar nisto ou naquilo.)

Este tema do lançamento ou da escolha – e escrever em tom confessional também é um lançamento aqui - em meio a indeterminação de muitas possibilidades e seu risco é, então,  como a vida...e também a vida do pensamento tem disto quando  escolhemos determinada direção ou posição para nossa reflexão. É arriscado sim e a sabedoria está em fazer esta escolha e em saber ou aprender a lidar com aquilo que independe desta escolha.

Estou então, a partir do texto do Menalton Braff, do exemplo do filme Onde os fracos não tem vez, da angustia da influência, escrevendo sobre isto agora: sobre as nossas escolhas e os limites delas...e ao mesmo tempo lendo a percepção de um filósofo (Renato Janine Ribeiro) sobre o jogo do Tarot, que ele sempre pensou que dependesse da mão do oraculista como os búzios, e que então  surpreendido com o fato de que as cartas são escolhidas pelo consulente e que somente a interpretação é do tarólogo ou taróloga.

Excluindo a idéia de uma vidência ou do sobrenatural resta apenas o indeterminado. Porém ai há no elemento fortuito e indeterminado, um elemento para o qual nossa tendência é atribuir a alguma força sobrenatural ou mística, ou a uma vontade divina, o que ocorre, mas eu não sei não. Não sei nada sobre isto e não tenho como saber. E o exemplo do jogo de tarot é um bom caso para percebermos isto, haja visto que ele depende de uma escolha e de um indeterminação também. Porem a escolha é também indeterminada na contra-face e na ocultação da face das cartas escolhidas, pois esta escolha de cartas é feita por alguém que não sabe, enfim, qual carta esta a escolher na aleatoriedade do que foi embaralhado e disposto à mesa.  É uma escolha no escuro como muitas outras em nossa vida, com o risco para o bem e para o mal disto.  (O filósofo Michael Dummett talvez tenha algo mais a nos dizer sobre o Tarot.)

Mudando um pouco a direção da minha digressão me lembrei de algo mais ai. Sempre tive que lidar com esta espécie de dogma do pensamento solitário, e falo dele agora por conta de que creio que ele não ajuda na compreensão, tanto da influencia como da indeterminação, porque tudo parece depender do sujeito que pensa quando sabemos que não. Há, portanto, duas ilusões ai: a ilusão de liberdade e a ilusão de uma originalidade. Ambas tendem a ser maximizadas para certo proveito pessoal e para a vaidade de quem pensa ou compartilha seus pensamentos. Creio que há uma tendência de que isso desapareça com algo que eu poderia chamar de certa planície do pensamento que vai sendo construída aqui e ali em que a fantasia de liberdade e de originalidade vão sendo dissolvidas pelo encontro com o outro e pelo encontro com outros textos e outros pensadores que antes eram inimagináveis sem as redes sociais blogs e esta ampla circulação de opiniões e artigos. E hoje é maior e mais intensa a influencia recíproca entre certos grupos sociais e eu creio nisso como um fenômeno que tenderá a depurar e qualificar nossos textos, debates e abordagens.

Porque sempre tive comigo mesmo certos registros de minhas influências e sempre percebi que isso se confrontava com um certo dogma intelectual. Um dogma em que tudo se passa como se as idéias que temos fossem produtos somente de nossa reflexão individual, como se nada fora de nós tivesse provocado. Eu não tenho a menor idéia se tenho mais consciência que outros, mas eu tenho uma memória que me dá informações sobre muitas influências  conscientes minhas e as recordações são tão nítidas de tal modo que poderia enumerar as experiências, as vivências e as fontes de muitas de minhas idéias e concepções.

Ontem mesmo dei de cara com duas matérias que para mim estão vinculadas a este tema geral das RELAÇÕES SOCIAIS, das INFLUÊNCIAS e das diversas formas de CONTATOS temporais ou espaciais entre as pessoas...uma destas teorias é aquela sobre os seis graus que nos separam de outras pessoas, outra que compartilhei aqui é sobre as DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE IRMÃOS e enfim - agora mesmo lendo textos especializados sobre a relação entre Platão e Aristóteles (Gadamer, Ross e Jaeger), ou entre discípulo e mestre ou mestre e aluno e suas diferenças fiquei pensando nas marcas e em como nos relacionamos com elas.

Já disse antes que virei professor por conta de certo privilégio dos professores que tive e que isto me motivou a ser como eles em algum sentido e a lecionar tendo eles como modelo em muitas coisas, ao contrário de outros que partiram de modelos negativos e que hoje tem uma performance e concepção diversa...mas bem como seria se fosse diferente? estamos aqui naquele oceano logo posterior a pergunta: Como isto foi possível? e que nos leva ao caso de que outra coisa poderia ter sido possível também.

Mas daí eu lembro de Leibniz e esta lembrança me destaca a diferença de nível das possibilidades sub specie aeternitate, onde a opção do criador é A MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS, frente ao nosso nivel mundano em que isso aqui é somente isso aqui que é, nem melhor nem pior, não há escolha ou há apenas uma pequena margem de escolha e uma grande margem que independe de nós. Quando Albert Einstein disse que Deus não joga dados ele pensou em uma dimensão sub specie aeternitate, porém este lançamento divino permanece em certa medida insondável e a medida que a ciência vai eliminando alguma indeterminação ou aleatoriedade o que ocorre não é o aumento da nossa liberdade, mas sim o contrário que é a imposição de um limite físico e material a ela. Porém tanto a confirmar a hipótese do Big Bang quanto o fim dos tempos nada poderemos fazer em relação a isso que o mude. E quando Luis Fernando Veríssimo escreveu a última crônica dele posta em Zero Hora no caderno dominical, não coincidiu esta publicação com o nosso tema, mas somente indiciou-se que este tema é mais uma vez presente em reflexões literárias e filosóficas sob muitas formas, mostrando mais uma vez o limite desta bela ilusão que temos sobre nossa originalidade e liberdade.  Então sofremos influencias seis graus ao lado, seis graus ao passado, seis graus na literatura e seis graus na filosofia, enfim, seis graus na vida desta humanidade.   

Compreender isto é superar a vaidade (aquela vaidade que o tio de Ed Tom acusa no filme) de julgar que podemos realizar a escolha completa ou que podemos superar esta condição com toda a nossa racionalidade.  E não digo isso para promover alguma resignação, mas sim para despertar uma compreensão melhor sobre este lançamento e nossa comunidade de condição.


As pedras que rolam são como os dados que são lançados ou as cartas que escolhemos nos nossos jogos da vida. E dependem em parte da nossa sabedoria, da nossa sorte e também da dos demais seres humanos. Isso significa que não é porque algo é assim que somente assim deveria ter sido ou que esta era a única possibilidade, poderia ser diferente e este é sim um mistério que devemos respeitar, em especial, nos assuntos humanos para compreendermos melhor os demais seres humanos que compartilham da mesma condição de liberdade e indeterminação.

domingo, 2 de março de 2014

PENSAR PARA O BANQUETE DA ALMA

"Pensar é um dos prazeres menos caros. A opulência o considera insípido e pega o carro para ir à ópera; não se dá tempo para o pensar." 

Stendhal, Sur la littérature et le stile. In: Pensées et reflexions. 

PENSANDO MAIS NA JUSTIÇA

.. É algo absolutamente da ordem do extraordinário e do impressionante o que o Barroso procedeu no STF. Eu creio que aquele voto dele vai virar lição de faculdade e prova de juiz para todo e qualquer caso. Porque o que ele mediu ali e como ele aplicou a legislação de reconhecimento do crime e de aplicação da pena é de uma limpidez como nunca tinha visto. E o nível do debate da argumentação que ele impôs ao espírito raivoso e grosseiro de Barbosa foi uma lição para todos nós brasileiros de que o elementar deve ser observado. E ISTO NOS FAZ PENSAR:VOTO DO MINISTRO BARROSO NO PLENO DO STF - 27 - 02 - 2014

NO COUNTRY FOR OLD MAN (2007)

ISSO AQUI NÃO É MAIS LUGAR PARA UM VELHO HOMEM

Nunca foi lugar para cosia nenhuma Ed Thom. Veja bem esta é uma terra dura, sempre foi dura e a gente vive aqui porque não há maior dádiva do que conseguir sobreviver em meio a tantas fatalidades. Então cada um carrega o seu candieiro e o seu corpo para se proteger do frio. Não há esta opção: Caia fora! Somente: Vá andando! Siga em frente! Toma cuidado! Como sempre foi....

O filme Onde os fracos não tem vez (2007) NO COUNTRY FOR OLD MAN....desenha a possibilidade em meio a grandes impossibilidades...

sábado, 1 de março de 2014

JOAQUIM BARBOSA E SUAS PAIXÕES POLÍTICAS vs BARROSO E SUA RACIONALIDADE

Tenho observado certos debates entre muitos amigos e tenho lamentado, como creio que deveria lamentar qualquer intelectual perante os demais, quando as paixões políticas, as aversões morais, o desprezo, e a virulência aparece mais do que as razões e os argumentos.

E mesmo quando vejo o impulso punitivo se sobressaindo sobre a racionalidade, o juízo e o espírito de justiça tendo a lamentar porque o resultado disto não é justiça.

E eu me orgulho muito dos meus amigos que vejo apoiar e compactuar com coragem e lucidez de teses contra a maioria, contra a turba e contra a manada. Penso que estes ainda não perderam o espírito da sensatez e não embarcaram nessa coisa odiosa, nessa marcha daqueles que não fazem política e nunca se dedicaram à política em que nos encontramos contra o PT. O PT não é certamente um partido de santos, mas não é este partido de demônios que alguns parecem mesmo querer pintar para justificar a sua não militância a sua não adesão e o fato de nunca terem se dedicado aos assuntos públicos. É uma boa justificativa no inconsciente ou no subconsciente deles: se até o PT está assim, então....É tudo igual mesmo....

E na cabeça judiciosa e raivosa deles em cada gota de decepção encontramos um espanto que diz que se o PT que fez o que fez contra a corrupção, que lutou e sofreu contra a corrupção está assim, então não tem jeito.

 Uma amiga diz que há um risco de involução no caminho da democracia, se continuarem a radicalizar...raivosamente  e desta forma.

Eu penso que é muito vergonhoso para nossa história que isto tudo tenha e esteja acontecendo e acontecido no STF, e pela razão contrária dos que bradam contra a posição de Barroso e da última votação contra o enquadramento e as penas por formação de quadrilha.

Vejo que este Sr., o Dr. Barroso conquistou minha mais profunda admiração intelectual pela sua racionalidade e judiciosa e ponderada inteligência, pela sua educação e bom espírito que tanto nos falta.

Eu sou um militante partidário desde menino, desde muito jovem e tem uma coisa que jamais compactuei ou deliberei pelo mal ou pela injustiça e conheço muitos petistas e se tem uma única coisa que eu realmente admiro neles, nos meus companheiros e companheiras de viagem e luta, é que apesar das nossas divergências programáticas e estratégicas, sempre se mantém o nosso firme propósito de melhorar a vida deste povo brasileiro em qualquer situação.  E eu falo isso com muito orgulho mesmo, porque a única possibilidade de provar o contrário é ignorando fatos, ações, programas e resultados em todas as nossas gestões. Ou seja, somente distorcendo a verdade ou criando versão ou omitindo informações e indicadores se consegue dizer que o PT faz mal para o Brasil e mesmo no quesito corrupção – concedendo o que não concordo que os réus do “mensalão” são corruptos – o PT é o último colocado entre todos os partidos.

E eu vejo a mesma coisa, que esta minha amiga vê que “Há um fascismo enrustido mostrando os dentes em forma de acusação e ódio à política, ódio à democracia, ódio à esquerda... que o PT sofre...”

Nosso propósito mais nobre de emancipar as pessoas economicamente, politicamente e culturalmente e de profundo respeito a lei e a democracia é verdadeiro sim.

Eu estava olhando agora aquele filme brasileiro OS DESAFINADOS (2008) e me chamou a atenção que a cosia mais marcante na ditadura foram as diversas formas de violências, foram
as violências cometidas contra intelectuais, artistas, criadores, escritores e políticos, mas também a tortura e a perseguição impiedosa e violenta,assassina e sanguinária contra os jovem, mas olhando bem também houve a omissão da sociedade, a omissão das ditas pessoas de bem que na época NÃO QUERIAM SABER.

E estas pessoas apoiavam qualquer medida radical ou moralista do governo e muito me dói quando vejo pessoas que tem esclarecimento se portarem como tenho visto num VALE TUDO moral. Conheço muitas histórias da filosofia daquele tempo...

Dos embates e disputas da filosofia tomei conhecimento quando os expurgados da UFRGS voltaram na época da Anistia e houve um longo período e uma época que eu imaginei  que na filosofia todos foram vítimas, mas quando ingressei na universidade e tomei conhecimento do que de fato aconteceu, me senti muito mal, muito envergonhado porque de fato não foi bem assim. Haviam os professores cassados, houve a renuncia do Victor de Britto Velho após a perseguição, mas alguns ficaram e fizeram parte de certa forma desta Vendetta Ideológica e Anticomunista. Ainda tomei conhecimento de uma perseguição cuja motivação que era marcada para além do ideológico, era simplesmente de cunho homofóbico.

O professor Jaime Valim Mansan que pesquisou este tema em seu mestrado, com o qual tive o privilégio de trabalhar no Olindo Flores da Silva, narrava em detalhes o processo e esta trama em sua dissertação.

Então, uso este exemplo, porque penso neste tema da perseguição política e da vendetta ideológica ainda hoje e vejop claramente a perda da racionalidade e o vale tudo moral contra os petistas reproduzir este mesmo processo contra uma filosofia e uma forma de vida e pensamento e me sinto incluído no presente no rol daqueles que são cotidianamente ameaçados pela falta de pensamento, ausência de reflexão e argumentação para as coisas. E Barroso foi preciso em sua resposta ao Joaquim Barbosa:

“O esforço para depreciar quem pensa diferentemente, com todo o respeito, é um déficit civilizatório. Quem pensa diferente de mim só pode estar mal intencionado ou com motivação indevida: é errada essa forma de pensar.  Precisamos evoluir. Discutir o argumento e não a pessoa.  É assim que se vive civilizadamente".

E isto resume parte do desafio nos debates atuais, não somente sobre o mensalão, ou o governo Dilma e o governo Lula, ou o Governo Tarso, ou o governo local, mas o clima geral de depreciação, desprezo, desdém, desrespeito e ofensas gratuitas que hora assisto nas intensas passionalidades políticas cujos portadores em sua grande maioria pouco se dedicam em suas vidas para superar as mazelas da nossa sociedade e ainda tem por hábito ver Pedro, mas não ver Paulo...