31-Mar-2010
"É verdade que, no Brasil, a década de 80 do século passado foi marcada por grande mobilização social e política, dando surgimento ao Partido dos Trabalhadores, levando ao fim o regime ditatorial e permitindo a livre organização partidária, inclusive dos comunistas. Mesmo através de uma transição negociada, o país assistiu a uma ampliação dos direitos políticos inédita em sua história.
Historicamente inédito também foi o fato de que partidos socialistas, como o PT, começaram a lançar candidatos a prefeituras, vencendo eleições e sendo empossados. Pela primeira vez na história do Brasil, as classes dominantes se viam constrangidas a ver partidos socialistas e comunistas compartilhando não apenas o aparato legislativo do Estado, mas também o aparato governativo ou executivo.
Apesar disso, a suposição de que o PT poderia eleger um operário para a presidência da República parecia uma utopia irrealizável. Em 1988, quando se colocou a possibilidade de Lula ser lançado candidato à presidente, nas primeiras eleições diretas pós-regime militar, a idéia de que seria possível vencer era quase minoria de um na direção do PT.
Alguns intelectuais, que posteriormente aderiram ao tucanato, consideravam que o máximo que se poderia almejar seria uma candidatura para marcar posição. Para eles, o PT estava fadado a ser um partido de eterna oposição. Entre os demais, por outro lado, a maioria não acreditava que Lula sequer fosse para o segundo turno. Para muitos, foi um susto quando isso ocorreu. Depois, foram precisos mais 12 anos para que a suposição de eleger um operário presidente se tornasse realidade.
De qualquer modo, a experiência de um governo federal democrático e popular no Brasil também é inédita. Experiências de governos municipais e estaduais, eleitos pelo PT e outros partidos socialistas e comunistas podem ser úteis, mas não conseguem suplantar todos os problemas a serem enfrentados numa experiência nacional desse tipo. Em tais condições, é natural que o primeiro mandato tenha sido de natureza diferente do segundo mandato do governo Lula.
No primeiro mandato, a preocupação em não assustar o sistema financeiro internacional, nem a burguesia, se sobrepôs a todas as demais preocupações. Além disso, o desconhecimento da máquina governamental, a existência de um quadro complexo de alianças com setores da burguesia e um certo deslumbramento com o poder (do mesmo modo que na esquerda crítica, a esquerda que está no PT também tem gente que acredita haver chegado ao poder) conduziram a uma série de medidas e ações que causaram desgastes, alguns profundos, na base política de sustentação do novo governo.
Amplos setores da classe média não entendiam, nem aceitavam, serem penalizados, ao invés do sistema financeiro, para financiar os programas de transferência de renda para os mais pobres. Boa parte da militância e de simpatizantes do PT ficou estarrecida quando viu crescerem, no "mercado", os boatos sobre negócios pouco lícitos, envolvendo figuras petistas de proa, assim como "aliados".
Esses e outros procedimentos conduziram às derrotas eleitorais de 2004, à eleição do deputado Severino para a presidência da Câmara e aos escândalos que a oposição conservadora e a mídia chamaram de "mensalão", em 2005. É ilusão supor que a burguesia tenha estado alheia a todo esse processo e, inclusive, ao desencadeamento da própria crise.
A burguesia vislumbrou na defensiva do governo em relação a ela e ao sistema financeiro, na perda de apoio de setores consideráveis da classe média e na adoção, por algumas figuras petistas, dos métodos burgueses ilícitos de fazer política, uma oportunidade única de liquidar o PT como alternativa de governo e de poder, e de cortar as chances de Lula ser reeleito para um segundo mandato.
A idéia de que o PT estava "acabado" e, junto com ele, o governo Lula, foi o mote principal de toda a grande imprensa, assim como de uma parte da chamada esquerda, de dentro e de fora do partido. A burguesia tinha certeza de que estava dando o golpe de misericórdia. E, em seu açoitamento, adiantou o cronograma da crise, radicalizou o discurso e as ações, colocou o PT e o governo na parede, incentivou a cisão da extrema esquerda e deu como favas contadas que a experiência de um partido socialista no governo terminaria com um naufrágio completo.
Sem entender a natureza massiva e de classe do PT, a burguesia custou a se dar conta de que ela estava contribuindo para uma certa "limpeza" nos quadros partidários que adotaram os métodos patrimonialistas de fazer política, e para empurrar o partido e o governo para posições de maior enfrentamento com os setores conservadores e reacionários da sociedade. Ou, como dizem alguns, para fazer com que Lula e o PT fizessem inflexões à esquerda.
O PT e o governo Lula superaram a crise porque a militância, há algum tempo dada como morta, tanto pela burguesia quanto por alguns próceres do próprio partido, entendeu a questão central em jogo e se mobilizou, mesmo não tendo compreendido todos os aspectos e problemas envolvidos na crise. O governo foi reorganizado, com o afastamento dos principais envolvidos na crise.
Tão ou mais importante do que isso, o governo deu passos consistentes para tratar da questão do crescimento econômico, que havia se transformado em tabu para os neoliberais e continuava amedrontando setores do partido e do governo. Ambos acreditavam, e ainda continuam acreditando, a exemplo dos diretores do Banco Central, que crescimento causa, inevitavelmente, inflação.
Desconsideram que são os desequilíbrios entre oferta e demanda, e entre produção material e meios de pagamento, ou recursos monetários, que pressionam os preços e causam inflação. De qualquer modo, ao colocar para fora certo número de patrimonialistas e ingressar no processo de crescimento, o governo Lula ajustou seu discurso de combate e venceu a eleição de 2006. Algo que também nunca antes ocorrera na história deste país."
Wladimir Pomar é analista político e escritor.
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
domingo, 4 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
O PERIGO DAS IDÉIAS - CIORAN
"Em si mesma, toda idéia é neutra ou deveria sê-lo; mas o
homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências;
impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a
forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está
consumada...
Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas.
Idólatras por instinto, convertemos em incondicionados os objetos de nossos sonhos e de nossos interesses.
A história não passa de um desfile de falsos Absolutos, uma sucessão de templos elevados a pretextos, um aviltamento do espírito ante o Improvável.
Mesmo quando se afasta da religião, o homem
permanece submetido a ela; esgotando-se em forjar simulacros
de deuses, adota-os depois febrilmente: sua necessidade de ficção, de mitologia, triunfa sobre a evidência e o ridículo. Sua capacidade de adorar é responsável por todos os seus crimes: o
que ama indevidamente um deus obriga os outros a amá-lo, na espera de exterminá-los se se recusam.
Não há intolerância, intransigência ideológica ou proselitismo que não revelem o
fundo bestial do entusiasmo. Que perca o homem sua faculdade
de indiferença: torna-se um assassino virtual; que transforme
sua idéia em deus: as conseqüências são incalculáveis. Só se
mata em nome de um deus ou de seus sucedâneos: os excessos
suscitados pela deusa Razão, pela idéia de nação, de classe ou
de raça são parentes dos da Inquisição ou da Reforma.
As épocas de fervor se distinguem pelas façanhas sanguinárias.
Santa Tereza só podia ser contemporânea dos autos-de-fé e
Lutero do massacre dos camponeses. Nas crises místicas, os
gemidos das vítimas são paralelos aos gemidos do êxtase...
Patíbulos, calabouços e masmorras só prosperam à sombra de
uma fé – dessa necessidade de crer que infestou o espírito para
sempre.
O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma
verdade, de sua verdade. Somos injustos com os Neros ou com
os Tibérios: eles não inventaram o conceito de herético: foram
apenas sonhadores degenerados que se divertiam com os
massacres. Os verdadeiros criminosos são os que estabelecem
uma ortodoxia no plano religioso ou político, que os distinguem
entre o fiel e o cismático" (E.M. Cioran, 1995, p. 11-12).
in: CIORAN, E.M. Genealogia do fanatismo. In: CIORAN, E.M. Breviário de decomposição. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
VAI PRO CAPÍTULO ESPECIAL SOBRE A PERICULOSIDADE DAS IDÉIAS
homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências;
impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a
forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está
consumada...
Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas.
Idólatras por instinto, convertemos em incondicionados os objetos de nossos sonhos e de nossos interesses.
A história não passa de um desfile de falsos Absolutos, uma sucessão de templos elevados a pretextos, um aviltamento do espírito ante o Improvável.
Mesmo quando se afasta da religião, o homem
permanece submetido a ela; esgotando-se em forjar simulacros
de deuses, adota-os depois febrilmente: sua necessidade de ficção, de mitologia, triunfa sobre a evidência e o ridículo. Sua capacidade de adorar é responsável por todos os seus crimes: o
que ama indevidamente um deus obriga os outros a amá-lo, na espera de exterminá-los se se recusam.
Não há intolerância, intransigência ideológica ou proselitismo que não revelem o
fundo bestial do entusiasmo. Que perca o homem sua faculdade
de indiferença: torna-se um assassino virtual; que transforme
sua idéia em deus: as conseqüências são incalculáveis. Só se
mata em nome de um deus ou de seus sucedâneos: os excessos
suscitados pela deusa Razão, pela idéia de nação, de classe ou
de raça são parentes dos da Inquisição ou da Reforma.
As épocas de fervor se distinguem pelas façanhas sanguinárias.
Santa Tereza só podia ser contemporânea dos autos-de-fé e
Lutero do massacre dos camponeses. Nas crises místicas, os
gemidos das vítimas são paralelos aos gemidos do êxtase...
Patíbulos, calabouços e masmorras só prosperam à sombra de
uma fé – dessa necessidade de crer que infestou o espírito para
sempre.
O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma
verdade, de sua verdade. Somos injustos com os Neros ou com
os Tibérios: eles não inventaram o conceito de herético: foram
apenas sonhadores degenerados que se divertiam com os
massacres. Os verdadeiros criminosos são os que estabelecem
uma ortodoxia no plano religioso ou político, que os distinguem
entre o fiel e o cismático" (E.M. Cioran, 1995, p. 11-12).
in: CIORAN, E.M. Genealogia do fanatismo. In: CIORAN, E.M. Breviário de decomposição. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
VAI PRO CAPÍTULO ESPECIAL SOBRE A PERICULOSIDADE DAS IDÉIAS
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CIORAN - A PERICULOSIDADE DAS IDÉIAS 1
Never, Never Gonna Give You Up
Se eu tivesse um inimigo de morte, um adversário eterno...
Se eu fosse um personagem de filme do Tarantino....
Se eu gostasse por demais de fazer alguma coisa...
Se eu fosse sacrificar toda a minha vida por uma determinada causa...
Por uma questão de honra...
Se eu fosse um fanático bitolado....
Se eu fosse um qualquer desvairado...
Se eu fosse um a mais no riscado...
Eu cantaria para você....
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
FOR YOU...
Barry White
IMBATÍVEL....
Se eu fosse um personagem de filme do Tarantino....
Se eu gostasse por demais de fazer alguma coisa...
Se eu fosse sacrificar toda a minha vida por uma determinada causa...
Por uma questão de honra...
Se eu fosse um fanático bitolado....
Se eu fosse um qualquer desvairado...
Se eu fosse um a mais no riscado...
Eu cantaria para você....
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
Never, Never Gonna Give You Up
FOR YOU...
Barry White
IMBATÍVEL....
quinta-feira, 1 de abril de 2010
RESUMO DO PAC 2 - PLANEJAMENTO, INVESTIMENTO E DESENVOLVIMENTO
O BRASIL VAI CONTINUAR CRESCENDO
1. PAC - CIDADE MELHOR (57,1 BILHÕES)
1.1. SANEAMENTO (22,1 BILHÕES)
1.2. PREVENÇÃO DE ÁREAS DE RISCO (11 BILHÕES)
1.3. MOBILIDADE URBANA (18 BILHÕES)
1.4. PAVIMENTAÇÃO ( 6 BILHÕES)
2. PAC – COMUNIDADE CIDADÃ (23 BILHÕES)*
2.1. UPA – UNIDADES PRONTO ATENDIMENTO (2,6 BILHÕES)
2.2. UBS – UNIDADES BÁSICAS SAÚDE ( 5,5 BILHÕES)
2.3. CRECHES E PRÉ-ESCOLAS ( 7,6 BILHÕES)
2.4. QUADRAS ESPORTIVAS NAS ESCOLAS (4,1 BILHÕES)
2.5. PRAÇAS DO PAC (1,6 BILHÕES)
2.6. POSTOS DE POLÍCIA COMUNITÁRIA (1,6 BILHÕES)
3. PAC – MINHA CASA MINHA VIDA (278,2 BILHÕES)*
3.1. MINHA CASA MINHA VIDA ( 71,7 BILHÕES)
3.2. FINANCIAMENTO SBPE (176 BILHÕES)
3.3. URBANIZAÇÃO ASSENTAM. PRECÁRIOS (30,5 BILHÕES)
4. PAC - ÁGUA E LUZ PARA TODOS (30,6 BILHÕES)
4.1. LUZ PARA TODOS (5,5 BILHÕES)
4.2. ÁGUA EM ÁREAS URBANAS (13 BILHÕES)*
4.3. RECURSOS HÍDRICOS (12,1 BILHÕES) )*
5. PAC – TRANSPORTES (109 BILHÕES)
5.1. RODOVIAS (50,4 BILHÕES)
5.2. FERROVIAS (46 BILHÕES)
5.3. PORTOS ( 5,1 BILHÕES)
5.4. HIDROVIAS (2,7 BILHÕES)
5.5. AEROPORTOS (3,0 BILHÕES)
5.6. EQUIPAMENTOS PARA ESTRADAS VICINAIS (1,8 BILHÕES)*
6. PAC – ENERGIA ( 1.092,6 TRILHÃO)
FIZ ESTE RESUMO QUANTITATIVO DO PAC 2.
É LEGAL COLOCAR AQUI, PRINCIPALMENTE POR CAUSA DAS INFORMAÇÕES E DO QUE VIRÁ POR AÍ SE ELE FOR CONCRETIZADO NOS PRÓXIMOS 4 A 6 ANOS.
Vou pontuar aqui, em seguida, alguns dos programas dos EIXOS 1, 2 & 3 que me parecem de extrema importância para entender aonde este Programa de Aceleração do Crescimento pode nos levar com todo o povo brasileiro e todos os municípios brasileiros.
Porque o que mais me chama atenção são os números propostos para cada um dos projetos em unidades instaladas e a comparação disto com o o uso de um critério de classificação do número de cidades brasileiras segundo o número de habitantes (critério proposto pelo nosso Prefeito de São Leopoldo Ary Vanazzi)
Com o objetivo de atender principalmente os municípios com menos de 50 mil habitantes - que representam 32% da população, mas que são 4.866 municípios num universo de 5.564 municípios de todo o Brasil, ou seja 87,45 dos municípios administrativamente organizadaos do país, com Executivo e Legislativo Municipal, mas que nem sempre possuem e possuiam estrutura administrativa, técnica e política em condições de buscar projetos do PAC 1. E é por isto que o PAC 1 foi extraordinário mas teve um limite na interiorização do desenvolvimento o que pode ser superado agora, principalmente com os projetos em asterisco acima que devem interiorizar Saúde da Família, Educação Infantil, Saneamento e Habitação para todos os municípios com menos de 50 mil habitantes.
Neste tema temos Três Grandes Grupos de Municípios Brasileiros:
A FONTE PARA TODAS AS INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS SOBRE O PROGRAMA É: www.presidencia.gov.br
1. PAC - CIDADE MELHOR (57,1 BILHÕES)
1.1. SANEAMENTO (22,1 BILHÕES)
1.2. PREVENÇÃO DE ÁREAS DE RISCO (11 BILHÕES)
1.3. MOBILIDADE URBANA (18 BILHÕES)
1.4. PAVIMENTAÇÃO ( 6 BILHÕES)
2. PAC – COMUNIDADE CIDADÃ (23 BILHÕES)*
2.1. UPA – UNIDADES PRONTO ATENDIMENTO (2,6 BILHÕES)
2.2. UBS – UNIDADES BÁSICAS SAÚDE ( 5,5 BILHÕES)
2.3. CRECHES E PRÉ-ESCOLAS ( 7,6 BILHÕES)
2.4. QUADRAS ESPORTIVAS NAS ESCOLAS (4,1 BILHÕES)
2.5. PRAÇAS DO PAC (1,6 BILHÕES)
2.6. POSTOS DE POLÍCIA COMUNITÁRIA (1,6 BILHÕES)
3. PAC – MINHA CASA MINHA VIDA (278,2 BILHÕES)*
3.1. MINHA CASA MINHA VIDA ( 71,7 BILHÕES)
3.2. FINANCIAMENTO SBPE (176 BILHÕES)
3.3. URBANIZAÇÃO ASSENTAM. PRECÁRIOS (30,5 BILHÕES)
4. PAC - ÁGUA E LUZ PARA TODOS (30,6 BILHÕES)
4.1. LUZ PARA TODOS (5,5 BILHÕES)
4.2. ÁGUA EM ÁREAS URBANAS (13 BILHÕES)*
4.3. RECURSOS HÍDRICOS (12,1 BILHÕES) )*
5. PAC – TRANSPORTES (109 BILHÕES)
5.1. RODOVIAS (50,4 BILHÕES)
5.2. FERROVIAS (46 BILHÕES)
5.3. PORTOS ( 5,1 BILHÕES)
5.4. HIDROVIAS (2,7 BILHÕES)
5.5. AEROPORTOS (3,0 BILHÕES)
5.6. EQUIPAMENTOS PARA ESTRADAS VICINAIS (1,8 BILHÕES)*
6. PAC – ENERGIA ( 1.092,6 TRILHÃO)
FIZ ESTE RESUMO QUANTITATIVO DO PAC 2.
É LEGAL COLOCAR AQUI, PRINCIPALMENTE POR CAUSA DAS INFORMAÇÕES E DO QUE VIRÁ POR AÍ SE ELE FOR CONCRETIZADO NOS PRÓXIMOS 4 A 6 ANOS.
Vou pontuar aqui, em seguida, alguns dos programas dos EIXOS 1, 2 & 3 que me parecem de extrema importância para entender aonde este Programa de Aceleração do Crescimento pode nos levar com todo o povo brasileiro e todos os municípios brasileiros.
Porque o que mais me chama atenção são os números propostos para cada um dos projetos em unidades instaladas e a comparação disto com o o uso de um critério de classificação do número de cidades brasileiras segundo o número de habitantes (critério proposto pelo nosso Prefeito de São Leopoldo Ary Vanazzi)
Com o objetivo de atender principalmente os municípios com menos de 50 mil habitantes - que representam 32% da população, mas que são 4.866 municípios num universo de 5.564 municípios de todo o Brasil, ou seja 87,45 dos municípios administrativamente organizadaos do país, com Executivo e Legislativo Municipal, mas que nem sempre possuem e possuiam estrutura administrativa, técnica e política em condições de buscar projetos do PAC 1. E é por isto que o PAC 1 foi extraordinário mas teve um limite na interiorização do desenvolvimento o que pode ser superado agora, principalmente com os projetos em asterisco acima que devem interiorizar Saúde da Família, Educação Infantil, Saneamento e Habitação para todos os municípios com menos de 50 mil habitantes.
Neste tema temos Três Grandes Grupos de Municípios Brasileiros:
A FONTE PARA TODAS AS INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS SOBRE O PROGRAMA É: www.presidencia.gov.br
O UNIVERSO ESTÁ SE EXPANDINDO - WOODY ALLEN
Entro com frequência nos meus blogs preferidos( ali ao lado) e estes dias ao entrar no blog encontrei um vídeo no youtube de um filme que inteiro me provoca muita alegria e sei lá o que mais toda vez que vejo.
Não sei se você já viu Noivo neurótico, noiva Nervosa (Annie Hall, 1977 - de Woody Allen, premiado com três Oscars, Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original), mas eu já vi varias vezes e continuo olhando com uma frequência alargada, nem sempre, nem todo dia, quase como algo sagrado que deve ser visto como um ritual de descoberta, pois toda vez que vejo ele tenho boas idéias e boas idéias a gente não pode ter todos os dias, senão deixam de ser boas idéias.
Pois bem a passagem do Vídeo é aquela logo na abertura quando ele começa falando que é isso e aquilo e que nasceu no Brooklin, eteceteraetal .
Vou transcrever o diálogo que me interessa para as aulas de filosofia em que muitas vezes observo tendências ao desânimo e a depressão nos meus alunos e alunas como se o mundo fosse acabarem instantes e eles estão presos ali em abstrações. na minha opinião o diálogo que me interessa faz o caminho inverso, pois veremos um menino condicionado pelo absoluto.
voi-a-lá
Após algumas explicações o personagem interpretado por Allen afirma:
ALVY: Até fui um garoto bastante feliz. Cresci no Brooklyn, durante a segunda guerra mundial...
Abre-se a cena em que um menino ruivo de uns dez anos, de óculos de fundo de garrafa como diríamos é observado por sua mãe. Afundado no sofá com um olhar para lugar nenhum, com as mãos cruzadas sobre o cinto daquelas calças de escolar cuja bainha - aborrecidamente - sempre fica acima da canela e deixa as meias brancas vizíveis. É uma cena trivial da infância de muitos homens: mamãe te leva ao médioc para pedir ajuda com algum comportamento seu. As vezes é na casa do vovô, as vezes é na sala do diretor da escola.
A mãe sentada ao lado começa a falar olhando na direção de um médico de meia idade com cara de sabujo em pé na sala a observar o aluno.
MÃE: Ele tem andado deprimido.
De repente, não consegue fazer nada
O DOUTOR sabijo em pe´com um cigarro entre os dedos fixa o olhar em Alvy e pergunta:
Porque está deprimido, Alvy?
A MÃE: Diz ao doutor Flicker!
Foi uma coisa que ele leu.
DOUTOR: Ah, uma coisa que ele leu?
ALVY: O universo está se expandindo.
DOUTOR: O universo está se expandindo?
ALVY: O universo é tudo!
Se está a se expandir, qualquer dia arrebenta.
E aí é o FIM DE TUDO! (afirma o menino com aquele olhar arrasado e deprimido.)
MÃE: O que você tem a ver com isso?
(olhando para o Dr.)
Ele parou de fazer os deveres de casa!
ALVY: Prá quê?
MÃE: O que tem o universo a ver com isso?
Você está aqui no Brooklyn!
O Brooklyn não está se expandindo!
DOUTOR: Vai se expandir ainda durante bilhões de anos, Alvy!
E temos que tentar nos divertir enquanto estamos aqui, heim Alvy?
HA HA HA HA HA HA
PS.: É uma abordagem interessante das neuroses. Já conhecida aliás. Divirta-se mais, deixa disso e aproveita esta vida.
Não sei se você já viu Noivo neurótico, noiva Nervosa (Annie Hall, 1977 - de Woody Allen, premiado com três Oscars, Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original), mas eu já vi varias vezes e continuo olhando com uma frequência alargada, nem sempre, nem todo dia, quase como algo sagrado que deve ser visto como um ritual de descoberta, pois toda vez que vejo ele tenho boas idéias e boas idéias a gente não pode ter todos os dias, senão deixam de ser boas idéias.
Pois bem a passagem do Vídeo é aquela logo na abertura quando ele começa falando que é isso e aquilo e que nasceu no Brooklin, eteceteraetal .
Vou transcrever o diálogo que me interessa para as aulas de filosofia em que muitas vezes observo tendências ao desânimo e a depressão nos meus alunos e alunas como se o mundo fosse acabarem instantes e eles estão presos ali em abstrações. na minha opinião o diálogo que me interessa faz o caminho inverso, pois veremos um menino condicionado pelo absoluto.
voi-a-lá
Após algumas explicações o personagem interpretado por Allen afirma:
ALVY: Até fui um garoto bastante feliz. Cresci no Brooklyn, durante a segunda guerra mundial...
Abre-se a cena em que um menino ruivo de uns dez anos, de óculos de fundo de garrafa como diríamos é observado por sua mãe. Afundado no sofá com um olhar para lugar nenhum, com as mãos cruzadas sobre o cinto daquelas calças de escolar cuja bainha - aborrecidamente - sempre fica acima da canela e deixa as meias brancas vizíveis. É uma cena trivial da infância de muitos homens: mamãe te leva ao médioc para pedir ajuda com algum comportamento seu. As vezes é na casa do vovô, as vezes é na sala do diretor da escola.
A mãe sentada ao lado começa a falar olhando na direção de um médico de meia idade com cara de sabujo em pé na sala a observar o aluno.
MÃE: Ele tem andado deprimido.
De repente, não consegue fazer nada
O DOUTOR sabijo em pe´com um cigarro entre os dedos fixa o olhar em Alvy e pergunta:
Porque está deprimido, Alvy?
A MÃE: Diz ao doutor Flicker!
Foi uma coisa que ele leu.
DOUTOR: Ah, uma coisa que ele leu?
ALVY: O universo está se expandindo.
DOUTOR: O universo está se expandindo?
ALVY: O universo é tudo!
Se está a se expandir, qualquer dia arrebenta.
E aí é o FIM DE TUDO! (afirma o menino com aquele olhar arrasado e deprimido.)
MÃE: O que você tem a ver com isso?
(olhando para o Dr.)
Ele parou de fazer os deveres de casa!
ALVY: Prá quê?
MÃE: O que tem o universo a ver com isso?
Você está aqui no Brooklyn!
O Brooklyn não está se expandindo!
DOUTOR: Vai se expandir ainda durante bilhões de anos, Alvy!
E temos que tentar nos divertir enquanto estamos aqui, heim Alvy?
HA HA HA HA HA HA
PS.: É uma abordagem interessante das neuroses. Já conhecida aliás. Divirta-se mais, deixa disso e aproveita esta vida.
quarta-feira, 31 de março de 2010
"COMAM BRIOCHES"
É só o que falta aos magistrados e altos salários dizer frente aos professores que ganham menos que o reajuste concedido a eles ontém na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Bem que podia rolar uma revolução francesa de novo, para acabar com a nobreza atual e semear um pouco de terror nas classes dominantes e elites bem aquinhoadas pelo poder cartorial do estado.
Tinham um teto salarial de R$ 22,8 mil que agora passa a ser de R$ 24,8 mil.
autre chose, messier
Um pouco de radicalidade sempre faz pensar...
ENQUANTO ISSO 2% PARA DEZEMBRO...
DIGNIDADE E RESPEITO AOS PROFESSORES ESTADUAIS
Bem que podia rolar uma revolução francesa de novo, para acabar com a nobreza atual e semear um pouco de terror nas classes dominantes e elites bem aquinhoadas pelo poder cartorial do estado.
Tinham um teto salarial de R$ 22,8 mil que agora passa a ser de R$ 24,8 mil.
autre chose, messier
Um pouco de radicalidade sempre faz pensar...
ENQUANTO ISSO 2% PARA DEZEMBRO...
DIGNIDADE E RESPEITO AOS PROFESSORES ESTADUAIS
terça-feira, 30 de março de 2010
MOISÉS E O MONOTEÍSMO
Este título nos remete ao título de uma obra de Sigmund Freud que possui dois inconvenientes.
"Não desejo suscitar convicção; desejo estimular o pensamento e derrubar preconceitos."
(Freud, 1916-1917, Conferências Introdutórias sobre Psicanálise)
De uma lado, é uma obra tardia de Freud, escrita e elaborada entre 1934 e 1938, ou seja, ele conclui esta obra um ano antes de morrer em Londres (setembro de 1939) e ela é, portanto, póstera a todo o desenvolvimento da psicanálise e também ao tratamento pessimista e aterrador da crise da cultura posto em palavras e orações críticas em O mal estar da civilização de 1930.
Sendo assim, é uma obra não recomendável para quem não conhece o pensamento de Freud ou não frequentou algumas páginas de fundamentação e explicitação da teoria da psicanálise que ele vinha desenvolvendo desde 1880, na sua relação com Breuer e as suas pacientes fundamentais para sua experiência de elaboração científica. Eu mesmo escrevo este texto com um sentimento de insegurança em relação a minha compreensão, mas vou aqui desfiando minhas idéias numa tentativa de aproximação deste complexo tema e texto.
Dito isto, é uma obra tardia, com a desvantagem de ser também uma obra cuja compreensão é dependente de mais psicanálise do que parece à primeira vista e, também, de mais história e pesquisa. É uma obra de reflexão com a audácia de um gênio que avança sobre um domínio sagrado e quase inexpugnável. Uma obra que trata de um tema quase indemonstrável pelos parâmetros científicos racionalistas e positivistas. Por isso um autor considera que o raciocínio de Freud nela é abdutivo, nem indutivo nem dedutivo. Isto é, um raciocínio que tira algo do nada, como um passe de mágica, ou iluminação ou de um quase nada e insignificante traço característico de que Moisés está no Egito 100 anos após uam determinada doutrina ter sido testada e repousado nos escaninhos exotéricos dos palácios dos próximos dos faraós egípcios que sucederam Akhenaton.
Fora isto, é preciso considerar ainda, a descomunal e gigantesca compreensão de Freud sobre a cultura e a tradição ocidental, incluso a sua origem em ruptura lá no Egito, através da libertação dos judeus que Moisés protagoniza como lider espiritual, estrategista político e profeta grandioso.
Nada neste ensaio de Freud pode ser tratado como só palavras e palavras. Vejo nele toneladas de idéias, algumas incluso insuportáveis para a compreensão geralmente rasa que temos de temas como a religião, as raças, culturas e processos históricos de desenvolvimento das civilizações que sempre trazem consigo uma face angelical e uma contraface demoniaca. (de daimon)Isto é , que sempre trazem consigo aquilo que ele vai chamar de um Totem e um tabu. Assim, temos aí um fenômeno religioso encobrindo também um fenômeno antropológico e cultural.
Outro inconveniente que se segue disto é, então, a grandeza do tema e a corajosa abordagem dele protagonizada por Freud. Que enfrenta de mancheia a tradição judaica sacralizada e a tradição historiográfica consagrada sobre os judeus. Disso se seguiu um conjunto grandioso de críticas ao texto de Freud, onde a voz dos especialistas e dos cultuadores se ecoou ao ponto do texto ser pouco abordado e ter bibliografia interpretativa escassa.
Ao contrário de outros comentadores não vejo grande culpa aí num Freud judeu, mas sim num Freud que ousa abordar talvez um dos maiores episódios de fundação de religiões. E faz isto ao fim da vida. Tudo se passa como se ele tivesse que ter esperado todo este tempo para fazer este acerto de contas com sua própria tradição e quiçá - com toda a tradição ocidental como assim me parece ser o caso.
E aqui eu não vejo somente o Judaísmo em seus fundamentos, vejo também o Islamismo e o cristianismo. Afinal o monoteísmo aí é fundacional também de outras religiões o que aponta para a grandeza e a latitude do empreendimento freudiano. Que, na minha visão impressionada, desperta para um tema maior que o da tradição judaica. No título de Freud isto aparece como O Homem Moisés e a Religião Monoteísta ( Der Mann Moses und die monotheistische Religion). A saber o tema do homem na história. Sim senhor. O tema da açõa de um indivíduo na história. Aquele tema que na historiografia tradicional é o tema dos heróis, dos homens ou grandes personagens, mas que na nossa abordagem aqui pode ser considerado provisoriamente como o tema da medida das lideranças e do reconhecimento que elas conseguem obter em suas vidas. Incluso aí, aquilo que elas conseguem fazer em meio à tensa dialética da aceitação eda recusa de sua liderança, suas propostas e objetivos.
A coragem é conhecida pelo fato de Freud ousar dizer duas coisas sobre Moisés que são aparentemente imperdoáveis - como todo ato de coragem é na sua origem e horizonte aliás - primeiro dizer que Moisés é egípcio, ou seja, um egípcio que lidera a libertação dos judeus, segundo dizer que o monoteísmo é uma derivação ou influência (duas palavras carregadas de teoria por sinal) originada da doutrina de Akhenaton - cujo único Deus Aton interrompe durante certo tempo, uma doutrina egípcia zoomórfica, animista e politeísta. Nenhuma grama do que é dito aqui é simples ou é só ísmo.
Na aula de Filosofia (2n1 - 29/03/2010) usei este tema como chave para tratar de dois pares de possíveis perdições filosóficas, a saber, o DOGMATISMO E O RELATIVISMO, ou seja a crença de que há uma só verdade ou a crença de que cada um tem a sua - simplória e resumidamente apresentadas.
Porque havia um fantasma no ar desde a discussão da aula passada de que - por exclusiva responsabilidade minha - não há uma só verdade e que atrás de uma pergunta vem outra ad infinitum o que para todos os efeitos me leva a uma investigação sem respostas e a um trololó sem fim. E isto me deixou pensando por três dias sobre como desembaraçar as idéias desta armadilha da razão que nos leva a sermos incapazes de avançar na reflexão e ao mesmo tempo nos tira a esperança de obter respostas e avançar no conhecimento.
A idéia de usar a figura de Moisés como pedra de toque no ataque ao problema do Relativismo e do Dogmatismo, me foi suscitada num diálogo com a Regina que já havia tratado de Moisés em virtude da sua aula de religião ou ER que abordava a razão de ser da Páscoa. nada como uma ex-catequista e exímia matemática para desafiar a minha lógica e a minha reflexão). Como vocês sabem (sic) a Páscoa é uma data de comemoração judaica sobre a fuga dos Judeus do Egito. E esta foi liderada por Moisés. Na minha analogia trata de nós promovermos uma saída deste dilema filosófico do relativismo e do dogmatismo que é um dilema que nos deixa prisioneiros ou do Sono dogmático da Razão ( como diria Kant) ou de um vale tudo que não vale nada.
Eu comentei que Moisés é sim um personagem de muito respeito afinal tem mais proeza na vida de Moisés - na minha opinião - tem mais enredo, trama e surpresas extraordinárias do que em muitos outros mitos, histórias de heróis ou personagens da literatura. Moisés é um dos maiores - senão o maior personagem da civilização ocidental.
Eu desconfio que é o personagem seminal - o pai de todos - aquele que dá o impulso original e virtuoso para a nossa história ocidental. Nem vou enumerar aqui os sucedidos dele - recomendo até umas reeleituras da Bíblia para tal.
Continuo depois....
"Não desejo suscitar convicção; desejo estimular o pensamento e derrubar preconceitos."
(Freud, 1916-1917, Conferências Introdutórias sobre Psicanálise)
De uma lado, é uma obra tardia de Freud, escrita e elaborada entre 1934 e 1938, ou seja, ele conclui esta obra um ano antes de morrer em Londres (setembro de 1939) e ela é, portanto, póstera a todo o desenvolvimento da psicanálise e também ao tratamento pessimista e aterrador da crise da cultura posto em palavras e orações críticas em O mal estar da civilização de 1930.
Sendo assim, é uma obra não recomendável para quem não conhece o pensamento de Freud ou não frequentou algumas páginas de fundamentação e explicitação da teoria da psicanálise que ele vinha desenvolvendo desde 1880, na sua relação com Breuer e as suas pacientes fundamentais para sua experiência de elaboração científica. Eu mesmo escrevo este texto com um sentimento de insegurança em relação a minha compreensão, mas vou aqui desfiando minhas idéias numa tentativa de aproximação deste complexo tema e texto.
Dito isto, é uma obra tardia, com a desvantagem de ser também uma obra cuja compreensão é dependente de mais psicanálise do que parece à primeira vista e, também, de mais história e pesquisa. É uma obra de reflexão com a audácia de um gênio que avança sobre um domínio sagrado e quase inexpugnável. Uma obra que trata de um tema quase indemonstrável pelos parâmetros científicos racionalistas e positivistas. Por isso um autor considera que o raciocínio de Freud nela é abdutivo, nem indutivo nem dedutivo. Isto é, um raciocínio que tira algo do nada, como um passe de mágica, ou iluminação ou de um quase nada e insignificante traço característico de que Moisés está no Egito 100 anos após uam determinada doutrina ter sido testada e repousado nos escaninhos exotéricos dos palácios dos próximos dos faraós egípcios que sucederam Akhenaton.
Fora isto, é preciso considerar ainda, a descomunal e gigantesca compreensão de Freud sobre a cultura e a tradição ocidental, incluso a sua origem em ruptura lá no Egito, através da libertação dos judeus que Moisés protagoniza como lider espiritual, estrategista político e profeta grandioso.
Nada neste ensaio de Freud pode ser tratado como só palavras e palavras. Vejo nele toneladas de idéias, algumas incluso insuportáveis para a compreensão geralmente rasa que temos de temas como a religião, as raças, culturas e processos históricos de desenvolvimento das civilizações que sempre trazem consigo uma face angelical e uma contraface demoniaca. (de daimon)Isto é , que sempre trazem consigo aquilo que ele vai chamar de um Totem e um tabu. Assim, temos aí um fenômeno religioso encobrindo também um fenômeno antropológico e cultural.
Outro inconveniente que se segue disto é, então, a grandeza do tema e a corajosa abordagem dele protagonizada por Freud. Que enfrenta de mancheia a tradição judaica sacralizada e a tradição historiográfica consagrada sobre os judeus. Disso se seguiu um conjunto grandioso de críticas ao texto de Freud, onde a voz dos especialistas e dos cultuadores se ecoou ao ponto do texto ser pouco abordado e ter bibliografia interpretativa escassa.
Ao contrário de outros comentadores não vejo grande culpa aí num Freud judeu, mas sim num Freud que ousa abordar talvez um dos maiores episódios de fundação de religiões. E faz isto ao fim da vida. Tudo se passa como se ele tivesse que ter esperado todo este tempo para fazer este acerto de contas com sua própria tradição e quiçá - com toda a tradição ocidental como assim me parece ser o caso.
E aqui eu não vejo somente o Judaísmo em seus fundamentos, vejo também o Islamismo e o cristianismo. Afinal o monoteísmo aí é fundacional também de outras religiões o que aponta para a grandeza e a latitude do empreendimento freudiano. Que, na minha visão impressionada, desperta para um tema maior que o da tradição judaica. No título de Freud isto aparece como O Homem Moisés e a Religião Monoteísta ( Der Mann Moses und die monotheistische Religion). A saber o tema do homem na história. Sim senhor. O tema da açõa de um indivíduo na história. Aquele tema que na historiografia tradicional é o tema dos heróis, dos homens ou grandes personagens, mas que na nossa abordagem aqui pode ser considerado provisoriamente como o tema da medida das lideranças e do reconhecimento que elas conseguem obter em suas vidas. Incluso aí, aquilo que elas conseguem fazer em meio à tensa dialética da aceitação eda recusa de sua liderança, suas propostas e objetivos.
A coragem é conhecida pelo fato de Freud ousar dizer duas coisas sobre Moisés que são aparentemente imperdoáveis - como todo ato de coragem é na sua origem e horizonte aliás - primeiro dizer que Moisés é egípcio, ou seja, um egípcio que lidera a libertação dos judeus, segundo dizer que o monoteísmo é uma derivação ou influência (duas palavras carregadas de teoria por sinal) originada da doutrina de Akhenaton - cujo único Deus Aton interrompe durante certo tempo, uma doutrina egípcia zoomórfica, animista e politeísta. Nenhuma grama do que é dito aqui é simples ou é só ísmo.
Na aula de Filosofia (2n1 - 29/03/2010) usei este tema como chave para tratar de dois pares de possíveis perdições filosóficas, a saber, o DOGMATISMO E O RELATIVISMO, ou seja a crença de que há uma só verdade ou a crença de que cada um tem a sua - simplória e resumidamente apresentadas.
Porque havia um fantasma no ar desde a discussão da aula passada de que - por exclusiva responsabilidade minha - não há uma só verdade e que atrás de uma pergunta vem outra ad infinitum o que para todos os efeitos me leva a uma investigação sem respostas e a um trololó sem fim. E isto me deixou pensando por três dias sobre como desembaraçar as idéias desta armadilha da razão que nos leva a sermos incapazes de avançar na reflexão e ao mesmo tempo nos tira a esperança de obter respostas e avançar no conhecimento.
A idéia de usar a figura de Moisés como pedra de toque no ataque ao problema do Relativismo e do Dogmatismo, me foi suscitada num diálogo com a Regina que já havia tratado de Moisés em virtude da sua aula de religião ou ER que abordava a razão de ser da Páscoa. nada como uma ex-catequista e exímia matemática para desafiar a minha lógica e a minha reflexão). Como vocês sabem (sic) a Páscoa é uma data de comemoração judaica sobre a fuga dos Judeus do Egito. E esta foi liderada por Moisés. Na minha analogia trata de nós promovermos uma saída deste dilema filosófico do relativismo e do dogmatismo que é um dilema que nos deixa prisioneiros ou do Sono dogmático da Razão ( como diria Kant) ou de um vale tudo que não vale nada.
Eu comentei que Moisés é sim um personagem de muito respeito afinal tem mais proeza na vida de Moisés - na minha opinião - tem mais enredo, trama e surpresas extraordinárias do que em muitos outros mitos, histórias de heróis ou personagens da literatura. Moisés é um dos maiores - senão o maior personagem da civilização ocidental.
Eu desconfio que é o personagem seminal - o pai de todos - aquele que dá o impulso original e virtuoso para a nossa história ocidental. Nem vou enumerar aqui os sucedidos dele - recomendo até umas reeleituras da Bíblia para tal.
Continuo depois....
domingo, 28 de março de 2010
GOETHE - O DESAFIO
Antes do compromisso,
há hesitação, a oportunidade de recusar,
uma ineficácia permanente.
Em todo ato de iniciativa (e de criação)
há uma verdade elementar
cujo desconhecimento destrói muitas idéias
e planos esplêndidos.
No momento em que nos comprometemos de fato, a
Providência também age.
Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar,
coisas de outro modo nunca ocorreriam.
Toda uma cadeia de eventos emana da decisão,
fazendo vir em nosso favor todo tipo
de encontros, de incidentes
e de apoio material imprevistos, que ninguém
poderia sonhar que surgiriam em seu caminho.
Começa tudo o que possa fazer,
ou que sonhas poder fazer
A ousadia traz em si o gênio, o poder e a magia.
Johann Wolfgang von Goethe
há hesitação, a oportunidade de recusar,
uma ineficácia permanente.
Em todo ato de iniciativa (e de criação)
há uma verdade elementar
cujo desconhecimento destrói muitas idéias
e planos esplêndidos.
No momento em que nos comprometemos de fato, a
Providência também age.
Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar,
coisas de outro modo nunca ocorreriam.
Toda uma cadeia de eventos emana da decisão,
fazendo vir em nosso favor todo tipo
de encontros, de incidentes
e de apoio material imprevistos, que ninguém
poderia sonhar que surgiriam em seu caminho.
Começa tudo o que possa fazer,
ou que sonhas poder fazer
A ousadia traz em si o gênio, o poder e a magia.
Johann Wolfgang von Goethe
"O FRACASSO LHE SUBIU À CABEÇA" PITTY
"O fracasso lhe subiu à cabeça" (Pitty) ótima esta também....
Porque todo mundo acha que o poder sobe à cabeça, e sobe à cabeça de muitos. mas também o fracasso faz isto. Sobe à cabeça e deixa a pessoa cega para certos aspectos. Sempre notei que é difícvil para nós seres humanos nos auto-observarmos de uma perspectiva maior. Criar uma perspectiva crítica e verdadeira sobre si mesmo é um bom caminho para escapar às tolices triviais e aos delírios de grandeza que acometem tanto os bem sucedidos quanto os fracassados.
É um exemplo importante a ser observado na vida cotidiana. E nos surpreendemos de tal modo que vemos fracassados com a firme convicção de que estão bem, muito bem segundo sua própria opinião e até felizes.
Eles se auto elogiam e dizem que estão assim porque querem ou que são mais livres que os outros que se submetem de alguma forma àquilo que o sistema ou a máquina quer deles. São livres sim. Alguns não tem patrões, nem chefes, nem esposas, nem filhos nem irmãos se metendo na vida deles.
Quando vejo esta cena no meu meio.
Quando presencio alguém com um discurso de comiseração ou de simplória acomodação ao insucesso, corro o mais rápido que posso na direção oposta por acreditar que isto até é ou pode ser meio contagioso.
Mas já vi cenas muito tristes a partir deste FRACASSO QUE SOBE À CABEÇA....
É este só um pequeno pequeno comentário, antes de apontar que no meu blog tem texto novo.
BOM DOMINGO
Porque todo mundo acha que o poder sobe à cabeça, e sobe à cabeça de muitos. mas também o fracasso faz isto. Sobe à cabeça e deixa a pessoa cega para certos aspectos. Sempre notei que é difícvil para nós seres humanos nos auto-observarmos de uma perspectiva maior. Criar uma perspectiva crítica e verdadeira sobre si mesmo é um bom caminho para escapar às tolices triviais e aos delírios de grandeza que acometem tanto os bem sucedidos quanto os fracassados.
É um exemplo importante a ser observado na vida cotidiana. E nos surpreendemos de tal modo que vemos fracassados com a firme convicção de que estão bem, muito bem segundo sua própria opinião e até felizes.
Eles se auto elogiam e dizem que estão assim porque querem ou que são mais livres que os outros que se submetem de alguma forma àquilo que o sistema ou a máquina quer deles. São livres sim. Alguns não tem patrões, nem chefes, nem esposas, nem filhos nem irmãos se metendo na vida deles.
Quando vejo esta cena no meu meio.
Quando presencio alguém com um discurso de comiseração ou de simplória acomodação ao insucesso, corro o mais rápido que posso na direção oposta por acreditar que isto até é ou pode ser meio contagioso.
Mas já vi cenas muito tristes a partir deste FRACASSO QUE SOBE À CABEÇA....
É este só um pequeno pequeno comentário, antes de apontar que no meu blog tem texto novo.
BOM DOMINGO
quarta-feira, 24 de março de 2010
CIÊNCIA BRASILEIRA DEVE DAR UM PASSO À FRENTE - MAIS INVESTIMENTO E OUSADIA
Tenho diferenças em relação a algumas abordagens tradicionais.
A ciência que nós queremos e precisamos não poderá ser somente produto do êxito individual deste ou daquele pesquisador. Deve ser uma ciência fomentada pelo estado e pela sociedade de forma assumida e comprometida, já na escolas fundamentais e médias.
Toda vez que falam em excelência vejo algo às avessas: a reciprocidade dos afins. Poucos tratam excelência por ser capaz de ser diverso.
A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão deve ser abandonada. É apenas um princípio econômico de tentar fazer mais com menos. Não vai dar certo no final. Alguns dos maiores gênios da ciência não tinham e não terão nunca a menor habilidade para ensinar ou tentar ensinar 30, 20 ou 10 alunos enfarados pela rotina da pseudo academia.
Precisamos de pesquisadores, investigadores e de um investimento mais intenso sobre o desconhecido. A ciência brasileira é muito boa, mas poucos se encontram em condições de avançar sobre o desconhecido.
Existem as panelinhas, mas também existe a lei do menor esforço: porque expor seu departamento a uma surpresa se você pode apostar naquele discípulo conhecido e comprovado da tradição local ou próxima.
Penso que um grande desafio é fazer um levantamento público de todos os cérebros ou quadros disponíveis e propor algon no sentido de criar condições de engajamento e reengajamento na pesquisa, no ensino ou na extensão. Um plano de uns dez anos pode surtir um efeito extraordinário. Mas é preciso inventar e ter ousadia para sair do modelo tradicional.
Nós não teremos os resultados que queremos sem um empenho e um esforço coletivo, o que inclui aí todas as instituições públicas e privadas que podem ser beneficiárias diretas ou indiretas disto.
Penso que este é parte do desafio colocado na articulação macro entre ciência e educação que deve superar a pauta mistificadora de um sonho pelo futuro e a pauta economicista do fazer mais com menos.
Potencial científico nós temos.
Então é só avançar mais.
Por fim, penso que as idéias de Dilma respondem a este grande desafio.
A ciência que nós queremos e precisamos não poderá ser somente produto do êxito individual deste ou daquele pesquisador. Deve ser uma ciência fomentada pelo estado e pela sociedade de forma assumida e comprometida, já na escolas fundamentais e médias.
Toda vez que falam em excelência vejo algo às avessas: a reciprocidade dos afins. Poucos tratam excelência por ser capaz de ser diverso.
A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão deve ser abandonada. É apenas um princípio econômico de tentar fazer mais com menos. Não vai dar certo no final. Alguns dos maiores gênios da ciência não tinham e não terão nunca a menor habilidade para ensinar ou tentar ensinar 30, 20 ou 10 alunos enfarados pela rotina da pseudo academia.
Precisamos de pesquisadores, investigadores e de um investimento mais intenso sobre o desconhecido. A ciência brasileira é muito boa, mas poucos se encontram em condições de avançar sobre o desconhecido.
Existem as panelinhas, mas também existe a lei do menor esforço: porque expor seu departamento a uma surpresa se você pode apostar naquele discípulo conhecido e comprovado da tradição local ou próxima.
Penso que um grande desafio é fazer um levantamento público de todos os cérebros ou quadros disponíveis e propor algon no sentido de criar condições de engajamento e reengajamento na pesquisa, no ensino ou na extensão. Um plano de uns dez anos pode surtir um efeito extraordinário. Mas é preciso inventar e ter ousadia para sair do modelo tradicional.
Nós não teremos os resultados que queremos sem um empenho e um esforço coletivo, o que inclui aí todas as instituições públicas e privadas que podem ser beneficiárias diretas ou indiretas disto.
Penso que este é parte do desafio colocado na articulação macro entre ciência e educação que deve superar a pauta mistificadora de um sonho pelo futuro e a pauta economicista do fazer mais com menos.
Potencial científico nós temos.
Então é só avançar mais.
Por fim, penso que as idéias de Dilma respondem a este grande desafio.
domingo, 21 de março de 2010
ECONOMIA E INVESTIMENTOS PÚBLICOS: CONTRA A FALÁCIA DOS LIBERAIS E DOS CONSERVADORES SOBRE O DEFICIT ZERO -
James Galbraith: em defesa dos déficits públicos
Um programa de forte redução do déficit pública destruiria a economia dos Estados Unidos em dois anos de crise. A fobia de déficit de Wall Street, da imprensa, de alguns economistas e praticamente de todos os políticos é um dos perigos mais profundos que enfrentamos. Não são apenas os velhos e doentes que estão ameaçados; todos nós estamos. Pois cortar o déficit atual sem antes reconstruir a engrenagem do sistema de crédito privado é um caminho certo para a estagnação, para um segundo mergulho na recessão - e mesmo para uma segunda Grande Depressão. A análise é de James Galbraith.
James Galbraith - The Nation
A Comissão Simpson-Bowles (1) acabou de dizer, através de seu presidente, que irá indubitavelmente atacar o Social Security e o Medicare, com as vestes da retórica farisaica da redução do déficit. (De volta aos seus dias de “ecologista”, o ex-senador Alan Simpson tomou parte assiduamente nos cortes da Seguridade Social). O congelamento nos gastos de Obama é outro sacrifício simbólico aos deuses do déficit. A maior parte dos observadores acredita que esse congelamento não aumentará e espera-se que eles estejam certos. Mas quais seriam as consequências econômicas caso aumentasse? A resposta é que um programa de grande redução do déficit destruiria a economia, ou o que resta dela, dois anos adentro da Grande Crise.
Por essa razão, a fobia de déficit de Wall Street, da imprensa, de alguns economistas e praticamente de todos os políticos é um dos perigos mais profundos que enfrentamos. Não são apenas os velhos e doentes que estão ameaçados; todos nós estamos. Pois cortar o déficit atual sem antes reconstruir a engrenagem do sistema de crédito privado é um caminho certo para a estagnação, para um segundo mergulho na recessão - e mesmo para uma segunda Grande Depressão. Focar obsessivamente no corte de déficit futuro também é um caminho que obstruirá, não assegurará, aquilo de que precisamos fazer para restabelecer crescimento forte e aumento no emprego.
Para falar cruamente, há duas maneiras de se obter crescimento com investimentos, que chamamos de “crescimento econômico”. Uma maneira é o governo gastar. A outra, os bancos emprestarem. Deixando de lado os ajustes de curto prazo, como o aumento das exportações líquidas ou da inovação financeira, basicamente é disso que se trata. Governos e bancos são duas entidades com poder de criar algo do nada. Se é para a capacidade de investimento aumentar, um ou outro desses grandes motores financeiros – déficit público ou empréstimos privados – tem de entrar em ação.
Para as pessoas comuns, déficits orçamentários públicos, a despeito de sua má reputação, são muito melhores do que empréstimos privados. Déficits põem dinheiro nos bolsos privados. Os lares passam a ter mais dinheiro, livre e limpo, e podem gastar como quiserem. Se quiserem, também podem convertê-lo em ganhos com fundos públicos ou podem voltar a honrar suas dívidas. Isso se chama um aumento do “patrimônio financeiro líquido”. As pessoas comuns se beneficiam, mas não há aí nada para os bancos.
E é isso, em termos mais simples, o que explica a fobia de Wall Street, da mídia corporativa e dos economistas de direita. Banqueiros não gostam de déficit fiscal porque ele compete com os empréstimos bancários como fonte de crescimento. Quando um banco faz um empréstimo, o equilíbrio das contas em mãos privadas também aumenta. Mas agora o dinheiro não é de propriedade livre e limpa. Há uma obrigação contratual de pagar juros e de honrar a dívida principal. Se o empreendimento quebra, talvez haja um ativo a ser executado – uma casa ou uma fábrica ou companhia – que então vai se tornar propriedade do banco. É fácil de ver por que os banqueiros amam o crédito privado e odeiam os déficits públicos.
Tudo isso deveria ser dolorosamente óbvio, mas é profundamente obscuro. É obscuro porque legiões de defensores dos interesses de Wall Street – notavelmente dirigidos pela Fundação Peter Peterson e seu linha de frente, o ex-contador geral David Walker, e inclusive a ala Robert Rubin (2) da direita do partido democrata e numerosos empreendimentos “bipartisans”, como a Coalizão Concord e o Comitê para um Orçamento Federal Responsável – têm trabalhado vigorosamente para gerar confusão nessas questões. Esses espíritos nunca dizem uma única palavra de alerta frente à crise financeira, a qual se originou em Wall Street, sob os narizes de seus idiotas. Mas eles alertam sempre, um tanto falsamente, que o governo é um “super subprime” um “Esquema Ponzi”, coisa que ele não é.
Também escutamos dessas mesmas pessoas a mesma cantilena sobre a “bancarrota” da Seguridade Social e do Medicare – inclusive até do próprio EUA. Ou o fardo da dívida pública vai “se impor sobre nossos netos”, ou algo como “dívidas sem fim” estão supostamente diante de nós. Tudo isso faz parte de uma das maiores campanhas de desinformação de todos os tempos.
A desinformação está enraizada no que muitos consideram o senso comum mais elementar. Pode ser visto como sabedoria caseira, especialmente, dizer que “assim como a família, o governo não pode viver além de suas possibilidades”. Mas governo não é como família. Nessas questões, os setores privado e público diferem em pontos muito básicos. Sua família depende de renda para honrar suas dívidas. Seu governo, não.
Devedores privados podem quebrar e quebram. Eles vão à bancarrota (uma proteção que as sociedades civilizadas lhes permite, em vez de aprisionar devedores). Ora, se eles têm uma hipoteca, em muitos estados eles podem simplesmente sair de suas casas, caso não possam mais continuar a pagar por ela.
Com o governo, o risco de inadimplência não existe. Governos gastam dinheiro (e pagam juros) simplesmente ao digitar números num computador. Diferentemente de devedores privados, os governos não precisam ter dinheiro em mãos. Como o inspirado economista amador Warren Mosler gosta de dizer, a pessoa no Tesouro que assina os cheques da Seguridade Social não tem o número de telefone do coletor de impostos no IRS [Internal Revenue Services]. Se você resolver pagar impostos em dinheiro, o governo lhe dará um recibo – e depois picota a conta. Como é a fonte do dinheiro, o governo não pode fugir.
É verdade que o governo pode gastar imprudentemente. Gastos demais, livres de custo, podem levar à inflação, frequentemente via depreciação da moeda – embora com o mundo em recessão não haja um risco imediato. O gasto perdulário – em aventuras militares desnecessárias, digamos – queima as fontes reais de recursos. Mas governo algum pode jamais ser levado à inadimplência em moeda que ele mesmo controla. Moratórias públicas ocorrem unicamente quando governos não controlam a moeda na qual suas dívidas são avaliadas – como a Argentina tinha dívidas em dólar ou como a Grécia agora (que ainda não decretou a moratória) deve em euros. Mas, para soberanias de verdade a bancarrota é um conceito irrelevante. Quando Obama diz, mesmo de improviso, que os EUA estão “sem dinheiro”, ele está dizendo uma coisa sem sentido – um nonsense perigoso. Fico me perguntando se ele acredita nisso.
A dívida pública tampouco é um fardo para as gerações futuras. Ela não tem de ser paga de novo e, na prática, jamais o será. Dívidas pessoais geralmente são contraídas durante a vida do devedor ou na sua morte, porque uma pessoa não pode incumbir outra facilmente. Mas o débito público nunca tem de ser pago de novo. Os governos não morrem – exceto na guerra ou em revoluções; e quando isso acontece, suas dívidas geralmente são em todo caso irrelevantes.
Então a dívida pública só aumenta de um ano para o outro. Em toda a história dos Estados Unidos tem sido assim; com orçamentos deficitários e aumento do gasto público em tudo, salvo em seis curtas ocasiões – com superávits que se seguiram à recessão. Longe de ser um fardo, essas dívidas são o fundamento do crescimento econômico. Obrigações do governo sustentam a renda líquida do setor privado, diferentemente das dívidas puramente privadas, as quais meramente transferem a renda de uma parte do setor privado para outro.
Nem é que os juros sejam uma ameaça à solvência. Uma projeção recente do Center on Budget and Policy Priorities, com base nas declarações do Congressional Budget Office – Gabinete encarregado de fazer análises orçamentárias para o Congresso estadunidense], é de que o pagamento de juros da dívida pública chegará a 15% do PIB em 2050, com um déficit do total para o PIB na casa dos 300%. Mas isso não pode acontecer. Se os juros fossem pagos a pessoas que então gastariam em bens e serviços e na criação de empregos, seria como qualquer outro gasto público. Pagamentos de juros tão enormes afetariam a economia tanto como a mobilização para a Segunda Guerra Mundial. Muito antes de você chegar sequer perto dessas proporções assustadoras, você teria pleno emprego e inflação crescente – puxando o PIB para cima e, em troca, estabilizando a relação dívida PIB. Ora, o Federal Reserve iria estabilizar o pagamento de juros simplesmente mantendo as taxas de juro de curto prazo em índices (por ele controlados) muito baixos.
E quanto à gratidão aos estrangeiros? É verdade, os estrangeiros nos fazem um favor ao comprar nossos títulos da dívida. Para adquirí-los, a China deve exportar bens a nós, sem contrapartida de importações equivalentes. Isso é um custo para a China. É um custo que Beijing está preparado para pagar, com base em suas próprias razões: exportar produtos industrializados promove o aprendizado, a transferência de tecnologia e a melhora da qualidade do produto; eles promovem a criação de empregos para imigrantes do outro lado do país. Mas isso é assunto dos chineses.
Para a China, os títulos eles mesmos são um tesouro estéril. Há quase nada que Beijing possa fazer com eles. A China já importa todas as commodities e maquinaria e aeronaves que pode usar – e se quisesse mais, compraria agora. Então, a menos que a China mude sua política de exportação, seu estoque de títulos da dívida só vai seguir crescendo. E nós vamos pagar juro sobre ele, não com esforço real, mas digitando números em computadores. Não há fardo algum associado a isso, nem agora nem depois. (Se os chineses acumulassem os juros, eles também não ajudariam muito na criação de empregos aqui. Então, o fato de que estaríamos comprando muitos bens da China significa simplesmente que teremos de ser mais imaginativos e audaciosos, se quisermos criar todos os empregos de que necessitamos). Finalmente, a China poderia se desfazer de seus dólares? Em princípio, poderia, substituindo os títulos da dívida grega pela americana e euros supervalorizados por dólares baratos. Refletindo ligeiramente pode-se ver que nenhum burocrata de Beijing provavelmente considerará esse um movimento inteligente.
O que é verdadeiro para o governo como um todo também o é para alguns programas em particular. O Social Security e o Medicare são programas governamentais; eles não podem ir à bancarrota e não podem fracassar em honrar suas obrigações, salvo se o Congresso decidir – digamos, seguindo a recomendação da Comissão Simpson-Bowles – cortar os benefícios que esses programas oferecem. O exercício de vincular vantagens futuras e de projetar rendimentos com a redução dos encargos trabalhistas é uma explicação farsesca, dada em função de razões políticas. Essa farsa foi iniciada por FDR [Frank Delano Roosevelt],como uma maneira de proteger o Social Security dos cortes. Mas se tornou uma maneira de criar ansiedades inúteis quanto a esses programas e de evitar reformas necessárias, como a expansão do Medicare para aqueles que têm mais de 55 anos, ou mesmo para toda a população.
O Social Security e o Medicare são programas de transferência de renda. O que eles fazem principalmente é movimentar recursos na nossa sociedade num dado tempo. A principal transferência não se dá do jovem para o velho, pois mesmo sem o Social Security os velhos ainda poderiam ter de ser assistidos por alguém. Antes, o conjunto dos recursos do Social Security, assim como os recursos da coletividade jovem iriam sustentar a população mais velha. A transferência efetiva dá-se dos pais que têm crianças que viriam em troca dar-lhes assistência (uma coisa normalmente rara), para idosos que não os têm. E é de trabalhadores que não têm pais para sustentar para trabalhadores que, ao contrário, têm de sustentar seus pais. Em ambos os casos essa distribuição da obrigação é justa, progressiva e sustentável. Há um problema no custo com a assistência médica, e todo mundo sabe, mas esse não é um problema do Medicare. Não é algo que deveria ser resolvido com cortes na assistência em saúde para os mais velhos. O Social Security e o Medicare também substituem a insegurança privada por uma administração pública barata e eficiente. Essa é mais uma razão para que esses programas sejam os alvos odiados, décadas após décadas, pelos piores predadores de Wall Street.
Os déficits públicos e os empréstimos privados são recíprocos. Aumentar os empréstimos privados gera novos encargos sobre os rendimentos e menores déficits; foi isso o que aconteceu nos anos 90. Um colapso no crédito gera inadimplência e mais gasto; é o que está se passando agora, e nossos grandes déficits estão sendo contados como contrapartidas do declínio maciço, no ano passado, nos empréstimos bancários. A única escolha é em que tipo de déficit incorrer – déficits produtivos que reconstroem o país, como no New Deal, ou déficits inúteis, com milhões guardados sem necessidade, na insegurança do desemprego, quando poderiam estar sendo usados para gerar empregos.
Se pudéssemos reviver os empréstimos privados deveríamos fazê-lo? Bem, sim, à medida que há boas razões para ter um setor privado de empréstimos robusto. O governo é por natureza centralizado e dirigido pela política. Ele opera no âmbito do direito e da regulação. Bancos privados descentralizados e competitivos têm muito mais flexibilidade. Um bom sistema bancário, tocado por gente competente, com bons critérios para os negócios, que conheçam seus clientes, é bom para a economia. O fato de você ter de pagar juros de um empréstimo também é um fator de motivação no investimento em consumo.
Mas neste momento nós não temos bancos funcionais. Temos um cartel dirigido por uma plutocracia incompetente, com longos tentáculos nos bolsos do Estado. Para que o crédito funcional retorne, teremos de reduzir as dívidas privadas impagáveis que agora são exorbitantes, para restaurar a renda privada (quer dizer, para criar empregos) e as garantias (quer dizer, os valores das casas), e teremos de reestruturar os grandes bancos. Precisamos quebrá-los, sacudir todo o sistema financeiro, expor e combater as fraudes, e criar incentivos para empréstimos lucrativos em conservação de energia, infraestrutura e outros setores. Ou podemos criar um novo sistema bancário paralelo, como foi feito no New Deal, com a Reconstruction Finance Corporation e seus spinoffs (3), inclusive o Home Owners' Loan Corporation e mais tarde o Fannie Mae e o Freddie Mac.
Seja como for, até que tenhamos uma reforma financeira efetiva, os déficits orçamentários são o único caminho para o crescimento econômico. Você não precisa gostar dos déficits orçamentários para entender que devemos tê-los, na escala que for necessária para restaurar o crescimento e o nível de empregos. E precisaremos deles não apenas agora, por um longo período, ainda, até que tracemos um programa estratégico para investimento, energia e meio ambiente, financiado em parte por um setor financeiro reformado, restaurado e disciplinado.
É possível, é claro, que toda a histeria com o déficit seja uma tentativa de desviar a atenção das disfunções do sistema bancário privado, para frustrar as mobilizações pela reforma financeira. Isso está lhes dando muito mais crédito? Talvez. Talvez não.
(*) James K. Galbraith é autor de The Predator State: How Conservatives Abandoned the Free Market e Why Liberals Should Too. Ele ensina na LBJ School of Public Affairs na Universidade do Texas e é conselheiro acadêmico senior no Levy Economics Institute.
(1) N.deT. A Comissão Simpson-Bowles é uma espécie de gabinete bipartidário, criado pelo Presidente Barack Obama, para apresentar uma agenda consistente de redução do déficit histórico enfrentado pelos EUA. Erskine Bowles, que trabalhou diretamente com Bill Clinton é o membro democrata da Comissão, e Alan Simpson, ex-senador republicano, é o representante republicano. A idéia é que até dezembro deste ano as condições para o estabelecimento de uma meta em que a dívida chegue a 3% do PIB até 2015. O orçamento estadunidense alcançou o maior déficit de sua história, desde a Segunda Guerra Mundial. A operação de resgate dos grandes bancos por ocasião da grave crise de 2008 também contribuiu para o aprofundamento do déficit orçamentário.
(2) N.deT. Sobre Robert Rubin: http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Rubin
(3) Sobre o que são spinoffs, ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Spin-off
PS.: a fonte é CARTA MAIOR
Tomo a liberdade de citar porque trata de um debate essencial para um novo conceito de estado. Não simplesmente o bem estar social, mas o estado indutor do desenvolvimento econômico. O paradigma em jogo aí é a questão da DÍVIDA PÚBLICA. Que até então tem sido tratada como um pecado ou uma ofensa às vacas sagradas do mercado e da economia de mercado. O argumento do autor parece-me essencial: o estado produz divida e com isto gera crescimento e desenvolvimento. É, em parte, o mesmo conceito do governo Lula. Me parece que Dilma o assume integralmente. Mas este é um outro debate. DANIEL ADAMS BOEIRA
Um programa de forte redução do déficit pública destruiria a economia dos Estados Unidos em dois anos de crise. A fobia de déficit de Wall Street, da imprensa, de alguns economistas e praticamente de todos os políticos é um dos perigos mais profundos que enfrentamos. Não são apenas os velhos e doentes que estão ameaçados; todos nós estamos. Pois cortar o déficit atual sem antes reconstruir a engrenagem do sistema de crédito privado é um caminho certo para a estagnação, para um segundo mergulho na recessão - e mesmo para uma segunda Grande Depressão. A análise é de James Galbraith.
James Galbraith - The Nation
A Comissão Simpson-Bowles (1) acabou de dizer, através de seu presidente, que irá indubitavelmente atacar o Social Security e o Medicare, com as vestes da retórica farisaica da redução do déficit. (De volta aos seus dias de “ecologista”, o ex-senador Alan Simpson tomou parte assiduamente nos cortes da Seguridade Social). O congelamento nos gastos de Obama é outro sacrifício simbólico aos deuses do déficit. A maior parte dos observadores acredita que esse congelamento não aumentará e espera-se que eles estejam certos. Mas quais seriam as consequências econômicas caso aumentasse? A resposta é que um programa de grande redução do déficit destruiria a economia, ou o que resta dela, dois anos adentro da Grande Crise.
Por essa razão, a fobia de déficit de Wall Street, da imprensa, de alguns economistas e praticamente de todos os políticos é um dos perigos mais profundos que enfrentamos. Não são apenas os velhos e doentes que estão ameaçados; todos nós estamos. Pois cortar o déficit atual sem antes reconstruir a engrenagem do sistema de crédito privado é um caminho certo para a estagnação, para um segundo mergulho na recessão - e mesmo para uma segunda Grande Depressão. Focar obsessivamente no corte de déficit futuro também é um caminho que obstruirá, não assegurará, aquilo de que precisamos fazer para restabelecer crescimento forte e aumento no emprego.
Para falar cruamente, há duas maneiras de se obter crescimento com investimentos, que chamamos de “crescimento econômico”. Uma maneira é o governo gastar. A outra, os bancos emprestarem. Deixando de lado os ajustes de curto prazo, como o aumento das exportações líquidas ou da inovação financeira, basicamente é disso que se trata. Governos e bancos são duas entidades com poder de criar algo do nada. Se é para a capacidade de investimento aumentar, um ou outro desses grandes motores financeiros – déficit público ou empréstimos privados – tem de entrar em ação.
Para as pessoas comuns, déficits orçamentários públicos, a despeito de sua má reputação, são muito melhores do que empréstimos privados. Déficits põem dinheiro nos bolsos privados. Os lares passam a ter mais dinheiro, livre e limpo, e podem gastar como quiserem. Se quiserem, também podem convertê-lo em ganhos com fundos públicos ou podem voltar a honrar suas dívidas. Isso se chama um aumento do “patrimônio financeiro líquido”. As pessoas comuns se beneficiam, mas não há aí nada para os bancos.
E é isso, em termos mais simples, o que explica a fobia de Wall Street, da mídia corporativa e dos economistas de direita. Banqueiros não gostam de déficit fiscal porque ele compete com os empréstimos bancários como fonte de crescimento. Quando um banco faz um empréstimo, o equilíbrio das contas em mãos privadas também aumenta. Mas agora o dinheiro não é de propriedade livre e limpa. Há uma obrigação contratual de pagar juros e de honrar a dívida principal. Se o empreendimento quebra, talvez haja um ativo a ser executado – uma casa ou uma fábrica ou companhia – que então vai se tornar propriedade do banco. É fácil de ver por que os banqueiros amam o crédito privado e odeiam os déficits públicos.
Tudo isso deveria ser dolorosamente óbvio, mas é profundamente obscuro. É obscuro porque legiões de defensores dos interesses de Wall Street – notavelmente dirigidos pela Fundação Peter Peterson e seu linha de frente, o ex-contador geral David Walker, e inclusive a ala Robert Rubin (2) da direita do partido democrata e numerosos empreendimentos “bipartisans”, como a Coalizão Concord e o Comitê para um Orçamento Federal Responsável – têm trabalhado vigorosamente para gerar confusão nessas questões. Esses espíritos nunca dizem uma única palavra de alerta frente à crise financeira, a qual se originou em Wall Street, sob os narizes de seus idiotas. Mas eles alertam sempre, um tanto falsamente, que o governo é um “super subprime” um “Esquema Ponzi”, coisa que ele não é.
Também escutamos dessas mesmas pessoas a mesma cantilena sobre a “bancarrota” da Seguridade Social e do Medicare – inclusive até do próprio EUA. Ou o fardo da dívida pública vai “se impor sobre nossos netos”, ou algo como “dívidas sem fim” estão supostamente diante de nós. Tudo isso faz parte de uma das maiores campanhas de desinformação de todos os tempos.
A desinformação está enraizada no que muitos consideram o senso comum mais elementar. Pode ser visto como sabedoria caseira, especialmente, dizer que “assim como a família, o governo não pode viver além de suas possibilidades”. Mas governo não é como família. Nessas questões, os setores privado e público diferem em pontos muito básicos. Sua família depende de renda para honrar suas dívidas. Seu governo, não.
Devedores privados podem quebrar e quebram. Eles vão à bancarrota (uma proteção que as sociedades civilizadas lhes permite, em vez de aprisionar devedores). Ora, se eles têm uma hipoteca, em muitos estados eles podem simplesmente sair de suas casas, caso não possam mais continuar a pagar por ela.
Com o governo, o risco de inadimplência não existe. Governos gastam dinheiro (e pagam juros) simplesmente ao digitar números num computador. Diferentemente de devedores privados, os governos não precisam ter dinheiro em mãos. Como o inspirado economista amador Warren Mosler gosta de dizer, a pessoa no Tesouro que assina os cheques da Seguridade Social não tem o número de telefone do coletor de impostos no IRS [Internal Revenue Services]. Se você resolver pagar impostos em dinheiro, o governo lhe dará um recibo – e depois picota a conta. Como é a fonte do dinheiro, o governo não pode fugir.
É verdade que o governo pode gastar imprudentemente. Gastos demais, livres de custo, podem levar à inflação, frequentemente via depreciação da moeda – embora com o mundo em recessão não haja um risco imediato. O gasto perdulário – em aventuras militares desnecessárias, digamos – queima as fontes reais de recursos. Mas governo algum pode jamais ser levado à inadimplência em moeda que ele mesmo controla. Moratórias públicas ocorrem unicamente quando governos não controlam a moeda na qual suas dívidas são avaliadas – como a Argentina tinha dívidas em dólar ou como a Grécia agora (que ainda não decretou a moratória) deve em euros. Mas, para soberanias de verdade a bancarrota é um conceito irrelevante. Quando Obama diz, mesmo de improviso, que os EUA estão “sem dinheiro”, ele está dizendo uma coisa sem sentido – um nonsense perigoso. Fico me perguntando se ele acredita nisso.
A dívida pública tampouco é um fardo para as gerações futuras. Ela não tem de ser paga de novo e, na prática, jamais o será. Dívidas pessoais geralmente são contraídas durante a vida do devedor ou na sua morte, porque uma pessoa não pode incumbir outra facilmente. Mas o débito público nunca tem de ser pago de novo. Os governos não morrem – exceto na guerra ou em revoluções; e quando isso acontece, suas dívidas geralmente são em todo caso irrelevantes.
Então a dívida pública só aumenta de um ano para o outro. Em toda a história dos Estados Unidos tem sido assim; com orçamentos deficitários e aumento do gasto público em tudo, salvo em seis curtas ocasiões – com superávits que se seguiram à recessão. Longe de ser um fardo, essas dívidas são o fundamento do crescimento econômico. Obrigações do governo sustentam a renda líquida do setor privado, diferentemente das dívidas puramente privadas, as quais meramente transferem a renda de uma parte do setor privado para outro.
Nem é que os juros sejam uma ameaça à solvência. Uma projeção recente do Center on Budget and Policy Priorities, com base nas declarações do Congressional Budget Office – Gabinete encarregado de fazer análises orçamentárias para o Congresso estadunidense], é de que o pagamento de juros da dívida pública chegará a 15% do PIB em 2050, com um déficit do total para o PIB na casa dos 300%. Mas isso não pode acontecer. Se os juros fossem pagos a pessoas que então gastariam em bens e serviços e na criação de empregos, seria como qualquer outro gasto público. Pagamentos de juros tão enormes afetariam a economia tanto como a mobilização para a Segunda Guerra Mundial. Muito antes de você chegar sequer perto dessas proporções assustadoras, você teria pleno emprego e inflação crescente – puxando o PIB para cima e, em troca, estabilizando a relação dívida PIB. Ora, o Federal Reserve iria estabilizar o pagamento de juros simplesmente mantendo as taxas de juro de curto prazo em índices (por ele controlados) muito baixos.
E quanto à gratidão aos estrangeiros? É verdade, os estrangeiros nos fazem um favor ao comprar nossos títulos da dívida. Para adquirí-los, a China deve exportar bens a nós, sem contrapartida de importações equivalentes. Isso é um custo para a China. É um custo que Beijing está preparado para pagar, com base em suas próprias razões: exportar produtos industrializados promove o aprendizado, a transferência de tecnologia e a melhora da qualidade do produto; eles promovem a criação de empregos para imigrantes do outro lado do país. Mas isso é assunto dos chineses.
Para a China, os títulos eles mesmos são um tesouro estéril. Há quase nada que Beijing possa fazer com eles. A China já importa todas as commodities e maquinaria e aeronaves que pode usar – e se quisesse mais, compraria agora. Então, a menos que a China mude sua política de exportação, seu estoque de títulos da dívida só vai seguir crescendo. E nós vamos pagar juro sobre ele, não com esforço real, mas digitando números em computadores. Não há fardo algum associado a isso, nem agora nem depois. (Se os chineses acumulassem os juros, eles também não ajudariam muito na criação de empregos aqui. Então, o fato de que estaríamos comprando muitos bens da China significa simplesmente que teremos de ser mais imaginativos e audaciosos, se quisermos criar todos os empregos de que necessitamos). Finalmente, a China poderia se desfazer de seus dólares? Em princípio, poderia, substituindo os títulos da dívida grega pela americana e euros supervalorizados por dólares baratos. Refletindo ligeiramente pode-se ver que nenhum burocrata de Beijing provavelmente considerará esse um movimento inteligente.
O que é verdadeiro para o governo como um todo também o é para alguns programas em particular. O Social Security e o Medicare são programas governamentais; eles não podem ir à bancarrota e não podem fracassar em honrar suas obrigações, salvo se o Congresso decidir – digamos, seguindo a recomendação da Comissão Simpson-Bowles – cortar os benefícios que esses programas oferecem. O exercício de vincular vantagens futuras e de projetar rendimentos com a redução dos encargos trabalhistas é uma explicação farsesca, dada em função de razões políticas. Essa farsa foi iniciada por FDR [Frank Delano Roosevelt],como uma maneira de proteger o Social Security dos cortes. Mas se tornou uma maneira de criar ansiedades inúteis quanto a esses programas e de evitar reformas necessárias, como a expansão do Medicare para aqueles que têm mais de 55 anos, ou mesmo para toda a população.
O Social Security e o Medicare são programas de transferência de renda. O que eles fazem principalmente é movimentar recursos na nossa sociedade num dado tempo. A principal transferência não se dá do jovem para o velho, pois mesmo sem o Social Security os velhos ainda poderiam ter de ser assistidos por alguém. Antes, o conjunto dos recursos do Social Security, assim como os recursos da coletividade jovem iriam sustentar a população mais velha. A transferência efetiva dá-se dos pais que têm crianças que viriam em troca dar-lhes assistência (uma coisa normalmente rara), para idosos que não os têm. E é de trabalhadores que não têm pais para sustentar para trabalhadores que, ao contrário, têm de sustentar seus pais. Em ambos os casos essa distribuição da obrigação é justa, progressiva e sustentável. Há um problema no custo com a assistência médica, e todo mundo sabe, mas esse não é um problema do Medicare. Não é algo que deveria ser resolvido com cortes na assistência em saúde para os mais velhos. O Social Security e o Medicare também substituem a insegurança privada por uma administração pública barata e eficiente. Essa é mais uma razão para que esses programas sejam os alvos odiados, décadas após décadas, pelos piores predadores de Wall Street.
Os déficits públicos e os empréstimos privados são recíprocos. Aumentar os empréstimos privados gera novos encargos sobre os rendimentos e menores déficits; foi isso o que aconteceu nos anos 90. Um colapso no crédito gera inadimplência e mais gasto; é o que está se passando agora, e nossos grandes déficits estão sendo contados como contrapartidas do declínio maciço, no ano passado, nos empréstimos bancários. A única escolha é em que tipo de déficit incorrer – déficits produtivos que reconstroem o país, como no New Deal, ou déficits inúteis, com milhões guardados sem necessidade, na insegurança do desemprego, quando poderiam estar sendo usados para gerar empregos.
Se pudéssemos reviver os empréstimos privados deveríamos fazê-lo? Bem, sim, à medida que há boas razões para ter um setor privado de empréstimos robusto. O governo é por natureza centralizado e dirigido pela política. Ele opera no âmbito do direito e da regulação. Bancos privados descentralizados e competitivos têm muito mais flexibilidade. Um bom sistema bancário, tocado por gente competente, com bons critérios para os negócios, que conheçam seus clientes, é bom para a economia. O fato de você ter de pagar juros de um empréstimo também é um fator de motivação no investimento em consumo.
Mas neste momento nós não temos bancos funcionais. Temos um cartel dirigido por uma plutocracia incompetente, com longos tentáculos nos bolsos do Estado. Para que o crédito funcional retorne, teremos de reduzir as dívidas privadas impagáveis que agora são exorbitantes, para restaurar a renda privada (quer dizer, para criar empregos) e as garantias (quer dizer, os valores das casas), e teremos de reestruturar os grandes bancos. Precisamos quebrá-los, sacudir todo o sistema financeiro, expor e combater as fraudes, e criar incentivos para empréstimos lucrativos em conservação de energia, infraestrutura e outros setores. Ou podemos criar um novo sistema bancário paralelo, como foi feito no New Deal, com a Reconstruction Finance Corporation e seus spinoffs (3), inclusive o Home Owners' Loan Corporation e mais tarde o Fannie Mae e o Freddie Mac.
Seja como for, até que tenhamos uma reforma financeira efetiva, os déficits orçamentários são o único caminho para o crescimento econômico. Você não precisa gostar dos déficits orçamentários para entender que devemos tê-los, na escala que for necessária para restaurar o crescimento e o nível de empregos. E precisaremos deles não apenas agora, por um longo período, ainda, até que tracemos um programa estratégico para investimento, energia e meio ambiente, financiado em parte por um setor financeiro reformado, restaurado e disciplinado.
É possível, é claro, que toda a histeria com o déficit seja uma tentativa de desviar a atenção das disfunções do sistema bancário privado, para frustrar as mobilizações pela reforma financeira. Isso está lhes dando muito mais crédito? Talvez. Talvez não.
(*) James K. Galbraith é autor de The Predator State: How Conservatives Abandoned the Free Market e Why Liberals Should Too. Ele ensina na LBJ School of Public Affairs na Universidade do Texas e é conselheiro acadêmico senior no Levy Economics Institute.
(1) N.deT. A Comissão Simpson-Bowles é uma espécie de gabinete bipartidário, criado pelo Presidente Barack Obama, para apresentar uma agenda consistente de redução do déficit histórico enfrentado pelos EUA. Erskine Bowles, que trabalhou diretamente com Bill Clinton é o membro democrata da Comissão, e Alan Simpson, ex-senador republicano, é o representante republicano. A idéia é que até dezembro deste ano as condições para o estabelecimento de uma meta em que a dívida chegue a 3% do PIB até 2015. O orçamento estadunidense alcançou o maior déficit de sua história, desde a Segunda Guerra Mundial. A operação de resgate dos grandes bancos por ocasião da grave crise de 2008 também contribuiu para o aprofundamento do déficit orçamentário.
(2) N.deT. Sobre Robert Rubin: http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Rubin
(3) Sobre o que são spinoffs, ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Spin-off
PS.: a fonte é CARTA MAIOR
Tomo a liberdade de citar porque trata de um debate essencial para um novo conceito de estado. Não simplesmente o bem estar social, mas o estado indutor do desenvolvimento econômico. O paradigma em jogo aí é a questão da DÍVIDA PÚBLICA. Que até então tem sido tratada como um pecado ou uma ofensa às vacas sagradas do mercado e da economia de mercado. O argumento do autor parece-me essencial: o estado produz divida e com isto gera crescimento e desenvolvimento. É, em parte, o mesmo conceito do governo Lula. Me parece que Dilma o assume integralmente. Mas este é um outro debate. DANIEL ADAMS BOEIRA
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ECONOMIA - GALBRAITH - DEFICIT PÚBLICO
sexta-feira, 12 de março de 2010
VIVA O BRASIL!!!! VIVA DILMA!!!!!
Foi a minha saudação ao encontrar um velho militante do PDT com uma camiseta amarela com o escrito BRASIL no peito em verde. E ele respondeu VIVA!!!! Com uma alegria daquelas que vamos precisar ter durante toda a campanha não importa o que aconteça.
Tá aí a campanha e a alegria que precisamos para enfrentá-la.
Muito simples.
VIVA O BRASIL!!!!!
VIVA DILMA!!!!!
VIVA!!!!!
Tá aí a campanha e a alegria que precisamos para enfrentá-la.
Muito simples.
VIVA O BRASIL!!!!!
VIVA DILMA!!!!!
VIVA!!!!!
domingo, 7 de março de 2010
MEU ÚLTIMO ENCONTRO COM LULA - FIDEL CASTRO RUIZ
“Meu último encontro com Lula” – Fidel Castro
Eu o conheci em Manágua, em julho de 1980, 30 anos atrás, durante o primeiro aniversário da revolução sandinista, graças aos meus contatos com os proponentes da teologia da libertação, que começou no Chile em 1971, quando visitei o Presidente Allende.
Por Frei Betto sabia quem era Lula, um líder trabalhista em que os cristãos de esquerda colocaram suas esperanças desde o início.
Era um humilde trabalhador na indústria metalúrgica, que era notável por sua inteligência e prestígio entre os sindicatos, na grande nação que emergiu das trevas da ditadura militar imposta pelo império ianque, na década de 60.
Relações do Brasil com Cuba tinham sido excelentes até que o poder dominante no hemisfério as fizeram sucumbir. Décadas se passaram desde então, até que estas relações voltaram, lentamente, a tornar-se o que são hoje.
Cada país tem sua história.
Nosso país sofreu pressões incomuns em diversas e incríveis incríveis desde 1959, em sua luta contra as agressões do império mais poderoso que já existiu na história.
Portanto, significado tem um enorme significado a reunião que foi feita, em Cancun, e a decisão de se criar uma comunidade de países latino-americanos e do Caribe. Outro fato institucional em nosso continente, no século passado, reflete à transcendência semelhante.
O acordo foi alcançado entre a mais grave crise económica que teve lugar no mundo globalizado, coincidindo com o maior perigo de uma catástrofe ecológica de nossa espécie, e ainda com o terremoto que destruiu a Port-au-Prince, capital do Haiti, a maior desastre humano e doloroso na história de nosso hemisfério, no país mais pobre do hemisfério, e o primeiro em que a escravidão foi erradicada.
Ao escrever esta reflexão, apenas seis semanas após a morte de mais de duzentas mil pessoas, segundo dados oficiais naquele país, a notícia chegou dramática dos danos causados por um outro terremoto no Chile, e que levou à morte de pessoas, cujo número é de cerca de mil, segundo dados das autoridades, e também grandes prejuízos materiais.
Especialmente movida pelas imagens do sofrimento de milhões de chilenos, material ou emocional, afetados por esse golpe cruel da natureza.
Chile, felizmente, é um país com mais experiência contra este tipo de fenômeno, muito mais desenvolvida econômicamente e com mais recursos. Se ele não tivesse contado com mais infra-estrutura sólida e edifícios, um número incalculável de pessoas, talvez dezenas ou mesmo centenas de milhares de chilenos, teria perecido. Ele fala de dois milhões de pessoas afectadas e as perdas de entre 15 e 30 bilhões de dólares.
Em sua tragédia também tem a simpatia e solidariedade dos povos, incluindo o nosso, mas dado o tipo de cooperação que necessita é pouco o que pode fazer Cuba, cujo governo foi um dos primeiros a expressar seus sentimentos para o Chile de solidariedade, quando as comunicações eram ainda difíceis.
O país agora testa a capacidade do mundo para enfrentar a mudança climática e garantir a sobrevivência da espécie humana é, sem dúvida, o Haiti, porque é um símbolo da pobreza, que hoje tem milhares de milhões de pessoas no mundo inteiro, incluindo um parte importante dos povos do nosso continente.
O que aconteceu no Chile, com incrível intensidade foi um terremoto de 8,8 graus na escala Richter, mas, felizmente, mais profundo do que aquele que destruiu Port-au-Prince, obriga-me a enfatizar a importância e o dever de promover medidas para a unidade alcançada em Cancun, embora eu não tenha ilusões sobre quão difícil esta batalha será, e a diversidade de idéias entre nós, será o maior esforço que o império e seus aliados tentarão aproveitar e incentivar, dentro e fora de nossos países, para impedir a unidade de trabalho e a independência dos nossos povos.
Eu queria um registo escrito sobre a importância e simbolismo para mim foi esta visita esta última reunião com Lula, do ponto de vista pessoal e revolucionário. Ele disse que, perto de terminar seu mandato desejava visitar seu amigo Fidel, honroso adjetivo que recebi do mesmo.
Eu o conheço bem. Não raramente falamos amigavelmente, dentro e fora de Cuba.
Uma vez eu tive a honra de visitar sua casa em um bairro modesto de São Paulo, onde viveu com sua família. Foi para mim um encontro emocional com ele, sua esposa e filhos. Nunca me esqueci do ambiente familiar em sua casa, e o afeto sincero com o qual ele dirigiu a seus vizinhos, quando Lula já era um conhecido líder sindical e político.
Ninguém sabia, em seguida, se chegaria ou não à presidência do Brasil, porque os interesses e as forças que se opunham a ele eram grandes, mas eu gostava de falar com ele.
Lula era muito cuidadoso com os mais carentes e o fazia com satisfação, e acima de tudo, tinha o prazer de lutar e o fez com modéstia impecável, que amplamente demonstrou quando, tendo sido derrotado três vezes por seus adversários poderosos, só concordou em permitir que a nomeação do Partido Trabalhadores, por uma quarta vez, através de uma forte pressão de seus sinceros amigos.
Não saberia dizer quantas vezes nos falamos antes do mesmo de ser eleito Presidente.
Uma delas, entre as primeiras, foi em meados dos anos 80, quando estávamos em Havana, e falamos sobre a América Latina e a sua dívida externa, e que, em seguida, elevou-se a 300 bilhões de dólares, sendo que já tinho sido paga mais de uma vez.
Ele é um lutador. Três vezes, como eu disse, os seus opositores, apoiados por enormes recursos financeiros e meios de comunicação, o derrotaram nas urnas. Seus companheiros mais próximos e amigos, porém, sabiam, que era a hora de um trabalhador humilde, e ele foi, mais uma vez o candidato do Partido dos Trabalhadores e das forças de esquerda.
Por certo seus adversários o subestimaram , pensando que não poderia contar com qualquer maioria no Legislativo. A URSS já não existia. O que poderia significar Lula na frente do Brasil, um país de grande riqueza, mas de pouco desenvolvimento e nas mãos de uma classe rica e influente?
No entanto, a crise atingiu o neoliberalismo, a Revolução Bolivariana triunfou na Venezuela, Menem foi destituído, Pinochet tinha desaparecido da cena, e Cuba se recuperava. Mas Lula é eleito, enquanto Bush ganha uma eleição fraudulenta, tirando a vitória do seu rival Al Gore.
Ali começou uma fase difícil. A promoção da corrida armamentista e, com isso o papel forte do complexo industrial-militar americano, e cortar impostos para os ricos, foram os primeiros passos do novo Presidente dos Estados Unidos.
Sob o pretexto da luta contra o terrorismo, a retomada das guerras de conquista e dos assassinatos e toruturas institucionalizados, como instrumentos de dominação imperialista.
Impublicáveis os fatos relacionados com as prisões secretas, e que traiu os aliados dos E.U, tornando-os cúmplices com essa política. Assim, Bush inaugurou a pior crise econômica, que acompanha ciclicamente, e de maneira crescente, o capitalismo desenvolvido, mas desta vez com os privilégios do acordo de Bretton Woods e nenhum dos seus compromissos.
O Brasil, no entretanto, nos últimos sete anos sob a liderança de Lula, superou obstáculos, com maior desenvolvimento tecnológico, e reforçou o peso da economia brasileira.
A parte mais difícil foi o seu primeiro mandato, mas conseguiu fáze-lo e adquirindo muita experiência. Com a sua incansável luta, serenidade, frieza e crescente comprometimento com a tarefa nestas condições internacionais difíceis, o Brasil atingiu um PIB que se aproxima de dois trilhões de dólares.
As fontes de dados variam, mas todos o colocam entre os 10 maiores economias do mundo. No entanto, com uma área de 8 milhões 524 mil quilômetros quadrados, e em comparação com os E.U., que tem um pouco mais que seu território, o Brasil chega a apenas cerca de 12% do PIB do país imperialista e da pilhagem mundial, e que apresenta suas forças armadas em mais de mil bases militares ao redor do globo.
Tive o privilégio de assistir a sua posse no final de 2002. A ela também foi Hugo Chávez, que tinha acabado de enfrentar o traiçoeiro golpe de 11 de abril daquele ano, depois do golpe de Estado organizado por Washington. Foi o presidente Bush. O respeito e as relações entre Brasil, a República Bolivariana e Cuba sempre foram boas e mútuas.
Eu tive um acidente grave em outubro de 2004, que limitou severamente as minhas atividades durante meses, e fiquei gravemente doente no final de julho de 2006, mas não hesitei em delegar minhas funções, como chefe do partido e do Estado em proclamação, em 31 de julho daquele ano, a título provisório, mas que finalmente logo percebi que não seria capaz de assumir novos desafios.
Conforme a gravidade da minha saúde me permitiu estudar e meditar, dediquei-me ler e rever os materiais de nossa Revolução, e de vez em quando postar alguns pensamentos.
Depois que fiquei doente, tive o privilégio de ser visitado por Lula, e que viajou muitas vezes para o nosso país e pude conversar longamente com ele. Posso dizer que eu concordava com quase todas as suas políticas. Eu sou, em princípio, contrário a produção de biocombustíveis a partir de produtos que podem ser usadas como alimentos, sabendo que a fome é e será cada vez maior, e uma grande tragédia para a humanidade.
Isso, contudo, pude expressá-lo francamente, mas sei que não é um problema criado pelo Brasil e muito menos por Lula.
Uma parte inseparável da economia global imposta pelo imperialismo e seus aliados ricos, subsidiando sua produção agrícola, protegendo os seus mercados internos, e competindo, no mercado mundial de exportações de alimentos, com países do Terceiro Mundo, e obrigados a importar ítens de produção industrial, matérias-primas e recursos energéticos, por sua própria pobreza herdada de séculos de colonialismo.
Compreendo perfeitamente que o Brasil não tinha outra alternativa, contra a concorrência desleal e de subsídios para os E.U. e Europa, que aumentaram a produção de etanol.
A taxa de mortalidade infantil no Brasil ainda é 23,3 por mil nascidos vivos, e a mortalidade materna de 110 por 100 mil partos, enquanto que em países ricos industrializados é inferior a 5 e 15, respectivamente. Muitos outros dados semelhantes poderiam ser citados.
Açúcar de beterraba, subsidiado pela Europa, roubaram de nosso país o mercado do açúcar, derivados de cana-de-açúcar, agrícolas e industriais, o trabalho precário e o desemprego temporário mantido para os trabalhadores do açúcar.
Os Estados Unidos, por seu lado, tiveram também as nossas melhores terras e suas empresas eram os donos da indústria açucareira. Um dia, de repente, tiraram-nos da quota de açúcar e boicotaram o nosso país, para assim tentar esmagar a revolução e a independência de Cuba.
Hoje o Brasil tem desenvolvido o cultivo de cana-de-açúcar, soja e milho, com máquinas de alta performance, para uso nestas culturas com alta produtividade.
Quando um dia eu notei a filmagem de uma área de 40 mil hectares de terras ,em Ciego de Avila, plantada com milho e soja de rotação, onde vai se tentar trabalhar ao longo do ano, exclamei,:é o ideal de uma sociedade socialista agrícola, altamente usinada e com alta produtividade de homem por hectare!
Os problemas da agricultura e de suas instalações no Caribe são os furacões, em números crescentes, avançando nos seus territórios.
Também o nosso país se desenvolveu e assinou acordo com o Brasil, para o financiamento e construção de uma ultra-moderna usina de etanol no porto de Mariel, que é de enorme importância para a nossa economia.
Na Venezuela estão utilizando a tecnologia brasileira agrícola e industrial para produção de açúcar e utilizando bagaço de cana como fonte de energia térmica. Lá equipes estão trabalhando em uma empresa ao modelo socialista. Na República Bolivariana o etanol foi usado para melhorar os efeitos ambientais nocivos da gasolina.
Capitalismo desenvolvido, sociedades de consumo, e também o desperdício de combustível geraram o risco de uma mudança climática dramática. Natureza levou 400 milhões de anos para criar o que a nossa espécie consome em apenas dois séculos. A ciência ainda não resolveu o problema da energia para substituir o petróleo que produz, e hoje, ninguém sabe quanto tempo e quanto custaria para resolvê-lo em tempo. O que pode ser feito? Isso foi o que foi discutido em Copenhague e a Cúpula foi um fracasso total.
Lula me disse que quando o álcool custa 70% do valor da gasolina, no Brasil, já não está se viabilizando o negócio e a vantagem econômica sobre a gasolina.Também me disse que o Brasil terá uma redução gradual de 80% no desmatamento na maior floresta do mundo.
O Brasil tem hoje a mais alta tecnologia no mundo para perfurar em offshore, e pode extrair petróleo a uma profundidade de sete mil metros das águas oceânicas. Trinta anos atrás teria parecido história de ficção científica.
Ele explicou que os programas de alto nível educacional que o Brasil pretende levar adiante. Valoriza o papel da China na arena global. Orgulhosamente declarara que o comércio com a China ascende a 40 bilhões de dólares anuais com o Brasil.
Uma coisa é indiscutível: o metalúrgico se tornou uma proeminente e prestigiada personalidade mundial, cuja voz é ouvida, com respeito, em todas as reuniões internacionais.
Ele se orgulha de ter recebido a honra de levar os Jogos Olímpicos para o Brasil em 2016, no âmbito do excelente programa apresentado na Dinamarca. Também hospedará a Copa do Mundo em 2014. Tudo tem sido o resultado dos projectos apresentados pelo Brasil, que ultrapassou os dos seus concorrentes.
A grande prova da sua falta de interesse era não buscar novamente a reeleição, e espera que o Partido dos Trabalhdores continue a governar o Brasil e à continuidade de suas políticas.
Alguns ciúmes de seu prestígio e glória, e pior ainda, daqueles que servem ao império, criticaram-no por visitar Cuba. Eles usaram a calúnia vil que durante meio século, são usadas contra Cuba.
Lula sabe, há muitos anos, que nosso país nunca torturou ninguém, nunca ordenou o assassinato de um adversário, nunca mentiu para o povo.Tinha certeza de que a verdade é inseparável de seus amigos cubanos.
De Cuba, ele deixou para ir ao nosso vizinho Haiti. Ele informará as nossas idéias sobre o que propomos em relação a um sustentável, eficiente e apoio econômico, especialmente importante para o Haiti. Sabe-se que mais de cem mil haitianos foram tratados por médicos cubanos e formandos da Faculdade de Medicina da América Latina, após o terremoto.
Nós falamos sobre coisas sérias, e eu sei o seu desejo ardente e nobre de ajudar sempre para diminuir o sofrimento das pessoas.
Irei manter uma memória indelével da minha última reunião com o Presidente do Brasil e não hesito em dizê-lo.
Fidel Castro Ruz
1 de março de 2010
12 e 15 p.m.
NOTA: Coloco este texto aqui com toda a intenção de transformá-lo em déposito da história viva, que já passou em parte, mas não como gostariam alguns, mas que ainda não acabou e que trará mais de onde vieram estes. Daniel Boeira -
Eu o conheci em Manágua, em julho de 1980, 30 anos atrás, durante o primeiro aniversário da revolução sandinista, graças aos meus contatos com os proponentes da teologia da libertação, que começou no Chile em 1971, quando visitei o Presidente Allende.
Por Frei Betto sabia quem era Lula, um líder trabalhista em que os cristãos de esquerda colocaram suas esperanças desde o início.
Era um humilde trabalhador na indústria metalúrgica, que era notável por sua inteligência e prestígio entre os sindicatos, na grande nação que emergiu das trevas da ditadura militar imposta pelo império ianque, na década de 60.
Relações do Brasil com Cuba tinham sido excelentes até que o poder dominante no hemisfério as fizeram sucumbir. Décadas se passaram desde então, até que estas relações voltaram, lentamente, a tornar-se o que são hoje.
Cada país tem sua história.
Nosso país sofreu pressões incomuns em diversas e incríveis incríveis desde 1959, em sua luta contra as agressões do império mais poderoso que já existiu na história.
Portanto, significado tem um enorme significado a reunião que foi feita, em Cancun, e a decisão de se criar uma comunidade de países latino-americanos e do Caribe. Outro fato institucional em nosso continente, no século passado, reflete à transcendência semelhante.
O acordo foi alcançado entre a mais grave crise económica que teve lugar no mundo globalizado, coincidindo com o maior perigo de uma catástrofe ecológica de nossa espécie, e ainda com o terremoto que destruiu a Port-au-Prince, capital do Haiti, a maior desastre humano e doloroso na história de nosso hemisfério, no país mais pobre do hemisfério, e o primeiro em que a escravidão foi erradicada.
Ao escrever esta reflexão, apenas seis semanas após a morte de mais de duzentas mil pessoas, segundo dados oficiais naquele país, a notícia chegou dramática dos danos causados por um outro terremoto no Chile, e que levou à morte de pessoas, cujo número é de cerca de mil, segundo dados das autoridades, e também grandes prejuízos materiais.
Especialmente movida pelas imagens do sofrimento de milhões de chilenos, material ou emocional, afetados por esse golpe cruel da natureza.
Chile, felizmente, é um país com mais experiência contra este tipo de fenômeno, muito mais desenvolvida econômicamente e com mais recursos. Se ele não tivesse contado com mais infra-estrutura sólida e edifícios, um número incalculável de pessoas, talvez dezenas ou mesmo centenas de milhares de chilenos, teria perecido. Ele fala de dois milhões de pessoas afectadas e as perdas de entre 15 e 30 bilhões de dólares.
Em sua tragédia também tem a simpatia e solidariedade dos povos, incluindo o nosso, mas dado o tipo de cooperação que necessita é pouco o que pode fazer Cuba, cujo governo foi um dos primeiros a expressar seus sentimentos para o Chile de solidariedade, quando as comunicações eram ainda difíceis.
O país agora testa a capacidade do mundo para enfrentar a mudança climática e garantir a sobrevivência da espécie humana é, sem dúvida, o Haiti, porque é um símbolo da pobreza, que hoje tem milhares de milhões de pessoas no mundo inteiro, incluindo um parte importante dos povos do nosso continente.
O que aconteceu no Chile, com incrível intensidade foi um terremoto de 8,8 graus na escala Richter, mas, felizmente, mais profundo do que aquele que destruiu Port-au-Prince, obriga-me a enfatizar a importância e o dever de promover medidas para a unidade alcançada em Cancun, embora eu não tenha ilusões sobre quão difícil esta batalha será, e a diversidade de idéias entre nós, será o maior esforço que o império e seus aliados tentarão aproveitar e incentivar, dentro e fora de nossos países, para impedir a unidade de trabalho e a independência dos nossos povos.
Eu queria um registo escrito sobre a importância e simbolismo para mim foi esta visita esta última reunião com Lula, do ponto de vista pessoal e revolucionário. Ele disse que, perto de terminar seu mandato desejava visitar seu amigo Fidel, honroso adjetivo que recebi do mesmo.
Eu o conheço bem. Não raramente falamos amigavelmente, dentro e fora de Cuba.
Uma vez eu tive a honra de visitar sua casa em um bairro modesto de São Paulo, onde viveu com sua família. Foi para mim um encontro emocional com ele, sua esposa e filhos. Nunca me esqueci do ambiente familiar em sua casa, e o afeto sincero com o qual ele dirigiu a seus vizinhos, quando Lula já era um conhecido líder sindical e político.
Ninguém sabia, em seguida, se chegaria ou não à presidência do Brasil, porque os interesses e as forças que se opunham a ele eram grandes, mas eu gostava de falar com ele.
Lula era muito cuidadoso com os mais carentes e o fazia com satisfação, e acima de tudo, tinha o prazer de lutar e o fez com modéstia impecável, que amplamente demonstrou quando, tendo sido derrotado três vezes por seus adversários poderosos, só concordou em permitir que a nomeação do Partido Trabalhadores, por uma quarta vez, através de uma forte pressão de seus sinceros amigos.
Não saberia dizer quantas vezes nos falamos antes do mesmo de ser eleito Presidente.
Uma delas, entre as primeiras, foi em meados dos anos 80, quando estávamos em Havana, e falamos sobre a América Latina e a sua dívida externa, e que, em seguida, elevou-se a 300 bilhões de dólares, sendo que já tinho sido paga mais de uma vez.
Ele é um lutador. Três vezes, como eu disse, os seus opositores, apoiados por enormes recursos financeiros e meios de comunicação, o derrotaram nas urnas. Seus companheiros mais próximos e amigos, porém, sabiam, que era a hora de um trabalhador humilde, e ele foi, mais uma vez o candidato do Partido dos Trabalhadores e das forças de esquerda.
Por certo seus adversários o subestimaram , pensando que não poderia contar com qualquer maioria no Legislativo. A URSS já não existia. O que poderia significar Lula na frente do Brasil, um país de grande riqueza, mas de pouco desenvolvimento e nas mãos de uma classe rica e influente?
No entanto, a crise atingiu o neoliberalismo, a Revolução Bolivariana triunfou na Venezuela, Menem foi destituído, Pinochet tinha desaparecido da cena, e Cuba se recuperava. Mas Lula é eleito, enquanto Bush ganha uma eleição fraudulenta, tirando a vitória do seu rival Al Gore.
Ali começou uma fase difícil. A promoção da corrida armamentista e, com isso o papel forte do complexo industrial-militar americano, e cortar impostos para os ricos, foram os primeiros passos do novo Presidente dos Estados Unidos.
Sob o pretexto da luta contra o terrorismo, a retomada das guerras de conquista e dos assassinatos e toruturas institucionalizados, como instrumentos de dominação imperialista.
Impublicáveis os fatos relacionados com as prisões secretas, e que traiu os aliados dos E.U, tornando-os cúmplices com essa política. Assim, Bush inaugurou a pior crise econômica, que acompanha ciclicamente, e de maneira crescente, o capitalismo desenvolvido, mas desta vez com os privilégios do acordo de Bretton Woods e nenhum dos seus compromissos.
O Brasil, no entretanto, nos últimos sete anos sob a liderança de Lula, superou obstáculos, com maior desenvolvimento tecnológico, e reforçou o peso da economia brasileira.
A parte mais difícil foi o seu primeiro mandato, mas conseguiu fáze-lo e adquirindo muita experiência. Com a sua incansável luta, serenidade, frieza e crescente comprometimento com a tarefa nestas condições internacionais difíceis, o Brasil atingiu um PIB que se aproxima de dois trilhões de dólares.
As fontes de dados variam, mas todos o colocam entre os 10 maiores economias do mundo. No entanto, com uma área de 8 milhões 524 mil quilômetros quadrados, e em comparação com os E.U., que tem um pouco mais que seu território, o Brasil chega a apenas cerca de 12% do PIB do país imperialista e da pilhagem mundial, e que apresenta suas forças armadas em mais de mil bases militares ao redor do globo.
Tive o privilégio de assistir a sua posse no final de 2002. A ela também foi Hugo Chávez, que tinha acabado de enfrentar o traiçoeiro golpe de 11 de abril daquele ano, depois do golpe de Estado organizado por Washington. Foi o presidente Bush. O respeito e as relações entre Brasil, a República Bolivariana e Cuba sempre foram boas e mútuas.
Eu tive um acidente grave em outubro de 2004, que limitou severamente as minhas atividades durante meses, e fiquei gravemente doente no final de julho de 2006, mas não hesitei em delegar minhas funções, como chefe do partido e do Estado em proclamação, em 31 de julho daquele ano, a título provisório, mas que finalmente logo percebi que não seria capaz de assumir novos desafios.
Conforme a gravidade da minha saúde me permitiu estudar e meditar, dediquei-me ler e rever os materiais de nossa Revolução, e de vez em quando postar alguns pensamentos.
Depois que fiquei doente, tive o privilégio de ser visitado por Lula, e que viajou muitas vezes para o nosso país e pude conversar longamente com ele. Posso dizer que eu concordava com quase todas as suas políticas. Eu sou, em princípio, contrário a produção de biocombustíveis a partir de produtos que podem ser usadas como alimentos, sabendo que a fome é e será cada vez maior, e uma grande tragédia para a humanidade.
Isso, contudo, pude expressá-lo francamente, mas sei que não é um problema criado pelo Brasil e muito menos por Lula.
Uma parte inseparável da economia global imposta pelo imperialismo e seus aliados ricos, subsidiando sua produção agrícola, protegendo os seus mercados internos, e competindo, no mercado mundial de exportações de alimentos, com países do Terceiro Mundo, e obrigados a importar ítens de produção industrial, matérias-primas e recursos energéticos, por sua própria pobreza herdada de séculos de colonialismo.
Compreendo perfeitamente que o Brasil não tinha outra alternativa, contra a concorrência desleal e de subsídios para os E.U. e Europa, que aumentaram a produção de etanol.
A taxa de mortalidade infantil no Brasil ainda é 23,3 por mil nascidos vivos, e a mortalidade materna de 110 por 100 mil partos, enquanto que em países ricos industrializados é inferior a 5 e 15, respectivamente. Muitos outros dados semelhantes poderiam ser citados.
Açúcar de beterraba, subsidiado pela Europa, roubaram de nosso país o mercado do açúcar, derivados de cana-de-açúcar, agrícolas e industriais, o trabalho precário e o desemprego temporário mantido para os trabalhadores do açúcar.
Os Estados Unidos, por seu lado, tiveram também as nossas melhores terras e suas empresas eram os donos da indústria açucareira. Um dia, de repente, tiraram-nos da quota de açúcar e boicotaram o nosso país, para assim tentar esmagar a revolução e a independência de Cuba.
Hoje o Brasil tem desenvolvido o cultivo de cana-de-açúcar, soja e milho, com máquinas de alta performance, para uso nestas culturas com alta produtividade.
Quando um dia eu notei a filmagem de uma área de 40 mil hectares de terras ,em Ciego de Avila, plantada com milho e soja de rotação, onde vai se tentar trabalhar ao longo do ano, exclamei,:é o ideal de uma sociedade socialista agrícola, altamente usinada e com alta produtividade de homem por hectare!
Os problemas da agricultura e de suas instalações no Caribe são os furacões, em números crescentes, avançando nos seus territórios.
Também o nosso país se desenvolveu e assinou acordo com o Brasil, para o financiamento e construção de uma ultra-moderna usina de etanol no porto de Mariel, que é de enorme importância para a nossa economia.
Na Venezuela estão utilizando a tecnologia brasileira agrícola e industrial para produção de açúcar e utilizando bagaço de cana como fonte de energia térmica. Lá equipes estão trabalhando em uma empresa ao modelo socialista. Na República Bolivariana o etanol foi usado para melhorar os efeitos ambientais nocivos da gasolina.
Capitalismo desenvolvido, sociedades de consumo, e também o desperdício de combustível geraram o risco de uma mudança climática dramática. Natureza levou 400 milhões de anos para criar o que a nossa espécie consome em apenas dois séculos. A ciência ainda não resolveu o problema da energia para substituir o petróleo que produz, e hoje, ninguém sabe quanto tempo e quanto custaria para resolvê-lo em tempo. O que pode ser feito? Isso foi o que foi discutido em Copenhague e a Cúpula foi um fracasso total.
Lula me disse que quando o álcool custa 70% do valor da gasolina, no Brasil, já não está se viabilizando o negócio e a vantagem econômica sobre a gasolina.Também me disse que o Brasil terá uma redução gradual de 80% no desmatamento na maior floresta do mundo.
O Brasil tem hoje a mais alta tecnologia no mundo para perfurar em offshore, e pode extrair petróleo a uma profundidade de sete mil metros das águas oceânicas. Trinta anos atrás teria parecido história de ficção científica.
Ele explicou que os programas de alto nível educacional que o Brasil pretende levar adiante. Valoriza o papel da China na arena global. Orgulhosamente declarara que o comércio com a China ascende a 40 bilhões de dólares anuais com o Brasil.
Uma coisa é indiscutível: o metalúrgico se tornou uma proeminente e prestigiada personalidade mundial, cuja voz é ouvida, com respeito, em todas as reuniões internacionais.
Ele se orgulha de ter recebido a honra de levar os Jogos Olímpicos para o Brasil em 2016, no âmbito do excelente programa apresentado na Dinamarca. Também hospedará a Copa do Mundo em 2014. Tudo tem sido o resultado dos projectos apresentados pelo Brasil, que ultrapassou os dos seus concorrentes.
A grande prova da sua falta de interesse era não buscar novamente a reeleição, e espera que o Partido dos Trabalhdores continue a governar o Brasil e à continuidade de suas políticas.
Alguns ciúmes de seu prestígio e glória, e pior ainda, daqueles que servem ao império, criticaram-no por visitar Cuba. Eles usaram a calúnia vil que durante meio século, são usadas contra Cuba.
Lula sabe, há muitos anos, que nosso país nunca torturou ninguém, nunca ordenou o assassinato de um adversário, nunca mentiu para o povo.Tinha certeza de que a verdade é inseparável de seus amigos cubanos.
De Cuba, ele deixou para ir ao nosso vizinho Haiti. Ele informará as nossas idéias sobre o que propomos em relação a um sustentável, eficiente e apoio econômico, especialmente importante para o Haiti. Sabe-se que mais de cem mil haitianos foram tratados por médicos cubanos e formandos da Faculdade de Medicina da América Latina, após o terremoto.
Nós falamos sobre coisas sérias, e eu sei o seu desejo ardente e nobre de ajudar sempre para diminuir o sofrimento das pessoas.
Irei manter uma memória indelével da minha última reunião com o Presidente do Brasil e não hesito em dizê-lo.
Fidel Castro Ruz
1 de março de 2010
12 e 15 p.m.
NOTA: Coloco este texto aqui com toda a intenção de transformá-lo em déposito da história viva, que já passou em parte, mas não como gostariam alguns, mas que ainda não acabou e que trará mais de onde vieram estes. Daniel Boeira -
CINCO MESES SEM FUMAR - 13 DE JANEIRO DE 2010
PREFIRO O MEU SOBREPESO
PREFIRO O AR PURO
PREFIRO MINHAS ROUPAS SEM CHEIRO
PREFIRO VIVER ASSIM
PREFIRO O AR PURO
PREFIRO MINHAS ROUPAS SEM CHEIRO
PREFIRO VIVER ASSIM
A MISÉRIA MORAL DE EX- ESQUERDISTAS - EMIR SADER
NOTA: Faço questão de citar este artigo integral de Emir Sader que fala algo sobre a falta de vergonha na cara de um ex-esquerdista que torna-se mercenário e ideólogo da direita.
.
.
Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão. O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.
Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.
Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.
Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.
Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.
Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.
Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandando no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.
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Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão. O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.
Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.
Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.
Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.
Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.
Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.
Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandando no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.
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SOBRE OS EX-ESQUERDISTAS - EMIR SADER
terça-feira, 2 de março de 2010
EMPATE TÉCNICO IMPRECISO
Nem precisa explicar como é que empatou.
ôrra meu.....
DEU UM PROBREMA SÉRIO NO PLANOS DO SERRA.....
ôrra meu.....
DEU UM PROBREMA SÉRIO NO PLANOS DO SERRA.....
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ELEIÇÕES 2010 - EMPATE TÉCNICO - 1 DE M
domingo, 21 de fevereiro de 2010
DISCURSO DE DILMA NO 4 CONGRESSO DO PT - 20 DE FEVEREIRO DE 2010
Queridas companheiras,
Queridos companheiros
Para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e pela esperança de mudar o Brasil, este é um dia extraordinário.
Meu partido - o Partido dos Trabalhadores - me confere a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro.
A obra de um líder - meu líder - de quem muito me orgulho: Luiz Inácio Lula da Silva.
Jamais pensei que a vida viesse a me reservar tamanho desafio. Mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo - com humildade, serenidade e confiança.
Neste momento, ouço a voz de Minas Gerais, terra de minha infância e de minha juventude. Dessa Minas que me deu o sentimento de que vale a pena lutar pela liberdade e contra a injustiça. Ouço os versos de Drummond:
"Teus ombros suportam o mundo/
E ele não pesa mais do que a mão de uma criança"
Até hoje sinto o peso suave da mão de minha filha, quando nasceu.
Que força ela me deu. Quanta vida me transmitiu. Quanta fé na humanidade me passou.
Eram tempos difíceis.
Ferida no corpo e na alma, fui acolhida e adotada pelos gaúchos - generosos, solidários, insubmissos, como são os gaúchos.
Naqueles anos de chumbo, onde a tirania parecia eterna, encontrei nos versos de outro poeta - Mário Quintana - a força necessária para seguir em frente:
"Todos estes que aí estão/
Atravancando o meu caminho,/
Eles passarão.
Eu passarinho."
Eles passaram e nós hoje voamos livremente.
Voamos porque nascemos para ser livres.
Sem ódio e com serena convicção afirmo que nunca mais viveremos numa gaiola ou numa prisão.
Estamos construindo um novo país na democracia. Um país que se reencontrou consigo mesmo. Onde todos expressam livremente suas opiniões e suas idéias.
Um país que não tolera mais a injustiça social. Que descobriu que só será grande e forte se for de todos.
Vejo nesta manhã - nos jovens que nos acompanham e nos mais velhos que aqui estão - um extraordinário encontro de gerações. De gerações que, como a minha, levaram nosso compromisso com o país às últimas conseqüências.
Amadureci. Amadurecemos todos.
Amadureci na vida. No estudo. No trabalho duro. Nas responsabilidades de governo no Rio Grande e aqui.
Mas esse amadurecimento não se confunde com conformismo, nem perda de convicções.
Não perdemos a indignação frente à desigualdade social, à privação de liberdade, às tentativas de submeter nosso país.
Não sucumbimos aos modismos ideológicos. Persistimos em nossas convicções, buscando, a partir delas, construir alternativas concretas e realistas.
Continuamos movidos a sonhos. Acreditando na força do povo brasileiro, em sua capacidade de buscar e construir um mundo melhor.
A história recente mostrou que estávamos certos.
Tivemos um grande mestre - o Presidente Lula. Ele nos ensinou o caminho.
Em um país, com a complexidade e as desigualdades do Brasil, ele foi capaz de nos conduzir pelo caminho de profundas transformações sociais em um clima de paz, de respeito e fortalecimento da democracia.
Não admitimos, portanto, que alguém queira nos dar lições de liberdade. Menos ainda aqueles que não tiveram e não têm compromisso com ela.
Companheiras, Companheiros
Recebo com humildade a missão que vocês estão me confiando. Com humildade, mas com coragem e determinação. Coragem e determinação que vêm do apoio que recebo de meu partido e de seu primeiro militante - o Presidente Lula.
Do apoio que espero ter dos partidos aliados que, com lealdade e competência, também são responsáveis pelos êxitos do nosso Governo. Com eles quero continuar nossa caminhada. Participo de um governo de coalizão. Quero formar um Governo de coalizão.
Estou consciente da extraordinária força que conduziu Lula à Presidência e que deu a nosso Governo o maior respaldo da história de nosso país - a força do povo brasileiro.
A missão que me confiam não é só de um partido ou de um grupo de partidos.
Recebo-a como um mandato dos trabalhadores e de seus sindicatos.
Dos movimentos sociais.
Dos que labutam em nossos campos.
Dos profissionais liberais.
Dos intelectuais.
Dos servidores públicos.
Dos empresários comprometidos com o desenvolvimento econômico e social do país.
Dos negros. Dos índios. Dos jovens.
De todos aqueles que sofrem ainda distintas formas de discriminação.
Enfim, das mulheres.
Para muitos, elas são "metade do céu". Mas queremos ser a metade da terra também. Com igualdade de direitos, salários e oportunidades. Quero com vocês - mulheres do meu país - abrir novos espaços na vida nacional.
É com este Brasil que quero caminhar. É com ele que vamos seguir, avançando com segurança, mas com a rapidez que nossa realidade social exige.
Nessa caminhada encontraremos milhões de brasileiros que passaram a ter comida em suas mesas e hoje fazem três refeições por dia.
Milhões que mostrarão suas carteiras de trabalho, pois têm agora emprego e melhor renda.
Milhões de homens e mulheres com seus arados e tratores cultivando a terra que lhes pertence e de onde nunca mais serão expulsos.
Milhões que nos mostrarão suas casas dignas e os refrigeradores, fogões, televisores ou computadores que puderam comprar.
Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candieiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil a fora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.
Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro.
Milhões - mas muitos milhões mesmo - expressarão seu orgulho de viver em um país livre, justo e, sobretudo, respeitado em todo o mundo.
Muitos me perguntam porque o Brasil avançou tanto nos últimos anos. Digo que foi porque soubemos construir novos caminhos, derrubando velhos dogmas.
O primeiro caminho é o do crescimento com distribuição de renda - o verdadeiro desenvolvimento. Provamos que distribuindo renda é que se cresce. E se cresce de forma mais rápida e sustentável.
Essa distribuição de renda permitiu construir um grande mercado de bens de consumo popular. Ele nos protegeu dos efeitos da crise mundial.
Criamos 12 milhões de empregos formais. A renda dos trabalhadores aumentou. O salário mínimo real cresceu como nunca. Expandimos o crédito para o conjunto da sociedade. Estamos construindo um Brasil para todos.
O segundo caminho foi o do equilíbrio macro-econômico e da redução da vulnerabilidade externa.
Eliminamos as ameaças de volta da inflação. Reduzimos a dívida em relação ao Produto Interno Bruto.
Aumentamos nossas reservas de 38 bilhões de dólares para mais de 241 bilhões. Multiplicamos por três nosso comércio exterior, praticando uma política externa soberana, que buscou diversificar mercados.
Deixamos de ser devedores internacionais e passamos à condição de credores. Hoje não pedimos dinheiro emprestado ao FMI. É o Fundo que nos pede dinheiro.
Grande ironia: os mesmos 14 bilhões de dólares que antes o FMI nos emprestava, agora somos nós que emprestamos ao FMI.
O terceiro caminho foi o da redução das desigualdades regionais. Invertemos nos últimos anos o que parecia uma maldição insuperável. Quando o país crescia, concentrava riqueza nos estados e regiões mais prósperos. Quando estagnava, eram os estados e regiões mais pobres que pagavam a conta.
Governantes e setores das elites viam o Norte e o Nordeste como regiões irremediavelmente condenadas ao atraso.
A vastos setores da população não restavam outras alternativas que a de afundar na miséria ou migrar para o sul em busca de oportunidades. É o que explica o inchaço das grandes cidades.
Essa situação está mudando. O Governo Federal começou um processo consistente de combate às desigualdades regionais. Passou a ter confiança na capacidade do povo das regiões mais pobres. O Norte e o Nordeste receberam investimentos públicos e privados. O crescimento dessas duas regiões passou a ser sensivelmente superior ao do Brasil como um todo.
Nós vamos aprofundar esse caminho. O Brasil não mais será visto como um trem em que uma única locomotiva puxa todos vagões, como nos tempos da "Maria Fumaça". O Brasil de hoje é como alguns dos modernos trens de alta velocidade, onde vários vagões são como locomotivas e contribuem para que o comboio avance.
O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.
Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso.
Aqui, o desastre só não foi maior - como em outros países - porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.
Alguns falam todos os dias de "inchaço da máquina estatal". Omitem, no entanto, que estamos contratando basicamente médicos e profissionais de saúde, professores e pessoal na área da educação, diplomatas, policiais federais e servidores para as áreas de segurança, controle e fiscalização.
Escondem, também, que a recomposição do corpo de servidores do Estado está se fazendo por meio de concursos públicos.
Vamos continuar valorizando o servidor e o serviço público. Reconstituindo o Estado. Recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país.
Diante da crise, quando o crédito secou, não sacrificamos os investimentos públicos e privados. Ao contrário, utilizamos nossos bancos para impulsionar o desenvolvimento e a garantia de emprego no País.
Na verdade, quando a crise mundial apenas começava, Lula disse em seu discurso na ONU em 2008:
É chegada a hora da política!
Nada mais apropriado. A maior prova nós demos ao mundo: o Brasil só pôde enfrentar com sucesso a crise porque tivemos políticas públicas adequadas. Soubemos articular corretamente Estado e mercado, porque colocamos o interesse público no centro de nossas preocupações.
O quinto caminho foi o de nossa presença soberana no mundo.
O Brasil não mais se curva diante dos poderosos. Sem bravatas e sem submissão, o país hoje defende seus interesses e se dá ao respeito. É solidário com as nações pobres e em desenvolvimento. Tem uma especial relação com a América do Sul, com a América Latina e com a África. Estreita os laços Sul-Sul, sem abandonar suas relações com os países desenvolvidos. Busca mudar instituições multilaterais obsoletas, que impedem a democratização econômica e política do mundo.
Essa presença global, e o corajoso enfrentamento de nossos problemas domésticos em um marco democrático, explicam o respeito internacional que hoje gozamos.
O sexto caminho para onde convergem todos os demais foi o do aperfeiçoamento democrático.
No passado, tivemos momentos de grande crescimento econômico. Mas faltou democracia. E como faltou!
Em outros momentos tivemos democracia política, mas faltou democracia econômica e social. E sabemos muito bem que quando falta democracia econômica e social, é a democracia como um todo que está ameaçada. O país fica à mercê das soluções de força ou de aventureiros.
Hoje crescemos, distribuindo renda, com equilíbrio macro-econômico, expansão da democracia, forte participação social na definição das políticas públicas e respeito aos Direitos Humanos.
Quem duvidar do vigor da democracia em nosso país que leia, escute ou veja o que dizem livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições - ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas - ao silêncio das ditaduras.
Como disse o Presidente Lula, a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes. Nela, vai desaparecendo o espaço para que velhos coronéis e senhores tutelem o povo. Este passa a pensar com sua cabeça e a constituir uma nova e verdadeira opinião pública.
As instituições funcionam no país. Os poderes são independentes. A Federação é respeitada. Diferentemente de outros períodos de nossa história, o Presidente relacionou-se de forma republicana com governadores e prefeitos, não fazendo qualquer tipo de discriminação em função de suas filiações partidárias.
Não praticamos casuísmos. Basta ver a reação firme e categórica do Presidente Lula ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos - como se fez no passado - as regras do jogo no meio da partida.
Como todos podem ver, temos um extraordinário alicerce sobre o qual construir o terceiro Governo Democrático e Popular. Temos rumo, experiência e impulso para seguir o caminho iniciado por Lula. Não haverá retrocesso, nem aventuras. Mas podemos avançar muito mais. E muito mais rapidamente.
Queridas companheiras, queridos companheiros.
Não é meu propósito apresentar aqui um Programa de Governo.
Este Congresso aprovou as Diretrizes para um programa que será submetido ao debate com os partidos aliados e com a sociedade.
Hoje quero assumir alguns compromissos como pré-candidata, para estimular nossa reflexão e indicar como pretendemos continuar este processo iniciado há sete anos.
Vamos manter e aprofundar aquilo que é marca do Governo Lula - seu olhar social. Queremos um Brasil para todos. Nos aspectos econômicos e em suas projeções sociais, mas também um Brasil sem discriminações, sem constrangimentos. Ampliaremos e aperfeiçoaremos os programas sociais do Governo Lula, como o Bolsa Família, e implantaremos novos programas com o propósito de erradicar a miséria na década que se inicia.
Vamos dar prioridade à qualidade da educação, essencial para construir o grande país que almejamos, fundado no conhecimento e na justiça social. Mas a educação será, sobretudo, um meio de emancipação política e cultural do nosso povo. Uma forma de pleno acesso à cidadania. Daremos seguimento à transformação educacional em curso - da creche a pós-graduação.
Os jovens serão os primeiros beneficiários da era de prosperidade que estamos construindo. Nosso objetivo estratégico é oferecer a eles a oportunidade de começar a vida com segurança, liberdade, trabalho e realização pessoal.
No Brasil temos hoje 50 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade. Mais de um quarto da população brasileira. E eles têm direito a um futuro melhor.
O Brasil precisa muito da juventude. De profissionais qualificados. De mulheres e homens bem formados.
Isto se faz com escolas que propiciem boa formação teórica e técnica, com professores bem treinados e bem remunerados. Com bolsas de estudo e apoio para que os alunos não sejam obrigados a abandonar a escola. Com banda larga gratuita para todos, computadores para os professores, salas de aula informatizadas para os estudantes. Com acesso a estágios, cursos de especialização e ajuda para entrar no mercado de trabalho de todo o Brasil.
Serão esses jovens bem formados e preparados que vão nos conduzir à sociedade do conhecimento
Protegeremos as crianças e os mais jovens da violência, do assédio das drogas, da imposição do trabalho em detrimento da formação escolar e acadêmica.
As crianças e os mais jovens devem ser, sim, protegidos pelo Estado, desde a infância até a vida adulta, para que possam se realizar, em sua plenitude, como brasileiros.
Um País se mede pelo grau de proteção que dá a suas crianças. São elas a essência do nosso futuro. E é na infância que a desigualdade social cobra seu preço mais alto. Crianças desassistidas do nascimento aos cinco anos serão jovens e adultos prejudicados nas suas aptidões e oportunidades. Cuidar delas adequadamente é combater a desigualdade social na raiz.
Vamos ampliar e disseminar por todo o Brasil a rede de creches, pré-escolas e escolas infantis. Um tipo de creche onde a criança tem acesso a socialização pedagógica, aos bens culturais e aos cuidados de nutrição e saúde indispensáveis a seu pleno desenvolvimento. Isso é o que está previsto no PAC 2.
Vamos resolver os problemas da saúde, pois temos um incomparável modelo institucional - o SUS. Com mais recursos e melhor gestão vamos aprimorar a eficácia do sistema. Vamos reforçar as redes de atenção à saúde e unificar as ações entre os níveis de governo. Darei importância às Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, ao SAMU, aos hospitais públicos e conveniados, aos programas Saúde da Família, Brasil Sorridente e Farmácia Popular.
Vamos cuidar das cidades brasileiras. Colocar todo o empenho do Governo Federal, junto com estados e municípios, para promover uma profunda reforma urbana, que beneficie prioritariamente as camadas mais desprotegidas.
Vamos melhorar a habitação e universalizar o saneamento. Implantar transporte seguro, barato e eficiente.
Vamos reforçar os programas de segurança pública.
A conclusão do PAC 1 e a implementação do PAC 2, junto com a continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida serão decisivos para realizar esse compromisso.
Vamos fortalecer a proteção de nosso meio ambiente. Continuaremos reduzindo o desmatamento e impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo. Vamos manter a vanguarda na produção de biocombustíveis e desenvolver nosso potencial hidrelétrico. Desenvolver sem agredir o meio ambiente, com usinas a fio d'água e utilizando o modelo de usinas-plataforma. Aprofundaremos nosso zoneamento agro-ecológico. Nossas iniciativas explicam a liderança que alcançamos na Conferência sobre a Mudança do Clima, em Copenhague. As metas voluntárias de Copenhague, assumidas pelo Brasil, serão cumpridas, haja ou não acordo internacional. Este é o nosso compromisso.
Vamos aprofundar os avanços já alcançados em nossa política industrial e agrícola, com ênfase na inovação, no aperfeiçoamento dos mecanismos de crédito, aumentando nossa produtividade.
Agregar valor a nossas riquezas naturais, é fundamental numa política de geração de empregos no País. Tudo que puder ser produzido no Brasil, deve ser - e será - produzido no Brasil. Sondas, plataformas, navios e equipamentos aqui produzidos, para a exploração soberana do Pré-sal, vão gerar emprego e renda para os brasileiros. Emprego e renda que virão também da produção em indústrias brasileiras de fertilizantes, combustíveis e petroquímicos derivados do óleo bruto. Assim, com este modelo soberano e nacional, a exploração do Pré-sal dará diversidade e sofisticação à nossa indústria.
Os recursos do Pré-sal, aplicados no Fundo Social, sustentarão um grande avanço em nossa educação e na pesquisa científica e tecnológica. Recursos que também serão destinados para o combate à pobreza, para a defesa do meio ambiente e para a nossa cultura.
Vamos continuar mostrando ao mundo que é possível compatibilizar o desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio. Assegurar crédito, assistência técnica e mercado aos pequenos produtores e, ao mesmo tempo, apoiar os grandes produtores, que contribuem decisivamente para o superávit comercial brasileiro.
Todas as nossas ações de governo têm uma premissa: a preservação da estabilidade macro-econômica.
Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante.
Vamos seguir dando transparência aos gastos públicos e aperfeiçoando seus mecanismos de controle.
Vamos combater a corrupção, utilizando todos os mecanismos institucionais, como fizemos até agora.
Vamos concretizar, junto com o Congresso, as reformas institucionais que não puderam ser completadas ou foram apenas parcialmente implantadas, como a reforma política e a tributária.
Vamos aprofundar nossa postura soberana no complexo mundo de hoje. Seremos intransigentes na defesa da paz mundial e de uma ordem econômica e política mais justa.
Enfim, vamos governar para todos. Com diálogo, tolerância e combatendo as desigualdades sociais e regionais.
Companheiras e companheiros,
Faremos na nossa campanha um debate de idéias, com civilidade e respeito à inteligência política dos brasileiros. Um debate voltado para o futuro.
Recebo essa missão especialmente como um mandato das mulheres brasileiras, como mais uma etapa no avanço de nossa participação política e como mais uma vitória contra a discriminação secular que nos foi imposta. Gostaria de repetir: quero com vocês, mulheres do meu País, abrir novos espaços na vida nacional.
Queridas amigas e amigos
No limiar de uma nova etapa de minha vida, quando sou chamada à tamanha responsabilidade, penso em todos aqueles que fizeram e fazem parte de minha trajetória pessoal.
Em meus queridos pais.
Em minha filha, meu genro e em meu futuro neto ou neta.
Nos tantos amigos que fiz.
Nos companheiros com quem dividi minha vida.
Mas não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história.
Mais que isso: eles são parte da história do Brasil.
Permitam-me recordar três companheiros que se foram na flor da idade.
Carlos Alberto Soares de Freitas.
Beto, você ia adorar estar aqui conosco.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos
Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui entre nós todos.
Iara Yavelberg.
Iara, que falta fazem guerreiras como você.
O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.
A mesma força que vem de meus companheiros de partido, sobretudo daquele que é nosso primeiro companheiro - Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse ato de proclamação de minha candidatura tem uma significação que transcende seu aspecto eleitoral.
Estamos hoje concluindo o Quarto Congresso do Partido dos Trabalhadores.
Mais do que isso: estamos celebrando os Trinta Anos do PT.
Trinta anos desta nova estrela que veio ocupar lugar fundamental no céu da política brasileira.
Em um período histórico relativamente curto mudamos a cara de nosso sofrido e querido Brasil.
O PT cumpriu essa tarefa porque não se afastou de seus compromissos originais. Soube evoluir. Mudou, quando foi preciso.
Mas não mudou de lado.
Até chegar à Presidência do país, o PT dirigiu cidades e estados da Federação, gerando práticas inovadoras políticas, econômicas e sociais que o mundo observa, admira e muitas vezes reproduz. Fizemos isso, preservando e fortalecendo a democracia.
Mas, a principal inovação que o Partido trouxe para a política brasileira foi colocar o povo - seus interesses, aspirações e esperanças - no centro de suas ações.
Olhando para este magnífico plenário o que vejo é a cara negra, branca, índia e mestiça do povo brasileiro.
Esta é a cara do meu partido.
O rosto daqueles e daquelas que acrescentam a sua jornada de trabalho, uma segunda jornada - ou terceira - a jornada da militância.
Quero dizer a todos vocês que tenho um enorme orgulho de ser petista. De militar no mesmo partido de vocês. De compartilhar com Lula essa militância.
Estou aceitando a honrosa missão que vocês me delegam com tranqüilidade e determinação.
Sei que não estou sozinha.
A tarefa de continuar mudando o Brasil é uma tarefa de milhões. Somos milhões.
Vamos todos juntos, até a vitória.
Viva o povo brasileiro!
Queridos companheiros
Para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e pela esperança de mudar o Brasil, este é um dia extraordinário.
Meu partido - o Partido dos Trabalhadores - me confere a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro.
A obra de um líder - meu líder - de quem muito me orgulho: Luiz Inácio Lula da Silva.
Jamais pensei que a vida viesse a me reservar tamanho desafio. Mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo - com humildade, serenidade e confiança.
Neste momento, ouço a voz de Minas Gerais, terra de minha infância e de minha juventude. Dessa Minas que me deu o sentimento de que vale a pena lutar pela liberdade e contra a injustiça. Ouço os versos de Drummond:
"Teus ombros suportam o mundo/
E ele não pesa mais do que a mão de uma criança"
Até hoje sinto o peso suave da mão de minha filha, quando nasceu.
Que força ela me deu. Quanta vida me transmitiu. Quanta fé na humanidade me passou.
Eram tempos difíceis.
Ferida no corpo e na alma, fui acolhida e adotada pelos gaúchos - generosos, solidários, insubmissos, como são os gaúchos.
Naqueles anos de chumbo, onde a tirania parecia eterna, encontrei nos versos de outro poeta - Mário Quintana - a força necessária para seguir em frente:
"Todos estes que aí estão/
Atravancando o meu caminho,/
Eles passarão.
Eu passarinho."
Eles passaram e nós hoje voamos livremente.
Voamos porque nascemos para ser livres.
Sem ódio e com serena convicção afirmo que nunca mais viveremos numa gaiola ou numa prisão.
Estamos construindo um novo país na democracia. Um país que se reencontrou consigo mesmo. Onde todos expressam livremente suas opiniões e suas idéias.
Um país que não tolera mais a injustiça social. Que descobriu que só será grande e forte se for de todos.
Vejo nesta manhã - nos jovens que nos acompanham e nos mais velhos que aqui estão - um extraordinário encontro de gerações. De gerações que, como a minha, levaram nosso compromisso com o país às últimas conseqüências.
Amadureci. Amadurecemos todos.
Amadureci na vida. No estudo. No trabalho duro. Nas responsabilidades de governo no Rio Grande e aqui.
Mas esse amadurecimento não se confunde com conformismo, nem perda de convicções.
Não perdemos a indignação frente à desigualdade social, à privação de liberdade, às tentativas de submeter nosso país.
Não sucumbimos aos modismos ideológicos. Persistimos em nossas convicções, buscando, a partir delas, construir alternativas concretas e realistas.
Continuamos movidos a sonhos. Acreditando na força do povo brasileiro, em sua capacidade de buscar e construir um mundo melhor.
A história recente mostrou que estávamos certos.
Tivemos um grande mestre - o Presidente Lula. Ele nos ensinou o caminho.
Em um país, com a complexidade e as desigualdades do Brasil, ele foi capaz de nos conduzir pelo caminho de profundas transformações sociais em um clima de paz, de respeito e fortalecimento da democracia.
Não admitimos, portanto, que alguém queira nos dar lições de liberdade. Menos ainda aqueles que não tiveram e não têm compromisso com ela.
Companheiras, Companheiros
Recebo com humildade a missão que vocês estão me confiando. Com humildade, mas com coragem e determinação. Coragem e determinação que vêm do apoio que recebo de meu partido e de seu primeiro militante - o Presidente Lula.
Do apoio que espero ter dos partidos aliados que, com lealdade e competência, também são responsáveis pelos êxitos do nosso Governo. Com eles quero continuar nossa caminhada. Participo de um governo de coalizão. Quero formar um Governo de coalizão.
Estou consciente da extraordinária força que conduziu Lula à Presidência e que deu a nosso Governo o maior respaldo da história de nosso país - a força do povo brasileiro.
A missão que me confiam não é só de um partido ou de um grupo de partidos.
Recebo-a como um mandato dos trabalhadores e de seus sindicatos.
Dos movimentos sociais.
Dos que labutam em nossos campos.
Dos profissionais liberais.
Dos intelectuais.
Dos servidores públicos.
Dos empresários comprometidos com o desenvolvimento econômico e social do país.
Dos negros. Dos índios. Dos jovens.
De todos aqueles que sofrem ainda distintas formas de discriminação.
Enfim, das mulheres.
Para muitos, elas são "metade do céu". Mas queremos ser a metade da terra também. Com igualdade de direitos, salários e oportunidades. Quero com vocês - mulheres do meu país - abrir novos espaços na vida nacional.
É com este Brasil que quero caminhar. É com ele que vamos seguir, avançando com segurança, mas com a rapidez que nossa realidade social exige.
Nessa caminhada encontraremos milhões de brasileiros que passaram a ter comida em suas mesas e hoje fazem três refeições por dia.
Milhões que mostrarão suas carteiras de trabalho, pois têm agora emprego e melhor renda.
Milhões de homens e mulheres com seus arados e tratores cultivando a terra que lhes pertence e de onde nunca mais serão expulsos.
Milhões que nos mostrarão suas casas dignas e os refrigeradores, fogões, televisores ou computadores que puderam comprar.
Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candieiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil a fora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.
Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro.
Milhões - mas muitos milhões mesmo - expressarão seu orgulho de viver em um país livre, justo e, sobretudo, respeitado em todo o mundo.
Muitos me perguntam porque o Brasil avançou tanto nos últimos anos. Digo que foi porque soubemos construir novos caminhos, derrubando velhos dogmas.
O primeiro caminho é o do crescimento com distribuição de renda - o verdadeiro desenvolvimento. Provamos que distribuindo renda é que se cresce. E se cresce de forma mais rápida e sustentável.
Essa distribuição de renda permitiu construir um grande mercado de bens de consumo popular. Ele nos protegeu dos efeitos da crise mundial.
Criamos 12 milhões de empregos formais. A renda dos trabalhadores aumentou. O salário mínimo real cresceu como nunca. Expandimos o crédito para o conjunto da sociedade. Estamos construindo um Brasil para todos.
O segundo caminho foi o do equilíbrio macro-econômico e da redução da vulnerabilidade externa.
Eliminamos as ameaças de volta da inflação. Reduzimos a dívida em relação ao Produto Interno Bruto.
Aumentamos nossas reservas de 38 bilhões de dólares para mais de 241 bilhões. Multiplicamos por três nosso comércio exterior, praticando uma política externa soberana, que buscou diversificar mercados.
Deixamos de ser devedores internacionais e passamos à condição de credores. Hoje não pedimos dinheiro emprestado ao FMI. É o Fundo que nos pede dinheiro.
Grande ironia: os mesmos 14 bilhões de dólares que antes o FMI nos emprestava, agora somos nós que emprestamos ao FMI.
O terceiro caminho foi o da redução das desigualdades regionais. Invertemos nos últimos anos o que parecia uma maldição insuperável. Quando o país crescia, concentrava riqueza nos estados e regiões mais prósperos. Quando estagnava, eram os estados e regiões mais pobres que pagavam a conta.
Governantes e setores das elites viam o Norte e o Nordeste como regiões irremediavelmente condenadas ao atraso.
A vastos setores da população não restavam outras alternativas que a de afundar na miséria ou migrar para o sul em busca de oportunidades. É o que explica o inchaço das grandes cidades.
Essa situação está mudando. O Governo Federal começou um processo consistente de combate às desigualdades regionais. Passou a ter confiança na capacidade do povo das regiões mais pobres. O Norte e o Nordeste receberam investimentos públicos e privados. O crescimento dessas duas regiões passou a ser sensivelmente superior ao do Brasil como um todo.
Nós vamos aprofundar esse caminho. O Brasil não mais será visto como um trem em que uma única locomotiva puxa todos vagões, como nos tempos da "Maria Fumaça". O Brasil de hoje é como alguns dos modernos trens de alta velocidade, onde vários vagões são como locomotivas e contribuem para que o comboio avance.
O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.
Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso.
Aqui, o desastre só não foi maior - como em outros países - porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.
Alguns falam todos os dias de "inchaço da máquina estatal". Omitem, no entanto, que estamos contratando basicamente médicos e profissionais de saúde, professores e pessoal na área da educação, diplomatas, policiais federais e servidores para as áreas de segurança, controle e fiscalização.
Escondem, também, que a recomposição do corpo de servidores do Estado está se fazendo por meio de concursos públicos.
Vamos continuar valorizando o servidor e o serviço público. Reconstituindo o Estado. Recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país.
Diante da crise, quando o crédito secou, não sacrificamos os investimentos públicos e privados. Ao contrário, utilizamos nossos bancos para impulsionar o desenvolvimento e a garantia de emprego no País.
Na verdade, quando a crise mundial apenas começava, Lula disse em seu discurso na ONU em 2008:
É chegada a hora da política!
Nada mais apropriado. A maior prova nós demos ao mundo: o Brasil só pôde enfrentar com sucesso a crise porque tivemos políticas públicas adequadas. Soubemos articular corretamente Estado e mercado, porque colocamos o interesse público no centro de nossas preocupações.
O quinto caminho foi o de nossa presença soberana no mundo.
O Brasil não mais se curva diante dos poderosos. Sem bravatas e sem submissão, o país hoje defende seus interesses e se dá ao respeito. É solidário com as nações pobres e em desenvolvimento. Tem uma especial relação com a América do Sul, com a América Latina e com a África. Estreita os laços Sul-Sul, sem abandonar suas relações com os países desenvolvidos. Busca mudar instituições multilaterais obsoletas, que impedem a democratização econômica e política do mundo.
Essa presença global, e o corajoso enfrentamento de nossos problemas domésticos em um marco democrático, explicam o respeito internacional que hoje gozamos.
O sexto caminho para onde convergem todos os demais foi o do aperfeiçoamento democrático.
No passado, tivemos momentos de grande crescimento econômico. Mas faltou democracia. E como faltou!
Em outros momentos tivemos democracia política, mas faltou democracia econômica e social. E sabemos muito bem que quando falta democracia econômica e social, é a democracia como um todo que está ameaçada. O país fica à mercê das soluções de força ou de aventureiros.
Hoje crescemos, distribuindo renda, com equilíbrio macro-econômico, expansão da democracia, forte participação social na definição das políticas públicas e respeito aos Direitos Humanos.
Quem duvidar do vigor da democracia em nosso país que leia, escute ou veja o que dizem livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições - ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas - ao silêncio das ditaduras.
Como disse o Presidente Lula, a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes. Nela, vai desaparecendo o espaço para que velhos coronéis e senhores tutelem o povo. Este passa a pensar com sua cabeça e a constituir uma nova e verdadeira opinião pública.
As instituições funcionam no país. Os poderes são independentes. A Federação é respeitada. Diferentemente de outros períodos de nossa história, o Presidente relacionou-se de forma republicana com governadores e prefeitos, não fazendo qualquer tipo de discriminação em função de suas filiações partidárias.
Não praticamos casuísmos. Basta ver a reação firme e categórica do Presidente Lula ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos - como se fez no passado - as regras do jogo no meio da partida.
Como todos podem ver, temos um extraordinário alicerce sobre o qual construir o terceiro Governo Democrático e Popular. Temos rumo, experiência e impulso para seguir o caminho iniciado por Lula. Não haverá retrocesso, nem aventuras. Mas podemos avançar muito mais. E muito mais rapidamente.
Queridas companheiras, queridos companheiros.
Não é meu propósito apresentar aqui um Programa de Governo.
Este Congresso aprovou as Diretrizes para um programa que será submetido ao debate com os partidos aliados e com a sociedade.
Hoje quero assumir alguns compromissos como pré-candidata, para estimular nossa reflexão e indicar como pretendemos continuar este processo iniciado há sete anos.
Vamos manter e aprofundar aquilo que é marca do Governo Lula - seu olhar social. Queremos um Brasil para todos. Nos aspectos econômicos e em suas projeções sociais, mas também um Brasil sem discriminações, sem constrangimentos. Ampliaremos e aperfeiçoaremos os programas sociais do Governo Lula, como o Bolsa Família, e implantaremos novos programas com o propósito de erradicar a miséria na década que se inicia.
Vamos dar prioridade à qualidade da educação, essencial para construir o grande país que almejamos, fundado no conhecimento e na justiça social. Mas a educação será, sobretudo, um meio de emancipação política e cultural do nosso povo. Uma forma de pleno acesso à cidadania. Daremos seguimento à transformação educacional em curso - da creche a pós-graduação.
Os jovens serão os primeiros beneficiários da era de prosperidade que estamos construindo. Nosso objetivo estratégico é oferecer a eles a oportunidade de começar a vida com segurança, liberdade, trabalho e realização pessoal.
No Brasil temos hoje 50 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade. Mais de um quarto da população brasileira. E eles têm direito a um futuro melhor.
O Brasil precisa muito da juventude. De profissionais qualificados. De mulheres e homens bem formados.
Isto se faz com escolas que propiciem boa formação teórica e técnica, com professores bem treinados e bem remunerados. Com bolsas de estudo e apoio para que os alunos não sejam obrigados a abandonar a escola. Com banda larga gratuita para todos, computadores para os professores, salas de aula informatizadas para os estudantes. Com acesso a estágios, cursos de especialização e ajuda para entrar no mercado de trabalho de todo o Brasil.
Serão esses jovens bem formados e preparados que vão nos conduzir à sociedade do conhecimento
Protegeremos as crianças e os mais jovens da violência, do assédio das drogas, da imposição do trabalho em detrimento da formação escolar e acadêmica.
As crianças e os mais jovens devem ser, sim, protegidos pelo Estado, desde a infância até a vida adulta, para que possam se realizar, em sua plenitude, como brasileiros.
Um País se mede pelo grau de proteção que dá a suas crianças. São elas a essência do nosso futuro. E é na infância que a desigualdade social cobra seu preço mais alto. Crianças desassistidas do nascimento aos cinco anos serão jovens e adultos prejudicados nas suas aptidões e oportunidades. Cuidar delas adequadamente é combater a desigualdade social na raiz.
Vamos ampliar e disseminar por todo o Brasil a rede de creches, pré-escolas e escolas infantis. Um tipo de creche onde a criança tem acesso a socialização pedagógica, aos bens culturais e aos cuidados de nutrição e saúde indispensáveis a seu pleno desenvolvimento. Isso é o que está previsto no PAC 2.
Vamos resolver os problemas da saúde, pois temos um incomparável modelo institucional - o SUS. Com mais recursos e melhor gestão vamos aprimorar a eficácia do sistema. Vamos reforçar as redes de atenção à saúde e unificar as ações entre os níveis de governo. Darei importância às Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, ao SAMU, aos hospitais públicos e conveniados, aos programas Saúde da Família, Brasil Sorridente e Farmácia Popular.
Vamos cuidar das cidades brasileiras. Colocar todo o empenho do Governo Federal, junto com estados e municípios, para promover uma profunda reforma urbana, que beneficie prioritariamente as camadas mais desprotegidas.
Vamos melhorar a habitação e universalizar o saneamento. Implantar transporte seguro, barato e eficiente.
Vamos reforçar os programas de segurança pública.
A conclusão do PAC 1 e a implementação do PAC 2, junto com a continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida serão decisivos para realizar esse compromisso.
Vamos fortalecer a proteção de nosso meio ambiente. Continuaremos reduzindo o desmatamento e impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo. Vamos manter a vanguarda na produção de biocombustíveis e desenvolver nosso potencial hidrelétrico. Desenvolver sem agredir o meio ambiente, com usinas a fio d'água e utilizando o modelo de usinas-plataforma. Aprofundaremos nosso zoneamento agro-ecológico. Nossas iniciativas explicam a liderança que alcançamos na Conferência sobre a Mudança do Clima, em Copenhague. As metas voluntárias de Copenhague, assumidas pelo Brasil, serão cumpridas, haja ou não acordo internacional. Este é o nosso compromisso.
Vamos aprofundar os avanços já alcançados em nossa política industrial e agrícola, com ênfase na inovação, no aperfeiçoamento dos mecanismos de crédito, aumentando nossa produtividade.
Agregar valor a nossas riquezas naturais, é fundamental numa política de geração de empregos no País. Tudo que puder ser produzido no Brasil, deve ser - e será - produzido no Brasil. Sondas, plataformas, navios e equipamentos aqui produzidos, para a exploração soberana do Pré-sal, vão gerar emprego e renda para os brasileiros. Emprego e renda que virão também da produção em indústrias brasileiras de fertilizantes, combustíveis e petroquímicos derivados do óleo bruto. Assim, com este modelo soberano e nacional, a exploração do Pré-sal dará diversidade e sofisticação à nossa indústria.
Os recursos do Pré-sal, aplicados no Fundo Social, sustentarão um grande avanço em nossa educação e na pesquisa científica e tecnológica. Recursos que também serão destinados para o combate à pobreza, para a defesa do meio ambiente e para a nossa cultura.
Vamos continuar mostrando ao mundo que é possível compatibilizar o desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio. Assegurar crédito, assistência técnica e mercado aos pequenos produtores e, ao mesmo tempo, apoiar os grandes produtores, que contribuem decisivamente para o superávit comercial brasileiro.
Todas as nossas ações de governo têm uma premissa: a preservação da estabilidade macro-econômica.
Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante.
Vamos seguir dando transparência aos gastos públicos e aperfeiçoando seus mecanismos de controle.
Vamos combater a corrupção, utilizando todos os mecanismos institucionais, como fizemos até agora.
Vamos concretizar, junto com o Congresso, as reformas institucionais que não puderam ser completadas ou foram apenas parcialmente implantadas, como a reforma política e a tributária.
Vamos aprofundar nossa postura soberana no complexo mundo de hoje. Seremos intransigentes na defesa da paz mundial e de uma ordem econômica e política mais justa.
Enfim, vamos governar para todos. Com diálogo, tolerância e combatendo as desigualdades sociais e regionais.
Companheiras e companheiros,
Faremos na nossa campanha um debate de idéias, com civilidade e respeito à inteligência política dos brasileiros. Um debate voltado para o futuro.
Recebo essa missão especialmente como um mandato das mulheres brasileiras, como mais uma etapa no avanço de nossa participação política e como mais uma vitória contra a discriminação secular que nos foi imposta. Gostaria de repetir: quero com vocês, mulheres do meu País, abrir novos espaços na vida nacional.
Queridas amigas e amigos
No limiar de uma nova etapa de minha vida, quando sou chamada à tamanha responsabilidade, penso em todos aqueles que fizeram e fazem parte de minha trajetória pessoal.
Em meus queridos pais.
Em minha filha, meu genro e em meu futuro neto ou neta.
Nos tantos amigos que fiz.
Nos companheiros com quem dividi minha vida.
Mas não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história.
Mais que isso: eles são parte da história do Brasil.
Permitam-me recordar três companheiros que se foram na flor da idade.
Carlos Alberto Soares de Freitas.
Beto, você ia adorar estar aqui conosco.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos
Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui entre nós todos.
Iara Yavelberg.
Iara, que falta fazem guerreiras como você.
O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.
A mesma força que vem de meus companheiros de partido, sobretudo daquele que é nosso primeiro companheiro - Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse ato de proclamação de minha candidatura tem uma significação que transcende seu aspecto eleitoral.
Estamos hoje concluindo o Quarto Congresso do Partido dos Trabalhadores.
Mais do que isso: estamos celebrando os Trinta Anos do PT.
Trinta anos desta nova estrela que veio ocupar lugar fundamental no céu da política brasileira.
Em um período histórico relativamente curto mudamos a cara de nosso sofrido e querido Brasil.
O PT cumpriu essa tarefa porque não se afastou de seus compromissos originais. Soube evoluir. Mudou, quando foi preciso.
Mas não mudou de lado.
Até chegar à Presidência do país, o PT dirigiu cidades e estados da Federação, gerando práticas inovadoras políticas, econômicas e sociais que o mundo observa, admira e muitas vezes reproduz. Fizemos isso, preservando e fortalecendo a democracia.
Mas, a principal inovação que o Partido trouxe para a política brasileira foi colocar o povo - seus interesses, aspirações e esperanças - no centro de suas ações.
Olhando para este magnífico plenário o que vejo é a cara negra, branca, índia e mestiça do povo brasileiro.
Esta é a cara do meu partido.
O rosto daqueles e daquelas que acrescentam a sua jornada de trabalho, uma segunda jornada - ou terceira - a jornada da militância.
Quero dizer a todos vocês que tenho um enorme orgulho de ser petista. De militar no mesmo partido de vocês. De compartilhar com Lula essa militância.
Estou aceitando a honrosa missão que vocês me delegam com tranqüilidade e determinação.
Sei que não estou sozinha.
A tarefa de continuar mudando o Brasil é uma tarefa de milhões. Somos milhões.
Vamos todos juntos, até a vitória.
Viva o povo brasileiro!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
DILMA PRESENTE EM TRÊS ATOS NO RIO GRANDE DO SUL
Estou escrevendo só agora porque tive alguns dias de repouso e reflexão e muito trabalho mental também. O meu trabalho me exige mais e mais clareza e menos e menos indefinições. Apesar disto tenho conseguido construir uma perspectiva flexível nos meus projetos de futuro pessoal e coletivo. Creio que seremos vitoriosos ao fim e ao cabo de todas as sarabandas e tremenbés.
Mas deu para mim e para o nosso povo grande satisfação a primeira semana de fevereiro aqui em São Leopoldo e no Rio Grande do Sul. Isto explica o título deste artigo de hoje. Esta satisfação ficou redobrada agora ainda mais - pitadas de superlativos intencionais - com os números que aparecem na pesquisa do IBOPE (veja farto debate sobre isto aqui ao lado a direita no Luis Nassif). São números em quantidades e de qualidades. Nada que me leve a ser mais arrogante do que sou, nem que me leve a ser menos pessoal, mas é a pura verdade. Qualquer um que tenha lido o artigo da Dilma lá atrás em setembro de 2009 imaginaria que está tudo igual ou tudo diferente e não perceberia nada.
E em meio a isto o meu partido completou trinta anos. Foi lá no longínquo já dia 10 de fevereiro de 1980 que foi fundado o Partido dos Trabalhadores onde eu construí muitos sonhos e onde aprendi a compartilhar ideais que hoje ainda tem mais valor do que muita ideologia de manual. Quando falo isto não menosprezo os manuais não, menosprezo os que ficam só nos manuais. É preciso muita praxis e teoria para compreender o passado e o presente e construir um futuro diferente. Mas praxis refletida.
(Nem vou tecer loas aqui agora, pois preciso fazer um certo debate sobre o PT e a institucionalidade e o PT de lutas e das massas. Continuo com convicções firmes contra o regimentalismo e processualismo da companheirada que acha que dá para fazer política na mesinha com planilha, canetinha e telefonesinho. Em resumo continuo avesso à burocratização artificial e ao status néscio. Por mais trágico que pareça creio que José Dirceu faz mais e melhor agora do que na roda viva da burocracia partidária. Portanto, precisamos de mais formulação e menos nhão nhão nhão. Mas o PT tem, ainda, perna sobrando para isto. Recomendo a leitura de textos no ALON, no FAVRE, no MULLER e diversos outros incluso no blogue do PT para quem quiser. Quem não quiser que fique assim mesmo, por enquanto.)
O primeiro ATO foi no dia 5 de fevereiro no Bairro Feitoria da minha querida São Leopoldo. Lá Dilma, Tarso Genro, Franklin Martins, Márcio Fortes e o nosso Presidente Lula, acompanhados do nosso Prefeito Ary Vanazzi entregaram a ETE Feitoria - a estação de tratamento de esgoto do bairro Feitoria que vai possibilitar o tratamento de 50% do esgoto de nossa cidade, nivel superior a todos os municípios do Rio Grande do Sul.
Além disto foram entregues simbolicamente as chaves de cinco moradias populares para mães de família atendidas pelo PAC Arroio Kruze. Para quem não sabe ainda trata-se da remoção e assentamento habitacional de milhares de pessoas da beira dos arroios de nossa cidade, reduzindo a deposição de esgoto a céu aberto e a poluição ambiental, bem como, a exposição ao risco de doenças para milhares de moradores de nossa cidade.
Nossa geração que lutou nesta cidade contra o descaso das crianças mordidas por ratos - na Avenida Atalíbio e outras, está cumprindo parte importante aqui dos nossos compromissos. Quando falo nisto aqui lembro de minhas aulas de 1999 no Olindo Flores quando falava que era uma barbaridade aquilo e que meus alunos incrédulos diziam que não tinha alternativa de moradia e e de habitação. Ora, hoje - salvo poucas residências e alguns botecos, 100 famílias já foram removidas de lá. Para dar a dimensão do PAC Arroio Kruze trata-se de 454 casas sendo entregues agora e mais adiante. Cito o site da Prefeitura de São Leopoldo:
"PAC Arroios
Recuperar o arroio Kruse e garantir moradia digna para as famílias que atualmente ocupam de forma irregular e com risco as suas margens são as metas a serem atingidas com a parceria entre os governos federal e municipal, segundo o secretário de Planejamento e Coordenação, Marcel Frison.
Com investimento total de R$ 30 milhões, sendo R$ 24 milhões oriundos do orçamento geral da União e R$ 6 milhões do município, o projeto, que está localizado na região Sul da cidade e atravessa diversos bairros (Santo André, Rio Branco, São José, São Cristóvão), irá beneficiar direta e indiretamente 1378 famílias.
São 454 famílias que serão removidas e transferidas para quatro novas áreas que se situam próximas à região e que serão preenchidas com infraestrutura de saneamento, centro comunitário, cancha de esportes, praça e unidades habitacionais.
A recuperação ambiental das margens do arroio abrangerá uma extensão de aproximadamente 2.500 metros. O projeto compreende a revegetação das margens, obras de contenção e estabilização de solo, desassoreamento e limpeza da calha do arroio, etc.
Além disso, serão realizadas ações de regularização fundiária e urbanização (extensão de redes de infraestrutura e saneamento, implantação de áreas de lazer, ciclovia) para as famílias que permanecerão no entorno do arroio.
Todas essas ações ocorrerão juntamente com a execução do projeto social, que tem seus objetivos focados em três eixos: mobilização comunitária, educação ambiental e geração de emprego e renda."
No segundo ATO, Dilma e o Presidente Lula entregaram em Porto Alegre lá na Restinga a CEITEC, uma obra de instalação de um Centro de Informática e Tecnologia, projeto plantado lá no governo Estadual de Olívio em 2000 e que levou dez anos para receber a devida alavancagem de 500 milhões finalmente obtida no Governo do Presidente Lula. (Observo aqui o tremendo êxito do prefeito Ary Vanazzi ao vingar sua convicção e seus esforços e conseguir cumprir papel decisivo para trazer a HT Micron para o pólo de informática de São Leopoldo. Aqui vale um debate interessante: São Leopoldo ou a RMPA poderão sediar um cluster completo de tecnologia da informação? em quanto tempo? eu imagino que em menos de dez anos.)
Já no terceiro ATO tive o prazer de assistir e acompanhar o Painel de DILMA sobre o PAC 2 e o futuro do Brasil na Assembléia Legislativa para mais de 150 prefeitos e mais uns 500 entre deputados, vereadores, secretários, dirigentes e lideranças de diversos segmentos e partidos do Rio Grande do Sul. Com episódios memóraveis como o Lançamento da candidatura de Dilma para preseidente pela prefeita de Ivoti do PP - me belisca véio, e otras cositas mais. Atividade coordenada e organizada pelo nosso prefeito Ary Vanazzi. Com ampla representatividade. Neste episódio minha convicção sobre as qualidades da nossa futura candidata se reforçaram em muito. Para dar uma palhinha disto digo que ela tem aquela caracteristica interessante dos políticos de alta estirpe: uma percepção muito clara do meio e do que está a ocorrer em sua volta. Ela olha nos olhos dos interlocutores e transmite uma segurança interessante na abordagem dos temas propostos e desfiados. Se engana em muito quem pensa que ela é meramente técnica ou só técnica. Um banho de povo nela e ela vai crescer muito junto a opinião pública.
Quero concluir falando da covardia da direita brasileira que agora se esforça para colar em Dilma a alcunha de a terrorista mais malvada da face da terra. Em e-mails sem vergonha e forjados tentam fazer ela virar a assassina que eles foram na ditadura. Me parece - petit poa - que na verdade é forma que eles estão indiretamente se servindo para justificarem a tortura e as barbaridades que eles cometeram contra ela e mais de 300 brasileiros que hoje estão aí como sobreviventes e lutadores construindo um novo Brasil, um Brasil para todos os brasileiros e não somente para os seus. É bem a cara deles querer transformar a Dilma ou em coitadinha ou em malvada. A covardia tem este traço de mediocridade marcante jamais consegue reconhecer os heróis e os lideres do povo, porque para eles só há heróis e líderes das elites e para as elites.
Viva a coragem do povo brasileiro....
Mas deu para mim e para o nosso povo grande satisfação a primeira semana de fevereiro aqui em São Leopoldo e no Rio Grande do Sul. Isto explica o título deste artigo de hoje. Esta satisfação ficou redobrada agora ainda mais - pitadas de superlativos intencionais - com os números que aparecem na pesquisa do IBOPE (veja farto debate sobre isto aqui ao lado a direita no Luis Nassif). São números em quantidades e de qualidades. Nada que me leve a ser mais arrogante do que sou, nem que me leve a ser menos pessoal, mas é a pura verdade. Qualquer um que tenha lido o artigo da Dilma lá atrás em setembro de 2009 imaginaria que está tudo igual ou tudo diferente e não perceberia nada.
E em meio a isto o meu partido completou trinta anos. Foi lá no longínquo já dia 10 de fevereiro de 1980 que foi fundado o Partido dos Trabalhadores onde eu construí muitos sonhos e onde aprendi a compartilhar ideais que hoje ainda tem mais valor do que muita ideologia de manual. Quando falo isto não menosprezo os manuais não, menosprezo os que ficam só nos manuais. É preciso muita praxis e teoria para compreender o passado e o presente e construir um futuro diferente. Mas praxis refletida.
(Nem vou tecer loas aqui agora, pois preciso fazer um certo debate sobre o PT e a institucionalidade e o PT de lutas e das massas. Continuo com convicções firmes contra o regimentalismo e processualismo da companheirada que acha que dá para fazer política na mesinha com planilha, canetinha e telefonesinho. Em resumo continuo avesso à burocratização artificial e ao status néscio. Por mais trágico que pareça creio que José Dirceu faz mais e melhor agora do que na roda viva da burocracia partidária. Portanto, precisamos de mais formulação e menos nhão nhão nhão. Mas o PT tem, ainda, perna sobrando para isto. Recomendo a leitura de textos no ALON, no FAVRE, no MULLER e diversos outros incluso no blogue do PT para quem quiser. Quem não quiser que fique assim mesmo, por enquanto.)
O primeiro ATO foi no dia 5 de fevereiro no Bairro Feitoria da minha querida São Leopoldo. Lá Dilma, Tarso Genro, Franklin Martins, Márcio Fortes e o nosso Presidente Lula, acompanhados do nosso Prefeito Ary Vanazzi entregaram a ETE Feitoria - a estação de tratamento de esgoto do bairro Feitoria que vai possibilitar o tratamento de 50% do esgoto de nossa cidade, nivel superior a todos os municípios do Rio Grande do Sul.
Além disto foram entregues simbolicamente as chaves de cinco moradias populares para mães de família atendidas pelo PAC Arroio Kruze. Para quem não sabe ainda trata-se da remoção e assentamento habitacional de milhares de pessoas da beira dos arroios de nossa cidade, reduzindo a deposição de esgoto a céu aberto e a poluição ambiental, bem como, a exposição ao risco de doenças para milhares de moradores de nossa cidade.
Nossa geração que lutou nesta cidade contra o descaso das crianças mordidas por ratos - na Avenida Atalíbio e outras, está cumprindo parte importante aqui dos nossos compromissos. Quando falo nisto aqui lembro de minhas aulas de 1999 no Olindo Flores quando falava que era uma barbaridade aquilo e que meus alunos incrédulos diziam que não tinha alternativa de moradia e e de habitação. Ora, hoje - salvo poucas residências e alguns botecos, 100 famílias já foram removidas de lá. Para dar a dimensão do PAC Arroio Kruze trata-se de 454 casas sendo entregues agora e mais adiante. Cito o site da Prefeitura de São Leopoldo:
"PAC Arroios
Recuperar o arroio Kruse e garantir moradia digna para as famílias que atualmente ocupam de forma irregular e com risco as suas margens são as metas a serem atingidas com a parceria entre os governos federal e municipal, segundo o secretário de Planejamento e Coordenação, Marcel Frison.
Com investimento total de R$ 30 milhões, sendo R$ 24 milhões oriundos do orçamento geral da União e R$ 6 milhões do município, o projeto, que está localizado na região Sul da cidade e atravessa diversos bairros (Santo André, Rio Branco, São José, São Cristóvão), irá beneficiar direta e indiretamente 1378 famílias.
São 454 famílias que serão removidas e transferidas para quatro novas áreas que se situam próximas à região e que serão preenchidas com infraestrutura de saneamento, centro comunitário, cancha de esportes, praça e unidades habitacionais.
A recuperação ambiental das margens do arroio abrangerá uma extensão de aproximadamente 2.500 metros. O projeto compreende a revegetação das margens, obras de contenção e estabilização de solo, desassoreamento e limpeza da calha do arroio, etc.
Além disso, serão realizadas ações de regularização fundiária e urbanização (extensão de redes de infraestrutura e saneamento, implantação de áreas de lazer, ciclovia) para as famílias que permanecerão no entorno do arroio.
Todas essas ações ocorrerão juntamente com a execução do projeto social, que tem seus objetivos focados em três eixos: mobilização comunitária, educação ambiental e geração de emprego e renda."
No segundo ATO, Dilma e o Presidente Lula entregaram em Porto Alegre lá na Restinga a CEITEC, uma obra de instalação de um Centro de Informática e Tecnologia, projeto plantado lá no governo Estadual de Olívio em 2000 e que levou dez anos para receber a devida alavancagem de 500 milhões finalmente obtida no Governo do Presidente Lula. (Observo aqui o tremendo êxito do prefeito Ary Vanazzi ao vingar sua convicção e seus esforços e conseguir cumprir papel decisivo para trazer a HT Micron para o pólo de informática de São Leopoldo. Aqui vale um debate interessante: São Leopoldo ou a RMPA poderão sediar um cluster completo de tecnologia da informação? em quanto tempo? eu imagino que em menos de dez anos.)
Já no terceiro ATO tive o prazer de assistir e acompanhar o Painel de DILMA sobre o PAC 2 e o futuro do Brasil na Assembléia Legislativa para mais de 150 prefeitos e mais uns 500 entre deputados, vereadores, secretários, dirigentes e lideranças de diversos segmentos e partidos do Rio Grande do Sul. Com episódios memóraveis como o Lançamento da candidatura de Dilma para preseidente pela prefeita de Ivoti do PP - me belisca véio, e otras cositas mais. Atividade coordenada e organizada pelo nosso prefeito Ary Vanazzi. Com ampla representatividade. Neste episódio minha convicção sobre as qualidades da nossa futura candidata se reforçaram em muito. Para dar uma palhinha disto digo que ela tem aquela caracteristica interessante dos políticos de alta estirpe: uma percepção muito clara do meio e do que está a ocorrer em sua volta. Ela olha nos olhos dos interlocutores e transmite uma segurança interessante na abordagem dos temas propostos e desfiados. Se engana em muito quem pensa que ela é meramente técnica ou só técnica. Um banho de povo nela e ela vai crescer muito junto a opinião pública.
Quero concluir falando da covardia da direita brasileira que agora se esforça para colar em Dilma a alcunha de a terrorista mais malvada da face da terra. Em e-mails sem vergonha e forjados tentam fazer ela virar a assassina que eles foram na ditadura. Me parece - petit poa - que na verdade é forma que eles estão indiretamente se servindo para justificarem a tortura e as barbaridades que eles cometeram contra ela e mais de 300 brasileiros que hoje estão aí como sobreviventes e lutadores construindo um novo Brasil, um Brasil para todos os brasileiros e não somente para os seus. É bem a cara deles querer transformar a Dilma ou em coitadinha ou em malvada. A covardia tem este traço de mediocridade marcante jamais consegue reconhecer os heróis e os lideres do povo, porque para eles só há heróis e líderes das elites e para as elites.
Viva a coragem do povo brasileiro....
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Dilma - na luta - fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
SOBRE AS BOBAGENS DE FHC
FHC E SUA TURMA QUEREM VOLTAR - comentário no blog do Nassiff
Organizaram, orquestraram e promoveram o saque ao estado brasileiro com belos e extraordinários programas de privatizações. Um dia em 2003, digo 1993, quando o PSDB nem tinha assumido com FHC discutíamos filosfia política e concepção de estado, numa conversa de academia afirmei que eles faziam do Estado um maquis para os seus assaltos e que este é o resumo do neoliberalismo. Hoje vejo pior.
Principalmente depois que a maioria deles passou a ter empregos em multinacionais, empresas beneficiadas por financiamentos e renúncia fiscal e em orgãos de comunicação atoladas até as canelas na defesa, promoção e disseminação da ideologia neoliberal. O pior é que ainda não acordaram. Não acordaram nem com a gigantesca crise que promoveram com suas políticas de livre mercado, desregulamentação e benesses públicas.
O meu estado, por exemplo, não está minguando somente por conta de governadores irresponsáveis não – além da belle femme ou desgovernadora atual – entra nesta conta aquela renegociação da dívida estadual com a União. Ora, ora, dizer que comprometer em média 15% por cento do orçamento público em dívida é um bom negócio para os gaúchos teve pagina inteira na imprensa local em 1997. E hoje, o tal deficit zero, tem páginas e mais páginas de notícias ruins na educação, na saúde e na segurança, para ficar só naquilo que estes sacripantas consideram políticas essenciais de estado. Sem falar em meio ambiente, saneamento, estradas, assistência social, energia e etc.
A petulância de FHC ao afirmar que Dilma não tem liderança é incrível mesmo. Me lembrou os dois primeiros anos de governo dele em que ele dizia que Serra não tinha liderança também, pois que naquela época quem tinha liderança era o Serjão – já falecido hoje.
Outro absurdo é fazer de conta que uma pessoa com visão não tem liderança. Ele pode até dizer que a Dilma não foi testada nas urnas, mas deve ficar bem quieto se quer dizer com isto que elea não é capaz de apresentar um programa e uma perspectiva positiva de futuro para o Brasil.
Nisto ele se engana e muito. Dilma é, ao meu ver, uma das cabeças mais visionárias da história do Brasil. Não é preciso ler muito sobre as opiniões dela para perceber isto.
Sob a liderança irrefutável de Lula está umaq pessoa com visão de futuro. O dedo indicador de Lula aponta sim na direção certa e nos indica alguém que pode com certeza apresentar um projeto nacional que faça avançar nos acertos e na direção até então tomada.
Quando eles afirmaram que vão acabar com o PAC eles erraram redondamente. E com isso jogaram boa parte do empresariado nacional contra os propósitos deles. E jogaram também milhões de brasileiros que estão vendo as obras, trabalhando nas obras e mudando a vida com estas obras no lado oposto. Um bom governo deve ser capaz de fazer investimentos que façam a economia se movimentar – não tanto na especulação, mas mais na produção e geração de empregos e riquezas. O blá blá bla´deles é pura bobagem.
Por fim, é outro grande absurdo eles quererem que um governo não faça inauguração de obras e etc. E para isto que os governos servem. Os governos devem fazer campanha do primeiro ao último dia. Se põe ovo tem que cacarejar sim, senão o pessoal sapateia em cima e faz de conta que nada foi feito. Ou pior, acaba caindo no esquecimento da opinião pública aquilo que foi realmente feito e executado e o povo embarca nas aventuras de eleger candidatos comprometidos com retrocessos e sem nenhum compromisso com eles.
Tá certo o governo. Se entrega uma casa faça barulho. Até para valorizar com o cidadão aquela conquista e ela não ser desperdiçada ali adiante ou trocada por um chevete velho.
Um abração.
Organizaram, orquestraram e promoveram o saque ao estado brasileiro com belos e extraordinários programas de privatizações. Um dia em 2003, digo 1993, quando o PSDB nem tinha assumido com FHC discutíamos filosfia política e concepção de estado, numa conversa de academia afirmei que eles faziam do Estado um maquis para os seus assaltos e que este é o resumo do neoliberalismo. Hoje vejo pior.
Principalmente depois que a maioria deles passou a ter empregos em multinacionais, empresas beneficiadas por financiamentos e renúncia fiscal e em orgãos de comunicação atoladas até as canelas na defesa, promoção e disseminação da ideologia neoliberal. O pior é que ainda não acordaram. Não acordaram nem com a gigantesca crise que promoveram com suas políticas de livre mercado, desregulamentação e benesses públicas.
O meu estado, por exemplo, não está minguando somente por conta de governadores irresponsáveis não – além da belle femme ou desgovernadora atual – entra nesta conta aquela renegociação da dívida estadual com a União. Ora, ora, dizer que comprometer em média 15% por cento do orçamento público em dívida é um bom negócio para os gaúchos teve pagina inteira na imprensa local em 1997. E hoje, o tal deficit zero, tem páginas e mais páginas de notícias ruins na educação, na saúde e na segurança, para ficar só naquilo que estes sacripantas consideram políticas essenciais de estado. Sem falar em meio ambiente, saneamento, estradas, assistência social, energia e etc.
A petulância de FHC ao afirmar que Dilma não tem liderança é incrível mesmo. Me lembrou os dois primeiros anos de governo dele em que ele dizia que Serra não tinha liderança também, pois que naquela época quem tinha liderança era o Serjão – já falecido hoje.
Outro absurdo é fazer de conta que uma pessoa com visão não tem liderança. Ele pode até dizer que a Dilma não foi testada nas urnas, mas deve ficar bem quieto se quer dizer com isto que elea não é capaz de apresentar um programa e uma perspectiva positiva de futuro para o Brasil.
Nisto ele se engana e muito. Dilma é, ao meu ver, uma das cabeças mais visionárias da história do Brasil. Não é preciso ler muito sobre as opiniões dela para perceber isto.
Sob a liderança irrefutável de Lula está umaq pessoa com visão de futuro. O dedo indicador de Lula aponta sim na direção certa e nos indica alguém que pode com certeza apresentar um projeto nacional que faça avançar nos acertos e na direção até então tomada.
Quando eles afirmaram que vão acabar com o PAC eles erraram redondamente. E com isso jogaram boa parte do empresariado nacional contra os propósitos deles. E jogaram também milhões de brasileiros que estão vendo as obras, trabalhando nas obras e mudando a vida com estas obras no lado oposto. Um bom governo deve ser capaz de fazer investimentos que façam a economia se movimentar – não tanto na especulação, mas mais na produção e geração de empregos e riquezas. O blá blá bla´deles é pura bobagem.
Por fim, é outro grande absurdo eles quererem que um governo não faça inauguração de obras e etc. E para isto que os governos servem. Os governos devem fazer campanha do primeiro ao último dia. Se põe ovo tem que cacarejar sim, senão o pessoal sapateia em cima e faz de conta que nada foi feito. Ou pior, acaba caindo no esquecimento da opinião pública aquilo que foi realmente feito e executado e o povo embarca nas aventuras de eleger candidatos comprometidos com retrocessos e sem nenhum compromisso com eles.
Tá certo o governo. Se entrega uma casa faça barulho. Até para valorizar com o cidadão aquela conquista e ela não ser desperdiçada ali adiante ou trocada por um chevete velho.
Um abração.
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