Qualquer um que abrir este BLOG terá acesso a diversos artigos meus e coletivos sobre educação, sindicalismo educacional, debates sobre gestão em educação e também sobre algumas dificuldades pessoais e coletivas na educação. Mas tenho que admitir que tudo isto está aqui mais por força do ofício, do hábito, do que por conta de alguma pretensão intelectual ou acadêmica. Devo admitir que os textos aqui só são possíveis porque exerço a profissão de professor, não porque me designo ou porque possuo um diploma de educador ou porque tenho formação educacional.
Este BLOG é sim confessional. Não é somente um lugar onde deposito teses concluídas, conhecimentos científicos ou informações absolutamente objetivas. Aqui entram intuições sobre a minha experiência e de meus colegas. Depoimentos, nem sempre tão objetivos ou imparciais, sobre experiências educacionais. E ainda vão entrar experiências minhas como aluno ao longo da minha formação desde a escolinha infantil até a pós-graduação universitária. Muito do que entra aqui tem um caráter subjetivo e vivencial.
Não gostaria de me dar ao trabalho aqui de construir um discurso na primeira pessoa do plural. Porque não é tão fácil assim, por mais que me identifique com meus colegas e com meus parceiros de caminhada educacional, apresentar aqui a voz da categoria dos trabalhadores em educação. Com a minha experiência sindical aprendi que é muito difícil representar os educadores. E todos os êxitos nesta empreitada que eu percebi eram mais determinados por uma percepção seletiva e sincera do que propriamente por uma doutrina conformadora geral da opinião.
É muito difícil ser a voz da consciência dos educadores. Porque é um universo de diversidades, o universo dos educadores, e deve ser reconhecido como tal. Ainda que pensemos que o resultado final possa ser comum - educar os jovens, crianças - este resultado final não é homogêneo.
Deveria dizer que há duas tendências interessantes neste e em outros processos do conhecimento e de reflexão sobre a experiência humana. De um lado, há o esforço de originalidade, de apresentar algo singular e único na prática e na teoria. De outro lado, há um impulso para a universalização, para a busca de uma homogeneidade e um respeito a padrões reconhecidos e dominantes.
Dou como exemplos básicos para isto: a música e a composição musical; as formas teatrais, os metros da poesia e os padrões dos famosos papers acadêmicos de diversas revistas especializadas. Parâmetros comuns se apresentam tais como pano de fundo de possibilidade para um discurso ou um conteúdo original. Lembro de um mestre meu que disse certa feita que uma boa idéia precisa que a gente arrume bem a caminha dela, ela merece um berço explêndido. De forma mais usual, diria que o envelope da mensagem ajuda a ressaltar a importãncia de um conteúdo. E é este resultado final na educação e em outras atividades que é diferenciado. Por mais que ocorra um esforço de padronização e de construção de parâmetros comuns. Devo dizer que este resultado será tão mais diferenciado, na minha opinião, quanto mais próximo esteja cada educador dos seus alunos. Penso que deve haver um conhecimento do aluno e espero bater nesta tecla por muito anos ainda. E isto produz aquilo que gera ojeriza em alguns educadores e formadores de opinião, aquela falta de homogeneidade entre os conteúdos e métodos de cada um dos educadores.
Penso que isto está compreendido, e bem, na forma como são concebidas as Provas do ENEM e seus conteúdos. Alguns gostariam que os educadores tivessem acordos múltiplos sobre diversas dimensões do seu trabalho. E julgam que eles deveria respeitar determinadas exigências. Penso que quem pensa assim deveria aceitar o desafio ou tarefa de ensinar uns 10 anos de sua vida. Chego até a radicalizar propondo que não deveria haver mais serviço militar obrigatório, mas sim um serviço civil educacional obrigatório, pode ser uns dois anos somente de cada cidadão, para começarmos a dar um fim em diversas formas de desumanização consentida da sociedade em que vivemos. tento dizer com isto que nós temos socialmente uma grande dificuldade para aceitar a originalidade e que isto nos leva a impor uma homogeneidade superficial e enganadora.
Que um educador deve ser tomado como igual ao outro como se eles tivessem simplesmente um estatuto comum é um grande absurdo, pois nenhum profissional dentro mesmo de qualquer carreira é igual ao outro. E este é um dos fundamentos também para a autonomia escolar. É um dos fundamentos principais para a qualidade da educação o fato de haver espaço para a originalidade de cada educador, para a invenção e o desafio de não se limitar a reproduzir conteúdos.
Na minha opinião aliás, o educador não deve ser mesmo igual aos outros. Penso que o estatuto de cada professor deve ser justamente incomum. E que isto pode nos ajudar a reconhecer melhor os educadores em suas qualidades e potencialidades. Não somente porque a formação dos educadores é diferente (assim como as dos cidadãos e outros profissionais também é assim) - de escola para escola encontramos pedagogias e teorias diferenciadas, conforme a concepção dominante em cada escola, ou mesmo conforme a margem de influência que cada educador recebeu sobre o seu conceito prévio de educação. Este conceito prévio de educação é aquela carga que cada um de nós leva sobre a educação antes de sermos formados, formandos ou candidatos a educadores. E este conceito prévio deve ser trabalhado nos cidadãos também. Deve haver um debate maior sobre isto. Sobra a imagem que construímos de nossos educadores e sobre como transformamos ela dentro de nós mesmos.
Esta seria uma experiência legal. Perguntar a cada um de nós quais as nossas principais lembranças dos educadores. Tive experiências interessantes nisto. Vez ou outra me confronto interpretando o meu ofício, mais por influência dos meus educadores primários do que por influência dos meus mestres e mestras, doutores e doutoras acadêmicas. E seria legal também entrevistar todos os alunos dos cursos de licenciatura ao longo de sua formação para medir o quanto ocorre um deslocamento na interpretação da profissão ou quanto de maturação ocorre nas opiniões e conceitos originais. Ver como se desenvolve e se desdobra aquela imagem inicial dos educadores que os educadores constroem dentro de si mesmos.
É bem possível que alguns colegas meus que lerem este texto considerem que estou tangenciando o tema e o seu problema. Que esta circunvolução que estou a fazer aqui foge do ponto de hoje. E é bem possível que sim. É bem possível que seja verdade isto.
Mas eu queria fazer aqui uma aproximação a algo que me parece ser importante no dia do professor. Não quero levar a minha reflexão de hoje na direção de uma resposta a pergunta de para onde vai o discurso do professor, em que direção caminham seus êxitos e sucessos ou o que traz prejuízo para isto tudo. Eu estou querendo apontar o dedinho na direção oposta, a saber, de onde parte o discurso dos educadores, que sentimentos e pensamentos se colocam como iniciais no nosso impulso de buscar qualificação para exercer este ofício.
Eu me lembro sempre do meu impulso a agir sobre a história, sobre o mundo em que vivo na tentativa de compreendê-lo e transformá-lo. Com todas as contradições, riscos e polêmicas que isto demanda. Porque as vezes para transformar o mundo é preciso resgatar algumas tradições, quase como preciso de parãmetros para dar espaço à originalidade.
Então que neste dia do professor todos os meus colegas tenham um grande abraço de seus alunos, que este seja em palavras, gestos ou sinais. E que estes abraços não sejam somente um sinal de concordância, mas que sejam também um sinal de respeito frente à discordância. Pois talvez parte do maior esforço dos educadores seja tornar possível a discordância e a concordância através do debate e da apresentação de diferenças.
FELIZ DIA DOS PROFESSORES PARA TODOS
PARA OS QUE SÃO PROFESSORES...
PARA OS QUE QUEREM SER PROFESSORES...
E PARA OS QUE COMPREENDEM MINIMAMENTE OU MAXIMAMENTE ESTE OFÍCIO...
PS.: Recomendo, no que há de comum entre os educadores, complementarmente a leitura da minha resposta ao David Coimbra ZH sobre os professores e o CPERS.
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Nita Freire repudia fechamento das escolas itinerantes no RS
A educadora Ana Maria Araújo Freire, a Nita Freire, viúva do pedagogo Paulo Freire esteve hoje (13) em Porto Alegre presente na aula pública das Escolas Itinerantes do MST, em frente ao Palácio Piratini. Nita Freire repudiou a ação “inconstitucional e vil” do governo do Estado e de parte da justiça de impedir que as crianças acampadas, filhos de agricultores sem-terra, não terem o direito de estudar nas escolas itinerantes, que já existem há 12 anos no RS e serviram de exemplo a outros estados. A pedagoga estava acompanhada do presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia, deputado Dionilso Marcon (PT), do deputado Estadual Raul Pont, da deputada Estadual Marisa Formolo, e da presidente do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS), Rejane de Oliveira. A escola itinerante é legal e cumpre normas do Conselho Estadual de Educação (Ceed), da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e da legislação das escolas no campo.
O MST denuncia que desde o início do ano, governo estadual e o Ministério Público Estadual (MPE) assinaram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que decidiram fechar, sem consultar os pais, as escolas itinerantes. Desde então, o governo estadual não cumpriu com o que foi firmado no TAC, que é garantir transporte público às crianças nos municípios em que há acampamentos. É o que ocorre hoje em São Gabriel , em que 400 crianças assentadas e acampadas estão sem estudar desde o início do ano.
A atividade faz parte da Jornada de Lutas dos Sem Terrinhas que ocorre em todo país nesta semana.
Jornalista Responsável: Kiko Machado – MTBRS 9510
PS: faço questão de citar aqui o texto do Kiko Machado do Blog TOMANDO NA CUIA...
Porque é muito importante apoiar esta luta! Um dois maiores absurdos que já vi nesta vida. Fechar escolas por suposta razão ideológica com o aval do MP. E é bom para quem acha que já não há mais nada para lutar, na nova democracia brasileira. O que não é o caso dos meus alunos e dos meus camaradas. off course....
O MST denuncia que desde o início do ano, governo estadual e o Ministério Público Estadual (MPE) assinaram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que decidiram fechar, sem consultar os pais, as escolas itinerantes. Desde então, o governo estadual não cumpriu com o que foi firmado no TAC, que é garantir transporte público às crianças nos municípios em que há acampamentos. É o que ocorre hoje em São Gabriel , em que 400 crianças assentadas e acampadas estão sem estudar desde o início do ano.
A atividade faz parte da Jornada de Lutas dos Sem Terrinhas que ocorre em todo país nesta semana.
Jornalista Responsável: Kiko Machado – MTBRS 9510
PS: faço questão de citar aqui o texto do Kiko Machado do Blog TOMANDO NA CUIA...
Porque é muito importante apoiar esta luta! Um dois maiores absurdos que já vi nesta vida. Fechar escolas por suposta razão ideológica com o aval do MP. E é bom para quem acha que já não há mais nada para lutar, na nova democracia brasileira. O que não é o caso dos meus alunos e dos meus camaradas. off course....
Marcadores:
EDUCAÇÃO - MST E O DIREITO A EDUCAÇÃO
domingo, 11 de outubro de 2009
DOIS MESES SEM FUMAR - PARECE SEM VOLTA - MAS.....
Estou numa fase que eu não sei se existe para todos os ex-fumantes, mas me parece muito interessante, porque é nela que estou fazendo uma análise das minhas experiências simbólicas, imaginárias e reais com o cigarro.
É nela que aparecem todas as lembranças dos cigarros e marcas que fumei. Vale lembrar que falei que parei de fumar porque considerei já haver fumado todos os cigarros possíveis e em circunstâncias as mais diversas. Como exemplo, vou citar algumas marcas rapidamente. Comecei pitando Hilton longo, experimentei quase todos os cigarros lançados entre 1977 e 1991, tinha uma curiosidade sobre o sabor de marcas antigas. A partir dela, dessa curiosidade, fumei cigarros importados Galoisies (franceses clássicos), cigarros nacionais tipo Continental sem filtro (que tinha a embalagem e o logotipo mais charmoso que me lembro), Chanceler, Pall Mall (rsss), e tive a fase Noir e pesada de fumar Malhrboro (SIC rss) também.
Este último me levou a uma insuficiencia respiratória precoce aos 19 anos que me fez para de fumar por uns bons três anos e meio. Já tive até aquela fase clean (rsss.) dos fumantes de FREE que pensam que são mais livres e que fumam menos veneno que outros (nossa com esta meu blog vai ser punido e processado). Mas é claro pessoal que nenhuma empresa tem culpa da adicção ao vício de fumar ou hábito de fumar afinal, só fuma quem quer.
Nesta fase tenho pensado também em outras coisas. É nela que aparecem claramente os efeitos do marketing e da publicidade na relação com o meu vício, a minha adicção ao hábito de fumar. Devo lembrar que devemos pensar no marketing direto, na propaganda de Jornal, de Revistas, Rádio e Tevê, ao marketing indireto ou subliminar presente no cinema, nas novelas, e até em programa de auditório. Ainda que a legislação hoje seja muito mais restritiva em diversos aspectos. Lembro a vocês dos carros de fórmula 1 e outras competições em que havia marcas de cigarros competindo. Afinal desde Fittipaldi até o Senna, passamos por marcas como JPS, Camel, e M.
E, provavelmente, a maioria dos jovens que fazem parte da minha geração e de outras, também tiveram reforço em suas motivações para fumar através da linguagem simbólica dos vencedores e destemidos. Tinha propaganda em campos de futebol e haviam inclusive jogadores que fumavam lá nos anos 70. Hoje ser atleta é absolutamente antitético ao hábito de fumar. Mas o cigarro e suas propagandas tem alguns efeitos não muito sensatos.
Extrair estes efeitos e seus sinais originais talvez ajude a extrair convicções que estejam habitando a subjetividade de diversos fumantes por aí.
Desde o pré-adolescente que rouba um cigarro para experimentar até o adulto que chegou a comprar uma caixa com dez maços de cigarros para não faltar (confesso que fiz isto só uma ou duas vezes).
A ironia da história é que inadvertidamente comecei a fumar pensando que era uma coisa boa. Olhava os adultos fumando e pensava: fumar deve ser bom. Me perguntava: porque só os adultos podiam fumar. Se era coisa boa porque só quando eu for adulto vou poder fumar com liberdade. E daí vinha a imediata associação entre o hábito de fumar e o direito à certas coisas, a liberdade e a assunção de um jovem à vida adulta. Neste último sentido imagine que você será um homem feito se pendurar um cigarro ao canto da boca e aprender a falar com ele ali. Rsss (lembre-se de Humphrey Bogart em qualquer um de seus filmes da fase Noir, incluso Casablanca).
A relação entre cigarro e cinema também teve um efeito no meu imaginário e no domínio do simbólico. Quando eu era pré-adolescente ganhamos eu e meu irmão uma tevê preto e branco de 14 polegadas que foi parar no nosso quarto em virtude da aquisição de uma tevê melhor para a Cozinha e também porque minha irmã mais velha saiu de casa. No começo eu olhava pouca tevê, mas não demorou para eu virar um viciado completo em ver tev~e as altas horas da madrugada. Era o Corujão todas as noites. Bem, foi uma importante experiência porque vi filmes que você não vê em circuíto normal e me defrontei com filmes em que na maior parte das vezes o mocinho, o policial, o herói e qualquer outro personagem masculino digno de observação e de se seguir o exemplo, com alguma admiração, simplesmente fumava e fumava muito.
Uma análise dos filmes que mostram isto deveria ser feita para nos apercebermos de quão forte foi esta indução. E vale a pena lembrar os filmes dos anos 90 também, em que o apelo a masculinidade, à coragem e a independência dos personagens vinha com um maço de cigarros no bolso e um cigarro na boca. Lembro David Linch que fez um filme inteiro com closes num palito de fósforo chamuscando prestes a acender um cigarro. Um grande cineasta aliás (veja-se Blue Velvet). E nos anos 70 haviam diversas séries da tevê americana em que o mocinho fumava.
Estes dias revi alguns destes personagens tais como Columbo, Baretta e Kojak, só para ficar em grandes exemplos, e me dei por conta do charme e do papel do cigarro entre uma reflexão e outra, em meio a investigação. Tudo se passa como se a reflexão, a acribia, o discernimento e a precisão só tivessem lugar em meio a uma baforada deste ou daquele cigarro.
Aliás, um motivo banal para parar de fumar foi o que eu me lembrei estes dias quando descobri que o cigarro que eu fumava esta desaparecendo e sendo substituído por outra marca e nome. Eu fumava Carlton que agora vai virar Dunhill. Já é um outro motivo. rssss.
Vou terminar este texto de hoje dando um outro motivo para parar de fumar. Consegui reduzir razoavelmente uma quantidade de coisas que carregava nos bolsos. Um maço de cigarro a menos e um isqueiro e já deu espaço para o meu celular ficar mais à vontade.
É nela que aparecem todas as lembranças dos cigarros e marcas que fumei. Vale lembrar que falei que parei de fumar porque considerei já haver fumado todos os cigarros possíveis e em circunstâncias as mais diversas. Como exemplo, vou citar algumas marcas rapidamente. Comecei pitando Hilton longo, experimentei quase todos os cigarros lançados entre 1977 e 1991, tinha uma curiosidade sobre o sabor de marcas antigas. A partir dela, dessa curiosidade, fumei cigarros importados Galoisies (franceses clássicos), cigarros nacionais tipo Continental sem filtro (que tinha a embalagem e o logotipo mais charmoso que me lembro), Chanceler, Pall Mall (rsss), e tive a fase Noir e pesada de fumar Malhrboro (SIC rss) também.
Este último me levou a uma insuficiencia respiratória precoce aos 19 anos que me fez para de fumar por uns bons três anos e meio. Já tive até aquela fase clean (rsss.) dos fumantes de FREE que pensam que são mais livres e que fumam menos veneno que outros (nossa com esta meu blog vai ser punido e processado). Mas é claro pessoal que nenhuma empresa tem culpa da adicção ao vício de fumar ou hábito de fumar afinal, só fuma quem quer.
Nesta fase tenho pensado também em outras coisas. É nela que aparecem claramente os efeitos do marketing e da publicidade na relação com o meu vício, a minha adicção ao hábito de fumar. Devo lembrar que devemos pensar no marketing direto, na propaganda de Jornal, de Revistas, Rádio e Tevê, ao marketing indireto ou subliminar presente no cinema, nas novelas, e até em programa de auditório. Ainda que a legislação hoje seja muito mais restritiva em diversos aspectos. Lembro a vocês dos carros de fórmula 1 e outras competições em que havia marcas de cigarros competindo. Afinal desde Fittipaldi até o Senna, passamos por marcas como JPS, Camel, e M.
E, provavelmente, a maioria dos jovens que fazem parte da minha geração e de outras, também tiveram reforço em suas motivações para fumar através da linguagem simbólica dos vencedores e destemidos. Tinha propaganda em campos de futebol e haviam inclusive jogadores que fumavam lá nos anos 70. Hoje ser atleta é absolutamente antitético ao hábito de fumar. Mas o cigarro e suas propagandas tem alguns efeitos não muito sensatos.
Extrair estes efeitos e seus sinais originais talvez ajude a extrair convicções que estejam habitando a subjetividade de diversos fumantes por aí.
Desde o pré-adolescente que rouba um cigarro para experimentar até o adulto que chegou a comprar uma caixa com dez maços de cigarros para não faltar (confesso que fiz isto só uma ou duas vezes).
A ironia da história é que inadvertidamente comecei a fumar pensando que era uma coisa boa. Olhava os adultos fumando e pensava: fumar deve ser bom. Me perguntava: porque só os adultos podiam fumar. Se era coisa boa porque só quando eu for adulto vou poder fumar com liberdade. E daí vinha a imediata associação entre o hábito de fumar e o direito à certas coisas, a liberdade e a assunção de um jovem à vida adulta. Neste último sentido imagine que você será um homem feito se pendurar um cigarro ao canto da boca e aprender a falar com ele ali. Rsss (lembre-se de Humphrey Bogart em qualquer um de seus filmes da fase Noir, incluso Casablanca).
A relação entre cigarro e cinema também teve um efeito no meu imaginário e no domínio do simbólico. Quando eu era pré-adolescente ganhamos eu e meu irmão uma tevê preto e branco de 14 polegadas que foi parar no nosso quarto em virtude da aquisição de uma tevê melhor para a Cozinha e também porque minha irmã mais velha saiu de casa. No começo eu olhava pouca tevê, mas não demorou para eu virar um viciado completo em ver tev~e as altas horas da madrugada. Era o Corujão todas as noites. Bem, foi uma importante experiência porque vi filmes que você não vê em circuíto normal e me defrontei com filmes em que na maior parte das vezes o mocinho, o policial, o herói e qualquer outro personagem masculino digno de observação e de se seguir o exemplo, com alguma admiração, simplesmente fumava e fumava muito.
Uma análise dos filmes que mostram isto deveria ser feita para nos apercebermos de quão forte foi esta indução. E vale a pena lembrar os filmes dos anos 90 também, em que o apelo a masculinidade, à coragem e a independência dos personagens vinha com um maço de cigarros no bolso e um cigarro na boca. Lembro David Linch que fez um filme inteiro com closes num palito de fósforo chamuscando prestes a acender um cigarro. Um grande cineasta aliás (veja-se Blue Velvet). E nos anos 70 haviam diversas séries da tevê americana em que o mocinho fumava.
Estes dias revi alguns destes personagens tais como Columbo, Baretta e Kojak, só para ficar em grandes exemplos, e me dei por conta do charme e do papel do cigarro entre uma reflexão e outra, em meio a investigação. Tudo se passa como se a reflexão, a acribia, o discernimento e a precisão só tivessem lugar em meio a uma baforada deste ou daquele cigarro.
Aliás, um motivo banal para parar de fumar foi o que eu me lembrei estes dias quando descobri que o cigarro que eu fumava esta desaparecendo e sendo substituído por outra marca e nome. Eu fumava Carlton que agora vai virar Dunhill. Já é um outro motivo. rssss.
Vou terminar este texto de hoje dando um outro motivo para parar de fumar. Consegui reduzir razoavelmente uma quantidade de coisas que carregava nos bolsos. Um maço de cigarro a menos e um isqueiro e já deu espaço para o meu celular ficar mais à vontade.
sábado, 10 de outubro de 2009
ABOBADO DA ENCHENTE
Abobado da enchente!!!
Em meio as tragédias que os fenômenos naturais provocam nos dias de hoje e desde tempos imemoriais, as cheias dos rios e as enchentes sobre as cidades que destroem moradias, vidas e arruinam patrimônios e privam pessoas de condições dignas de vida e subsistência tem outras histórias mais peculiares com conotações irônicas e engraçadas que geram designações e expressões populares. O abobado da enchente é com certeza uma destas expressões.
Esta é uma daquelas designações que tem um misto de verdade e ironia embutidos em sua significação. Para quem nasceu em 1965 que nem eu, e em 1941 como o meu pai, deve até ter mais significado. rsss. Se bem que o meu pai nasceu em Vacaria, lá em cima na serra o que num vale como caso de nascido na enchente. E eu, por meu turno, nasci em São Leopoldo em janeiro quando dita cuja enchente foi no mesmo ano em julho. Abobado da Enchente é então uma daquelas expressões que traz como outras um complexo de significações.
A sua origem me é razoavelmente misteriosa. Mas eu tenho memória do seu uso na minha cidade natal, São Leopoldo, a qual, justamente viveu diversas enchentes ao longo da sua história, sendo famosas e conhecidas, historicamente e popularmente, as de 1941, 1965, 1986 e 2008. Nestas enchentes temos aquela tradicional figura - que pode ser homem, mulher, idoso, criança ou qualquer outra coisa, da pessoa que fica olhando a água subir e não sabe bem o que fazer para enfrentar esta triste realidade, não sabe se vai ou se fica, não sabe se enfrenta a situação ou se entra em crise e dramatiza. Devo supor que muitas pessoas já sofreram isto e eu mesmo pelo menos em uma circunstância assisti a água subir até a soleira da casa da minha mãe lá na Scharlau - ou melhor ali no Jardim Viaduto.
Tive experiências interessantes com enchentes já, inclusive em outra cidade, em Eldorado dos Sul tive que erguer toda a mobilia da casa da minha ex-esposa e de minha filha e dormi inclusive duas noites com água dentro de casa até a metade da parede sobre os móveis erguidos. Se você pensar neste imagem entendera que o Abobado da Enchente as vezes é também aquele que não entra em desespero também. Neste sentido, vejo algo curioso aí. De uma lado tem o boca aberta que fica sem saber o fazer e de outro lado tem o cara que acha que está fazendo o certo, porque confia no seu taco, porque conhece o limite do rio. Ou no caso de Eldorado do Sul eu tive que confiar num depoimento dado por uma pessoa de lá que já tinha visto enchentes na região nos últimos quarenta anos e que nunca tinha visto a bacia do Lago Guaíba - incluso aí os Rios Graavataí, Sinos, Jacuí e etc subir acima de uma altura tal do marco da rodovia. Bem, eu acreditei e fiquei lá. Mas hoje me sinto um Abobado da Enchente igual.
Penso que deveríamos escrever um livro só de depoimentos sobre as enchentes de São Leopoldo, porque existem várias lendas urbanas a respeito das enchentes, desde aquela bem conhecida do povo da zona norte de que vão abrir as comportas lá em cima nas cabeceiras do rio e que todo mundo vai ficar em baixo da água, passando pelo boato clássico dos últimos anos de que o dique vai estourar e que virá uma grande tragédia disto. O fato é que é generalizado o pânico em qualquer circunstãncia de cheia do Rio dos Sinos. Outro fato é que tem o elemento ou capítulo de curiosidade mórbida e de saudosismo também. Basta o rio encher um pouco e quase todo mundo que é natural de São Leopoldo, e pelo visto a moda pegou os de fora também, vai lá ver o rio o que gera desde um engarrafamento no trânsito das três pontes até um afluxo de pessoas para as margens do rio.
Neste ano ocorreu uma enchente também agora em menos de uma semana que foi antecedidada por outra, há poucas semanas.
Curiosamente as enchentes que a gente vive hoje em São Leopoldo atingem basicamente três pequenas regiões da cidade, uma na famosa Rua das Camélias (ao lado esquerdo de quem vai pela Avenida Imperatriz Dona Leopoldina em direção ao Bairro Feitoria, na altura do Bairro Pinheiro, onde foi feito um loteamento abaixo do nivel dos diques de contenção das cheias, que foram construídos entre 1974 e 1991; outra região é no bairro São Geraldo pela mesma razão e, por fim, naquela região onde hoje existe uma ilha artificial criada com a conclusão das obras dos diques entre a Argamassa Leopoldense (onde você encontra o que quiser em ferragens), passando pela Loja de Gás, Semmam, Clube Humaitá e algumas moradias que ficaram como que remanescentes na ilha que vai da Argamassa até depois da BR-116 ou segunda ponte.
Aliás vale a nota aqui, em São Leopoldo temos três pontes que atravessam o Rio dos Sinos no sentido norte-sul ou vive e versa.
A velha ponte de ferro ou ponte velha já centenária preservada como patrimônio histórico e que teve sua altura aumentada em 1 metro e cinquenta se não me engano em relação a construção original e em virtude do plano e da altura dos diques pós 1974.
A ponte da BR-116 que existe desde meados do século 20, cuja data de construção vou pesquisar e acrescentar aqui depois.
E a ponte nova inaugurada nos anos 90 e ao lado do Ginásio Municipal, aliás entre este e os fundos da Sede do Clube Tiradentes e os fundos da Receita Federal, ali onde ficava uma empresa que eu conhecia pelo nome de ALPLAC na minha infância.
Também deve constar, a ponte de ferro da antiga estrada de ferro que ligava São Leopoldo a Novo Hamburgo ali na Avenida Mauá, justamente ao lado de onde está sendo erguida a extensão da Linha do Trensurb e que será preservada pelo visto nas fotos de divulgação que vemos na capa da Rua Grande (número 2065 de setembro de 2009).
Bem, vezenquando eu me sinto um ABOBADO DA ENCHENTE, porque a gente embarca em cada canoa nesta vida. Um exemplo disto foi ter aceito a tarefa de ser conselheiro de uma turma de terceiro ano na escola, e tudo que veio junto com isto tem me provocado diversas opiniões, controvérsias, polêmicas e experiências em que, não poucas vezes, me sinto um ABOBADO DA ENCHENTE. Ao fim e ao cabo saberei dizer algo melhor e mais razoável sobre tudo isto, logo depois da formatura, torço e imagino.
Por hora o negócio é cantar no meu íntimo aquela velha marchinha de carnaval:
"Rema, rema, rema, remador."
Se a canoa não virar, olê, olê, olá...
eu chego lá....
Em meio as tragédias que os fenômenos naturais provocam nos dias de hoje e desde tempos imemoriais, as cheias dos rios e as enchentes sobre as cidades que destroem moradias, vidas e arruinam patrimônios e privam pessoas de condições dignas de vida e subsistência tem outras histórias mais peculiares com conotações irônicas e engraçadas que geram designações e expressões populares. O abobado da enchente é com certeza uma destas expressões.
Esta é uma daquelas designações que tem um misto de verdade e ironia embutidos em sua significação. Para quem nasceu em 1965 que nem eu, e em 1941 como o meu pai, deve até ter mais significado. rsss. Se bem que o meu pai nasceu em Vacaria, lá em cima na serra o que num vale como caso de nascido na enchente. E eu, por meu turno, nasci em São Leopoldo em janeiro quando dita cuja enchente foi no mesmo ano em julho. Abobado da Enchente é então uma daquelas expressões que traz como outras um complexo de significações.
A sua origem me é razoavelmente misteriosa. Mas eu tenho memória do seu uso na minha cidade natal, São Leopoldo, a qual, justamente viveu diversas enchentes ao longo da sua história, sendo famosas e conhecidas, historicamente e popularmente, as de 1941, 1965, 1986 e 2008. Nestas enchentes temos aquela tradicional figura - que pode ser homem, mulher, idoso, criança ou qualquer outra coisa, da pessoa que fica olhando a água subir e não sabe bem o que fazer para enfrentar esta triste realidade, não sabe se vai ou se fica, não sabe se enfrenta a situação ou se entra em crise e dramatiza. Devo supor que muitas pessoas já sofreram isto e eu mesmo pelo menos em uma circunstância assisti a água subir até a soleira da casa da minha mãe lá na Scharlau - ou melhor ali no Jardim Viaduto.
Tive experiências interessantes com enchentes já, inclusive em outra cidade, em Eldorado dos Sul tive que erguer toda a mobilia da casa da minha ex-esposa e de minha filha e dormi inclusive duas noites com água dentro de casa até a metade da parede sobre os móveis erguidos. Se você pensar neste imagem entendera que o Abobado da Enchente as vezes é também aquele que não entra em desespero também. Neste sentido, vejo algo curioso aí. De uma lado tem o boca aberta que fica sem saber o fazer e de outro lado tem o cara que acha que está fazendo o certo, porque confia no seu taco, porque conhece o limite do rio. Ou no caso de Eldorado do Sul eu tive que confiar num depoimento dado por uma pessoa de lá que já tinha visto enchentes na região nos últimos quarenta anos e que nunca tinha visto a bacia do Lago Guaíba - incluso aí os Rios Graavataí, Sinos, Jacuí e etc subir acima de uma altura tal do marco da rodovia. Bem, eu acreditei e fiquei lá. Mas hoje me sinto um Abobado da Enchente igual.
Penso que deveríamos escrever um livro só de depoimentos sobre as enchentes de São Leopoldo, porque existem várias lendas urbanas a respeito das enchentes, desde aquela bem conhecida do povo da zona norte de que vão abrir as comportas lá em cima nas cabeceiras do rio e que todo mundo vai ficar em baixo da água, passando pelo boato clássico dos últimos anos de que o dique vai estourar e que virá uma grande tragédia disto. O fato é que é generalizado o pânico em qualquer circunstãncia de cheia do Rio dos Sinos. Outro fato é que tem o elemento ou capítulo de curiosidade mórbida e de saudosismo também. Basta o rio encher um pouco e quase todo mundo que é natural de São Leopoldo, e pelo visto a moda pegou os de fora também, vai lá ver o rio o que gera desde um engarrafamento no trânsito das três pontes até um afluxo de pessoas para as margens do rio.
Neste ano ocorreu uma enchente também agora em menos de uma semana que foi antecedidada por outra, há poucas semanas.
Curiosamente as enchentes que a gente vive hoje em São Leopoldo atingem basicamente três pequenas regiões da cidade, uma na famosa Rua das Camélias (ao lado esquerdo de quem vai pela Avenida Imperatriz Dona Leopoldina em direção ao Bairro Feitoria, na altura do Bairro Pinheiro, onde foi feito um loteamento abaixo do nivel dos diques de contenção das cheias, que foram construídos entre 1974 e 1991; outra região é no bairro São Geraldo pela mesma razão e, por fim, naquela região onde hoje existe uma ilha artificial criada com a conclusão das obras dos diques entre a Argamassa Leopoldense (onde você encontra o que quiser em ferragens), passando pela Loja de Gás, Semmam, Clube Humaitá e algumas moradias que ficaram como que remanescentes na ilha que vai da Argamassa até depois da BR-116 ou segunda ponte.
Aliás vale a nota aqui, em São Leopoldo temos três pontes que atravessam o Rio dos Sinos no sentido norte-sul ou vive e versa.
A velha ponte de ferro ou ponte velha já centenária preservada como patrimônio histórico e que teve sua altura aumentada em 1 metro e cinquenta se não me engano em relação a construção original e em virtude do plano e da altura dos diques pós 1974.
A ponte da BR-116 que existe desde meados do século 20, cuja data de construção vou pesquisar e acrescentar aqui depois.
E a ponte nova inaugurada nos anos 90 e ao lado do Ginásio Municipal, aliás entre este e os fundos da Sede do Clube Tiradentes e os fundos da Receita Federal, ali onde ficava uma empresa que eu conhecia pelo nome de ALPLAC na minha infância.
Também deve constar, a ponte de ferro da antiga estrada de ferro que ligava São Leopoldo a Novo Hamburgo ali na Avenida Mauá, justamente ao lado de onde está sendo erguida a extensão da Linha do Trensurb e que será preservada pelo visto nas fotos de divulgação que vemos na capa da Rua Grande (número 2065 de setembro de 2009).
Bem, vezenquando eu me sinto um ABOBADO DA ENCHENTE, porque a gente embarca em cada canoa nesta vida. Um exemplo disto foi ter aceito a tarefa de ser conselheiro de uma turma de terceiro ano na escola, e tudo que veio junto com isto tem me provocado diversas opiniões, controvérsias, polêmicas e experiências em que, não poucas vezes, me sinto um ABOBADO DA ENCHENTE. Ao fim e ao cabo saberei dizer algo melhor e mais razoável sobre tudo isto, logo depois da formatura, torço e imagino.
Por hora o negócio é cantar no meu íntimo aquela velha marchinha de carnaval:
"Rema, rema, rema, remador."
Se a canoa não virar, olê, olê, olá...
eu chego lá....
domingo, 4 de outubro de 2009
50 dias sem fumar
Tem sido uma boa experiência esta de parar de fumar.
Do modo como a coisa vai, vou conseguir parar com muitas coisas.
Mas não é este o ponto de hoje. Aquilo que eu queria dizer é que, ao parar de fumar, podemos começar outras coisas também. A que eu tenho gostado mais é o exercício de encontrar motivos contra-sensuais (rssss) para parar de fumar.
Por exemplo esta semana eu estava sentado num happy hour, com um cálice de vinho tinto seco na mão, meu eventual lazer de terças-feiras, sorvendo e pensando quando fui indagado porque havia parado de fumar. Assim respondi:
Foi por causa do dinheiro. (rsss)
Não porque eu não consigo pagar três ou quatro carteiras de cigarros por semana - se bem que a economia dá dois bons almoços em qualquer restaurante razoável de São Léo, mas sim por causa do que eu ia ter que gastar, seja com os médicos, seja com os remédios logo ali adiante, logo ali na esquina da vida.
E, lembrando, a vida passa muito rápida mesmo, nem parece, por exemplo, que fazem 20 anos já que eu fiz a minha primeira campanha do Lula para presidente. O que, aliás, coincidiu com o meu ingresso na Universidade.
Bem, é o dinheiro cara. Não o das carteiras de cigarro, mas o dos médicos. E não importa que até lá o SUS garanta saúde integral para todos e que eu tenha fácil acesso a um pneumologista (seja isto pelo IPE) antes mesmo de ser internado num hospital, antes de ver aquela fase crítica de enfisemas e falta de ar chegar.
50 dias sem fumar, e praticamente começando a beber bem menos também, porque parece até que a compulsão de beber é gêmea irmã siamesa da compulsão de fumar. Domando uma passamos logo a começar a domar todas as outras também. Lembro que estou devendo um artigo aqui sobre compulsão e compulsões.
Espero que isto ajude alguns amigos e amigas.
Um abração - vou escutar todo cambia com La negra no youtube....
Do modo como a coisa vai, vou conseguir parar com muitas coisas.
Mas não é este o ponto de hoje. Aquilo que eu queria dizer é que, ao parar de fumar, podemos começar outras coisas também. A que eu tenho gostado mais é o exercício de encontrar motivos contra-sensuais (rssss) para parar de fumar.
Por exemplo esta semana eu estava sentado num happy hour, com um cálice de vinho tinto seco na mão, meu eventual lazer de terças-feiras, sorvendo e pensando quando fui indagado porque havia parado de fumar. Assim respondi:
Foi por causa do dinheiro. (rsss)
Não porque eu não consigo pagar três ou quatro carteiras de cigarros por semana - se bem que a economia dá dois bons almoços em qualquer restaurante razoável de São Léo, mas sim por causa do que eu ia ter que gastar, seja com os médicos, seja com os remédios logo ali adiante, logo ali na esquina da vida.
E, lembrando, a vida passa muito rápida mesmo, nem parece, por exemplo, que fazem 20 anos já que eu fiz a minha primeira campanha do Lula para presidente. O que, aliás, coincidiu com o meu ingresso na Universidade.
Bem, é o dinheiro cara. Não o das carteiras de cigarro, mas o dos médicos. E não importa que até lá o SUS garanta saúde integral para todos e que eu tenha fácil acesso a um pneumologista (seja isto pelo IPE) antes mesmo de ser internado num hospital, antes de ver aquela fase crítica de enfisemas e falta de ar chegar.
50 dias sem fumar, e praticamente começando a beber bem menos também, porque parece até que a compulsão de beber é gêmea irmã siamesa da compulsão de fumar. Domando uma passamos logo a começar a domar todas as outras também. Lembro que estou devendo um artigo aqui sobre compulsão e compulsões.
Espero que isto ajude alguns amigos e amigas.
Um abração - vou escutar todo cambia com La negra no youtube....
GRACIAS A LA VIDA
Faleceu hoje a pessoa que tinha a voz e que carregou com o coração muitas das canções que embalaram todas as minhas grandes caminhadas.
Faleceu Mercedes Sosa.
Faleceu la Negra.
Muito obrigado!
Gracias.
Continuará cantando no meu coração e na minha luta.
Faleceu Mercedes Sosa.
Faleceu la Negra.
Muito obrigado!
Gracias.
Continuará cantando no meu coração e na minha luta.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
AS OLIMPÍADAS DO RIO DE JANEIRO EM 2016
É um dos fatos memoráveis da presente quadra histórica do Brasil.
Ninguém poderá dizer que LULA não trabalhou por isto.
Ou atribuir todos os méritos a Nuzman ou outro. Ou somente divulgar fotos da delegação e de outros apagando as imagens e sons de Lula defendendo os jogos e emocionando o mundo.
E daqui a muitos anos estes acontecimentos que alguns de nós assistem com muita emoção e orgulho e outros desprezam e entortam com suas opiniões mesquinhas e de fundo odioso, serão lembrados.
Me sinto muito orgulhoso e satisfeito.
Teremos Eleições Diretas para Presidente em 2010 - sem reeleição, nem manobras vergonhosas, só trabalho, trabalho e uma extraordinária esperança realizada.
Teremos uma Copa do Mundo no Brasil em 2014. E o BRASIL desponta como uma potência mundial em moldes bem diferentes das maiores potências mundiais.
E agora Teremos a Olimpíadas no Brasil em 2016.
Só espero, com muita sinceridade e desejo, estar vivo para assistir a maravilhosa forma de realização deste povo que virá para somar-se a tudo isso que já está acontecendo e que é inquestionável.
Um dia o povo brasileiro não vai mais precisar reconhecer um LULA ou seus homens e mulheres que lutam e que merecem o nosso respeito, pois será um pais mais justo e mais humano.
Só não vê quem não quer.
E digo, apesar da alegria agora, é uma grandiosa resposta àquela vaia de 2007 que o presidente recebeu na abertura dos Jogos Olímpicos Panamericanos. Em que alguns se deram ao trabalho de tentar desmoralizar um presidente por conta dos seus pequenos interesses.
Fico pensando na vergonha que cada um deve sentir ao tomar consciência de um erro. E fica, por fim, tudo em foro íntimo. No foro íntimo da elite brasileira devem haver mais culpas e rancores do que em muito foro íntimo aprisionado nos presídios da vida.
Parabéns ao Povo Brasileiro e trabalhador, por sua capacidade de superar-se e de nunca desistir da luta.
Tá valendo a pena.
Um grande abraço a todos.
Ninguém poderá dizer que LULA não trabalhou por isto.
Ou atribuir todos os méritos a Nuzman ou outro. Ou somente divulgar fotos da delegação e de outros apagando as imagens e sons de Lula defendendo os jogos e emocionando o mundo.
E daqui a muitos anos estes acontecimentos que alguns de nós assistem com muita emoção e orgulho e outros desprezam e entortam com suas opiniões mesquinhas e de fundo odioso, serão lembrados.
Me sinto muito orgulhoso e satisfeito.
Teremos Eleições Diretas para Presidente em 2010 - sem reeleição, nem manobras vergonhosas, só trabalho, trabalho e uma extraordinária esperança realizada.
Teremos uma Copa do Mundo no Brasil em 2014. E o BRASIL desponta como uma potência mundial em moldes bem diferentes das maiores potências mundiais.
E agora Teremos a Olimpíadas no Brasil em 2016.
Só espero, com muita sinceridade e desejo, estar vivo para assistir a maravilhosa forma de realização deste povo que virá para somar-se a tudo isso que já está acontecendo e que é inquestionável.
Um dia o povo brasileiro não vai mais precisar reconhecer um LULA ou seus homens e mulheres que lutam e que merecem o nosso respeito, pois será um pais mais justo e mais humano.
Só não vê quem não quer.
E digo, apesar da alegria agora, é uma grandiosa resposta àquela vaia de 2007 que o presidente recebeu na abertura dos Jogos Olímpicos Panamericanos. Em que alguns se deram ao trabalho de tentar desmoralizar um presidente por conta dos seus pequenos interesses.
Fico pensando na vergonha que cada um deve sentir ao tomar consciência de um erro. E fica, por fim, tudo em foro íntimo. No foro íntimo da elite brasileira devem haver mais culpas e rancores do que em muito foro íntimo aprisionado nos presídios da vida.
Parabéns ao Povo Brasileiro e trabalhador, por sua capacidade de superar-se e de nunca desistir da luta.
Tá valendo a pena.
Um grande abraço a todos.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
"PSDB A FAVOR DO BRAZIL"
O maior golpe do mundo.
Me lembrou a proposta deles de PETROBRAX.
Veja lá a foto no RS URGENTE.
E tem gente que ainda acredita neles.
BRAZIL COM Z É O FIM!
Me lembrou a proposta deles de PETROBRAX.
Veja lá a foto no RS URGENTE.
E tem gente que ainda acredita neles.
BRAZIL COM Z É O FIM!
domingo, 27 de setembro de 2009
RECOMEÇAR TODOS OS DIAS PELO RESTO DE NOSSAS VIDAS
Este título representa parte do nosso esforço cotidiano mais trivial e comezinho. Todos os dias pela manhã precisamos acordar e recomeçar a vida, retomar nossa existência quase como se tudo fosse novo.
A diferença é que nós não recomeçamos tudo, simplesmente continuamos o que começamos ontem, anteontem e dias, meses, anos e décadas atrás. É a nossa vida cara. Ela não acaba quando sonhamos e não acaba quando mudamos de lugar, simplesmente começa um novo capítulo uma nova parte desta história de vida. Não há hipótese de descontinuidade ou de interrupção real do fluxo da nossa vida, pelo menos enquanto estivermos vivendo. Enquanto nada de extraordinariamente arrasador nos arraste para uma vida interrompida ou prejudicada. Nesta situação em que o nosso eu perde suas referências de memória.
Mas ocorrem alguns problemas por aí, com a gente e com outros. Sofremos acidentes, cometemos imprudências e muitas vezes nos precipitamos arriscadamente para fora deste nosso contínuo da nossa existência. Ora a frequência deste acontecimentos não determina ainda a anormalidade das ligações diárias que fazemos ao passado, seja o mais remoto seja o mais recente ou intermediário. Não há porque julgar que não possamos recomeçar todos os dias pelo resto de nossas vidas sem grandes esforços.
O personagem de Sandler, Henry, precisa reinicializar a personagem de Drew Barrymore todos os dias simplesmente - se é que dá para considerar isso simples - porque ela não inicializa legal. Ele casa com ela e monta estratégias de BOOT.
O amor é lindo e a sabedoria o acompanha diria Diotima.
A diferença é que nós não recomeçamos tudo, simplesmente continuamos o que começamos ontem, anteontem e dias, meses, anos e décadas atrás. É a nossa vida cara. Ela não acaba quando sonhamos e não acaba quando mudamos de lugar, simplesmente começa um novo capítulo uma nova parte desta história de vida. Não há hipótese de descontinuidade ou de interrupção real do fluxo da nossa vida, pelo menos enquanto estivermos vivendo. Enquanto nada de extraordinariamente arrasador nos arraste para uma vida interrompida ou prejudicada. Nesta situação em que o nosso eu perde suas referências de memória.
Mas ocorrem alguns problemas por aí, com a gente e com outros. Sofremos acidentes, cometemos imprudências e muitas vezes nos precipitamos arriscadamente para fora deste nosso contínuo da nossa existência. Ora a frequência deste acontecimentos não determina ainda a anormalidade das ligações diárias que fazemos ao passado, seja o mais remoto seja o mais recente ou intermediário. Não há porque julgar que não possamos recomeçar todos os dias pelo resto de nossas vidas sem grandes esforços.
O personagem de Sandler, Henry, precisa reinicializar a personagem de Drew Barrymore todos os dias simplesmente - se é que dá para considerar isso simples - porque ela não inicializa legal. Ele casa com ela e monta estratégias de BOOT.
O amor é lindo e a sabedoria o acompanha diria Diotima.
PEQUENA REFLEXÃO SOBRE EXTERNALISMO, MEMÓRIA E IDENTIDADE
Meu amigo César Schirmer dos Santos está as voltas com um doutorado sobre o tema do externalismo. O César tem até um blog sobre o trabalho dele, em que ele publica coisas, textos e notícias sobre o tema desde 2004, e recomendo muito aos amigos curiosos e aos alunos mais curiosos, chama-se MEMÓRIA e AMBIENTE: Diário de uma tese de filosofia.
Se você entrar no google agora e digitar esta palavra Externalismo encontrará lá um verbete bem construído sobre isto, o que provavelmente foi o próprio César que fez aliás. A conferência da segunda passada, ou melhor o Colóquio Inteiro tratava disto sob diversos enfoques.
Em homenagem ao esforço do meu amigo e ex-colega fiquei pensando num exemplo que talvez ajude ou complique mais o tratamento adequado do tema. Senão vejamos.
Ao assistir uma das exposições fiz notas que depois revisei e fiquei pensando com meus botões durante a semana toda. No almoço, no café da manhã em alguns dias e noites, caminhando e sentado no carro, em sala de aula enquanto tratava de outras questões, inclusive em meio a reuniões sobre outros assuntos.
A minha intuição original foi a seguinte: será que a nossa identidade, aquela que nós encontramos ao acordar de manhã cedinho é determinada pelo ambiente que nos cerca, por uma memória recente de quem nós somos ou por uma programete básico do nosso cérebro tipo aquele conjunto de arquivos do meu computador o do teu que inicializa o nosso sistema antes mesmo de ele lidar com qualquer informação externa, ou por todas estas coisas combinadas e associadas?
Penso que o meus computadores e o meu cérebro não são tão diferentes não. Que aqui como aí precisamos de algumas informações básicas e outras informações mais profundas para sabermos quem somos. Sempre lembro daquele filme do Adam Sandler Como se fosse a primeira vez - o qual prefiro em relação ao Jim Carrey disparadamente. Neste filme, só para lembrar, temos uma mocinha que sofreu um acidente e que amanhece todos os dias pela manhã sem saber o que aconteceu ontem, ela até sabe quem é, sabe quem é o pai e o irmão, mas se casar ontem amanhecerá sem saber disto e provavelmente se aborrecerá com o rapaz que estiver deitado ao lado dela na cama. Em resumo naquele filme ela tem uma memória remota, mas não possui uma memória de eventos próximos no tempo. É uma boa hipótese, pois neste caso ela inicializa o sistema mas perde algumas informações recentes ao fazer isto. Mesmo neste caso, ela preserva sua identidade, porque as informações familiares anteriores ao seu trauma se mantém registradas.
Será que o nosso sistema despertaria igual caso mudassemos de contexto de um dia para o outro. Creio que não. Creio que não é possível isto. Ou seja, mesmo que eu tome um porre homérico ou que me levem para alter terra (ou twin heart) não esquecerei de minha identidade e ao inicializar o meu sistema passarei desde já - como minhas memórias - a reconhecer diferenças e semelhanças entre este ambiente atual e o meu ambiente tradicional de despertar.
Se mudar o contexto não muda o sujeito e o sujeito passa a reconstruir o seu conhecimento ambiental em seguida quase que automaticamente.
Talvez não ajude em nada ao meu amigo, mas já é um começo naturalista para um problema mental do externalismo.
Marcadores:
FILOSOFIA - EXTERNALISMO E INICIALIZAÇÃO
UM PROGRAMA DE FILOSOFIA PARA O TERCEIRO TRIMESTRE
Iniciamos o segundo trimestre deste ano com a pergunta sobre a possibilidade do conhecimento humano.
Vimos que podemos responder a esta pergunta com, pelo menos, dois ou três tipos de respostas.
Sim, o conhecimento é possível.
Não, o conhecimento não é possível.
E, talvez ou depende, se tal e tal for o caso, então o conhecimento é possível.
Ou noutra chavezinha, admitindo-se determinadas condições e restrições, sim o conhecimento é possível, não aceitando-se estas condições, não o conhecimento não é possível.
Sabemos que boa parte dos modernos fazem uma certa opção pela última alternativa, isto é, o conhecimento é possível se consideramos certas condições e somente certas condições.
Apresentei duas versões de respostas deste tipo. Sumariamente as respostas de Rene Descartes e de Immanuel Kant. Uma resposta que é de certa forma inaugural para a filosofia moderna e outra que praticamente fecha a filosofia moderna e dá inicio ou inaugura a filosofia contemporânea.
Registrei que a primeira resposta, aquela de Descartes, inicia-se pelo franco objetivo de demonstrar em que o nosso conhecimento das coisas - de todas as coisas - é muito incerto e duvidoso e que acaba por ser necessário que ele seja completamente reconstruído em sua possibilidade. Passando-se primeiro por um exercício de colocar em dúvida tudo aquilo que nós julgamos ser verdadeiro, passa-se a reconstruir o conhecimento a partir de um fundamento único o Eu Penso, logo existo, o bem conhecido Cogito cartesiano. Afirmei que a principal característica deste método é que ele é conhecido como o Método da Dúvida (da dúvida hiperbólica, exagerada ou sobre todas as coisas como você preferir). Informei também que Descartes inaugura o Racionalismo com isto na idade moderna e que a sua busca das razões acaba por nos embaraçar muito.
Registrei também que a segunda resposta, aquela de Kant, inicia-se pressupondo o conhecimento e sondando a respeito das suas condições de possibilidade, ou seja, a partir das condições que racionalmente tornam possível o conhecimento. Afirmei que este método pode ser chamado de método crítico, ou Filosofia Crítica. E expressei que bem entendidas algumas coisas acabaremos por concluir que o título da obra de Kant A CRÍTICA DA RAZÃO PURA, será vista como um grande exercício de colocar a razão em confronto consigo mesma, colocar a razão à prova de fogo, testá-la e provocá-la a demonstrar sua capacidade e os limites de sua capacidade.
Bem o nosso programa para este trimestre é começar com Kant e acabar em Heidegger e Wittgenstein para tentar mostrar e compreender que os poderes da razão tem por base e por limites elementos práticos ligados ao nosso uso da linguagem e a nossa compreensão do mundo. Ao mesmo tempo veremos que a velha e boa questão do ser pode ser entendida ainda como uma questão desafiadora para o nosso entendimento e racionalidade.
Vimos que podemos responder a esta pergunta com, pelo menos, dois ou três tipos de respostas.
Sim, o conhecimento é possível.
Não, o conhecimento não é possível.
E, talvez ou depende, se tal e tal for o caso, então o conhecimento é possível.
Ou noutra chavezinha, admitindo-se determinadas condições e restrições, sim o conhecimento é possível, não aceitando-se estas condições, não o conhecimento não é possível.
Sabemos que boa parte dos modernos fazem uma certa opção pela última alternativa, isto é, o conhecimento é possível se consideramos certas condições e somente certas condições.
Apresentei duas versões de respostas deste tipo. Sumariamente as respostas de Rene Descartes e de Immanuel Kant. Uma resposta que é de certa forma inaugural para a filosofia moderna e outra que praticamente fecha a filosofia moderna e dá inicio ou inaugura a filosofia contemporânea.
Registrei que a primeira resposta, aquela de Descartes, inicia-se pelo franco objetivo de demonstrar em que o nosso conhecimento das coisas - de todas as coisas - é muito incerto e duvidoso e que acaba por ser necessário que ele seja completamente reconstruído em sua possibilidade. Passando-se primeiro por um exercício de colocar em dúvida tudo aquilo que nós julgamos ser verdadeiro, passa-se a reconstruir o conhecimento a partir de um fundamento único o Eu Penso, logo existo, o bem conhecido Cogito cartesiano. Afirmei que a principal característica deste método é que ele é conhecido como o Método da Dúvida (da dúvida hiperbólica, exagerada ou sobre todas as coisas como você preferir). Informei também que Descartes inaugura o Racionalismo com isto na idade moderna e que a sua busca das razões acaba por nos embaraçar muito.
Registrei também que a segunda resposta, aquela de Kant, inicia-se pressupondo o conhecimento e sondando a respeito das suas condições de possibilidade, ou seja, a partir das condições que racionalmente tornam possível o conhecimento. Afirmei que este método pode ser chamado de método crítico, ou Filosofia Crítica. E expressei que bem entendidas algumas coisas acabaremos por concluir que o título da obra de Kant A CRÍTICA DA RAZÃO PURA, será vista como um grande exercício de colocar a razão em confronto consigo mesma, colocar a razão à prova de fogo, testá-la e provocá-la a demonstrar sua capacidade e os limites de sua capacidade.
Bem o nosso programa para este trimestre é começar com Kant e acabar em Heidegger e Wittgenstein para tentar mostrar e compreender que os poderes da razão tem por base e por limites elementos práticos ligados ao nosso uso da linguagem e a nossa compreensão do mundo. Ao mesmo tempo veremos que a velha e boa questão do ser pode ser entendida ainda como uma questão desafiadora para o nosso entendimento e racionalidade.
IMMANUEL KANT - VERBETE DO DICIONÁRIO
Kant, Immanuel (1724-1804) Um dos filósofos que mais profundamente influenciou a formação da filosofia contemporânea, Kant nasceu em Koenigsberg, na Prússia Oriental (Alemanha), atualmente Kaliningrado na Rússia, onde passou toda a sua vida, tendo chegado a reitor da Universidade de Kõnigsberg, onde foi estudante e professor. O pensamento de Kant é tradicionalmente dividido em duas fases: a pré-crítica (1755- 1780) e a crítica (1781 em diante), que se inicia com a publicação da Crítica da razão pura, sua obra capital. Na fase pré-crítica o pensamento kantiano está totalmente inserido na tradição do sistema metafísico de Leibniz e Wolff, então dominante nos meios acadêmicos alemães. Sua principal obra nesse período é a Dissertação de 1770, com a qual tomou-se catedrático da universidade, e que, embora elaborada dentro do quadro conceitual da metafísica tradicional, prenuncia alguns dos temas centrais da fase crítica, como a questão dos limites da razão e da solução dos problemas metafísicos. A fase crítica se inicia, nas palavras do próprio Kant, por influência de suas leituras dos empiristas ingleses, sobretudo de Hume. É famosa sua afirmação nos Prolegômenos de que “Hume despertou-me de meu sono dogmático”. As objeções céticas de Hume ao racionalismo dogmático e à metafísica especulativa levaram Kant a questionar e reconsiderar essa tradição, ao mesmo tempo procurando defender a possibilidade da ciência e da moral, contra o ceticismo arrasador de Hume. A filosofia crítica se resume, portanto, a quatro grandes questões: 1) 0 que podemos saber? 2) o que devemos fazer? 3) o que temos o direito de esperar? e 4) o que é o homem? Em sua Lógica (1800), Kant afirma que “a filosofia ... é por um lado a ciência da relação entre todo conhecimento e todo uso da razão; e, por outro, do fim último da razão humana, fim este ao qual todos os outros se encontram subordinados e para o qual devem se unificar”. A primeira questão é tratada essencialmente na Crítica da razão pura, em que Kant investiga os limites do emprego da razão no conhecimento, procurando estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento e assim distinguir os usos legítimos da razão na produção de conhecimento, dos usos especulativos da razão que, embora inevitáveis, não produzem conhecimento e devem ser distinguidos da ciência. São duas as fontes do conhecimento humano: a sensibilidade e o enten dimento Através da primeira, os objetos nos são dados; através do segundo, são pensados. Só pela conjugação desses dois elementos é possível a experiência do real. Por outro lado, nossa experiência da realidade é condicionada por essa estrutura em que se combinam sensibilidade e entendimento, de tal forma que só conhecemos realmente o mundo dos fenômenos, da experiência, dos objetos enquanto se relacionam a nós, sujeitos, e não a realidade em si, tal qual ela é, independentemente de qualquer relação de conhecimento, O método transcendental, que Kant então formula, caracteriza-se precisamente como análise das condições de possibilidade do conhecimento, ou seja, como reflexão crítica sobre os fundamentos da ciência e da experiência em geral. A Crítica da razão prática (1788) analisa os fundamentos da lei moral, formulando o famoso princípio do imperativo categórico: “age de tal forma que a norma de tua ação possa ser tomada como lei universal” Trata-se de um princípio formal e univer sal estabelecendo que só devemos basear nossa conduta em valores que todos possam adotar, embora não prescrevendo especificamente quais são esses valores. Na Crítica da faculdade dejulgar (1790), Kant procura estabelecer as bases objetivas para o juízo estético, em um princípio semelhante ao ético. Na verdade, essa obra vai além da questão da estética, envolvendo todo juízo teleológico e o reconhecimento de um fim ou propósito que daria sentido à natureza. Assim, “a beleza é a forma da finalidade em um objeto, percebido entretanto separadamente da representação de um fim”. Kant escreveu alnda outras obras de grande importância como os Prolegômenos a toda metafísica finura (1783), que pretende ser uma retomada das idéias da Crítica da razão pura de forma mais acessível; os Fundamentos da metafísica dos costumes (1785), que também tratam da questão ética; um tratado sobre a Religião nos limites da simples razão (1793); uma obra política, o Tratado sobre a paz perpétua(1795); a Antropologia de um ponto de vista pragmático (1798); a Lógica (1800); além de vários outros textos dentre os quais se destacam “A idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita’ (1784), considerado como origem da filosofia alemã da história; e “O que significa o iluminismo’?” (1783), em que analisa o racionalismo iluminista e seu projeto filosófico.
FONTE: DICIONÁRIO BÁSICO DE FILOSOFIA. Hilton Japiassú & Danilo Marcondes. 4ª Edição revista e ampliada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pp. 158-159.
(obs. Obra que faz parte do Acervo do Programa Nacional Biblioteca de Escola para o Ensino Médio – PNBEM/2008 custeado com recursos do FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação do Brasil – encontra-se no acervo da biblioteca da escola.)
Recomendo a consulta para outros verbetes.
FONTE: DICIONÁRIO BÁSICO DE FILOSOFIA. Hilton Japiassú & Danilo Marcondes. 4ª Edição revista e ampliada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pp. 158-159.
(obs. Obra que faz parte do Acervo do Programa Nacional Biblioteca de Escola para o Ensino Médio – PNBEM/2008 custeado com recursos do FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação do Brasil – encontra-se no acervo da biblioteca da escola.)
Recomendo a consulta para outros verbetes.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
FILOSOFIA - COMO É BOM RESPIRAR TEU AR.....
Segunda-feira passada, após 12 anos de afastamento voltei à minha faculdade para assistir a uma aula da pós graduação, ou melhor uma conferência de um de meus mestres preferidos.
Como é bom o fluxo do pensamento, o bom debate, a controvérsia racional e o espírito gracioso que sempre aparece quando as idéias ganham importãncia real.
Me senti satisfeito, por um lado, por não ter tantas dificuldades para acompanhar uma exposição extremamente técnica e complexa de um tema, mas que foi feita com a clareza devida. Também me senti satisfeito, por outro lado, porque reacenderam-se boas e velhas dúvidas que não ouso responder abruptamente e que continuam a me desafiar. Não vou resumir isto aqui, porque melhor mesmo é citar o texto que evoca este debate.
Bem, só quem já bebeu desta fonte sabe o sabor desta água. Só quem já respirou estes ares sabe o quanto meus pulmões vibraram. Mas é só um sentimento. Não expresso aqui nenhuma idéia.
Fica só um registro afetivo.
Outro dia falarei das idéias.
Como é bom o fluxo do pensamento, o bom debate, a controvérsia racional e o espírito gracioso que sempre aparece quando as idéias ganham importãncia real.
Me senti satisfeito, por um lado, por não ter tantas dificuldades para acompanhar uma exposição extremamente técnica e complexa de um tema, mas que foi feita com a clareza devida. Também me senti satisfeito, por outro lado, porque reacenderam-se boas e velhas dúvidas que não ouso responder abruptamente e que continuam a me desafiar. Não vou resumir isto aqui, porque melhor mesmo é citar o texto que evoca este debate.
Bem, só quem já bebeu desta fonte sabe o sabor desta água. Só quem já respirou estes ares sabe o quanto meus pulmões vibraram. Mas é só um sentimento. Não expresso aqui nenhuma idéia.
Fica só um registro afetivo.
Outro dia falarei das idéias.
sábado, 19 de setembro de 2009
Nossa Virtudes, Nossas Façanhas
A REVOLUÇÃO FARROUPILHA situa-se na história do Rio Grande como um problema interpretativo. As declarações dos seus líderes ao longo dos seus dez anos de determinada independência frente ao Império (1835-1945), o que é uma façanha, oscilaram entre o separatismo republicano e liberal e a mera constestação dentro do sistema monárquico (FLORES. 1998). Mas este problema não tira o mérito da iniciativa social - a sua virtude, representada pela revolução. Pois a revolução era liberal em suas divisas LIBERDADE, IGUALDADE e HUMANIDADE e, ao mesmo tempo, tinha o objetivo de movimentar um pouco mais a população gaúcha já tão adaptada à defesa não bem correspondida do território Brasileiro. E isso fez-se HISTÓRIA, colocando-nos como protagonistas dos grandes momentos do Brasil.
Sabe-se, com rigor, que as relações políticas e econômicas entre o Regime Monárquico e os cidadãos da Província de São Pedro não eram lá essas coisas. Do ponto de vista ECONÕMICO, a província era sobretaxada pelo Império. Do ponto de vista POLÍTICO, a Província de São Pedro era absolutamente submetida às vontades do Império, com nenhum poder de auto-determinação. Sejam estes cidadãos poucos dentro de uma sociedade de classes cuja hierarquia era determinada pela propriedade da terra, das armas ou da lei, ou os muitos que constituiam a base social de escravos, peões, colonos, soldados, pequenos comerciantes, etc.
De qualquer modo, o maior mérito da Revolução Farroupilha talvez tenha sido justamente ter provocado, semeado e aprofundado uma certa UNIDADE POPULAR de caráter liberal, que fizesse frente aos poderes ilimitados e excessivos do regime e de seus representantes. A Revolução Farroupilha, de certo modo, nem foi uma revolução, pois que a ruptura por ela produzida não foi duradoura, mas e daí? Afinal, a Revolução Francesa também teve seus retrocessos em Napoleão e após Napoleão. E a Revolução Russa idem.
Mas porque, então, nos orgulhamos dela? Será que é porque ela foi farroupilha, farrapa, ou seja, um levante dos miseráveis, dos maltrapilhos, dos esfarrapados? Em parte sim, mas já se sabe bem que a tal Revolução Farroupilha tinha um LIBERALISMO dirigido à satisfação dos interesses da elite dos estancieiros e dos grandes comerciantes exportadores e importadores, não aos anseios de liberdade do populacho. Mas isso não rebaixa o nosso orgulho. Por quê? Talvez porque a Revolução Farroupilha seja a extrema expressão da virtude preferida aqui nesse território.
Pois então vejamos. O que há de comum entre os Heróis da Revolução, as diversas batalhas da Revolução e os Movimentos Revolucionários, isto é, em todos os PROTAGONISTAS e FATOS da Revolução, mesmo naqueles que se colocavam ao lado do Império? O que tinham de "mais" Bento Gonçalves, Davia Canabarro, Giuseppe Garibaldi, Anita Garibaldi, Bento Manuel Ribeiro, General Neto e os "outros"? O que tinham de "mais" a tomada da capital pelos Farrapos, a Batalha de Fanfa, o Combate do Taquari, a Retomada da Capital e etc.? Qual era a graça desses senhores e dessa senhora, quais eram as graças destes eventos?
Parece que, indubitavelmente, a Revolução Farroupilha serve para nos indicar uma certa VIRTUDE que produzirá sempre FAÇANHAS quando for acompanhada dos meios adequados para o seu exercício. Isto é, ela aponta a virtude da coragem a qual, como já dizia o Filosófo é a condição para o exercício de qualquer outra virtude, mas que depende de um juízo avaliativo prudencial que seja capaz de medir as possibilidades de sucesso, para a evitar a gravidade da desventura ou da infelicidade pela iniciativa tomada.
Os Gaúchos admiram a CORAGEM e, ao mesmo tempo, não se sentem muito bem até hoje quando tentam rebaixá-los ou dominá-los. Isso tudo tem um caráter profundamente libertário, pois, apesar de suas características conservadoras, os gaúchos estimam também a liberdade de pensamento - um sinal de coragem, e, assim, julgam até comum e adaptam-se muito bem às diferenças de opinião, posição e preferência. Talvez essa seja a lição importante hoje, saber que nossas façanhas só são possíveis por causa de nossas virtudes. Esta lição que a Revolução Farroupilha nos coloca, com mérito e rigor, merece aplicação no presente e no desenho do futuro.
COMISSÃO ORGANIZADORA
DA SEMANA FARROUPILHA
ESCOLA ESTADUAL OLINDO FLORES DA SILVA
SETEMBRO DE 2000
PS.: Este é um texto feito para um belo trabalho realizado no ano de 2000 na escola. Houve, inclusive, acampamento Farroupilha na escola naquele ano. As controvérsias histórica merecem uma discussão à parte. recomendo agora uma visita no Blog Diário gauche que faz um bom debate sobre a comparação entre o 20 de setembro e o 14 de julho na história do Rio Grande do Sul. Um debate bem respeitável e admirável por sinal. Recomendo também a leitura de textos sobre patriotismo aqui neste Blog e sobre o Hino do Rio Grande no Blog do Nassif.
Sabe-se, com rigor, que as relações políticas e econômicas entre o Regime Monárquico e os cidadãos da Província de São Pedro não eram lá essas coisas. Do ponto de vista ECONÕMICO, a província era sobretaxada pelo Império. Do ponto de vista POLÍTICO, a Província de São Pedro era absolutamente submetida às vontades do Império, com nenhum poder de auto-determinação. Sejam estes cidadãos poucos dentro de uma sociedade de classes cuja hierarquia era determinada pela propriedade da terra, das armas ou da lei, ou os muitos que constituiam a base social de escravos, peões, colonos, soldados, pequenos comerciantes, etc.
De qualquer modo, o maior mérito da Revolução Farroupilha talvez tenha sido justamente ter provocado, semeado e aprofundado uma certa UNIDADE POPULAR de caráter liberal, que fizesse frente aos poderes ilimitados e excessivos do regime e de seus representantes. A Revolução Farroupilha, de certo modo, nem foi uma revolução, pois que a ruptura por ela produzida não foi duradoura, mas e daí? Afinal, a Revolução Francesa também teve seus retrocessos em Napoleão e após Napoleão. E a Revolução Russa idem.
Mas porque, então, nos orgulhamos dela? Será que é porque ela foi farroupilha, farrapa, ou seja, um levante dos miseráveis, dos maltrapilhos, dos esfarrapados? Em parte sim, mas já se sabe bem que a tal Revolução Farroupilha tinha um LIBERALISMO dirigido à satisfação dos interesses da elite dos estancieiros e dos grandes comerciantes exportadores e importadores, não aos anseios de liberdade do populacho. Mas isso não rebaixa o nosso orgulho. Por quê? Talvez porque a Revolução Farroupilha seja a extrema expressão da virtude preferida aqui nesse território.
Pois então vejamos. O que há de comum entre os Heróis da Revolução, as diversas batalhas da Revolução e os Movimentos Revolucionários, isto é, em todos os PROTAGONISTAS e FATOS da Revolução, mesmo naqueles que se colocavam ao lado do Império? O que tinham de "mais" Bento Gonçalves, Davia Canabarro, Giuseppe Garibaldi, Anita Garibaldi, Bento Manuel Ribeiro, General Neto e os "outros"? O que tinham de "mais" a tomada da capital pelos Farrapos, a Batalha de Fanfa, o Combate do Taquari, a Retomada da Capital e etc.? Qual era a graça desses senhores e dessa senhora, quais eram as graças destes eventos?
Parece que, indubitavelmente, a Revolução Farroupilha serve para nos indicar uma certa VIRTUDE que produzirá sempre FAÇANHAS quando for acompanhada dos meios adequados para o seu exercício. Isto é, ela aponta a virtude da coragem a qual, como já dizia o Filosófo é a condição para o exercício de qualquer outra virtude, mas que depende de um juízo avaliativo prudencial que seja capaz de medir as possibilidades de sucesso, para a evitar a gravidade da desventura ou da infelicidade pela iniciativa tomada.
Os Gaúchos admiram a CORAGEM e, ao mesmo tempo, não se sentem muito bem até hoje quando tentam rebaixá-los ou dominá-los. Isso tudo tem um caráter profundamente libertário, pois, apesar de suas características conservadoras, os gaúchos estimam também a liberdade de pensamento - um sinal de coragem, e, assim, julgam até comum e adaptam-se muito bem às diferenças de opinião, posição e preferência. Talvez essa seja a lição importante hoje, saber que nossas façanhas só são possíveis por causa de nossas virtudes. Esta lição que a Revolução Farroupilha nos coloca, com mérito e rigor, merece aplicação no presente e no desenho do futuro.
COMISSÃO ORGANIZADORA
DA SEMANA FARROUPILHA
ESCOLA ESTADUAL OLINDO FLORES DA SILVA
SETEMBRO DE 2000
PS.: Este é um texto feito para um belo trabalho realizado no ano de 2000 na escola. Houve, inclusive, acampamento Farroupilha na escola naquele ano. As controvérsias histórica merecem uma discussão à parte. recomendo agora uma visita no Blog Diário gauche que faz um bom debate sobre a comparação entre o 20 de setembro e o 14 de julho na história do Rio Grande do Sul. Um debate bem respeitável e admirável por sinal. Recomendo também a leitura de textos sobre patriotismo aqui neste Blog e sobre o Hino do Rio Grande no Blog do Nassif.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
PROPOSTA DE DIRETRIZES GERAIS PARA UM PROGRAMA DE GESTÃO DA ESCOLA PÚBLICA
CINCO PROPOSTAS DE GESTÃO
1. DEMOCRATIZAÇÃO;
2. HUMANIZAÇÃO;
3. MODERNIZAÇÃO;
4. QUALIFICAÇÃO;
5. PROFISSIONALIZAÇÃO.
E a partir destas diretrizes gerais definir ações, concepções e metas específicas.
Manter sob avaliação constante as ações e metas e sistematizar resultados.
1. DEMOCRATIZAÇÃO;
2. HUMANIZAÇÃO;
3. MODERNIZAÇÃO;
4. QUALIFICAÇÃO;
5. PROFISSIONALIZAÇÃO.
E a partir destas diretrizes gerais definir ações, concepções e metas específicas.
Manter sob avaliação constante as ações e metas e sistematizar resultados.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
CARTA SOBRE RECONHECIMENTO AO PROFESSOR QUE QUER COLABORAÇÃO
Caro Professor
Gostaria de lhe dar respeitosamente conhecimento da minha compreensão superficial do ponto que discutimos na ocasião da sua apresentação.
Quero fazer isso por boas razões.
A primeira é que realmente gostei do seu livro e que este me desperta o interesse de dialogar com o senhor em continuidade sobre esse e outros pontos, se assim o senhor quiser.
A segunda é que creio que o melhor diálogo filosófico é aquele que podemos fazer por escrito.
E a terceira é talvez fruto da minha exclusiva vaidade e engano, mas para mim é a importância daquilo que eu penso sobre filosofia e da sua relação com a escola à qual eu pertenço por formação e influência. Nessa terceira razão encontra-se um trabalho que eu realizei para o Professor Balthazar Barbosa Filho com o título “O medo racional em Hobbes: uma certa “leitura” da natureza humana na origem do estado” (abril de 1996) o qual, ainda que superficialmente e de um modo inacabado, toca com alguns pontos de convergência em suas lições e em outros trabalhos dos membros do departamento de filosofia.
Um bom conceito não tem obrigações determinadas por preferências. É o uso, aquilo de que o conceito é capaz, que se impõe através dele. É por isso que a categoria de reconhecimento pode substituir contemporaneamente, sem problemas e com vantagens, a categoria de dominação e, também, a categoria de colaboração - ainda que bem determinada. Pois tanto o “dominar” quanto o “colaborar” dependem para serem compreendidos, seja como violentos, seja como livres e ideais, de um reconhecimento prévio de algo. A discussão de fundo é, quero assim mostrar, não sobre palavras mas sobre conceitos com significação aproximada mas diversos nas suas formas e posições de uso.
A categoria da dominação é dada da mesma forma que qualquer outra categoria, isto é, através de um acordo nos juízos. Ora, um acordo nos juízos é provavelmente o objeto por excelência de uma forma original de reconhecimento que deve ser, para qualquer discurso, levada em conta, sob pena desse discurso não ser compreendido, nem surtir os efeitos que ele procura (Austin).
Uma humilde compreensão da dominação permite discriminar o conteúdo violento do fenômeno do seu conteúdo inteligível - desde que não se seja a vítima e se possa reconstituir o processo de uma forma suave de compreensão. Isso quer dizer, então, que toda violência, da banal à outra, tem sempre um juízo subjacente que deve ser procurado.
Este juízo indica outros juízos - mesmo que nós só encontremos neles uma aproximação, eles são indicativos das expressões que sucedem e antecedem no curso do processo. Assim, não será difícil destacar da forma primária de violência uma interpelação do juízo ou, mais ainda, uma obrigação e uma força.
A força, vai se observar, não é simplesmente dirigida aos sujeitos de submissão ou de reconhecimento simplesmente, ela é dirigida intencionalmente a certa ação ou omissão dos sujeitos.
Isso significa que é possível extrair do fenômeno processado o tipo de juízo que é dirigido pelo agente aos sujeitos com a finalidade de obter algo. Seja a obediência a uma ordem, seja o acatamento de uma restrição, seja a autoridade mesma do agente, por parte dos sujeitos através das suas posteriores ações, às quais para demonstrarem acordo nos juízos e obterem efeito precisam de reconhecimento em algum sentido pleno.
Com a categoria da colaboração ou co-participação, creio que o reconhecimento tem anterioridade, principalmente porque, concedendo que o colaborar não tem uma mera expressão no “colaboracionismo”, o colaborar é derivado de uma conjunção entre as expressões “comum” e “labor”. Sendo a primeira referida necessariamente a um juízo e podendo, inclusive, ser parafraseada com “fazer em comum com outros algo” o que faz o juízo envolver pelo menos a admissão de um outro juízo de caráter intencional em que “esse algo parece ser x” para todos é subjacente, o que, ainda assim, envolve um reconhecimento compartilhado de algo. Já a segunda expressão da conjunção envolve não somente um objeto intencional em comum no juízo de alguns, mas também uma atividade objetiva que é recíproca e feita em comum externamente. O “colaborar” é, portanto, uma categoria importante, mas a sua compreensão envolve a compreensão de uma categoria mais fundamental, a saber, a categoria de reconhecimento.
Se o senhor permitir a minha sugestão eu creio que a substituição da categoria “colaborar” por “reconhecimento” na passagem do seu texto especificada indica uma análise interessante e vantajosa do fenômeno do poder de um ponto de vista do filósofo político contemporâneo que corrobora a sua análise, pois se admitimos que:
“Temos, aqui, um processo que estabelece a transição do súdito ao cidadão, daquele que obedece pura e simplesmente para aquele que, em sua obediência, participa dos processos decisórios.” (ROSENFIELD. Lições de Filosofia Política, p.45).
Me parece ser necessária a consequencia de que esta forma de participação, para romper a mera dominação pela força, com consentimento, deve apresentar um sentido no juízo que é reconhecido como racional o que, sendo um reconhecimento livre, é um reconhecimento não mais da mera força do estado ao qual se obedece, mas sim de um juízo no qual esse cidadão pode declarar:
“O estado é a expressão do meu interesse racional e é por mim assim reconhecido.”
Como isto parece ser de consenso, tal adesão racional à regras que provavelmente tem mesmo por objeto “o poder do regramento legal justificado” (Lições, cap. 1), depende do reconhecimento e do cultivo mais elaborado das formas de reconhecimento que é dado pela educação e não da violência ou do medo da força eminente do estado.
Que a lição da razão ( eivada de realidade ) deve, ainda que distante da sua completa realização e sujeita aos acidentes da história, ser motivacional e, por isso mesmo, permitir uma boa esperança aos agentes políticos que a reconhecem.
Uma análise dessa raiz intencional parece, aliás, ser muito fértil na resolução e interpretação de fenômenos políticos de baixa ou de fina estirpe. Se não estou enganado é isto um ponto que o Prof. Brum Torres permite extrair do seu artigo “Actes Foundateurs dans le Domaine Politique”.
O “reconhecimento”, sobre o qual podemos falar em outra ocasião um pouco mais, parece envolver, no que diz respeito aos direitos humanos e no que toca às diferenças sociais duas condições de reconhecimento necessário: aos primeiros o reconhecimento de direitos comuns aos homens em modalidades jurídicas, às segundas as condições de reconhecimento e a interpretação explícita e consistente da realidade e a busca das causas das diferenças sociais, as quais, também, via boa percepção e sensibilidade social (Aristóteles) podem levar à possibilidade da sua supressão.
Aí entra, novamente, a desejada por muitos educação republicana sugerida pelo prof. João Carlos Brum Torres. O pessimismo contrário a estas idéias repousa sobre uma emergência das análises do caráter e da pessoa com certa aversão bem demonstrada à regras, a qual por hábito e interesse de legitimação é a mesma que consegue tornar as suas razões mais veiculadas que o estado.
Devo confessar, finalmente, que não tenho uma formação hegeliana para dirimir, compreender ou interpretar aqui o conceito hegeliano de “reconhecimento”, mas que, se como o senhor afirmou, trata-se do reconhecimento recíproco entre desiguais (o que é necessariamente um evento dialético), por exemplo, o senhor e o escravo, pode ser interessante, para a continuidade da análise da obediência e das suas formas, que se entenda o reconhecimento da autoridade, como uma modalidade de reconhecimento de juízos e, portanto, de interesses por parte tanto dos agentes quanto dos sujeitos políticos e, também, morais.
Dito isso, acrescento também que admitida a tal intransparencia pós-moderna (como diz Habermas em A nova Intransparência), podemos buscar ou apenas desejar superá-la pela razão. A continuidade na compreensão disso me parece ser parte da fortuna da escola à qual nós, quiçá o senhor e os outros professores deste departamento de filosofia estão destinados com certeza, na filosofia civil e política da cidade de Porto Alegre, do estado do Rio Grande do Sul e, também, do Brasil.
Atenciosamente, agradeço o estímulo dado a esta missiva um pouco ingênua pela sua obra.
Daniel Adams Boeira - UFRGS - Porto Alegre, 18/07/96
OS.: Um dia eu escrevi isto que me parece ser um profundo divisor de águas, por mais simples e singelo que pareça. Foi a objeção de um aluno a um mestre, mas abriu-se ali um verdadeiro abismo filosófico que hoje tem muito mais sentido do que tinha então. Na época recebi um comentário de quês esta pequena diferença atravessa séculos de filosofia com sua matriz na Grécia antiga justamente entre a democracia e a tirania. Justamente entre a filosofia e o dogmatismo. E lembro que só hoje consigo compreender a diferença real disto tudo. Pois a diferença conceitual (ou nominal) pode até preceder na ordem de compreensão a diferença real, mas a diferença real é aquela que realmente faz sentido na nossa história e na nossa vida. Talvez só os colegas de escola lembrem exatamente o contexto decisivo deste debate lá na Universidade em 1996. Para mim começou ali o meu divórcio intuitivo de idéias e posições.
A questão de fundo aí é: o que vem antes reconhecimento ou colaboração? E é uma questão que só faz sentido se pensarmos na genese cognitiva do poder.
São Leopoldo – 17 de setembro de 2009.
Gostaria de lhe dar respeitosamente conhecimento da minha compreensão superficial do ponto que discutimos na ocasião da sua apresentação.
Quero fazer isso por boas razões.
A primeira é que realmente gostei do seu livro e que este me desperta o interesse de dialogar com o senhor em continuidade sobre esse e outros pontos, se assim o senhor quiser.
A segunda é que creio que o melhor diálogo filosófico é aquele que podemos fazer por escrito.
E a terceira é talvez fruto da minha exclusiva vaidade e engano, mas para mim é a importância daquilo que eu penso sobre filosofia e da sua relação com a escola à qual eu pertenço por formação e influência. Nessa terceira razão encontra-se um trabalho que eu realizei para o Professor Balthazar Barbosa Filho com o título “O medo racional em Hobbes: uma certa “leitura” da natureza humana na origem do estado” (abril de 1996) o qual, ainda que superficialmente e de um modo inacabado, toca com alguns pontos de convergência em suas lições e em outros trabalhos dos membros do departamento de filosofia.
Um bom conceito não tem obrigações determinadas por preferências. É o uso, aquilo de que o conceito é capaz, que se impõe através dele. É por isso que a categoria de reconhecimento pode substituir contemporaneamente, sem problemas e com vantagens, a categoria de dominação e, também, a categoria de colaboração - ainda que bem determinada. Pois tanto o “dominar” quanto o “colaborar” dependem para serem compreendidos, seja como violentos, seja como livres e ideais, de um reconhecimento prévio de algo. A discussão de fundo é, quero assim mostrar, não sobre palavras mas sobre conceitos com significação aproximada mas diversos nas suas formas e posições de uso.
A categoria da dominação é dada da mesma forma que qualquer outra categoria, isto é, através de um acordo nos juízos. Ora, um acordo nos juízos é provavelmente o objeto por excelência de uma forma original de reconhecimento que deve ser, para qualquer discurso, levada em conta, sob pena desse discurso não ser compreendido, nem surtir os efeitos que ele procura (Austin).
Uma humilde compreensão da dominação permite discriminar o conteúdo violento do fenômeno do seu conteúdo inteligível - desde que não se seja a vítima e se possa reconstituir o processo de uma forma suave de compreensão. Isso quer dizer, então, que toda violência, da banal à outra, tem sempre um juízo subjacente que deve ser procurado.
Este juízo indica outros juízos - mesmo que nós só encontremos neles uma aproximação, eles são indicativos das expressões que sucedem e antecedem no curso do processo. Assim, não será difícil destacar da forma primária de violência uma interpelação do juízo ou, mais ainda, uma obrigação e uma força.
A força, vai se observar, não é simplesmente dirigida aos sujeitos de submissão ou de reconhecimento simplesmente, ela é dirigida intencionalmente a certa ação ou omissão dos sujeitos.
Isso significa que é possível extrair do fenômeno processado o tipo de juízo que é dirigido pelo agente aos sujeitos com a finalidade de obter algo. Seja a obediência a uma ordem, seja o acatamento de uma restrição, seja a autoridade mesma do agente, por parte dos sujeitos através das suas posteriores ações, às quais para demonstrarem acordo nos juízos e obterem efeito precisam de reconhecimento em algum sentido pleno.
Com a categoria da colaboração ou co-participação, creio que o reconhecimento tem anterioridade, principalmente porque, concedendo que o colaborar não tem uma mera expressão no “colaboracionismo”, o colaborar é derivado de uma conjunção entre as expressões “comum” e “labor”. Sendo a primeira referida necessariamente a um juízo e podendo, inclusive, ser parafraseada com “fazer em comum com outros algo” o que faz o juízo envolver pelo menos a admissão de um outro juízo de caráter intencional em que “esse algo parece ser x” para todos é subjacente, o que, ainda assim, envolve um reconhecimento compartilhado de algo. Já a segunda expressão da conjunção envolve não somente um objeto intencional em comum no juízo de alguns, mas também uma atividade objetiva que é recíproca e feita em comum externamente. O “colaborar” é, portanto, uma categoria importante, mas a sua compreensão envolve a compreensão de uma categoria mais fundamental, a saber, a categoria de reconhecimento.
Se o senhor permitir a minha sugestão eu creio que a substituição da categoria “colaborar” por “reconhecimento” na passagem do seu texto especificada indica uma análise interessante e vantajosa do fenômeno do poder de um ponto de vista do filósofo político contemporâneo que corrobora a sua análise, pois se admitimos que:
“Temos, aqui, um processo que estabelece a transição do súdito ao cidadão, daquele que obedece pura e simplesmente para aquele que, em sua obediência, participa dos processos decisórios.” (ROSENFIELD. Lições de Filosofia Política, p.45).
Me parece ser necessária a consequencia de que esta forma de participação, para romper a mera dominação pela força, com consentimento, deve apresentar um sentido no juízo que é reconhecido como racional o que, sendo um reconhecimento livre, é um reconhecimento não mais da mera força do estado ao qual se obedece, mas sim de um juízo no qual esse cidadão pode declarar:
“O estado é a expressão do meu interesse racional e é por mim assim reconhecido.”
Como isto parece ser de consenso, tal adesão racional à regras que provavelmente tem mesmo por objeto “o poder do regramento legal justificado” (Lições, cap. 1), depende do reconhecimento e do cultivo mais elaborado das formas de reconhecimento que é dado pela educação e não da violência ou do medo da força eminente do estado.
Que a lição da razão ( eivada de realidade ) deve, ainda que distante da sua completa realização e sujeita aos acidentes da história, ser motivacional e, por isso mesmo, permitir uma boa esperança aos agentes políticos que a reconhecem.
Uma análise dessa raiz intencional parece, aliás, ser muito fértil na resolução e interpretação de fenômenos políticos de baixa ou de fina estirpe. Se não estou enganado é isto um ponto que o Prof. Brum Torres permite extrair do seu artigo “Actes Foundateurs dans le Domaine Politique”.
O “reconhecimento”, sobre o qual podemos falar em outra ocasião um pouco mais, parece envolver, no que diz respeito aos direitos humanos e no que toca às diferenças sociais duas condições de reconhecimento necessário: aos primeiros o reconhecimento de direitos comuns aos homens em modalidades jurídicas, às segundas as condições de reconhecimento e a interpretação explícita e consistente da realidade e a busca das causas das diferenças sociais, as quais, também, via boa percepção e sensibilidade social (Aristóteles) podem levar à possibilidade da sua supressão.
Aí entra, novamente, a desejada por muitos educação republicana sugerida pelo prof. João Carlos Brum Torres. O pessimismo contrário a estas idéias repousa sobre uma emergência das análises do caráter e da pessoa com certa aversão bem demonstrada à regras, a qual por hábito e interesse de legitimação é a mesma que consegue tornar as suas razões mais veiculadas que o estado.
Devo confessar, finalmente, que não tenho uma formação hegeliana para dirimir, compreender ou interpretar aqui o conceito hegeliano de “reconhecimento”, mas que, se como o senhor afirmou, trata-se do reconhecimento recíproco entre desiguais (o que é necessariamente um evento dialético), por exemplo, o senhor e o escravo, pode ser interessante, para a continuidade da análise da obediência e das suas formas, que se entenda o reconhecimento da autoridade, como uma modalidade de reconhecimento de juízos e, portanto, de interesses por parte tanto dos agentes quanto dos sujeitos políticos e, também, morais.
Dito isso, acrescento também que admitida a tal intransparencia pós-moderna (como diz Habermas em A nova Intransparência), podemos buscar ou apenas desejar superá-la pela razão. A continuidade na compreensão disso me parece ser parte da fortuna da escola à qual nós, quiçá o senhor e os outros professores deste departamento de filosofia estão destinados com certeza, na filosofia civil e política da cidade de Porto Alegre, do estado do Rio Grande do Sul e, também, do Brasil.
Atenciosamente, agradeço o estímulo dado a esta missiva um pouco ingênua pela sua obra.
Daniel Adams Boeira - UFRGS - Porto Alegre, 18/07/96
OS.: Um dia eu escrevi isto que me parece ser um profundo divisor de águas, por mais simples e singelo que pareça. Foi a objeção de um aluno a um mestre, mas abriu-se ali um verdadeiro abismo filosófico que hoje tem muito mais sentido do que tinha então. Na época recebi um comentário de quês esta pequena diferença atravessa séculos de filosofia com sua matriz na Grécia antiga justamente entre a democracia e a tirania. Justamente entre a filosofia e o dogmatismo. E lembro que só hoje consigo compreender a diferença real disto tudo. Pois a diferença conceitual (ou nominal) pode até preceder na ordem de compreensão a diferença real, mas a diferença real é aquela que realmente faz sentido na nossa história e na nossa vida. Talvez só os colegas de escola lembrem exatamente o contexto decisivo deste debate lá na Universidade em 1996. Para mim começou ali o meu divórcio intuitivo de idéias e posições.
A questão de fundo aí é: o que vem antes reconhecimento ou colaboração? E é uma questão que só faz sentido se pensarmos na genese cognitiva do poder.
São Leopoldo – 17 de setembro de 2009.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
FOGO
Essa foi demais mesmo.
Espero que sirva de alerta aos ditos conselheiros místicos da senhora desgovernadora de que as coisas vão muito mal mesmo, incluso, no chamado domínio dos elementais.
Assisti ao vídeo e concluo que quem montou aquela geringonça para a chama criola é um verdadeiro tolo. A desgovernadora escapou de algo que poderia ter sido pior. Mas não deixa de ser vergonhoso como diz a minha sogra. Uma muié que não consegue nem acender o fogo direito. Nossa...
Só faltava esta nos pagos, um candieiro descontrolado e uma cerimônia que mais parece um festim diabólico. Que fase hein dotora!!!
Larga mão....
Espero que sirva de alerta aos ditos conselheiros místicos da senhora desgovernadora de que as coisas vão muito mal mesmo, incluso, no chamado domínio dos elementais.
Assisti ao vídeo e concluo que quem montou aquela geringonça para a chama criola é um verdadeiro tolo. A desgovernadora escapou de algo que poderia ter sido pior. Mas não deixa de ser vergonhoso como diz a minha sogra. Uma muié que não consegue nem acender o fogo direito. Nossa...
Só faltava esta nos pagos, um candieiro descontrolado e uma cerimônia que mais parece um festim diabólico. Que fase hein dotora!!!
Larga mão....
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
LENIN - OS ENSINAMENTOS DA CRISE
LAS ENSEÑANZAS DE LA CRISIS
Vladimir Ilich Lenin
Publicado en el periódico Iskra, núm. 7, agosto de 1901.
Hace ya casi dos años que se prolonga la crisis comercial e industrial. Según todas las apariencias, se extiende cada vez más, abarca nuevas ramas de la industria y nuevas regiones, y se ahonda con nuevos colapsos bancarios. Nuestro periódico, desde el mes de diciembre del año pasado, ha venido señalando en cada uno de sus números, en una u otra forma, la evolución de la crisis y sus desastrosos efectos. Ha llegado el momento de plantear el problema general de las causas y el significado de este fenómeno. Para Rusia es relativamente nuevo, como lo es todo nuestro capitalismo. En cambio, en los viejos países capitalistas — o sea, en aquellos donde la mayoría de los productos se fabrican para la venta, donde la mayoría de los obreros no poseen tierra ni instrumentos de labranza y venden su fuerza de trabajo a otros, a los propietarios de tierras, fábricas, máquinas, etc. — , las crisis son un fenómeno antiguo que se repite de tiempo en tiempo, como los abscesos de una enfermedad crónica. Por lo tanto, cuando el capitalismo comenzó a desarrollarse en Rusia de manera particularmente rápida, la literatura socialdemócrata pronosticó la crisis actual. En el folleto Tareas de los socialdemócratas rusos, escrito a fines de 1897, se decía: “Es evidente que en el momento actual estamos en el período del ciclo capitalista [en el cual se repiten los mismos acontecimientos, como se repiten el invierno y el verano] en que la industria ‘prospera', el comercio es muy activo, las fábricas trabajan a pleno rendimiento y aparecen, como hongos después de la lluvia, en número incontable, nuevas fábricas, nuevas empresas, sociedades anónimas, la construcción de ferrocarriles, etc., etc. No hay que ser profeta para predecir la bancarrota inevitable (más o menos violenta) que debe seguir a esta ‘prosperidad' de la industria. Tal bancarrota arruinará a gran número de pequeños patronos, convertirá en desocupados a gran número de obreros...” La bancarrota se produjo, y de manera tan violenta como Rusia jamás conoció hasta el presente. ¿Cuál es la causa de esta terrible enfermedad crónica de la sociedad capitalista, que se repite con tanta regularidad que se puede predecir su aparición?
La producción capitalista no puede desarrollarse de otro modo que a saltos: dos pasos adelante y un paso (algunas veces dos) atrás. Como hemos observado ya, la producción capitalista es producción para la venta, producción de mercancías para el mercado. Quienes disponen de esa producción son los capitalistas individuales, cada uno de los cuales obra por su cuenta, de manera que ninguno puede saber con exactitud la cantidad y la clase de productos que demanda el mercado. Producen al azar, y sólo se preocupan por aventajarse unos a otros. Es natural, entonces, que la cantidad producida pueda no corresponder a las necesidades del mercado. Y esta posibilidad resulta particularmente grande cuando un mercado enorme abarca de repente nuevas y vastas regiones aún inexploradas. Tal era el estado de cosas no hace mucho, cuando comenzó en nuestro país “la prosperidad” de la industria. Los capitalistas de toda Europa extendieron sus garras hacia una parte del mundo, Asia, poblada por centenares de millones de seres, y donde hasta entonces sólo la India y una pequeña parte de la periferia estaban estrechamente ligadas al mercado mundial. El ferrocarril del Trascaspio comenzó a “abrir” el Asia Central para el capital; el “Gran Ferrocarril Siberiano” (grande no sólo por su extensión, sino también por el escandaloso robo que sus constructores perpetraron contra el fisco, y por la inhumana explotación de que fueron objeto los obreros que lo construyeron), despejó el camino a Siberia; Japón comenzó a convertirse en una nación industrial e intentó abrir una brecha en la muralla de China, con lo que puso al descubierto un bocado apetitoso en el que los capitalistas de Inglaterra, Alemania, Francia, Rusia e inclusive Italia se apresuraron a hincar los dientes. Todo esto — la construcción de gigantescas líneas férreas, el ensanchamiento del mercado mundial y el crecimiento del comercio — originó una inesperada reanimación de la industria, la aparición de nuevas empresas, la búsqueda desenfrenada de mercados para la venta, la carrera tras la ganancia, la fundación de nuevas sociedades, la afluencia a la producción de masas de nuevos capitales, formados en parte, también, por los escasos ahorros de los pequeños capitalistas. No es sorprendente, pues, que esta frenética carrera mundial tras nuevos e inexplorados mercados haya conducido a una bancarrota de tales proporciones.
Para formarse una idea clara de la naturaleza de tal carrera, es preciso tener en cuenta a los colosos que participaron en ella. Cuando se dice “empresas particulares”, “capitalistas individuales”, se olvida con frecuencia que, en esencia, estas expresiones son inexactas. En realidad, lo único particular e individual es la apropiación de la ganancia, pues la producción en sí se ha vuelto social. Los gigantescos derrumbes se hicieron posibles e inevitables sólo porque poderosas fuerzas productivas sociales fueron dominadas por una camarilla de potentados cuya única preocupación es el lucro. Aclaremos esto con un ejemplo tomado de la industria rusa. En los últimos tiempos la crisis afectó también a la producción petrolera. En esta industria tienen un papel preponderante empresas tales como la Compañía de Producción Petrolera Nobel Hermanos. En 1899 la compañía vendió 163 millones de puds de productos petroleros por la suma de 53.500.000 rublos, en tanto que en 1900 vendió 192 millones de puds por la suma de 72.000.000 de rublos. ¡ En un año, una sola empresa aumentó la producción en 18.500.000 rublos ! Esta “empresa particular aislada” es mantenida por el trabajo en común de decenas y centenares de miles de obreros, ocupados en la extracción de petróleo, en su elaboración y en su trasporte por oleoductos, ferrocarriles, mares y ríos, en la construcción de maquinarias, depósitos, materiales, balsas, barcos, etc., necesarios para ello. Esas decenas de miles de obreros trabajan para la sociedad en su conjunto, pero su trabajo es apropiado por un puñado de millonarios, que se queda con toda la ganancia que rinde el trabajo organizado de las masas ( la Compañía Nobel obtuvo en 1899 una utilidad neta de 4 millones de rublos, y en 1900 de 6 millones, de los cuales los accionistas percibieron un dividendo de 1.300 rublos por cada acción de 5.000, en tanto que cinco miembros del directorio recibieron, en calidad de gratificación, la suma de 528.000 rublos ! ). Cuando varias de estas empresas se lanzan a una frenética carrera para apoderarse de un lugar en un mercado desconocido, ¿puede sorprendernos el advenimiento de la crisis?
Es más. Para que la empresa dé ganancia, es preciso vender las mercancías, encontrar los compradores. Ahora bien, el comprador debe ser toda la población, porque esas enormes empresas producen montañas de productos. Pero en todos los países capitalistas las nueve décimas partes de la población se compone de gente pobre: obreros que perciben el salario más exiguo, campesinos que en general viven en condiciones peores aun que los obreros. Y cuando, en el período de prosperidad, la gran industria se lanza a producir el máximo posible, inunda el mercado con una cantidad de mercancías tal, que la mayoría desposeída del pueblo no está en condiciones de pagarlas. La cantidad de máquinas, instrumentos, depósitos, ferrocarriles, etc., sigue creciendo, pero este crecimiento se interrumpe de tiempo en tiempo porque el pueblo, para el cual, en definitiva, están destinados esos medios de producción perfeccionados, continúa en una situación de pobreza rayana en la miseria. La crisis demuestra que la sociedad actual podría producir incomparablemente más productos, los que servirían para mejorar el nivel de vida de todo el pueblo trabajador, si la tierra, las fábricas, las máquinas, etc., no hubieran sido usurpadas por un puñado de propietarios privados, quienes extraen sus millones de la miseria del pueblo. La crisis enseña que los obreros no pueden limitarse a luchar por obtener de los capitalistas concesiones parciales: durante el período de prosperidad industrial tales concesiones pueden ser conquistadas (los obreros rusos, con su enérgica lucha, las conquistaron más de una vez en los años que van de 1884 a 1898), pero cuando se produce el crac, los capitalistas no sólo arrebatan a los obreros las concesiones otorgadas, sino que se aprovechan de su situación de impotencia para reducirles aun más el salario. Y así continuará sucediendo inevitablemente, mientras los ejércitos del proletariado socialista no derroquen el dominio del capital y de la propiedad privada. La crisis demuestra cuan miopes eran los socialistas (que se llamaban a sí mismos “críticos”, sin duda porque hacían suyas, sin crítica alguna, las teorías de los economistas burgueses), que dos años atrás anunciaban ruidosamente que los cracs son hoy menos probables.
Las enseñanzas de la crisis, que revelan lo absurdo del sometimiento de la producción social a la propiedad privada, resultan tan aleccionadoras, que ahora la propia prensa burguesa reclama que, por ejemplo, se refuerce el control sobre los bancos. Pero control alguno podrá impedir que los capitalistas funden durante los períodos de prosperidad empresas que luego irán a la quiebra inevitablemente. Alchevski, fundador de los bancos Agrario y Comercial de Jarkov, ambos ahora en quiebra, obtuvo, por medios lícitos e ilícitos, los millones de rublos necesarios para fundar y sostener empresas mineras y metalúrgicas que prometían montañas de oro. Una depresión en la industria provocó la ruina de esos bancos y esas empresas mineras (Sociedad del Donets-Iúrievo). ¿Pero qué significa esta “ruina” de empresas en la sociedad capitalista? Significa que los capitalistas más débiles, los de “segunda magnitud”, son desplazados por los grandes millonarios. Alchevski, el millonario de Jarkov, es suplantado por el millonario moscovita Riabushinski, quien, como dispone de un capital mayor, oprimirá con más fuerza a los obreros. El desplazamiento de capitalistas de segunda magnitud por los de primera magnitud, el aumento del poder del capital, la ruina de gran cantidad de pequeños propietarios (por ejemplo, los pequeños inversores, que con la quiebra de los bancos pierden toda su fortuna), el terrible empobrecimiento de los obreros: esto es lo que trae consigo la crisis. Recordemos, además, los casos publicados por Iskra, en los que se describe cómo los capitalistas alargan la jornada de trabajo y procuran remplazar a los obreros más concientes por otros más dóciles y sumisos, provenientes de las aldeas.
En general, los efectos de la crisis son infinitamente más graves en Rusia que en cualquier otro país. A la paralización de la industria se agrega el hambre entre los campesinos. A los obreros desocupados se los arroja de las ciudades al campo, ¿pero adonde enviar a los campesinos sin trabajo? Con la expulsión de los obreros al campo se pretende limpiar las ciudades de gente que provoca intranquilidad, pero puede ocurrir que los expulsados logren despertar de su secular sumisión aunque sea a una parte de los campesinos y la induzcan, no sólo a solicitar, sino también a exigir. A los obreros y campesinos los une hoy, no sólo el hambre y la desocupación, sino también el yugo policial, que priva a los obreros de la posibilidad de unirse y de defenderse, y a los campesinos de la ayuda que les envían donantes de buena voluntad. La pesada garra policíaca se vuelve cien veces más pesada para los mil millones de personas que han perdido todo medio de subsistencia. Los gendarmes y la policía en las ciudades, los comisarios y sargentos de policía en las aldeas, perciben con toda claridad que el odio hacia ellos crece a diario, y empiezan a temer, no sólo los comedores populares en las aldeas, sino hasta los anuncios sobre la colecta de donativos que aparecen en los diarios. ¡ Miedo a las donaciones ! Resulta así verdad aquello de que el ladrón tiene cola de paja. Cuando el ladrón ve que un transeúnte da una limosna a la persona a quien él ha despojado, se imagina que ambos se estrechan la mano para mancomunar sus esfuerzos y acabar con él.
NOTA: Talvez alguns leitores considerem um texto ultrapassado. Mas é bom as pessoas conhecerem as idéias de quem já fez muita diferença na história, ainda que a história faça um belo esforço para fazerem desaparecer os seus sujeitos ao longo dos tempos, séculos e anos. Lenin é um belo exemplo disto. Desculpe-me, somente, pelo texto em espanhol, mas é da vida.....
Vladimir Ilich Lenin
Publicado en el periódico Iskra, núm. 7, agosto de 1901.
Hace ya casi dos años que se prolonga la crisis comercial e industrial. Según todas las apariencias, se extiende cada vez más, abarca nuevas ramas de la industria y nuevas regiones, y se ahonda con nuevos colapsos bancarios. Nuestro periódico, desde el mes de diciembre del año pasado, ha venido señalando en cada uno de sus números, en una u otra forma, la evolución de la crisis y sus desastrosos efectos. Ha llegado el momento de plantear el problema general de las causas y el significado de este fenómeno. Para Rusia es relativamente nuevo, como lo es todo nuestro capitalismo. En cambio, en los viejos países capitalistas — o sea, en aquellos donde la mayoría de los productos se fabrican para la venta, donde la mayoría de los obreros no poseen tierra ni instrumentos de labranza y venden su fuerza de trabajo a otros, a los propietarios de tierras, fábricas, máquinas, etc. — , las crisis son un fenómeno antiguo que se repite de tiempo en tiempo, como los abscesos de una enfermedad crónica. Por lo tanto, cuando el capitalismo comenzó a desarrollarse en Rusia de manera particularmente rápida, la literatura socialdemócrata pronosticó la crisis actual. En el folleto Tareas de los socialdemócratas rusos, escrito a fines de 1897, se decía: “Es evidente que en el momento actual estamos en el período del ciclo capitalista [en el cual se repiten los mismos acontecimientos, como se repiten el invierno y el verano] en que la industria ‘prospera', el comercio es muy activo, las fábricas trabajan a pleno rendimiento y aparecen, como hongos después de la lluvia, en número incontable, nuevas fábricas, nuevas empresas, sociedades anónimas, la construcción de ferrocarriles, etc., etc. No hay que ser profeta para predecir la bancarrota inevitable (más o menos violenta) que debe seguir a esta ‘prosperidad' de la industria. Tal bancarrota arruinará a gran número de pequeños patronos, convertirá en desocupados a gran número de obreros...” La bancarrota se produjo, y de manera tan violenta como Rusia jamás conoció hasta el presente. ¿Cuál es la causa de esta terrible enfermedad crónica de la sociedad capitalista, que se repite con tanta regularidad que se puede predecir su aparición?
La producción capitalista no puede desarrollarse de otro modo que a saltos: dos pasos adelante y un paso (algunas veces dos) atrás. Como hemos observado ya, la producción capitalista es producción para la venta, producción de mercancías para el mercado. Quienes disponen de esa producción son los capitalistas individuales, cada uno de los cuales obra por su cuenta, de manera que ninguno puede saber con exactitud la cantidad y la clase de productos que demanda el mercado. Producen al azar, y sólo se preocupan por aventajarse unos a otros. Es natural, entonces, que la cantidad producida pueda no corresponder a las necesidades del mercado. Y esta posibilidad resulta particularmente grande cuando un mercado enorme abarca de repente nuevas y vastas regiones aún inexploradas. Tal era el estado de cosas no hace mucho, cuando comenzó en nuestro país “la prosperidad” de la industria. Los capitalistas de toda Europa extendieron sus garras hacia una parte del mundo, Asia, poblada por centenares de millones de seres, y donde hasta entonces sólo la India y una pequeña parte de la periferia estaban estrechamente ligadas al mercado mundial. El ferrocarril del Trascaspio comenzó a “abrir” el Asia Central para el capital; el “Gran Ferrocarril Siberiano” (grande no sólo por su extensión, sino también por el escandaloso robo que sus constructores perpetraron contra el fisco, y por la inhumana explotación de que fueron objeto los obreros que lo construyeron), despejó el camino a Siberia; Japón comenzó a convertirse en una nación industrial e intentó abrir una brecha en la muralla de China, con lo que puso al descubierto un bocado apetitoso en el que los capitalistas de Inglaterra, Alemania, Francia, Rusia e inclusive Italia se apresuraron a hincar los dientes. Todo esto — la construcción de gigantescas líneas férreas, el ensanchamiento del mercado mundial y el crecimiento del comercio — originó una inesperada reanimación de la industria, la aparición de nuevas empresas, la búsqueda desenfrenada de mercados para la venta, la carrera tras la ganancia, la fundación de nuevas sociedades, la afluencia a la producción de masas de nuevos capitales, formados en parte, también, por los escasos ahorros de los pequeños capitalistas. No es sorprendente, pues, que esta frenética carrera mundial tras nuevos e inexplorados mercados haya conducido a una bancarrota de tales proporciones.
Para formarse una idea clara de la naturaleza de tal carrera, es preciso tener en cuenta a los colosos que participaron en ella. Cuando se dice “empresas particulares”, “capitalistas individuales”, se olvida con frecuencia que, en esencia, estas expresiones son inexactas. En realidad, lo único particular e individual es la apropiación de la ganancia, pues la producción en sí se ha vuelto social. Los gigantescos derrumbes se hicieron posibles e inevitables sólo porque poderosas fuerzas productivas sociales fueron dominadas por una camarilla de potentados cuya única preocupación es el lucro. Aclaremos esto con un ejemplo tomado de la industria rusa. En los últimos tiempos la crisis afectó también a la producción petrolera. En esta industria tienen un papel preponderante empresas tales como la Compañía de Producción Petrolera Nobel Hermanos. En 1899 la compañía vendió 163 millones de puds de productos petroleros por la suma de 53.500.000 rublos, en tanto que en 1900 vendió 192 millones de puds por la suma de 72.000.000 de rublos. ¡ En un año, una sola empresa aumentó la producción en 18.500.000 rublos ! Esta “empresa particular aislada” es mantenida por el trabajo en común de decenas y centenares de miles de obreros, ocupados en la extracción de petróleo, en su elaboración y en su trasporte por oleoductos, ferrocarriles, mares y ríos, en la construcción de maquinarias, depósitos, materiales, balsas, barcos, etc., necesarios para ello. Esas decenas de miles de obreros trabajan para la sociedad en su conjunto, pero su trabajo es apropiado por un puñado de millonarios, que se queda con toda la ganancia que rinde el trabajo organizado de las masas ( la Compañía Nobel obtuvo en 1899 una utilidad neta de 4 millones de rublos, y en 1900 de 6 millones, de los cuales los accionistas percibieron un dividendo de 1.300 rublos por cada acción de 5.000, en tanto que cinco miembros del directorio recibieron, en calidad de gratificación, la suma de 528.000 rublos ! ). Cuando varias de estas empresas se lanzan a una frenética carrera para apoderarse de un lugar en un mercado desconocido, ¿puede sorprendernos el advenimiento de la crisis?
Es más. Para que la empresa dé ganancia, es preciso vender las mercancías, encontrar los compradores. Ahora bien, el comprador debe ser toda la población, porque esas enormes empresas producen montañas de productos. Pero en todos los países capitalistas las nueve décimas partes de la población se compone de gente pobre: obreros que perciben el salario más exiguo, campesinos que en general viven en condiciones peores aun que los obreros. Y cuando, en el período de prosperidad, la gran industria se lanza a producir el máximo posible, inunda el mercado con una cantidad de mercancías tal, que la mayoría desposeída del pueblo no está en condiciones de pagarlas. La cantidad de máquinas, instrumentos, depósitos, ferrocarriles, etc., sigue creciendo, pero este crecimiento se interrumpe de tiempo en tiempo porque el pueblo, para el cual, en definitiva, están destinados esos medios de producción perfeccionados, continúa en una situación de pobreza rayana en la miseria. La crisis demuestra que la sociedad actual podría producir incomparablemente más productos, los que servirían para mejorar el nivel de vida de todo el pueblo trabajador, si la tierra, las fábricas, las máquinas, etc., no hubieran sido usurpadas por un puñado de propietarios privados, quienes extraen sus millones de la miseria del pueblo. La crisis enseña que los obreros no pueden limitarse a luchar por obtener de los capitalistas concesiones parciales: durante el período de prosperidad industrial tales concesiones pueden ser conquistadas (los obreros rusos, con su enérgica lucha, las conquistaron más de una vez en los años que van de 1884 a 1898), pero cuando se produce el crac, los capitalistas no sólo arrebatan a los obreros las concesiones otorgadas, sino que se aprovechan de su situación de impotencia para reducirles aun más el salario. Y así continuará sucediendo inevitablemente, mientras los ejércitos del proletariado socialista no derroquen el dominio del capital y de la propiedad privada. La crisis demuestra cuan miopes eran los socialistas (que se llamaban a sí mismos “críticos”, sin duda porque hacían suyas, sin crítica alguna, las teorías de los economistas burgueses), que dos años atrás anunciaban ruidosamente que los cracs son hoy menos probables.
Las enseñanzas de la crisis, que revelan lo absurdo del sometimiento de la producción social a la propiedad privada, resultan tan aleccionadoras, que ahora la propia prensa burguesa reclama que, por ejemplo, se refuerce el control sobre los bancos. Pero control alguno podrá impedir que los capitalistas funden durante los períodos de prosperidad empresas que luego irán a la quiebra inevitablemente. Alchevski, fundador de los bancos Agrario y Comercial de Jarkov, ambos ahora en quiebra, obtuvo, por medios lícitos e ilícitos, los millones de rublos necesarios para fundar y sostener empresas mineras y metalúrgicas que prometían montañas de oro. Una depresión en la industria provocó la ruina de esos bancos y esas empresas mineras (Sociedad del Donets-Iúrievo). ¿Pero qué significa esta “ruina” de empresas en la sociedad capitalista? Significa que los capitalistas más débiles, los de “segunda magnitud”, son desplazados por los grandes millonarios. Alchevski, el millonario de Jarkov, es suplantado por el millonario moscovita Riabushinski, quien, como dispone de un capital mayor, oprimirá con más fuerza a los obreros. El desplazamiento de capitalistas de segunda magnitud por los de primera magnitud, el aumento del poder del capital, la ruina de gran cantidad de pequeños propietarios (por ejemplo, los pequeños inversores, que con la quiebra de los bancos pierden toda su fortuna), el terrible empobrecimiento de los obreros: esto es lo que trae consigo la crisis. Recordemos, además, los casos publicados por Iskra, en los que se describe cómo los capitalistas alargan la jornada de trabajo y procuran remplazar a los obreros más concientes por otros más dóciles y sumisos, provenientes de las aldeas.
En general, los efectos de la crisis son infinitamente más graves en Rusia que en cualquier otro país. A la paralización de la industria se agrega el hambre entre los campesinos. A los obreros desocupados se los arroja de las ciudades al campo, ¿pero adonde enviar a los campesinos sin trabajo? Con la expulsión de los obreros al campo se pretende limpiar las ciudades de gente que provoca intranquilidad, pero puede ocurrir que los expulsados logren despertar de su secular sumisión aunque sea a una parte de los campesinos y la induzcan, no sólo a solicitar, sino también a exigir. A los obreros y campesinos los une hoy, no sólo el hambre y la desocupación, sino también el yugo policial, que priva a los obreros de la posibilidad de unirse y de defenderse, y a los campesinos de la ayuda que les envían donantes de buena voluntad. La pesada garra policíaca se vuelve cien veces más pesada para los mil millones de personas que han perdido todo medio de subsistencia. Los gendarmes y la policía en las ciudades, los comisarios y sargentos de policía en las aldeas, perciben con toda claridad que el odio hacia ellos crece a diario, y empiezan a temer, no sólo los comedores populares en las aldeas, sino hasta los anuncios sobre la colecta de donativos que aparecen en los diarios. ¡ Miedo a las donaciones ! Resulta así verdad aquello de que el ladrón tiene cola de paja. Cuando el ladrón ve que un transeúnte da una limosna a la persona a quien él ha despojado, se imagina que ambos se estrechan la mano para mancomunar sus esfuerzos y acabar con él.
NOTA: Talvez alguns leitores considerem um texto ultrapassado. Mas é bom as pessoas conhecerem as idéias de quem já fez muita diferença na história, ainda que a história faça um belo esforço para fazerem desaparecer os seus sujeitos ao longo dos tempos, séculos e anos. Lenin é um belo exemplo disto. Desculpe-me, somente, pelo texto em espanhol, mas é da vida.....
domingo, 13 de setembro de 2009
COMEÇA HOJE A SEMANA FARROUPILHA - DEVERÍAMOS PENSAR EM QUAL É A LUTA DE HOJE...
Porque este papo de que no passado era melhor é coisa de imbecil completo.
Toma vergonha nesta cara bolachuda e pensa o que deves fazer agora se és tributário de fato de alguma tradição de luta.
E é somente por isto que tenho alguma reverência e respeito pela história do Rio Grande o resto é tudo balela e coisa de mocinho.
Em frente gauchada....
O passado já se fez...
importa agora fazer no presente...
importa agora escolher o futuro...
Bom churrasco dominical....
Toma vergonha nesta cara bolachuda e pensa o que deves fazer agora se és tributário de fato de alguma tradição de luta.
E é somente por isto que tenho alguma reverência e respeito pela história do Rio Grande o resto é tudo balela e coisa de mocinho.
Em frente gauchada....
O passado já se fez...
importa agora fazer no presente...
importa agora escolher o futuro...
Bom churrasco dominical....
UM MÊS SEM FUMAR - A REVOLUÇÃO SE INICIA
Há exatos 30 dias fumei o último cigarro descendo a lomba aqui de casa seguindo a caminho do trabalho. Foi uma decisão rápida que, de certa forma, se encaixou num raciocínio de médio prazo que eu vinha levando desde janeiro, desde o meu aniversário.
A minha relação de usuário com cigarros começou lá pelos doze anos de idade. Tanto minha mãe como meu pai fumam - e ainda fumam aliás - apesar do enfisema de um e do pulmão extirpado do outro - só isto já bastaria para pensar seriamente em parar de fumar. Meu pai fuma menos hoje, bem menos, mas ainda fuma e minha mãe de certa forma deixa o cinzeiro fumar por ela dando um peguinhas ligeiros e largando de volta.
Eu tinha dito lá no dia 13 de agosto que haviam duas motivações por trás do meu ato: de um lado a convicção de que já fumei todos os cigarros que eu gostaria de fumar e que nenhum mais fará diferença positiva alguma e, de outro lado, aquela construção malandra de me dar presentes - coisas que eu gosto a cada mês sem fumar. Pois bem, hoje é o dia dos presentes ou "pelentes" como tem falado minha filha Antônia. E eu inda não sei bem qual presente. Meu celular tá virado num chapéu véio, mas não ando muito apaixonado por isto não, estou mais afim de alguns sapatos e camisas, mas também penso num relógio de pulso novo e, velho hábito, cds, livros e filmes.
É uma verdadeira revolução na minha vida. Porque mudaram vários hábitos. Por exemplo, a atitude frequente minha - e creio da maior parte dos fumantes - é frente a qualquer aborrecimento, frustração, limitação ou necessidade de engolir algo, você vai lá se afasta e liga um cigarro, como se fosse um tubo de oxigênio para alguém que ficou sem ar, mas ora essa, é o contrário mano, é um tubo de intoxicação, um tubo justamente de afogamento do teu corpo e mente. Se alguém desconfiar de que estou me tornando um daqueles ex-fumantes chatos, podes crer que é justamente o contrário. Tenho a maior compreensão com os meus amigos fumantes e não vou censurar nenhum deles não.
Minha irmã Rachel - que nunca fumou na vida - ficou preocupada comigo dizendo que quem sabe eu procurasse um psiquiatra, ou um médico para ver direitinho como tratar saudavelmente desta saida, sem me aborrecer demais e sem ficar ranzinza. Disse-me, com toda a clareza, que ao ver dela todo fumante é um depressivo e que, portanto, é preciso tratar também da depressão para conseguir parar de fumar.
Eu não discordo dela, sobre a depressão e a necessidade de apoio, mas estou confiando no meu taco nesta questão e é por isto que estou chamando este processo de revolução. Na minha construção subjetiva sobre este assunto, para de fumar é somente uma peça numa construção maior. Para os amigos, como arquitetos e engenheiros, entenderem melhor parar de fumar é só o banheiro na reforma da casa, tem várias outras peças que clamam por uma nova atitude também.
Só para ampliar o foco um pouco. Pretendo - esta é boa - mudar boa parte da minha forma tradicional de me relacionar com um monte de coisas, incluso nisto, minha própria relação profissional, social e política. Penso que é chegada a hora já do Daniel estabelecer certas prioridades para os próximos anos. E entre estas entra também aquela minha velha e boa relação com a saúde do meu corpo, com a prática de esportes e com a natureza. Isto creio é uma coisa que não depende do cigarro, mas que eu sei que com ele não é possível de forma satisfatória. E para mim isto é uma revolução na vida. Não é trocar de carro, de emprego, de casa, etc, é mudar a forma de vida mesmo.
Tem sido um muito bom começo.
E eu estou cada vez gostando mais do fato de poder pensar com mais clareza e precisão sobre as coisas.
Por fim, hoje também fazem três meses que eu iniciei este blog.
Bons tempos estes que se iniciaram neste ano.
A minha relação de usuário com cigarros começou lá pelos doze anos de idade. Tanto minha mãe como meu pai fumam - e ainda fumam aliás - apesar do enfisema de um e do pulmão extirpado do outro - só isto já bastaria para pensar seriamente em parar de fumar. Meu pai fuma menos hoje, bem menos, mas ainda fuma e minha mãe de certa forma deixa o cinzeiro fumar por ela dando um peguinhas ligeiros e largando de volta.
Eu tinha dito lá no dia 13 de agosto que haviam duas motivações por trás do meu ato: de um lado a convicção de que já fumei todos os cigarros que eu gostaria de fumar e que nenhum mais fará diferença positiva alguma e, de outro lado, aquela construção malandra de me dar presentes - coisas que eu gosto a cada mês sem fumar. Pois bem, hoje é o dia dos presentes ou "pelentes" como tem falado minha filha Antônia. E eu inda não sei bem qual presente. Meu celular tá virado num chapéu véio, mas não ando muito apaixonado por isto não, estou mais afim de alguns sapatos e camisas, mas também penso num relógio de pulso novo e, velho hábito, cds, livros e filmes.
É uma verdadeira revolução na minha vida. Porque mudaram vários hábitos. Por exemplo, a atitude frequente minha - e creio da maior parte dos fumantes - é frente a qualquer aborrecimento, frustração, limitação ou necessidade de engolir algo, você vai lá se afasta e liga um cigarro, como se fosse um tubo de oxigênio para alguém que ficou sem ar, mas ora essa, é o contrário mano, é um tubo de intoxicação, um tubo justamente de afogamento do teu corpo e mente. Se alguém desconfiar de que estou me tornando um daqueles ex-fumantes chatos, podes crer que é justamente o contrário. Tenho a maior compreensão com os meus amigos fumantes e não vou censurar nenhum deles não.
Minha irmã Rachel - que nunca fumou na vida - ficou preocupada comigo dizendo que quem sabe eu procurasse um psiquiatra, ou um médico para ver direitinho como tratar saudavelmente desta saida, sem me aborrecer demais e sem ficar ranzinza. Disse-me, com toda a clareza, que ao ver dela todo fumante é um depressivo e que, portanto, é preciso tratar também da depressão para conseguir parar de fumar.
Eu não discordo dela, sobre a depressão e a necessidade de apoio, mas estou confiando no meu taco nesta questão e é por isto que estou chamando este processo de revolução. Na minha construção subjetiva sobre este assunto, para de fumar é somente uma peça numa construção maior. Para os amigos, como arquitetos e engenheiros, entenderem melhor parar de fumar é só o banheiro na reforma da casa, tem várias outras peças que clamam por uma nova atitude também.
Só para ampliar o foco um pouco. Pretendo - esta é boa - mudar boa parte da minha forma tradicional de me relacionar com um monte de coisas, incluso nisto, minha própria relação profissional, social e política. Penso que é chegada a hora já do Daniel estabelecer certas prioridades para os próximos anos. E entre estas entra também aquela minha velha e boa relação com a saúde do meu corpo, com a prática de esportes e com a natureza. Isto creio é uma coisa que não depende do cigarro, mas que eu sei que com ele não é possível de forma satisfatória. E para mim isto é uma revolução na vida. Não é trocar de carro, de emprego, de casa, etc, é mudar a forma de vida mesmo.
Tem sido um muito bom começo.
E eu estou cada vez gostando mais do fato de poder pensar com mais clareza e precisão sobre as coisas.
Por fim, hoje também fazem três meses que eu iniciei este blog.
Bons tempos estes que se iniciaram neste ano.
Assinar:
Postagens (Atom)
