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domingo, 7 de maio de 2017

SINDICATOS E POLÍTICA

A ignorância não sabe que a primeira forma de organização política da classe trabalhadora foram os sindicatos ou ligas operárias. Mas que em todas elas a consigna bem ampla de conquistar o direito ao sufrágio, poder eleger seus representantes, disputar a política para conquistar, preservar e avançar em seus direitos, ter liberdade para se organizar em partidos e em organizações políticas internacionais sempre esteve presente, expressa ou latente nos debates. E que foi isso que nos trouxe até aqui com um conjunto de direitos, organizações e liberdades que já foram muito contestadas pelos poderosos, pelos exploradores, por seus cães de aluguel e também pelos que não tem consciência de classe, seja por falta de identidade, seja por serem educados numa espécie de mundo mágico de Oz, onde os trabalhadores são sempre os bandidos, os ignorantes, os brutais e idiotas e os patrões, doutores senhores de bem são sempre bonzinhos, inteligente, sábios e honestos. Ora, o capitalismo inteiro está baseado em expoliação, exploração, imposição e dominação. E não é a classe trabalhadora que tem ganho o maior quinhão neste jogo. Então, pare de bobagem e vá ler um livro decente sobre isto em vez de ficar dando palpite e expressando opinião sobre o que você não sabe, ignora e nunca se dispôs a estudar com seriedade. Acordou agora com a greve geral que te atrapalhou a vida, te sacudiu a cabeça, então vá tomar um café como classe trabalhadora e para de achar que está em cima de um largo dique observando as águas naturais de um lado e a boa civilização comportada de outro. sério....

COVARDIA MORAL E CORAGEM POLÍTICA NO BRASIL

Aqui no Brasil tem uma craca que vive de espertezas, de tirar vantagem em tudo, de bancar o malandro. E há até um elogio e uma admiração pela picaretagem e pilantragem bem sucedida. Vivemos num país cuja elite é especializada em tirar vantagem em tudo. Não é a lei de Gerson, é uma espécie de lei colonial. Se é possível enganar, ludibriar, enrolar e blefar toca em frente. Se pegar, pegou. E boa parte do povo brasileiro assiste isto com considerações pessimistas de que é assim mesmo, nunca vai mudar e de que precisamos conviver com isto. Suportar isto. É ainda tem aquela fração miserável e intermediária que quer chegar neste top. A glamourização da pilantragem, o puxa saquismo com usurpadores, a bajulação dos autoritários, é típica do que podemos chamar de covardia moral. Muito fácil aceitar o autoritarismo covardemente e se encorajar contra a esquerda a qualquer título que usando de subterfúgios, mas a partir de um pressuposto bem comum: a esquerda é idealista e sonhadora. Daí se segue o tradicional e conhecido viralatismo depressivo.

O DIA DOS TRABALHADORES EM CHICAGO





"Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor do edifício mais alto do mundo. Chicago está cheia de fábricas. Chicago está cheia de operários.

Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.

— Deve ser por aqui — me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos, o Primeiro de maio é um dia como qualquer outro.

Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que esta como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.

O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador."

Eduardo Galeano, 1991.

Lênin, seu malvado e terrível homem. Teu fantasma ronda a burguesia.

“Cada greve lembra aos capitalistas que os verdadeiros donos não são eles, e sim os operários, que proclamam seus direitos com força crescente. (…) Nos tempos atuais, pacíficos, o operário arrasta em silêncio sua carga, não reclama ao patrão, não reflete sobre sua situação. Durante uma greve, o operário proclama em voz alta suas reivindicações, lembra aos patrões todos os atropelos de que tem sido vítima, proclama seus direitos, não pensa apenas em si ou no seu salário, mas pensa também em todos os seus companheiros, que abandonaram o trabalho junto com ele e que defendem a causa operária sem medo das provações”.


– Lênin, Sobre as Greves, 1899.

A VIRTUDE É A VERDADE NA MEDIDA EXATA

Veja que você toma vários sustos por dia e tem que aprender a não assustar ninguém com isso. Aprender a amortecer os golpes, atenuar a dor, relevar descuidos e indelicadezas, superar barreiras emocionais, suplantar raivas e rancores, diminuir pela metade o tamanho dos monstros, cortar ao meio ou eliminar as descargas de tudo quanto é tipo de gente, por qualquer motivo irrisório ou por motivos importantes.

Respirar fundo e chamar a paciência e a boa vontade para governar teu espírito. Aprender a ficar tranquilo, para aguentar a barra e ser capaz, no que for possível, de mudar o rumo dos acontecimentos, mudar o curso das ações insensatas e desmedidas. Procurar o tom e a virtude exata para responder às situações. É em muitas vezes como essas que nós sentimos que lidamos com as emoções mais sutis de muitas pessoas, ao mesmo tempo.
Eis que, então, ai vem aquela palavra que nos é tão cara na vida e na filosofia: cuidado. Pois as pessoas são mais delicadas e sensíveis do que parecem​ à primeira vista. Diga para si mesmo: calma cara. Pense mesmo que você vai passar por tudo isso e que tudo acabará bem. E a única palavra de consolo aqui é a verdade.

Aprendi mesmo que nenhuma doutrina sobre o APARECIMENTO ou o DESAPARECIMENTO, nenhuma das outras doutrinas sobre o fim de todas as coisas ou o começo de todas as coisas que excede o nosso tempo, pode substituir a verdade. Falo aqui, então, daquilo que você é capaz de compreender e demonstrar como verdadeiro no aqui e no agora mais imediato possível. Saia do quadro geral e mais amplo dá totalidade para ver isto é depois volte a ele para verificar como ficam as coisas depois disso. Veja sim que a fé é um bom apoio quando não temos para onde correr. Que a expectativa positiva é um bom amparo no desalento e na lamentação, mas não consegue resolver sozinha a questão da verdade e da imposição da realidade sobre nossas vidas. Nós sempre queremos todos os milagres e abençoados são aqueles que obtém milagres, mas a regra é outra. Por isso, para terminar, tome esta verdade pela mão que por mais mínima que ela pareça é com ela que vais sobreviver.


Como dizem muitos por aí, aos olhos de Deus menos pode ser mais e mais pode ser menos. É se você não acredita nele, isso não te impede de usar aqui a mesma regra. Diminua o tamanho dos teus problemas, simplifique e resuma. Esta velha regra para a direção do espírito há de te fazer bem e te poupar de muitas confusões pelo excesso e pela desmedida. Descartes tinha razão em muitas coisas, nos deixou muitos anos argumentos interessantes, mas sempre me convenço que suas maiores contribuições foram formais e que, por incrível que pareça, a grande maioria delas tem aplicação moral e nos ajudam a chegar a um equilíbrio nas paixões e tocar a vida de forma mais virtuosa.

A velha característica da tragédia: todos perdem um dia, sem exceção...


POBRE BRASIL

"Nos anos de 1990, o México implantou todas as reformas neoliberais exigidas pelo mercado, incluindo a previdenciária e a trabalhista. Hoje, por conta da elevada informalidade do mercado de trabalho, a maioria da população economicamente ativa não contribui para o sistema; como resultado, 77% dos idosos não têm cobertura previdenciária; e, a pobreza alcança 39% da população. Quer saber como será a questão social brasileira daqui a 20 anos? Estude e entenda o que está acontecendo no México."

NÃO VOU SERVIR

Stephen Dedalus: " Eu vou te dizer o que vou fazer e o que eu não vou fazer. Eu não vou servir aquele em que não acredito mais, se ele se chamar de meu lar, minha pátria, ou a minha igreja: e eu vou tentar me expressar em um modo de vida ou arte tão livremente como posso e como inteiramente como eu posso pensar, usando para minha defesa as únicas armas que eu posso me permitir usar – o silêncio, o exílio e a astúcia."

Retrato de um artista quando jovem. James Joyce.


Original: "I will tell you what I will do and what I will not do. I will not serve that in which I no longer believe, whether it call itself my home, my fatherland, or my church: and I will try to express myself in some mode of life or art as freely as I can and as wholly as I can, using for my defence the only arms I allow myself to use — silence, exile and cunning."

Do Pessimismo para a Graça 1

Agora entendo a dedicação de muitos ao humorismo na ditadura militar. Ou seja, entendo porque muitos ficaram fazendo graça ou pirraça na ditadura militar. Não é por cinismo não. De fato, trata-se de uma estratégia de sobrevivência. Um recurso para preservar a sanidade em meio a loucura e a decadência de um país, isto é, um meio para sobreviver no reino da burrice.

Dureza é a vida para qualquer inteligência mediana e bem informada neste país. Lendo os compartilhamentos que fiz no ano passado e tendo a perspectiva pior em qualquer direção que as coisas sigam me dei conta do todo da obra, do alcance e das implicações do ridículo que vivemos.


Se fica pessimista sim. Este é um pessimismo racional de certa forma. Não vamos sair mesmo do pior dos mundos possíveis, o muro de lamentações e os e prejuízos sociais e culturais vão nos próximos dez ou vinte anos só aumentar.Vou virar humorista. Acho que é a única saída mesmo. Muita ironia e garbosidade. Bom humor e informação precisa ajudam muito na sobrevivência psíquica dá gente. Mantendo, então, a ternura, mas endurecendo nas tintas.

SOBRE O ESTADO DE COISAS NO BRASIL E SUAS PERSPECTIVAS E SAÍDAS: THE BURNING QUESTION

Meu bom amigo, ótimo fotógrafo e professor de filosofia, Luiz Felipe Sahd, postou no seu perfil do Facebook, após a greve geral, o seguinte texto ou comentário:

"Breve comentário: após o golpe de Estado e a instauração do estado de exceção judicial, fiquei descrente em relação a possibilidade de construir uma sociedade mais democrática que superasse aos poucos o direito penal do inimigo no trato das relações sócio jurídicas entre os mais pobres, a grande maioria da população. Mas depois de hoje, da greve geral, mesmo mantendo a falta de otimismo, começo a achar que o outro lado também começa a perder o otimismo. Isso pode ser positivo."

De certa forma hoje, todos que reagiram contra o golpe, alguns com mais otimismo e a maioria extremamente pessimista, pelo quadro desenhado e pelos atos e expressões que o acompanharam, olham para o horizonte com um pessimismo crescente e muita angustia e desalento. O que Luiz Felipe expressa é que agora, com a greve geral, mesmo os golpistas ou defensores da agenda golpista, passam a perder seu otimismo ufanista e exaltado. Ou seja a arrogância golpista passa a andar um pouco envergonhada.  

Pois, a cada dia que passa, se exibe mais nitidamente e escandalosamente a face vergonhosa e a disposição e o revanchismo, as hostilidades e absurdos, que a confraria golpista aplica duramente e impiedosamente contra a democracia e as instituições, os direitos dos trabalhadores e cidadãos e contra o patrimônio nacional, ficam mais e mais escancarados. E não é por falta de reação que eles fazem isso. Existem reações diversas, protestos, greves e manifestações por todo lado de descontentamento. Mas eles detém o poder e os poderes de certa forma. Mas sim pelo seu caráter usurpador e a baixa qualidade das ações dos usurpadores e a sua completa indiferença às repercussões e a sua blindagem midiática e ideológica, parece que nada vai mudar o curso das coisas e das ações. Vemos exemplos disso em toda a parte. Em Ministérios, em Tribunais, Parlamentos e Governos.

Creio que a situação começa a se reverter, porém, no sentido de que o “outro lado” parece recuperar terreno, mas que o povo de fato só os engole, porque não vê outra saída, não há outra alternativa. Porém, é preciso reconhecer que continuam sob suspeita, com uma crise de confiança e credibilidade que ainda não foi superada. Uma terceira via, porém, ao contrário do que imaginam seus players e apostadores, sofrerá também os mesmos riscos já postos à oposição atual e à situação atual. Não há um caminho neutro e defeso em relação ao grau de acirramento anterior a eleição ou posterior. Toda ilusão sobre isto precisa ser dissolvida para que o quadro real seja compreendido de fato e superado. Defendo aqui que não vai haver superação disso sem mudanças nos modos generalizados.

Eu ainda ando, portanto, sim muito pessimista, mesmo após ter lutado e continuar lutando e tentado reconstruir com meus companheiros e companheiras nosso patrimônio político. Apesar de termos realizado uma grande vitória em nossa cidade – São Leopoldo no Rio Grande do Sul - ainda vejo um quadro duro no futuro, duríssimo.

Mesmo que Lula consiga ser candidato e vença, o que não é nada impossível pela sua força no imaginário e pela sua capacidade efetiva de liderar a política em qualquer tempo, pelo nível de hostilidades, intolerância e pela falta de escrúpulos da oposição, talvez seja mesmo necessária uma solução autoritária para debelar toda a instabilidade e insustentabilidade política do país. E isto é um marco e um desafio muito ruim para todos os brasileiros. Não é uma alternativa nada agradável. É uma alternativa pesada, de alto custo, com muitos riscos, porém, não vejo mesmo outra. Pela esquerda ou pela direita, e mesmo pelo centro, portanto, esse parece o único caminho para sair do atoleiro em que fomos enfiados pela inconseqüência e irresponsabilidade de muitos agentes do cenário político e institucional brasileiro. É isso o motivo pelo qual escrevo agora sobre este tema. Sobre esta questão ardente que toca de fato a todos.

Vai ser muito difícil, com isto ou sem isto, conquistar estabilidade política e democracia plena de novo. Porque o animus beligerandi dissolve todo e qualquer espaço de convívio e de equilíbrio nas relações políticas e sociais e nos laços de confiança necessários para uma democracia.

Imagino uns dez anos ou vinte anos de reconstrução dolorosa ou de trágica perseguição deste objetivo no país. E a hipótese de reconstrução, que é a mais lógica e desejável, anda muito inviabilizada, porque a forma como os direitos são atacados, as cenas de violência institucional e verbal, a lanheza inescrupulosa da situação é sintoma de que eles já atravessaram o rubicão do bom senso faz tempo.
Uma idosa de 82 anos, que viveu a Segunda Guerra na Europa em sua infância, ao tratar do que ocorre no Brasil hoje, e vislumbrar a mesma perspectiva negativa que eu vejo e que ela também avista, me olhou e me questionou hoje. Se eu não ia fazer nada. Eu só respondi para ela: não posso fugir! Não posso abandonar o pais, minha família e filhas e ir embora deste filme e cenário. Não há refúgio possível. O exílio seria vergonhoso. A busca de uma vida melhor, seria moralmente um gesto de covardia para mim.

O quadro porém é péssimo e o golpe mostrou isso e a agenda golpista vai agravando isso. Poucos conseguem olhar para o quadro geral e negar que é gravíssima a situação. E, porém, apesar de tudo pelo que temos passado, ainda existem alguns companheiros e companheiras de esquerda que parecem fingir que nada aconteceu. Atuam na institucionalidade como se o cenário futuro fosse seguro e os males do passado contornáveis. Para eles, parece que basta a busca de apoio na sociedade, a busca de votos e que tudo será reconstruído com uma vitória eleitoral. Mesmo na relação entre companheiros, vejo que a coisa continua ruim. As relações deterioradas, os personalismos, os métodos de ruptura do debate sério, a retórica pseudo ideológica, as disputas por espaços em qualquer tipo de aparelho, continuam. Os velhos métodos continuam em ação. O povo nos apóia, porém, por isso mesmo, com uma certa desconfiança ma non troppo, dura e de doer que só será superada com mudança de método e de postura. E isto, porém, não tem ocorrido na cabeça de alguns, mesmo com toda a derrota que colhemos em 2016, alguns ainda se comportam como se estivéssemos em um jogo normal. Qualquer um que fale e dialogue com os cidadãos de forma livre e não doutrinária, sem dogmatismo ou imposição de opinião, sem excessos descabidos, sabe o que o povo, o cidadão e a cidadã pensa. “Conhecemos vocês, mas parece tudo igual.” Esse juízo está plantado na cabeça das pessoas. E não se pode mesmo atribuir tudo à grande mídia ou à uma grande lavagem cerebral. Algo de fato ocorreu e foi testemunhado pelos cidadãos e cidadãs.

É neste quadro que eu penso agora. Vencendo com Lula o nosso “que fazer?” será muito, mas muito arriscado. A lógica atual implantada e generalizada é o vale tudo pelo poder e o matar ou morrer assanha muitos em várias posições. A perda total de escrúpulos, empurra os cidadãos, a sociedade e o estado para um endurecimento cada vez maior. Não deixo, porém, de crer que neste cenário duro, talvez Lula seja realmente o líder político com maiores escrúpulos, mesmo após ter vivido o terrível pesadelo e perseguição covarde e impiedosa que tem vivido.

Caso Lula vença, até mesmo pelo nível de covardia que ele tem sofrido diuturnamente, vão com certeza tentar derrubar ele e não há, também, nenhuma perspectiva de que Lula se eleja com uma maioria de deputados e senadores que vão dar estabilidade ao seu governo. Nem a estratégia diplomática, de negociação e conciliação serve mais agora ou resolve o problema. A boa fé e a confiança no outro foi diluída. Força para derrubar os vícios não resolvidos e que não vão nos sustentar mais, é o que é necessário. E isto, como alternativa positiva, só será possível se forem reconstituídos certos valores intrínsecos à democracia.

Em teoria política, John Locke – talvez um dos maiores gênios políticos que já pisou nesta terra - fala em trust, quando trata de confiança. Para ele é isto que constitui os laços necessários entre os diferentes e os adversários. Isso é o que foi quebrado no Brasil. Não há mais trust no Brasil. E como se você não pudesse dar inicio a um debate ou a um jogo por falta de confiança de que o outro vá responder à altura e com qualidade. As respostas a qualquer lançamento ou proposição alternativa vem sempre com baixa qualidade e são em sua maioria desrespeitosas e intolerantes, inescrupulosas e vis. E alguns se prestam a reproduzir elas no espírito do “é isso mesmo”. E vão junto nesta lógica pelo efeito manada e orientados por uma paixão com gosto por soluções absolutas e definitivas, sem sequer pensar no curso perigoso destas preferências e paixões

A democracia é absolutamente insustentável sem laços e sem tolerância. Os pleitos eleitorais no Brasil ganharam uma dimensão muito ruim no último período. Alguns porque não sabem perder e outros porque vencem somente com marketing e sonegam seus programas vendendo ilusões de inocência e bom mocismo. E quando governam, é aquela desgraceira e irresponsabilidade eivada de choque de excelência, show de competência e muita barbaridade e absurdos na gestão pública. A regra geral dos perdedores agora não é mais fazer oposição, disputar projetos, mas derrubar à qualquer titulo ou pretexto, os eleitos. Não se aceitam os resultados e se prossegue tentando impugnar a representatividade e a legitimidade dos eleitos. Perdemos completamente o fair play. E com isto se ergue e se propaga a intolerância, o revanchismo e as hostilidades ilimitadas entre todos.

E a tolerância e os laços dissolvidos são de difícil resgate. Este resgate envolve resgate de valores. O que só se resolve com grandes valores para todos. É necessário, então, que todos queiram ou que a maioria dominante ou dos dois lados ou três da disputa queira e não basta mesmo que só uma facção ou fração queira.

É a falta de uma força de fé no futuro que atormenta este pais. Isso é justamente com o que nos debatemos negativamente em nossa discussão aqui agora no Brasil. Não há nenhuma expectativa mais de ações virtuosas de parte a parte. Isso é o fundo do poço de uma sociedade deteriorada. As hostilidades e a falta de boa vontade para desarmar elas, a falta de limite nas hostilidades e o abandono completo de qualquer forma de elegância nas disputas. A lógica do usurpador comtaminou a sociedade de uma perda completa dos escrúpulos. Ao assistir algumas sessões no Senado e na Câmara de Deputados, nas Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores vemos os mesmos sinais.

Porque está fé no futuro está dissolvida? Sabemos. Como reconstruí-la é o nosso problema. É isso o que me preocupa no texto do Luiz Felipe. Sim, os dois lados sentem que a situação está péssima, mas não há nenhuma iniciativa ou perspectiva de reversão. O que vemos é os golpistas aplicando um plano à revelia da grande maioria da sociedade. E toda a sociedade assiste isto, este espetáculo autocrático e autoritário, com reações que não obtém eco algum. Não há assentimento para a agenda golpista e mesmo assim ela persiste de forma assombrosa sendo aplicada pelo governo de modo irresponsável e irrazoável.

O país está dividido em três grandes facções. Duas partes intolerantes e uma que quer evitar ao máximo está refrega, fugir ou somente se proteger disso. É esta parte que se dobra e se vende fácil para a direita e fica corajosa contra a esquerda. No fundo, eles não temem a esquerda e por isto não respeitam a esquerda. Olha para esquerda como um conjunto de sonhadores, como uma fração de incapazes pela lógica das crenças plantadas e entranhadas na opinião pública e mesmo que a esquerda esteja certa, persistem submissos à agenda golpista. Rejeitam a agenda em todas as pesquisas de opinião, mas não dão o passo em frente de repudiar publicamente esta agenda. Roda a roda e não produzem posições públicas. Se mantém alguns ainda muito tímidos e recuados, para não dizer omissos. Porém, não haverá água que lave as suas mãos, quando o inferno social brasileiro se consagrar. Eles olham para o quadro geral como se fosse apenas um caso de não chorar pelo leite derramado. Porém, é de outra cor a substância que escorre de suas omissões e indiferenças.

Esta parte, que era bem mais tímida no passado, está solta no espaço virtual e ultra-pragmática e repete a retórica golpista no mundo real. Legítima o golpe pelo é isso mesmo também. Está difícil reconstruir, então, uma posição sensata na sociedade. Com as igrejas e seitas crescendo – e todo respeito meu vai aqui para aqueles que efetivamente e responsavelmente não fazem isso - só aumenta a intolerância e o fanatismo. E isso leva aquelas fantasias conhecidas de dar solução absoluta e final para qualquer tipo de problema. Isso tem seduzido uma parte da sociedade.

Acho que é bom vacinar as pessoas neste quadro e contra as perspectivas negativas de cenário futuro. Até porque mesmo uma terceira via corre os mesmos riscos autoritários. E isso não é vantajoso para ninguém. Só para os insensatos. E ninguém razoável quer ser governado por insensatos. Este é o extremo risco que corremos. Sermos governados por insensatos e de forma insensata e sofrer um avanço autoritário na relação entre estado e sociedade no Brasil. Vejam que isto já ocorre claramente em muitos estados e cidades e que o modus operandi do governo federal no congresso, segue claramente a mesma lógica. Nem vou, porém, falar nada do judiciário desta vez. Porque dispensa completamente comentários e considerações de qualquer natureza. Enfim, esta é a questão ardente e que interessa a todos responderem no Brasil: como superar o quadro atual e o animus beligerandi atual do nosso pais?



NO TRUST
NO FUTURE
THIS IS A BURNING QUESTION

Daniel Adams Boeira

São Leopoldo, 5 de maio de 2017.


P.S.: O texto é resultado de diversos diálogos sobre a conjuntura nacional que desde o ano passado tenho realizado. Grandes amigos e amigas, alunos e alunas, colegas e profissionais de educação, jornalismo, agentes políticos e militantes sociais e sindicais. Também empresários e setores médios que passam a reagir contra os descalabros do governo Temer. Donas de casa, país de família e trabalhadores que tem memória histórica da ditadura militar. Muitos poderão ser citados aqui por que apontaram uma ponta ou outra deste meu texto literário que não passa de um encordoamento de impressões e ideias de muitos. Agradeço... Espero que o conteúdo do texto seja realmente uma ficção nossa. A questão interna ao PT, que evitei expressar aqui, apesar das críticas apresentadas, no fundo, é para mim mais ou menos assim: Acho que a questão real é Muda PT, por que o povo brasileiro quer voltar a confiar em você.

DA BELEZA À MORTALIDADE NA ROSA




“A beleza pode ser vista como algo que põe a casa em ordem, digamos, para permitir uma apreciação de outras coisas, do mundo, de coisas para lá de nós próprios e das nossas limitadas preocupações. A beleza dos territórios selvagens fala da grandiosidade da natureza e da pequenez dos seres humanos; a beleza da paisagem rural fala do cuidado e atenção de gerações de pessoas que dela cuidaram; a beleza da rosa fala da natureza fugaz do prazer e da aceitação da mortalidade.”


Simon Blackburn

domingo, 16 de abril de 2017

LONGO PERÍODO SEM POSTAR

Desde o dia 5 de março sem postar nada aqui. Após anos de excessos e muitas postagens estou cumprindo uma certa quarentena para aprimorar mais meu texto e dar mais qualidade às expressões que uso. Em diversos sentidos este represamento tem me feito bem. Coisas que me ocupam e me desafiam tem recebido mais reflexão e isto tem ocorrido de forma muito mais paciente. E também ao refrear meus impulsos acabo deixando de meter o bedelho em tantos assuntos e de responder a um impulso desmedido de posição e opinião para tudo. Não que não tenha, mas não creio que exista tanta originalidade assim em algumas das minhas posições e tenho gostado muito de certas posições de pessoas que podem ser meus porta vozes ou líderes em certas questões. Acabo também relendo e revisando muitas coisas antigas. Hoje por exemplo revisei agora cedo a homenagem ao meu pai e corrigi e completei algumas expressões. Um abraço.

domingo, 5 de março de 2017

DIAS DE REFLEXÃO

Dias de muita reflexão e ação que tem me feito modular bem mais meus sentimentos. Descobertas interessantes em reeleituras de postagens, livros, poemas, crônicas e mesmo canções. Ando escrevendo bem mais ultimamente e percebo uma tendência a aumentar ainda mais isso na vida. Aprendendo em silêncio e muita paciência a fazer a observação dos meus sentimentos, das minhas dores e revoltas, das emoções e percebendo minhas velhas paixões quando se apresentam com mais calma. Aprendendo a perceber os sentimentos calados nas outras pessoas também. E daí escrevo ou faço um desenho mental de textos e histórias. Conseguiria narrar detalhadamente muitas coisas e experiências hoje e fico impressionado com isto e com este impulso para isto. O desenho do mundo parece ficar mais nítido a cada dia que passa. Observando de certa distância as coisas e as pessoas e entendendo as ocupações e passatempos importantes de cada um. Observando detalhes nas condutas e aquela linguagem silenciosa das almas que só o corpo comunica. Percebendo, por conta disto o meu lugar nenhum e o quanto posso me sentir estranho no mundo, apesar de parecer conectado e adaptado completamente nele. Entendendo agora e bem melhor todos os desalinhos e descaminhos da vida e desta estrada. Olhando para as situações da vida e compreendendo as famosas escolhas inadiáveis, definitivas e absolutas. Rindo muito delas por perceber suas fragilidades e suas fraquezas. Tenho a nítida impressão que tudo já foi resolvido, que nada mais pode mudar, mas sei também por este senso de observação que estou enganado. Indo para o tempo é o nosso momento percebo sinais de mudança, muitas mudanças. O ano começou assim, todo atrapalhado, ocupado, carregado, mas parece que vai de desafogar mais rapidamente do que se imagina e parte do sucesso nisto está em ouvir o coração, acalmar os ânimos e saber calar toda ansiedade a minha volta. Boa vontade, paciência e muita compreensão de mim e de todo mundo deve ser o suficiente mesmo. Nada mais que isso e agir da forma mais correta que eu consigo pensar.

PÉROLAS DE UMA NOITE DE VERÃO

A vida é dura com a gente. Não dá moleza. Dá só um pedacinho, o resto ou a gente conquista ou a gente perde.

Para recuperar a inteligência coletiva desta cidade será necessário que alguns sábios deixem de ser expertos.

E sem a inteligência coletiva desta cidade todo trabalho e dedicação será desperdiçado ali adiante.

Então a pergunta moral mais importante não é quem é o culpado, mas quem vai ajudar de fato a resolver.

Não existe este lugar a partir do qual dá para morder e assoprar e fazer de conta que não tem nada que ver com isto.

São Leopoldo não é um vilarejo de alienados, antistas e inocentes, ninguém aqui é criança ou aprendiz e já faz muito tempo.

A questão não é Deus tá vendo, mas os trabalhadores, servidores e cidadãos estão vendo.
Então, para usar uma chave bem rigorosa tá na hora de sair da menoridade nesta cidade e acabar com este mundo da fantasia.

Então, para usar uma chave bem rigorosa, tá bem na hora de sair da menoridade nesta cidade e acabar com este mundo da fantasia.

Filosofar e viver não é trololó. E quem não tem vergonha na cara que comece a ter.


E se não tem responsabilidade, conceito e juízo que se abstenha de brincar de sofismar em público para gente.

ZECA DIABO E OS TREZENTOS ARGUMENTOS

Essa linguagem ou mensagem em uma enésima potência é imaginável para você? Pense não num batalhão de trezentos bandoleiros, mas em trezentos argumentos que repousam sobre fatos e não fantasias e que são arguidos por pessoas sérias e não aventureiros e espertinhos. Zeca diabo é uma bela metáfora do mundo que você ainda não está entendendo. Vai encarar? Ha ha ha ha ha....

SOBRE O FIM DA FILOSOFIA - 2015 revisado, e vai de novo para minha amada filha Isabella Fortes

Creio que a filosofia e aqueles que se ocupam dela parecem estar todos bloqueados numa espécie de momento de transição entre o logicismo e o existencialismo. Paramos em um vão de acesso em que estas duas correntes se encontram. Como a pororoca encontra as águas do oceano, as cores e as águas se misturam. Não se trata somente de rótulos de um ou a prática e métodos de outro. Se trata da nossa conexão entre reflexão e vida real, e não somente a nossa vida pessoal ou a nossa reflexão pessoal sobre a vida. O pensamento tem que ir sim para além do eu, para além do próximo e alargar cada vez mais nossas fronteiras de compreensão. Mas também precisa ir para além da escola, ir para além dos dogmas da melhor escola - nem analítica, nem continental, nem crítica, nem niilista, nem estrutural ou idealista - os rótulos não são a questão, são tratamentos da questão.O movimento de redução e simplificação pode envolver tanto a redução do enquadramento quanto a ampliação excessiva do foco. Numa perspectiva só se avista o detalhe do detalhe e na outra somente aquilo que é grandioso aos olhos ou aos conceitos. A superação disso parece estar sendo construída por quem consegue compreender as duas tradições e ultrapassar as fronteiras que desde o século XIX dominam a cena. Estou prescindindo aqui sim do marxismo que é redutível - com muito esperneio justo, mas ineficaz, ao existencialismo, mas ele volta - e do tomismo que é redutível também ao logicismo e ou filosofia analítica. Mas aduzo aqui alguma coisa sobre a saída possível: o conhecimento humano sofreu uma dilatação tão grande e uma especialização tão grande que ainda resta papel para organizar formalmente isso e conectar isso com a vida. A crise é sair do clichê fixo e se arriscar. E não serão nem os cosmólogos e nem os neurocientistas que vão fazer este trabalho para além de suas especialidades, não. A proeza retórica de arguir o grande avanço da ciência parece que não tem olhado direito para o nosso mundo real e seu estado deplorável sob um viés histórico e humano e ainda é preciso fazer isso até que a filosofia acabe com sua tarefa de garantir a reflexão ali aonde a dominação e a exploração continuam o governo dos homens. Dizem que quem não faz política, sofre a política dos outros, pois quem não reflete de fato sobre isto acaba sendo governado pela reflexão dos outros. E até onde sei a gente ainda quer ser livre, feliz e viver em sociedades justas. Então, a corujinha ainda tem muito barulhinho para fazer...

DANI AHEAD

Depois de ver a cinebiografia Miles Ahead e ter traduzido por Miles descabeçado, poderia ter sido sem cabeça, ocorre que semana que vem vou viver nominalmente uma temporada AHEAD. Fiz toda uma preparação diferencial hoje pensando nas aulas que vão abordar isso. prometo relato detalhado se superar a condição inicial para fazer isso. Como um acéfalo pode dar aulas ou apresentar uma aula? Miles saiu da bad trip ensinando um jovem algumas notas...e vamos ver por onde começar.

TECLE 15 E ANULE - SEMPRE QUE PUDER

me perdoa quem acha que eu estou exagerando, quem acha que eu não devia falar de política, quem está cansado de lidar com seus próprios remorsos e culpas, quem é mais sábio, phyno e elegante do que eu, mas a única recomendação que eu devo dar para quem votou nele e na turma dele é ir treinando desde já - TODA VEZ QUE FOR AO BANCO DIGITAR UMA SENHA APROVEITA O TECLADO E FAÇA ASSIM

TECLE 1
TECLE 5
CONFERE SE DEU 15
E PARA TERMINAR

ANULE


TCHAU - E VÊ SE APRENDE

INDIVIDUALISMO

O individualismo é tão pernicioso e deletério que deveríamos ter conteúdos específicos na escola que tratassem desta forma de desvão entre o homem e a humanidade, entre o homem e o mundo. É uma espécie de macro fantasia ou ilusão de grandeza ou delírio assoberbante. Mas o que ocorre nas nossas sociedades ocidentais e em meio ao capitalismo é justamente o contrário. Além de se fazer, através de péssimas condutas e atuações e com campanhas também, picadinho de qualquer idéia de que um coletivo, instituições, a democracia ou  a participação política responsável tenha alguma eficácia, ocorre a promoção do individualismo, sua glamourização  e mesmo a eleição de que o único caminho para a felicidade é individual. Então, toda vez que alguém diz que não é possível ser feliz sozinho, olha se para isto como uma espécie de ditame exclusivamente afetivo, emocional e do nível das relações privadas ou da intimidade. Raramente se avista ai a dimensão social mais ampla. Há, portanto, não somente nas aparências uma grande tendência incentivada por ai de estabelecer o fundamento do sucesso existencial no sujeito. Na perspectiva da intimidade não vemos nenhum sucesso na solidão, isso fica claro, ou sem boas relações sociais o que precisa ser mais batido e repetido. Então, me sinto uma pessoa bem sucedida em muitos aspectos, mas não teria nenhum êxito, sem todo apoio e ajuda que recebi dos outros. Não me vejo mesmo como um sujeito social isolado. E digo isso com muita gratidão inclusive. A minha auto estima e auto confiança já foi muito estimulada e corrigida em suas faltas e em seus excessos pelos amigos...assim, penso que deveria ser pensado pelos amigos e amigas que me lêem a necessidade de termos muito equilíbrio ai nesta relação entre individuo e coletividade.

LÁ VEM O BRASIL DESCENDO A LADEIRA - NO PIOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS -

Texto que o Florestan Junior escreveu para nós que já começamos a dizer isto faz tempo e para aqueles que fazem de conta que não estão entendendo ou que não tem nada que ver com isto...

Cabeças vão rolar

Presos decapitados, crianças socadas até a morte, assaltos seguidos de morte, estupros, médicos desejando a morte de paciente, jogador de futebol libertado pela justiça depois de crime bárbaro contra a própria mulher. Estamos numa profunda crise moral. No Brasil do pós golpe tudo é possível, o ódio substituiu a esperança. No estado do Rio de Janeiro o latrocínio praticamente dobrou de janeiro de 2016 para janeiro de 2017 passando de 133 casos para 239. Em São Paulo, o latrocínio aumento 45% e os estupros comunicados na capital tiveram um crescimento de 22%. O Brasil vem descendo a passos largos a ladeira que leva à selvageria. Boa parte das instituições estão à beira da falência financeira e ética. Não funcionam e nem respondem às necessidades da maioria dos cidadãos. Os partidos e seus políticos, parte do funcionalismo, empresários poderosos, juízes, policiais e alguns órgãos da grande mídia chafurdam na lama das delações premiadas. Em Curitiba, a Lava Jato insiste em jogar água num único partido, aquele que já nem mais está no poder. Pior: paralisou por 2 anos as grandes obras públicas em andamento nas esferas federal, municipal e estadual. Alimentou a recessão que já colocou no desemprego 13 milhões de trabalhadores. No comando da Nação, um governo com pouca legitimidade e sem projetos para o país vai vendendo nossas riquezas e propondo cortes nas áreas sociais. O vice que virou presidente não empolga, é um equilibrista andando na corda bamba das negociatas de cargos para não cair. Antes que seja tarde demais deveríamos retornar à democracia com eleição direta para presidente. Do contrario a ruptura virá e com ela o imponderável, inclusive a possibilidade de convivermos com corpos e cabeças decepadas no nosso próprio caminho.

Por Florestan Fernandes Junior