A ignorância não sabe que a
primeira forma de organização política da classe trabalhadora foram os
sindicatos ou ligas operárias. Mas que em todas elas a consigna bem ampla de
conquistar o direito ao sufrágio, poder eleger seus representantes, disputar a
política para conquistar, preservar e avançar em seus direitos, ter liberdade
para se organizar em partidos e em organizações políticas internacionais sempre
esteve presente, expressa ou latente nos debates. E que foi isso que nos trouxe
até aqui com um conjunto de direitos, organizações e liberdades que já foram
muito contestadas pelos poderosos, pelos exploradores, por seus cães de aluguel
e também pelos que não tem consciência de classe, seja por falta de identidade,
seja por serem educados numa espécie de mundo mágico de Oz, onde os
trabalhadores são sempre os bandidos, os ignorantes, os brutais e idiotas e os
patrões, doutores senhores de bem são sempre bonzinhos, inteligente, sábios e
honestos. Ora, o capitalismo inteiro está baseado em expoliação, exploração,
imposição e dominação. E não é a classe trabalhadora que tem ganho o maior
quinhão neste jogo. Então, pare de bobagem e vá ler um livro decente sobre isto
em vez de ficar dando palpite e expressando opinião sobre o que você não sabe,
ignora e nunca se dispôs a estudar com seriedade. Acordou agora com a greve
geral que te atrapalhou a vida, te sacudiu a cabeça, então vá tomar um café
como classe trabalhadora e para de achar que está em cima de um largo dique
observando as águas naturais de um lado e a boa civilização comportada de
outro. sério....
POLÍTICA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, DEMOCRACIA, DEMOGRAFIA, GEOGRAFIA, lITERATURA, POESIA E ARTE - TEXTOS PARA INFORMAR, DIVULGAR, LER E CRITICAR - Daniel Adams Boeira - 13 de junho de 2009 - daniel underline boeira arroba yahoo ponto com ponto br
domingo, 7 de maio de 2017
COVARDIA MORAL E CORAGEM POLÍTICA NO BRASIL
Aqui no Brasil tem uma craca que
vive de espertezas, de tirar vantagem em tudo, de bancar o malandro. E há até
um elogio e uma admiração pela picaretagem e pilantragem bem sucedida. Vivemos
num país cuja elite é especializada em tirar vantagem em tudo. Não é a lei de
Gerson, é uma espécie de lei colonial. Se é possível enganar, ludibriar,
enrolar e blefar toca em frente. Se pegar, pegou. E boa parte do povo
brasileiro assiste isto com considerações pessimistas de que é assim mesmo,
nunca vai mudar e de que precisamos conviver com isto. Suportar isto. É ainda
tem aquela fração miserável e intermediária que quer chegar neste top. A
glamourização da pilantragem, o puxa saquismo com usurpadores, a bajulação dos
autoritários, é típica do que podemos chamar de covardia moral. Muito fácil
aceitar o autoritarismo covardemente e se encorajar contra a esquerda a
qualquer título que usando de subterfúgios, mas a partir de um pressuposto bem
comum: a esquerda é idealista e sonhadora. Daí se segue o tradicional e
conhecido viralatismo depressivo.
O DIA DOS TRABALHADORES EM CHICAGO
"Chicago está cheia de
fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor do edifício mais
alto do mundo. Chicago está cheia de fábricas. Chicago está cheia de operários.
Ao chegar ao bairro de Heymarket,
peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886,
aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.
— Deve ser por aqui — me dizem.
Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de
Chicago na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze,
nem nada.
O primeiro de maio é o único dia
verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem
todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as
culturas do mundo; mas nos Estados Unidos, o Primeiro de maio é um dia como
qualquer outro.
Nesse dia, as pessoas trabalham
normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe
operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.
Após a inútil exploração de
Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E
lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que
esta como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música,
rock e cinema.
O cartaz reproduz um provérbio da
África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de
caçadas continuarão glorificando o caçador."
Eduardo Galeano, 1991.
Lênin, seu malvado e terrível homem. Teu fantasma ronda a burguesia.
“Cada greve lembra aos
capitalistas que os verdadeiros donos não são eles, e sim os operários, que
proclamam seus direitos com força crescente. (…) Nos tempos atuais, pacíficos,
o operário arrasta em silêncio sua carga, não reclama ao patrão, não reflete
sobre sua situação. Durante uma greve, o operário proclama em voz alta suas
reivindicações, lembra aos patrões todos os atropelos de que tem sido vítima,
proclama seus direitos, não pensa apenas em si ou no seu salário, mas pensa
também em todos os seus companheiros, que abandonaram o trabalho junto com ele
e que defendem a causa operária sem medo das provações”.
– Lênin, Sobre as Greves, 1899.
A VIRTUDE É A VERDADE NA MEDIDA EXATA
Veja que você toma vários sustos
por dia e tem que aprender a não assustar ninguém com isso. Aprender a
amortecer os golpes, atenuar a dor, relevar descuidos e indelicadezas, superar
barreiras emocionais, suplantar raivas e rancores, diminuir pela metade o
tamanho dos monstros, cortar ao meio ou eliminar as descargas de tudo quanto é
tipo de gente, por qualquer motivo irrisório ou por motivos importantes.
Respirar fundo e chamar a
paciência e a boa vontade para governar teu espírito. Aprender a ficar
tranquilo, para aguentar a barra e ser capaz, no que for possível, de mudar o
rumo dos acontecimentos, mudar o curso das ações insensatas e desmedidas.
Procurar o tom e a virtude exata para responder às situações. É em muitas vezes
como essas que nós sentimos que lidamos com as emoções mais sutis de muitas
pessoas, ao mesmo tempo.
Eis que, então, ai vem aquela
palavra que nos é tão cara na vida e na filosofia: cuidado. Pois as pessoas são
mais delicadas e sensíveis do que parecem à primeira vista. Diga para si
mesmo: calma cara. Pense mesmo que você vai passar por tudo isso e que tudo
acabará bem. E a única palavra de consolo aqui é a verdade.
Aprendi mesmo que nenhuma
doutrina sobre o APARECIMENTO ou o DESAPARECIMENTO, nenhuma das outras
doutrinas sobre o fim de todas as coisas ou o começo de todas as coisas que
excede o nosso tempo, pode substituir a verdade. Falo aqui, então, daquilo que
você é capaz de compreender e demonstrar como verdadeiro no aqui e no agora
mais imediato possível. Saia do quadro geral e mais amplo dá totalidade para
ver isto é depois volte a ele para verificar como ficam as coisas depois disso.
Veja sim que a fé é um bom apoio quando não temos para onde correr. Que a
expectativa positiva é um bom amparo no desalento e na lamentação, mas não
consegue resolver sozinha a questão da verdade e da imposição da realidade
sobre nossas vidas. Nós sempre queremos todos os milagres e abençoados são
aqueles que obtém milagres, mas a regra é outra. Por isso, para terminar, tome
esta verdade pela mão que por mais mínima que ela pareça é com ela que vais
sobreviver.
Como dizem muitos por aí, aos
olhos de Deus menos pode ser mais e mais pode ser menos. É se você não acredita
nele, isso não te impede de usar aqui a mesma regra. Diminua o tamanho dos teus
problemas, simplifique e resuma. Esta velha regra para a direção do espírito há
de te fazer bem e te poupar de muitas confusões pelo excesso e pela desmedida.
Descartes tinha razão em muitas coisas, nos deixou muitos anos argumentos
interessantes, mas sempre me convenço que suas maiores contribuições foram
formais e que, por incrível que pareça, a grande maioria delas tem aplicação
moral e nos ajudam a chegar a um equilíbrio nas paixões e tocar a vida de forma
mais virtuosa.
POBRE BRASIL
"Nos anos de 1990, o México
implantou todas as reformas neoliberais exigidas pelo mercado, incluindo a
previdenciária e a trabalhista. Hoje, por conta da elevada informalidade do
mercado de trabalho, a maioria da população economicamente ativa não contribui
para o sistema; como resultado, 77% dos idosos não têm cobertura
previdenciária; e, a pobreza alcança 39% da população. Quer saber como será a
questão social brasileira daqui a 20 anos? Estude e entenda o que está
acontecendo no México."
NÃO VOU SERVIR
Stephen Dedalus: " Eu vou te
dizer o que vou fazer e o que eu não vou fazer. Eu não vou servir aquele em que
não acredito mais, se ele se chamar de meu lar, minha pátria, ou a minha
igreja: e eu vou tentar me expressar em um modo de vida ou arte tão livremente
como posso e como inteiramente como eu posso pensar, usando para minha defesa
as únicas armas que eu posso me permitir usar – o silêncio, o exílio e a astúcia."
Retrato de um artista quando
jovem. James Joyce.
Original: "I will tell you what I will do
and what I will not do. I will not serve that in which I no longer believe,
whether it call itself my home, my fatherland, or my church: and I will try to
express myself in some mode of life or art as freely as I can and as wholly as
I can, using for my defence the only arms I allow myself to use — silence,
exile and cunning."
Do Pessimismo para a Graça 1
Agora entendo a dedicação de
muitos ao humorismo na ditadura militar. Ou seja, entendo porque muitos ficaram
fazendo graça ou pirraça na ditadura militar. Não é por cinismo não. De fato,
trata-se de uma estratégia de sobrevivência. Um recurso para preservar a
sanidade em meio a loucura e a decadência de um país, isto é, um meio para
sobreviver no reino da burrice.
Dureza é a vida para qualquer inteligência
mediana e bem informada neste país. Lendo os compartilhamentos que fiz no ano
passado e tendo a perspectiva pior em qualquer direção que as coisas sigam me
dei conta do todo da obra, do alcance e das implicações do ridículo que
vivemos.
Se fica pessimista sim. Este é um
pessimismo racional de certa forma. Não vamos sair mesmo do pior dos mundos
possíveis, o muro de lamentações e os e prejuízos sociais e culturais vão nos
próximos dez ou vinte anos só aumentar.Vou virar humorista. Acho que é a única
saída mesmo. Muita ironia e garbosidade. Bom humor e informação precisa ajudam
muito na sobrevivência psíquica dá gente. Mantendo, então, a ternura, mas
endurecendo nas tintas.
SOBRE O ESTADO DE COISAS NO BRASIL E SUAS PERSPECTIVAS E SAÍDAS: THE BURNING QUESTION
Meu bom amigo, ótimo fotógrafo e
professor de filosofia, Luiz Felipe Sahd, postou no seu perfil do Facebook,
após a greve geral, o seguinte texto ou comentário:
"Breve comentário: após o
golpe de Estado e a instauração do estado de exceção judicial, fiquei descrente
em relação a possibilidade de construir uma sociedade mais democrática que
superasse aos poucos o direito penal do inimigo no trato das relações sócio
jurídicas entre os mais pobres, a grande maioria da população. Mas depois de
hoje, da greve geral, mesmo mantendo a falta de otimismo, começo a achar que o
outro lado também começa a perder o otimismo. Isso pode ser positivo."
De certa forma hoje, todos que
reagiram contra o golpe, alguns com mais otimismo e a maioria extremamente
pessimista, pelo quadro desenhado e pelos atos e expressões que o acompanharam,
olham para o horizonte com um pessimismo crescente e muita angustia e
desalento. O que Luiz Felipe expressa é que agora, com a greve geral, mesmo os
golpistas ou defensores da agenda golpista, passam a perder seu otimismo
ufanista e exaltado. Ou seja a arrogância golpista passa a andar um pouco
envergonhada.
Pois, a cada dia que passa, se
exibe mais nitidamente e escandalosamente a face vergonhosa e a disposição e o
revanchismo, as hostilidades e absurdos, que a confraria golpista aplica
duramente e impiedosamente contra a democracia e as instituições, os direitos
dos trabalhadores e cidadãos e contra o patrimônio nacional, ficam mais e mais
escancarados. E não é por falta de reação que eles fazem isso. Existem reações
diversas, protestos, greves e manifestações por todo lado de descontentamento.
Mas eles detém o poder e os poderes de certa forma. Mas sim pelo seu caráter
usurpador e a baixa qualidade das ações dos usurpadores e a sua completa indiferença
às repercussões e a sua blindagem midiática e ideológica, parece que nada vai
mudar o curso das coisas e das ações. Vemos exemplos disso em toda a parte. Em
Ministérios, em Tribunais, Parlamentos e Governos.
Creio que a situação começa a se
reverter, porém, no sentido de que o “outro lado” parece recuperar terreno, mas
que o povo de fato só os engole, porque não vê outra saída, não há outra
alternativa. Porém, é preciso reconhecer que continuam sob suspeita, com uma
crise de confiança e credibilidade que ainda não foi superada. Uma terceira
via, porém, ao contrário do que imaginam seus players e apostadores, sofrerá
também os mesmos riscos já postos à oposição atual e à situação atual. Não há
um caminho neutro e defeso em relação ao grau de acirramento anterior a eleição
ou posterior. Toda ilusão sobre isto precisa ser dissolvida para que o quadro
real seja compreendido de fato e superado. Defendo aqui que não vai haver
superação disso sem mudanças nos modos generalizados.
Eu ainda ando, portanto, sim
muito pessimista, mesmo após ter lutado e continuar lutando e tentado
reconstruir com meus companheiros e companheiras nosso patrimônio político.
Apesar de termos realizado uma grande vitória em nossa cidade – São Leopoldo no
Rio Grande do Sul - ainda vejo um quadro duro no futuro, duríssimo.
Mesmo que Lula consiga ser
candidato e vença, o que não é nada impossível pela sua força no imaginário e
pela sua capacidade efetiva de liderar a política em qualquer tempo, pelo nível
de hostilidades, intolerância e pela falta de escrúpulos da oposição, talvez
seja mesmo necessária uma solução autoritária para debelar toda a instabilidade
e insustentabilidade política do país. E isto é um marco e um desafio muito
ruim para todos os brasileiros. Não é uma alternativa nada agradável. É uma
alternativa pesada, de alto custo, com muitos riscos, porém, não vejo mesmo
outra. Pela esquerda ou pela direita, e mesmo pelo centro, portanto, esse
parece o único caminho para sair do atoleiro em que fomos enfiados pela inconseqüência
e irresponsabilidade de muitos agentes do cenário político e institucional
brasileiro. É isso o motivo pelo qual escrevo agora sobre este tema. Sobre esta
questão ardente que toca de fato a todos.
Vai ser muito difícil, com isto
ou sem isto, conquistar estabilidade política e democracia plena de novo.
Porque o animus beligerandi dissolve todo e qualquer espaço de convívio e de
equilíbrio nas relações políticas e sociais e nos laços de confiança
necessários para uma democracia.
Imagino uns dez anos ou vinte
anos de reconstrução dolorosa ou de trágica perseguição deste objetivo no país.
E a hipótese de reconstrução, que é a mais lógica e desejável, anda muito
inviabilizada, porque a forma como os direitos são atacados, as cenas de
violência institucional e verbal, a lanheza inescrupulosa da situação é sintoma
de que eles já atravessaram o rubicão do bom senso faz tempo.
Uma idosa de 82 anos, que viveu a
Segunda Guerra na Europa em sua infância, ao tratar do que ocorre no Brasil
hoje, e vislumbrar a mesma perspectiva negativa que eu vejo e que ela também
avista, me olhou e me questionou hoje. Se eu não ia fazer nada. Eu só respondi
para ela: não posso fugir! Não posso abandonar o pais, minha família e filhas e
ir embora deste filme e cenário. Não há refúgio possível. O exílio seria
vergonhoso. A busca de uma vida melhor, seria moralmente um gesto de covardia
para mim.
O quadro porém é péssimo e o
golpe mostrou isso e a agenda golpista vai agravando isso. Poucos conseguem
olhar para o quadro geral e negar que é gravíssima a situação. E, porém, apesar
de tudo pelo que temos passado, ainda existem alguns companheiros e
companheiras de esquerda que parecem fingir que nada aconteceu. Atuam na
institucionalidade como se o cenário futuro fosse seguro e os males do passado
contornáveis. Para eles, parece que basta a busca de apoio na sociedade, a
busca de votos e que tudo será reconstruído com uma vitória eleitoral. Mesmo na
relação entre companheiros, vejo que a coisa continua ruim. As relações
deterioradas, os personalismos, os métodos de ruptura do debate sério, a
retórica pseudo ideológica, as disputas por espaços em qualquer tipo de
aparelho, continuam. Os velhos métodos continuam em ação. O povo nos apóia,
porém, por isso mesmo, com uma certa desconfiança ma non troppo, dura e de doer
que só será superada com mudança de método e de postura. E isto, porém, não tem
ocorrido na cabeça de alguns, mesmo com toda a derrota que colhemos em 2016,
alguns ainda se comportam como se estivéssemos em um jogo normal. Qualquer um
que fale e dialogue com os cidadãos de forma livre e não doutrinária, sem
dogmatismo ou imposição de opinião, sem excessos descabidos, sabe o que o povo,
o cidadão e a cidadã pensa. “Conhecemos vocês, mas parece tudo igual.” Esse
juízo está plantado na cabeça das pessoas. E não se pode mesmo atribuir tudo à
grande mídia ou à uma grande lavagem cerebral. Algo de fato ocorreu e foi
testemunhado pelos cidadãos e cidadãs.
É neste quadro que eu penso
agora. Vencendo com Lula o nosso “que fazer?” será muito, mas muito arriscado.
A lógica atual implantada e generalizada é o vale tudo pelo poder e o matar ou
morrer assanha muitos em várias posições. A perda total de escrúpulos, empurra
os cidadãos, a sociedade e o estado para um endurecimento cada vez maior. Não deixo,
porém, de crer que neste cenário duro, talvez Lula seja realmente o líder
político com maiores escrúpulos, mesmo após ter vivido o terrível pesadelo e
perseguição covarde e impiedosa que tem vivido.
Caso Lula vença, até mesmo pelo
nível de covardia que ele tem sofrido diuturnamente, vão com certeza tentar
derrubar ele e não há, também, nenhuma perspectiva de que Lula se eleja com uma
maioria de deputados e senadores que vão dar estabilidade ao seu governo. Nem a
estratégia diplomática, de negociação e conciliação serve mais agora ou resolve
o problema. A boa fé e a confiança no outro foi diluída. Força para derrubar os
vícios não resolvidos e que não vão nos sustentar mais, é o que é necessário. E
isto, como alternativa positiva, só será possível se forem reconstituídos
certos valores intrínsecos à democracia.
Em teoria política, John Locke –
talvez um dos maiores gênios políticos que já pisou nesta terra - fala em
trust, quando trata de confiança. Para ele é isto que constitui os laços
necessários entre os diferentes e os adversários. Isso é o que foi quebrado no
Brasil. Não há mais trust no Brasil. E como se você não pudesse dar inicio a um
debate ou a um jogo por falta de confiança de que o outro vá responder à altura
e com qualidade. As respostas a qualquer lançamento ou proposição alternativa
vem sempre com baixa qualidade e são em sua maioria desrespeitosas e
intolerantes, inescrupulosas e vis. E alguns se prestam a reproduzir elas no
espírito do “é isso mesmo”. E vão junto nesta lógica pelo efeito manada e
orientados por uma paixão com gosto por soluções absolutas e definitivas, sem
sequer pensar no curso perigoso destas preferências e paixões
A democracia é absolutamente
insustentável sem laços e sem tolerância. Os pleitos eleitorais no Brasil ganharam
uma dimensão muito ruim no último período. Alguns porque não sabem perder e
outros porque vencem somente com marketing e sonegam seus programas vendendo
ilusões de inocência e bom mocismo. E quando governam, é aquela desgraceira e
irresponsabilidade eivada de choque de excelência, show de competência e muita
barbaridade e absurdos na gestão pública. A regra geral dos perdedores agora
não é mais fazer oposição, disputar projetos, mas derrubar à qualquer titulo ou
pretexto, os eleitos. Não se aceitam os resultados e se prossegue tentando
impugnar a representatividade e a legitimidade dos eleitos. Perdemos
completamente o fair play. E com isto se ergue e se propaga a intolerância, o
revanchismo e as hostilidades ilimitadas entre todos.
E a tolerância e os laços
dissolvidos são de difícil resgate. Este resgate envolve resgate de valores. O
que só se resolve com grandes valores para todos. É necessário, então, que
todos queiram ou que a maioria dominante ou dos dois lados ou três da disputa
queira e não basta mesmo que só uma facção ou fração queira.
É a falta de uma força de fé no
futuro que atormenta este pais. Isso é justamente com o que nos debatemos
negativamente em nossa discussão aqui agora no Brasil. Não há nenhuma
expectativa mais de ações virtuosas de parte a parte. Isso é o fundo do poço de
uma sociedade deteriorada. As hostilidades e a falta de boa vontade para
desarmar elas, a falta de limite nas hostilidades e o abandono completo de
qualquer forma de elegância nas disputas. A lógica do usurpador comtaminou a
sociedade de uma perda completa dos escrúpulos. Ao assistir algumas sessões no
Senado e na Câmara de Deputados, nas Assembléias Legislativas e Câmaras de
Vereadores vemos os mesmos sinais.
Porque está fé no futuro está
dissolvida? Sabemos. Como reconstruí-la é o nosso problema. É isso o que me
preocupa no texto do Luiz Felipe. Sim, os dois lados sentem que a situação está
péssima, mas não há nenhuma iniciativa ou perspectiva de reversão. O que vemos
é os golpistas aplicando um plano à revelia da grande maioria da sociedade. E
toda a sociedade assiste isto, este espetáculo autocrático e autoritário, com
reações que não obtém eco algum. Não há assentimento para a agenda golpista e
mesmo assim ela persiste de forma assombrosa sendo aplicada pelo governo de
modo irresponsável e irrazoável.
O país está dividido em três
grandes facções. Duas partes intolerantes e uma que quer evitar ao máximo está
refrega, fugir ou somente se proteger disso. É esta parte que se dobra e se
vende fácil para a direita e fica corajosa contra a esquerda. No fundo, eles
não temem a esquerda e por isto não respeitam a esquerda. Olha para esquerda
como um conjunto de sonhadores, como uma fração de incapazes pela lógica das
crenças plantadas e entranhadas na opinião pública e mesmo que a esquerda
esteja certa, persistem submissos à agenda golpista. Rejeitam a agenda em todas
as pesquisas de opinião, mas não dão o passo em frente de repudiar publicamente
esta agenda. Roda a roda e não produzem posições públicas. Se mantém alguns
ainda muito tímidos e recuados, para não dizer omissos. Porém, não haverá água
que lave as suas mãos, quando o inferno social brasileiro se consagrar. Eles
olham para o quadro geral como se fosse apenas um caso de não chorar pelo leite
derramado. Porém, é de outra cor a substância que escorre de suas omissões e
indiferenças.
Esta parte, que era bem mais
tímida no passado, está solta no espaço virtual e ultra-pragmática e repete a
retórica golpista no mundo real. Legítima o golpe pelo é isso mesmo também.
Está difícil reconstruir, então, uma posição sensata na sociedade. Com as
igrejas e seitas crescendo – e todo respeito meu vai aqui para aqueles que
efetivamente e responsavelmente não fazem isso - só aumenta a intolerância e o
fanatismo. E isso leva aquelas fantasias conhecidas de dar solução absoluta e
final para qualquer tipo de problema. Isso tem seduzido uma parte da sociedade.
Acho que é bom vacinar as pessoas
neste quadro e contra as perspectivas negativas de cenário futuro. Até porque
mesmo uma terceira via corre os mesmos riscos autoritários. E isso não é
vantajoso para ninguém. Só para os insensatos. E ninguém razoável quer ser
governado por insensatos. Este é o extremo risco que corremos. Sermos
governados por insensatos e de forma insensata e sofrer um avanço autoritário
na relação entre estado e sociedade no Brasil. Vejam que isto já ocorre
claramente em muitos estados e cidades e que o modus operandi do governo
federal no congresso, segue claramente a mesma lógica. Nem vou, porém, falar
nada do judiciário desta vez. Porque dispensa completamente comentários e
considerações de qualquer natureza. Enfim, esta é a questão ardente e que
interessa a todos responderem no Brasil: como superar o quadro atual e o animus
beligerandi atual do nosso pais?
NO TRUST
NO FUTURE
THIS IS A BURNING QUESTION
Daniel Adams Boeira
São Leopoldo, 5 de maio de 2017.
P.S.: O texto é resultado de
diversos diálogos sobre a conjuntura nacional que desde o ano passado tenho
realizado. Grandes amigos e amigas, alunos e alunas, colegas e profissionais de
educação, jornalismo, agentes políticos e militantes sociais e sindicais.
Também empresários e setores médios que passam a reagir contra os descalabros
do governo Temer. Donas de casa, país de família e trabalhadores que tem
memória histórica da ditadura militar. Muitos poderão ser citados aqui por que
apontaram uma ponta ou outra deste meu texto literário que não passa de um
encordoamento de impressões e ideias de muitos. Agradeço... Espero que o
conteúdo do texto seja realmente uma ficção nossa. A questão interna ao PT, que
evitei expressar aqui, apesar das críticas apresentadas, no fundo, é para mim mais
ou menos assim: Acho que a questão real é Muda PT, por que o povo brasileiro
quer voltar a confiar em você.
DA BELEZA À MORTALIDADE NA ROSA
“A beleza pode ser vista como
algo que põe a casa em ordem, digamos, para permitir uma apreciação de outras
coisas, do mundo, de coisas para lá de nós próprios e das nossas limitadas
preocupações. A beleza dos territórios selvagens fala da grandiosidade da
natureza e da pequenez dos seres humanos; a beleza da paisagem rural fala do
cuidado e atenção de gerações de pessoas que dela cuidaram; a beleza da rosa
fala da natureza fugaz do prazer e da aceitação da mortalidade.”
Simon Blackburn
domingo, 16 de abril de 2017
LONGO PERÍODO SEM POSTAR
Desde o dia 5 de março sem postar nada aqui. Após anos de excessos e muitas postagens estou cumprindo uma certa quarentena para aprimorar mais meu texto e dar mais qualidade às expressões que uso. Em diversos sentidos este represamento tem me feito bem. Coisas que me ocupam e me desafiam tem recebido mais reflexão e isto tem ocorrido de forma muito mais paciente. E também ao refrear meus impulsos acabo deixando de meter o bedelho em tantos assuntos e de responder a um impulso desmedido de posição e opinião para tudo. Não que não tenha, mas não creio que exista tanta originalidade assim em algumas das minhas posições e tenho gostado muito de certas posições de pessoas que podem ser meus porta vozes ou líderes em certas questões. Acabo também relendo e revisando muitas coisas antigas. Hoje por exemplo revisei agora cedo a homenagem ao meu pai e corrigi e completei algumas expressões. Um abraço.
domingo, 5 de março de 2017
DIAS DE REFLEXÃO
Dias de muita reflexão e ação que
tem me feito modular bem mais meus sentimentos. Descobertas interessantes em
reeleituras de postagens, livros, poemas, crônicas e mesmo canções. Ando
escrevendo bem mais ultimamente e percebo uma tendência a aumentar ainda mais
isso na vida. Aprendendo em silêncio e muita paciência a fazer a observação dos
meus sentimentos, das minhas dores e revoltas, das emoções e percebendo minhas
velhas paixões quando se apresentam com mais calma. Aprendendo a perceber os
sentimentos calados nas outras pessoas também. E daí escrevo ou faço um desenho
mental de textos e histórias. Conseguiria narrar detalhadamente muitas coisas e
experiências hoje e fico impressionado com isto e com este impulso para isto. O
desenho do mundo parece ficar mais nítido a cada dia que passa. Observando de
certa distância as coisas e as pessoas e entendendo as ocupações e passatempos
importantes de cada um. Observando detalhes nas condutas e aquela linguagem
silenciosa das almas que só o corpo comunica. Percebendo, por conta disto o meu
lugar nenhum e o quanto posso me sentir estranho no mundo, apesar de parecer
conectado e adaptado completamente nele. Entendendo agora e bem melhor todos os
desalinhos e descaminhos da vida e desta estrada. Olhando para as situações da
vida e compreendendo as famosas escolhas inadiáveis, definitivas e absolutas.
Rindo muito delas por perceber suas fragilidades e suas fraquezas. Tenho a
nítida impressão que tudo já foi resolvido, que nada mais pode mudar, mas sei
também por este senso de observação que estou enganado. Indo para o tempo é o
nosso momento percebo sinais de mudança, muitas mudanças. O ano começou assim,
todo atrapalhado, ocupado, carregado, mas parece que vai de desafogar mais
rapidamente do que se imagina e parte do sucesso nisto está em ouvir o coração,
acalmar os ânimos e saber calar toda ansiedade a minha volta. Boa vontade,
paciência e muita compreensão de mim e de todo mundo deve ser o suficiente
mesmo. Nada mais que isso e agir da forma mais correta que eu consigo pensar.
PÉROLAS DE UMA NOITE DE VERÃO
A vida é dura com a gente. Não dá
moleza. Dá só um pedacinho, o resto ou a gente conquista ou a gente perde.
Para recuperar a inteligência
coletiva desta cidade será necessário que alguns sábios deixem de ser expertos.
E sem a inteligência coletiva
desta cidade todo trabalho e dedicação será desperdiçado ali adiante.
Então a pergunta moral mais
importante não é quem é o culpado, mas quem vai ajudar de fato a resolver.
Não existe este lugar a partir do
qual dá para morder e assoprar e fazer de conta que não tem nada que ver com
isto.
São Leopoldo não é um vilarejo de
alienados, antistas e inocentes, ninguém aqui é criança ou aprendiz e já faz
muito tempo.
A questão não é Deus tá vendo,
mas os trabalhadores, servidores e cidadãos estão vendo.
Então, para usar uma chave bem
rigorosa tá na hora de sair da menoridade nesta cidade e acabar com este mundo
da fantasia.
Então, para usar uma chave bem
rigorosa, tá bem na hora de sair da menoridade nesta cidade e acabar com este
mundo da fantasia.
Filosofar e viver não é trololó.
E quem não tem vergonha na cara que comece a ter.
E se não tem responsabilidade,
conceito e juízo que se abstenha de brincar de sofismar em público para gente.
ZECA DIABO E OS TREZENTOS ARGUMENTOS
Essa linguagem ou mensagem em uma
enésima potência é imaginável para você? Pense não num batalhão de trezentos
bandoleiros, mas em trezentos argumentos que repousam sobre fatos e não
fantasias e que são arguidos por pessoas sérias e não aventureiros e
espertinhos. Zeca diabo é uma bela metáfora do mundo que você ainda não está
entendendo. Vai encarar? Ha ha ha ha ha....
SOBRE O FIM DA FILOSOFIA - 2015 revisado, e vai de novo para minha amada filha Isabella Fortes
Creio que a filosofia e aqueles
que se ocupam dela parecem estar todos bloqueados numa espécie de momento de
transição entre o logicismo e o existencialismo. Paramos em um vão de acesso em
que estas duas correntes se encontram. Como a pororoca encontra as águas do
oceano, as cores e as águas se misturam. Não se trata somente de rótulos de um
ou a prática e métodos de outro. Se trata da nossa conexão entre reflexão e
vida real, e não somente a nossa vida pessoal ou a nossa reflexão pessoal sobre
a vida. O pensamento tem que ir sim para além do eu, para além do próximo e
alargar cada vez mais nossas fronteiras de compreensão. Mas também precisa ir
para além da escola, ir para além dos dogmas da melhor escola - nem analítica,
nem continental, nem crítica, nem niilista, nem estrutural ou idealista - os
rótulos não são a questão, são tratamentos da questão.O movimento de redução e
simplificação pode envolver tanto a redução do enquadramento quanto a ampliação
excessiva do foco. Numa perspectiva só se avista o detalhe do detalhe e na
outra somente aquilo que é grandioso aos olhos ou aos conceitos. A superação
disso parece estar sendo construída por quem consegue compreender as duas
tradições e ultrapassar as fronteiras que desde o século XIX dominam a cena.
Estou prescindindo aqui sim do marxismo que é redutível - com muito esperneio
justo, mas ineficaz, ao existencialismo, mas ele volta - e do tomismo que é
redutível também ao logicismo e ou filosofia analítica. Mas aduzo aqui alguma
coisa sobre a saída possível: o conhecimento humano sofreu uma dilatação tão
grande e uma especialização tão grande que ainda resta papel para organizar
formalmente isso e conectar isso com a vida. A crise é sair do clichê fixo e se
arriscar. E não serão nem os cosmólogos e nem os neurocientistas que vão fazer
este trabalho para além de suas especialidades, não. A proeza retórica de
arguir o grande avanço da ciência parece que não tem olhado direito para o
nosso mundo real e seu estado deplorável sob um viés histórico e humano e ainda
é preciso fazer isso até que a filosofia acabe com sua tarefa de garantir a
reflexão ali aonde a dominação e a exploração continuam o governo dos homens.
Dizem que quem não faz política, sofre a política dos outros, pois quem não reflete
de fato sobre isto acaba sendo governado pela reflexão dos outros. E até onde
sei a gente ainda quer ser livre, feliz e viver em sociedades justas. Então, a
corujinha ainda tem muito barulhinho para fazer...
DANI AHEAD
Depois de ver a cinebiografia
Miles Ahead e ter traduzido por Miles descabeçado, poderia ter sido sem cabeça,
ocorre que semana que vem vou viver nominalmente uma temporada AHEAD. Fiz toda
uma preparação diferencial hoje pensando nas aulas que vão abordar isso.
prometo relato detalhado se superar a condição inicial para fazer isso. Como um
acéfalo pode dar aulas ou apresentar uma aula? Miles saiu da bad trip ensinando
um jovem algumas notas...e vamos ver por onde começar.
TECLE 15 E ANULE - SEMPRE QUE PUDER
me perdoa quem acha que eu estou
exagerando, quem acha que eu não devia falar de política, quem está cansado de
lidar com seus próprios remorsos e culpas, quem é mais sábio, phyno e elegante
do que eu, mas a única recomendação que eu devo dar para quem votou nele e na
turma dele é ir treinando desde já - TODA VEZ QUE FOR AO BANCO DIGITAR UMA
SENHA APROVEITA O TECLADO E FAÇA ASSIM
TECLE 1
TECLE 5
CONFERE SE DEU 15
E PARA TERMINAR
ANULE
TCHAU - E VÊ SE APRENDE
INDIVIDUALISMO
O individualismo é tão pernicioso
e deletério que deveríamos ter conteúdos específicos na escola que tratassem
desta forma de desvão entre o homem e a humanidade, entre o homem e o mundo. É
uma espécie de macro fantasia ou ilusão de grandeza ou delírio assoberbante.
Mas o que ocorre nas nossas sociedades ocidentais e em meio ao capitalismo é
justamente o contrário. Além de se fazer, através de péssimas condutas e atuações
e com campanhas também, picadinho de qualquer idéia de que um coletivo, instituições,
a democracia ou a participação política
responsável tenha alguma eficácia, ocorre a promoção do individualismo, sua
glamourização e mesmo a eleição de que o
único caminho para a felicidade é individual. Então, toda vez que alguém diz
que não é possível ser feliz sozinho, olha se para isto como uma espécie de
ditame exclusivamente afetivo, emocional e do nível das relações privadas ou da
intimidade. Raramente se avista ai a dimensão social mais ampla. Há, portanto,
não somente nas aparências uma grande tendência incentivada por ai de
estabelecer o fundamento do sucesso existencial no sujeito. Na perspectiva da
intimidade não vemos nenhum sucesso na solidão, isso fica claro, ou sem boas
relações sociais o que precisa ser mais batido e repetido. Então, me sinto uma
pessoa bem sucedida em muitos aspectos, mas não teria nenhum êxito, sem todo
apoio e ajuda que recebi dos outros. Não me vejo mesmo como um sujeito social
isolado. E digo isso com muita gratidão inclusive. A minha auto estima e auto
confiança já foi muito estimulada e corrigida em suas faltas e em seus excessos
pelos amigos...assim, penso que deveria ser pensado pelos amigos e amigas que
me lêem a necessidade de termos muito equilíbrio ai nesta relação entre
individuo e coletividade.
LÁ VEM O BRASIL DESCENDO A LADEIRA - NO PIOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS -
Texto que o Florestan Junior
escreveu para nós que já começamos a dizer isto faz tempo e para aqueles que
fazem de conta que não estão entendendo ou que não tem nada que ver com
isto...
Cabeças vão rolar
Presos decapitados, crianças
socadas até a morte, assaltos seguidos de morte, estupros, médicos desejando a
morte de paciente, jogador de futebol libertado pela justiça depois de crime
bárbaro contra a própria mulher. Estamos numa profunda crise moral. No Brasil
do pós golpe tudo é possível, o ódio substituiu a esperança. No estado do Rio
de Janeiro o latrocínio praticamente dobrou de janeiro de 2016 para janeiro de
2017 passando de 133 casos para 239. Em São Paulo, o latrocínio aumento 45% e
os estupros comunicados na capital tiveram um crescimento de 22%. O Brasil vem
descendo a passos largos a ladeira que leva à selvageria. Boa parte das
instituições estão à beira da falência financeira e ética. Não funcionam e nem
respondem às necessidades da maioria dos cidadãos. Os partidos e seus
políticos, parte do funcionalismo, empresários poderosos, juízes, policiais e
alguns órgãos da grande mídia chafurdam na lama das delações premiadas. Em
Curitiba, a Lava Jato insiste em jogar água num único partido, aquele que já
nem mais está no poder. Pior: paralisou por 2 anos as grandes obras públicas em
andamento nas esferas federal, municipal e estadual. Alimentou a recessão que
já colocou no desemprego 13 milhões de trabalhadores. No comando da Nação, um governo
com pouca legitimidade e sem projetos para o país vai vendendo nossas riquezas
e propondo cortes nas áreas sociais. O vice que virou presidente não empolga, é
um equilibrista andando na corda bamba das negociatas de cargos para não cair.
Antes que seja tarde demais deveríamos retornar à democracia com eleição direta
para presidente. Do contrario a ruptura virá e com ela o imponderável,
inclusive a possibilidade de convivermos com corpos e cabeças decepadas no
nosso próprio caminho.
Por Florestan Fernandes Junior
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