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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SOBRE OS MILITANTES - PEPE MUJICA - FELIZ 2010

“Que seria deste mundo sem militantes? Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super homens e não se equivoquem. Não é isso. É que os militantes não vem para buscar o seu, vem entregar a alma por um punhado de sonhos. Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende fundamentalmente que exista gente que se sinta feliz em gastar sua vida ao serviço do progresso humano. Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício. É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente”.

PEPE MUJICA - PRESIDENTE ELEITO EM 2009 DO URUGUAI

in: RS URGENTE

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO 2010

Neste Ano de 2009 tive um ano inteiro para trabalhar bastante e pensar em cada momento sobre o que eu quero para mim, meu amor, minhas filhas, meus familiares, meus amigos e colaboradores.

Pensar, principalmente, no que queremos para a nossa cidade e vida.

Foi um ano cheio de decisões importantes para mim e para os meus.
Foi um ano em que quase fui diretor da escola onde atuo e em que parei de fumar.
Fiz um Curso de Prevenção às Drogas com um bom grupo de colegas.
Foi o ano em que abri este BLOG.
Foi o ano em que vi de perto muitas coisas importantes para a minha cidade.
Foi um ano de boas decisões.

2010 não será nem um pouco menor em importância.
Vamos iniciar o ano com a reorganização de muitas tarefas.
E em meados dele vamos fazer um grande debate sobre a Presidência da República e o Governo do Estado.
Vamos eleger dois Senadores e muitos – assim espero - Deputados Federais e Estaduais.
Tenho a forte esperança de eleger uma Deputada Estadual desta vez.
E imagino, com muita esperança, que o Brasil terá sua primeira Presidenta da História.
Desejo que o Rio Grande do Sul volte a ter um governo de justiça social.

Além disso, será um ano em que vamos dar intensa atenção ao presente e futuro da nossa cidade, sem deixar de valorizar a sua história também.
Muitas obras importantes serão concluídas e iniciadas.
E muitos projetos para a Educação, Saúde, Meio Ambiente, Segurança, Assistência Social serão apresentados.

E a minha esperança é de que mesmo com todas as certezas do presente, possamos desejar uma grande esperança de fé, paz, justiça e humanidade para todos em 2010.

Assim, minha mensagem de Feliz Natal e um próspero Ano Novo em 2010, traz consigo também um agradecimento muito especial aqueles que lutaram e sempre tiveram convicção de que dias melhores virão.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

SOBRE A AGRESSIVIDADE - TEXTO DO BLOG DO NASSIF - JÁ QUE É NATAL - CAI BEM

Dissecando a agressividade

Por Marise

Nassif

Lendo comentários agressivos de vários blogs, estou te enviando esta matéria sobre a agressividade:

O fator psicológico central de uma pessoa agressiva é que a mesma possui a plena consciência de uma vida que lhe seria satisfatória, agindo com um tom constante de revolta pela não obtenção de seu projeto pessoal; sabe também que a cada dia está mais distante dessa meta.

Esta tese se transforma no núcleo do círculo vicioso. O não atingir o desejo pessoal ativa uma reação descontrolada e intempestiva perante uma simples frustração, e tal hábito afasta a pessoa da solução definitiva de seu problema comportamental. Reagir perante os mais insignificantes fatos novamente é o indício da atuação marcante do complexo de inferioridade no ser humano.
A agressividade se alia constantemente com outros sentimentos negativos, o principal deles é a inveja, devido à possibilidade da descarga da frustração e raiva.

A inveja cria uma constante necessidade de fuga da situação dolorosa de se comparar e se sentir inferiorizado, partindo-se para o ataque. A agressividade é conseqüência de uma política não apenas econômica do nosso sistema, mas dirigida a esconder todos os sentimentos ou emoções negativas do tipo: cobiça, ódio, avareza e a inveja citada. O sistema só permite o aflorar de tais sentimentos na hora exata do consumo, pilar da sociedade e fator destrutivo do “eu”, dependendo de sua freqüência.

A agressão então se transforma na resposta fisiológica do silêncio imposto pela sociedade, assim como suas regras de dissimulação, como vimos anteriormente. Torna-se ainda um tipo de distração e fuga do tédio e rotina que assolam a pessoa. Jamais haverá cura para a agressão social e individual se não lidarmos com todos os mecanismos que geram a hipocrisia nas relações.

A tese no transcorrer do texto é a de que o agressivo se adianta a uma possível experiência de rejeição, tendo a certeza de que alguém fatalmente irá contrariar suas expectativas. Além disso, se conhece como uma pessoa totalmente solitária, sendo que o aflorar de sua agressividade é exatamente em resposta ao hábito de jamais conseguir conservar uma amizade ou relacionamento, disfarçando sua miséria afetiva no remoer todo tipo de conflito. A derrocada de qualquer projeto afetivo sempre será iminente.

A pergunta é: será possível anular tal “maldição” pessoal? A experiência clínica comprova que uma das únicas possibilidades de cura é a vivência de seus sentimentos dolorosos na psicoterapia, transportando seu lado bélico numa arena onde realmente possa ser diluído ou controlado. A agressividade continuará no topo comportamental da pessoa quanto maior for sua necessidade de atenção ou carência.

Temos de perceber que a compulsão para a liderança, poder e orgulho, quase sempre pode superar uma reflexão genuína e honesta acerca da conduta da pessoa.

PS - Alguns perguntaram se este artigo era de minha autoria.
Eu não teria capacidade para escrever sobre um assunto tão polemico. Estava lendo sobre este assunto uma maréria do psicólogo Antonio Carlos de Araujo, que clinica ha 20 anos aí em SP.

Tirei uma parte do artigo que achei muito interessante e bom para todos nós.,pois temos todos o nosso lado agressivo. O importante é não nos deixarmos contaminar só por este lado, ofendendo pessoas, tentando parecer os melhores e os certos. O que gosto neste blog é exatamente o que fazes. Lanças um assunto e deixas que cada um exponha sua idéia, sem cortar os comentários contrário ao que pensas.

Acho isso o correto. E não se precisa usar de agressividade para contrariar os que pensam o contrário.

Por favor ponha o nome do autor do artigo .É muito importante que se saiba quem escreveu, quem é o verdadeiro autor.

DEPOIS DE FAZER RÁPIDA PESQUISA O AUTOR E O TEXTO INTEGRAL ESTÃO NO SEGUINTE BLOG:

antonioaraujo_1.tripod.com

/psico1/portugues/agressao/agress.html

Daniel

DESCARTES - O QUE É VIVER SEM FILOSOFAR?

"É propriamente ter os olhos fechados, sem jamais tentar abri-los, viver sem filosofar; e o prazer de ver todas as coisas que a nossa visão descobre não é comparável à satisfação proporcionada pelo conhecimento daquelas que encontramos por meio da filosofia; e, finalmente, esse estudo é mais necessário para regrar os nossos costumes e conduzir-nos por essa vida do que o uso dos nossos olhos para orientar os nossos passos.

(...) Se desejamos seriamente ocupar-nos com o estudo da filosofia e com a busca de todas as verdades que somos capazes de conhecer, tratemos, em primeiro lugar, de nos libertar dos nossos preconceitos, e estaremos em condições de rejeitar todas as opiniões que outrora recebemos através da nossa crença até que as tenhamos examinado novamente; em seguida, passaremos em revista as noções que estão em nós, e só aceitaremos como verdadeiras as que se apresentarem clara e distintamente ao nosso entendimento."

René Descartes, in 'Princípios da Filosofia'

DILMA - AO NATURAL - DEZEMBRO DE 2009

A companheira Dilma tirou a peruca e ficou ao natural.

Hoje pela manhã fiquei olhando aquela foto e me lembrei da fase mais crítica da Elis Regina, da fase em que a gente conheceu a pimentinha.

Ela fazia entrevistas de arrebentar com a direita.

Me lembrei dela fazendo show para os metalúrgicosem greve também.

E pensei: agora vai Dilma.

Tanto as pesquisas quanto os sinais são mais claros ainda.

Após o PMDB lançar o Requião.

O Lula responder pedindo lista triplice.

E o Requião - rsssss - assumindo a tarefa de responder. AGORA VAI...

Vai tomar conta da militância e fazer a campanha mais surpreendente contra o Zé Serra.

Já que Aécio saiu.

E que o Ciro continua.

que tal uma musiquinha...

Da Elis

Fé Cega, Faca Amolada

Elis Regina

Composição: Milton Nascimento

Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranqüilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia
Deixar o seu amor crescer na luz de cada dia
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranqüilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada


AO NATURAL SEMPRE É MELHOR....

domingo, 13 de dezembro de 2009

QUATRO MESES SEM FUMAR - VÁRIAS TENTAÇÕES

Encontrei uma expressão que diz tudo sobre as tentações, incluindo o cigarro.

"O problema de resistir a uma tentação é que você pode não ter uma segunda oportunidade."

É de um teórico da educação canadense Lawrence J. Peter.

É uma bela expressão para a força de uma tentação.

Diria que realmente algumas tentações são a única oportunidade.

Amanhã nunca mais.

Nevermore.

Mas bem, já fazem quatro meses que não fumo e já tenho conseguido outras vitórias também. Mas estas são um segredo por enquanto.

O bom de não fumar é não precisar resolver no meio de um stress como fazer para fumar.

Não se precisa fazer nada.

É só pensar de outra forma.

De outro lado virei um ex-fumante tolerante.

Não me importo que fumem perto de mim.

Mas também não ando atrás não.

Já fujo legal de bar de fumantes.

Olho para dentro dou olá e sigo adiante.

Tenho notado como as mulheres confessam o quanto são compulsivas quando fumam.

E imagino que mulheres compulsivas são mais perigosas para si mesmas também.

Mas ontém notei alguns caras no bar da tardinha, magrelos, com aquela cor da pele pálida e as mãos trêmulas com um cigarro entre os dedos.

Nunca tinha observado isto da forma como vejo hoje.

Tive um que de orgulho da minha firmeza e da minha barriguinha temporária.

Neste mês quero concluir o processo do JACARÉ BANGUELA (rssss) e passar direto para as caminhadas e os esportes leves.

Não vejo a hora de chegar nos radicais: skate, bicicleta e corridas.

Como é bom poder sonhar com algo possível.

Se Deus quiser é claro.

Vamos nessa.

Baita domingo.

A FOTO DE SÃO LEOPOLDO NA COMUNIDADE DO ORKUT

ESTA FOTO

Nunca entrei neste debate porque sempre vi a foto como um retrato da realidade, da dura realidade, não somente de São Leopoldo.

Porém a abordagem aqui sempre é de que SL isso e aquilo e que os politicos isso e aquilo.

Por isto já faz um tempo que eu nem gosto de entrar aqui mais.

Vejo a foto como o retrato da auto-estima e da estima pela cidade de alguns que aqui passam, ficam e permanecem.

Bem, eu nasci em SL, conheço a cidade e as pessoas da cidade razoavelmente bem.

Gosto muito daqui. Não vivo aqui porque o meu navio encalhou aqui ou porque não tenho opção.

Tenho uma imagem e varias muito mais bonitas da nossa cidade.

Conheço muitas pessoas que lutam e trabalham para tirar aquele jovem e outros da rua e da miséria humana.

Se a foto fosse um retrato da realidade de São Leopoldo seria legal botar junto a foto do pessoal todo que está do outro lado deste cabo de guerra.

A maioria deles nem sabem que estão representando a nossa cidade ou apresentando ela para o mundo do ORKUT com esta imagem. Porque ninguém vai dizer isto.

Eles não estão aqui defendendo a imagem depreciativa ou altiva da cidade, eles estão trabalhando para construir uma imagem melhor, e não somente nas aparências não.

Estão tentando mudar a estrutura e as condições desta cidade.

Eu colocaria ali a foto da AMEP, a foto das assistentes sociais que trabalham todos os dias com o povo, a foto da agentes comunitárias de saúde que levam atenção e humanização para o povo das nossas vilas.

Colocaria a foto do TOMÉ do instituto lenon joel pela paz.

Colocaria a foto das professoras municipais ou estaduais que lutam, atendem, educam, enfrentam e trabalham com todos os jovens e crianças da cidade.

Colocaria a foto da juventude vibrando num show ou num debate sobre a cidade.

Ou seja, colocaria monumentos vivos da luta pela humanização desta cidade. Tem muitos milhares de monumentos assim meus amigos.

E as pessoas que entrassem aqui saberiam que São Leopoldo tem problemas, mas que também tem soluções e ações....

OK?

PS.: Fazia um tempão que isto me incomodava um pouco. Mas fui econômico e respeitoso. Será que adianta?

Este é para mim também o debate da racionalidade ou da impossibilidade da racionalidade na internet.

sábado, 12 de dezembro de 2009

GREVE GERAL....DERRUBA GENERAL!!!!

Em 1979, eu tinha 14 anos e andava envolvido com uma gurizada medonha.

De um lado a gente queria a todo pano ter mais liberdade e lutar por mais democracia também.

De outro lado, a gente achava que o fato dos metalúrgicos fazerem greve lá em São Paulo, dos Bancários fazerem greve aqui no sul e dos professores aqui do sul fazerem greve era um prenúncio de que uma grande greve poderia ser feita e deveria ser feita.

Prá quem não sabe ou não lembra ou nem estava vivo naquela época, preciso dizer que as três greves que eu citei lá no comecinho tiveram forte repercussão e fizeram com que os ditadores do governo federal e do governo estadual impussesem restrições, penalidades e fortes ameaças sobre os sindicatos.

Foi naquela greve de 1979 que nasceu o Lula que é capaz de saber o tempo certo para as coisas.

E foi naquela greve que nasceu o bordão GREVE GERAL, DERRUBA O GENERAL!!! que saia da boca dos mais audaciosos e radicais, contra inclusive ao pensamento corrente.

Pois bem, a GREVE DOS PROFESSORES ESTADUAIS SÓ PRECISA DISTO HOJE: do espírito de uma greve geral....

Se este espírito aparecer e for ressuscitado acabou o problema e daí é só um dia depois do outro.

FORA YEDA!!!!

BOA LUTA

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

TIRAR O POVO DA M.....

É a mais pura verdade.

Não agrada aos ouvidos finos e límpidos da burguesia.

Não agrada ao protocolo técnico e asséptico.

Mas é, de uma forma incrivelmente literal, a mais pura verdade.

Confesso ter pensado nisto quando vislumbrei o resultado de diversas obras aqui em São Leopoldo.

O PAC....sobre os arroios Gauchinho, Cerquinha, Da Mateiga, Sem Nome e etc...

A Pavimentação da Avenida Atalíbio Taurino de Resende, com a remoção das famílias da beira do esgoto onde crianças e bebês haviam sido comidas por ratos.

Para muitos isto é somente uma expressão, um discurso, um despropósito.

Para o povo é a pura verdade.

Esta de hoje valeu pelos trinta anos de luta, de sonho e de esperança.

Inda bem que de onde saiu esta sempre tem mais.

Lula neles.

GREVE DOS PROFESSORES A PARTIR DO DIA 15 - OU TIRA O PROJETO DA ASSEMBLÉIA

Essa foi boa.



Lá vamos nós de novo fazer greve.



Vieram me perguntar o que eu faria.



Eu respondi colocando no quadro um dos meus primeiros gritos de guerra:



GREVE GERAL...DERRUBA GENERAL!



30 anos depois só tenho uma saíde: lutar, lutar e lutar....



Bom Dia

domingo, 6 de dezembro de 2009

PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS ENTRE ALUNOS E PROFESSORES

O que segue é um pequeno excerto do comentário inicial introdutório ao PROJETO DE REDUÇÃO DO USO DE DROGAS DO OLINDO FLORES. Trata-se das bases da discussão sobre o projeto. Boa parte dos conteúdos tem origem na Formação à distância realizada entre setembro e dezembro de 2009. O estudo foi feito em grupo. Segue o texto:

Entre os Aspectos Teóricos estudados no curso precisamos destacar que na relação do adolescente e do educador com as drogas sempre há uma situação de ambivalência entre repressão e compreensão do fenômeno.

De um lado, o educador sente-se tocado pela fragilidade do aluno e pela condição de risco do mesmo e, assim, procura compreender o fenômeno inserido num processo em que sua posição também fica fragilizada, exposta e sensibilizada . De outro lado, o educador vê no aluno também um delinquente, um sujeito que ameaça a sua integridade e tranquilidade dentro de um processo social.

Esta ambivalência – esta situação de dois valores – traz ao professor o desafio de enfrentar o que ocorre e de ser capaz de compreender sem fazer excessivas concessões ao comportamento e sem se omitir perante uma realidade que pode, para alguns educadores, ser invisível e pouco percebida.

Temos aí justamente um dos primeiros problemas do enfrentamento ao tema. Reconhecer que ele ocorre à nossa frente, reconhecer que a sua visibilidade requer de nós mais observação, maior conhecimento do aluno e a superação de uma impessoalidade confortável, visto que muitos educadores e gestores promovem um discurso em que reduzem o seu e o nosso envolvimento com o aluno e, portanto, nos desincumbem de encarar certas situações que, na maior parte das vezes, são vistas como problemas pessoais do aluno e de sua família, e não como problemas escolares e sociais.

Esta é a primeira barreira a ser superada, o primeiro debate a ser levantado, a ser construído com todos os educadores e membros da comunidade escolar. O problema das drogas é um problema da escola sim, é um problema social sim, não é um problema “deles”, dos “outros” ou “daquela gente”. É um problema de todos nós.

Esta ambivalência também toca à perspectiva dos alunos e dos familiares. Não é por força da lei que os educadores devem tratar do tema das drogas. O tema das drogas deve ser enfrentado na escola como pré-condição para uma educação mais saudável.

Ainda que seja um crime tipificado o uso, porte e tráfico de drogas, a nossa relação com este tema deve ser a de procurar saber por que tal hábito – a adicção ao uso de determinadas substâncias legais e ilegais – se desenvolve com este, aquele e qualquer jovem. Em outra formação, tomamos conhecimento de uma concepção em que este hábito se apresenta em contextos de insatisfação, desprazer e inconformidade com determinadas circunstâncias de vida, lazer e atividades sociais.

No curso, este tema aparece como uma inadaptação, ou seja, um processo no qual o jovem – e também aqui, o adulto, os educadores e todos os outros sujeitos deste processo social – não conseguem obter prazer das relações e dos hábitos mais conformados ou adaptados. De um lado temos um sujeito e suas frustrações, de outro lado, temos uma falta de abertura para relações autênticas e sem uma mediação ou instrumentação de relações para desenvolvê-las.

Um exemplo disto é também a fixação de alguns indivíduos em só tomar ou reconhecer como momento de prazer momentos em que ocorre alguma forma de distorção da realidade ou momentos em que as fantasias dominam, desde que esteja à mão aquele copo de bebida alcoólica ou outras substâncias desinibidoras. Ora, se isto é assim, é porque os indivíduos, ao natural, encontram-se sempre inibidos e bloqueados na fruição de suas fantasias e desejos. Portanto, trata-se aqui também de um efeito de uma constelação repressiva sobre os indivíduos. É a necessidade de desinibir que traz consigo como única possibilidade de fruição o uso de determinadas substâncias.

É importante tratar destes temas singelos (sic), também porque precisamos como educadores reconhecer nossas mazelas próprias e nossa relação com as substâncias lícitas. Não temos dúvida de que o uso do tabaco e das bebidas alcoólicas por parte dos educadores também é um desafio importante a ser tocado na prevenção ao uso de drogas. Aliás, isto é algo que, em especial, observamos num dos momentos da formação, o fato de que o uso de determinadas substâncias por parte dos educadores também deve ser questionado.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A CONSCIÊNCIA DE ZENO - ITALO SVEVO

io ricomendo....

uma leitura suave e graciosa, sem percalços, mas completamente ampliadora da nossa visão frequente e comum....

o que nós precisamos muito para mantermos a sanidade mental e a capacidade de ironizar sobre si mesmo...

VEJA ISTO:

"e é surpreedente poder constatar mais uma vez como certas coisas pelas quais vivemos acabam por ter importância insignificante" p. 179

...me lembrei dos meus conselhos para uma aluna e alguns conselhos para alguns alunos sobre o quanto ter ou não ter cabeça dura, ao fim e ao cabo, não significa nada, nada do que possamos nos orgulhar com uma mínima segurança...

também me lembrei da vaidade que come o dono....esta vem lá do último dos Cardeais (solteiro - sic) da Igreja do Evangelho Hexagono Pentagonal.....

IMPOSTOS E DISSONÂNCIA COGNITIVA - BY CÉSAR SCHIRMER - ANIMOT

Impostos e dissonância cognitiva

Na New York Review of Books, Tony Judt fala de uma dissonância cognitiva estadunidense: querer serviços públicos melhores, mas não querer pagar impostos. A dissonância cognitiva em questão também atinge brasileiros que são donos de carros grandes e caros, a levar em conta os adesivos grudados nos mesmos.

Estar em dissonância cognitiva é ter duas ideias ou atitudes contraditórias ao mesmo tempo. Se você quer melhores serviços publicos, devia querer mais impostos. Além disso, se você quer justiça ao invés de exploração dos mais sofridos, deve querer também que a riqueza dos mais ricos seja o alvo principal dos impostos. Mas querer ótimas estradas, ótima limpeza urbana, ótimo judiciário, ótimos hospitais e ótimas universidades públicas sem querer os impostos que os pagam é estar em dissonância cognitiva, o que é uma maneira de viajar na maionese, pra ir pro popular.

PS.: Estou citando o blog ANIMOT do meu amigo e ex-colega de Cefav César Schirmer dos Santos....que io sempre ricomendo.....ele etsá afirmado técnica e filosóficamente aí algo que nós que não defendemos um ESTADO MÍNIMO sempre defendemos. É um novo nome para o egoísmo burguês: Dissonância cognitiva...acho ótimo....deve deixá-los com a barriga embrulhada.....e com uma vergonha de sua própria ignorância...afirmada sempre como esperteza e sabedoria.

É preciso dizer que aqui no Brasil eles acham que o dinheiro não retorna. Bem....que tal fazerem as contas do Governo Lula.....eu não tenho a menor dúvida de que nunca antes na hiostória deste país o recurso arrecadado em impostos retornou tão bem investido. Bem o debate do ano que vém vai, ao fim e ao cabo, produzir-se sobre isto. E como vai o Serra em São Paulo?

POLÍTICA E RECONHECIMENTO

Não sabe nada de política quem nunca parou para pensar ou foi capaz de espontaneamente entender a importância do reconhecimento do outro no ato de constituição e auto-constituição na política.

O emponderamento recíproco traz mais poder que a mera afirmação de uma autoridade constituída ou formalizada.

Nada mais a dizer.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

1999-2009: DEZ ANOS DA BATALHA DE SEATTLE - A PRIMEIRA GUERRA DOS BLOGUES

Vou citar aqui um texto integral.

Depois comentar com uma outra postagem.

Explicando porque nós da esquerda temos uma certa predilecção pelos blogues.

Eles são, de certa forma, incensuráveis. Respeite a etiqueta da net que tudo correrá bem.

Pelo menos assim parece.

30/11/2009 - 17:23

O blogueiro de Seattle

Por Leo V

Do Estadão

Seattle: uma década de ativismo 2.0

por
Filipe Serrano

Existiu uma época – sem YouTube, Flickr, Wikipédia, blogs ou qualquer ferramenta de autopublicação – em que colocar seu relato na internet era muito mais um ato de protesto do que qualquer outra coisa. Uma época em que se buscava uma nova forma de comunicação, mais livre de intermediários.

Toda a ideia de jornalismo cidadão, que inspirou o desenvolvimento de plataformas de publicação na web, tomou forma há 10 anos, em 30 de novembro de 1999, durante os protestos em Seattle contra a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC – ou WTO, na sigla em inglês), que daria início à rodada do milênio, para negociar maior abertura do comércio mundial.

Ao menos 40 mil pessoas, entre elas ativistas, membros de ONGs, sindicalistas, ambientalistas e anarquistas, reunidos sob uma organização descentralizada chamada de Direct Action Network (DAN), tomaram as ruas do centro de Seattle e furaram o bloqueio em torno do local onde a reunião acontecia. A manifestação ficou conhecida como N30 ou a Batalha de Seattle.

Foi lá, durante os protestos, que os participantes começaram a usar as tecnologias para mostrar o que estava acontecendo nas manifestações – não só para se organizar, mas para interagir com ativistas de todo o mundo que não estavam lá. Eles usavam uma improvisada rede de comunicação, com celulares, rádios, notebooks e modems conectados à web, para publicar imagens e relatos sobre os protestos.

“Seattle foi a primeira grande explosão de protestos por uma justiça global. E juntou muitas pessoas de diversos movimentos, com diferentes ideias do que era necessário mudar no mundo”, diz Margaret Levi, professora do departamento de ciência política da Universidade de Washington e responsável por um projeto de resgatar a história dos protestos em Seattle.

Entre os envolvidos, surgia o coletivo Indymedia, um grupo de ativistas que se reuniu para fazer uma cobertura jornalística alternativa dos protestos em Seattle. No Brasil é conhecido como Centro de Mídia Independente (CMI).

Para cobrir os protestos de junho de 1999, durante o encontro do G8, em Colônia, na Alemanha, o embrião do Indymedia usou uma ferramenta de publicação, um tipo de blog coletivo, criado alguns meses antes por um grupo da Austrália.

Desenvolvido para ser um mecanismo que desse voz a cada manifestante presente nos protestos, o site permitia já naquela época uma cobertura em tempo real da manifestação em Seattle, em texto, áudio e vídeos. Cinco documentários ainda foram produzidos pelo Centro de Mídia Independente de Seattle.

“As pessoas tiravam fotos, colocavam depoimentos, publicavam sua opinião sobre que estava sendo discutido, no caso, na rodada do milênio da OMC”, diz Pablo Ortellado, um dos fundadores do CMI no Brasil, criado quatro meses depois de Seattle. “Muitos grupos dos EUA se interessaram pela ferramenta do Indymedia. Mas, como era aberta, ela era muito mais usada pelos manifestantes individuais do que por revistas e veículos alternativos”, continua.

O site do Indymedia teve mais de 1 milhão de acessos durante o lançamento, no N30, o que sobrecarregou os servidores. “Foi aí que incorporamos a autopublicação como essência do site. Do ponto de vista da web 2.0, era um projeto totalmente radical. Se você for ver, os blogs foram continuação disso. Não é a toa que o YouTube, o Twitter, o Craiglist saíram de desenvolvedores que fizeram parte do Indymedia. O Twitter foi criado para ser usado em manifestações”, diz Ortellado.

Hoje o YouTube faz campanhas por vídeos que defendam a liberdade de expressão no mundo todo; o Twitter serve como troca de informações durante os protestos no Irã; blogueiros palestinos relatam abusos, entre outros exemplos que têm ocorrido nos últimos anos.

Há muitas críticas à incorporação das ideias do Indymedia por sites comerciais, principalmente quanto à privacidade dos usuários, às limitações impostas e à necessidade de gerar lucro e publicidade.

De qualquer maneira, a partir do Indymedia e de Seattle, surgiram muitos outros projetos que procuram dar voz na internet a grupos de pessoas que antes não tinham como expressar suas opiniões ou relatar o que veem e vivem em suas comunidades.

“A tecnologia foi importante para planejar os processos e para trocar informações depois dos protestos. Muito mudou nestes 10 anos. Ainda vejo muitas demonstrações políticas, mas elas são feitas de outra forma. Vemos que há grupos menores, mais comprometidos, não só se mobilizando em protestos, mas realmente trabalhando para mudar o mundo”, diz a professora Margaret Levi.

PS: Texto citado integralmente também no Blog do Nassiff. Faço questão de citá-lo aqui porque lá ele parece se perder nos espaço.

Boa Luta

domingo, 15 de novembro de 2009

1889-2009: 120 ANOS DE PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

E quanto de democracia neste tempo todo? Pouco, muito pouco.

Em 120 anos eu conto apenas os últimos 20 anos.

Tá legal, se você quiser acrescente de 1945 a 1960.

Isto é são 20 anos mais 15 anos.

No total 35 anos de 120 anos de República com democracia.

Porque antes de 1945 não era bem uma democracia não.

Era aquele negócio de Café com Leite e um monte de restrições à democracia plena.

Lembre-se dos livros de história, da política do encilhamento, do voto a cabresto, do cavalo do comissário (como disse o Olívio em 1998), das fraudes eleitorais e do delegado fiscalizando a escolha do seu avô.

Mas lembre-se também que muitos não votavam e não eram eleitores.

Lembre-se que as mulheres não votavam até 1934.

Isto talvez explique porque tem tanto partido de aluguel ainda.

E também porque não há aquela nitidez programática e ideológica na democracia brasileira.

Viva a república ( coisa pública) e uma democracia a ser construída....

sábado, 14 de novembro de 2009

PEQUENA NOTA SOBRE TROTSKISMO HOJE

Para quem leu meu último artigo aqui sobre o Muro de Berlim, notas sobre a China em 1989, as eleições no Brasil de 1989, coloco o problema do trotskismo que me fascina e que parece uma contradição em termos:

- como compatibilizar uma ditadura do proletariado com um regime com princípios democráticos?

ou seja, como criar uma democracia que não permita retrocessos?

Como criar um sistema político que avance para a socialização dos meios de produção?

Por fim, tem muita gente cantando o socialismo por aí que não se colocou jamais este problema.

Tem alguns que se dizem até comunistas, mas que seguem a máxima do capitalismo: acumulação de riqueza combinada com acumulação de poder.

Boa Luta....

1989-2009: SOBRE OS 20 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM - OS OUTROS MUROS E DESAFIOS

MEMÓRIA PESSOAL

Em 1989 eu tinha 24 anos apenas. Estava cursando meu primeiro ano de filosofia na UFRGS, após ter sido aprovado no vestibular e retomava, aos poucos, uma militância estudantil, que havia sido interrompida em 1986. Foi um ano extraordinário para a história, a política e, também, para a minha vida pessoal. Residia em Porto Alegre no bairro Bom Fim, na rua João Telles, e trabalhava na Cooperativa Ecológica Coolméia. Lembro que iniciei o ano num clima de grande expectativa e otimismo e, praticamente, o ano acabou com duas cenas inesquecíveis para mim.

Na primeira cena o preâmbulo é o seguinte: eu voltava para Porto Alegre ao final do dia do segundo turno, num ônibus pinga-pinga da Central, com mais cinco pessoas - fora o motorista e o cobrador - após ter trabalhado o dia inteiro na seção 140, onde voto, como mesário, com alta expectativa de uma vitória de Lula. Naquele dia - lembro bem - coloquei uma calça branca e uma camisa vermelha. Não precisava dizer mais nada.

Viajei no centralão escutando um rádio no fone de ouvido e acompanhando a apuração da eleição. Creio que eram umas 23:11 quando entendi que não tinha mais volta, havíamos perdido a eleição para o Caçador de Marajas da rede Globo e da elite brasileira. Ao chegar em Porto Alegre caminhei com minha mochila verde às costas, no trote, até o Bom Fim e eis a cena: entrei na Lancheria do Parque )ali na Oswaldo Aranha) e já na porta vi a cena mais desoladora que já vi em minha vida: todos os presentes com o olhar baixo, cabisbaixos, muitos chorando e nenhum sorriso nos rostos do garçom ( véio Gerson, Adilar e outros) e até o mais acanhado transeunte chapado tinha tristeza no caminhar e vagar. Era uma desolação total.

Neste dia eu entendi que a esperança que nós tinhamos era gigantesca e extraordinária. Havia feito campanha, mas só vi a medida da nossa empolgação, no dia da derrota definitiva. Até hoje quando entro na sede do PT de São Leopoldo e vejo aquele quadro do Luis Brasil de 1989 - que apoia LULA, que está lá na parede dando testemunho real daquela campanha, lembro de quão grandiosa e generosa foi a doação de todos para aquela campanha.

Também foi 1989, portanto, o ano da primeira eleição para presidente da república após a ditadura militar e, bem entendido, após a eleição de Jânio Quadros, o parlamentarismo com Tancredo e outros, a campanha da Legalidade liderada pelo Brizola, a posse de Jango, o plebiscito e o golpe militar que deu posse aos presidentes militares no Brasil por 20 anos e que embananou a democracia brasileira com Sarney, Roberto Marinho, Antonio Carlos Magalhães, Paulo Maluf e outras criaturas que ainda estão aí seja por seus herdeiros e sombras seja pelas circunstãncias.

Na segunda cena vi aquele Chinês dançando em frente aos tanques na Praça da Paz Celestial naquele protesto por liberdade na China. O que me chamou a atenção não foi a dança, mas o impeto e as respostas sucessivas de quem manobrava o tanque. Todos hoje sabem que a maioria daqueles jovens que protestaram lá foram mortos e que os líderes que, de alguma forma, sobrevivem passam sistematicamente por maus bocados. Toda vez que olho para a China lembro disto e do fato de que lá a Revolução - que não é nenhum pouco questionada no ocidente combina capitalismo com trabalho escravo e coletivismo. Para nós é inimaginável o que lá ocorre hoje. Nauqele momento eu também tinha uma esperança grandiosa. Imagine que eu supunha que haveria alguma forma de revolução mundial por acontecer. Era pura ilusão, nem a leição de Lula se deu e nem o sistema soviético e o sistema chinês sofreram as transformações fundamentais para um processo global. Tudo ao contrário, as coisas ficaram piores pra quem tinha esperança na revolução. E os conservadores surfaram com muita liberdade sobre a história.


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A minha lembrança mais importante da queda do muro de Berlim foi uma ironia desta história. O fato de que o Muro caiu justamente após a grande pressão das pessoas que já saiam dos países da cortina de ferro pelas fronteira com a Polônia e outros países e que na Alemanha o muro continuava ironicamente de pé.

A derrubada do muro, alguns chamam de queda outros chamam de abertura, se deveu simplesmente a uma intensa disposição das pessoas de atravessarem fronteiras, de ultrapassarem diferenças. Penso que esta é uma grande marca do final do século XX. O muro é derrubado em meio a isto. Quando você faz uma pesquisa para ver o que acontecia na literatura, na música e na política da época você descobre coisas interessantes que contrariam a tentativa de alguns analistas de dizer que as posições de esquerda sucumbiam com a queda do muro. Ao contrário, hoje percebo que apesar da esquerda mundial não ter uma grande ideologia pronta para dizer o que fazer, ela já aponta o que não fazer por antagonismo justamente ao receituário neoliberal.

Uma prova disto é que nestes vinte anos, de 1989 a 2009, só no continente latino americano e americano vivemos um processo de esquerdização dos governos nacionais e de ruptura em diversos parãmetros tradicionais de conflito. Foi em Seattle, em 1999, que o movimento anti-globalização e contra o capitalismo promoveu o primeiro grande ato de massa contra os poderosos do planeta. Este movimento desagua em diversos outros atos de luta pelo planeta e vem a dar a luz ao FÓRUM SOCIAL MUNDIAL. Eu gosto de colocar estas duas coisas juntas:

1. o FÓRUM SOCIAL MUNDIAL em Porto Alegre em 2001 - como palco de construção de alternativas e polarização ao neoliberalismo, ao mercado especulativo (vide TAXA TOBIN da ATTAC) e ao capitalismo que se concentravam e se reuniam em DAVOS na Suíça, através de associações liberais do mundo inteiro, grandes empresas, grandes governantes de direita e centro, e diversas atrações do Show Business;

2. a CONQUISTA DOS GOVERNOS NA AMÉRICA DO SUL PELA ESQUERDA, a partir de 1999, começando com Hugo Chaves, inclusive, e passando por LULA em 2002 no Brasil e chegando ao ponto de hoje haver apenas um governo de direita no continente, justamente na Bolivia onde Che Guevara morreu nos anos 60 em plena guerrilha pela libertação do colonialismo tardio e do imperialismo americano. A esquerda tomou conta da América.

Estes dois grandes movimentos tem hoje forte alento, pois a combinação entre eles é justamente o que faz força, em especial no caso brasileiro, frente a crise da economia mundial provocada justamente pelas consequências do excesso de liberdade ao capital financeiro, especulativo e corporativo global.

Na minha visão da época a queda ou derrubada do muro de Berlim libertava os socialistas do ônus de terem que justificar um regime e sistema econômico em que a democracia não tinha vez e em que as liberdades inexistiam. E penso que para o PT - e os trotskistas em especial que fundaram o PT - a queda do muro de Berlim foi um alívio no sentido de construir uma outra opção de socialismo. Justamente aquela que compreende que o socialismo não é possível em um só país.

Assim, na minha opinião já na época era o momento de se construir o Internacionalismo de caráter Socialista com mais força ainda. Mas, infelizmente o que se seguiu foi o contrário. O que se seguiu foi a radical e profunda implementação do programa neoliberal em todos os países para além da Inglaterra, EUA, Chile e poucos outros. O neoliberalismo teve forte impeto de generalização. Aliás chegou no Brasil com fernando Collor de Melo - justamente na eleição de 1989 e governo até o fim do governo de FHC. A receita tríplice: privatizações, redução dos direitos e livre-mercado ( livre-mercado significa mais do que sem fronteiras, para eles é sem regras também, sem restrições, sem fiscalização e sem qualquer forma de coerção ou regulação estatal ou pública e etc.) foi largamente implementada.

E neste período de 1989 até pelo menos 1999 quase todas as estruturas estatais sofreram revezes, enxugamentos, demissões e precarizações. É bom lembrar que justamente após o fim do Socialismo soviético as diversas máfias russas se constituiram e tomaram conta dos espaços e das coisas nos países do antigo bloco soviético. Não há polícia e exército que faça frente ao poder do capital. Este é hoje ainda um dos maiores desafios para as democracias orientais superar a forte influências das máfias sobre os estados nacionais e serviços públicos. Com o desmantelamento das estruturas, dos partidos e das organizações sociais tradicionais do leste europeu tudo tem que ser reconstruído e mais que isto inventado. E não tem sido fácil.

Outro debate é sobre o fim da guerra fria.

PS: continuamos depois.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

TRÊS MESES SEM FUMAR - AGORA É MUITO REAL

Quase nem acredito que tenho conseguido, com certa facilidade até, me manter longe do cigarro, sem fumar, sem comprar e sem sentir falta. Sonhei uma única vez com cigarro e foi algo episódico.

Fazem três meses hoje e foi numa sexta-feira 13 de agosto que parei de fumar.

Desejo que os meus amigos e amigas que ainda fumam tomem isto como um estímulo para parar.

Mais nada para dizer sobre isto. Fica só o registro.

MERITOCRACIA, PSDB E FHC - RESPOSTA DOS EDUCADORES DA UNICAMP

No momento em que discutimos o tema da Uniban ( da aluna expulsa por se vestir de certa forma e provocar a ira dos conservadores) , discutimos o tema da meritocracia, a Unicamp responde ao ex-ministro da Educação de FHC porque a culpa da baixa ou discutível qualidade da educação não se deve às universidades públicas....para conhecimento, debate e posicionamento dos camaradas. Do Blog do Luis Nassiff...







A Unicamp responde a Paulo Renato


Por Luiz Carlos

DIREITO DE RESPOSTA

Ao tentar defender a política meritocrática repaginada pela Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, o Sr. Secretário da Educação Paulo Renato Souza atribui grande responsabilidade pelos problemas da escola aos professores e à sua formação, apontando as Faculdades de Educação, e nominalmente a Unicamp e Usp, pelos males da Educação do Estado de São Paulo.

Afirma o Sr. Secretário que a formação nesses cursos é muito teórica e ideológica, em que se defende a ausência de método e não se provê o professor de técnicas adequadas de ensino.

Não ingenuamente, o Sr. Secretário de Educação faz parecer que universidades públicas e privadas funcionam a partir dos mesmos princípios e condições, com os mesmos propósitos e a mesma qualidade, o que nem de longe corresponde à realidade.

Induz também a pensarmos que são as instituições públicas que formam a maioria dos professores do Estado, o que também não corresponde à realidade. No Estado de São Paulo, infelizmente, as universidades públicas paulistas são responsáveis por apenas 25% das vagas universitárias, contra 75% das privadas.

Vale dizer que essa discrepância não parte de uma opção das universidades públicas, mas foi produzida, nos últimos 15 anos, pela própria política de encolhimento do setor público e ampliação do setor privado que ele, então Ministro da Educação, ajudou a implementar.

Soa estranho, então, que a responsabilização pela suposta má formação dos professores recaia exatamente no setor minoritário, em termos numéricos, quanto à formação de professores.

Pior fica perceber que o ex-Ministro e atual Secretário de Educação do Estado desconhece os projetos e currículos dos cursos de pedagogia da Unicamp e Usp, pelos quais o Estado é responsável.

No caso do curso de Pedagogia da Unicamp, há mais de uma década temos defendido e trabalhado, como princípios norteadores de nosso currículo, a formação teórica sólida (da qual certamente não abrimos mão, já que formamos educadores e não técnicos), a pesquisa como eixo de formação, a unidade teoria-prática, sendo o nosso compromisso, como universidade pública, com a educação pública de qualidade para todos. Em nossa última reforma curricular, foi exatamente nas atividades de pesquisa e prática, e no estágio supervisionado, que logramos ampliar nossa carga horária e nossas experiências de formação.

Nada na nossa organização curricular e nos nossos planos de ensino aponta para a defesa do espontaneísmo e ausência de pesquisa sobre a prática, como afirma nosso secretário. Equivoca-se o Sr. Secretário ao confundir autonomia do professor, como intelectual que reflete sobre a própria prática e toma decisões, com ausência de método. Nossa ênfase na formação continuada a partir dos projetos pedagógicos das escolas, como trabalho coletivo, reforçam essa diferença.

Se pensar criticamente a realidade, conhecer os problemas do nosso país, dos nossos alunos concretos, dos nossos professores concretos, é visto pelo Sr. Secretário como “viés ideológico”, o que dizer da assunção de uma meritocracia cruel e desumana, que se assenta de forma alienada sobre as profundas desigualdades que marcam o nosso Estado e o nosso país, escamoteando e ocultando suas verdadeiras causas por meio do discurso falacioso da meritocracia? Não haverá também aí viés ideológico, e a questão não estaria na opção que fazermos, de nossa parte, por defender uma educação de qualidade para todos, e da parte do Governo do Estado, em manter a desigualdade entre a educação para o povo e a educação para as elites? Ou pretende o Sr. Secretário zombar da inteligência do leitor, querendo fazer crer que a política por ele desenvolvida é neutra, imparcial, desprovida de ideologia?

Apenas para ilustrar nosso compromisso e vínculo com a realidade e o cotidiano escolar, e a relevância do trabalho que realizamos, segundo dados fornecidos pela Assessoria de Imprensa da Unicamp, a pesquisa realizada nesta Universidade mais consultada neste ano de 2009 é da Faculdade de Educação e, talvez para surpresa do Sr. Secretário, trata de uma questão pungente da sala de aula: o ensino de matemática. Esse é apenas um exemplo dos estudos que realizamos e nossa produção aponta a intensidade do vínculo que estabelecemos com a escola pública, nas nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Além disso, o Sr. Secretário desconhece que o curso de Pedagogia da Unicamp foi reconhecido, durante os últimos anos, como um dos melhores do país.

Quanto à forma como encaramos a relação público-privado, vale salientar que, em muitos países em que dizemos nos espelhar, a educação pública de qualidade é um direito da população, as condições de trabalho e salário docente são garantidas sem a necessidade do apelo à alegoria do discurso meritocrático, e a maioria das vagas universitárias são públicas (como nos Estados Unidos e na nossa vizinha Argentina). E, para informação do Sr. Secretário, a verba pública não é do governo nem do setor econômico; provém dos muitos impostos que nós, trabalhadores paulistas, brasileiros, pagamos, com o suor de nosso trabalho. A educação de qualidade, portanto, é nosso direito e obrigação do Estado.

Congregação dos professores da Faculdade de Educação da UNICAMP

PS.: CADA VEZ QUE LEIO UMA INTERVENÇÃO COM ESTE NIVEL DE QUALIDADE ME BAFEJA A ESPERANÇA DE QUE NEM TUDO ESTÁ PERDIDO.

BOA LUTA....