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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

DILMA PRESENTE EM TRÊS ATOS NO RIO GRANDE DO SUL

Estou escrevendo só agora porque tive alguns dias de repouso e reflexão e muito trabalho mental também. O meu trabalho me exige mais e mais clareza e menos e menos indefinições. Apesar disto tenho conseguido construir uma perspectiva flexível nos meus projetos de futuro pessoal e coletivo. Creio que seremos vitoriosos ao fim e ao cabo de todas as sarabandas e tremenbés.

Mas deu para mim e para o nosso povo grande satisfação a primeira semana de fevereiro aqui em São Leopoldo e no Rio Grande do Sul. Isto explica o título deste artigo de hoje. Esta satisfação ficou redobrada agora ainda mais - pitadas de superlativos intencionais - com os números que aparecem na pesquisa do IBOPE (veja farto debate sobre isto aqui ao lado a direita no Luis Nassif). São números em quantidades e de qualidades. Nada que me leve a ser mais arrogante do que sou, nem que me leve a ser menos pessoal, mas é a pura verdade. Qualquer um que tenha lido o artigo da Dilma lá atrás em setembro de 2009 imaginaria que está tudo igual ou tudo diferente e não perceberia nada.

E em meio a isto o meu partido completou trinta anos. Foi lá no longínquo já dia 10 de fevereiro de 1980 que foi fundado o Partido dos Trabalhadores onde eu construí muitos sonhos e onde aprendi a compartilhar ideais que hoje ainda tem mais valor do que muita ideologia de manual. Quando falo isto não menosprezo os manuais não, menosprezo os que ficam só nos manuais. É preciso muita praxis e teoria para compreender o passado e o presente e construir um futuro diferente. Mas praxis refletida.

(Nem vou tecer loas aqui agora, pois preciso fazer um certo debate sobre o PT e a institucionalidade e o PT de lutas e das massas. Continuo com convicções firmes contra o regimentalismo e processualismo da companheirada que acha que dá para fazer política na mesinha com planilha, canetinha e telefonesinho. Em resumo continuo avesso à burocratização artificial e ao status néscio. Por mais trágico que pareça creio que José Dirceu faz mais e melhor agora do que na roda viva da burocracia partidária. Portanto, precisamos de mais formulação e menos nhão nhão nhão. Mas o PT tem, ainda, perna sobrando para isto. Recomendo a leitura de textos no ALON, no FAVRE, no MULLER e diversos outros incluso no blogue do PT para quem quiser. Quem não quiser que fique assim mesmo, por enquanto.)

O primeiro ATO foi no dia 5 de fevereiro no Bairro Feitoria da minha querida São Leopoldo. Lá Dilma, Tarso Genro, Franklin Martins, Márcio Fortes e o nosso Presidente Lula, acompanhados do nosso Prefeito Ary Vanazzi entregaram a ETE Feitoria - a estação de tratamento de esgoto do bairro Feitoria que vai possibilitar o tratamento de 50% do esgoto de nossa cidade, nivel superior a todos os municípios do Rio Grande do Sul.

Além disto foram entregues simbolicamente as chaves de cinco moradias populares para mães de família atendidas pelo PAC Arroio Kruze. Para quem não sabe ainda trata-se da remoção e assentamento habitacional de milhares de pessoas da beira dos arroios de nossa cidade, reduzindo a deposição de esgoto a céu aberto e a poluição ambiental, bem como, a exposição ao risco de doenças para milhares de moradores de nossa cidade.

Nossa geração que lutou nesta cidade contra o descaso das crianças mordidas por ratos - na Avenida Atalíbio e outras, está cumprindo parte importante aqui dos nossos compromissos. Quando falo nisto aqui lembro de minhas aulas de 1999 no Olindo Flores quando falava que era uma barbaridade aquilo e que meus alunos incrédulos diziam que não tinha alternativa de moradia e e de habitação. Ora, hoje - salvo poucas residências e alguns botecos, 100 famílias já foram removidas de lá. Para dar a dimensão do PAC Arroio Kruze trata-se de 454 casas sendo entregues agora e mais adiante. Cito o site da Prefeitura de São Leopoldo:

"PAC Arroios

Recuperar o arroio Kruse e garantir moradia digna para as famílias que atualmente ocupam de forma irregular e com risco as suas margens são as metas a serem atingidas com a parceria entre os governos federal e municipal, segundo o secretário de Planejamento e Coordenação, Marcel Frison.

Com investimento total de R$ 30 milhões, sendo R$ 24 milhões oriundos do orçamento geral da União e R$ 6 milhões do município, o projeto, que está localizado na região Sul da cidade e atravessa diversos bairros (Santo André, Rio Branco, São José, São Cristóvão), irá beneficiar direta e indiretamente 1378 famílias.

São 454 famílias que serão removidas e transferidas para quatro novas áreas que se situam próximas à região e que serão preenchidas com infraestrutura de saneamento, centro comunitário, cancha de esportes, praça e unidades habitacionais.

A recuperação ambiental das margens do arroio abrangerá uma extensão de aproximadamente 2.500 metros. O projeto compreende a revegetação das margens, obras de contenção e estabilização de solo, desassoreamento e limpeza da calha do arroio, etc.

Além disso, serão realizadas ações de regularização fundiária e urbanização (extensão de redes de infraestrutura e saneamento, implantação de áreas de lazer, ciclovia) para as famílias que permanecerão no entorno do arroio.

Todas essas ações ocorrerão juntamente com a execução do projeto social, que tem seus objetivos focados em três eixos: mobilização comunitária, educação ambiental e geração de emprego e renda."

No segundo ATO, Dilma e o Presidente Lula entregaram em Porto Alegre lá na Restinga a CEITEC, uma obra de instalação de um Centro de Informática e Tecnologia, projeto plantado lá no governo Estadual de Olívio em 2000 e que levou dez anos para receber a devida alavancagem de 500 milhões finalmente obtida no Governo do Presidente Lula. (Observo aqui o tremendo êxito do prefeito Ary Vanazzi ao vingar sua convicção e seus esforços e conseguir cumprir papel decisivo para trazer a HT Micron para o pólo de informática de São Leopoldo. Aqui vale um debate interessante: São Leopoldo ou a RMPA poderão sediar um cluster completo de tecnologia da informação? em quanto tempo? eu imagino que em menos de dez anos.)

Já no terceiro ATO tive o prazer de assistir e acompanhar o Painel de DILMA sobre o PAC 2 e o futuro do Brasil na Assembléia Legislativa para mais de 150 prefeitos e mais uns 500 entre deputados, vereadores, secretários, dirigentes e lideranças de diversos segmentos e partidos do Rio Grande do Sul. Com episódios memóraveis como o Lançamento da candidatura de Dilma para preseidente pela prefeita de Ivoti do PP - me belisca véio, e otras cositas mais. Atividade coordenada e organizada pelo nosso prefeito Ary Vanazzi. Com ampla representatividade. Neste episódio minha convicção sobre as qualidades da nossa futura candidata se reforçaram em muito. Para dar uma palhinha disto digo que ela tem aquela caracteristica interessante dos políticos de alta estirpe: uma percepção muito clara do meio e do que está a ocorrer em sua volta. Ela olha nos olhos dos interlocutores e transmite uma segurança interessante na abordagem dos temas propostos e desfiados. Se engana em muito quem pensa que ela é meramente técnica ou só técnica. Um banho de povo nela e ela vai crescer muito junto a opinião pública.

Quero concluir falando da covardia da direita brasileira que agora se esforça para colar em Dilma a alcunha de a terrorista mais malvada da face da terra. Em e-mails sem vergonha e forjados tentam fazer ela virar a assassina que eles foram na ditadura. Me parece - petit poa - que na verdade é forma que eles estão indiretamente se servindo para justificarem a tortura e as barbaridades que eles cometeram contra ela e mais de 300 brasileiros que hoje estão aí como sobreviventes e lutadores construindo um novo Brasil, um Brasil para todos os brasileiros e não somente para os seus. É bem a cara deles querer transformar a Dilma ou em coitadinha ou em malvada. A covardia tem este traço de mediocridade marcante jamais consegue reconhecer os heróis e os lideres do povo, porque para eles só há heróis e líderes das elites e para as elites.

Viva a coragem do povo brasileiro....

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SOBRE AS BOBAGENS DE FHC

FHC E SUA TURMA QUEREM VOLTAR - comentário no blog do Nassiff

Organizaram, orquestraram e promoveram o saque ao estado brasileiro com belos e extraordinários programas de privatizações. Um dia em 2003, digo 1993, quando o PSDB nem tinha assumido com FHC discutíamos filosfia política e concepção de estado, numa conversa de academia afirmei que eles faziam do Estado um maquis para os seus assaltos e que este é o resumo do neoliberalismo. Hoje vejo pior.

Principalmente depois que a maioria deles passou a ter empregos em multinacionais, empresas beneficiadas por financiamentos e renúncia fiscal e em orgãos de comunicação atoladas até as canelas na defesa, promoção e disseminação da ideologia neoliberal. O pior é que ainda não acordaram. Não acordaram nem com a gigantesca crise que promoveram com suas políticas de livre mercado, desregulamentação e benesses públicas.

O meu estado, por exemplo, não está minguando somente por conta de governadores irresponsáveis não – além da belle femme ou desgovernadora atual – entra nesta conta aquela renegociação da dívida estadual com a União. Ora, ora, dizer que comprometer em média 15% por cento do orçamento público em dívida é um bom negócio para os gaúchos teve pagina inteira na imprensa local em 1997. E hoje, o tal deficit zero, tem páginas e mais páginas de notícias ruins na educação, na saúde e na segurança, para ficar só naquilo que estes sacripantas consideram políticas essenciais de estado. Sem falar em meio ambiente, saneamento, estradas, assistência social, energia e etc.

A petulância de FHC ao afirmar que Dilma não tem liderança é incrível mesmo. Me lembrou os dois primeiros anos de governo dele em que ele dizia que Serra não tinha liderança também, pois que naquela época quem tinha liderança era o Serjão – já falecido hoje.

Outro absurdo é fazer de conta que uma pessoa com visão não tem liderança. Ele pode até dizer que a Dilma não foi testada nas urnas, mas deve ficar bem quieto se quer dizer com isto que elea não é capaz de apresentar um programa e uma perspectiva positiva de futuro para o Brasil.
Nisto ele se engana e muito. Dilma é, ao meu ver, uma das cabeças mais visionárias da história do Brasil. Não é preciso ler muito sobre as opiniões dela para perceber isto.

Sob a liderança irrefutável de Lula está umaq pessoa com visão de futuro. O dedo indicador de Lula aponta sim na direção certa e nos indica alguém que pode com certeza apresentar um projeto nacional que faça avançar nos acertos e na direção até então tomada.

Quando eles afirmaram que vão acabar com o PAC eles erraram redondamente. E com isso jogaram boa parte do empresariado nacional contra os propósitos deles. E jogaram também milhões de brasileiros que estão vendo as obras, trabalhando nas obras e mudando a vida com estas obras no lado oposto. Um bom governo deve ser capaz de fazer investimentos que façam a economia se movimentar – não tanto na especulação, mas mais na produção e geração de empregos e riquezas. O blá blá bla´deles é pura bobagem.

Por fim, é outro grande absurdo eles quererem que um governo não faça inauguração de obras e etc. E para isto que os governos servem. Os governos devem fazer campanha do primeiro ao último dia. Se põe ovo tem que cacarejar sim, senão o pessoal sapateia em cima e faz de conta que nada foi feito. Ou pior, acaba caindo no esquecimento da opinião pública aquilo que foi realmente feito e executado e o povo embarca nas aventuras de eleger candidatos comprometidos com retrocessos e sem nenhum compromisso com eles.

Tá certo o governo. Se entrega uma casa faça barulho. Até para valorizar com o cidadão aquela conquista e ela não ser desperdiçada ali adiante ou trocada por um chevete velho.

Um abração.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O DISCURSO DE LULA EM DAVOS

Abaixo o texto integral do discurso de Lula em Davos - lido pelo Chanceler Celso Amorim:

Minhas senhoras e meus senhores,

Em primeiro lugar, agradeço o prêmio “Estadista Global” que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando – mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado. Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial. Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo. O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical. Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática. E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos. Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu. Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial. Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte? É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família. Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

Minhas senhoras e meus senhores,

O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil. Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta. Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora. E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto? Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso? Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas. Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia. Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham? Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas? Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,

Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre. Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado. Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social. E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil. Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão. Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros. Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito. Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de “crédito consignado”, que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.

Minhas senhoras e meus senhores,

Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil. Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país. O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora. O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global. A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação. Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias. É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar. Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde. Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado.”

domingo, 24 de janeiro de 2010

DISCURSO DE PARANINFO PARA AS TURMAS 3N1 & 3N2 E ALGUNS ALUNOS DO DIURNO

DISCURSO DE PARANINFO

JUSTIÇA – CORAGEM E ALEGRIA

Boa Noite a todos os presentes, quero fazer as saudações:

Saudação ao Diretor, Professor Jorge Lothar Von Muhlen

Saudação aos meus colegas professores e professoras presentes

Saudação a minha consorte e colega Regina Porto Werckmeister

Saudação ao meu Pai e minha Mãe – Antônio Boeira Sobrinho e Verônica Adams Boeira

Saudação aos pais, mães, avôs e avós, irmãos e irmãs dos alunos

Saudação aos meus ex-alunos e alunas e aos meus amigos e a todos os presentes.

Saudação aos meus alunos e afilhados

Meninos e meninas

Meus muito queridos jovens

Ser Paraninfo de vocês é para mim uma grande distinção.

Ser o padrinho destes formandos - senhores pais e mães - é para mim motivo de muito orgulho.

Ser professor deles já me é e foi uma grande alegria, mas receber esta homenagem é também talvez minha última oportunidade de me dirigir de forma solene para com eles – na condição de alunos – na condição de pupilos e pupilas.

É também uma oportunidade de ouro para tentar fazer o que eu não consegui fazer durante o ano inteiro. Dar uma aula em que seja possível ver o final.

A oportunidade de falar com eles como um professor que se dirige para os seus alunos pela última vez, não é pouca coisa para mim que adotei esta profissão por opção – por escolha deliberada.

Encontro nesta profissão uma grande missão um sentido para a minha vida na realização plena dos meus dois maiores ideais o de ser justo e o de lutar sempre e enfrentar sempre qualquer situação de indignidade, com coragem e muita alegria.

Meus queridos alunos não estou aqui agora por mera obrigação ou ofício profissional, mas como uma pessoa, um sujeito, como um ser humano que pode estar concluindo hoje mesmo a sua passagem neste grande vale de lágrimas que é o mundo. E confesso que me sinto muito orgulhoso de ser aqui o paraninfo de vocês não tanto por ser o professor que sou, mas por ser a pessoa que sou e por vocês serem as pessoas que são e que eu conheço muito bem.

Confesso para todos os presentes aqui que a minha relação com eles foi mais pessoal do que profissional e que tenho a convicção de que se houvesse sido diferente o tamanho desta colheita seria muito menor e mais triste.

Não porque eles não tenham deixado, mas sim porque com estas duas turmas do noturno, em especial, e com alguns alunos e alunas do diurno, mais do que com todas as outras turmas que eu tive durante este ano e nos últimos dez anos de trabalho nesta adorável escola, eu tive um trabalho diferenciado.

Para todos nós chegarmos aqui hoje eu briguei com eles pelo menos uma vez por mês desde março. Nos últimos quatro meses ralhei quase todos os dias e, confesso, não deixei em nenhum momento eles terem a ilusão, fantasia ou mera impressão de que os havia abandonado, esquecido ou desamparado.

Ou seja, apoiei intensamente estes alunos e alunas que estão aqui hoje e isto explica porque são tantos os alunos do noturno aqui presentes, porque muito poucos declinaram de vir aqui e mostrar para todo mundo quem são seus colegas e como é importante esta cerimônia para eles e para mim.

Como professor dediquei todas as minhas horas e dias deste ano no convívio com estes alunos e alunas para construir a fotografia e o retrato desta noite.

Certamente não sou, não serei e não quero ser o professor mais importante da vida deles, porque sei que existem educadores mais preparados aqui mesmo nesta mesa, neste salão, sei que eles terão ainda muitos outros professores e educadores.

Mas devo me dirigir a eles agora com palavras especiais. (A partir daqui até aonde eu vou marcar eu não li).

Palavras que eles ouviram nos últimos três anos, ou até dez anos. Pois que alguns destes alunos e alunas são – na padaria da vida – a escola, fregueses de caderno.

E todos eles sabem do que eu estou falando aqui, porque hoje é o dia em que nós vamos fechar esta conta e abrir uma outra. Vamos fechar a conta das pequenas promessas e abrir a conta das grandes expectativas.

E eu tenho muitas expectativas em relação a vocês. Aposto muito em vocês, mas sei que esta aposta só se cumprirá se vocês apostarem mais do que eu mesmo apostei em mim mesmo um dia.

Hoje é o dia que nós vamos lembrar como uma grande conquista individual e coletiva. Se a padaria fechar amanhã – e queira Deus e os senhores que ela não feche, saberemos e lembraremos que comungamos do mesmo pão – de uma tentativa de fazer uma educação plena com vocês e meus colegas.

Na minha primeira experiência como professor a mais de 19 anos – em estágio de observação acabei substituindo um professor que não foi dar aulas – eu tentei explicar algo que é muito esquecido em geral e que talvez explique porque o trabalho de educar é tão difícil e tão pouco valorizado.

Uma mera distinção conceitual entre educação formal e educação informal havia sido objeto da minha primeira aula. É uma distinção tão simples que pareceria ocioso gastar tempo aqui com ela. Mas é uma distinção importante.

A educação formal é aquela em que o sujeito passa por um processo regrado de educação, em que dispositivos como Avaliação, Recuperação, Exercícios, Conteúdos pré-determinados e tempos pré-determinados são utilizados. Assim temos a matéria, os horários, os dias e as provas determinadas.

Já a educação informal é absolutamente casual e muitas vezes depende de uma decisão em procurar educar. A educação informal – meus senhores e minhas senhoras é aquela que nós fazemos quando damos uma advertência a um estranho na rua, ou quando abordamos qualquer criança ou jovem na rua e lhes cobramos conduta diferente do que aquela que eles estão a ter. E esta educação é – na minha visão a mais importante – e é aquela que nos dias de hoje mais falta também.

Porque muitos hoje – por efeito de uma incompreensão sobre o que é a democracia, a liberdade, a justiça e a autoridade – consideram que tal atividade é precípua dos pais ou mães, dos policiais e daqueles – a parte mais irônica disto – que ousam perder tempo se metendo na vida dos outros ou falando e julgando o que os outros fazem ou o que os filhos dos outros fazem.

Ocorreu – com estes tempos individualistas – uma excessiva permissividade, não por convicção liberal das pessoas, mas sim por puro egoísmo e tentativa de se descomprometer com a educação, a proteção e a orientação de nossos jovens.

Foi mais ou menos assim que chegamos ao atual estado de coisas. Por força desta renúncia à educação informal, acabam por renunciar também a uma sociedade em que a dignidade e a importância das coisas e das gentes é muitas vezes esquecida

(a partir daqui eu continuei a leitura.)

Peço aos meus alunos que façam a coisa certa. Que critiquem o que deve ser criticado, que corrijam o que deve ser corrigido é através de um grande esforço preservada.

Não é difícil entender porque isto aconteceu. Nem é difícil observar como isto acontece. Todos nós sabemos o quão desconfortável é contrariar o livre curso das coisas e pessoas a nossa volta. Passamos muitas vezes por inconvenientes e sentimos muitas vezes o quão difícil é alertar para este problema. Afinal, contrariar e assumir a conflitividade necessária para mudar as coisas, mudar a vida e mudar o mundo pode ser muito oneroso, pode ser muito desagradável.

E é assim que muitos se dobram ao senso comum e ao preconceito – o qual não é o mesmo que o bom senso. E neste ano, meus queridos alunos, tivemos muitas experiências em que a opção de contrariar o senso comum e os preconceitos nos foi muito favorável. Não darei os exemplos porque a consciência de quase todos vocês esta repleta destes exemplos. Sugiro até que contem no fim de semana, no churrasco da família ou no passeio dominical alguns causos disto.

Tenho que fazer alguns agradecimentos também – porque é sempre bom lembrar que poderia ter sido muito diferente:

Primeiro, eu agradeço em nome de todos os meus colegas e do nosso sindicato CPERS, ou seja, o apoio da gigantesca maioria absoluta destes alunos para a greve e a luta dos professores, neste ano, no ano passado e nos anos anteriores.

Segundo, eu agradeço o forte apoio e participação destes alunos em diversas atividades: a) na discussão sobre segurança pública; b) na discussões e nos debates sobre a temática da prevenção às drogas em sala de aula, no salão da escola e nas atividades de sábados; c) na participação a Palestra de Prevenção aos acidentes de trânsito e de explicação de como funciona o Samu lá na escola; d) a corajosa e engraçada participação na festa de São João; d) a concepção, e organização e realização, com o devido sucesso, da festa de Hallowen; e) a participação intensa destes alunos no Grêmio Estudantil, no Conselho Escolar e f) o excelente comportamento destes alunos em todas as saídas e passeios externos aos muros da escola; como no passeio à Feevale e na passagem pela Unisinos. g) os bons debates, trabalhos e exercícios realizados na disciplina de Sociologia neste ano, na disciplina de Filosofia no ano passado e nas demais atividades pedagógicas.

Terceiro, tenho que fazer um agradecimento muito especial a todos os alunos que cumpriram o que propomos nos conselhos de classe, nas diversas atividades de orientação e, também, aqueles que aceitaram com racionalidade nossas advertências e pedidos.

Quarto lugar, quero agradecer a minha turma 3N2 que cumpriu em 110% tudo que eu esperava deles. A minha aposta em vocês me rende muita alegria.

Para concluir quero respeitosamente e humildemente apor aqui um enigma a todos vocês – a todos os presentes.

Que semelhanças haveremos de encontrar hoje e no futuro entre estes alunos e o seu professor?

Espero que todos eles sejam muito melhores do que eu fui capaz de ser.

Passo a eles agora o meu bastão definitivo: cresçam mais, sejam mais justos, sejam mais corajosos e sejam felizes.

Façam desta cidade, deste estado, deste país e deste mundo um lugar melhor para se viver.

Eu me lembrarei de todos vocês pela eternidade.

Hasta La vista.

Muito Obrigado e Parabéns a todos.

PS.: Preciso citar aqui alguns alunos que foram decisivos na comissão de formatura: Thais da 3N1, Pedro da 3N2, a Tayla da 3M1 e a Gabriela da 3M2. Valeu o esforço de vocês. Um grande abraço especial.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

FORMATURA DO ENSINO MÉDIO DO OLINDO FLORES DA SILVA - 2009

DATA: 23 DE JANEIRO DE 2010

HORA: 19:00 - PARA OS CONVIDADOS (18:30 para os formandos)

LOCAL: SOCIEDADE RECREATIVA UNIÃO

BAIRRO SCHARLAU

APÓS AS 23:00 HAVERÁ FESTA DANÇANTE - COM DJ RODRIGO

CONVITES COM OS FORMANDOS

PS.: SERÃO 85 ALUNOS DAS TURMAS 3M1, 3M2, 3N1 e 3N2.

COM UM PROFESSOR HOMENAGEADO POR TURMA E UM PARANINFO POR TURNO.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

NO PRIMEIRO DIA DO ANO DE 2010: EU GOSTARIA DE SABER A VERDADE SOBRE ISTO...

Escrevi para o blog do serbon o seguinte texto:

Em 1972 eu tinha sete anos de idade e assistia ao sesquicentenário da independência. Meu Brasil, Dom Pedro 1º do Tarcísio Meira, e a DKW do meu pai num domingo ensolarado com três crianças caminhando sobre o Capô.

Em 1973 eu tinha nove anos de idade e, na terceira série, em uma escola particular tive a oportunidade de assistir a minha primeira aula de filosofia. Os fragmentos sobreviventes de minha memória infantil trazem aos meus olhos um Professor magro de uns 1 metro e setenta centímetros, com uma pasta abarrotada de papéis e livros, mas muito bem asseado e dentro de uma fatiota, com uma camisa azul bem passada e uns óculos de fundo de garrafa. Num lembro bem se o nome era Ivo ou Ivan, mas lembro bem do que ele falou e do que ele disse. Era a aula de apresentação do Professor de História, mas havia outra verdade nela o professor era de filosofia e ia nos ensinar também a história do pensamento humano e a conexão do pensamento humano com a história humana. Parecia algo maravilhoso isto. Ele perguntava para nós se tudo que acontecia à nossa volta ou se tudo que aconteceu um dia não tinha uma pitada do pensamento dos homens? E não respondia. Lembro que ele se apresentou singelamente e que afirmava morar na casa do estudante, onde hoje fica a Câmara de Vereadores da cidade. Pois bem, aqui acaba tudo, porque na semana seguinte nunca mais o vi. E ficou uma curiosidade sobre que aulas ele haveria de nos apresentar considerando dois fatores o começo e a falta de respostas.

Em 1974 eu tinha nove anos de idade e assistia ao sesquicentenário da imigração alemã que, na minha cidade natal, era motivo de muito orgulho. Imagina só o Presidente Geisel teve lá para as grandiosas comemorações da minha São Leopoldo amada.

Em 2009 eu tenho 44 anos de idade, sou um professor de filosofia, participo de muitos debates, dou umas avivadas nas memórias inexistentes dos meus alunos e assisto ao debate sobre a ditabranda. Grandes coisa. Mal sabem estes calhordas quantos professores sumiram, quantos pensadores calaram, quantos seres humanos sofreram.

Nunca mais.

PS.: lé em 16 de março de 2009 - após o debate da DITABRANDA DA FOLHA.

Qual é a verdade sobre estes fatos?

Não a DKW DO MEU PAI...

Sobre o meu professor e etc....?

Gostaria de saber...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SOBRE OS MILITANTES - PEPE MUJICA - FELIZ 2010

“Que seria deste mundo sem militantes? Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super homens e não se equivoquem. Não é isso. É que os militantes não vem para buscar o seu, vem entregar a alma por um punhado de sonhos. Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende fundamentalmente que exista gente que se sinta feliz em gastar sua vida ao serviço do progresso humano. Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício. É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente”.

PEPE MUJICA - PRESIDENTE ELEITO EM 2009 DO URUGUAI

in: RS URGENTE

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO 2010

Neste Ano de 2009 tive um ano inteiro para trabalhar bastante e pensar em cada momento sobre o que eu quero para mim, meu amor, minhas filhas, meus familiares, meus amigos e colaboradores.

Pensar, principalmente, no que queremos para a nossa cidade e vida.

Foi um ano cheio de decisões importantes para mim e para os meus.
Foi um ano em que quase fui diretor da escola onde atuo e em que parei de fumar.
Fiz um Curso de Prevenção às Drogas com um bom grupo de colegas.
Foi o ano em que abri este BLOG.
Foi o ano em que vi de perto muitas coisas importantes para a minha cidade.
Foi um ano de boas decisões.

2010 não será nem um pouco menor em importância.
Vamos iniciar o ano com a reorganização de muitas tarefas.
E em meados dele vamos fazer um grande debate sobre a Presidência da República e o Governo do Estado.
Vamos eleger dois Senadores e muitos – assim espero - Deputados Federais e Estaduais.
Tenho a forte esperança de eleger uma Deputada Estadual desta vez.
E imagino, com muita esperança, que o Brasil terá sua primeira Presidenta da História.
Desejo que o Rio Grande do Sul volte a ter um governo de justiça social.

Além disso, será um ano em que vamos dar intensa atenção ao presente e futuro da nossa cidade, sem deixar de valorizar a sua história também.
Muitas obras importantes serão concluídas e iniciadas.
E muitos projetos para a Educação, Saúde, Meio Ambiente, Segurança, Assistência Social serão apresentados.

E a minha esperança é de que mesmo com todas as certezas do presente, possamos desejar uma grande esperança de fé, paz, justiça e humanidade para todos em 2010.

Assim, minha mensagem de Feliz Natal e um próspero Ano Novo em 2010, traz consigo também um agradecimento muito especial aqueles que lutaram e sempre tiveram convicção de que dias melhores virão.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

SOBRE A AGRESSIVIDADE - TEXTO DO BLOG DO NASSIF - JÁ QUE É NATAL - CAI BEM

Dissecando a agressividade

Por Marise

Nassif

Lendo comentários agressivos de vários blogs, estou te enviando esta matéria sobre a agressividade:

O fator psicológico central de uma pessoa agressiva é que a mesma possui a plena consciência de uma vida que lhe seria satisfatória, agindo com um tom constante de revolta pela não obtenção de seu projeto pessoal; sabe também que a cada dia está mais distante dessa meta.

Esta tese se transforma no núcleo do círculo vicioso. O não atingir o desejo pessoal ativa uma reação descontrolada e intempestiva perante uma simples frustração, e tal hábito afasta a pessoa da solução definitiva de seu problema comportamental. Reagir perante os mais insignificantes fatos novamente é o indício da atuação marcante do complexo de inferioridade no ser humano.
A agressividade se alia constantemente com outros sentimentos negativos, o principal deles é a inveja, devido à possibilidade da descarga da frustração e raiva.

A inveja cria uma constante necessidade de fuga da situação dolorosa de se comparar e se sentir inferiorizado, partindo-se para o ataque. A agressividade é conseqüência de uma política não apenas econômica do nosso sistema, mas dirigida a esconder todos os sentimentos ou emoções negativas do tipo: cobiça, ódio, avareza e a inveja citada. O sistema só permite o aflorar de tais sentimentos na hora exata do consumo, pilar da sociedade e fator destrutivo do “eu”, dependendo de sua freqüência.

A agressão então se transforma na resposta fisiológica do silêncio imposto pela sociedade, assim como suas regras de dissimulação, como vimos anteriormente. Torna-se ainda um tipo de distração e fuga do tédio e rotina que assolam a pessoa. Jamais haverá cura para a agressão social e individual se não lidarmos com todos os mecanismos que geram a hipocrisia nas relações.

A tese no transcorrer do texto é a de que o agressivo se adianta a uma possível experiência de rejeição, tendo a certeza de que alguém fatalmente irá contrariar suas expectativas. Além disso, se conhece como uma pessoa totalmente solitária, sendo que o aflorar de sua agressividade é exatamente em resposta ao hábito de jamais conseguir conservar uma amizade ou relacionamento, disfarçando sua miséria afetiva no remoer todo tipo de conflito. A derrocada de qualquer projeto afetivo sempre será iminente.

A pergunta é: será possível anular tal “maldição” pessoal? A experiência clínica comprova que uma das únicas possibilidades de cura é a vivência de seus sentimentos dolorosos na psicoterapia, transportando seu lado bélico numa arena onde realmente possa ser diluído ou controlado. A agressividade continuará no topo comportamental da pessoa quanto maior for sua necessidade de atenção ou carência.

Temos de perceber que a compulsão para a liderança, poder e orgulho, quase sempre pode superar uma reflexão genuína e honesta acerca da conduta da pessoa.

PS - Alguns perguntaram se este artigo era de minha autoria.
Eu não teria capacidade para escrever sobre um assunto tão polemico. Estava lendo sobre este assunto uma maréria do psicólogo Antonio Carlos de Araujo, que clinica ha 20 anos aí em SP.

Tirei uma parte do artigo que achei muito interessante e bom para todos nós.,pois temos todos o nosso lado agressivo. O importante é não nos deixarmos contaminar só por este lado, ofendendo pessoas, tentando parecer os melhores e os certos. O que gosto neste blog é exatamente o que fazes. Lanças um assunto e deixas que cada um exponha sua idéia, sem cortar os comentários contrário ao que pensas.

Acho isso o correto. E não se precisa usar de agressividade para contrariar os que pensam o contrário.

Por favor ponha o nome do autor do artigo .É muito importante que se saiba quem escreveu, quem é o verdadeiro autor.

DEPOIS DE FAZER RÁPIDA PESQUISA O AUTOR E O TEXTO INTEGRAL ESTÃO NO SEGUINTE BLOG:

antonioaraujo_1.tripod.com

/psico1/portugues/agressao/agress.html

Daniel

DESCARTES - O QUE É VIVER SEM FILOSOFAR?

"É propriamente ter os olhos fechados, sem jamais tentar abri-los, viver sem filosofar; e o prazer de ver todas as coisas que a nossa visão descobre não é comparável à satisfação proporcionada pelo conhecimento daquelas que encontramos por meio da filosofia; e, finalmente, esse estudo é mais necessário para regrar os nossos costumes e conduzir-nos por essa vida do que o uso dos nossos olhos para orientar os nossos passos.

(...) Se desejamos seriamente ocupar-nos com o estudo da filosofia e com a busca de todas as verdades que somos capazes de conhecer, tratemos, em primeiro lugar, de nos libertar dos nossos preconceitos, e estaremos em condições de rejeitar todas as opiniões que outrora recebemos através da nossa crença até que as tenhamos examinado novamente; em seguida, passaremos em revista as noções que estão em nós, e só aceitaremos como verdadeiras as que se apresentarem clara e distintamente ao nosso entendimento."

René Descartes, in 'Princípios da Filosofia'

DILMA - AO NATURAL - DEZEMBRO DE 2009

A companheira Dilma tirou a peruca e ficou ao natural.

Hoje pela manhã fiquei olhando aquela foto e me lembrei da fase mais crítica da Elis Regina, da fase em que a gente conheceu a pimentinha.

Ela fazia entrevistas de arrebentar com a direita.

Me lembrei dela fazendo show para os metalúrgicosem greve também.

E pensei: agora vai Dilma.

Tanto as pesquisas quanto os sinais são mais claros ainda.

Após o PMDB lançar o Requião.

O Lula responder pedindo lista triplice.

E o Requião - rsssss - assumindo a tarefa de responder. AGORA VAI...

Vai tomar conta da militância e fazer a campanha mais surpreendente contra o Zé Serra.

Já que Aécio saiu.

E que o Ciro continua.

que tal uma musiquinha...

Da Elis

Fé Cega, Faca Amolada

Elis Regina

Composição: Milton Nascimento

Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranqüilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia
Deixar o seu amor crescer na luz de cada dia
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranqüilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada


AO NATURAL SEMPRE É MELHOR....

domingo, 13 de dezembro de 2009

QUATRO MESES SEM FUMAR - VÁRIAS TENTAÇÕES

Encontrei uma expressão que diz tudo sobre as tentações, incluindo o cigarro.

"O problema de resistir a uma tentação é que você pode não ter uma segunda oportunidade."

É de um teórico da educação canadense Lawrence J. Peter.

É uma bela expressão para a força de uma tentação.

Diria que realmente algumas tentações são a única oportunidade.

Amanhã nunca mais.

Nevermore.

Mas bem, já fazem quatro meses que não fumo e já tenho conseguido outras vitórias também. Mas estas são um segredo por enquanto.

O bom de não fumar é não precisar resolver no meio de um stress como fazer para fumar.

Não se precisa fazer nada.

É só pensar de outra forma.

De outro lado virei um ex-fumante tolerante.

Não me importo que fumem perto de mim.

Mas também não ando atrás não.

Já fujo legal de bar de fumantes.

Olho para dentro dou olá e sigo adiante.

Tenho notado como as mulheres confessam o quanto são compulsivas quando fumam.

E imagino que mulheres compulsivas são mais perigosas para si mesmas também.

Mas ontém notei alguns caras no bar da tardinha, magrelos, com aquela cor da pele pálida e as mãos trêmulas com um cigarro entre os dedos.

Nunca tinha observado isto da forma como vejo hoje.

Tive um que de orgulho da minha firmeza e da minha barriguinha temporária.

Neste mês quero concluir o processo do JACARÉ BANGUELA (rssss) e passar direto para as caminhadas e os esportes leves.

Não vejo a hora de chegar nos radicais: skate, bicicleta e corridas.

Como é bom poder sonhar com algo possível.

Se Deus quiser é claro.

Vamos nessa.

Baita domingo.

A FOTO DE SÃO LEOPOLDO NA COMUNIDADE DO ORKUT

ESTA FOTO

Nunca entrei neste debate porque sempre vi a foto como um retrato da realidade, da dura realidade, não somente de São Leopoldo.

Porém a abordagem aqui sempre é de que SL isso e aquilo e que os politicos isso e aquilo.

Por isto já faz um tempo que eu nem gosto de entrar aqui mais.

Vejo a foto como o retrato da auto-estima e da estima pela cidade de alguns que aqui passam, ficam e permanecem.

Bem, eu nasci em SL, conheço a cidade e as pessoas da cidade razoavelmente bem.

Gosto muito daqui. Não vivo aqui porque o meu navio encalhou aqui ou porque não tenho opção.

Tenho uma imagem e varias muito mais bonitas da nossa cidade.

Conheço muitas pessoas que lutam e trabalham para tirar aquele jovem e outros da rua e da miséria humana.

Se a foto fosse um retrato da realidade de São Leopoldo seria legal botar junto a foto do pessoal todo que está do outro lado deste cabo de guerra.

A maioria deles nem sabem que estão representando a nossa cidade ou apresentando ela para o mundo do ORKUT com esta imagem. Porque ninguém vai dizer isto.

Eles não estão aqui defendendo a imagem depreciativa ou altiva da cidade, eles estão trabalhando para construir uma imagem melhor, e não somente nas aparências não.

Estão tentando mudar a estrutura e as condições desta cidade.

Eu colocaria ali a foto da AMEP, a foto das assistentes sociais que trabalham todos os dias com o povo, a foto da agentes comunitárias de saúde que levam atenção e humanização para o povo das nossas vilas.

Colocaria a foto do TOMÉ do instituto lenon joel pela paz.

Colocaria a foto das professoras municipais ou estaduais que lutam, atendem, educam, enfrentam e trabalham com todos os jovens e crianças da cidade.

Colocaria a foto da juventude vibrando num show ou num debate sobre a cidade.

Ou seja, colocaria monumentos vivos da luta pela humanização desta cidade. Tem muitos milhares de monumentos assim meus amigos.

E as pessoas que entrassem aqui saberiam que São Leopoldo tem problemas, mas que também tem soluções e ações....

OK?

PS.: Fazia um tempão que isto me incomodava um pouco. Mas fui econômico e respeitoso. Será que adianta?

Este é para mim também o debate da racionalidade ou da impossibilidade da racionalidade na internet.

sábado, 12 de dezembro de 2009

GREVE GERAL....DERRUBA GENERAL!!!!

Em 1979, eu tinha 14 anos e andava envolvido com uma gurizada medonha.

De um lado a gente queria a todo pano ter mais liberdade e lutar por mais democracia também.

De outro lado, a gente achava que o fato dos metalúrgicos fazerem greve lá em São Paulo, dos Bancários fazerem greve aqui no sul e dos professores aqui do sul fazerem greve era um prenúncio de que uma grande greve poderia ser feita e deveria ser feita.

Prá quem não sabe ou não lembra ou nem estava vivo naquela época, preciso dizer que as três greves que eu citei lá no comecinho tiveram forte repercussão e fizeram com que os ditadores do governo federal e do governo estadual impussesem restrições, penalidades e fortes ameaças sobre os sindicatos.

Foi naquela greve de 1979 que nasceu o Lula que é capaz de saber o tempo certo para as coisas.

E foi naquela greve que nasceu o bordão GREVE GERAL, DERRUBA O GENERAL!!! que saia da boca dos mais audaciosos e radicais, contra inclusive ao pensamento corrente.

Pois bem, a GREVE DOS PROFESSORES ESTADUAIS SÓ PRECISA DISTO HOJE: do espírito de uma greve geral....

Se este espírito aparecer e for ressuscitado acabou o problema e daí é só um dia depois do outro.

FORA YEDA!!!!

BOA LUTA

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

TIRAR O POVO DA M.....

É a mais pura verdade.

Não agrada aos ouvidos finos e límpidos da burguesia.

Não agrada ao protocolo técnico e asséptico.

Mas é, de uma forma incrivelmente literal, a mais pura verdade.

Confesso ter pensado nisto quando vislumbrei o resultado de diversas obras aqui em São Leopoldo.

O PAC....sobre os arroios Gauchinho, Cerquinha, Da Mateiga, Sem Nome e etc...

A Pavimentação da Avenida Atalíbio Taurino de Resende, com a remoção das famílias da beira do esgoto onde crianças e bebês haviam sido comidas por ratos.

Para muitos isto é somente uma expressão, um discurso, um despropósito.

Para o povo é a pura verdade.

Esta de hoje valeu pelos trinta anos de luta, de sonho e de esperança.

Inda bem que de onde saiu esta sempre tem mais.

Lula neles.

GREVE DOS PROFESSORES A PARTIR DO DIA 15 - OU TIRA O PROJETO DA ASSEMBLÉIA

Essa foi boa.



Lá vamos nós de novo fazer greve.



Vieram me perguntar o que eu faria.



Eu respondi colocando no quadro um dos meus primeiros gritos de guerra:



GREVE GERAL...DERRUBA GENERAL!



30 anos depois só tenho uma saíde: lutar, lutar e lutar....



Bom Dia

domingo, 6 de dezembro de 2009

PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS ENTRE ALUNOS E PROFESSORES

O que segue é um pequeno excerto do comentário inicial introdutório ao PROJETO DE REDUÇÃO DO USO DE DROGAS DO OLINDO FLORES. Trata-se das bases da discussão sobre o projeto. Boa parte dos conteúdos tem origem na Formação à distância realizada entre setembro e dezembro de 2009. O estudo foi feito em grupo. Segue o texto:

Entre os Aspectos Teóricos estudados no curso precisamos destacar que na relação do adolescente e do educador com as drogas sempre há uma situação de ambivalência entre repressão e compreensão do fenômeno.

De um lado, o educador sente-se tocado pela fragilidade do aluno e pela condição de risco do mesmo e, assim, procura compreender o fenômeno inserido num processo em que sua posição também fica fragilizada, exposta e sensibilizada . De outro lado, o educador vê no aluno também um delinquente, um sujeito que ameaça a sua integridade e tranquilidade dentro de um processo social.

Esta ambivalência – esta situação de dois valores – traz ao professor o desafio de enfrentar o que ocorre e de ser capaz de compreender sem fazer excessivas concessões ao comportamento e sem se omitir perante uma realidade que pode, para alguns educadores, ser invisível e pouco percebida.

Temos aí justamente um dos primeiros problemas do enfrentamento ao tema. Reconhecer que ele ocorre à nossa frente, reconhecer que a sua visibilidade requer de nós mais observação, maior conhecimento do aluno e a superação de uma impessoalidade confortável, visto que muitos educadores e gestores promovem um discurso em que reduzem o seu e o nosso envolvimento com o aluno e, portanto, nos desincumbem de encarar certas situações que, na maior parte das vezes, são vistas como problemas pessoais do aluno e de sua família, e não como problemas escolares e sociais.

Esta é a primeira barreira a ser superada, o primeiro debate a ser levantado, a ser construído com todos os educadores e membros da comunidade escolar. O problema das drogas é um problema da escola sim, é um problema social sim, não é um problema “deles”, dos “outros” ou “daquela gente”. É um problema de todos nós.

Esta ambivalência também toca à perspectiva dos alunos e dos familiares. Não é por força da lei que os educadores devem tratar do tema das drogas. O tema das drogas deve ser enfrentado na escola como pré-condição para uma educação mais saudável.

Ainda que seja um crime tipificado o uso, porte e tráfico de drogas, a nossa relação com este tema deve ser a de procurar saber por que tal hábito – a adicção ao uso de determinadas substâncias legais e ilegais – se desenvolve com este, aquele e qualquer jovem. Em outra formação, tomamos conhecimento de uma concepção em que este hábito se apresenta em contextos de insatisfação, desprazer e inconformidade com determinadas circunstâncias de vida, lazer e atividades sociais.

No curso, este tema aparece como uma inadaptação, ou seja, um processo no qual o jovem – e também aqui, o adulto, os educadores e todos os outros sujeitos deste processo social – não conseguem obter prazer das relações e dos hábitos mais conformados ou adaptados. De um lado temos um sujeito e suas frustrações, de outro lado, temos uma falta de abertura para relações autênticas e sem uma mediação ou instrumentação de relações para desenvolvê-las.

Um exemplo disto é também a fixação de alguns indivíduos em só tomar ou reconhecer como momento de prazer momentos em que ocorre alguma forma de distorção da realidade ou momentos em que as fantasias dominam, desde que esteja à mão aquele copo de bebida alcoólica ou outras substâncias desinibidoras. Ora, se isto é assim, é porque os indivíduos, ao natural, encontram-se sempre inibidos e bloqueados na fruição de suas fantasias e desejos. Portanto, trata-se aqui também de um efeito de uma constelação repressiva sobre os indivíduos. É a necessidade de desinibir que traz consigo como única possibilidade de fruição o uso de determinadas substâncias.

É importante tratar destes temas singelos (sic), também porque precisamos como educadores reconhecer nossas mazelas próprias e nossa relação com as substâncias lícitas. Não temos dúvida de que o uso do tabaco e das bebidas alcoólicas por parte dos educadores também é um desafio importante a ser tocado na prevenção ao uso de drogas. Aliás, isto é algo que, em especial, observamos num dos momentos da formação, o fato de que o uso de determinadas substâncias por parte dos educadores também deve ser questionado.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A CONSCIÊNCIA DE ZENO - ITALO SVEVO

io ricomendo....

uma leitura suave e graciosa, sem percalços, mas completamente ampliadora da nossa visão frequente e comum....

o que nós precisamos muito para mantermos a sanidade mental e a capacidade de ironizar sobre si mesmo...

VEJA ISTO:

"e é surpreedente poder constatar mais uma vez como certas coisas pelas quais vivemos acabam por ter importância insignificante" p. 179

...me lembrei dos meus conselhos para uma aluna e alguns conselhos para alguns alunos sobre o quanto ter ou não ter cabeça dura, ao fim e ao cabo, não significa nada, nada do que possamos nos orgulhar com uma mínima segurança...

também me lembrei da vaidade que come o dono....esta vem lá do último dos Cardeais (solteiro - sic) da Igreja do Evangelho Hexagono Pentagonal.....

IMPOSTOS E DISSONÂNCIA COGNITIVA - BY CÉSAR SCHIRMER - ANIMOT

Impostos e dissonância cognitiva

Na New York Review of Books, Tony Judt fala de uma dissonância cognitiva estadunidense: querer serviços públicos melhores, mas não querer pagar impostos. A dissonância cognitiva em questão também atinge brasileiros que são donos de carros grandes e caros, a levar em conta os adesivos grudados nos mesmos.

Estar em dissonância cognitiva é ter duas ideias ou atitudes contraditórias ao mesmo tempo. Se você quer melhores serviços publicos, devia querer mais impostos. Além disso, se você quer justiça ao invés de exploração dos mais sofridos, deve querer também que a riqueza dos mais ricos seja o alvo principal dos impostos. Mas querer ótimas estradas, ótima limpeza urbana, ótimo judiciário, ótimos hospitais e ótimas universidades públicas sem querer os impostos que os pagam é estar em dissonância cognitiva, o que é uma maneira de viajar na maionese, pra ir pro popular.

PS.: Estou citando o blog ANIMOT do meu amigo e ex-colega de Cefav César Schirmer dos Santos....que io sempre ricomendo.....ele etsá afirmado técnica e filosóficamente aí algo que nós que não defendemos um ESTADO MÍNIMO sempre defendemos. É um novo nome para o egoísmo burguês: Dissonância cognitiva...acho ótimo....deve deixá-los com a barriga embrulhada.....e com uma vergonha de sua própria ignorância...afirmada sempre como esperteza e sabedoria.

É preciso dizer que aqui no Brasil eles acham que o dinheiro não retorna. Bem....que tal fazerem as contas do Governo Lula.....eu não tenho a menor dúvida de que nunca antes na hiostória deste país o recurso arrecadado em impostos retornou tão bem investido. Bem o debate do ano que vém vai, ao fim e ao cabo, produzir-se sobre isto. E como vai o Serra em São Paulo?

POLÍTICA E RECONHECIMENTO

Não sabe nada de política quem nunca parou para pensar ou foi capaz de espontaneamente entender a importância do reconhecimento do outro no ato de constituição e auto-constituição na política.

O emponderamento recíproco traz mais poder que a mera afirmação de uma autoridade constituída ou formalizada.

Nada mais a dizer.