domingo, 11 de dezembro de 2016

HEIDEGGER O OBSCURO - VERSÃO 1

Filosofar é sempre um jogo ruim. Ou você se desgraça na entrada ou no final. Você sempre perde alguns coisa é muda em alguns coisa. A obscuridade de Heidegger me parece até perdoada, mas o resto não. Porém ele é deverás surpreendente é impressionante para mim quando chego a compreender algumas de suas idéias, suas leituras dos clássicos e também aquela prosa miudinha dele que vai cerzindo e costurando o texto quase milimetricamente e muito minuciosamente e algo que muitas vezes nos tira a paciência. Mas ele não dá pulos, porém de vez em quando nos chuta para dentro de um abismo. A fase poética eu não leio não. Até a crítica da técnica eu acompanho, mas confesso que tenho muita curiosidade sobre seus textos mais misteriosos e quando ele mergulha nos pré-socráticos. Em biblioteca de um mestre nosso olhei fac-similes dos manuscritos dele e aquilo me deixava espantado também. Imagina o cara dar um passeio na floresta negra pela manhã, voltar para casa sentar e escrever ou reescrever 100 páginas em um dia. É no dia seguinte refazer tudo e revisar tudo e manuscrito até a madrugada. A gente pode imaginar, e eu creio que todo dr. Ou dra. O faz. Olhar para obra inteira de um cara destes é perceber as ligações entre todos os textos, as chegadas de idéias novas, as idas e vindas de velhos problemas e também as tais influências e as revisões de questões que eles perseguem. Nós mesmos, passados alguns anos voltamos e devemos voltar sobre muitas coisas, como se houvessemos esquecido algo, lido muito rapidamente ou passado por cima. Para mim o segundo Heidegger parece tentar romper com tudo isto. Eu mesmo confesso estar mais interessado em literatura ultimamente por um impulso que me parece semelhante. Estar mais ocupado com os problemas da vida e suas diversas versões, suas ficções e narrativas e não tanto em busca de uma teoria que responda as velhas questões. Me parece que buscamos conceitos de forma diferente quando damos estes passos. Minha tergiversação aqui, por exemplo, está ligada a questão mais fundamental de porque lemos estes caras ou estas abordagens deles? Porque é um jogo de soma zero mesmo e é por isto mesmo, assim me parece, que apostamos alto e o valor da aposta é justamente o nosso problema. Assim, a força é dispendida na abertura de uma grande dificuldade pedreira acima e adentro. Mas nós parecemos escolher a pedra maus dura para cortar, cavar e carregar. O fardo mais pesado, mas é justamente isto que acaba por nos definir na filosofia e não em outras especialidades tão pesadas também, mas cujo tereno e lavras parecem estar em boa ordem, ainda que não existam só certezas nestas outras ocupações.

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