sábado, 20 de agosto de 2016

LIÇÕES SOBRE CRENÇAS

Lições sobre crenças, critérios, evidências e certeza ou dúvida deveriam ser levadas bem mais a sério neste país. Entre os que erram por disposição consciente e aqueles que erram por acidente a diferença é pequena porque parece ser apenas ignorar estas lições.

CLIFFORD CONTRA ACUSAÇÕES SEM INDÍCIOS

Trecho do Clifford tão oportuno quanto cristalino:


"Algumas pessoas formaram uma associação com o objetivo de provocar a agitação do público acerca desse assunto. Publicaram acusações graves contra cidadãos individuais do mais elevado estatuto e reputação, e fizeram tudo o que estava ao seu alcance para lesar estes cidadãos no exercício das suas profissões. Fizeram tamanho barulho que foi nomeada uma comissão para investigar os fatos; mas após a comissão ter averiguado cuidadosamente todos os indícios que se podiam obter, parecia que os acusados estavam inocentes. Não só foram acusados com base em indícios insuficientes, como os indícios da sua inocência eram tais que os agitadores os podiam ter facilmente obtido, se tivessem procurado fazer uma investigação imparcial. [...] Pois embora acreditassem sincera e diligentemente nas acusações que fizeram, não tinham todavia o direito de acreditar com base nos indícios de que dispunham. As suas convicções sinceras, em vez de merecidas pela investigação paciente, foram roubadas, dando ouvidos à voz do preconceito e da paixão." ("A Ética da Crença").

DE CAÇADORES, JOGADORES DE XADREZ E ESPERTEZAS

Lembrando de uma velha lição de caçador de animais ferozes. Enquanto a caça não sabe que está sendo caçada tudo corre bem, porém se ela descobre isto pode ocorrer uma inversão de papéis e o caçador virar a caça e a caça passar a ser a caçadora. No xadrez ocorre algo um pouco diferente mas que tem um traço comum com isto. Dependendo das peças que você possui - se tens as brancas ou as pretas - terás uma vantagem enquanto seu adversário não for capaz de prever teus movimentos. Às vezes somos a caça e temos as pedras brancas, porém quando sabemos algo as coisas podem mudar e a desvantagem inicial pode ser revertida. Tudo isso - que também nem é tanto assim - e veio à mente vendo The Blacklist ontem, quando Reddington imagina encurralar Rostova ela lhe deixa uma lembrança de que ele também pode virar a caça e que sua vantagem inicial também pode ser revertida. Meu avô me mostrou isto em algumas jornadas de xadrez e de seus relatos sobre como certas coisas acontecem. Por isto mesmo alguns objetivos precisam ser secretos e algumas vantagens precisam ser escondidas, preservadas e protegidas. Minha revelação aqui poderá apenas deixar eminhocados aqueles que mal sabem em que posição estão. Mas não faço isto por gabolice ou algum senso de vantagem, apenas pela graça infinita desta situação que se reflete em tantos momentos de nossas vidas. É mesmo assim imagino ainda que a vida não é um jogo e nem uma aventura de ficção ou de exercício de espertezas.

domingo, 14 de agosto de 2016

DROGAS, ESCOLHA, LIBERDADE E RESPONSABILIDADE

Lembrando de um comentário sobre distorção da realidade e a livre escolha de usar drogas em aula e no hospital nesta semana. Tratava também em aula do mito da caverna a respeito da possibilidade de estarmos vendo de forma deliberada a realidade de forma distorcida. Perceber a realidade como enganosa na caverna e no uso de drogas e que talvez não haja realmente nenhum ganho em se ingerir drogas ou bebidas que apenas aumentam a distância do nosso mundo real e nos afastam dele, bem como, distorcem nossa percepção, nossa capacidade de resposta e de reflexão sobre a realidade. Isso sem falar no delay ou retardo em responder ou na ansiedade ou angústia aumentada que certas drogas provocam. E os personagens no cinema e na vida real que vivem isto a nossa frente são abundantes. As drogas entorpecem mesmo um indivíduo, de tal modo que seus usuários simplesmente não conseguem mesmo compreender o timing ou o ritmo e a velocidade do mundo real. Uma parte da nossa vida passamos vendo e experimentando e, em outra, vamos descartando mesmo o que não serve para melhorar coisa alguma na gente. Porém, vou lembrar também que tenho uma posição liberal em relação às drogas. Isto é, não sou careta e nem quadrado neste e em outros temas. Mas me considero aqui um liberal com responsabilidade. Não se trata do mero laisser faire simplório e demagógico ou de uma liberdade aprisionada na pequena consciência. Defendo, e já falei disto em diversas ocasiões, que as drogas, e incluo aqui o alcool, o tabaco, certos alimentos em excesso e outros tipos de opções que as pessoas escolhem adotar para ingerir ou consumir em suas vidas deveriam ser todas liberadas, mas que seus usuários deveriam assinar de forma deliberada e consciente uma espécie de termo de responsabilidade de tal modo que sejam responsáveis e imputáveis por todas as suas consequências em suas vidas. Isso significa que a opção pela ingestão ou consumo de drogas e o ônus pelo seu consumo deve ser de responsabilidade exclusiva do usuário, inclusive os custos de tratamento no sistema de saúde, os danos e ônus no processo educacional e etc. Quem quer se destruir que pague a conta. E eu sei o quanto isto reduziria os custos do nosso sistema de saúde que é extremamente comprometido com estas escolhas e suas patologias. O que eu mais gostei nesta matéria é o tema da liberdade de escolha consciente desta nova geração. Isso é um progresso. Afinal, como já dizia o Nei Lisboa em sua canção Prá Viajar no Cosmos não precisa gasolina... 

LINK para a matéria compartilhada pelo Luis Carlos Maciel que despertou meu comentário e texto: http://yogui.co/os-novos-hippies-do-seculo-21-nao-necessitam-de-drogas/   

sábado, 13 de agosto de 2016

O VALOR DE UM LIVRO: 2011

Prá manter o meu moral alto: o valor de um livro nunca é exatamente o valor do preço de capa...muitos livros valem uma vida inteira...a busca da sabedoria e da felicidade não tem preço...


NUM DIA QUALQUER

Eu só tenho 18838 dias de vida e não vi tudo ainda, mas gostaria de começar a ver, ouvir e viver daqui para a frente coisas melhores com certeza...sei que vai ser difícil, mas vou tentar com todas as minhas forças e no que depender de mim vai rolar sim...

MEDO E CONFIANÇA

Lembrando do post festum do papo filosófico da semana sobre ética, moral, direito e política com meus amigos e jovens estudantes Mauira Schneider e Guilherme Louzada na terça feira passada. Após um dia muito tenso e antecedendo um dia de decisões e de confiança no sistema e na possibilidade de dar resolução aos problemas  com firmeza e precisão, responsabilidade e clareza...Foi o mesmo assunto da aula sobre Hobbes em que dei o exemplo entre a obediência as regras por medo de uma punição por um jovem recruta e a completa confiança nas regras ou no sistema da parte de um general. Exemplo paradigmático para o tema da obediência hobesiana e da confiança kantiana. Saber que  entre o medo e a confiança se encontra nossa racionalidade interessada  que move nossa razão e nossa capacidade de crer, de agir por temor ou por confiança na razão ...