terça-feira, 30 de abril de 2013

KARL KRAUS: uma gota de aforismo.


"O burguês não tolera nada incompreensível dentro de casa." Karl Kraus. Aforismos.

Esta talvez seja  a maior demonstração da falta que lhe faz o sentido.

UM DISCURSO PARA O PT EM 2014: EDU DO BLOG DA CIDADANIA



dá uma lida nisto do Edu, do Blog da Cidadania:

UM DISCURSO PARA O PT EM 2014


Finalmente chegamos à encruzilhada que se podia vislumbrar lá atrás, quando o Partido dos Trabalhadores chegava ao poder e, a partir de concessões que passara a fazer aos “mercados” e à direita, despertava nos setores partidários mais ideológicos o temor de que a legenda terminaria por trair os ideais que lhe ensejaram a criação.

Apesar da construção de um certo senso comum nesse sentido, discordo de que tal tenha ocorrido. As concessões foram necessárias. O Brasil que Lula passou a governar a partir de 2003 era prisioneiro de uma fragilidade externa que tornaria um rotundo fracasso um governo hostil aos tais “mercados”.

Naquele 2003, o PT não poderia declarar moratória da dívida externa, atacar os lucros de um setor bancário em frangalhos, impor aumentos salariais que um empresariado descrente, assustado e descapitalizado não poderia suportar.

A Globalização tornara-se uma realidade. O capitalismo “derrotara” o socialismo e, agora, era preciso sobreviver na nova realidade que se impunha ao mundo ou deflagrar um processo de derrubada do novo governo trabalhista, provavelmente com o concurso dos militares, que olhavam com lupa a nova experiência político-administrativa que se inaugurava.

O capitalismo social de Lula foi um estrondoso sucesso. Usando as ferramentas de um modelo que dominara o mundo, respeitando as regras do jogo, logrou romper amarras que nada tinham que ver com o capitalismo, como uma espécie de obrigatoriedade de manter relações comerciais preferenciais com os Estados Unidos.

Ora, nunca existiu, no manual capitalista, a obrigatoriedade de uma economia priorizar relações comerciais com a potência hegemônica. Lula, pois, fez um governo capitalista, mas independente da Europa e dos Estados Unidos.

Por tal ousadia, Lula pagou – e ainda paga – um preço alto. No entanto, hoje, enquanto o mundo rico se debate em agonia, com os povos desses países perdendo qualidade de vida, mergulhando no desemprego e na convulsão social, países latino-americanos como o Brasil, que abandonaram o barco primeiro-mundista, distanciam-se do caos.

“Mascate” do capitalismo verde-amarelo, o ex-presidente operou esse milagre peregrinando pelo mundo nas asas de uma premissa envolta em inquestionável sentido: os dólares asiáticos, africanos, do Oriente Médio ou de qualquer parte eram e continuam sendo tão verdes quanto os dos americanos e europeus.

Nesse interim, a governança do país enveredava pelo capitalismo ao fortalecer o sistema bancário, garantindo o direito de propriedade, sendo ponderada em demandas salariais respeitadoras das possibilidades das empresas – que mal se recuperavam da hecatombe tucana que vigeu entre 1997 e 2002.

Ao mesmo tempo, Lula erigiria um sistema de proteção social verdadeiro, em lugar do arremedo de políticas sociais da era tucana que se baseava em ideias corretas, mas nas quais o governo não investia de verdade.

Com programas sociais verdadeiros e política econômica capitalista, mas não entreguista, o país floresceu. Tornou-se uma economia dinâmica, respeitada, com uma confiança internacional que se traduz pelo grau de investimento que lhe foi concedido pelas agências de classificação de risco, que cresceu o dobro do que crescera na era tucana e com metade da inflação média daquele período, sem falar nos avanços sociais mensuráveis e representativos, em proporção adequada ao tamanho da iniquidade social vigente.

Hoje, o Brasil é uma economia sólida, diversificada, que caminha para o meio trilhão de dólares de reservas cambiais, com inflação sob controle – apesar dos picos –, com uma revolução social em curso e com pobreza e desigualdade caindo a olhos vistos ano após ano.

O Brasil de 2013, pois, tanto no aspecto econômico quanto no social pouco lembra o de dez anos antes. Não padece mais das mesmas fragilidades econômicas e, ao invés de concentrar renda, distribui. Para avançar mais a partir de agora, no entanto, terá que contrariar cada vez mais os caprichos do mercado e das elites.

Contudo, sempre há que deixar claro que não se prega, aqui, uma revolução socialista com violação ao direito de propriedade ou a quaisquer outros valores “sagrados” do capitalismo; o que se prega é que os mecanismos de concentração de renda sejam paralisados e desmontados.

A primeira década de governança progressista fez o que tinha que fazer e na velocidade que tinha que fazer, mas, a partir de agora, o ritmo se torna lento demais. Mudanças estruturais que foram postergadas em nome da fragilidade econômica e das desconfianças iniciais dos Donos do Poder, agora têm que entrar na agenda pública.

O formato do sistema político, as relações entre os poderes, a democratização da comunicação de massas – bem como seu enquadramento ao interesse público –, a regulação da distribuição agrária no país e tantas outras questões precisam ser alvo de reestruturação. Tudo isso não pode continuar igual a quando o Brasil era um país em eterna crise e sem perspectivas.

Essa obra – até aqui vitoriosa – de soerguimento nacional partiu de poucas cabeças. Lula e José Dirceu foram os grandes arquitetos da recuperação econômica e social do país.

O primeiro, no entanto, não pôde dar prosseguimento à própria obra pelo fim de seu mandato. O segundo, talvez mais vital do que o primeiro para o projeto de país que fora pensado, foi literalmente destruído pela direita não pelos seus defeitos, mas por seus méritos.

Dilma Rousseff chega ao poder e se descobre que não poderia ser mais distante da realidade a ideia de que seria “um poste”. Cheia de ideias próprias, imprime ao seu governo um ritmo algo diferente do de Lula nos seus anos finais – do ponto de vista político, ela age, após dez anos de PT no poder, como se tivesse chegado hoje.

Politicamente inexperiente, apesar do massacre do mensalão entre 2005 e 2010, acha que pode se entender com os Donos do Poder aproximando-se de seus impérios de comunicação, de forma a que aceitem o processo de distribuição de renda que incrementaria.

Vale a pena discorrer um pouco sobre esse processo

O de Dilma está sendo mais rápido do que o de Lula, até pelas condições que o ex-presidente deixou para que tal ocorresse. A redução nos lucros dos bancos e no preço da energia elétrica é redistribuição de renda na veia. Grupos econômicos os mais privilegiados perderam fortunas, as quais foram divididas entre dezenas e dezenas de milhões de brasileiros.

Que não se enganem os que torcem contra: esse processo se refletirá em estatísticas quando estas apurarem a distribuição de renda ocorrida nos últimos anos.

Todavia, políticas públicas que estão gerando tal distribuição podem ser revertidas por governos sucedâneos. Ou seja: o processo redistributivo não está se fazendo acompanhar de mudanças estruturais que tornarão mais difícil, quando a direita retomar o poder – e seria absurdo ignorar que isso ocorrerá um dia –, desfazer o que foi feito, reconcentrando a renda de forma lenta, gradual e contínua sob silêncio cúmplice da imprensa afinada consigo ideologicamente.

Vale uma reflexão: como se poderia denunciar, em um futuro em que a direita esteja no poder, que medidas para promover concentração de renda estejam sendo adotadas? Se concessões públicas de rádio e televisão voltarem a defender o governo como faziam no tempo de FHC, estará implantada uma ditadura no Brasil.

Seja como for, todos os fatores supra elencados constroem o cenário com que o país vai chegando ao processo eleitoral de 2014.

Políticas sociais de caráter emergencial são bem vindas, mas o que mudará de fato a face deste país? A condução da economia já provou ser eficiente no que interessa à sociedade, promover bem-estar com criação de empregos e aumento da renda. O que haverá que discutir no ano que vem, portanto, será redistribuição dessa renda.

A sociedade precisa entender que tudo que permanece ruim após a década de ouro que o Brasil vem experimentando a partir de 2003 se deve à insuperável concentração de renda brasileira, e que, sem atacar com mais ímpeto essa chaga, não será possível avançar de forma irreversível.

Terá Dilma clarividência e competência para explicar à sociedade que há hoje no Brasil uma guerra entre uma minoria que não quer perder privilégios e uma imensa maioria que quer apenas ter um mínimo de equilíbrio de oportunidades, de forma que se crie uma taxa minimamente aceitável de mobilidade social?

domingo, 28 de abril de 2013

UM MÊS DE HEPATITE A: ESTOU SALVO!


A capa do meu diário neste últimos 30 dias. Copos vazios, água, sucos, água de coco e muita saúde. Isso para ficar só na parte líquida.

Passo no corredor das bebidas do supermercado e dou olá para as meninas e os meninos.

Digo que tenho saudades e boas lembranças.

Mando aquele abraço e digo que talvez um dia.

Mas mantive o bom humor o tempo todo.

Me recuperei e voltei melhor, mais leve, mais oxigenado e também com certas funções mais atiladas ao meu ver.

Sofri, senti angústias, mas tive muita ajuda da família toda começando pela Regina Porto que anda comigo sempre e do meu querido médico e amigo Denis Dapper da Cunha.

Soube que alunos e alunas, colegas e amigos muito próximos rezaram, agradeço muito, pois no fundo é a fé de vocês, o carinho de vocês e os perdões que me fizeram querer ficar.

Quando a gente recebe certos convites para ir embora a gente não entende de que eles podem ser testes para ficarmos de verdade  

Mas no fundo do meu coração, sinto-me feliz, pois tive a chance ainda de reagir e mudar uma parte da minha vida que me dava uma certa insatisfação, e que também trazia consigo muitos fantasmas e uma tragédia perto da porta.


Muito Obrigado mesmo.

Valeu.

Bola prá frente!

foto da Juliana Werckmeister :



"Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está batendo em mim"

GHOST WRITER, DISCURSOS POLÍTICOS, LOGOS E LOGOS COMUNITÁRIO: GETÚLIO E LULA


A função de Ghost Writer me parece apresentada sempre por coleções de preconceitos. Ou se diz que quem usa ghost writer não sabe escrever, ou se diz que quem escreve - o intelectual que escreve - parece emprestar sua pena para alguém menor.
Na maior parte dos casos não é nem uma coisa nem outra. Ainda que eu não seja um Ghost Writer, pelo que já assisti na história e na experiência sobre isto: o discurso é visto e construído mesmo como uma performance.
Em geral, ele é construído sobre eixos que representam objetivos ou temas que querem ser tratados. A mistura, a ordem entre temas conhecidos e lançamentos, balões de ensaio e tensões intencionais, apupos e sopapos é elegida quase sempre entre o ghost e aquele que vai discursar. E não há nada de errado nisto.
Tendo a elogiar presidentes ou autoridades que usam um Ghost Writer porque é um sinal de muita inteligência admitir que não é necessário pensar sozinho e que um texto sempre pode ser melhorado ou ganhar luzes, cores e acentos mais adequados do que aquilo que produzimos de forma bruta e lançamos à audiência.
E é bom lembrar que um discurso - e já faz muito tempo que é assim - é, no fundo, uma proposta de diálogo, de reflexão do outro, ainda que seja apresentado de forma monológica.
Outro aspecto que me parece relevante é que o Ghost Writer é no fundo uma espécie de espelho da qualidade do presidente ou do seu par. Assim quanto melhor o Ghost Writer, mais qualificada a escolha e o diálogo entre o escritor ou redator e o seu orador ou apresentador.
Quando penso no logos grego por exemplo, sempre me vem a baila a idéia de que havia um logos comunitário que o reconhecia e que foi fundamental para cerzí-lo. O reconhecimento do logos de alguém, através daquilo que é chamado de Acmé, para mim, não é nada mais, nada menos, que o momento em que o logos comunitário reconhece a performance do logos individual.
Sólon é lembrado pelo fato de ser um grande orador e legislador. Não conheci nenhum grande orador ou legislador que pensasse sozinho.
Por um acaso nesta semana mesmo andei olhando o que faziam o poeta Gregório Porto da Fonseca e depois dele o outro poeta Ronald de Carvalho no gabinete de Getúlio Vargas entre 1930 e 1935?. E ao contrário que que é expresso acima sobre Getúlio ele não era um discurso ruim ou vazio. Simplesmente (sic) era um discurso com todos os traços dos discursos desta época. A pergunta que deve ser tocada aqui é como ele liderava então com este discurso e porque os outros gênios do discurso político não eram seguidos ou sequer viraram presidentes? Talvez ele simplesmente produzia performativos mais eficazes para o seu tempo. Como Lula tem feito, aliás, nos últimos 11 anos.
opinião ao debate sobre GHOST WRITER in: OS PRESIDENTES E SEUS GHOST WRITERS - BLOG DO NASSIF

O STF NÃO É O TRIBUNAL DA RAZÃO BRASILEIRA: SUPREMOCRACIA

A expressão da nossa grande professora de lógica Andrea Loparic SUPREMOCRATA me diz tudo sobre as voltas que dão neste debate e a posição de alguns sobre ele. E ela fala isso com seu supremo direito à opinião e ao juízo. O tom crítico demonstra também a aversão dela a qualquer forma de absolutismo outorgado ou auto-outorgado. Sem nenhum temor ou constrangimento quanto a ter posição política ou não a professora Andrea acerta na cabeça do prego de forma definitiva. Muitas vezes a análise lógica nos dá esta habilidade de pegar o ponto principal ou o axioma fundamental do sistema inteiro. 

Lamento apenas que este debate seja levado às raias de um fanatismo de princípios ou um purismo ético que não se justifica. Algumas pessoas agem como se fossem os fariseus procurando um cristo para crucificar todo santo dia e condenando de forma precipitada e sem reflexão mínima tudo que se apresenta sob o sol.

A concepção subjetiva de que o supremo é o Olimpo da Justiça, ou de que todos os juízos de lá emanados são providos de certeza, precisão, rigor demonstrativo, deve sim ser posta em questão. Deve ser interrogada e devidamente debatida. Deve sim ser debatido por um país que constrói a sua democracia e que deve fortalecer todas as suas instituições todos os dias.

Não se fortalecem instituições simplesmente com altos salários ou com discursos brilhantes, retórica oca ou declarações de intenções.

Não é por causa da PEC 33, ou do processo 470, ou do Gilmar Mendes, ou do Fux ou do Lewandowski e etc, ou dos juízes indicados pelo PT, PSDB, PMDB e etc...que o Supremeo deve sim ser debatido e mais questionado, simplesmente porque é uma corte de mortais, e são mortais brasileiros como nós. 

Assim, gostaríamos todos que os vestais não erassem nunca, mas eles são falíveis e tem dado muitas demonstrações disto. Por exemplo, na ausência de legislação pertinente a determinadas matérias eu creio sim que o Supremo poderia provocar o legislador a fazê-lo determinado o caráter de urgência. Ao contrário de legiferar. Eu discordo em muito de um supremo que cria leis ou que somente interpreta leis. Creio que ele deveria apontar as lacunas legais e cumprir o papel importantíssimo de instar o Executivo e o Legislativo a sanearem contradições ou lacunas. Mas a coisa não é simples. Por outro lado tem uma hora em que esta tonelada de assessores de todos os poderes deveriam cumprir um papel de estabelecer as devidas mediações e formular proposições de solução para todas estas áreas de contato entre os poderes. 

O Supremo Tribunal Federal não é mesmo o Tribunal da Razão Brasileira  e nem deverá ser visto como tal. Há que se instituir sim princípios de correção e limites também sobre ele. E a política, a democracia, deve sim ser a instância final de decisão e de criação de todas as leis. 

Por fim, as vezes me parece uma necessidade muito torpe nossa e muito capenga ficar elegendo a sua santidade da semana como fazem com os shows de um Barbosa e outros. 

Não tiro os méritos de ninguém, mas o exibicionismo e a vaidade às vezes - como já disse o poeta - come o dono e esvazia os propósitos nobres das causas, lides e decisões.

Um primeira versão deste texto foi também publicada no Blog do Nassif: Por que o stf deve ser debatido e questionado

P.S. Recebi e encontrei mais informações sobre a origem dos termos Supremocrata e Supremocracia. A professora Andrea Loparic me alertou que tomou o termo emprestado por referência de Emilia M. de Moraes que disse te-la visto num Post de Vânia Felix. Ao final disto acabamos descobrindo também por informação de Emilia de que Vânia tomou exatamente o termo que foi usado pelo Professor do Curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas Ocar Vilhena Vieira. Deste temos uma entrevista e um esclarecedor paper sobre o assunto datado de 2008 ver Oscar Vilhena Vieira. Supremocracia. Rev. direito GV [online]. 2008, vol.4, n.2, pp. 441-463. link: SUPREMOCRACIA. Oscar Vilhena Vieira

Veja-se também entrevista do mesmo em Revista Época, 27 de fevereiro de 2009. Link: Vivemos uma Supremocracia. Oscar Vilhena Vieira

Além disto me foi indicada no debate no Blog do Nassif mais uma fonte interessante. Trata-sede texto do Professor da UFRJ, Luis Roberto Barroso sobre a fronteira tênue entre direito e políticae sobre a ocupação de um espaço político pelo Supremo e o sistema judiciário. Veja-se o link: Direito e Política: A tênue fronteira. Luis Roberto Barroso.

No Blog Conversa Afiada do jornalista Paulo Henrique Amorim há também este debate desta vez relacionado ao Mensalão e a possibilidade de cassação do mandato de José Genoìno como um ato de Supremocracia. Veja: Supremocracia x democracia: O governo dos juizes. este último já em 2012.

Por outro lado, também já em 2011 o Advogado Pedro Roberto Donel, no jornal A Notícia, aplica o mesmo conceito para discutir a situação do STF em relação ao aviso prévio não regulamentado pelo congresso omisso. Cito o paragrafo final do texto e depois o link: 

"Tem-se a impressão de que não precisamos do Congresso nem do governo, pois o STF pode decidir sobre tudo: julga crimes como se fosse Justiça de primeiro grau, confirma decisão do Executivo, cria leis e interfere na vida privada. Montesquieu, que criou a teoria da separação dos poderes entre Legislativo, Executivo e Judiciário, no qual o primeiro cria a lei, o segundo executa e o último fiscaliza, deve estar se revirando no túmulo com a realidade brasileira: a democracia cedendo lugar à supremocracia, com o STF criando, executando e fiscalizando a lei."  Pedro Roberto Donel.

Link: Supremocracia, por Pedro Roberto Donel

Creio que importante para alargar o debate e também mostrar que o foco objetivo é de fato o fenômeno da Supremocracia. Ma s a maior parte dos autores apontam para uma espécie de inflação do poder do STF sobre os demais poderes no último período. Penso, assim, que está na hora de uma outra Constituinte. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O CONCEITO DE TEMPO NEGATIVO: KANT E MEUS DELÍRIOS

Acabo de fazer a descoberta mais transcendental de todas as minhas reflexões. O conceito de tempo negativo foi encontrado hoje, entre uma revisão e outra, de minha monografia ou trabalho de conclusão de dezembro 1993, com certeza não significa grande coisa, mas me faz pensar sim na síntese e no objeto em geral sob a Autoconsciência Transcendental. Quando a gente volta a ler estas coisas começa a ter certas idéias que deveriam ser proibidas, mas quem disse que não é arriscado pensar ou quem disse que os limites não sofrem certa pressão de nossa vontade todos os dias.

AS PESSOAS NÃO MUDAM O QUE MUDA AO LONGO DA VIDA É NOSSO OLHAR SOBRE ELAS

Hoje encontrei por aqui - pela internet - uma pessoa que eu não via, não tinha sinal ou registro a mais de 23 anos. Ela não mudou em nada. O que mudou foi toda a minha compreensão sobre o modo como ela se posicionava no mundo. Fiquei até um pouco triste com isso. Porque as vezes a gente esperava uma maior capacidade reflexiva de certas pessoas, uma capacidade mais abrangente e compreensiva, mas não. As vezes descobrimos que a pessoa pensa, más que no fundo não passa de mais um filósofo ou filosofia burocrata. Que fica registrando suas leituras do mundo, sem nenhuma capacidade de mudar qualquer plano para além do seu próprio jardim. E eu aqui preso por uma convalescência, louco para andar pelo mundo. Vendo à distância andanças que não significam nada, leituras que não avançam um ponto e vivências que não transcendem o próprio eu. Fico eu com meu indiscreto charme proletário, lendo Foucalt e Escola de Frankfurt, relendo Kant e ainda pensando como mudar toda esta merda de mundo. E com sérias dificuldades para encontrar pessoas realmente afim disto, que não queiram apenas o poder, os soldos maiores ou carregar sua vaidade pessoal num carrinho de bebê pela rua. Mas que coisa mesmo....

OS 100 DIAS DO GOVERNO DO PSDB EM SÃO LEOPOLDO: POR ARY JOSÉ VANAZZI


O balanço apresentado pela atual governo do PSDB de São Leopoldo, nos chama a atenção. Tendo em vista os dados e propostas apresentadas para o próximo período, podemos ficar preocupados.

 Numa leitura detalhada fica claro que a atual gestão não tem um programa de governo debatido e construído com a sociedade leopoldense e nem com seus os aliados. Aliás, na campanha ficou claro que o objetivo era ganhar as eleições e depois construir o governo, pois o debate na campanha ficou em torno do Novo Hospital e do novo prédio da prefeitura que viraria Hospital.

Todas as ações propostas para o primeiro ano são de obras contratadas na gestão anterior. É bom lembrar que para chegar no estágio destas obras, a gestão anterior levou quase quatro anos entre buscar recursos, aprovar, liberar projetos, licitar e iniciar finalmente iniciar as obras. Isso só pode ser feito com a relação que tinha que estabelecemos com o Governo Federal e Estadual.

 Isso reafirma que ao construir a política, implementamos uma visão de Estado e não de mandato. A atual gestão tem uma visão pequena, limitada. Das 46 obras apresentadas, 13 obras, que envolvem 85% dos recursos, são contratos do governo anterior, de financiamento a longo prazo. Essas obras vão resolver problemas estruturais, importantes na cidade como o abastecimento de água.

Ficou muito claro no balanço e projeções feitas que não há preocupação com o futuro. Não se abordou em momento algum captação de recursos para novos e grandes projetos para que a cidade não tenha logo ali adiante um corte profundo no seu desenvolvimento e crescimento econômico e social. Pior ainda é o fato de que não ouve qualquer menção a projetos fundamentais que foram contratados e estão em obras. Cito aqui algumas: a obra da Avenida João Corrêa; a obra do Arroio Gauchinho e os dois PACs - conclusão do PAC Arroio Kruse e PAC Arroio da Manteiga e Arroio Cerquinha. Apenas estas obras tem um investimento já contratado e liberado de mais de 100 milhões para a cidade. Isso gera emprego e traz desenvolvimento para o nosso município.

Tenho a grande sensação que a única obra que está na cabeça da atual gestão é o novo Hospital, só porque foi o centro de sua disputa, mas que do ponto de vista estratégico para a cidade será mais um problema e não uma solução. Primeiro porque vai abandonar o velho e segundo porque não adianta ter o prédio e não ter condições financeiras para fazer a gestão, como tantos outros que tem por ai.

É importante a sociedade, através de suas organizações sociais e dos seus atores, ficar atenta ao processo político e administrativo que estamos vivendo. São Leopoldo, até a década de 1970, era referência para todas as cidades da região devido a sua pujança econômica e política, que nos orgulha muito. Depois tivemos um longo período de estagnação e a perca de muitos pontos de referência para nossas cidades vizinhas. Isso ocorreu pelo ciclo de desenvolvimento econômico, de outra matriz produtiva que se desenvolveu no Brasil neste período, mas também por falta de lideranças e por falta de ousadia política. Na ultima década a cidade retomou o seu caminho e começou a criar as condições para voltar a ser este polo econômico e político da região, pelo protagonismo que teve em muitos momentos da vida política e econômica do país. Se acompanharmos os números do IBGE e da FEE nos próximos anos iremos comprovar isso.

O desafio agora é continuar sendo desafiadores e não abrir mão da relação federada. Pela capacidade econômica, pelos desafios que temos para manter este ciclo virtuoso que construímos, precisamos continuar com ousadia e criatividade, e uma boa dose de disposição.

A grande dúvida que vem à cabeça neste momento é se a sociedade terá condições de perceber esta situação ou será condescendente, como parece ser em determinados momentos. Fazer uma analise superficial e não aprofundar os temas, muitas vezes por interesses próprios, como fazem os meios de comunicação, não colocando o contraditório, ou quando fazem é meramente protocolar, é uma irresponsabilidade com a cidade.

Espero que tenhamos maturidade e clareza para continuar traçando um caminho de crescimento e desenvolvimento para nosso município. É fundamental que  estejamos inseridos no contexto que vive o Brasil com a economia e a importância política que nosso país ganhou no cenário internacional.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

ESTUDE MAIS E VOLTE A ESTUDAR - RELAÇÃO ENTRE EMPREGO ESCOLARIDADE E RENDA NO BRASIL: ANÁLISE DO CENSO DEMOGRÁFICO 2010 POR CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS

Estava agora mesmo lendo este grande relatório com análises e interpretações baseadas no Censo Demográfico de 2010, que compartilhei mais abaixo por conta do AUMENTO DOS DOUTORES E MESTRES NO BRASIL, até que encontro na página 381 um gráfico claríssimo sobre a relação emprego, desemprego e nível de escolaridade.

O que o gráfico mostra é bem objetivo: quanto maior a escolaridade menor o desemprego:



Sempre expressamos isto, mas aparece mais ali. Que quanto maior a escolaridade mais e melhores salários também.

Assim, excluindo as exceções que bem conhecemos, é recomendável e deve ser repetido sempre isso aos jovens e aos adultos.


Constata-se mais, que ultrapassando o ensino médio ocorre uma baixa no desemprego, cuja curva cai de forma incrível.


Até eu, sinceramente, me surpreendi com este dado do Censo de 2010.


Pelo que posso pensar e pelo que sei tende a aumentar este efeito com o tempo.


Isto é, se já fazem 3 anos do censo que marcou isto provavelmente estes indicadores se tornaram mais fortes ainda considerando-se a elevação da escolaridade e a manutenção do nível de emprego no Brasil.


Dizer isto é importante porque talvez estimule os jovens a estudarem mais e muitos a voltarem aos estudos

Todo documento, aliás, é importante, mas este dado é relevante para mais pessoas aqui no Facebook e nas escolas públicas também. Ou seja, para meus alunos e alunas, meus colegas professores e professoras e aqueles que andaram abandonando os estudos.

LEIA MAIS SOBRE O GRÁFICO NA PÁGINA 381 E AS ANÁLISES REFERENTES A ELE.


O SUCESSO DA AMPLIAÇÃO DO ACESSO AOS JOVENS DE BAIXA RENDA AO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL: BALANÇO DE DEZ ANOS DO FIES E DO PROUNI - PEQUENA DISCUSSÃO


Li uma crítica quanto ao números que demonstram o aumento do acesso ao nível superior no Brasil nos últimos dez anos. O gráfico mostra que: houve um incremento de 95 mil alunos no ensino superior para dois milhões em dez anos. É sim um grande número e quantitativamente chama a atenção. A crítica se resume a alegar que isto pode significar uma perda de qualidade e que, resumidamente, pode aumentar o exército de ANALFABETOS DIPLOMADOS.  

Creio Que a crítica faz bem em questionar a qualidade disto. Tenho refletido sobre este processo desde o início do Pro-Uni em 2005, cujo piloto começou aqui em São Leopoldo com apoio da SMED – sim da Secretaria Municipal de Educação - com 1.500 jovens. Lembro sempre do incremento que isto deu na Universidades Particulares. Lembro também da discussão sobre a defesa da escolas públicas e devo reconhecer que fui convencido e também amolecido pela efetiva realidade e  pelos resultados objetivos que garantiram o acesso de milhares de jovens ao ensino superior no Brasil inteiro. Jovens estes que eu sei que se isso não acontecesse não teriam acesso algum. Porque no funil do Vestibular das federais não passam, dada – não à baixa qualidade do seu ensino ou aprendizagem, mas sim a concorrência profissional a estes cursos.

Você pode imaginar como é esta concorrência colocando dois exemplos de jovens aqui em concorrência. Aquele jovem que por força de suas condições culturais e econômicas estuda em uma escola privada de alta qualidade – e posso com todo respeito dar o exemplo do Sinodal aqui de São Leopoldo que é uma escola de excelência. Este jovem cujos pais tem nível superior, que tem uma boa, razoável ou excelente biblioteca em casa, que tem fácil acesso a internet e a bibliografias, uma dinâmica cotidiana que o mantém sem precisar trabalhar 8 horas por dia e que sequer anda de ônibus uma ou duas horas por dia de casa para o trabalho, do trabalho para a escola e da escola para casa, e que fica um ou dois anos fazendo um cursinho pré-vestibular. Este jovem que por fim tem condições, recursos e tempo disponível para ter aulas particulares, tem grandes e inegáveis vantagens na competição e vantagens consideráveis que antes se demonstravam nos acesso, permanência e conclusão dos cursos superiores. Bem estas vantagens foram reduzidas ou atenuadas nos últimos dez anos. Ainda que ele continue com acesso mais fácil ao ensino superior público o outro jovem que antes era impedido de obter formação agora tem esta possibilidade.

Este outro jovem, que é muitas vezes o meu aluno ou aluna por sinal, que começou a trabalhar ali pelos 12 ou 14 anos, que mesmo cursando numa escola pública boa, com bons professores – você se surpreenderia com a qualidade de alguns professores de escolas públicas - existem várias escolas assim no estado e em São Leopoldo, apesar de tudo. Este jovem mesmo trabalhando numa empresa familiar, como é o caso de muitos também ou fazendo um estágio remunerado com jornada de trabalho reduzida, faz um esforço danado para assistir as aulas acordado, cumprir suas tarefas e suplementar suas deficiências de aprendizagem do fundamental  – seja no turno da manhã, seja no turno da tarde. Este jovem economiza dinheiro para a passagem e não vai ter aquele pré-vestibular. Este jovem se for muito bom vai ter muito trabalho para superar aquele jovem lá de cima em um vestibular. E isto que eu não te contei ainda de outros jovens que são também alunos em escola pública no ensino médio e que são muito esforçados e bons e que escrevem muito bem e sabem matemática muito bem. Jovens estes que, no entanto, tem suas famílias assistidas no programa bolsa família, porque a condição dos seus pais é de pobreza real. Mesmo estes jovens, na minha opinião, devem ter acesso ao ensino superior. E eles estão tendo. Já apareceram inclusive dados inegáveis de que as políticas de cotas trouxeram bons resultados também.

Eu aprendi, com a vida, que muitas vezes aqueles que realmente avançam nos estudos, são aqueles para os quais isso significa uma grande conquista. Ao contrário de outros que tem todas as facilidades e que vão fazendo isto meio que num modo automático ou forçados pelos pais em suas escolhas.

E não falo isto por ter qualquer aversão de classe não, falo somente porque é uma diferença que deve ser sempre bem considerada e compreendida quando se estuda a educação e o processo educacional brasileiro. E poderia te levar para dentro das universidades e te mostrar quem são todos eles. Para a gente entender qual é o envolvimento, o sacrifício e o valor simbólico da educação para cada um deles. Como eles todos evoluem e como eles acabam nos surpreendendo de forma maravilhosa com o tempo. Mas também, mesmo assim, com o aumento do acesso há perdas. Mas estas fazem parte de qualquer processo e não são comparativamente maiores hoje do que eram há dez anos atrás não.   

Eu sabia também, na época, que não tinha como ampliar para dois milhões o acesso ao ensino superior público, ainda que este também tenha sido ampliado neste longo período de dez anos com as IFs e também com a expansão da rede de Universidades Federais pelo Brasil. Houve aumento da oferta de vagas públicas e, também, houve, através do PROUNI e do FIES o incremento e o mais intenso aproveitamento da capacidade instalada das universidades particulares. Digo isto Ed forma empírtica por observação com a minha modesta opinião aqui, sem citar nenhum gráfico e nenhuma estatística aliás. Um exemplo foi a própria UNISINOS aqui em São Leopoldo e todas as instituições particulares que estão no eixo da BR-116. Uma lista breve delas deve sinalizar o que digo e permitir a sua verificação.    

Penso sobre estes números e os conheço na realidade os seus efeitos e suas bases. Sou professor há quase 20 anos, minha esposa há 30 anos. Nós percebemos que ocorreram muitas mudanças nestes últimos dez anos na educação em todos os níveis e algumas delas só terão resultados visíveis daqui a dez ou 15 anos.

Sobre a qualidade eu também gosto de discutir. Creio que isso - a qualidade - começa também por um padrão de crítica informada e que conhece como as coisas se dão na vida real. Por exemplo, quando você fala ou outros falam nos ANALFABETOS DIPLOMADOS vocês poderia dar exemplos, mas eu sei que não farão isto. Por elegância e por respeito ao próximo, afinal não podemos explorar as fragilidades ou deficiências dos outros desta forma, sem julgar com isto nós mesmos.

Tenho muitos alunos e ex-alunos cujo principal objetivo aparente é concluir sua formação e obter a conclusão e o diploma seja no ensino médio ou no ensino superior. Isto gera comigo certa luta e debate em sala de aula onde digo que o diploma é fácil, mais importante que isto é adquirir efetivamente as ferramentas, a técnica, os conhecimentos e os métodos básicos e superiores para o exercício desta ou daquela profissão. Mas isto é uma luta.

Eu sou professor, não posso obrigar ninguém a aprender, mas posso oferecer e insistir nisso e é exatamente o que eu faço e sei que a maioria dos educadores faz, agora, a responsabilidade, afinal, pela qualidade da aprendizagem, a profundidade da aquisição do conhecimento e o caráter e honestidade dos alunos e alunas é resultado e depende exclusivamente de uma decisão e auto-orientação deles próprios.

Sim, eu e todos os professores que trabalham arduamente nisto, todos os gestores que se dedicam a isto, os diferentes governos que julgam isto importante e os partidos que defendem propostas e programas para isto devemos fazer a nossa parte, mas isso ainda deixa uma parte decisiva para os cidadãos, os alunos e os pais dos alunos que é fazer bom uso destas oportunidades que a nossa geração e dos nossos pais não teve e que, provavelmente, uma geração depois da nossa também não.

Então quando eu divulgo isto, estes dados positivos de ampliação do acesso ao ensino superior, fico também esperando críticas como as suas para dizer aquilo que estou dizendo aqui.

Em outras palavras digo aqui o que Diogo em sala de aula: O progresso do Brasil depende também de você cidadão. O seu progresso depende também de você. E fico muitas vezes feliz quando encontro alunos e ex-alunos que entendem a sua parte neste jogo e evoluem para uma responsabilidade sobre a qualidade da sua formação e fazem isto com juízo e sabedoria e não com achismos, opiniões ou abordagens superficiais das questões. Parabéns por me provocar neste debate. Você tem muita razão na sua abordagem, mas ela leva, na minha opinião, para mais responsabilidade dos cidadãos sobre este processo.

Por fim, eu comemoro estes números porque vejo também os efeitos deles na realidade dos meus alunos, ex-alunos e muitos amigos que me relatam grandes progressos em todas as áreas, com problemas - o que nunca será eliminado, porque é o ônus verdadeiro de qualquer progresso ou movimento, mas que é real. Eu diria, ou ousaria dizer que estes progressos são sistêmicos, ou seja, que eles não atingem somente uma ponta da sociedade ou somente o sistema educacional. Eles envolvem as relações de mercado, as relações culturais, a produção de bens culturais e também as condições políticas da democracia brasileira.  

Não é por força mágica que o PIB brasileiro cresceu e que, apesar da ignorância de muitos sobre isto ou má-fé de outros, as universidades brasileiras progrediram nos últimos anos, junto com a ciência brasileira. O pré-sal e o PAC - ainda que muitos discutam isto por uma necessidade de impugnação política dos avanços - para dar dois exemplos é somente a pontinha deste progresso e olha que já é um progresso estrondoso do ponto de vista econômico, político, cultural, tecnológico e científico. Esta história vai ser melhor contada daqui a uns dez anos. Mas avançamos sim. Não tenho nenhuma dúvida quanto a isto.

Assim, eu relaciono este progresso sim, ao fato de que o PIB do Brasil ultrapassou o PIB da Inglaterra e que, portanto, agora o Brasil é a sexta economia do mundo e também a uma previsão otimista, mas bem plausível, de que vamos ultrapassar logo, logo a França, chegando a ser a quinta economia do mundo e, tudo isto, com melhorias reais nas condições de vida do povo e com mais distribuição de renda. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

PARQUE IMPERATRIZ LEOPOLDINA DE SÃO LEOPOLDO: DEPOIMENTO E TESTEMUNHO


Acompanhei a primeira reunião do futuro Prefeito Ary Vanazzi em novembro de 2004 com uma comissão que tinha o projeto do Parque Imperatriz – liderada pelo Arquiteto Mário Fonseca Filho. Projeto este que estava engavetado desde a sua concepção em 1992. E relato que foi a primeira reunião do Vanazzi na transição com representantes da Sociedade Civil. Depois ao longo dos 8 anos acompanhei de diversas formas o trabalho de muitas pessoas e também o trabalho contra de outras. Mas no final o Parque Imperatriz Leopoldina é uma Realidade. Dou destaque aqui para o trabalho incansável, determinado persistente do meu amigo Darci Zanini que foi Secretário do Meio Ambiente (2005-2012) e toda a sua equipe. E não admito que alguém venha falar aqui que agora nesta gestão o parque é realidade. Então a única coisa que a atual gestão fez ali, por enquanto, são fotos novas. Só isso. Você, seja quem for, pode votar em quem quiser. Pode gostar de quem quiser. Pode votar em qualquer preferência, mas não venha mentir aqui achando que vai passar impune, porque dai fica muito feio. Além de ser um desrespeito com quem muito trabalhou sobre aquele projeto lá é um desrespeito com todos os cidadãos desta cidade, porque é uma farsa e uma mentira. Teu direito à opinião não pode se coadunar com direito a mentira, pelo menos enquanto as testemunhas destes fatos estiverem vivas e lutando por um mundo melhor de verdade e não de faz de conta.

THEODOMIRO PORTO DA FONSECA: PEQUENA NOTA HISTÓRICA

O Theodomiro Porto da Fonseca foi com certeza um grande cara. Mas como todos ou a grande maioria dos melhores políticos do Brasil foi sacaneado e traído, isso também aconteceu com ele aqui em São Leopoldo. E isso não acontece pelo bem comum não. Em geral eles são traídos por interesses mesquinhos, vaidades pessoais, ambições individuais e também por falsos defensores do bem comum. As velhas raposas e os aprendizes de raposas, herdeiras destas sabem muito bem em troca do que elas traem alguém ou um programa.

Cargos, contratos, benefícios, regalias, clientelismos ou privilégios vagam nas sombras destas histórias. Eu vi isso acontecer aqui em São Leopoldo nos últimos 32 anos já, tanto o Olímpio, quanto o Waldir, quanto o Vanazzi, foram também traídos. O Theodomiro em 1944 também assistiu muita gente virando a casaca.  A história do Theodomiro ainda será contada de forma correta. Ele é importantíssimo para a história política de São Leopoldo. (Assim como o Mansueto Bernardi, o Frederico Wolfenbuttel também.)

Theodomiro foi eleito em 1928 e governou até 1944 - quando pelo que entendi - ficou revoltado, entre outras coisas, com a encampação ou indenização das usinas de geração de energia que pertenciam à São Leopoldo pelo governo do estado e dai renunciou. Isso é até onde eu sei. Ainda que nem tenha pesquisado tanto para isso.

Talvez seja importante dizer que muitos historiadores e historiadoras gostariam de ver com cuidado e muito respeito onde estão as coisas deste homem. Sabe-se que ele possuía uma biblioteca, muitos arquivos e muitas fotos. Isso é um patrimônio privado hoje, mas é muito importante, inclusive para botar luz naquele período. A história deste senhor é talvez um dos capítulos do auge da cidade da qual falamos aqui e ali. Depois disto foi uma longa decadência, porque a cidade perdeu em parte sua capacidade política que volta a ser mais ou menos recuperada nos anos 60, 70 e 80 e do que a cidade ainda tenta se recuperar.

Um grande abraço amigo.

Obs.: A foto abaixo pertence à Galeria dos Ex-Prefeitos que se encontra na Nova Sede da Prefeitura Municipal de São Leopoldo. 

Foi restaurada, reconstituída e devidamente exibida com todos os demais prefeitos de São Leopoldo, no Antigo Salão Nobre da Prefeitura Municipal na Gestão Municipal do Prefeito Ary Vanazzi em 2010.



A DIREITA E SUA CAPACIDADE DE DIZER ASNEIRAS: SARAH PALIN PROPÕE INVADIR A REPÚBLICA TCHECA

A direita americana, os conservadores americanos e do mundo todo são geniais. Sua genialidade levou aquele poderio militar americano para várias guerras cujos resultados são bem conhecidos. E isto está baseado numa capacidade de dizer asneiras, propagandear mentiras e agir impunemente.
 Alguém vai ter que dizer – na ONU, na UNICEF, e em todos os organismos internacionais algo que contrarie isso – vai ter que dizer para eles que se a sobrevivência da humanidade, a defesa da democracia e dos direitos humanos dependerem das opiniões iluminadas deles, das soluções absurdas deles e das idéias malucas  deles sobre o que precisa ser feito ou qual é a luta prioritária. A humanidade acaba ali na esquina da história.
 Talvez tenhamos todos que lutar também para fazer teste de sensatez e inteligência para o ingresso na esfera pública. Em qualquer instância. Porque muitas vezes e muitas vezes mesmo temos que escutar e mesmo observar absurdos sendo tomados como medidas salvadoras, argumentos enganadores sendo tomados como discursos orientadores da ação de muitas pessoas. Olha a última pérola genial proferida pela Senhora Sarah Pallin.
 Não bastam já os milhares de mortos e inocentes no Iraque, no Afeganistão.
Mas que coisa mesmo.
Tinham que ser postos na cadeia estes mentores intelectuais de extermínios e massacres para o bem da humanidade e das futuras gerações.
Não tenho idéia como fazer isto, mas tem uma hora em que o direito coletivo deveria se sobrepor ao direito individual de expressar bobagens e argumentos estúpidos. Deveria haver algum princípio de correção destas insanidades. Vá tomar vergonha na cara!

domingo, 21 de abril de 2013

SCHOPENHAUER POR RUDIGER SAFRANSKI: BIOGRAFIA IMPERDÍVEL


Tenho lido algumas biografias filosóficas desde aproximadamente 1986.

Começando com Sartre por Annie Cohen-Solal...Wittgesntein The duty of genius. de Ray Monk, entre outras, mas nos últimos tempos - dois anos - tenho gastado algum tempo com Rudiger Safranski.

Passei primeiro por Heidegger: Um mestre da Alemanha entre o bem e o mal, e considerei extraordinária a maestria e o padrão da reconstrução teórica feita numa biografia.

Já em Nietzsche: Biografia de uma tragédia, este traço também aparece reforçado por um banho cultural na relação dele com a música que já me referi aqui, inclusive, mas agora por força de uma bela e saudável circunstância me caiu às mãos Schopenhauer: E os anos mais selvagens da filosofia, daí que me cairam todos os bútias filosóficos do bolso e inclusive comecei a reencontrar meus botões metafísicos kantianos e cartesianos pelo caminho, porque é uma arraso completo esta obra.

Jamais imaginei uma reconstrução tão bem feita dos anos mais agitados da história cultural e filosófica alemã, tão bem feitos e articulados nesta obra. Ao longo da caminhada e da vida de Schopenhauer, Rudiger vai montando os cenários (sete para ser mais preciso) em que se desenrola o que ele chama no subtítulo de OS ANOS MAIS SELVAGENS DA FILOSOFIA de uma forma primorosa, caprichosa e rigorosa.

É Imperdível. Recomendo a todos os estudantes de filosofia e, em especial, a todos aqueles que não conseguem filosofar sem passar pela filosofia alemã. Será uma experiência inesquecível e de lambuja ganha uma pormenorizada abordagem do desenvolvimento das ideias de Artur Schopenhauer.

É imperdível, repito. Segue a resenha da editora:

ASSIS BRASIL E ANIBAL DAMASCENO NO CADERNO CULTURAL ZH DE 20 DE ABRIL DE 2013: RECOMENDO


Eu estava esperando algo legal nos jornais deste final de semana. Aliás, sempre espero isso, independente do que acontece durante a semana ou da onda que sacode a moçada nas redações.

Para qualquer Jornal de Sábado ou de Domingo sempre tive este gosto. Ou vem um caderno Cultural bom, ou vem uma matéria abordando algo inusitado, desconhecido ou surpreendente.

Tenho este tipo de expectativa desde os anos 70, quando aguardava o Correio do Povo. Depois nos anos 80, tinha o Caderno de Letras da Folha de São Paulo que depois virou o Caderno Mais, do que não tenho mais notícias e os Suplementos Literários de um Jornal do Brasil ou Estadão.

Durante todo este tempo a expectativa era muitas vezes saciada outra vezes aguçada porque nem sempre um suplemento ou um artigo fazia tudo aquilo que se esperava, seja porque o espaço era menor do que o necessário, seja porque o escritor ou o editor faziam menos do que o objeto exigia, se preparavam mal e escreviam mal, ou editavam mal. Isso quando a gente não se defronta com um articulista mais pretensioso do que genial e modesto. O que pode gerar certo estrago, se forem assaz lenientes com seus  impulsos etílicos ou baratinados. Me desculpem a linguagem, mas estou tentando evitar mesmo certas palavras e menções de um certo vocabulário corrente que deveria entrar em desuso mesmo, tanto quanto seus referentes semânticos.

Mas já tive grandes surpresas. Para falar a verdade mesmo neste assunto, boa parte delas eram resultados de óbitos – parece ser esta a sina dos grandes intelectuais, só serem retratados em sua grandeza ao final, ou, então quando eram realizadas certas entrevistas em que o entrevistado e entrevistador estavam preparados para perguntar e responder – senão tudo o que é importante, aquilo que é fundamental e decisivo.

Neste final de semana eu li o Caderno ZH Cultura (Sábado 20 de abril de 2013) e fiquei sinceramente embevecido com dois documentos que nele são apresentados e que me deixam provocado a avançar de um lado sobre as Obras do Secretário Estadual da Cultura Luis Antonio de Assis Brasil o entrevistado e, de outro lado, por algumas memórias e anotações apresentadas por Carlos Gerbase e Luis Augusto Fischer, de Anibal Damasceno Ferreira, esta certa e incrível personagem real não pouco conhecida que combinava o trabalho no Instituto de Física no Campus do vale da UFRGS – no meu tempo inclusive, com aulas de Cinema na FAMECOS PUC e provavelmente em muitas rodas de conversas e diálogos formadores de Porto Alegre que faleceu a alguns dias.

Sobre Aníbal eu creio mesmo que a Cultura do Rio Grande do Sul merece que esta personagem e sua trajetória seja reconstituída, apresentada e devidamente reconhecida. A sina deste homem que descobriu um gênio como Qorpo Santo e que era expert em cinema e  em literatura merece ser mais estudada e revelada. As poucas notas apresentadas pelo Carlos e pelo Fischer denunciam isto. Fico imaginando o que mais pode sair daí e o quanto é importante que possamos conhecer e aprender com ele ainda hoje, após sua passagem. Creio que se trata de uma personagem Imortal e cabe a nós reconhecer isto.

Sobre agora, a entrevista do Luis Antonio de Assis Brasil, devo dizer que fiquei surpreendido com as pontas de análise apresentadas pelo autor de obras que me cativam como Um quarto de légua em quadro e outras. Mas deixo aqui a provocação para os demais literatos e literatas e quero muito ver no que vai dar esta visão do autor sobre suas obras, em debate e mais que isso em elucidação de uma história de estilo e inspirações reveladas em obras. E, por fim, percebi uma evocação e provocação bem interessante na expressão do autor de que “toda arte é insuficiente”. O me toca muito nos meus pequenos temas e anotações de filosofia, de percebermos que toda  obra traz em si uma insuficiência a ser descoberta, sendo esta uma provocação fundamental para a próxima obra. Tudo se passa ai como se estivéssemos todos nós a remendar um grande tapete cerzido pela razão enquanto espera a solução dos velhos e dos novos problemas. Mas era isto. Hoje é domingo e quem leu até aqui, mas que não leu o caderno Cultural do último sábado que o procure por ai. No meu tempo de estudante e mesmo hoje me é fácil – com meus hábitos pedestres – encontrar um exemplar intacto de caderno cultural abandonado em pilhas de jornais de final de semana. Às vezes na lixeira e muitas vezes naquela pilha de jornais que o zelador ou o porteiro do prédio preparam para despedir adiante. Uma outra opção, também, é o armazém...aquele abraço.          

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A SOCIEDADE DOS PORCOS-ESPINHOS: SCHOPENHAUER


“Um grupo de porcos-espinhos num frio dia de inverno se aglomerou para, através do aquecimento recíproco, não morrer de frio. Contudo, logo começam a sentir os espinhos uns dos outros, o que os leva então a se afastarem novamente. Quando a necessidade de aquecimento os aproxima mais uma vez, repete-se aquele segundo infortúnio. Neste vai-e-vem em meio aos dois sofrimentos, seguem até encontrarem uma distância segura entre eles, na qual podem melhor suportá-los. Do mesmo modo os homens são impelidos uns aos outros pelas necessidades da sociedade, em cujo seio surge o vazio e a monotonia. Entretanto, suas particularidades assaz desagradáveis e defeitos insuportáveis os afastam mais uma vez. A distância mediana que é ao final encontrada, na qual podem se reunir, são a polidez e os bons costumes (...) Quem no entanto tem muito de seu calor interno prefere ficar longe da sociedade, para não ser incomodado e não causar incômodo.”

Arthur Schopenhauer (Parerga e Paralipomena II)

SOBRE A RELAÇÃO ENTRE VIDA PRÁTICA E VIDA TEÓRICA

Sim. Entendo e aceito muito bem teu questionamento sobre o grande tema da relação entre teoria e práxis, aqui vale também o tema da relação entre uma vida prática e uma vida teórica.

Penso muito nisso também e penso nisto desde que comecei de alguma forma a me apropriar de teorias e a estudar determinados autores. Isto me levou a procurar sempre compreender as teorias dos autores, mas a também procurar saber como eles viviam. Saber que assuntos ocupavam os intelectuais na vida prática as vezes nos ajuda a entender a direção e a qualidade das suas idéias. Isto não vale como regra geral.

Tendo apensar nisto sempre e muito levado por determinadas personagens a entender que – ao fim e ao cabo - a prática é mesmo a vida da filosofia. Penso que é por isto que a sabedoria a qual os primeiros filósofos perseguiam, os pré-socráticos, Sócrates e outros filósofos ao longo da história combinava as duas dimensões da vida prática e da vida teórica ou especulativa.

 Um Exemplo notável deste modelo de vida foi Pitágoras, entre outros, porque ele tinha sim claramente uma dimensão prática e uma dimensão teórica que poderiam ser separadas, em pensamento, ou através de distinções, mas que eram indissociáveis na vida real de um ser existente e concretamente envolvido com afazeres familiares, sociais, profissionais, políticos e criativos.

A vida do pensamento para alguns pode significar o sacrifício da vida prática, mas eu não recomendo isso, não ensino isso e tento mesmo sinalizar sempre uma saída para isto. Para esta armadilha da teoria.

Não digo com isto que não seja este justamente o preço que se paga e que muitos pagaram em sua vida para chegar a uma teoria realmente de valor e grande significado. O logos, a construção de um discurso rigoroso sobre as coisas, muitas vezes cobra isto da gente. E mesmo que alguns de nós tentem compatibilizar as duas dimensões em geral ocorre com todos nós uma divisão biográfica e cronologia para uma ou outra tarefa. E nos dá muito trabalho mesmo compatibilizar as duas.

Também é possível encontrar extraordinários pensadores e pensadores cujos afazeres práticos ficam completamente em segundo plano, mas eu tento um equilíbrio nisso e penso, estou já a me repetir, que este é sim um grande desafio. Se tenho muita admiração por diversos professores e mestres que tivemos nos tempos de faculdade e mesmo hoje em relação a intelectuais que andam pelo mundo compatibilizando uma vida do pensamento com uma vida da ação é porque eles que pensam de forma muito refletida e que cumprem todas as exigências de um pensamento sério e honesto e que agem desta mesma forma.

Ainda que muitos deles, assim como eu, tenham que de vezenquando dizer APESAR DE TUDO....como nos ensinou MAX Weber..em política como vocação.

CARTA AO AMIGO BADO JACOBI: CRÍTICA E DEFESA DO QUERO QUERO


Caro amigo Bado eu devia te dizer algumas coisas mais sobre o debate de ontem.

Primeiro, eu creio que você não precisa criticar a gestão passada para ter o direito de criticar a atual. E eu acho que você fica fazendo isso por um motivo muito ruim: tentar se tornar imparcial, ou afastar-se de ser tendencioso. Não creio que você precise disso – para usar uma expressão maniqueísta e não perder a metáfora – para pagar a conta para o diabo, para poder criticá-lo, não precisa bater nos anjos, e é isso que você faz agindo desta forma. Mesmo que você não nos veja como anjos, o que é um direito seu e meu também. A justificativa que aparece ai seria muito ruim: olha estou batendo em você, mas também bati nos outros. E o único problema é quando você bate nos outros – ou em nós do PT - sem razão e sem argumentos, só por repetição ou ouvir dizer. Penso que isso é desnecessário mesmo. Até porque o teu quero-quero foi criado agora e tem legitimidade – como qualquer um, aliás, para criticar o que quiser, desde que o objeto da crítica seja real e não imaginário. Sei que você faz esse debate por diversão também e não tenho nada contra isto. A demo0cracia que a gente defende também aceita isto.

Segundo, eu acho completamente irrelevante que eu tenha que defender a gestão passada, mas você não a criticou aqui na época e era lá atrás que deveríamos ter recebido este tipo de crítica e eu também prefiro uma crítica mais objetiva do que genérica. Porque genérica não tem objetividade e só deixa no ar, Vá direto ao ponto, dê nomes aos bois se eles estiverem no campo, porque daí eles merecem mesmo e se sinta a vontade para fazê-lo. Hoje em dia não conheço nenhum político que não tenha uma penca de processos para responder e este é inclusive o ônus da administração pública, não pelos mal feitos, mas também por conta de denúncias e por conta de detalhes que as vezes são mais resultado de interpretação equivoca das leis ou também de simplificações na gestão ou mesmo ausencia de leis que regulamentem certas ações inerentes à função.  

Terceiro, a discussão de que o PT aparelha o estado é a mais absurda que eu conheço de todas as críticas que recebemos. Aliás, ela é uma crítica que curiosamente é a cantilena do PSDB contra o PT. Do mais simplório diretório do PSDB aos seus próceres mais notáveis, mas onde mesmo isso acontece? Em nossa gestão de São Leopoldo, eu vi pessoas manterem um pé em entidades e entrar no governo, mas isso foi muito criticado, chegando ao ponto da gente romper inclusive com alguns representantes de aliados internos e externos. E se foi criticado por nós isso significa que não somos favoráveis ao aparelhamento de entidades ou do estado. Mas como com cavalo burro não adianta açoite ou cutucão, até hoje algumas pessoas em diversos partidos acham isso completamente normal. É interessante isso em outro sentido também. Porque às vezes eu noto uma coisa muito ruim, até parece que o PT é o único partido que fez discurso ético e que, portanto, ele é o único que tem obrigações éticas e para os outros é um vale tudo. Não é isso que eu entendo mesmo. Acho que a discussão sobre a ética na política foi levantada e brandida mais por nós do que por muitos outros, mas não penso que isso deva ser uma exclusiva obrigação nossa. Hoje é uma exigência da democracia. Temos a lei da ficha limpa em vigência no pais e não preciso dizer que não é o nosso partido o campeão de ficha suja. Quanto ao exercício ético na política, penso que isso vale tanto para crimes tipificados em lei, quanto para as ações em geral dos políticos e dos cidadãos também.

Quarto, você pode até tentar, mas não há o lugar ou a cadeira que você procura sentar na mesa, aquela da imparcialidade e neutralidade, que fica além do bem e do mal. E você nem precisa ter esta cadeira para poder criticar o que está errado. Eu acho ótimo que pessoas de todos os partidos discutam de forma honesta e verdadeira os problemas da nossa cidade, independente de quem está na gestão. Mas para poder fazer isto não é preciso mesmo fazer onda de neutralidade ou esconder as simpatias políticas, sejam elas mais pessoais, sejam elas mais programáticas. Não tem problema algum se você gosta ou quer muito bem quem governa ou é secretário agora. É um direito seu mesmo. E eu não tenho dúvida de que devem haver pessoas legais neste governo, apesar dele não ser do meu partido e de que é muito cedo para julgar quem realmente é bom. Porque só no discurso não rola gestão mesmo. Meu problema fundamental com este governo é programático e também ideológico. Por outro lado, não há neutralidade alguma em omitir pelo menos quatro ou cinco grandes retrocessos que eles já estão cometendo agora, hoje, inclusive com você pelo que dizes. A saúde está muito pior agora. Voltaram a ocorrer situações de nepotismo agora. O racismo voltou a ser uma bandeira brandida por alguns simpatizantes deste governo. E muitos funcionários me relatam episódios de patrulhamento, perseguição política e um pacote de maldades em relação aos funcionários. Sem tratar aqui de desvios de competência profissional que corrigimos em nosso governo respeitando categorias profissionais e também sindicatos de servidores e de profissionais de diversas áreas. Omitir isto é signo de quem tem lado nesta história. Só vi você falando levemente sobre a saúde, e o que escuto agora nestes Cem Dias de governo não é sinal de quem vai resolver o problema mesmo. E eu sou um daquels que sabe que o problema da saúde não é o hospital mesmo. O problema do hospitale  da rede de saúde que agora se agrava é que falta médicos e este prefeito que é médico sequer isto conseguiu resolver ainda. Aliás, eu ando com trena e fita métrica no bolso o tempo todo, porque tudo que tem medida tem limites. Eu gostaria, por exemplo, que você defendesse os funcionários públicos porque sai governo e entra governo, e são eles é que mantém esta prefeitura mesmo e são fundamentais e devem ser muito mais respeitados. Liderar eles é fundamental para o bem da cidade e não se lidera com autoritarismo ou bandeirismo, ou favorecimento e casuísmo. Assim, como não se defende um governo ou se lidera uma cidade com patrulhamento ou perseguição política. Lamento que isto esteja acontecendo agora com o quero-quero. E lamento por você e pela cidade. Esta política do ódio não ajuda em nada e sequer sustenta qualquer governo. A pior fantasia que um governante pode ter nos dias de hoje e seus assessores e correligionários também, é de que vai manter o poder policiando, coagindo, contrangendo ou perseguindo as pessoas, seus conhecidos, seus amigos ou seus colegas. Eu, por exemplo, conheci muitas pessoas na administração passada. Criei amizades e desenvolvi muita tolerância inclusive. Aprendi muito com os servidores públicos e vi eles fazendo esforços desinteressados pela cidade. Atacar os servidores públicos ou os formadores de opinião é um grande erro. E você é sim um formador de opinião. Traz informações que muitos não tem e também levanta debates que outros não tem coragem de levantar e isto é ótimo para cidade e para o povo da cidade. Você ajuda a desafogar com o quero-quero o massacre que alguns sofrem e também os absurdos que alguns são constrangidos a assistir em silêncio. Um governante sábio não deixaria isto acontecer, porque isto é indefensável em qualquer situação.

Quinto, pior que o maniqueísmo é pretender estar acima dele, quando para isso se cometem erros e imprecisões - dai você pula da frigideira para o fogo - quer dizer você acaba caindo no simplismo. Dê a Cesar o que é de Cesar, mas não faça Cesar ter aquilo que não lhe é de direito ou responsabilidade. Penso, também, que esta tua pretensão é muito ruim para a política, porque o que você repete aqui é o erro de afirmar a tese de que político é tudo igual, que é a mesma tese daqueles que são contra a democracia, porque gostariam de ter um poder incontestável ou governar somente com os sábios e os cientistas. Nós abandonamos esta doutrina faz muito tempo já. Não porque ela não ajudou a construir o estado brasileiro ou gaúcho, mas porque ela foi ultrapassada pelos tempos. Esta doutrina foi o Positivismo e o Partido Republicano Riograndense (PRR) foi criado em 1882 com base nela e teve hegemonia política no Rio Grande do Sul por muito tempo. De Júlio de Castilhos a Getúlio Vargas. Eu e, provavelmente, todos os democratas deste pais, preferimos os erros dos políticos e do povo que os elege, do que os erros que não podem ser corrigidos, porque são cometidos por pessoas que tem poder absoluto ou conhecimento absoluto das coisas e que, por isto, são incontestáveis ou incorrigíveis. O tempo dos bacharéis e dos doutores já passou. Assim, para mim a democracia permite o exercício do princípio de correção, sem que a gente tenha que esperar o fim de uma dinastia, a morte de um gênio ou demagogo ou a queda do muro de Berlin para fazer a história mudar. Toda eleição é uma oportunidade para debatermos os rumos, os programas e mudarmos o que precisa ser mudado, desde que tenhamos na eleição programa e debates para apreciar e discutir, é claro. Mas você sabe qual era o programa do MOA? Tens uma cópia escrita dele? Pois é!!! Todo mundo erra e todo mundo pode um dia acertar. A história da ciência é uma coleção de erros que foram corrigidos ou descobertos. E na gestão pública também é assim. Então não existe uma garantia de que ninguém vai errar, mas o que se espera é que não se cometam erros já superados e um destes típicos erros é começar uma administração sem um programa, somente com a vontade de acertar. Eu acho isso uma coisa extremamente primária. Nenhum engenheiro constrói um prédio sem projeto e já está na hora dos candidatos a prefeito terem projetos e apresentá-los, porque quem está encomendando a casa que eles devem construir é o povo, não seus correligionários ou suas entidades de classe.

Sexto, eu não penso de forma maniqueísta sobre coisa alguma, muito menos politicamente - se é esta a ironia que você tentou imputar sobre mim. Ao contrário, conheço lobos e cordeiros de todos os partidos e conheço águias e urubus também, não é porque eu sou filiado no PT desde que me conheço por gente que eu ache que o PT é o céu ou o Deus encarnado nesta terra. Tenho mais concordância com o programa do que com muitas pessoas que estão nele - e hoje como sempre - não sou unanimidade no partido com minhas opiniões e nem quero ser. Aliás, faço sim uma avaliação bem dura dos nossos erros e não tenho mais necessidade de fazer isto exclusivamente no partido, até porque muita gente do meu partido constrói projetos e promove ações de tudo que é tipo sem – muitas vezes - nos consultar internamente também. Então não são as avaliações, críticas ou debates externos que me amendrontam ou me intimidam. Ao contrário, sempre que puder farei a crítica necessária e da forma mais honesta possível. Mas temos que combinar sim uma única coisa aqui nisto tudo: não se corrigem erros, cometendo mais erros. Sendo assim, para lá ou para cá, o erro dos outros não pode ser justificativa para os meus erros, e, inversamente, os meus erros não podem ser justificativa para os outros errarem também.  

Sétimo, apesar de admirar René Descartes, não defendo nenhuma tese dualista sobre coisa alguma. Não divido os homens em diabos e anjos. E toda vez que faço uma contraposição, procuro apenas tornar legíveis as diferenças e argumentar mais rapidamente, mas posso também classificar e interpretar com mais detalhes estas diferenças.

Um exemplo disto é o que se segue. Por anos acompanhei a história política de São Leopoldo, aproximadamente desde 1974 e 1976 e mais tarde. Nos últimos 8 anos me dediquei a estudar esta história em mais detalhes avançando até o século XIX, e ao primeiro período republicano de 1890 a 1945. Isto é, passei da fase da opinião para procurar ter conhecimento sobre as coisas que aconteceram nesta cidade. Aprendi com isto a respeitar muito mais tanto o Olímpio Albrecht, quanto o Waldir Schmidt para ficar em duas pessoas que fizeram política desde os anos 60 e 70, respectivamente. Assim, como conheço também a trajetória inteira do Henrique Prieto, os papéis coadjuvantes, importantes, mas passageiros, do Glodomiro Martins, Manoel Nunes, Ronaldo Ribas. Conheci pessoalmente diversos lideres políticos e ex-vereadores de São Leopoldo, conheci deputados de vários partidos passando por um Rosa Flores. Também conheci pessoas notáveis das quais me lembro com muito respeito como o Noel Maciel e também conheci diversos assessores políticos de muitas épocas. Sei, por exemplo, da história da formação política do PL desde os anos 20 que levou a Maria Emília de Paula a ser prefeita por um ano. E também sei que o André de Alexandri foi quase um prefeito por um dia, o que foi o mandato mais impugnável que já conheci na história política de São Leopoldo. Mas ele foi prefeito administrativo. Aquilo foi uma proeza jurídica, política e social que só se explica pela total hegemonia e supremacia real do Waldir no período e em todos os poderes da cidade.  Como diz um grande intelectual do PMDB, que foi meu professor e é meu grande amigo: “Se pegar, pegou”...e pegou. Estudei as crises que levaram, por exemplo, o PTB, em 1958-1959, a rachar entre Siegbert Saft e Brasil Camoretto Gall e, também, conheço alguns detalhes de bastidores da Ditadura Militar em São Leopoldo. Por uma questão biográfica e muito particular minha, tive sempre acesso e muitas vivências que me facilitaram a observação do que ocorria tanto no cenário quanto nos bastidores e, ao mesmo tempo, sempre procuro ampliar meus conhecimentos sobre a história política da cidade o que envolve conhecer as instituições sociais e de classe da cidade também. Em resumo, apesar de ter atuado no cenário e nos bastidores, respeito muito a história política desta cidade e a única coisa que eu peço é que os novos, aqueles que agora começam a ter experiência política, o façam com dignidade. E que os velhos aproveitem a sua larga experiência para respeitarem os sinais na pista e não incorrerem nos mesmo erros de outras épocas. Tenho a franca opinião de que não há nada mais vergonhoso do que uma pessoa andar de forma arrogante na rua e ser objeto da reprovação unânime dos seus concidadãos, como parece que vai começar a acontecer com alguns logo, logo.

Por fim, minha oitava letra, é um muito obrigado e vida longa ao QUERO-QUERO.

A democracia de São Leopoldo agradece.

São Leopoldo, 17 de abril de 2013.