quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ERRANTE - MUDAR A VIDA INTEIRA

as vezes eu me sinto um errante...

..alguém de passagem pelos lugares...

e também me sinto errado em muitas coisas....

talvez eu esteja completamente errado em todas as coisas...

mas por outro lado....

continuo acreditando que uma pessoa só tem realmente valor quando é capaz de questionar o próprio modo de viver....

interrogar se não está tudo errado....

só será um grande homem aquele que for capaz de mudar toda a sua própria, maldita e miserável vida....

o resto é um sonho, uma grande ilusão do mundo....

e eu quero conquistar a glória de verdade nesta vida, muito mais do que a fortuna, a fama ou qualquer outro mérito que tem mais valor aos olhos dos outros do que aos meus próprios olhos...

posso estar errado?....

sim.....

é possível que sim...

sábado, 24 de dezembro de 2011

NIRVANA - CHARLES BUKOWSKI

not much chance,
completely cut loose from
purpose,

he was a young man
riding a bus
through North Carolina
on the wat to somewhere
and it began to snow
and the bus stopped
at a little cafe
in the hills
and the passengers
entered.

he sat at the counter
with the others,
he ordered and the
food arived.
the meal was
particularly
good
and the
coffee.

the waitress was
unlike the women
he had
known.

she was unaffected,
there was a natural
humor which came
from her.

the fry cook said
crazy things.

the dishwasher.
in back,
laughed, a good
clean
pleasant
laugh.

the young man watched
the snow through the
windows.

he wanted to stay
in that cafe
forever.

the curious feeling
swam through him
that everything
was
beautiful
there,
that it would always
stay beautiful
there.

then the bus driver
told the passengers
that it was time
to board.

the young man
thought, I'll just sit
here, I'll just stay
here.
but then
he rose and followed
the others into the
bus.

he found his seat
and looked at the cafe
through the bus
window.

then the bus moved
off, down a curve,
downward, out of
the hills.

the young man
looked straight
foreward.

he heard the other
passengers
speaking
of other things,
or they were
reading
or
attempting to
sleep.

they had not
noticed
the
magic.

the young man
put his head to
one side,
closed his
eyes,
pretended to
sleep.

there was nothing
else to do-
just to listen to the
sound of the
engine,
the sound of the
tires
in the
snow.


In memorian Rafael Adams Boeira - 24/12/1966 - 29/09/2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

UM ANO DE SECRETARIA DA CULTURA

Hoje completo um ano de Secretaria de Cultura.

Tem sido uma grande experiência para mim.

Conheci um grupo muito legal e esta experiência tem mudado minha vida para melhor.

Continuo tão exigente quanto perfecionista como sempre fui, mas sou mais tolerante e compreensivo agora.

O Woodstock não acabou, mas ele parece ter ficado mais organizado em alguns aspectos.

O Secretário Pedro Vasconcellos é um baita cara e temos passados muito bons momentos juntos com a equipe inteira!

Meus colegas e passantes daqui me deram muito apoio.

A gente não sabe quanto tempo estas coisas duram, por isto eu comemoro e registro cada mês e cada ano das minhas experiências com atenção.

Se continuar melhorando com todos juntos e focados no mesmo objetivo já é uma grande caminhada.

É interessante que eu tenha voltado para cá após tudo que passei nos anos 80, desde acompanhar o nascimento e formação da Thule, Paulo Pink, acompanhar com admiração Coral Unisinos, participar de duas edições do Diga Diga de Artes, Teatro com a Centopéia Consumista, e música com o Grupo Velas, participar de belos momentos no CLIC, ter compartilhado muitos dias e idéias com Luis Brasil, Nando D´Ávila, Silvana Mariani, Ricardo Sefrin e muitos outros.

Ao sair de São Leopoldo em 1987 para Estudar na UFRGS, ter me tornado professor de filosofia (1993), sindicalista (1999), gestor público (2005) graças ao apoio do Vanazzi e, de repente, em novembro de 2010 passada a Eleição de Dilma, Tarso, Paim, Marcon e e Ana Affonso Lotado Perfil I , vir trabalhar aqui. foi a volta a um ponto de origem.

E um ponto de origem verdadeiramente fundamental como sinto hoje, pois acabei por voltar à música pelo Coral Municipal e a várias outras artes.

E reencontro todos os dias velhos amigos, conheço novos e vamos que vamos.

Obrigado!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

PREPARANDO TRÊS PROVAS SOBRE A PRIMEIRA MEDITAÇÃO DE DESCARTES

Bom Dia!

mais um dia com filosofia e curiosidades como pano de fundo.

Em meio ao trabalho sério e dedicado de todos os dias, temos boas surpresas e alegrias. Uma delas é fazer as provas dos alunos da noite. Para a disciplina de filosofia.

Tenho que preparar três provas diferentes sobre a Primeira Meditação de Descartes.

Em gradiente, porque são três séries diferentes com niveis diferentes de compreensão. Um dos dilemas é o fato de que somente o segundo ano tem dois períodos, tanto o primeiro quanto o terceiro ano tem um período para realizar a prova.

Assim, para o 1o, 2o e 3o anos do noturno tenho que elaborar algo adequado ao tempo disponível. é uma das avaliações do segundo trimestre, após uma introdução sobre a vida e obra de Descartes e o seu método.

Minha idéia ou plano é produzir cinco questões com complexidade e extensão diferentes. Em algum caso com conteúdos e pontos diferentes na abordagem da Primeira Meditação.

A parte legal de ser professor é construir a pergunta certa que leva ao cerne da questão sem perder os detalhes. No nosso caso os detalhes realmente relevantes.

No caso atual tenho que levar em três abordagens diferentes os alunos para a percepção da terra arrasada de Descartes na primeira meditação em que não sobrará pedra sobre pedra.

Poderia dizer na metáfora aqui que só sobra o pedreiro.

Vamos para o rascunho das questões.

Passo a passo: Papel e lápis, uma folha em branco, três estruturas de cinco questões e os núcleos argumentativos dos parágrafos sublinhados na folha ao lado.

E daí segue-se a derivação e a transferência das questões em seus graus de dificuldade para as tres estruturas de cinco pontos.

Vamos lá cara você já fiz isto zihões de vezes antes e você gosta de fazer este exercício.

Faz isto como uma brincadeira como um esboço de artista.

Mas, atenção, não promova um ataque direto.

As primeiras questões são escadas a questão central é o núcleo e as duas últimas questões são corolários ou consequências.

Faça isto direito.

Semana que vém você publica aqui as questões.

Até lá vê se coloca aqui as tuas anotações introdutórias sobre Descartes, sobre tuas experiências acadêmicas e pedestres sobre Descartes.

Vê se coloca aqui as questões que te motivam também.

Principalmente aquela sobre Descartes para adolescentes.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MEU PRIMEIRO TRABALHO: REPRODUÇÃO INCESSANTE DE MITOS

Meu primeiro trabalho de filosofia era sobre a fecundidade dos mitos e o surgimento da verdade na filosofia...ou da questão da verdade na filosofia. Escrevi em 1989 e tenho guardado ali no meu arquivo. Nem vou procurar agora. Quero aquecer a memória um pouco porque gosto de pensar e lembrar. É um bom exercício para a gente.

O mote era a reprodução incessante dos mitos. Ouvi esta expressão na primeira cadeira de filosofia, na primeira aula. Introdução a filosofia, ministrada pelo Prof. Dr. Hans Georg Flickinger. O nosso primeiro professor alemão. Especialista em Adorno, escola de Frankfurt e que havia sido aluno e orientando do gigante Hans Georg Gadamer, o pai da hermenêutica. Portanto, havia uma boa linha de passe entre a gente. Mais tarde descobri outras relações também importantes e referências importantes. As referências e lições dele nos levaram diretamente para uma obra Dialética do Esclarecimento que traz a crítica ao iluminismo e seus desdobramentos. E depois chegamos a outra obra dele a Dialética Negativa em que é feita a crítica do sujeito em Kant. O que foi objeto de estudo e perdição em meu trabalho de iniciação científica e conclusão.

Voltando aos gregos, a produção de mitos é incessante, porque tinham mito para quase tudo. Era uma coisa que se fazia bastante na Grécia pré-clássica ou arcaica. Que se entenda minha ironia, off course, era a única coisa que se podia fazer antes de começar a constituir outra abordagem para certas questões. Tatear e poetar sober as vontades alhures. Como diria Platão: estes malditos poetas..kkkkk.

A minha primeira impressão foi de espanto, bem clássica, e a pergunta era: como a verdade surge em meio a um oceano de ilusões, fantasias, engodos e etc? Mas os mitos não são isso dizia o manual?

São explicações, enredos narrados com o propósito de erguer uma causa como candidata a verdade.

A vontade divina ou o capricho dos deuses.

Eu me interrogava mais ainda.

No final, por preguiça e impaciência lógica eu concluí: a verdade não surge deste oceano não, o que surge dele é a procura de uma outra verdade, a pergunta pelo fundamento da verdade.

Abandonamos todos os deuses, heróis e etc e partimos para uma causa material, intencional ou natural. Para cada fenômeno uma ou mais possibilidades de acordo com a sua natureza ou categoria.

E aqui eu recaio em Heidegger e Nietzsche. Mas isto conto outro dia.

Filosofia Matinal.

Nunca entendi por que minhas idéias e minhas boas lembranças sempre me aparecem pela manhã.

Mas sempre me ocorre que é fruto do despertar após um bom repouso.

E também como uma resposta ao cotidiano.

Uma resposta que repara certas coisas.

E põe certas idéias no seu devido lugar.

Bom Dia

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

SUBFUNÇÃO PENSAMENTO FILOSÓFICO

Ensinar filosofia? Talvez seja simplesmente um esforço para tentar ativar uma função pensamento filosófico inutilizada. Uma subfunção da função pensamento que todo mundo usa, mas jamais avança sobre o filosofar sem a devida provocação. mas isto não é filosofar, é somente uma provocação que pode não dar certo na maioria dos casos. Ocorre, como disse um aluno meu ontem: nem todos tem o mesmo celular. Alguns tem um celular sem esta função ou com esta função inutilizada. Talvez não..

Ontem voltei à minha velha metáfora de 1995 da prateleira de loja de eletrodomésticos. Todos os liquidificadores na preteleira da loja e eu sou só um vendedor de eletrodomésticos. Usada na minha primeira aula na ETC em Porto Alegre. É preciso plugá-los na tomada e ligá-los. No atual caso: ativar a subfunção pensamento filosófico. Descartes sempre me ajuda muito aqui....

sábado, 6 de agosto de 2011

Murga, SL-FEST 2011, Preconceito e Tolerância Cultural

Na São Leopoldo Fest 2011 assisti pela primeira vez em minha vida uma Murga - Lo gran siete. Cito parte do verbete da Wikipédia (PT) aqui:

“A palavra murga é originária da Espanha. O ritmo musical teria surgido em 1906, quando chegou ao Uruguai uma companhia de zarzuela cujos componentes formaram um agrupamento ao qual chamaram La Gaditana e desfilaram pelas ruas de Montevidéu para cantar, dançar e arrecadar dinheiro para as apresentações da companhia. O evento teria inspirado a criação, no ano seguinte, de uma agremiação carnavalesca de uruguaios denominada a "Murga La Gaditana que se va", para parodiar o ocorrido com os artistas espanhóis. A partir daí a palavra murga passou a designar esses grupos, que com o passar do tempo agregaram à música que tocavam elementos do candombe e de outros ritmos de origem africana. A proximidade com o Uruguai fez com que surgisse à mesma época a murga portenha, a qual se difundiria por toda a Argentina. Atualmente, é manifestação presente no carnaval de diversas cidades espanholas, uruguaias, chilenas e argentinas.”

Ou seja, para nós que organizamos em São Leopoldo um dos maiores carnavais do estado, trouxemos a Murga direto do Uruguai para a São Leopoldo Fest 2011 e para o nosso povo.

Pois achei muito legal, diferente e creio que se acerta quando se propõe apresentar estilos, músicos e coisas diferentes num evento popular como este. O povo precisa conhecer a cultura de outros povos e esta é uma forma de promover não só intercâmbio cultural, mas também o entendimento entre os povos. Os uruguaios são nossos vizinhos aqui do lado, ou melhor, na extrema sul do nosso continente e foram, até o início do século XIX, parte, assim como nós de uma região sem fronteiras em que os gaúchos, os índios, os portugueses e os espanhóis se encontravam para intensas disputas de território e, suponho, em alguns momentos de paz e convívio.

Nota baixa para um coroa resmungando e praguejando contra a apresentação deles. Se não gosta vai passear ora bolas!, a feira é tão grande. Mas o ser grosso fez com que o cara se exiba ridiculamente. É algo ridículo o papel da falta de compreensão cultural que ele fez para mim e fiquei pensando na educação que a pessoa dá para os seus filhos e decendentes. Me lembrei de uma imagem do intolerante frente ao outro. Do preconceito frente ao diverso.

Fiz questão de ignorá-lo, mas me fez pensar na condição característica dele.

Estava de bombachas e de botas, como um paladino do Rio Grande. Soubesse ele do parentesco entre a Murga, Candombe, a Trova, a Milonga e etc. Ou seja , dos laços culturais profundos entre a música gaudéria e a música de vertente uruguaia.

Baixava a crista e se afundava na sua ignorância.

domingo, 24 de julho de 2011

SL-FEST, AMY, UM HINO, LIED, SCHUBERT E O PONTO MÁGICO

He he He

Cheguei em casa agora. Após um longo dia na organização da 20a São Leopoldo Fest 2011. Minha primeira edição, aliás, como organizador. Muito trabalho, mas tudo bem, tudo exatamente como deve ser e como já era esperado. Graças ao grupo e aos parceiros de atividade. Espero que os meus amigos aproveitem e curtam. Mesmo trabalhando muito estou gostando. Tá valendo a pena.

A atividade legal de hoje foi acompanhar a gravação do Anonimous Gourmet e lembrar de velhos tempos – nos anos 80 - em que ele não era o Anonimous e eu não era o professor e gestor que sou hoje. Tempos de Bar do Beto – na esquina mágica - e uma cervejinha na boa, com bolinhos de bacalhau. E transcorreu tudo muito bem na produção. E Rogério Tosca, meu baita colega, me deve uma foto.

A marca triste do dia é a morte da Amy Winehouse. Que voz linda!

Bem mais importante, para mim, do que a lenda da morte aos 27 anos é o fato dela e dos demais deixarem esta marca absolutamente extraordinária na história da música. Vá em paz!

Para os meus amigos astrólogos, fui até espiar o mapinha da cantora na Astrotheme.

Nossa. Tem as conjunções mais incríveis que já vi.

Para os não especializados: a moça tinha muitas usinas de força de difícil gestão.

É muito difícil viver com tantos excessos. Se você pensa nas drogas faço questão de dirigir vossa atenção aos sentimentos dela. Aquilo que vém antes das drogas.

Poderíamos chamar de um complexo em confiito e intensidade muito singulares.

Numa abordagem moderna: um complexo cujas escolhas são difíceis e limitadas e na qual a pessoa pouco ou com muita dificuldade consegue resistir a forte tentação de se consumir e de investir intensamente em algo.

Nela resultou na mais perfeita arte do canto.

Outra coisa foi procurar a Partitura do Hino da Alemanha para banda ( escrito por Haydn em 1797, muito antes - quase 80 anos - da Alemanha se unificar adveio:Das Lied des Deutches ).

Encontrá-lo inteirinho e pesquisar sobre a história dele. E, em meio a isto, num bate papo sobre o programa do Coral Municipal da P´roxima segunda-feira encontrar um momento para lembrar de Schubert.


Franz Schubert. Nossa que gênio. O cara escrevia em quardanapos e folhas de pão em meio a porres homéricos de cerveja ou chopp como queiram. E jogava fora ao lixo aquilo que considerava imperfeito segundo o seu humor.

Escrevia espontaneamente e achava o resultado ruim. Se voc~e conhece alguém assim, vá aprendendo a se surpreender. Há um g~enio habitando esta pobre alma que sobrevive neste grande vale de lágrimas que é o mundo.

Os amigos de Schubert, logo perceberam isto e guardavam os rascunhos. Algumas desta sobras estão aí para o nosso espanto.

Como diz minha querida colega Liana: 64 Lieds. Ufa...

Schubert morreu aos 31 anos, e, agora – esta coincidência, nasceu no mesmo ano em que Haydn compôs o Das Lied des Deutches.

O Hino da Alemanha que vocês escutaram muitos domingos com as vitórias de Michael Schumacher na fórmula 1.

O hino alemão é, na minha opinião, um belo hino.

Tanto ele como o da Inglaterra tem um toque majestoso e espirituoso ao mesmo tempo.

E ambos exigem ou permitem, na minha modesta opinião: belos arranjos vocais.

A Evelyn – esta menina genial que parou de escrever no seu blog, diria que é toda a alma de um povo. Ali te dizendo algo.

A parte legal desta história provém do fato de que as Lieder são as mães da canção moderna, ou seja, o romantismo alemão deu liberdade formal para canções cujos arranjos são realizados sobre uma melodia razoavelmente simples e que tem seus desdobramentos compostos num curto espaço de tempo.

Adoro esta combinação verbal e modal: um curto espaço de tempo.
Mais que uma singela contradição em termos, me parece uma expressão da liberdade criativa.

Uma frase repetida com pequenas e carinhosas variações....ha ha ha...e você sonhando numa busca de um sentimento.....com aquela emoção suscitada pela música.

Uma frase repetida com pequenas e carinhosas variações....ha ha ha...e você sonhando numa busca de um sentimento que voc~e não consegue entender.

Com aquela emoção suscitada suavemente por uma canção, pela música.

O Coral Municipal está cantando um Lied de Schubert: Der Lindenbaum.

Já coloquei aqui no meu Facebook numa bela gravação de Fischer Dieskau e noutra de Thomas Hampson.

Quem gosta de canto e música deveria passar um tempinho comparando as duas.

A suavidade basilar de Fischer e a força do timbre de Thomas.

Como encontrar um ponto entre os dois?

Não sei!

Não preciso saber tudo!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lótus, Lembranças e Moranguinhos: Ontem foi um dia legal

Em meio a diversos afazeres e muitas atividades de trabalho e organização fui almoçar num restaurante tailandês que eu não conhecia em São Leopoldo. Eu passava na frente várias vezes e nunca entrava e ontem resolvi entrar. Se você lembrar bem, ontem foi um dia muito frio a ao meio dia estava chuvoso e nada confortável para andar por aí.

Bem eu fui no Lótus e acabei tendo aquelas boas lembranças que sempre me vem a cabeça quando me encontro em situações novas ou experiências boas. Talvez você que está me lendo tenha um mecanismo semelhante ao meu. Frente a uma experiência com bom registro outros bons registros vem à tona.

Sobre o restaurante eu posso dizer que gostei da comida, gostei do ambiente e não achei caro nem excessivo o preço pago pela refeição que fiz.

Também era um dia interessante por outro motivo. Fecharam três meses contínuos de participação no laboratório Coral e no Coral Municipal. Coisa que sempre quiz fazer e nunca fiz. Hoje me ocupa regularmente das 18:00 as 21:30 de todas as terças-feiras. E tive aquela sensação mágica definitiva: vou cantar o resto da minha vida. E nesse caso acho que não tem volta mesmo. Minha respiração está melhor, minha voz está melhor, parei de fumar de novo desde que comecei a cantar e tenho uma sensação por dois dias de muito oxigênio no cérebro. O que me levou a dizer para um colega que vou ter que cantar pelo menos três vezes por semana. Nas terças no ensaio, nas quintas e no sábado. Bem vou ter que ver melhor como preencher estas duas últimas agendas como e onde.

É também a mesma sensação que tive quando morava na casa do estudante e jogava futebol de campo três vezes por semana, faça chuva, faça sol, faça calor ou frio, tenha 30 ou duas pessoas para bater bola, a gente ia lá para o campo e jogava uma, duas e as vezes mais horas contínuas. A tal da endorfina. Bem, talvez o canto coral também gere algo semelhante a uma endorfina. Hoje não jogo futebol mais, por falta de tempo e espaço na agendinha do professor que não é mais estudante, nem desempregado, mas as vezes dá um ímpeto de fazer algo assim.

Mas estou enrolando vocês e acabei não entrando na lembrança.

Bem vou deixar para depois.

A pista é: Vou Cuidar dos Meus Moranguinhos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América

Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo.

Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.

Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.

Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grande distritos de povo, a menos que abandonassem o direito à representação no Legislativo, direito inestimável para eles temível apenas para os tiranos,

Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, ser conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento às medidas que lhe conviessem.

Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque: opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.

Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.

Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.

Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.

Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.

Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.

Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.

Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.

Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação:

por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;

por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados;

por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo;

pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento;

por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;

por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas;

por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias;

por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;

por suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.

Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós.
Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.

Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.

Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem por suas mãos.

Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.

Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano não está em condições de governar um povo livre. Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável.

Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consangüinidade. Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.

Nós, Por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.

No Congresso em 04 de julho de 1776.

Nota: Tenho muita admiração por este texto. Me parece ser paradigmático e valer em forma e conteúdo como modelo de apresentação de razões. O escritor/relator dele, Thomas Jeferson, tinha extrema habilidade argumentativa e um acurado senso equilíbrio. Espero que meus alunos de política e filosofia política, nas poucas aulas em que trato disto, aproveitem. Na idade moderna a política conquista um espaço de discurso que antes não possuia. Mas é claro que tá cheio de político por aí que mal imagina o quão importante é para a qualidade da política e da democracia o simples dar razões para seus atos e decisões. Alguns falam ainda como parlapatões, sem senso de precisão e rigor argumentativo, sem clareza e muitaa vezes aos volteios retóricos. O texto que trago aqui é um exemplo de discurso ao ponto, no ponto e devidamente afinado.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ARTE, ABELHAS E LIBERDADE EM KANT

A rigor dever-se-ia chamar de arte somente a produção mediante liberdade isto é, mediante arbítrio que põe a razão como fundamento dê suas ações. Pois embora agrade denominar o produto das abelhas (os favos de cera construídos regularmente) uma obra de arte, isto contudo ocorre somente devido à analogia com a arte; tão logo nos recordemos que elas não fundam o seu trabalho sobre nenhuma ponderação racional própria, dizemos imediatamente que se trata de um produto de sua natureza (do instinto) e enquanto arte é atribuída somente a seu criador.

Immanuel Kant. Crítica da Faculdade do Juízo. Tradução Valério Rohden e Antônio Marques. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1993, p. 149.

Bela passagem sobre a arte, publicada por Kant em 1790. Trata-se da terceira crítica onde o juízo de gosto é elevado ao grau máximo da racionalidade.

In memoriam ao meu Orientador de Bolsa de Iniciação Científica Dr. Valério Rohden – falecido em 2010.

domingo, 19 de junho de 2011

ABRA SUA MENTE: PENSE MAIS

Nunca estou pensando uma coisa só.

Sempre pensando em muitas coisas ao mesmo tempo e houve um tempo que eu me julgava maluco por causa disto. Fazia até segredo do fato de que estava fazendo diversas operações simultâneas na minha mente.

Em meio a discursos então nem se fala. Agora que comecei a cantar tive um consciência mais clara desta experiência. Eu cantando de olhos abertos pensando nas partituras, nas letras, nas notas e trocando com o olhar expressões com o público. Por mais concentrado que eu estivesse notei trocas. Assim, passei a meditar sobre o fato de que o pensar é um fluxo de diversos discursos.

O “discurso silencioso da alma” do amigo Platão, inimigo dos poetas, me fez pensar no sistema de idéias, ou nas constelações de idéias de que falam certos autores. Ora, fica claro que a hermenêutica tenta nos aproximar disto. Um convite para pensar sem as amarras do nosso tempo.

As vezes, pensando, me sinto um músico que escuta a sua composição com todas as notas de um arranjo. Como ao escrever isto agora. Por mais desorganizado que pareça este texto ele traz em si diversas camadas e linhas de raciocínio. Não tenho como derramar aqui toda a polifonia do meu pensamento. Penso na hipermídia, como penso também naquele percentual baixo que usamos da nossa capacidade mental. Einstein deveria ter uma noção disto. Temos a capacidade de dar andamento a paralelas de idéias num fluxo tal em que cada uma delas está no seu ritmo e tom próprio.

Assim, quando te disserem abra sua mente, entenda: pense mais, tenha coragem de pensar mais.

O foco é um exercício, é um começo.

Você deve ultrapassar a idéia enganadora de que só é possível pensar uma coisa só.

Não reprima sua mente.

Se reeduque e se exercite para pensar mais.

Não tenha medo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PIBID - APRESENTAÇÃO

Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid)

O programa oferece bolsas de iniciação à docência aos alunos de cursos presenciais que se dediquem ao estágio nas escolas públicas e que, quando graduados, se comprometam com o exercício do magistério na rede pública. O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública. Com essa iniciativa, o Pibid faz uma articulação entre a educação superior (por meio das licenciaturas), a escola e os sistemas estaduais e municipais.

A intenção do programa é unir as secretarias estaduais e municipais de educação e as universidades públicas, a favor da melhoria do ensino nas escolas públicas em que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) esteja abaixo da média nacional, de 4,4. Entre as propostas do Pibid está o incentivo à carreira do magistério nas áreas da educação básica com maior carência de professores com formação específica: ciência e matemática de quinta a oitava séries do ensino fundamental e física, química, biologia e matemática para o ensino médio.

Os coordenadores de áreas do conhecimento recebem bolsas mensais de R$ 1,2 mil. Os alunos dos cursos de licenciatura têm direito a bolsa de R$ 350 e os supervisores, que são os professores das disciplinas nas escolas onde os estudantes universitários vão estagiar, recebem bolsa de R$ 600 por mês.

Podem apresentar propostas de projetos de iniciação à docência instituições federais e estaduais de ensino superior, além de institutos federais de educação, ciência e tecnologia com cursos de licenciatura que apresentem avaliação satisfatória no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Os estabelecimentos devem ter firmado convênio ou acordo de cooperação com as redes de educação básica pública dos municípios e dos estados, prevendo a participação dos bolsistas do Pibid em atividades nas escolas públicas.

Palavras-chave: Pibid, bolsa, iniciação à docência, estágio na escola pública

FONTE: http://portal.mec.gov.br

domingo, 5 de junho de 2011

O Problema do Pensamento: NOTA

É grande a tentação de respondermos a pergunta sobre o que é o pensamento com uma definição que o distingue da linguagem e da realidade. Esta tendência está instaurada na tradição filosófica desde muito tempo. E as coisas tem corrido bem com isto. Os setores se mantém distitntos e cabe apenas estabelecer as conexões adequadas e comprováveis. Mas tenho pensado nesta tendência à simplificação da questão do pensamento.

domingo, 8 de maio de 2011

Feliz dia das Mães

Estamos em pleno dia das mães e é um daqueles dias com dimensão comercial que provoca nossa reflexão.

Eu estava pensando que tem feminista que acredita que uma mulher não pode amar. Um exemplo disto aconteceu a menos de dois anos quando completaram-se 100 anos de nascimento de Simone de Beauvoir.

Pois num é que três comentaristas feministas conseguem dar ênfase especial às cartas de amor de Simone e as suas paixões paralelas a Sartre como se significassem uma traição ao ideário feminista construído por ela em sua principal obra O segundo Sexo. Eu fiquei meio aborrecido com isto porque pensei – como em outros diversos casos - joga fora esta gaiola conceitual e vai viver a vida com tudo que tem direito, ora bolas.

Temos que desejar um feliz dia das mães para as mulheres que gostam de ser mães e que aquelas que não conseguem isto sobrevivam a avalanche cultural e moral deste dia.

E, também, temos que desejar um feliz dia das mães para aqueles que tem mães distantes, desaparecidas ou que sofrem. Digo isto porque as coisas não são tão regulares, estáveis e tranquilas na relação mãe e filhos, filhos e mães.

Muitos sofrem com doenças mentais, depressões e com diversas outras situações como velhice, senilidade e ainda muita coisa que os filhos tem uma dificuldade de admitir ou revelar.

Eu penso aqui naqueles filhos que tem as mães atingidas pela solidão, que estão em asilos e semi solidão. Muitos não conseguem nem falar desta relação.

Assim, por realismo e piedade deveríamos pensar mais num dia como hoje.

O modelo mãe feliz de propaganda de margarina precisa ser abandonado pela mãe real de cada um de nós.

Jesus Cristo, segundo todas as representações e narrativas que recebemos deste evento, chamava ela de mulher, e não há nada de grosseiro nisto, és mulher, minha mãe.

Tenha uma boa vida e seja feliz ao máximo e o quanto puder.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PORQUE NÃO RESPONDO MAIS A CERTAS COISAS OU E-MAILS

Sim, não te respondi e li com atenção tudo que você me disse. Fiquei pensando e tomei certas decisões que são novas para mim que sempre fui dado a responder a tudo que recebo por e-mail.

Nâo posso assumir todas as batalhas do mundo e das pessoas.

Tenho que me esforçar para cada vez mais entender as pessoas e suas motivações eternas ou passageiras.

Eu prefiro as eternas.

Sinceramente.

As passageiras são importantes naquele momento, depois, à medida que nos afastamos delas, consideramos inuteis.

Pensei muito no que alguém me escreveu por e-mail estes dias
e resolvi não responder.

Porque assim como você tem o direito de escrever o que quiser
eu tenho direito de escrever ou não o que eu quiser, e tenho o direito de decidir sobre isto também, pensando mais livremente também.

Não devo responder por tudo que encomoda ou chateia as pessoas.

Somente porque sou amigo delas ou pertenço ao partido x ou y, e nem mesmo por ser do governo ou de parte dele, devo responder a tudo que é jogado na minha cara, nos meus pés ou ouvidos.

Tenho envolvimento muito alto com minhas coisas e responsabilidades. E com minha prória vida também. Afinal, como diz a música, quem me levará sou eu.

Estou me esforçando muito para cuidar bem daquilo que me cabe cuidar bem.

Nem sempre consigo, mas sempre tento.

Isso vale como uma resposta e um gesto de carinho aos meus amigos que esperam de mim respostas para todas as aflições e angustias.

Um grande abraço amigo.

domingo, 10 de abril de 2011

A TRAGÉDIA DO REALENGO, ESCOLA ESPECIAL, DESARMAMENTO E DOENÇAS MENTAIS

Esta semana a bruxa esteve solta e atacando gravemente a educação e a sociedade brasileira. Em São Leopoldo mesmo tivemos uma escola fechada por conta de brigas que ameaçavam a paz dos estudantes e educadores desta escola. Falo aqui da Escola Municipal Padre Orestes Stragliotto. Digo a bruxa, porque não quero colocar a culpa em alguém particular, nem adotar o raciocínio simplista de que o problema é da falta de segurança ou falta da proteção da escola e dos cidadãos.

O problema é da sociedade brasileira que precisa tomar atitudes diferentes das que tem tomado em relação a diversos assuntos, entre eles o tema do desarmamento, a relação com a escola dos seus filhos, a forma como tratamos as doenças mentais e a tolerância permissiva, ao meu ver, com discursos religiosos que dividem o mundo entre pecadores e puros, por exemplo, fazendo promessa de salvação.

Para começar li em jornais, vi na televisão, e ouvi no rádio algo sobre três ou quatro eventos tristes nesta semana última semana e assisti e acompanhei, com muito pesar e lamento, os desdobramentos da notícia deste golpe cruel em uma escola especial do Realengo. Este massacre foi terrível. Primeiro, porque as vitimas não tiveram nenhuma alternativa frente à execução premeditada de um psicopata. Segundo, porque acentuou um sentimento que já vaga na sociedade brasileira de que a violência atingiu limites nunca antes vistos. O que gera terror, pânico e muita dor na sociedade.

Me solidarizo com os educadores do Rio de Janeiro e de todo o Brasil que tem sofrido em diversas circunstâncias e peço que sejamos mais fortes do que já temos sido e que a sabedoria nos dê luz para enfrentar estas situações com atenção e muito carinho pelo próximo. E peço que os pais e os alunos tomem uma atitude decisiva também em relação as suas responsabilidades com a escola. A melhor proteção que a escola pode receber é a participação e a atuação de toda a comunidade no seu espaço escolar. A intensificação do relacionamento da comunidade com os trabalhadores em educação pode sim alterar os sinais de violência e aumentar a proteção do espaço escolar e da comunidade.

Nós professores e professoras, educadores e funcionários de escola, entramos todos os dias nas escolas do Brasil e tentamos dar o máximo de nós. Muitas vezes sofremos com insucessos e frustrações e muitas vezes vemos sucessos e belos resultados serem desprezados e tratados como coisa comum.

É preciso dizer que muitos de nós conseguem realizar verdadeiros milagres individuais e coletivos, considerando as dificuldades que enfrentamos e a incompreensão generalizada hoje da responsabilidade dos pais com o ambiente escolar.

Mas também precisamos aprender todos os dias a conviver com a falha e as frustrações. E algumas destas frustrações são as vezes grandes e trágicas como esta. Me coloco no lugar das ex-professoras deste jovem que massacrou os alunos, devem estar arrasadas e se sentindo culpadas e vão passar muito tempo de suas vidas convivendo com a dor, o luto e a culpa. Uma culpa que não é delas, mas que dará muito trabalho para ser extraída do coração e da consciência delas. Será difícil para elas escapar da encruzilhada imposta entre o poder que elas tem de educar e humanizar e os descaminhos que se deram com este jovem que o levaram insanamente a esta tragédia.

Por isto um dia escrevi que vamos levando e aprendendo a desistir de desistir durante toda a nossa carreira. Porque é uma processo de resistência contínua em que mantemos a esperança nos resultados do nosso trabalho e superamos as frustrações e eventualmente os golpes duros que sofremos ao longo da nossa carreira.

Temos quase todos os educadores conhecimento do fato de que muitos desistem ao longo desta jornada e, muitas vezes, bem no começo dela. Já vi casos de desistência no estágio, após a primeira observação de sala de aula, na primeira semana de exercício profissional e alguns desistem, mas ficam. O que é uma pena porque ficam desolados e sofrendo durante esta permanência. Não há como culpar ou condenar alguém por não ter tolerância a certas frustrações, ambientes, situações e acabar por desitir no enfrentamento destas. Aqui tratamos de algo relacionado àquelas habilidades que não são igualmente distribuídas entre os homens tal como inteligência emocional ou resiliência “a capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente as adversidades”.

Mas quero aqui dizer que todos aqueles que não desistem merecem todo o nosso respeito e admiração. E em momentos como estes precisam ser apoiados e reforçados por conta do que as tarefas que se colocam para eles agora, em especial, aos educadores da Escola do Realengo, são superiores aquilo que todos nós estávamos preparados. O luto e a dor são duas delas que nos desafiam mais. E que aqueles que suportam esta dor, ao seu modo, saberão continuar educando e aprendendo a fazer mais humanidade e mais vida no Brasil.

Este terrível evento é tão grave que encobre a vitória da luta pela valorização profissional ontem no Supremo Tribunal Federal em sentença sobre o Piso Salarial Nacional, mesmo vencendo a luta legal pelo piso salarial profissional, mal podemos comemorar esta vitória pois que sobreveio um golpe em toda a educação brasileira.

A coincidência é que eu iniciei a semana com uma reunião sobre educação especial e/ou educação inclusiva. Se você ainda não sabe o que significa isto te direi. É chamada de educação especial aquele regime educacional que trata somente de alunos com necessidades educacionais especiais. E é chamada de educação inclusiva aquela que inclui os alunos portadores de deficiências, necessidades especiais, sejam estas genéticas ou adquiridas, na escola regular. Devemos anotar aqui que alguns alunos e alunas tem necessidades especiais que não são atendidas na escola regular por conta da escala ou nível de prejuízo, motor, cognitivo ou mental de que são portadores.

Tenho discutido muito o tema da deficiência nos últimos sete anos desde que iniciamos a gestão na educação municipal em 2005 e, mesmo antes, no processo de discussão do programa de governo local. Um dos desafios colocados a mesa foi a escola de surdos e outro o tema da acessibilidade aos alunos cadeirantes. Mas estes são os problemas mais visíveis. Ficam menos visíveis todas as outras deficiências mais singulares e menos generalizadas entre os alunos da rede municipal e estadual. Confesso que sempre enfrentamos este tema com dificuldade, e que, aliás, qualquer um que enfrentá-lo terá dificuldades sérias, porquanto, sanando a acessibilidade subsiste também os outros temas que requerem especialização pedagógica para servidores em geral, supervisores, orientadores e educadores nas escolas.

Também me preocupo tanto com a manutenção das escolas especiais para os casos que requerem um cuidado e atenção em escala mais especializada, como quanto ao fato de que precisamos dar maior atenção para alternativas nas escolas regulares. Ou seja, é preciso criar suporte e generalizar certos conhecimentos sobre estas condições especiais ou de deficiência. Você não trata alguém de acordo com a sua singularidade se não reconhecer esta singularidade. Neste sentido, é importante aos educadores terem o conhecimento de laudos e de procedimentos alternativos e métodos alternativos adequados a cada condição. E entre estes métodos alternativos garantir atividades especializadas e adaptadas a estas condições que dêem conta delas.

Por exemplo: viabilizar atividades em contra-turno para os deficientes de inclusão e também envolver mais a família com o processo escolar destes alunos. Devemos incluir aí a perspectiva de contribuir para a inclusão também dos pais em outras etapas e suas etapas próprias de aprendizagem. A inclusão sempre é um tema que se bem respondido, ajuda a escola normal a dar conta de suas tarefas com maior humanização e com ganhos sociais relevantes.

Quanto ao tema das doenças mentais, às psicoses e outras manias, temos que refletir seriamente em que sentido estamos dando atenção adequada a isto. Não creio ser razoável dizer de que porque os serviços são disponíveis, basta aos doentes, parentes ou pacientes procurá-los. Creio que estamos num ambiente de laissez-faire no que toca a doenças mentais e o resultado disto é somente uma parcela inteira da população portadora de alguma forma de sofrimento mental desassistida e sem nenhum acompanhamento especializado. Isto não pode continuar assim.

Quanto a outro tema que sobressai desta tragédia, a questão do desarmamento quero terminar falando do que li e ouvi nos desdobramentos.

Veja-se Eduardo Valdoski no twitter: "A tragédia no Rio deve ser faturada na conta de quem foi contra o desarmamento no plebiscito de 2005"

Reproduzi no meu feice isto por conta da evidência deste tema para a sociedade. Claro, só fala da segurança pública e do papel do estado em supri-la, mas não relacionam isto a suas atitudes e escolhas políticas no tema.

Quando tem a vez de fazer sua parte votaram sim no plebiscito das armas. Seduzidos por uma apelação absurda de que o cidadão deve ter o direito às suas armas porque se o estado não funciona deve se defender com suas próprias mãos e armas. Ora, para concluir isto aqui mesmo: defender-se de si mesmo, é claro.

domingo, 3 de abril de 2011

BERRY NO TEATRO MUNICIPAL DE SÃO LEOPOLDO

O Show foi excelente. De Sábado no Teatro Municipal do Centro Cultural José Pedro Boéssio em São Leopoldo ficará uma marca indelével nas consciências dos que aceitaram os convites, leram o jornal ou ficaram sabendo do show. Noto que o pessoal precisa estar mais ligado e atento, pois São Leopoldo tem tido verdadeiros espetáculos nos últimos tempos. Com a reabertuira do Teatro Municipal em 2008, São Leopoldo tem palco como poucas cidades tem no Rio Grande do Sul.

A Sra. Berry canta como poucas e suas letras e as melodias são muito bem arranjadas. Hoje é em Caxias e espero que o povo de Caxias aproveite, porque é algo maravilhoso poder assistir ao vivo uma cantora como esta.

Nas palavras de Messier Jacques (Diretor da ALiança Francesa de Porto Alegre) ela representa o renascimento da canção francesa. E quem assistiu ao show teve a certeza de que a canção francesa está em boas mãos e terá ainda uma vida longa pela frente.

A voz dela não fica devendo para a voz de nenhuma diva francesa, ou alemã ou brasileira. A impressão que tive é de ter assitido uma cantora realmente de nivel superior. Fiquei pensando o que ela seria capaz de fazer com uma coleção de bossa nova. Também, pensei nas pontes possíveis com Totonho Villeroy, Nei Lisboa (por afinidade melódica ao meu ver) e Vitor Ramil ( em especial as composições do disco Tango), seria um luxo só e traria com certeza um belo resultado.

E o público vibrou ardentemente com as canções dela. A casa estava em 80% de sua lotação. Ao final o Rodrigo do Rally de Comunicação da ONG Trilha Cidadã foi tomar um depoimento dela nos bastidores. O rapaz ficou emocionadísssimo, pensei que ia ter que chamar o SAMU. E ela foi bem atenciosa na tomada do depoimento. Deste depoimento, entre outras coisas, ficou uma impressão dela sobre o Brasi.

Segundo Berry: No Brasil tudo é mais. As pessoas são mais carinhosas. As pessoas dão abraços. Tem mais paixão. Tudo é mais. Daí ela listou também mais paixão, mais violência, mais emoção, mais amor, mais carinho rsss. É uma Sra. impressão esta.

E teve também aquele fã entregando um buquê de rosas para a diva no momento certo de uma certa canção. Foi um momento lindo. Bem, com certeza quem assistiu teve um razoável privilégio mesmo. Espero muito que ela volte e não vejo a hora de comprar um ou dois CDs dela. Ela convence mesmo.

sábado, 2 de abril de 2011

FILOSOFIA, PENSAMENTO, SOCIOLOGIA E NOSSAS MISÉRIAS

Na pergunta guia da aula de ontem: O que é uma idéia?

uma imagem, a forma de algo, uma construção mental, o pensamento? Há um desacordo aqui. Um desacordo que não se expressa como detalhe. A pergunta se transforma no que você está pensando agora?

Cada aluno lê a pergunta a partir de uma perspectiva não elaborada.

Então quer dizer que você nunca parou para pensar nisto?

Mas o que anda acontecendo com a gente afinal?

Renunciamos ao pensamento?

Cada vez que abordo uma questão como esta me dou conta da medida da grandiosidade da pergunta de Heidegger.

Ele chegou até ela se dando conta de que paramos de pensar.

A metafísica ocidental se afastou do pensamento. Se afastou da questão do pensamento. A questão do ser.

Semana passada teve uma reunião na escola. Estávamos discutindo o texto do PPP. O Projeto Político-Pedagógico. E voltou a baila a questão de porque a filosofia da escola não exibe logo a sua aplicação e não tanta teoria, ou abstração ou idéias. Me dei conta de algo semelhante aqui: As pessoas não gostam e não se dedicam ao esforço do pensamento. É muito desgastante, obtuso, retórico e etc.

Mas pô o pensamento é justamente aquilo que deveria propor os princípios, valores e critérios fundamentais da escola. Bem, elas só querem as orientações práticas. Entendemos este impulso como afastamento do pensamento. Mas prá que servem as orientações práticas se você não sabe de onde vai e para onde quer ir?

As pessoas não fazem isto por mal. Não é justo chamá-las de ignorantes ou mediocres. Elas se comportam aqui como a manada, renunciam ao pensamento e quando precisam pensar compram um pensamento pronto para botar naquele lugar em que o pensamento é exigido. Vai lá e copia o PPP pronto de outra escola. É mais fácil e nos afasta de contradições e de nossos problemas fundamentais.

É um hábito que tem origem nos hábitos da nossa elite. E que a nossa elite tenta passar com discurso altissonante para o povo. Afinal para que aprender filosofia ou sociologia? Você não precisa pensar precisa produzir. Você precisa se ocupar com coisas práticas para sobreviver. Vá trabalhar e para de pensar bobagens.

Um exemplo das aulas de sociologia. Passada a introdução a gente dá uma "paradinha" em Augusto Comte. Você se surpreende com o fato de que Comte foi capaz de expressar a necessidade de uma ciência da sociedade e, no entanto, a ciência da sociedade hoje praticamente prescinde de Comte. Nada mal. O pensamento de Comte nos resta como Doutrina: o Positivismo.

Positivismo este inscrito na nossa bandeira "Ordem e Progresso". Valem aqui duas críticas. A primeira da recepção e importação de idéias de fora, como se incapazes de pensar o social com nossos conceitos sociais. E isto foi feito por uma elite ilustrada do beletrismo. Aliás elite esta que representava o pensamento, haja visto que ao povo do século XIX não cabia as tarefas do pensamento.

DE outra banda a crítica ao mérito da idéia de que a ordem é garantia de progresso. Diria um filósofo indigena: Ordem de quem cara pálida? Progresso para quem cara pálida?

Continuo depois....

quarta-feira, 2 de março de 2011

JUH WERCKMEISTER NA GALERIA DO CENTRO CULTURAL JOSÉ PEDRO BOÉSSIO - SÃO LEOPOLDO

Juh Werckmeister é uma artista contemporânea.

Apresenta-nos suas obras que mostram uma transição marcante e bela da costura, da colagem para a pintura.

Os elementos desta transição são linhas, cores, tecidos, volumes, relevos e teias tecidas em obras em que o todo e os detalhes dialogam com os nossos sentidos.

A luz e a sombra abrem um diálogo sutil nesta obra nos mostrando que o olhar e o tato têm, sim, similaridade.

Dá vontade de tocar, mas não toque!

A proposta é fazer, fazer e fazer.

E os feitos e os frutos que hoje conhecemos têm sementes muito férteis, pois transbordam deles uma vontade de totalidade, uma busca pelo domínio tanto dos materiais quanto das cores e a conseqüência mais bela disto não é tanto a obra, mas o efeito desta obra, desta jovem autora sobre nós.

Vamos somente olhar e quem sabe descobrir a ligação entre as nossas palavras, aqui apresentadas, e as coisas.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

SÃO LEOPOLDO ANOS 80: DIGA-DIGA DE ARTES

Provoquei um pouco a mim mesmo e aos amigos do facebook sobre o diga-diga - organizado pelo amigo Ronei Orsini nos anos 80 - e num é que parece que vai dar samba!

Penso que tá colocado para nós da Cultura de São Léo e da roda atual fazer uma reedição disto, reencontrar aqueles que participaram, assistiram e viveram aqueles dias felizes dos anos 80, e, ao mesmo tempo, apresentar aqueles que tão fazendo coisas parecidas ou mais originais que nós dauqela época. .

Tive o prazer de participar como gaiteiro (uma harmônica Hering em Dó maior) e como ator ou coisa parecida (sic). E sei que muita gente boa alavancou e afirmou seu trabalho lá.

Vale lembrar ainda a necessidade de reencontrar toda a troupe do CLIC - Centro Livre de Cultura, que aconteceu quase na mesma época e, penso um pouco, valer a pena chamar aqueles que poderiam ter participado de tudo isto, mas que não participaram, seja por que não estavam por aqui mais naqueles dias, seja porque já eram de certa forma profissionais em seus ramos de artes e atividades.

É uma proposta.

Se vingar, com este formato o mais amplo possível e aberto, será muito legal.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DISCURSO DE PARANINFO DA TURMA 3N1 - 2011 OLINDO FLORES


Boa Noite a todos os presentes devo fazer as saudações antes de me dirigir especialmente aos meus afilhados e afilhadas:

Vou tentar fazer este discurso abandonando o escrito e tentando falar mais a partir do meu coração. Porque preciso dizer certas coisas aqui. porque me sinto provocado a isto.

Trabalho nesta escola a doze anos e confesso estar emocionado hoje. Vou fazer as saudações.

Saudação ao Diretor, Professor Jorge Lothar Von Muhlen que completa o primeiro ano de sua gestão no Olindo – meus parabéns meu colega e companheiro de caminhada.

Saudação ao Vice Diretor do Noturno, Professor Mauro Luis Barbosa Marques que acompanha de perto o nosso trabalho no Olindo meu colega e companheiro de caminhada.

Saudação aos meus colegas professores e professoras presentes.

Saudação aos meus colegas funcionários e funcionárias de escola presentes.

Saudação a minha consorte e colega Regina Porto Werckmeister

Saudação especial aos pais, mães, tios e tias, avôs e avós, irmãos e irmãs dos alunos – podem se orgulhar deles.

Saudação aos meus ex-alunos e alunas que por um acaso estão aqui prestigiando esta cerimônia e me dando o prazer de revê-los.

Saudação aos meus amigos e amigas e a todos os presentes que a partir de hoje privam com nós de alguns momentos da nossa vida.

Saudação a todos os formandos e formandas das turmas da manhã e da 3N2 da noite.

Saudação também aos demais homenageados Maria Helena e Márcia Mittmann
e às Paraninfas Alessandra, Carolina.

Saudação Especial aos afilhados da turma 3N1.

Meninos e meninas

Esta será meu discurso dirigido a vocês.

Ser Paraninfo de vocês é para mim uma grande e muito boa surpresa.

Grande porque repetem comigo o gesto dos alunos do ano passado que também me conferiram este reconhecimento.

E surpresa porque não tive nestes episódios do ano letivo de 2010 – papel algum na organização da formatura ou conselheiro das turmas. Não tive nenhum envolvimento que possa ser comparado com o do ano anterior na organização e construção desta cerimônia.

Digo isto porque reconheço a importância da distinção e procuro as razões para merecê-la.

Digo isto porque sou daqueles que reconhece plenamente e sem nenhuma duvida a importância desta cerimônia de formatura. Vocês estão dando um passo muito importante na vida de vocês. E é por isto que me interrogo das razões concedidas por vocês.

Penso também que qualquer formatura, qualquer diploma é muito importante mesmo, porque coroa uma caminhada de aprendizagem, uma aposta na educação e no futuro. Sugiro que façam mais cursos, que estudem mais ainda e que continuem aprendendo para construir um futuro melhor com mais significado.

Em suma, dou muita importância mesmo para isso aqui e gostaria que todos dessem também, porque sei que muitos pais nossos, avôs nossos e colegas nossos não chegaram até aqui. Sei também que perdemos pessoas pelo caminho e alguns inclusive chegaram atrasados aqui, mas vieram, chegaram até aqui e devem ser reconhecidos.

Confesso que fiquei me interrogando sobre os motivos que os levaram a me conferir este reconhecimento.

Eu serei o último professor da humanidade a tirar meus próprios méritos ou de meus alunos. E procuro sempre o que há de melhor em cada um de vocês.

E por isto passei alguns dias me perguntando por que fui distinguido entre tantos colegas que participaram da formação de vocês aqui na escola.

Colegas que sei que tiveram tanto ou maior empenho e envolvimento com vocês.

Pois fui informado que a indicação veio sublinhada pela compreensão de que havia demonstrado grande preocupação com vocês durante o ano letivo, e durante os anos que foram, alguns mais tempo que três anos, meus alunos e alunas.

E, também, que esta forte impressão foi transmitida pela forma veemente com que ralhei com vocês em diversos episódios, circunstâncias e acontecimentos escolares.

Eu sempre digo que antes da multiplicação dos pães vem o sermão da montanha. E foi assim com vocês também. Sendo hoje o dia do milagre da multiplicação dos pães.

Assim, deste modo visto, ser o padrinho destes formandos - senhores pais e mães - é para mim motivo de muita felicidade porque traz no seu bojo um milagre, o milagre da transformação de alguma coisa em outra cousa.
Porque é raro ser reconhecido com este prêmio pela dureza nas cobranças, pela exigência incondicional e pela crítica dura.

E digo que neste ano superei de fato os patamares anteriores de relação intensa com estes alunos.

Coloquei em cheque-mate várias vezes esta turma e em especial alguns alunos e alunas dela.

Ao ponto de chegar em casa à noite, após a aula, e pensar: NOSSA! PEGUEI PESADO HOJE!

Portanto, a escolha deste paraninfo vem, ao meu ver, trazendo uma importante transformação, calibrada por um crescimento e amadurecimento deles que deve ser destacado.

Assim como pela primeira vez na história o Brasil se elege uma presidente que será uma governante caracterizada por grandes exigências no âmbito da forma de trabalho, aqui estes alunos elegeram um professor de grandes exigências também.

Pois quebro intencionalmente e conscientemente o paradigma tradicional que vê no educador a necessidade de ser suave e delicado com seus alunos e alunas.

Bem, cada um de vocês já deve ter apreendido - ao seu tempo - que não é exatamente assim que deve ser. Porque cada aluno tem necessidades próprias e uma conduta própria que deve ser enfrentada e trabalhada de forma correspondente e conseqüente em meio a aprendizagem e como condição para a aprendizagem.

Não porque ser suave, afetuoso e delicado com os alunos não seja mais prazeroso. E eu sei muito bem o quanto o é.

Mas porque isso não resolve certas situações, não corrige certas condutas e muitas vezes pode simplesmente agravar um traço de caráter que deve mudar pelo bem da educação, da humanidade e da sociedade.

Não tomem isto como uma apologia da agressividade não. Ao contrário, estou fazendo pregação aqui de que devemos usar um remédio adequado a cada perturbação ou a cada moléstia que se apresentar a nossa frente.

Mas isto só é possível se conhecemos os alunos e se somos sinceros, francos e honestos com eles. Com muita coragem, um dia tomei a decisão de não tratar nenhum dos meus alunos aqui no noturno como crianças.

A coragem só faz sentido se for guiada por um raciocínio prudencial e balanceado da situação e dos atores.

Bem, só é possível julgar a qualidade de algumas medidas e atitudes pelos seus efeitos ou produtos.

E, no presente caso, considero que os efeitos e produtos são os desejados.

Ainda que alguns alunos da 3N1 ( e outros da 3N2) não tenham chegado ao dia de hoje habilitados a receber os seus certificados, a grande maioria das turmas e, inclusive, alguns com muito esforço e compreensão dos educadores chegaram aqui hoje para receber seus méritos.

Cumpriram e passaram pelas obrigações e tramas que a caminhada da vida lhes impôs.

Sou professor por opção pessoal.

Encontro nesta profissão uma grande missão e um sentido para a minha vida. Na realização plena dos meus dois maiores ideais o de ser justo e o de lutar sempre e enfrentar sempre qualquer situação de indignidade, com coragem e muita alegria.

Meus queridos alunos estou aqui como uma pessoa, um sujeito, como um ser humano que pode estar concluindo hoje mesmo a sua passagem neste grande vale de lágrimas que é o mundo.

Sinto muito orgulho de ser aqui o paraninfo de vocês não tanto por ser o professor que sou, mas por ser a pessoa que sou e por vocês serem as pessoas que são e que eu tive o prazer de conhecer com muito gosto.

Sei que existem educadores mais preparados aqui mesmo nesta mesa, neste salão. Sei também que eles terão ainda muitos outros professores e educadores. E tenho esperança que eles tenham muitos outros professores.

E espero que eles usem as lembranças que gravamos aqui nos seus corações e mentes para prosseguir nos estudos e, inclusive, aumentar o gosto pelos estudos.
Peço aos meus alunos que façam sempre a coisa certa. Que critiquem o que deve ser criticado, que corrijam o que deve ser corrigido. Que sejam honestos e críticos consigo mesmo pois a nossa dignidade deve ser sempre preservada.

Tenho que fazer alguns lembranças finais também – porque é sempre bom lembrar que poderia ter sido muito diferente:

Lembrar que, em nome de todos os meus colegas e do nosso sindicato CPERS, ou seja, não esquecerei o apoio da gigantesca maioria absoluta destes alunos para a luta dos professores, neste ano, no ano passado e nos anos anteriores.

Para concluir quero respeitosamente e humildemente apor aqui um enigma a todos vocês – a todos os presentes.

Que semelhanças haveremos de encontrar hoje e no futuro entre estes alunos e o seu professor?

Espero que todos eles sejam muito melhores do que eu fui capaz de ser.

Passo a eles agora o meu bastão definitivo: cresçam mais, sejam mais justos, sejam mais corajosos e sejam felizes.

Façam desta cidade, deste estado, deste país e deste mundo um lugar melhor para se viver.

Felicitações, levem nos seus corações a minha eterna companhia e que minha fé na humanidade os proteja por toda a vida de vocês

Tenham certeza, eu me lembrarei de todos vocês pela eternidade.

Hasta La vista.

Muito Obrigado e Parabéns a todos.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

DISCURSO DE POSSE DA SRA. MARIA DO ROSÁRIO NA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - BRASÍLIA - 03/01/2011

Excelentíssimo Sr. Ministro Paulo Vannuchi e demais autoridades nominadas pelo protocolo.

Esse início de 2011 ficará registrado na memória do povo brasileiro pela singular transição entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff.

O Brasil, que escolheu um projeto de desenvolvimento nacional e fortalecimento da democracia com Lula, decidiu continuar as mudanças que ele implementou e avançar ainda mais, agora com a primeira mulher no mais alto posto da República.

Não há duvida de que o povo brasileiro reconheceu na atuação do presidente nascido e criado em sua própria classe a dedicação para transformar o Brasil num país com inclusão. E os indicadores desse Brasil que inclui se fazem sentir em todas as áreas.

Assegurar os Direitos Humanos no Brasil é um desafio imenso que a presidenta Dilma delineou com precisão em seu pronunciamento de posse no Congresso Nacional, ao afirmar “NÃO VOU DESCANSAR ENQUANTO HOUVER BRASILEIROS SEM ALIMENTOS NA MESA, ENQUANTO HOUVER FAMILIAS NO DESALENTO DAS RUAS, ENQUANTO HOUVER CRIANÇAS POBRES ABANDONADAS A PROPRIA SORTE. ”

Esse é o espírito da Presidenta Dilma e este também é o nosso espírito ao servirmos ao seu governo e ao povo brasileiro à frente da Secretaria de Direitos Humanos. Atuaremos de forma integrada às demais áreas de governo, investiremos na transversalidade das ações, objetivando potencializar iniciativas que façam avançar as bases já lançadas de um Sistema Nacional de Direitos Humanos, cumprindo as metas estabelecidas no Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH III.

E assim como a nossa presidenta, não descansaremos, pois ainda que muito tenhamos avançado no Brasil nos anos atuais, assegurando direitos e enfrentando vulnerabilidade de amplos contingentes populacionais, o país ainda está marcado pelas disparidades regionais, pela violência e pela exploração.

Nesse sentido, e motivada pelo pronunciamento da nossa presidenta, afirmo a vocês, não descansaremos diante das situações de violências contra as crianças e adolescentes brasileiros, diante da exploração sexual de meninas e meninos, da transformação de seus corpos em produto e da
destruição de suas vidas pela lógica do mercado.

Não descansaremos enquanto as crianças estiverem nas ruas, mas também não descansaremos enquanto estiverem a espera de uma família que não chega, dentro de um programa de acolhimento institucional, tendo negado seu direito a convivência familiar e comunitária. Diante da exploração vil do trabalho escravo e degradante no campo e na cidade, de brasileiros e de imigrantes; das
crianças e adolescentes mutilados no campo pelo trabalho nas lavouras ou jogados no trabalho infantil doméstico.

Não descansaremos enquanto não produzirmos mudanças capazes de assegurar um Brasil acessível para todos, o que significa reconhecer e realizar os direitos de 24 milhões de brasileiros e brasileiras com deficiência. Implementar políticas visando a inclusão social, a acessibilidade e o combate à discriminação às pessoas com deficiência, incentivando a implementação da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, de forma a assegurar acesso a serviços e garantia de direitos, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, tanto na zona urbana como na rural.

A Convenção das Nações Unidas sobre Direitos das Pessoas com Deficiência foi incorporada à legislação brasileira em 2008. É uma referência essencial para o Brasil que queremos e já começamos a construir: um Brasil com acessibilidade, no sentido mais amplo desse conceito, portanto livre do preconceito e das discriminações.

Consolidar as ações de reparação e desenvolver ações de promoção para assegurar os direitos das pessoas atingidas pela hanseníase, estabelecendo caminhos para o reconhecimento da responsabilidade do estado também diante de seus descendentes diretos.

Não descansaremos diante do preconceito, da discriminação e violação de direitos fundamentais vivenciados pelos idosos e idosas. Devemos ter em conta, que está em curso um processo de significativa alteração do perfil demográfico do país. O aumento da expectativa de vida dos brasileiros
trouxe o desafio de desenvolvermos políticas públicas capazes de oferecer qualidade de vida para o
envelhecimento saudável. Segundo dados do IBGE, entre 97 e 2007 a população idosa aumentou 47,8% em relação à população geral cujo índice de aumento foi de 21,6%.
Conceber as responsabilidades de desenvolvermos políticas públicas para esse período da vida é prepararmos o Brasil para o desenvolvimento.

Não descansaremos diante da intolerância, base para os crimes de ódio praticados contra os homossexuais. É uma responsabilidade nossa integrarmos ações para a promoção dos direitos da população LGBT com a garantia da igualdade dos direitos civis de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e
transexuais em relação a toda a sociedade. Diante da situação dos apenados, das condições
degradantes nas prisões, da situação das pessoas com sofrimento psíquico, não poderemos descansar enquanto a tortura permanecer como pratica institucionalizada em instituições fechadas ou em qualquer lugar do Brasil.

Diante da discriminação sofrida por alguém, ferindo sua liberdade de credo e culto, ou sua liberdade de definir-se sem credos, sem cultos. A política de Direitos Humanos deve ser articulada considerando o pacto federativo e a relação entre os três Poderes, conferindo a ela centralidade enquanto elemento
organizativo e estruturante da agenda política nacional.

Nosso país consolida-se como nação democrática no qual política de Direitos Humanos é política de Estado construída em interlocução direta com a sociedade, visando fortalecer os princípios de universalidade, indivisibilidade e interdependência dos Direitos Humanos.

Na base conceitual das iniciativas políticas realizadas no período de governo do presidente Lula, uma mudança significativa foi processada, ao produzir-se um projeto de desenvolvimento nacional onde não mais as questões da economia foram autonomizadas, diante das necessidades e dos direitos sociais dos brasileiros e brasileiras: com Lula, o crescimento em índices relevantes do PIB não apenas
assegurou a inclusão de milhões de pessoas, mas foi conquistado pela inclusão desse contingente populacional a direitos econômicos e sociais básicos.

Estão lançadas as bases para que os Direitos Humanos no país sejam amplamente considerados como Direitos Civis, Políticos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais. Está consolidada também a compreensão da importância da participação da sociedade civil na construção da política de Direitos Humanos por meio de conferências, conselhos permanentes e formas variadas. A transparência do Estado e o acompanhamento da sociedade sobre ele possibilitam a superação de contradições históricas entre o Estado e a sociedade e inauguram uma nova era, onde afirma-se o compromisso deste com os Direitos Humanos e o enfrentamento de qualquer violação movida a partir de suas
estruturas, ou com a participação de seus integrantes.

Enfim, a orientação para o delineamento de políticas públicas de Direitos Humanos deve ser organizada na perspectiva da valorização da pessoa como sujeito central do processo de desenvolvimento econômico e social, respeitada a sua dignidade, sem quaisquer distinções de raça, etnia, gênero,
classe social, origem, região, cultura, religião, orientação sexual, identidade de gênero, geração e deficiência.

Ao receber da presidenta Dilma Rousseff essa honrosa e importante responsabilidade, quero afirmar que, tenho presente o conceito expresso entre as primeiras palavras da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948: “O RECONHECIMENTO DA DIGNIDADE INERENTE A TODOS OS MEMBROS DA FAMILIA HUMANA E DOS SEUS DIREITOS IGUAIS E INALIENÁVEIS CONSTITUI O
FUNDAMENTO DA LIBERDADE, DA JUSTIÇA E DA PAZ.”

Afirmar no Brasil o sentido de que somos milhões de brasileiras e brasileiros pertencentes a uma mesma família humana, e estarmos solidariamente irmanados também a todos os povos e a cada ser humano ao redor do mundo, é o pressuposto para o trabalho de afirmação dos Direitos Humanos como uma cultura.

Nessa cultura, o reconhecimento da diversidade humana como um bem a ser assegurado e o compromisso de enfrentamento por todos os brasileiros e brasileiras em todos os lugares do país das violações de direitos humanos são essenciais.

Nesse plano as políticas de educação em Direitos Humanos são essenciais, e a iniciativa do Ministro Paulo Vannuchi de propor ao Conselho Nacional de Educação a elaboração de Diretrizes Curriculares nesse campo é meritória e constitui-se como referência prioritária para o nosso trabalho. Ainda mais
no atual período, diante da elaboração do novo Plano Nacional de Educação.

Carl Jung, discípulo de Freud, disse uma vez que a morte de cada homem o diminuía, pois ele estava englobado na humanidade. E, da mesma forma que uma pessoa passando fome em Luanda, Nova Déli, Nova Iorque ou Roma nos atinge, uma brasileira ou brasileiro que sofre também atinge a humanidade. O desrespeito aos Direitos Humanos de um indivíduo ou grupo social é igualmente inadmissível, não importa de onde sejam o perpetrador ou a vítima, ou onde ocorra a violação. Eles não estão sujeitos a negociação, pois são indissociáveis da própria humanidade.

Essa missão não diz respeito somente a esta Secretaria, mas ao Estado brasileiro como um todo. Porém, no que diz respeito a ela, não poderia deixar de reconhecer e cumprimentar os meus antecessores José Gregori, Gilberto Sabóia, Paulo Sérgio Pinheiro, Nilmário Miranda, Mário Mamede e agora, no último período, o meu amigo e brilhante ministro Paulo Vannuchi, pelo excelente trabalho realizado.

Enfrentar com ações reais e forte articulação com a sociedade os preconceitos e discriminações de toda ordem, onde quer que sejam produzidos e se apresentem, é missão dessa Secretaria. Paulo, você e sua equipe cumpriram com honradez, clareza de propósitos, dedicação e profundo amor pelo Brasil e pelo nosso povo a tarefa de estruturar a Secretaria de Direitos Humanos, assegurando a ela a estatura de um Ministério. Ainda assim, está claro para nós que seguiremos contando contigo como incansável defensor dos Direitos Humanos.

Recebo das mãos do ministro Paulo Vannuchi a condução de um trabalho exemplar e de extrema relevância. Quero reconhecer a importância dessa atuação na consolidação de direitos que são fundamentais e dizer que é meu firme propósito consolidar cada política, cada programa em curso,
para a partir dessas iniciativas, cumprir o que é minha responsabilidade, produzir também avanços.
É relevante destacar a diretriz para nossa política externa apresentada pela senhora presidenta também em seu pronunciamento à nação no dia 1º de janeiro, ao reafirmar como valores clássicos da diplomacia brasileira a promoção da paz, a defesa dos direitos humanos e o fortalecimento do multilateralismo.

Não há duvida de que o nosso país ocupa lugar relevante diante da comunidade internacional precisamente pela coerência dos valores que professa. Hoje, é impensável imaginar um debate sobre qualquer questão mundial sem que o Brasil esteja sentado à mesa, na qualidade de um interlocutor privilegiado, cujas opiniões influenciam as decisões a serem tomadas.

Nesse sentido, o Brasil deve exercer protagonismo no fomento à constituição de novos espaços para debate e promoção dos direitos, com especial atenção ao nosso continente, fortalecer a articulação permanente entre os países participantes da Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Países Associados; apoiando a criação do Conselho de Direitos Humanos da Unasur.

As tarefas colocadas para o Brasil no cenário internacional de Direitos Humanos, o reconhecimento e a importância alcançada pelo nosso país, entretanto, trazem consigo responsabilidades de igual tamanho. Lembro aqui que os compromissos assumidos e os tratados firmados em termos de Direitos Humanos foram feitos pelo Estado Brasileiro, e é por ele – entre todos os poderes e entes federativos – que devem ser efetivados.

Nesse sentido também nos pronunciamos acerca da recente definição da Corte Interamericana de Direitos Humanos, quando a definição que o Estado brasileiro tem uma dívida histórica, no que diz respeito aos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia.

Com total tranquilidade e unidade de pensamento e ação no Poder Executivo estaremos desenvolvendo ações que respondam às indicações desse organismo que integramos. Por outro lado, caberá também, é claro, aos demais poderes da Republica, no exercício de suas funções constitucionais e
preservada a independência e harmonia que nos caracteriza, analisarem as questões apresentadas pela Corte Interamericana.

O que nos deve fazer refletir quanto ao tema do Direito à Verdade e à Memória, passados quase 50 anos do inicio do período de excessão no Brasil, é que é chegada a hora de agirmos com objetividade.
O sentimento democrático que perpassa toda a sociedade brasileira e cada uma de nossas instituições, todas agindo com objetivos em comum, todas atuando para o fortalecimento do estado democrático de direito, define por si a possibilidade clara de um encontro entre gerações.

Por isso mesmo devemos dar seguimento ao processo de reconhecimento da responsabilidade do Estado por graves violações de Direitos Humanos, com vistas à sua nãorepetição, com ênfase no período 1964-1985, de forma a caracterizar uma consistente virada de página sobre esse momento da história do país.

Devemos isso às familiares daqueles que foram mortos ou estão desaparecidos, devemos aos que viveram aquele período e empenharam suas vidas generosamente porque acreditavam na liberdade e na democracia. Eles nos trouxeram até aqui.

Devemos ao Brasil e podemos constituir uma experiência própria e pactuada. E é necessário que essa agenda seja cumprida porque dessa forma nos irmanaremos plenamente para o que o Brasil dos nossos dias exige de nós. Nesse sentido, faço um apelo à Câmara dos Deputados, poder de onde venho, e ao Senado Federal, com os quais quero manter uma relação de muita proximidade e respeito.
Que façamos um bom e democrático debate e possamos aprovar o Projeto de Lei que cria a Comissão da Verdade.

Faço questão de reforçar que não queremos aqui fazer um embate entre parlamentares contra ou a favor da medida, mas resgatar a nossa história e contá-la de forma completa. Somente conhecendo os fatos e reconhecendo os erros que conseguiremos escrever novas e melhores páginas da nossa
história.

A hora é de avançar, de fazer ainda mais e melhor. A presidenta Dilma assumiu como compromisso prioritário da sua gestão a luta para que nosso país supere a miséria. Essa é uma meta que só será alcançada a partir de uma ampla mobilização nacional.

Também quero aqui assumir como causas de trabalho o enfrentamento a dois problemas sociais muito presentes em nosso país: a dependência química e a situação das pessoas que vivem nas ruas. É dever da Secretaria de Direitos Humanos, em conjunto com os demais entes federados, trabalhar para a superação dessas mazelas. E tratam-se de assuntos intimamente relacionados, pois a epidemia de crack vivida nas nossas cidades, ao lado do alcoolismo, é uma das grandes responsáveis pelo elevado número de pessoas que vivem marginalizados nas calçadas, nos sinais, debaixo de pontes ou viadutos. Quero dialogar com meus colegas ministros e com a sociedade para assumirmos uma ação
conjunta e eficiente de valorização da vida e enfrentamento dessa situação, bem como o direito ao trabalho decente, combatendo o trabalho infantil e o trabalho escravo – males que atingem significativamente as populações migrantes, as quais constituem outra preocupação da nossa Secretaria. Da mesma forma, na garantia dos direitos dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e das pessoas com sofrimento psíquico.

Não posso deixar de mencionar que o respeito aos Direitos Humanos passa necessariamente pela esfera da segurança pública – a qual também constitui um direito fundamental. Integra o rol de ações dessa Secretaria a educação em Direitos Humanos, que contempla a formação e o treinamento adequado das forças de segurança, cuja missão central é proteger a população e preservar seus direitos, independente da sua condição social. Precisamos também planejar e atuar para superar a calamidade prisional no Brasil. São inaceitáveis as condições subumanas que vivem
milhões de brasileiros e brasileiras privados de liberdade e alojados em condições insalubres de convivência. Como está, nosso sistema prisional não recupera apenados. É fundamental que se execute ações no sentido de resgatar a cidadania e dignidade, garantindo, em todos os presídios e
casas prisionais a educação formal. Quero, ainda, propor uma atuação a partir de um diálogo com o Ministério da Justiça, Ministério Público, com os governos estaduais e com as famílias dos apenados. Ser preso não pode significar o fim da vida de uma pessoa.

Mas não faremos nada sozinhos. Tenho a plena consciência que o trabalho só funciona efetivamente quando somamos esforços. Quero manter um diálogo permanente e uma parceria com os ministérios, em especial com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Secretaria de Promoção de Políticas para a Igualdade Racial e a Secretaria Nacional de Juventude, para que atuemos de forma integrada no
enfrentamento de todo o tipo de violação de direitos.

E quero, de forma muito especial, ressaltar a maior e mais importante parceria que é com a sociedade brasileira. A Secretaria de Direitos Humanos está de portas abertas para dialogar com os movimentos sociais, com as entidades e com todos os cidadãos e cidadãs brasileiras que queiram somar esforços nessa corrente de direitos. Os novos e antigos sujeitos sociais, ligados aos mais diversos temas, prestam inestimável trabalho ao avanço destes direitos. As conferências nacionais, estaduais e municipais relativas às mais variadas temáticas de direitos humanos, cada vez mais apontam os rumos das políticas públicas deste país. O controle social exercido é vital para o aprimoramento da democracia.

Desta forma, parabenizar a esses aguerridos guerreiras e guerreiros que, incansáveis em suas lutas, têm auxiliado sobremaneira a difusão, a garantia e a proteção dos Direitos Humanos, aqui e no resto do mundo é tarefa que se impõe.

Por fim, importa lembrar que muitos homens e mulheres, no decorrer da história, individual e coletivamente, lutaram e deram suas vidas para que os Direitos Humanos entrassem
para o papel, para que estes fossem juridicamente consagrados. A tarefa da nossa geração é fazer com que estes direitos constantes no sistema internacional dos Direitos Humanos e na Constituição Federal, saiam do papel para transformar a realidade de milhões de brasileiros e
brasileiras.

Como disse Norberto Bobbio, (...) “Poder-se-iam multiplicar os exemplos de contraste entre as declarações solenes e sua consecução, entre a grandiosidade das promessas e a
miséria das realizações. Já que interpretei a amplitude que assumiu atualmente os debates sobre os direitos do homem como um sinal do progresso moral da humanidade, não será inoportuno repetir que esse crescimento moral não se mensura pelas palavras, mas pelos fatos.”

Faço um agradecimento especial aos órgãos colegiados dessa Secretaria, instrumentos democráticos e parceiros fundamental de trabalho: o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – CDDPH; o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA; o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa portadora de Deficiência – CONADE, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso – CNDI; o Conselho Nacional de Combate à Discriminação – CNCD; a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos – CEMDP; e a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo – CONATRAE.

Também agradeço à presidenta Dilma Rousseff e ao vicepresidente Michel Temer pela confiança em mim depositada; agradeço ao ministro Vannuchi e sua equipe pelo brilhante trabalho realizado; agradeço aos movimentos sociais e aos militantes de Direitos Humanos; agradeço ao meu partido, o
Partido dos Trabalhadores; agradeço à minha família, aos colegas parlamentares, ministros ao povo gaúcho, que me trouxe até aqui e ao povo brasileiro pela confiança em mim depositada. Contem com o meu trabalho em defesa dos Direitos Humanos de cada um dos 190 milhões de brasileiras e brasileiros.

Muito obrigada.

Brasília, 03 de janeiro de 2011

NOTA: Copiei o texto do ótimo site do Centro de Documentação da Fundação Maurício Grabois: grabois.org.br

Estou publicando aqui porque considero a posse de maior repercussão do dia 3 e porque creio que os temas e desafios da Secretaria estão sendo tratados de forma adequada e exemplar pela nossa companheira Maria do Rosário. O tema da comissão da verdade merece uma discussão de maior folego aqui e tratarei de fazê-lo aqui.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

DISCURSO DE POSSE DA PRESIDENTE DILMA - 01/01/2011 - NO CONGRESO NACIONAL

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.

Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.

Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.

Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia.

E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.

Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidenta; e para que – no dia de hoje – todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.

Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos!

Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu.

Venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos.

De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do seu País.

A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós.

Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história.

Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.

Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nestes oito anos: nosso querido Vice José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este homem!! E que parceria fizeram o PR Lula e o vice-Pr José Alencar, pelo Brasil e pelo nosso povo!!

Eu e Michel Temer nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.

Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.

Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do FMI, ao mesmo tempo em que superamos nossa dívida externa.

Reduzimos, sobretudo, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.

Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar novas soluções.

Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de patamar.

Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo – um país de classe média sólida e empreendedora.

Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade institucional.

Queridos brasileiros e queridas brasileiras,

Para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui.

Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores.

Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma política com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.

Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo de nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.

É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.

Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.

O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.

Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia no norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do centro-oeste, a força industrial do sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do sul.

É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.

No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo, decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população.

É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovada, efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, vontade expressa das famílias brasileiras.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.

Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas, ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.

Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!

Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem.

A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações.

É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional.

Isso significa – reitero – manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.

Continuaremos fortalecendo nossas reservas para garantir o equilíbrio das contas externas. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos.

Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.

Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público.

O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública.

Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.

Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.

Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios.

O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.

Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas.

Este princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso deste meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.

Nas últimas duas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio.

Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré escolas.

No ensino médio, além do aumento do investimento publico vamos estender a vitoriosa experiência do PROUNI para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.

Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens.

Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo.

Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro.

Quero ser a presidenta que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo.

O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.

Vou usar a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário.

Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS.

A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

A ação integrada de todos os níveis de governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.

Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com Estados e Municípios.

O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo – quando necessário – a participação decisiva das Forças Armadas.

O êxito desta experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento de jovens.

Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.

Reitero meu compromisso de agir no combate as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as famílias.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

O Pré-Sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.

A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.

O grande agente desta política é a Petrobrás, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética.

O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no Pré Sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

Meus queridos brasileiros e brasileiras,

Muita coisa melhorou em nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil.

Recorro a um poeta da minha terra: ”o que tem de ser, tem muita força”.

Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente da cultura e do estilo brasileiros – o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância.

Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e a matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.

O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.

Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e a inovação como instrumento da produtividade.

Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.

Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.

Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.

Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade, devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia-a-dia da nação.

Queridos brasileiros e queridas brasileiras,

Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio-ambiente.

Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada.

O etanol e as fontes de energia hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e das florestas.

Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais.

Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.

Meus queridos brasileiros e brasileiras,

Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.

O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo.

Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Européia.

Vamos dar grande atenção aos países emergentes.

O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao de nosso continente.

Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à UNASUL. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.

Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.

Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Disse, no início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo.

Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um:

Dos movimentos sociais,
dos que labutam no campo,
dos profissionais liberais,
dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores,
dos intelectuais,
dos servidores públicos,
dos empresários,
das mulheres,
dos negros, dos índios e dos jovens,
de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.

Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, na seca nordestina, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.

Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas; no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.

Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país.

Respeitada a autonomia dos poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.

Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião.

Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intansigente dos direitos humanos, no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.

O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.

Eu e meu vice Michel Temer fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais.

Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e as parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.

Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.

Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.

Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:

”O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”

É com esta coragem que vou governar o Brasil.

Mas mulher não é só coragem. É carinho também.

Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa.

É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele – só a ele – dedicar os próximos anos da minha vida.

Que Deus abençoe o Brasil!

Que Deus abençoe a todos nós!