quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

ENCONTRO DE PERSONALIDADES: COMENTÁRIO A IDEIA DE JUNG

“O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas são transformadas.”

Carl Jung


Absolutamente perfeito! Se entendemos em sentido bem geral é simples, mas especificamente - em situações especiais e extraordinárias, tem duas ou três coisas adicionais aqui. Ainda que todos os encontros gerem reações, alguns geram reações maiores e transformações maiores. Como os elementos químicos, algumas combinações são poderosas e tem grande potencial, já outras nem tanto. O conceito de personalidade de Jung é também muito poderoso, no sentido de que duas personalidades são duas pessoas de grande caráter, capacidade e que tem seu self ou sua personalidade total com dinâmica articulada e que consegue produzir ações, relações e ideias em relação ao mundo, às pessoas e aos sistemas de pensamento com alta. O tipo de reação gerada vai envolver então todas as dimensões das personalidades em jogo, tanto a consciência, o inconsciente individual, o inconsciente coletivo, quanto a sombra que contém o desafio moral do indivíduo para o seu desenvolvimento. Neste sentido a personalidade total que ultrapassa nossa matriz analítica de pensamento é parte fundamental desta química. Para alguns isso é uma mística. Eu gosto de dizer que neste caso temos algo que vai para além do verdadeiro e do falso, mas que assume um caráter quase mágico, mas cuja dependência fundamental da intencionalidade do individuo - ou dos indivíduos em jogo - produz o efeito transformador que sempre é visível para aqueles que estão numa perspectiva de observadores. Aqui eu anoto que talvez uma das mais maravilhosas conseqüências é que as pessoas ou personalidades sob este efeito transformador param de fazer mágica somente para si mesmas e é exatamente isto que nos fascina em algumas pessoas - cujo duplo ou par pode ser revelado ou escondido - mas que como que desabrocham. Eu não recusaria a hipótese de que muitas acmes filosóficas foram resultados destes tipos de encontros. Em Sócrates me parece muito evidente - mesmo com a distância de séculos e com toda a poeira do tempo de hoje até o século V a.C. - que Xantipa teve o papel transformador. Mas temos muito mais exemplos. Eu disse uma vez para uma pessoa que eu imaginava que ela tinha uma chave especial para abrir algo que era muito meu e que seu poder transformador me atordoava ao ponto de me sentir dependente dela naquela passagem que vivíamos. Mas é o caso com muitas pessoas e grupos isto também ocorre quando elas deixam as relações e a criatividade, as possibilidades e energias fluírem e quando os propósitos comuns são positivos os resultados são transformadores também. Times, bandas, conjuntos, grupos, entidades, organizações, partidos e famílias dependem disto e de dar condições para isto. Eu já tinha escrito sobre esta química específica e quando li tua postagem e citação me impressionei que Jung também havia expresso algo parecido. Isso é mais do que perfeito, porque esta combinação também gera resultados superiores, belos, bons e ótimos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário