sábado, 13 de agosto de 2016

PENSANDO NOS IRMÃOZINHOS NA CAVERNA

Ontem eu dei uma aula sobre Platão para o primeiro ano da manhã. É a mesma aula que eu sempre dou quando passo a abordar o tema das diferenças entre aparências e essências e também sobre a diversidade de nossas crenças. Tratando do famoso mito da caverna (livro 7 da República), que é talvez a alegoria mais importante da história da filosofia. Tão importante que eu creio que por ofício nenhum professor de filosofia pode negligenciar ou sonegar aos seus alunos e alunas uma aula sobre isto. Para mim e outros ela tem grande serventia, seja como base de introdução ao pensamento crítico, seja como base para esclarecer as posições céticas em relação à possibilidade de sabermos algo sobre a realidade ou termos crenças seguras sobre ela. Minha exposição sobre o mito da caverna tem diversas etapas, mas não vou expor aqui isto agora. Ao tratar dos motivos que levaram às pessoas que saem da caverna à voltar a ela para tentar libertar os demais dos grilhões da percepção, da ignorância, dos costumes ou dos hábitos ou das correntes que nos prendem à certas crenças, eu sempre faço uso de uma expressão familiar, dizendo que o liberto volta para tentar libertar também seus irmãozinhos. Mas ontem foi um pouco diferente, porque acabei explorando um pouco mais este vínculo familiar e a virtude do que vivo agora e também do que já vivi antes. Disse que devemos educar as pessoas para dar mais valor aos seus irmãos - sem desprezar aqueles que se tornam membros da nossa família e aos seus irmãos por acaso - mas eu disse que os irmãos naturais são importantes porque de fato são aqueles que em muitos casos melhor nós conhecemos e nos conhecem e que de certa forma nos acompanham muito próximos de nós em muitas coisas e assuntos ao longo da vida. Exceptuando-se aqueles que não tem irmãos, creio que todos conseguem entender do que falo aqui. Desde a mais simples cumplicidade no primeiro segredo até as grandes alegrias, as dificuldades e desafios da vida. É tão bom ter um irmão próximo, mesmo que ele só esteja ali, mas quem dirá quando ele participa e quando ele é único a fazer o necessário para nos ajudar, corrigir, criticar ou elogiar. Depois que eu disse isto, mais ou menos assim, uma aluna começou a chorar. Prossegui na aula, na saída questionei ou perguntei o motivo da aluna chorar e ela me respondeu que havia brigado com o irmão. Eu dei um abraço e disse vai lá então é faz às pazes com ele. Não vais te arrepender...

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