segunda-feira, 27 de agosto de 2012

EDUCAÇÃO DO PSDB EM SÃO LEOPOLDO?: BEM CAPAZ!!!

Mandei uma mensagem para uma amiga que curtiu o Moa e o Daniel no Facebook. 

Faço questão de compartilhar aqui esta mensagem, com algumas alterações, porque me lembrei de muita gente nisto que disse a ela. 


Sei que todos vocês, meus amigos de São Leopoldo, professores e professoras sabem do que falei no que segue: 


Você é livre para curtir o que quiser, mas é numa hora destas que eu vejo o quanto a gente se engana com as propostas das pessoas. 


O quanto a gente se engana com os valores que as pessoas realmente defendem e prezam a educação e os educadores.


Estou com muitos colegas e amigos fazendo campanha pelo Zulke é claro e quero te convidar para nos ajudar a evitar que aquilo que acontecia antes de 2005, com a Secretária e Coordenadora Carmem Renée do PSDB, na educação municipal e estadual jamais volte a acontecer. 


Sim, esta mesma que foi vice do MOA na eleição passada e que agora não aparece no cenário como candidata, mas que certamente está ali juntinho deles para o que der e vier. 


Sei muito bem que você sabe quantas pessoas sofreram com aquela política educacional do passado. Afinal nas escolas em que você esteve e nos espaços em que atuou teve diversas circunstâncias para testemunhar o que falo aqui. 


Não estou falando das pessoas ou pretensões de pessoas frustradas que não tiveram privilégios ou que não tenham recebido favores. 


Não estou falando das preferidas e das que eram incensadas como as melhores professoras da rede, mesmo sem estar em sala de aula há um bom tempo. Lembra disto? 


Pois eu lembro muito bem. 


Estou falando daquelas que foram torturadas e massacradas psicologicamente e simbolicamente. 


Bem, naquela época a quase dez anos atrás não havia o dispositivo de assédio moral, mas muitas pessoas sofreram exatamente isto. Algumas delas ainda hoje andam por aí com seu sofrimento no rosto. 


Afora aquelas que já faleceram em sofrimento contínuo e que eu tive que olhar nos olhos muitas vezes no sindicato sem conseguir fazer nada, porque para a gente a única solução era a luta e a mobilização na época. 


Podíamos apenas compreender e reagir para apoiá-las. 


Porque um governo não consegue infelizmente curar as feridas do outro.  Pode apenas evitá-las e tentar reduzir através de apoio, diálogo e compreensão às pessoas que sofreram com isto.  


Para não cometer os mesmos danos e agravos ouvimos muitos depoimentos. 


Você sabe exatamente do que eu estou falando aqui. Por mais que alguém não goste do que façamos ou do que não conseguimos fazer, é preciso admitir que aquilo de violência que acontecia nos governos anteriores jamais aconteceu nos nossos dois governos com o Vanazzi.  


Estivemos juntos na Smed em 2005, com o Ângelo Dalcin e a equipe e fazemos questão de lembrar que atendemos e observamos com os demais membros da equipe que não pertenciam ao magistério municipal e com aqueles que eram do quadro, era o quanto a forma e o modo político de gestão do PSDB e PMDB era violento e perverso com as pessoas e, em especial, com as professoras que ousavam contestá-los. 


Testemunhamos pessoas que dirigiam escolas com mão de ferro e com extrema violência contra todos os trabalhadores em educação da rede municipal. Testemunhamos e ouvimos relatos de que eles geravam situações extremas que passavam desde a situação de ser a eterna diretora ou a diretora preferida da secretaria em ato de pura discriminação e favorecimento  


Recebíamos professores e professoras emocionadas, que choravam, que tremiam para serem ouvidas em seus depoimentos. A Diretoria de Gestão Democrática na época acompanhava isto com o Pedagógico. Jamais vou me esquecer disto e sei que meus colegas também não. 


Eu não dei ombro para uma professora somente e te digo não há nada de pessoal ou impessoal no que falo. Você pode estar agora julgando a nossa vida exclusivamente pelo que sabes e eu penso que está inclusive sendo injusto com a gente.  


Porque os professores estaduais também enfrentaram a Carmen Renée e não há como refutar o que afirmamos ali acima 


É uma pena que as pessoas troquem a verdade por suas opiniões e que façam de conta que tudo é igual. 


Também tivemos estas dificuldades na rede estadual com eles do PMDB e do PSDB.  No magistério estadual numa palestra em 1998 - ou seja, em pleno governo Britto, com a Carmem Renée e suas concepções educacionais reacionárias assistimos uma pequena demonstração disto. 


E a coisa mais incrível disto é que este discurso reacionário era combinado com referências a Santa Rita de Cássia. 


Imaginou você isso? 


Imagine o que sentiam as professoras de confissão religiosa numa situação destas. 


Lutamos desde então contra isto e ajudamos com muitos colegas as professoras municipais a derrotar isto também. 


O golpe contra a eleição de diretoras de escola de 2001 é só uma ponta do iceberg que ainda precisa ser contado e reconhecido devidamente em sua profundidade autoritária.


Então, nem para mim é fácil compreender as dores dos outros muito menos as opiniões dos outros. 


Continuarei te querendo bem. 

Sei que sabes muito bem do que falo. 
Pense nisto com carinho. 
Um abraço e tudo de bom

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

GERMANO MOEHLECKE: A MULHER QUE NÃO SABIA AMAR..APRESENTAÇÃO 1

O Livro é de Germano Oscar Moehlecke....do qual já recebi referências em outras obras....e se chama: A Mulher que Não Sabia Amar e outras considerações....reúne crônicas e ensaios curtos escritos entre 1943 e 1954 - com um ensaio de 1959 - pelo jovem Germano no antigo Jornal de São Leopoldo Correio de São Leopoldo e no também desaparecido jornal Folha de São Leopoldo....são textos de um jovem dos 22 anos aos 37 anos que já demonstram um escritor a procura de sua obra e de suas razões....como se sabe Germano se transforma no fundador do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo com o falecido Telmo Lauro Mulller e outros em 1959 e avança de imediato na área do ensaio histórico e da pesquisa e ensino como um grande autodidata e com um texto quase perfeccionista....são textos de juventude com grandes pretensões de analise psicológica e que me pareceram à prima facie de um caráter existencialista e influenciados pelo existencialismo cristão...mas que filosoficamente oscilam entre uma análise linear e de certa forma previsível da vida cotidiana e de suas situações para uma análise muitas vezes contra intuitiva e que nos surpreende com lances de um mestre em sua juventude....foi publicada esta coletânea em 1979 com prefácio de Carlos de Souza Moraes...e considero relevante para o entendimento das idéias, da formação e de um retrato do artista quando jovem, de um importante intelectual e grande historiador de São Leopoldo....

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

SOBRE A SAÚDE EM SÃO LEOPOLDO, ELEIÇÃO E PROJETO PARA TODOS


Te digo de coração várias coisas.

Primeiro a gente tem feito um esforço extraordinário para melhorar a saúde. Se você visitar todos os postos de saúde de São Leopoldo vais verificar isto. E eu mesmo trabalhei nisto de 2005 a 2008, a saber na reforma, construção e ampliação de postos de saúde.

Contratamos quase 350 funcionários novos por concurso. E gastamos 30% dos recursos próprios em saúde nos últimos 7 anos e meio. mas você mesmo explica porque o Vanazzi e nós todos que trabalhamos na administração e na saúde não conseguimos resolver todos os problemas da saúde pública: os médicos! Sim, os médicos. Não vou dizer que todos os médicos são ruins, que todos os médicos faltam ao serviço, que os médicos não querem trabalhar ou que eles são inimigos do governo. Não é isso. Em alguns casos temos aquela margem de perda que por mais pequena que pareça fica gigante.

Que assim como na educação e você deve lembrar da cena, muitas vezes eu atendia três turmas porque dois ou um colega não veio à escola. Se eu postar uma foto aqui com 70 ou 80 alunos em sala de aula apertados e postar um video com o esforço que eu tinha e tenho que fazer para dar aula para este número de alunos tu vais dizer o que? Que é culpa do Tarso, ou da Yeda, ou do Rigotto ou do Olívio? Não! Você vai rapidinho saber que o outro professor faltou. E você deve lembrar sim de eu estar te pedindo atenção e silêncio para dar aula para 70 alunos. Eu lembro de você como meu aluno e muito bem. Mas isso não me autorizava a ficar impaciente e a perturbar o ambiente e nem à você de fazê-lo. Eu aprendi muito trabalhando com a saúde e com a educação. A primeira coisa que eu aprendi é que a gente tem que ter muita paciência porque ninguém entra em sala de aula para ser destratado ou maltratado, nem o aluno e nem o professor. E na saúde vale a mesma coisa. Ninguém entra num posto de saúde para ser maltratado, nem o médico e nem o cidadão ou paciente. Mas o que acontece de verdade numa situação como estas? A fila aumenta, a espera aumenta e as pessoas começam a fazer um burburinho e a reclamar e sobra para todo mundo. E eu as vezes consigo me colocar no lugar de um médico, do enfermeiro, do administrativo ou do porteiro ou guarda.

Assim, no posto de saúde ou na Unidade Básica de Saúde ou na Ubam ou, melhor, no Centro de Saúde, se faltar 1 médico aquilo vira uma coisa como você mostra na foto.

Um outro aspecto é a questão em geral da saúde pública. Hoje em dia temos carência de médicos com dedicação exclusiva à saúde pública. E eu te digo de coraçâo se você acha que este problema é só do Vanazzi você está muito enganado. Simplesmente todos os municípios do Brasil enfrentam uma situação igual e em sua maioria muito pior que São Leopoldo. O mercado de trabalho dos médicos tem feito que eles cada vez mais dispensam ao longo da carreira o vínculo com a saúde pública e migrem para a medicina privada. Basicamente porque na medicina privada eles podem cobrar mais por procedimentos de média e alta complexidade. Mas é bem engraçado este tema. Podem cobrar até o pré-procedimento, quer dizer quando chega a hora da anestesia, da cirurgia ou da medicação que custa muito caro quem paga é o SUS.

Assim, a medicina privada fica só no pré. Quando a coisa engrossa quem paga é o SUS. Te daria vários exemplos, inclusive familiares. Dos casos da minha mãe que sobreviveu graças ao SUS de uma embolia pulmonar e uma trombose. Do meu pai que fez cirurgia de implante de prótese e teve um AVC isquêmico e que quando a coisa aperta acaba no SUS e assim vamos em frente. E do meu irmão que tinha um convênio e acabou por vir a óbito por cirrose hepática em estado grave no hospital centenário em 29 de setembro do ano passado, após 4 anos de acompanhamento via convênio sem resolutividade.

Eu queria que você trabalhasse nos Hospital e que acompanhasse os casos que chegam lá, da porta de entrada à porta de saída. Por exemplo, na sexta e no sábado à noite das 19:00 até as 5:00 da manhã. Sabe quantos jovens entram no hospital por acidente de moto? Olha, no dia em que eu levei minha mãe lá, num sábado à noite tinham sete jovens acidentados, meninos e meninas. E tu sabe quanto custa toda aquela bateria de exames básicos? Bem, isto não importa. O que importa mesmo neste caso é que quando o hospital está lotado de jovens que se arrebentam por acidente ele fica sem vagas para atender muitas vezes aquelas emergências que chegam de pessoas que não estão colocando a cara no parachoque de uma moto ou correndo de carro sob efeito de bebidas alcoolicas.

Por fim, já que é ano de eleição deixa eu te dizer uma coisa. Por um acaso, é claro, tem dois médicos nas chapas que pretendem tirar o PT e seus aliados da Prefeitura após um governo de oito anos de muito trabalho na cidade inteira. Eu penso que é direito de qualquer eleitor de avaliar a atual administração pela saúde pública, mas também por todo o restante das políticas públicas, o que não é resto, aliás, é um grande volume de programas, ações, obras, projetos e mudanças na cidade. O tal Tribunal de Contas do Estado veio fazer auditoria de todas as obras em São Leopoldo a pedido do prefeito. Tu sabes quantas obras eles vistaram? 800. Já imaginou isso?

Eu não tenho nenhuma certeza sobre o resultado da eleição em 7 de outubro de 2012. Trabalho para eleger o Zulke e o Guerino e mais minha vereadora Dolores. E acho que vou conseguir viu. Sabe porque? Basicamente porque eu não tenho nenhuma dúvida sobre o governo do qual eu fiz e faço parte. Atuei na Educação, na Saúde, no Gabinete do Vice Prefeito, no Gabinete do Prefeito e agora na Secretaria de cultura e eu sei o quanto nós trabalhamos para tentar fazer esta cidade ficar melhor. Eu acho sinceramente que conseguimos em muitas áreas. Te dou exemplos: Cultura, Habitação, Assistência Social, Segurança Pública, Políticas para a Juventude. Idosos, Mulheres, Deficientes, Igualdade Racial.

Cara é uma tonelada de coisas que não recebiam nenhum atendi mento especializado e adequado antes do nosso governo. Tudo se passava como se não existissem jovens, idosos, deficientes e mulheres com problemas. Parecia que cultura e habitação não eram importantes para o governo e nem para a cidade. E todo o resto.

Bem. Hoje é bem diferente a situação em todas estas áreas. E mesmo olhando agora para a saúde também é bem diferente. Eu queria muito que você e outros ex-alunos meus prosseguissem nos estudos e, só para terminar, fizessem medicina, porque precisamos de médicos em São Leopoldo. E todo concurso que abrimos resolve muito pouco, porque simplesmente os médicos não querem trabalhar no serviço público, porque muitos deles vão lá na UFRGS ou em outras universidades públicas, fazem medicina, se especializam, aprendem um monte e montam um consultório particular para cobrar R$100,00 a consulta e atenderem em convênios.

Eu penso que isso vai mudar um dia e eu conto contigo para fazer esta mudança. Por exemplo, quando fizermos como fizeram na Inglaterra em que toda saúde é pública e em que um médico para trabalhar precisa trabalhar para o estado. Sabe qual o problema disso? É que daí o sonho dos caras vai deixar de ser comprar uma mercedes de R$ 300 mil todo ano.

Assim, você pode escolher agora mesmo e na eleição de que lado você vai estar se é do lado dos caras que querem comprar uma mercedes e se exibirem com seu carro de luxo em meio a um monte de gente que mal tem uma bicicleta e uma motinho, ou um carro nacional usado, ou se é daqueles que querem políticas públicas para todos. Eu acho que o último lado é o nosso. É o meu e o seu, porque te conheço e conheço tua família e sei que tipo de gente nós somos. Sou professor porque eu aposto justamente neste tipo de gente para mudar o país. É o povo que vai mudar o país não a elite. OK?

Então um grande abraço amigo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

SCHOPENHAUER E A MÚSICA

“A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.” Arthur Schopenhauer

Meu aluno Felipe: “Não necessariamente...”

Respondi assim: sim Felipe!

E agora passo a revisão do meu comentário, porque este é um belo tema para estudo, discussão e investigação em filosofia, em especial agora com meus afazeres teóricos e práticos.

A perspectiva de Schopenhauer é justamente diferenciada de outros filósofos por isto: a vontade é superior a razão.

E esta vontade submete a razão aos seus ditames.

Sendo assim a música uma expressão de vontade, logo...

Um racionalista tradicional repugna isto por diversas razões.

Entre elas o fato de que a vontade não tem orientação possível que não seja da razão.

Aquela velha expressão vem à tona aqui: A vontade é cega.

O ato da vontade pode se dirigir a um objeto...ou o belo...mas quem comanda é a razão.

Na música...bem, segundo Schpenhauer pareceria quere dizer aí, na música temos um ato puro da vontade.

Pois a música expressa uma vontade que só conhecemos através da sua manifestação.

Que e cuja única expressão possível é através de sons.

Deste modo teríamos que decodificar aquilo que a vontade expressa.

(abro um parênteses aqui: é claro que nem toda música tem esta grandeza, ou seja, é claro que tem música s que são inferiores a este nível de vontade, seja porque expressam uma vontade fraca – incapaz e sem sentido, seja porque expressam uma vontade excessivamente racionalizada, uma vontade toda subordinada à razão que é esvaziada pro assim dizer dos eu sentido puro)

Como, por força de uma dádiva política, ando tendo experiências musicais eu diria que algumas destas experiências parecem atingir o sublime.

Ou pelo menos me parecem expressar o sentido de sublime que Kant (Crítica da Faculdade do Juízo), parecia sugerir com o juízo de gosto que de certa forma contrabalança razão, entendimento e sensibilidade numa síntese superior que não é meramente cognitiva, que tem conteúdo cognitivo, porque é assim que a reconhecemos e a apontamos como uma experiência superior a outras, mas que possui um algo mais aí, aparentemente indecifrável, portanto, que não se expressa simplesmente em palavras.

Ou seja algo que é da natureza da sensibilidade pura.

E aqui temos a maravilhosa e destacada relação entre Kant e Schpenhauer.

E não vejo uma direção da razão ou uma concretização de um ato objetivo ou singular da vontade aí.

Um exemplo disto derivado da minha experiência atual com música é que , como disse o meu regente de coral após uma determinada experiência:

“as vezes acontece algo que não é da natureza da técnica ou da natureza do metrônomo”

“uma certa sinergia na execução de uma peça ou de um conjunto que parece ser um segredo, um mistério, um enigma a ser interpretado”

Ele que é um regente bem experiente e tarimbado confessa, com uma modéstia notável, que não sabe este segredo, só sabe que as vezes acontece.

Assim, suplementando e  comentando aqui o esclarecimento dele: os ensaios ajudam, o entusiasmo ajuda, mas nem sempre acontece.

Ou seja, repetindo Schopenhauer aqui: existem momentos em que toda a potência da nossa razão é incapaz de dirigir ou produzir tal resultado.

Eu tenho uma formação razoavelmente racionalista e te diria que me surpreendo tanto quanto ele com isto.

Mas admitir tal coisa não me parece irracional.

Muito antes pelo contrário.

Aqui uso Kant para finalizar: não há nada mais racional do que ser capaz de reconhecer os limites da razão pura.

Ou seja, é bem racional dizer que a potência e o poder da nossa razão só chega até aqui.

Irracional seria julgar que se vai além, sem de fato ter nenhuma garantia disto. 

Por fim, recomendo que leia Kant e Rousseau, não necessariamente nesta ordem, antes de ler Schopenhauer.

Antes de concluir o diálogo, meu aluno postou o seguinte: “eu tambem ando ouvindo muita musica mas acho que o motivo seja depressão.”

Daí surgiu outro tema que também me chama atenção.

O fato de que em algumas composições parece que a vontade se expressa como dor e como sintoma de dor que é aquilo que nos faz chorar ou lembrar sentimentos dolorosos ao ouvir uma canção ou composição.

Assim, como o cinema escolhe trilha sonora para filmes de terror e são composições que agravam o temor e o medo.

Vou só resumir aqui.

Não sou capaz te explicar nem o motivo, nem a depressão, mas eu tive uma experiência muito interessante ao estudar filosofia: compreender que determinadas concepções filosóficas levam sim para a depressão.

Compreender que determinados sistemas metafísicos parecem oprimir aqueles que os estudam.

Vou falar rapidamente de dois.

Por exemplo, quando estudo Hegel sinto uma espécie de opressão metafísica.

Tudo é muito bonito, tudo é muito legal, mas a perfeição do sistema deixa pouca liberdade para o homem.

E isto não significa que não gosto de Hegel, gosto e tento compreendê-lo, mas procuro dosar o seu estudo.

Já quando leio Kant me sinto respirando ar puro e me sinto andando livre com o meu destino.

Ainda que esta não seja a intenção original de nenhum destes dois filósofos.

(se bem que Kant tem uma visão com um alcance que sempre me surpreende)

Mas a música às vezes dialoga com coisas que não conseguimos pensar efetivamente.

Neste sentido reponho Schopenhauer para você e talvez seja justamente esta a solução:

Admitir que não há uma explicação que resolva certas coisas.

Concluindo, gosto muito de Kant muito por isto: a razão tem limites!!!!

E para o jovem pretensioso, racionalista e arrogante intelectualmente que eu fui um dia, me foi um  grande conforto entender e aceitar isto. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

PORQUE NÃO JULGO CRENÇAS?

Postei uma imagem no meu Facebook que gerou uma certa discussão.

A imagem singela e carregada de sentidos com o seguinte texto

“Deus não te prometeu uma vida sem problemas...

(a imagem de Daniel na cova dos leões)

Mas prometeu que se tiveres fé, te ajudará a resolvê-los.

Quero mais é ser feliz! (na vertical)”

Sempre digo algo mais ou menos assim: a gente precisa conseguir enfrentar os cavacos do ofício e os percalços da vida. Não há nenhuma profissão cujo tarefa não envolva superar dificuldades e não há nenhuma biografia que não tenha seus obstáculos.

Um aluno me perguntou se eu acreditava em Deus.

Eu respondi assim: “não discuto crenças...é uma discussão que não resolve nenhum problema...sou um ateu abalado digamos assim...e é só...”

Isto aborrece um pouco as pessoas que ficam patrulhando tua fé.

O aluno me respondeu: somos dois!

Um amigo, por seu lado, me respondeu assim:

“A palavra crença não se remete somente na crença de um criador; que isso para mim é obvio, pois tudo o que existe, e em perfeita harmonia no Universo, não pode ser obra do acaso. Mas crença é acreditar em algo. Se tu dizes que não discute crenças, acreditas no nada? E a tua ideologia política também é nada? Abraço...”


Posto isto, respondi assim:

Aprendi que quem cobra confissões ou exige justificativas de opções pessoais dificilmente aceita opções pessoais diferentes das suas.

Já desisti de julgar as crenças das pessoas a muito tempo.

Outra coisa é simplesmente usar a argumentação ou toda a tua capacidade argumentativa para tentar provar que o outro está errado ou que está em contradição.

E o que  segue agora são excertos das minhas respostas e propostas de diálogo organizados em forma de texto.

Porque você precisa provar que o outro está errado? Com que direito? Qual o seu propósito?

E não culpo nem ideologias nem religiões pelos atos das pessoas.

Age certo quem tem a percepção correta e a sensibilidade correta das situações e pouco isso tem haver com suas ideias ou crenças.

A tentativa de emparedar as pessoas por suas crenças me é muito ofensiva.

Cada um deve saber, da melhor forma possível, escolher as suas próprias crenças, sejam elas políticas ou religiosas.

E se não conseguir não pode ser condenado.

Já tentou selecionar de todas as tuas crenças quais merecem revisão ou quais são mais sólidas. Esta tarefa cartesiana pertence a cada um de nós. Mas disso não se segue que cada um de nós será feliz nesta empreitada.

As escolhas de crenças, a eleição das melhores crenças a adesão a crenças é algo extremamente pessoal mesmo. Não posso culpar a televisão, a igreja, o partido político, os professores, os pais ou as más influências o tempo todo. O sujeito com maior ou menor consciência consulta seu coração e pensa e vai lá e escolhe.

Não me cabe julgar estas escolhas.

Posso ter opinião, mas não juízo a respeito destas escolhas.

Posso estar errado nesta matéria, por mais que eu saiba A ou saiba B.

Um velho colega dizia que há uma assimetria entre certas crenças nossas. Por exemplo, podemos dominar a física teórica e, no entanto, não ser capaz realizar operações triviais por simplesmente não ter certas crenças.

O tema das promessas de Deus, também remete ao nosso tema sobre as expectativas que temos em relação aos outros.

E isso também é uma questão de crença.

Ou seja, nossa convicção sobre as promessas de Deus é tão plausível quanto nossas expectativas em relação ao próximo. Quer dizer podemos acabar frustrados e sendo Deus ou o próximo, não a grandeza nem nível superior de garantia em relação a isto.

Este é um argumento que nos leva para o terreno do ceticismo e do ateísmo, mas ele não é resultado da maldade nossa ou de nossa imoralidade, simplesmente é plausível e contrasta radicalmente com a crença e as apostas de muitos amigos nossos.

Compreender, nesta matéria é, as vezes,  muito mais importante do que julgar.

Se eu compreendo que pode haver esta frustração da minha expectativa e se eu aceito isto, posso renunciar ao julgamento sem me sentir obrigado a condenações ou avaliações de intencionalidade.

Sobre a importância fundamental de uma crença eu diria que eu creio sim que devo crer em algo, devo ter alguma esperança para conseguir prosseguir andando neste grande vale de lágrimas que é o mundo.

Para resolver os problemas.

Penso sem arrogância e com muita humildade que na minha vida tenho conseguido coisas maravilhosas acreditando na força do trabalho e também acreditando nas pessoas.

Mesmo quando as pessoas erram, compreendendo seus erros, consigo melhores resultados com elas do que as condenando.

Não seria mais professor se não tivesse fé na educação.

Com todos os problemas que a educação possa ter.

A única prova que eu conheço para este tema da importância das crenças fundamentais nas quais apostamos é a vida prática.

E nesta matéria cada um sabe de si porque boa parte delas pertencem muito à intimidade da gente. Não saímos por ai dando discurso sobre isto.

Quando alguém não está entendendo o que digo aqui fico me esforçando para esclarecer mais.

Pelo menos a acepção e os usos que dei aqui a expressões como crença e ou fé.

É um bom debate filosófico se o viés é cognitivo, mas é comum as pessoas usarem, segundo entendo, uma acepção que pula do domínio do conhecido - da diferença entre saber ou não saber ( com a confusão sobre crença e saber aí) para o domínio do ser do que é ou não é, ou do ser e do nada.

Suponho que esta resposta e este discurso subestima este detalhe: que você tenta refutar o que digo apelando para o tema da política por algum motivo de sua própria preferência ou predileção.

Não tem problema. Devemos respeito igual ao interlocutor.

Vejo certa arrogância desnecessária na pretensão dele de tentar encontrar uma contradição em mim quanto ao tema de não discutir as crenças privadas ou pessoais das pessoas.

Jamais devemos renunciar ao ato de julgar, em matéria de conhecimento, julgamos sim, assim como podemos julgar racionalmente se a aplicação de certos conceitos é pertinente.

E julgar pelo conceito de crença ou o conceito de crença que cada um de nós foi capaz de construir ou compreender. Julga uma crença é o que, aliás, me parece estranho quando se está confundindo ser e conhecer ou ser e pensar.

Estou copiando e relendo o que dizes para não cometer nenhuma injustiça. Mas veja bem a expressão que você usou: "Mas crença é acreditar em algo. Se tu dizes que não discute crenças, acreditas no nada?" Quando digo que não discuto crenças quer dizer que só discuto aquilo que é matéria de conhecimento. E isso não me faz acreditar no nada, quanto menos ainda no nada político.

Apesar de qualquer diferença que pode haver entre minhas crenças religiosas e políticas e as sua, te afirmo que ainda acredito sim e conheço sim muitas coisas que são melhores que outras.

E não acho tolice que meu juízo sobre o que é melhor ou pior tem natureza ou a pretensão de ser superior a uma mera crença.

Trata-se aí de conhecimento, não de mera opinião ou crença.

É legal o debate que nos leva a pensar também e de novo no fato (olha só) de que todo conhecimento tem em si uma crença, mas que nem toda crença é um conhecimento.

Ou seja, a verdade de nossas proposições não decorre da nossa mera compreensão delas.

Mas o debate aqui caminha cada vez mais para detalhes mais técnicos de filosofia e não quero levar até este ponto sem o teu consentimento.
Conduzir um interlocutor contra a sua vontade para dentro de um esquema lógico é um abuso no diálogo.

Trazer para o terreno do debate filosófico deixa as coisas mais difíceis para a gente, porque daí não dá para ter uma compreensão genérica ou carregada de concessões conceituais que são inaceitáveis de um ponto de vista lógico mínimo.

Espero que o que disse acima esclareça este ponto.

Porque neste caso não é só questão de opinião não.

Ou você confundiu crença e conhecimento ou você nâo confundiu.

Ficar forçando uma prova exige levarmos o debate para uma disputa de razão. E isto vai acabar refutando um dos lados então.

Eu estava aliviando, desde o início da discissão, em relação às crenças religiosas ou preferenciais das pessoas e vir me refutar por isto, exigindo uma crença na divindade não nos ajuda em nada.

Não tenho nenhuma dúvida sobre isto.

Qualquer sujeito pensante tem plenas condições de debater qualquer coisa assim como eu, mas isto não significa que o que importa aqui é quem tem razão.

O que nos importa aqui é o que é racional.

Para ser mais correto não discuto crenças que não precisam ser demonstradas como conhecimento.

As vezes a gente escreve mais e as vezes a gente escreve menos do que deveria.

Se você concorda que todo conhecimento é uma crença em algum sentido, então você admite uma das premissas aqui.

E agora, se você concorda que nem toda crença ou fé é uma questão de conhecimento e que as que não são questão de conhecimento não devem ser discutidas por nós, então, por fim, você deve reconhecer que minha afirmação:

Não discuto crenças!

Corresponde sim a uma posição sensata e que não há nenhuma contradição nisto.

Temos que botar Deus e Cristo fora disso.

Não quero negar nem afirmar o criador.

Porque acho que isso cabe a cada um crer ou não crer. É uma matéria de crença.

E ninguém tem o direito de me impor a necessidade de fazê-lo.

Acabar por ficar recaindo na tua prórpia fé e querer converter o outro não é uma atitrude de respeito com as crenças alheias.

Cada um pode acreditar no que quiser.

Neste sentido não posso julgar tuas crenças.

E o crente pode também acreditar tranquilamente que sabe com certeza de todo o seu poder.

Mas ele continuará com isso, esta crença e esta pregação, não porque é importante para mim, mas sim porque é importante para ele.

Não posso atestar as tuas crenças.

E você não pode atestar as minhas.

Pois não tratamos aqui de testemunhos de fé.

Mas sim do fato que cada um de nós possui suas crenças.

Independente do contraste ou da força que cada um ergue a favor ou contra elas.

Forçar a barra não tem nenhum efeito aqui.

E isto acabou de me ajudar a mostrar que sim, que não posso discutir tuas crenças.

Repito: não discuto crenças...é uma discussão que não resolve nenhum problema....sou um ateu abalado digamos assim...e é só..

Quero, por fim, fazer um paralelo aqui entre este debate e Daniel na cova dos leões.

Aquela imagem que aparece lá em cima no início.

Ele só foi parar ali porque tinha fé.

E só saiu dali porque também tinha fé.

Só entro neste debate, porque tento compreender e só quero sair dele com uma compreensão.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O BOM JUÍZO, AUTOCOMPREENSÃO, EDUCAÇÃO ESTÉTICA E POLÍTICA


Algumas pessoas são mais importantes pelo que fazem do que pelo que pensam.

E a gente demora muito tempo para entender e aceitar isto.

Um exemplo disto são os artistas, os escultores, pintores, músicos e também os homens de ação: os políticos.

Sim, meu caro, os políticos.

A gente gostaria que estas pessoas tivessem um pensamento superior, que o seu pensamento refletisse o poder das suas ações.

Mas não, somente as ações delas são superiores.

É como olhar para um herói que não tem consciência do seu próprio heroísmo.

Me lembro aqui de Nietzsche, quando esta verdade é o avesso daquilo que estamos acostumados a esperar.

Queremos que o gênio tenha uma máxima razão, que o herói tenha uma máxima razão, mas isso é incomum.

É mais frequente que a razão deles seja enviesada como que por uma paixão.

O mito do home integral, daquele que reúne muitas qualidades se dissolve na nossa história.


Não encontramos com frequência neles uma compreensão, ou uma clareza de idéias.

Nada daquilo que há de mais nobre no seu gesto ou ação e compreendido por eles num sentido completo.

Se tem o conceito de valor, ocorre lapso de medida e assim vai.

É nós que atribuímos valor às suas ações e eles nos olham surpresos por nosso reconhecimento.

Quando faço constatações como esta volto a pôr água no moinho de uma determinada tese filosófica sobre a necessidade de educarmos a sensibilidade das pessoas.

Não é a lógica brilhante ou a racionalidade soberba que deveria então ser admirada, mas sim a sensibilidade pura, aquilo que nos toca nos gestos de grandeza das pessoas que possuem o dom e a dádiva de agir corretamente guiadas pela boa e sã sensibilidade de delicadeza mais humana.

Humano Demasiado Humano.

Hoje, em outra direção deste mesmo ponto, estive pensando em alguns exemplos que encontrei na minha curta vida e experiência.

Cheguei a pensar - por alguns momentos - que é só no Rio Grande do Sul que você encontra pessoas que ficam aborrecidas com bajulação e elogios vazios de conteúdo, ou seja, pessoas que recusam méritos que julgam não possuir, por mais lisongeiros que eles lhes pareçam.

Mas ora bolas!?

Eu nem conheço toda a humanidade.

Então não posso afirmar isto.

Posso afirmar apenas que conheci homens e mulheres no Rio Grande do Sul que não aceitam em hipótese alguma qualidades e adjetivos que não lhes cabem.

E olham desconfiados para elogios vazios de conteúdo.

Parece que há subjacente a isto um gosto pela verdade.

Uma necessidade do bom juízo.

Uma exigência suprema de m´perito real e verdadeiro.

Deve ser um  bicho que não se contenta com um mérito fortuíto, com um prêmio injusto.

Quer olhar para si mesmo e dizer: foi merecido!

Estou aqui postando idéias - com o doce acento e o suave peso do ser que é e que ias ser - e alguns podem pensar que isto é filosofia, que aquelas esculturas ali embaixo são um alento no banho de imagens políticas do facebook ou do meu blogue agora.

Mas há uma incompreensão nisto.

Quem disse que não estou fazendo política com idéias e formas estéticas tão perigosas quanto santinhos, números, siglas e promessas aqui?

As pessoas deveriam pensar mais aonde o artista e o pensador realmente quer chegar ou nos levar com seus gestos e obras.

Mesmo que ele negue isto, que ele negue o caráter político de seu gesto.

FREUD sobre o Moisés de Michelangelo: 

“as obras de arte exercem sobre mim um poderoso efeito, especialmente a literatura e a escultura e ,com menos, freqüência, a pintura. Isto já me levou a passar um longo tempo contemplando-as, tentando apreendê-las á minha própria maneira, isto é, explicar a mim mesmo a que se deve o seu efeito (…) Uma inclinação psíquica em mim, racionalista ou talvez analítica, revolta-se contra o fato de comover-me com uma coisa sem saber porque sou assim afetado e o que é que me afeta”

Percebemos a grandeza portanto e isto é um bom juízo.

Ou seja a ação, o gesto ou a obra impõe um valor que ultrapassa o agente e nos atinge em cheio. 

SOBRE A EDUCAÇÃO ESTÉTICA, O BOM JUÍZO E A POLÍTICA: OU COMO UMA ESCULTURA ME IMPÕE A AÇÃO?

Algumas pessoas são mais importantes pelo que fazem do que pelo que pensam.

E a gente demora muito tempo para entender e aceitar isto.

Um exemplo disto são os artistas, os escultures, pintores, músicos e também os homens de ação: os políticos.

Sim, meu caro, os políticos.

A gente gostaria que estas pessoas tivessem um pensamento superior, que o seu pensamento refletisse o poder das suas ações.

Mas não, somente as ações delas são superiores.

É como olhar para um herói que não tem consciência do seu próprio heroísmo.

Me lembro aqui de Nietzsche, quando esta verdade é o avesso daquilo que estamos acostumados a esperar.

Queremos que o gênio tenha uma máxima razão, que o herói tenha uma máxima razão, mas isso é incomum.

É mais frequente que a razão deles seja enviesada como que por uma paixão.

O mito do home integral, daquele que reúne muitas qualidades se dissolve na nossa história.


Não encontramos com frequência neles uma compreensão, ou uma clareza de idéias.

Nada daquilo que há de mais nobre no seu gesto ou ação e compreendido por eles num sentido completo.

Se tem o conceito de valor, ocorre lapso de medida e assim vai.

É nós que atribuímos valor às suas ações e eles nos olham surpresos por nosso reconhecimento.

Quando faço constatações como esta volto a pôr água no moinho de uma determinada tese filosófica sobre a necessidade de educarmos a sensibilidade das pessoas.

Não é a lógica brilhante ou a racionalidade soberba que deveria então ser admirada, mas sim a sensibilidade pura, aquilo que nos toca nos gestos de grandeza das pessoas que possuem o dom e a dádiva de agir corretamente guiadas pela boa e sã sensibilidade de delicadeza mais humana.

Humano Demasiado Humano.

Hoje, em outra direção deste mesmo ponto, estive pensando em alguns exemplos que encontrei na minha curta vida e experiência.

Cheguei a pensar - por alguns momentos - que é só no Rio Grande do Sul que você encontra pessoas que ficam aborrecidas com bajulação e elogios vazios de conteúdo, ou seja, pessoas que recusam méritos que julgam não possuir, por mais lisongeiros que eles lhes pareçam.

Mas ora bolas!?

Eu nem conheço toda a humanidade.

Então não posso afirmar isto.

Posso afirmar apenas que conheci homens e mulheres no Rio Grande do Sul que não aceitam em hipótese alguma qualidades e adjetivos que não lhes cabem.

E olham desconfiados para elogios vazios de conteúdo.

Parece que há subjacente a isto um gosto pela verdade.

Uma necessidade do bom juízo.

Uma exigência suprema de m´perito real e verdadeiro.

Deve ser um  bicho que não se contenta com um mérito fortuíto, com um prêmio injusto.

Quer olhar para si mesmo e dizer: foi merecido!

Estou aqui postando idéias - com o doce acento e o suave peso do ser que é e que ias ser - e alguns podem pensar que isto é filosofia, que aquelas esculturas ali embaixo são um alento no banho de imagens políticas do facebook ou do meu blogue agora.

Mas há uma incompreensão nisto.

Quem disse que não estou fazendo política com idéias e formas estéticas tão perigosas quanto santinhos, números, siglas e promessas aqui?

As pessoas deveriam pensar mais aonde o artista e o pensador realmente quer chegar ou nos levar com seus gestos e obras.

Mesmo que ele negue isto, que ele negue o caráter político de seu gesto.

FREUD sobre o Moisés de Michelangelo: 

“as obras de arte exercem sobre mim um poderoso efeito, especialmente a literatura e a escultura e ,com menos, freqüência, a pintura. Isto já me levou a passar um longo tempo contemplando-as, tentando apreendê-las á minha própria maneira, isto é, explicar a mim mesmo a que se deve o seu efeito (…) Uma inclinação psíquica em mim, racionalista ou talvez analítica, revolta-se contra o fato de comover-me com uma coisa sem saber porque sou assim afetado e o que é que me afeta”

Percebemos a grandeza portanto e isto é um bom juízo.

Ou seja a ação, o gesto ou a obra impõe um valor que ultrapassa o agente e nos atinge em cheio.