sábado, 13 de maio de 2017

BOAS PROPOSTAS PRECISAM TER BONS MÉTODOS – REPLAY REVISADO DE 2014

Veja meu caro que não é indício de sabedoria nem de racionalidade fazer a coisa certa da forma errada. Por isso, se tua proposta é realmente boa decline de toda alternativa ou metodologia que envolva impor ela ao demais, seja por necessidade e urgência seja por necessidade de mostrar força ou exibir ou aumentar tua autoridade. Se você quer de fato obter êxito em teu intento cuida mais disto. Pois você  nunca conseguirá ser compreendido se proceder assim de maneira torta ou aos vacilos com algo que deve ser reto e seguro. Se você está respondendo a uma necessidade muito importante, mas criando uma desmedida para satisfazer sua ambição e urgência ao mesmo tempo, vais te dar muito mal e não vai obter a metade do resultado almejado. E perceba meu amigo ou amiga que quando isso depende dos demais, quando isso depende do juízo e da recepção dos demais, se estais enfiando goela abaixo aquilo que tem valor e que mereceria mais mediação para ter sua dignidade preservada, então você está cometendo um erro grave que põe  a perder toda a qualidade de teu nobre objetivo. É preciso convir que o método não é somente uma questão epistêmica – que garante reconhecimento e entendimento – mas é também uma questão essencialmente política – que pode garantir aceitação, adesão e não resistência e rejeição. Então, se a medida, proposta ou projeto é realmente bom e importante, razoável e adequada, não destrua ela adotando a imposição como quem exibe seu poder – por insegurança – ou exige pressa, por um sentido de urgência que é direcionado somente por ansiedade, angustia e não sabedoria ou juízo.


Obs.: Não vou referir aqui o contexto crítico e original desta fala. Meus colegas educadores, sindicalistas e militantes de esquerda sabem exatamente disto, ainda que alguns esqueçam isso, em determinados contextos e situações. Porém, creio que é fundamental a adoção do método correto e creio que quanto mais importante a medida ou proposta, mais se exige dela o bom método. Quando isso envolve compreensão, colaboração e engajamento das pessoas, então é bom dialogar, tergiversar e conceder não só voz, mas incidência das pessoas na formatação do projeto e no processo de concepção, elaboração e finalização. Quando a gente sabe que a democracia é o melhor método de tomada de decisão mesmo, não existe razão para jogar no segredo, no sigilo e no fundo de uma sala a esfera de decisão. O poder não é um atributo pessoal, mas relacional. E todo aquele que sabe disso evita ao máximo atribuir a si mesmo tal atributo. Isso pode lhe ser conferido, pode lhe ser entregue, mas está todo dia sendo renovado e autorizado pelo método e pelas medidas que se toma.       

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