domingo, 28 de maio de 2017

SOBRE CRENÇAS AINDA – 2011 REDIT

Em uma aula de filosofia nos confrontamos com muitas crenças, suspeitas e dúvidas geradas em profusão nos tempos de hoje. De certa forma parece ter sido aberta a porteira para isso nos últimos tempos. Muita gente tem desconfiado que o homem ou que os americanos não pisaram na lua. Ok pessoal!!! Vamos lá. Não vou provar nem que sim e nem que não. Vou deixar apenas uma dúvida no ar. Qualquer um de nós sabe que a verdade de uma proposição não depende da quantidade de pessoas que acreditam nela como verdadeira. Isso não prova que pisaram na lua, mas também não prova que não pisaram na lua. Bem, nossas crenças podem ser erradas ou errôneas. Ou seja, podem ser erradas porque não correspondem aos fatos ou que nossas alegadas razões alegadas para reforçá-las não são lógicas.

A TERRA EM VOLTA DO SOL – 2011 REDIT

Sobre crenças ultrapassadas. O velho exemplo da terra em órbita do sol. 100% dos medievais ocupados com este tema. Assim, salvo prova em contrário, acreditavam que a terra era o centro do sistema. Quando as provas começaram a aparecer eles continuaram acreditando. No entanto, Copérnico pensava diferente e depois Galileu provou que sim; O sol é o centro do sistema onde a terra e os hominídeos estão. Foi Kepler quem construiu o modelo do sistema. O heliocentrismo é já uma teoria demonstrada. E as crenças dos nossos falecidos medievais estão lá no passado.

NEUTRALIDADE E COVARDIA

Dentre as diversas formas de covardia, a pior de todas não é ter lado e não lutar, que já é uma covardia, mas ter tido lado e visto o pior vencer e por temor ao seu poder não ter posição sequer, e assim arguir neutralidade, o que equivale a deixar assim ou ser indiferente ao mal. Se decidir pelo mais forte, pelo que possui poder, pelo que usurpou é também indício de que a neutralidade é somente uma concessão desarmada aos que abuso do poder. Imagino mesmo os colaboracionistas na ocupação nazista da França, se omitindo da barbárie e das diversas perseguições sofridas não somente pelos membros da resistência, mas também pelos cidadãos e cidadãs comuns. Neutralidade só há de ser possível quando não há lados e opções o resto é como o lava mais de Pôncio Pilatos, vai para a história como um ato de faz de conta que eu não sou responsável mais por nada. 



SIM: VIAJAR, LER LIVROS E AMAR

Outro meme que eu gosto - e não estou botando defeito - mas eu também completaria ele dizendo que somos o resultado do que fazemos com o que vivemos em nossas viagens, que somos o resultado do que fazemos com os livros que lemos e do modo como lemos estes livros e, além disso, somos resultado do modo como amamos e como somos amados. Por que não basta viajar, ler e amar, é preciso fazer isso de um certo modo. Para mim - e que cada um faça como quiser, souber ou crer que é melhor - todas estas "experiências e vivências", só produzem bom resultado no modo da abertura e do cuidado, da coragem e da ousadia, do desapego e do descolamento de si e de suas crenças. Uma experiência pode nos deixar pior, nos deixar iguais ou nos mudar, dependendo do nosso modo e disposição em aceitar esta última dimensão para ela. A vida pode ser uma cilada, uma emboscada, um labirinto, uma prisão, mas também pode nos lançar além de onde estamos, além do que pensamos e além do que sentimos. Sem abertura não adianta mesmo fazer nada disso.


CÉREBRO: PAIXÃO E RAZÃO

Gosto desse meme, mas também completaria dizendo que o cérebro é incrível mesmo até você achar que está com toda a razão ou que é o único portador dela, mesmo quando muitos ou aqueles que te amam de verdade te dizem que não.



DEMOCRACIA E CORRIGIBILIDADE

Um povo pode ter problemas em qualquer quadrante deste planeta. A democracia não é o regime da infalibilidade, mas pode ser o único regime em que pode haver corrigibilidade. Porém, deve ser um indício do fim da democracia quando se perde a corrigibilidade. #ForaTemer

HOJE É AQUELE DIA - 2014

Em que me sinto muito feliz

de ter escolhido esta profissão...

Sou só professor, não sou aviador...

Não sou rico e não sou pobre...

Não sou mais do que ninguém...

Não sou um brinco nem sou podre...

Nada me falta desse bem...

O que eu quero simplesmente...

É uma vida com paixão...

Não aprendo e não ensino...

Nem dou aula prá ninguém...

O que eu faço simplesmente...

É somente querer bem....

E enquanto isso acontece faço algo ir além...

Nem ideia nova eu tenho para te fazer um bem.....

Graças por ter escolhido esta profissão...

ainda que depois desse rap 

nenhuma folha daquela pilha 

de provas mudou de lugar....


Valeu....

terça-feira, 16 de maio de 2017

Uma Nota Histórica sobre São Leopoldo dos anos 20 - de 2012: sobre Ciclos econômcos - para rever

Estive debruçado em abril de 2012, sobre um certo panorama da história de São Leopoldo. Na época interessava olhar de perto a formação e conformação da cidade para o primeiro centenário da imigração alemã. O que levou a construção da Praça do Imigrante e do Monumento. Mas apareciam aqui e ali sinais do nível de desenvolvimento econômico da cidade nos anos 20 e de sua importância, não somente regional, mas em relação à economia do estado e  à capital. Poderia ser, imaginei à época, um bom viés explorar os períodos econômicos de expansão, estabilização e contração da cidade relacionando isso ao desenvolvimento agrícola, comercial e industrial da cidade sustentado ou não pelo empreendedorismo local e insumos estatais de alguma natureza. Atentar, no detalhe e com precisão, para investimentos públicos e privados. Incrementos imobiliários e também atividades culturais. O que me chamou a atenção em 2012 foi, em especial, os ciclos de desenvolvimento e mediocridade na cidade, ou seja, o caso e o ocaso  dos pactos com governo federal e estadual na história da cidade e seus vetores internos...e externos. Me pareceu muito interessante a tese superficialmente entrevista de uma espécie de pacto político externo que acaba beneficiando a cidade e também a superveniência de sua ruptura ou fragilidade que mesmo com relação à política agremiada (PRR-PL-PTB-PSD), mas não estável ou/e fluida que pode prejudicar a cidade. A hipótese foi gerada, primeiro, a partir de uma intuição sobre o ciclo de expansão econômica dos anos 20 e 30. Isso junto e após a emancipação de Novo Hamburgo (?). A interrogação aqui leva em conta os argumentos de que o bolo cresceu e se dividiu ou que ele se minguou e foi um salve-se quem puder. Que precisam ser todos relativizados é claro. O que pode parecer muito duvidoso, inclusive, mas que foi entrevisto superficialmente. Porem deve se ver isso tudo ainda muito mais de perto...

ENTREVISTA PARA UM EX-ALUNO: GUILHERME CABRAL, ABRIL DE 2017

1) Conta-me como te tornastes professor(a)! Por que escolhestes essa profissão? Como te sentes, hoje, no exercício do magistério? O que te dá mais satisfação na profissão? Quais são tuas dificuldades e frustrações?

Me tornei professor muito pelo exemplo de meus professores. Tive professoras e professores maravilhosos. Quando optei pela licenciatura pensava também no fato de manter parte de meu espírito juvenil se renovando e na questão de manter a vida conectada com a juventude e construindo conhecimento e compartilhando o prazer de aprender. Sempre fui muito investigativo e minha curiosidade é quase infinita e inesgotável. Esta curiosidade se realiza e muito na preparação das aulas e também em descobrir a forma como os jovens refletem e reagem sobre aquilo que a gente leciona. A verdade é que eu amo ser professor. Esta é a profissão que eu escolhi. Mas eu também sei que poderia ter dado errado, que eu poderia não conseguir ser um professor. Tinha este elemento de incerteza no começo, mas assim que comecei a lecionar, mesmo nos estágios já sentia o acerto da escolha. Os professores vivem muitas dificuldades hoje, em especial as materiais. Talvez isso sempre tenha ocorrido, mas eu sobrevivo a elas e não me frustro tanto. Consigo ter prazer, portanto, com esta atividade e creio que sei lidar com seus cavacos, dificuldades e com eventuais situações que fogem a minha formação para tal. Não tenho grandes dificuldades e frustrações, salvo a questão salarial que aborrece, mas contra a qual luto e milito no sindicato e nos espaços públicos em que atuo. 

2) Se pudesses escolher, deixarias de ser professor/a? Por quê?

Não deixaria de ser professor, por que tenho convicção na escolha, satisfação no exercício e muito prazer nas relações cognitivas, afetivas e pessoais com os alunos e alunas do ensino médio. E eu adoro ser professor, mesmo que sinta a desvalorização salarial, o desrespeito e desprestígio da nossa profissão com meus colegas. Apesar de tudo não consigo desistir de ser professor, persisto lecionando e lutando pela educação pública e pela nossa dignidade profissional.

3) Como construíste/constróis a tua forma de ser professor/a? Que influências mais marcaram a tua formação? O que ou quem inspira a tua docência? 

Construo a minha forma de ser professor a partir da experiência e da reflexão sobre ela. Tento articular sempre a prática docente com teorias e idéias pedagógicas, psicológicas, sociológicas e filosóficas. Baseio muito minha docência sobre o contexto histórico que vivemos e sobre o qual devemos refletir, interpretar e nos posicionar. Além da aquisição de teorias, creio que é preciso incorporar a sabedoria prática ou técnica de outras pessoas. Também é importante defender e construir uma compreensão sobre certos valores humanos e culturais. Seguir exemplos de paciência, boa vontade, boa fé e respeito a dignidade das pessoas. As influências de meus pais, irmãos e parentes foram muito importantes nesse sentido, de meus professores e professoras são decisivas, e sou permeável também às influências de muitos amigos e amigas, alunos e alunas, colegas e, também, de pessoas comuns de outras profissões e atividades. Meus professores de história, geografia, letras e artes foram fundamentais durante a educação básica. No ensino superior, muitos professores e professoras e, também, colegas me influenciaram em aulas e em diversos tipos de discussões, painéis, defesas de teses e dissertações e apresentações de trabalhos. Recebo muitas influências de diversos teóricos da educação e a participação em seminários, debates, projetos, programas e também minha participação sindical me influenciaram muito. Mas também recebo no meu ofício de professor uma forte influência do teatro, do cinema, da música e de muitas outras artes. Minha forma de ser professor é baseada nesta apreensão de exemplos e no exercício de construir a experiência em sala de aula e na preparação das aulas, das atividades e das avaliações e feed backs dos alunos e alunas.

4) Que professor/a gostarias de ser hoje? Crês que, na prática, te aproximas desse perfil? O que precisaria ocorrer para realizares essa perspectiva?

Eu me sinto muito feliz com minha forma de exercer o ofício hoje. Misturo muita arte e música nas aulas, abro os temas e conteúdos para o tempo atual e as vivências dos alunos e alunas e, também, sempre procuro conectar as temáticas com as experiências, fatos e acontecimentos do presente. Tenho investido mais energia no conhecimento e no relacionamento humano e compreensivo dos alunos. Minha realização está baseada no objetivo de conhecer e compreender os alunos, construir conhecimento com eles e trabalhar com as opiniões deles, somando a isso a oferta de informação precisa sobre os fatos e reflexão conceitual rigorosa. Creio que me aproximo sim na prática deste ideal.  
Escola e seu projeto

5) Na tua opinião, qual o papel da escola na sociedade? O que, para ti, seria uma escola ideal? Na prática, a tua escola se aproxima dessa perspectiva? Em que dimensões? Em que deveria avançar para alcançá-la?

A escola deve contribuir na construção e na aquisição de conhecimento. Deve ser democrática e realizar-se com diálogo, busca de entendimento e respeito às diferenças. Deve formar os jovens para serem boas e excelentes pessoas, profissionais e cidadãos. Vejo na minha escola um grande esforço e trabalho neste sentido. Diria que me sinto nela um professor realizado. Em colaboração com os colegas, professores e funcionários de escola, com os alunos e alunas e com os pais e demais membros da comunidade temos desenvolvido um trabalho que dignifica a escola e as pessoas que passam e atuam nela. Sou muito orgulhoso da escola que construímos juntos. Vamos avançar muito no sentido de humanizar ela cada vez mais, introduzir mais atividades culturais e desenvolver projetos alternativos e progressistas com a participação intensa dos alunos como já temos feito.

6) O Projeto Político-Pedagógico da tua escola é do conhecimento de todos os que com ela interagem? Como se deu o seu processo de construção? Foi construído de forma coletiva? Indica crenças e valores da comunidade escolar? Qual é sua linha pedagógica (princípios pedagógicos que segue)?  Interfere nas decisões cotidianas da escola?

O Projeto Político-Pedagógico da escola incorpora as idéias que apresentei acima. Queremos aumentar a divulgação dele e já propomos avaliação anual pela comunidade escolar do mesmo ao final do ano letivo de modo a conferir os resultados e a aplicação dos seus princípios e valores.

Docência e políticas educacionais

7) Crês que o/a professor/a pode interferir nas políticas educacionais? Na escola em que trabalhas costuma haver espaço para discuti-las? Como as políticas educacionais repercutem no trabalho cotidiano de tua escola? E de tua sala de aula?

O professor deve interferir em todas as políticas educacionais. Não faz sentido algum impor política educacional sobre os educadores e os educandos. Quando isso ocorre a educação perde sua capacidade transformadora e as resistências a toda imposição dessa ordem são legitimas. A educação e os projetos de educação não fazem sentido sem a participação dos educadores, alunos e cidadãos. Mas, na minha opinião, é preciso resgatar em muito isso, porque existem muitos gestores que tem predileção por implementação de projetos sem discussão, sem questionamentos e sem contestação ou sequer aceitando o aperfeiçoamento das propostas. Isso é um desrespeito com os trabalhadores em educação.

8) Quais são as propostas de políticas educacionais para teu município? Podes relatar alguma que te é simpática? Acreditas que podes, como cidadão(ã), interferir nessas políticas? De que forma?

Vou priorizar aqui na minha resposta a este ponto sobre a participação dos cidadãos e cidadãs na construção de uma escola democrática e plural, com respeito às diferenças, na defesa dos direitos dos cidadãos e trabalhadores e na promoção de uma cidadania responsável e comprometida com os destinos da sociedade. A melhor interferência é participar de todos os fóruns de discussão sobre a escola, a gestão escolar e seus projetos.

9) Como a escola participou: da elaboração do Plano Municipal de Educação de sua cidade; do estudo e contribuição na Base Nacional Comum de Currículo da Educação Básica?

Nossa escola pertence a rede estadual de educação. Participamos, apesar disto, do processo de construção do plano via representação sindical em conferências municipais. Eu mesmo participei e dialoguei muito sobre este tema.


Foi um prazer participar desta entrevista e contribuir para a formação docente de um ex-aluno meu.

sábado, 13 de maio de 2017

MAIS GENTILEZA E ELEGÂNCIA POR FAVOR

Enquanto a Rede Globo - através de todos os seus veículos - e outras revistas e empresas de comunicação, mais as lojas Marisa, tripudiam de Lula. E outros covardes seguem na mesma direção se gabolizando e se jactando de sua própria grosseria e leviandade. Nós vamos contrariar esta lógica rebaixada e vil.

Eles fazem isto apelando da forma mais covarde e perversa possível. Ao estar dizendo que Lula culpa sua esposa, já falecida, justamente por conta do desgosto da intensa e impiedosa perseguição que Lula, sua família, filhos e partido sofrem, pelos seus problemas, nós seres humanos comuns que possuímos empatia e respeito ao próximo, que consideramos a dignidade do outro inviolável sob qualquer pretexto, que somos orientados por uma boa educação que dá limite ao ímpeto e às ofensas, vamos contra isto.

Nós vamos prosseguir, por mais duras que sejam nossas posições, sendo guiados pela gentileza e cordialidade, vamos lutar com elegância e altivez para vencer esta baixa política do vale tudo que assola o pais desde que a oposição e o PMDB (e a elite nacional abrigada nestas agremiações e entidades) resolveram perder todos os escrúpulos para se manter no poder e preservar seus interesses, privilégios e se proteger do fim de um tempo que resiste em não acabar. Sabe porquê?

Porque gentileza é uma coisa que a gente nunca esquece. A pessoa pode te criticar, acusar, trair e etc, mas deixar ela sem palavras por um gesto de gentileza é ótimo. É a melhor resposta às ofensas de toda ordem e reconduz pelo exemplo as pessoas ao leito natural da nossa vida cotidiana e civilizada.

Nosso papel humano e civilizatório nunca pode ser esquecido em nossa conduta, decisões e ideias. A importância do aspecto humano é crucial para nós todos, sem isso nosso capital econômico ou político se reduz à pó. Isso é um capital cultural. Nenhum poder econômico ou político terá algum valor sem isto. Nenhuma forma de poder ou de exercício do poder que prescinde disso, deve durar muito tempo.

E cabe a nós não tolerar isto de forma exemplar. Repudiar aqueles que cruzam este limite e fazer frente a estes absurdos impostos pelo desespero de causa deles. E este limite atravessado pelo golpismo e pela agenda golpista há de ser destroçado pela vontade do povo brasileiro nas urnas e fora delas também.  

BOAS PROPOSTAS PRECISAM TER BONS MÉTODOS – REPLAY REVISADO DE 2014

Veja meu caro que não é indício de sabedoria nem de racionalidade fazer a coisa certa da forma errada. Por isso, se tua proposta é realmente boa decline de toda alternativa ou metodologia que envolva impor ela ao demais, seja por necessidade e urgência seja por necessidade de mostrar força ou exibir ou aumentar tua autoridade. Se você quer de fato obter êxito em teu intento cuida mais disto. Pois você  nunca conseguirá ser compreendido se proceder assim de maneira torta ou aos vacilos com algo que deve ser reto e seguro. Se você está respondendo a uma necessidade muito importante, mas criando uma desmedida para satisfazer sua ambição e urgência ao mesmo tempo, vais te dar muito mal e não vai obter a metade do resultado almejado. E perceba meu amigo ou amiga que quando isso depende dos demais, quando isso depende do juízo e da recepção dos demais, se estais enfiando goela abaixo aquilo que tem valor e que mereceria mais mediação para ter sua dignidade preservada, então você está cometendo um erro grave que põe  a perder toda a qualidade de teu nobre objetivo. É preciso convir que o método não é somente uma questão epistêmica – que garante reconhecimento e entendimento – mas é também uma questão essencialmente política – que pode garantir aceitação, adesão e não resistência e rejeição. Então, se a medida, proposta ou projeto é realmente bom e importante, razoável e adequada, não destrua ela adotando a imposição como quem exibe seu poder – por insegurança – ou exige pressa, por um sentido de urgência que é direcionado somente por ansiedade, angustia e não sabedoria ou juízo.


Obs.: Não vou referir aqui o contexto crítico e original desta fala. Meus colegas educadores, sindicalistas e militantes de esquerda sabem exatamente disto, ainda que alguns esqueçam isso, em determinados contextos e situações. Porém, creio que é fundamental a adoção do método correto e creio que quanto mais importante a medida ou proposta, mais se exige dela o bom método. Quando isso envolve compreensão, colaboração e engajamento das pessoas, então é bom dialogar, tergiversar e conceder não só voz, mas incidência das pessoas na formatação do projeto e no processo de concepção, elaboração e finalização. Quando a gente sabe que a democracia é o melhor método de tomada de decisão mesmo, não existe razão para jogar no segredo, no sigilo e no fundo de uma sala a esfera de decisão. O poder não é um atributo pessoal, mas relacional. E todo aquele que sabe disso evita ao máximo atribuir a si mesmo tal atributo. Isso pode lhe ser conferido, pode lhe ser entregue, mas está todo dia sendo renovado e autorizado pelo método e pelas medidas que se toma.       

domingo, 7 de maio de 2017

PENSAR E VIVER ANTECIPADO

"Pensar anticipado: hoi para mañana, y aun para muchos días. La mayor providencia es tener horas della; para prevenidos no ai acasos, ni para apercibidos aprietos. No se ha de aguardar el discurrir para el ahogo, y á de ir de antemano; prevenga con la madurez del reconsejo el punto más crudo. Es la almohada Sibila muda, y el dormir sobre los puntos vale más que el desvelarse debaxo dellos. Algunos obran, y después piensan: aquello más es buscar escusas que conseqüencias. Otros, ni antes ni después. Toda la vida ha de ser pensar para acertar el rumbo: el reconsejo y providencia dan arbitrio de vivir anticipado."


Baltasar Gracián, in 'Oráculo manual y arte de prudencia' (1647)

GH E O PENSAMENTO DESORGANIZADO

Estava seguindo a pista interessante na palestra do meu amigo e ex-colega de graduação Eduardo ("Lispector e Nussbaum: ensaio para um monólogo", com Eduardo Vicentini de Medeiros  ) sobre a Paixão Segundo GH de Clarice Lispector, no que toca ao pensamento desorganizado e achei esta reflexão cheia de anotações inconclusas e com reticências ainda de 2012, sobre o mesmo assunto e outras coisas ligadas ao desentendimento:

A característica mais interessante do pensamento desorganizado é que ele desorganiza o dono e faz um tremendo esforço para tentar desorganizar os ouvintes também...

Isso, quando vem expresso em frases ambíguas, lacunares, com confusões incríveis entre sujeito/objeto e com conexões lógicas de difícil compreensão...

E nas vezes que você conversa com alguém assim e se dá conta de quanto esforço uma pessoa destas requer para se expressar - e muitas vezes sorte - para obter os resultados que ambiciona ou a que se propõe...me parece muito assim quando a linguagem se constitui numa gaiola, numa falsa prisão, simplesmente construída através de algumas incompreensões gramaticais e de algumas operações lógicas não bem compreendidas....

Exclama o ouvinte: ó senhor, dai-me a santa e bendita paciência....

E também porque nestas vezes acabamos por suspeitar também do caráter do sujeito que se comunica desta forma...Mas não devemos chegar a tanto.

E para aqueles que gostam de se comunicar muito e claramente e que zelam não por uma moral da linguagem, mas talvez muito mais por uma comunicação satisfatória é um grande desafio isso....

É porque você precisa de novo apreender e ensinar coisas elementares...Aprender a ser generoso com seu interlocutor e ajudar ele.

Com algumas partículas elementares da nossa linguagem que também significam uma atitude de respeito para com o outro....

E mesmo que ele não te entenda tanto, mesmo que ele nem saiba ou tenha consciência de que está errado ou habitando como um estrangeiro numa linguagem e num ambiente estranho, desconhecido e não dominado...

E não é, no meu ponto de vista aqui, muito correto afirmar que é de dar dó ou que não dá para conversar - numa situação destas....porque estas pessoas também tem direitos e também merecem respeito...

Veja que não podemos culpá-las ou excluí-las de um diálogo por tais dificuldades...

E esta não é um indireta - é somente uma reflexão inicial sobre algumas dificuldades e desafios sociais provocadas por uma certa incompreensão da linguagem e de suas regras...E também pela desorganização do pensamento em que estas pessoas habitam com sérias dificuldades.

E isso aqui também não é um diário - nem muito menos uma provocação...


Creio que temos que pensar nisto - seja como professores e professoras, seja como cidadãos e cidadãs...Em nossas comunidades de diálogo e em nossas diversas formas de interações sociais.

AS POSSIBILIDADES DE UM ESTÓICO - NÃO SEI




Não se trata, como poderia parecer, de uma crise de meia idade, mas sim da minha completa insatisfação em ver a abundância e a fartura de juízos sobre isso e aquilo cuja única base é sempre parcial, subjetiva e precipitada. E estes juízos orientam ações, relações, omissões e comissões. Tipo; ando enjoado de tanta meia verdade ou verdade e meia. Então dá uma vontade de escrever cadernos secretos, críticas reservadas, cadernos do cárcere para que um dia talvez sejam bem queimados no gigantesco incinerador da história que é o tempo. Porém devo confessar que entre as surpresas e decepções, também tem as boas e as ótimas surpresas. Como tem gente boa escrevendo bem e pensando melhor que a média e o tal senso comum, que vem dos mesmos preguiçosos e acomodados em suas sabedorias e experiências. Talvez eu comece somente a agir e deixe de lado a necessidade de dar razões, avisos, alertas e pare de ficar aguardando alguma coisa dali de onde num vai sair nada mesmo. Talvez assim, me sinta mais reconfortado e pleno e acabe de vez com essa aparente crise existencial de engajamento e desengajamento, intervenção e não intervenção e aguarde apenas o andar natural das coisas, o fluxo contínuo e previsível de alguns fenômenos que na história dos homens parecem extraordinários e impressionantes, mas que da perspectiva de uma existência plena e econômica, discreta e subjetiva, não tem nenhuma relevância, importância ou singularidade a oferecer. Não é bom, nem é ruim, é normal ou natural que eu tente me entrincheirar em uma perspectiva mais distanciada, isso poderia acontecer por força da idade que, avançando, me impedisse de perceber as coisas e responder a elas, mas também pode acontecer por um exílio precoce causado pelo alijamento ou falta de qualquer correspondência com o mundo exterior e seus representantes oficiais nos assuntos humanos. Sim, a incomunicabilidade nos tempos de hoje, poderia ser a causa, diz-se tanto, mas tão pouco de fato é dito. Então, já que é assim, porque tanta prolixidade? Que causa ou efeito ela teria em meio ao espetáculo natural? E que diferença faz? Não sei...meu sentimento estóico se avoluma em meu coração e me apequena a mente, me deixa com aquela serenidade em que menos é mais, e mais é apenas u m menos amplificado e alardeado. E dá aquela vontade de tirar o time e fazer só coisas prazerosas e modestas, simples e comezinhas, já que aqueles que deveriam fazer grandes coisas, só com estas pequenas ocupações pessoais realmente se ocupam. Vendo então um mundo do faz de conta se avolumando à minha frente, fico pensando em coisas mais transcendentais do tipo: não se escolhe pai e mãe, nem o lugar onde nascemos, nem o tempo em que nascemos, mas ainda assim podemos tentar escolher - naquele pequeno quadrado que resta a cada um de nós cuidar - como vivemos, com aquelas pequenas e conhecidas limitações que conhecemos e que envolvem a disposição dos outros sobre como devemos viver e também o interesse de outros em nos fazer servir ao sistema, a uma causa ou mesmo cumprir algum papel na máquina deste grande moedor de carne que é o mundo, ocupar com sua contribuição vermelha ou quase carmin uma vírgula ou ponto de algum livro de uma história que talvez seja escrita e talvez seja apenas vivida e esquecida. Neste, e agora vou usar emprestada a grandiloquência e a precisão de alguns outros, grande vale de lágrimas que é o mundo assistimos tanto o choro dos insensatos, quanto riso cínico das Hienas, assistimos ao Leão buscar sua presa e ao Urubu que aguarda a parte que lhe cabe no banquete selvagem entre caninos e felinos da savana, mas também assistimos tanto a graça, quanto o riso e o choro também daqueles que são apenas ingênuos, inocentes, crédulos, agressivos, pacíficos, comedidos, tímidos, medrosos e covardes, vacilantes e inseguros, mas que ao dar opinião sequer se dão conta da frequência ou sintonia de humor em que se encontram e que afinam suas vozes em diapasões instáveis, de tal modo que jamais encontram um Lá ou um Sol, uma além e um lugar para brilhar ou iluminar. São só trevas, obscuridades e os horizontes que nos ofertam não nos agradam. Não posso orientar minha vida, minha opinião sobre o mundo, minha existência por profetas, videntes, cartomantes ou penitentes cuja fé é tão instável, ou o conhecimento é tão seguro quanto a capa de um jornal, matéria de uma revista, ou o editorial deslocado e distorcido de uma vontade suscetível ao livre jogo do mercado e suas marés de vontades e disposições transitórias. Sim, eu sei que não somos importantes, eu sei que pouco posso fazer, mas enquanto eu puder resistir, liderar a mínima resistência em meu ser, aqui eu ficarei sem me deixar levar por tuas vontades e juízos insanos. Não sou caça, não sou caçador, não porto armas nem canhões e não quero nenhuma forma de poder absoluto ou relativo que dependa de se ludibriar, enganar, prometer ou recontar as mesmas histórias de sempre, não acredito em milagres pessoais nem em pessoas milagrosas, não vejo nenhuma possibilidade de melhorar o mundo com votos ou crenças na infalibilidade, mas nem por isso aceito teus erros ou tuas intenções e pelos meios e entremeios que visualizo sei bem para onde vais e de onde bem vens. Mas tudo que digo aqui é só uma ficção, um espelho quebrado, que não significa nada, não representa nada e não conclui coisa alguma. Por assim dizer, dizer e não dizer, fazer e não fazer e escolher como pensar...não é o Grau Zero, mas também não é um nem menos um, é enfim pouca coisa que resta dos escombros doa achatamento em que me parece que vivemos hoje...e me parece mesmo que é melhor não falar e é melhor não dizer, ainda que eu ouse esboçar em palavras sorteadas um porque e um como...Não sei...Velho texto de minha vida.

A PRISÃO NOS DETALHES

E a prisão nos detalhes jamais passa a discutir o todo, o argumento central. Dizem que assim não dá nem para começar. Sim, por isso mesmo não começam nada, não informam nada, precisam de um nível de idealismo e superioridade tal que jamais será possível fazer alguma coisa. E são os mesmos que se queixam depois da falta de esperança das pessoas e da falta de determinação delas. Avistam defeito em tudo e passam o resto da vida em busca de uma perfeição que não existe.

RETÓRICA E TOM DE VOZ

Assim, acontece frequentemente em muitas situações. Não se refutam os argumentos e as razões, mas se tenta impugnar a arguição por sua forma, por seu tom ou por sua voz. A mercadoria precisa ter uma embalagem melhor que o conteúdo para eles. Boa apresentação basta, mesmo quando o conteúdo é uma porcaria.

AS FLECHAS




A revolução das flechas!

Setas para o futuro

Sinais no céu

Sim

S

s

,

.

SOBRE VOLTAR A SER ÍNDIO




Para mim seria uma honra. Algumas pessoas vieram aqui me criticar pelo meu título aplicado sobre uma imagem da Mídia Ninja de um índio encarando o batalhão de choque com os olhos fechados e num aparente transe espiritual ou concentração para o combate. Não me importei tanto e disse:

Tudo bem com sua opinião. Eu discordo e proponho livremente outra reflexão. Você pode aceitar ou não. E é apenas uma interpretação. Creio que ainda temos liberdade para criar, para interpretar e que não há bada de errado com o que pensei. O TÍTULO É MEU...nem sempre gosto de explicar os títulos que dou para imagens...porque isso parece presumir ignorância ou incapacidade de interpretação no outro, ou pior que isto para mim, presumir que o outro não tem generosidade, caridade e boa vontade com você e te interpreta sempre escolhendo a pior alternativa que consegue pensar sobre o tema proposto e tua posição. Para mim isto é uma espécie de super crítica ou hiper crítica. Que eu aceito, mas contesto assim como faço aqui agora.



Para pensar, então, o que eu quero dizer é muito simples. Os índios estão tendo a dignidade de lutar, que muitos não tem, enquanto muitos branquelos e europeus pseudo evoluídos estão sendo exterminados em seus direitos sem reação alguma. Caíram como patinhos num golpe do que há de pior na política brasileira e estão engolindo sem regorjitar toda a agenda golpista porque são civilizados e covardes com canalhas e rebeldes e corajosos com a esquerda.

Por fim, voltar a ser índio é para mim voltar a ter a dignidade de enfrentar o opressor. Encarar a guarda e o que houver pela frente por sua dignidade, seus direitos e se rebelar. Capice?




É assim que devemos passar a viver em tempos de guerra? Lutando contra nós mesmos? Ou encarar de vez os cara pálidas?

"O problema da greve é você!"

Sim, meu caro e minha cara: o problema da greve é a barricada; o problema da greve é apresentar obstáculo ao ir e vir; o problema da greve é a fumaça dos pneus queimados; o problema da greve é o partido X; o problema da greve é a bandeira; o problema da greve é a insegurança; o problema da greve é a violência; o problema da greve é o candidato Y; o problema da greve é a central sindical; o problema da greve é a baderna; o problema da greve é os vagabundos; o problema da greve é quebrar a rotina; sim, meu caro e minha cara, seguindo assim você vai descobrir que o problema da greve é a forma como você pensa ou como você não pensa. Ou seja, o problema da greve - e desta greve em especial - será, por fim, você. 

(SOBRE A GREVE GERAL DE 28 DE ABRIL DE 2017 - Daniel Adams Boeira)

SINDICATOS E POLÍTICA

A ignorância não sabe que a primeira forma de organização política da classe trabalhadora foram os sindicatos ou ligas operárias. Mas que em todas elas a consigna bem ampla de conquistar o direito ao sufrágio, poder eleger seus representantes, disputar a política para conquistar, preservar e avançar em seus direitos, ter liberdade para se organizar em partidos e em organizações políticas internacionais sempre esteve presente, expressa ou latente nos debates. E que foi isso que nos trouxe até aqui com um conjunto de direitos, organizações e liberdades que já foram muito contestadas pelos poderosos, pelos exploradores, por seus cães de aluguel e também pelos que não tem consciência de classe, seja por falta de identidade, seja por serem educados numa espécie de mundo mágico de Oz, onde os trabalhadores são sempre os bandidos, os ignorantes, os brutais e idiotas e os patrões, doutores senhores de bem são sempre bonzinhos, inteligente, sábios e honestos. Ora, o capitalismo inteiro está baseado em expoliação, exploração, imposição e dominação. E não é a classe trabalhadora que tem ganho o maior quinhão neste jogo. Então, pare de bobagem e vá ler um livro decente sobre isto em vez de ficar dando palpite e expressando opinião sobre o que você não sabe, ignora e nunca se dispôs a estudar com seriedade. Acordou agora com a greve geral que te atrapalhou a vida, te sacudiu a cabeça, então vá tomar um café como classe trabalhadora e para de achar que está em cima de um largo dique observando as águas naturais de um lado e a boa civilização comportada de outro. sério....

COVARDIA MORAL E CORAGEM POLÍTICA NO BRASIL

Aqui no Brasil tem uma craca que vive de espertezas, de tirar vantagem em tudo, de bancar o malandro. E há até um elogio e uma admiração pela picaretagem e pilantragem bem sucedida. Vivemos num país cuja elite é especializada em tirar vantagem em tudo. Não é a lei de Gerson, é uma espécie de lei colonial. Se é possível enganar, ludibriar, enrolar e blefar toca em frente. Se pegar, pegou. E boa parte do povo brasileiro assiste isto com considerações pessimistas de que é assim mesmo, nunca vai mudar e de que precisamos conviver com isto. Suportar isto. É ainda tem aquela fração miserável e intermediária que quer chegar neste top. A glamourização da pilantragem, o puxa saquismo com usurpadores, a bajulação dos autoritários, é típica do que podemos chamar de covardia moral. Muito fácil aceitar o autoritarismo covardemente e se encorajar contra a esquerda a qualquer título que usando de subterfúgios, mas a partir de um pressuposto bem comum: a esquerda é idealista e sonhadora. Daí se segue o tradicional e conhecido viralatismo depressivo.

O DIA DOS TRABALHADORES EM CHICAGO





"Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor do edifício mais alto do mundo. Chicago está cheia de fábricas. Chicago está cheia de operários.

Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.

— Deve ser por aqui — me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos, o Primeiro de maio é um dia como qualquer outro.

Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que esta como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.

O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador."

Eduardo Galeano, 1991.

Lênin, seu malvado e terrível homem. Teu fantasma ronda a burguesia.

“Cada greve lembra aos capitalistas que os verdadeiros donos não são eles, e sim os operários, que proclamam seus direitos com força crescente. (…) Nos tempos atuais, pacíficos, o operário arrasta em silêncio sua carga, não reclama ao patrão, não reflete sobre sua situação. Durante uma greve, o operário proclama em voz alta suas reivindicações, lembra aos patrões todos os atropelos de que tem sido vítima, proclama seus direitos, não pensa apenas em si ou no seu salário, mas pensa também em todos os seus companheiros, que abandonaram o trabalho junto com ele e que defendem a causa operária sem medo das provações”.


– Lênin, Sobre as Greves, 1899.

A VIRTUDE É A VERDADE NA MEDIDA EXATA

Veja que você toma vários sustos por dia e tem que aprender a não assustar ninguém com isso. Aprender a amortecer os golpes, atenuar a dor, relevar descuidos e indelicadezas, superar barreiras emocionais, suplantar raivas e rancores, diminuir pela metade o tamanho dos monstros, cortar ao meio ou eliminar as descargas de tudo quanto é tipo de gente, por qualquer motivo irrisório ou por motivos importantes.

Respirar fundo e chamar a paciência e a boa vontade para governar teu espírito. Aprender a ficar tranquilo, para aguentar a barra e ser capaz, no que for possível, de mudar o rumo dos acontecimentos, mudar o curso das ações insensatas e desmedidas. Procurar o tom e a virtude exata para responder às situações. É em muitas vezes como essas que nós sentimos que lidamos com as emoções mais sutis de muitas pessoas, ao mesmo tempo.
Eis que, então, ai vem aquela palavra que nos é tão cara na vida e na filosofia: cuidado. Pois as pessoas são mais delicadas e sensíveis do que parecem​ à primeira vista. Diga para si mesmo: calma cara. Pense mesmo que você vai passar por tudo isso e que tudo acabará bem. E a única palavra de consolo aqui é a verdade.

Aprendi mesmo que nenhuma doutrina sobre o APARECIMENTO ou o DESAPARECIMENTO, nenhuma das outras doutrinas sobre o fim de todas as coisas ou o começo de todas as coisas que excede o nosso tempo, pode substituir a verdade. Falo aqui, então, daquilo que você é capaz de compreender e demonstrar como verdadeiro no aqui e no agora mais imediato possível. Saia do quadro geral e mais amplo dá totalidade para ver isto é depois volte a ele para verificar como ficam as coisas depois disso. Veja sim que a fé é um bom apoio quando não temos para onde correr. Que a expectativa positiva é um bom amparo no desalento e na lamentação, mas não consegue resolver sozinha a questão da verdade e da imposição da realidade sobre nossas vidas. Nós sempre queremos todos os milagres e abençoados são aqueles que obtém milagres, mas a regra é outra. Por isso, para terminar, tome esta verdade pela mão que por mais mínima que ela pareça é com ela que vais sobreviver.


Como dizem muitos por aí, aos olhos de Deus menos pode ser mais e mais pode ser menos. É se você não acredita nele, isso não te impede de usar aqui a mesma regra. Diminua o tamanho dos teus problemas, simplifique e resuma. Esta velha regra para a direção do espírito há de te fazer bem e te poupar de muitas confusões pelo excesso e pela desmedida. Descartes tinha razão em muitas coisas, nos deixou muitos anos argumentos interessantes, mas sempre me convenço que suas maiores contribuições foram formais e que, por incrível que pareça, a grande maioria delas tem aplicação moral e nos ajudam a chegar a um equilíbrio nas paixões e tocar a vida de forma mais virtuosa.

A velha característica da tragédia: todos perdem um dia, sem exceção...


POBRE BRASIL

"Nos anos de 1990, o México implantou todas as reformas neoliberais exigidas pelo mercado, incluindo a previdenciária e a trabalhista. Hoje, por conta da elevada informalidade do mercado de trabalho, a maioria da população economicamente ativa não contribui para o sistema; como resultado, 77% dos idosos não têm cobertura previdenciária; e, a pobreza alcança 39% da população. Quer saber como será a questão social brasileira daqui a 20 anos? Estude e entenda o que está acontecendo no México."

NÃO VOU SERVIR

Stephen Dedalus: " Eu vou te dizer o que vou fazer e o que eu não vou fazer. Eu não vou servir aquele em que não acredito mais, se ele se chamar de meu lar, minha pátria, ou a minha igreja: e eu vou tentar me expressar em um modo de vida ou arte tão livremente como posso e como inteiramente como eu posso pensar, usando para minha defesa as únicas armas que eu posso me permitir usar – o silêncio, o exílio e a astúcia."

Retrato de um artista quando jovem. James Joyce.


Original: "I will tell you what I will do and what I will not do. I will not serve that in which I no longer believe, whether it call itself my home, my fatherland, or my church: and I will try to express myself in some mode of life or art as freely as I can and as wholly as I can, using for my defence the only arms I allow myself to use — silence, exile and cunning."

Do Pessimismo para a Graça

Agora entendo a dedicação de muitos ao humorismo na ditadura militar. Ou seja, entendo porque muitos ficaram fazendo graça ou pirraça na ditadura militar. Não é por cinismo não. De fato, trata-se de uma estratégia de sobrevivência. Um recurso para preservar a sanidade em meio a loucura e a decadência de um país, isto é, um meio para sobreviver no reino da burrice.

Dureza é a vida para qualquer inteligência mediana e bem informada neste país. Lendo os compartilhamentos que fiz no ano passado e tendo a perspectiva pior em qualquer direção que as coisas sigam me dei conta do todo da obra, do alcance e das implicações do ridículo que vivemos.


Se fica pessimista sim. Este é um pessimismo racional de certa forma. Não vamos sair mesmo do pior dos mundos possíveis, o muro de lamentações e os e prejuízos sociais e culturais vão nos próximos dez ou vinte anos só aumentar.Vou virar humorista. Acho que é a única saída mesmo. Muita ironia e garbosidade. Bom humor e informação precisa ajudam muito na sobrevivência psíquica dá gente. Mantendo, então, a ternura, mas endurecendo nas tintas.

SOBRE O ESTADO DE COISAS NO BRASIL E SUAS PERSPECTIVAS E SAÍDAS: THE BURNING QUESTION

Meu bom amigo, ótimo fotógrafo e professor de filosofia, Luiz Felipe Sahd, postou no seu perfil do Facebook, após a greve geral, o seguinte texto ou comentário:

"Breve comentário: após o golpe de Estado e a instauração do estado de exceção judicial, fiquei descrente em relação a possibilidade de construir uma sociedade mais democrática que superasse aos poucos o direito penal do inimigo no trato das relações sócio jurídicas entre os mais pobres, a grande maioria da população. Mas depois de hoje, da greve geral, mesmo mantendo a falta de otimismo, começo a achar que o outro lado também começa a perder o otimismo. Isso pode ser positivo."

De certa forma hoje, todos que reagiram contra o golpe, alguns com mais otimismo e a maioria extremamente pessimista, pelo quadro desenhado e pelos atos e expressões que o acompanharam, olham para o horizonte com um pessimismo crescente e muita angustia e desalento. O que Luiz Felipe expressa é que agora, com a greve geral, mesmo os golpistas ou defensores da agenda golpista, passam a perder seu otimismo ufanista e exaltado. Ou seja a arrogância golpista passa a andar um pouco envergonhada.  

Pois, a cada dia que passa, se exibe mais nitidamente e escandalosamente a face vergonhosa e a disposição e o revanchismo, as hostilidades e absurdos, que a confraria golpista aplica duramente e impiedosamente contra a democracia e as instituições, os direitos dos trabalhadores e cidadãos e contra o patrimônio nacional, ficam mais e mais escancarados. E não é por falta de reação que eles fazem isso. Existem reações diversas, protestos, greves e manifestações por todo lado de descontentamento. Mas eles detém o poder e os poderes de certa forma. Mas sim pelo seu caráter usurpador e a baixa qualidade das ações dos usurpadores e a sua completa indiferença às repercussões e a sua blindagem midiática e ideológica, parece que nada vai mudar o curso das coisas e das ações. Vemos exemplos disso em toda a parte. Em Ministérios, em Tribunais, Parlamentos e Governos.

Creio que a situação começa a se reverter, porém, no sentido de que o “outro lado” parece recuperar terreno, mas que o povo de fato só os engole, porque não vê outra saída, não há outra alternativa. Porém, é preciso reconhecer que continuam sob suspeita, com uma crise de confiança e credibilidade que ainda não foi superada. Uma terceira via, porém, ao contrário do que imaginam seus players e apostadores, sofrerá também os mesmos riscos já postos à oposição atual e à situação atual. Não há um caminho neutro e defeso em relação ao grau de acirramento anterior a eleição ou posterior. Toda ilusão sobre isto precisa ser dissolvida para que o quadro real seja compreendido de fato e superado. Defendo aqui que não vai haver superação disso sem mudanças nos modos generalizados.

Eu ainda ando, portanto, sim muito pessimista, mesmo após ter lutado e continuar lutando e tentado reconstruir com meus companheiros e companheiras nosso patrimônio político. Apesar de termos realizado uma grande vitória em nossa cidade – São Leopoldo no Rio Grande do Sul - ainda vejo um quadro duro no futuro, duríssimo.

Mesmo que Lula consiga ser candidato e vença, o que não é nada impossível pela sua força no imaginário e pela sua capacidade efetiva de liderar a política em qualquer tempo, pelo nível de hostilidades, intolerância e pela falta de escrúpulos da oposição, talvez seja mesmo necessária uma solução autoritária para debelar toda a instabilidade e insustentabilidade política do país. E isto é um marco e um desafio muito ruim para todos os brasileiros. Não é uma alternativa nada agradável. É uma alternativa pesada, de alto custo, com muitos riscos, porém, não vejo mesmo outra. Pela esquerda ou pela direita, e mesmo pelo centro, portanto, esse parece o único caminho para sair do atoleiro em que fomos enfiados pela inconseqüência e irresponsabilidade de muitos agentes do cenário político e institucional brasileiro. É isso o motivo pelo qual escrevo agora sobre este tema. Sobre esta questão ardente que toca de fato a todos.

Vai ser muito difícil, com isto ou sem isto, conquistar estabilidade política e democracia plena de novo. Porque o animus beligerandi dissolve todo e qualquer espaço de convívio e de equilíbrio nas relações políticas e sociais e nos laços de confiança necessários para uma democracia.

Imagino uns dez anos ou vinte anos de reconstrução dolorosa ou de trágica perseguição deste objetivo no país. E a hipótese de reconstrução, que é a mais lógica e desejável, anda muito inviabilizada, porque a forma como os direitos são atacados, as cenas de violência institucional e verbal, a lanheza inescrupulosa da situação é sintoma de que eles já atravessaram o rubicão do bom senso faz tempo.
Uma idosa de 82 anos, que viveu a Segunda Guerra na Europa em sua infância, ao tratar do que ocorre no Brasil hoje, e vislumbrar a mesma perspectiva negativa que eu vejo e que ela também avista, me olhou e me questionou hoje. Se eu não ia fazer nada. Eu só respondi para ela: não posso fugir! Não posso abandonar o pais, minha família e filhas e ir embora deste filme e cenário. Não há refúgio possível. O exílio seria vergonhoso. A busca de uma vida melhor, seria moralmente um gesto de covardia para mim.

O quadro porém é péssimo e o golpe mostrou isso e a agenda golpista vai agravando isso. Poucos conseguem olhar para o quadro geral e negar que é gravíssima a situação. E, porém, apesar de tudo pelo que temos passado, ainda existem alguns companheiros e companheiras de esquerda que parecem fingir que nada aconteceu. Atuam na institucionalidade como se o cenário futuro fosse seguro e os males do passado contornáveis. Para eles, parece que basta a busca de apoio na sociedade, a busca de votos e que tudo será reconstruído com uma vitória eleitoral. Mesmo na relação entre companheiros, vejo que a coisa continua ruim. As relações deterioradas, os personalismos, os métodos de ruptura do debate sério, a retórica pseudo ideológica, as disputas por espaços em qualquer tipo de aparelho, continuam. Os velhos métodos continuam em ação. O povo nos apóia, porém, por isso mesmo, com uma certa desconfiança ma non troppo, dura e de doer que só será superada com mudança de método e de postura. E isto, porém, não tem ocorrido na cabeça de alguns, mesmo com toda a derrota que colhemos em 2016, alguns ainda se comportam como se estivéssemos em um jogo normal. Qualquer um que fale e dialogue com os cidadãos de forma livre e não doutrinária, sem dogmatismo ou imposição de opinião, sem excessos descabidos, sabe o que o povo, o cidadão e a cidadã pensa. “Conhecemos vocês, mas parece tudo igual.” Esse juízo está plantado na cabeça das pessoas. E não se pode mesmo atribuir tudo à grande mídia ou à uma grande lavagem cerebral. Algo de fato ocorreu e foi testemunhado pelos cidadãos e cidadãs.

É neste quadro que eu penso agora. Vencendo com Lula o nosso “que fazer?” será muito, mas muito arriscado. A lógica atual implantada e generalizada é o vale tudo pelo poder e o matar ou morrer assanha muitos em várias posições. A perda total de escrúpulos, empurra os cidadãos, a sociedade e o estado para um endurecimento cada vez maior. Não deixo, porém, de crer que neste cenário duro, talvez Lula seja realmente o líder político com maiores escrúpulos, mesmo após ter vivido o terrível pesadelo e perseguição covarde e impiedosa que tem vivido.

Caso Lula vença, até mesmo pelo nível de covardia que ele tem sofrido diuturnamente, vão com certeza tentar derrubar ele e não há, também, nenhuma perspectiva de que Lula se eleja com uma maioria de deputados e senadores que vão dar estabilidade ao seu governo. Nem a estratégia diplomática, de negociação e conciliação serve mais agora ou resolve o problema. A boa fé e a confiança no outro foi diluída. Força para derrubar os vícios não resolvidos e que não vão nos sustentar mais, é o que é necessário. E isto, como alternativa positiva, só será possível se forem reconstituídos certos valores intrínsecos à democracia.

Em teoria política, John Locke – talvez um dos maiores gênios políticos que já pisou nesta terra - fala em trust, quando trata de confiança. Para ele é isto que constitui os laços necessários entre os diferentes e os adversários. Isso é o que foi quebrado no Brasil. Não há mais trust no Brasil. E como se você não pudesse dar inicio a um debate ou a um jogo por falta de confiança de que o outro vá responder à altura e com qualidade. As respostas a qualquer lançamento ou proposição alternativa vem sempre com baixa qualidade e são em sua maioria desrespeitosas e intolerantes, inescrupulosas e vis. E alguns se prestam a reproduzir elas no espírito do “é isso mesmo”. E vão junto nesta lógica pelo efeito manada e orientados por uma paixão com gosto por soluções absolutas e definitivas, sem sequer pensar no curso perigoso destas preferências e paixões

A democracia é absolutamente insustentável sem laços e sem tolerância. Os pleitos eleitorais no Brasil ganharam uma dimensão muito ruim no último período. Alguns porque não sabem perder e outros porque vencem somente com marketing e sonegam seus programas vendendo ilusões de inocência e bom mocismo. E quando governam, é aquela desgraceira e irresponsabilidade eivada de choque de excelência, show de competência e muita barbaridade e absurdos na gestão pública. A regra geral dos perdedores agora não é mais fazer oposição, disputar projetos, mas derrubar à qualquer titulo ou pretexto, os eleitos. Não se aceitam os resultados e se prossegue tentando impugnar a representatividade e a legitimidade dos eleitos. Perdemos completamente o fair play. E com isto se ergue e se propaga a intolerância, o revanchismo e as hostilidades ilimitadas entre todos.

E a tolerância e os laços dissolvidos são de difícil resgate. Este resgate envolve resgate de valores. O que só se resolve com grandes valores para todos. É necessário, então, que todos queiram ou que a maioria dominante ou dos dois lados ou três da disputa queira e não basta mesmo que só uma facção ou fração queira.

É a falta de uma força de fé no futuro que atormenta este pais. Isso é justamente com o que nos debatemos negativamente em nossa discussão aqui agora no Brasil. Não há nenhuma expectativa mais de ações virtuosas de parte a parte. Isso é o fundo do poço de uma sociedade deteriorada. As hostilidades e a falta de boa vontade para desarmar elas, a falta de limite nas hostilidades e o abandono completo de qualquer forma de elegância nas disputas. A lógica do usurpador comtaminou a sociedade de uma perda completa dos escrúpulos. Ao assistir algumas sessões no Senado e na Câmara de Deputados, nas Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores vemos os mesmos sinais.

Porque está fé no futuro está dissolvida? Sabemos. Como reconstruí-la é o nosso problema. É isso o que me preocupa no texto do Luiz Felipe. Sim, os dois lados sentem que a situação está péssima, mas não há nenhuma iniciativa ou perspectiva de reversão. O que vemos é os golpistas aplicando um plano à revelia da grande maioria da sociedade. E toda a sociedade assiste isto, este espetáculo autocrático e autoritário, com reações que não obtém eco algum. Não há assentimento para a agenda golpista e mesmo assim ela persiste de forma assombrosa sendo aplicada pelo governo de modo irresponsável e irrazoável.

O país está dividido em três grandes facções. Duas partes intolerantes e uma que quer evitar ao máximo está refrega, fugir ou somente se proteger disso. É esta parte que se dobra e se vende fácil para a direita e fica corajosa contra a esquerda. No fundo, eles não temem a esquerda e por isto não respeitam a esquerda. Olha para esquerda como um conjunto de sonhadores, como uma fração de incapazes pela lógica das crenças plantadas e entranhadas na opinião pública e mesmo que a esquerda esteja certa, persistem submissos à agenda golpista. Rejeitam a agenda em todas as pesquisas de opinião, mas não dão o passo em frente de repudiar publicamente esta agenda. Roda a roda e não produzem posições públicas. Se mantém alguns ainda muito tímidos e recuados, para não dizer omissos. Porém, não haverá água que lave as suas mãos, quando o inferno social brasileiro se consagrar. Eles olham para o quadro geral como se fosse apenas um caso de não chorar pelo leite derramado. Porém, é de outra cor a substância que escorre de suas omissões e indiferenças.

Esta parte, que era bem mais tímida no passado, está solta no espaço virtual e ultra-pragmática e repete a retórica golpista no mundo real. Legítima o golpe pelo é isso mesmo também. Está difícil reconstruir, então, uma posição sensata na sociedade. Com as igrejas e seitas crescendo – e todo respeito meu vai aqui para aqueles que efetivamente e responsavelmente não fazem isso - só aumenta a intolerância e o fanatismo. E isso leva aquelas fantasias conhecidas de dar solução absoluta e final para qualquer tipo de problema. Isso tem seduzido uma parte da sociedade.

Acho que é bom vacinar as pessoas neste quadro e contra as perspectivas negativas de cenário futuro. Até porque mesmo uma terceira via corre os mesmos riscos autoritários. E isso não é vantajoso para ninguém. Só para os insensatos. E ninguém razoável quer ser governado por insensatos. Este é o extremo risco que corremos. Sermos governados por insensatos e de forma insensata e sofrer um avanço autoritário na relação entre estado e sociedade no Brasil. Vejam que isto já ocorre claramente em muitos estados e cidades e que o modus operandi do governo federal no congresso, segue claramente a mesma lógica. Nem vou, porém, falar nada do judiciário desta vez. Porque dispensa completamente comentários e considerações de qualquer natureza. Enfim, esta é a questão ardente e que interessa a todos responderem no Brasil: como superar o quadro atual e o animus beligerandi atual do nosso pais?



NO TRUST
NO FUTURE
THIS IS A BURNING QUESTION

Daniel Adams Boeira

São Leopoldo, 5 de maio de 2017.


P.S.: O texto é resultado de diversos diálogos sobre a conjuntura nacional que desde o ano passado tenho realizado. Grandes amigos e amigas, alunos e alunas, colegas e profissionais de educação, jornalismo, agentes políticos e militantes sociais e sindicais. Também empresários e setores médios que passam a reagir contra os descalabros do governo Temer. Donas de casa, país de família e trabalhadores que tem memória histórica da ditadura militar. Muitos poderão ser citados aqui por que apontaram uma ponta ou outra deste meu texto literário que não passa de um encordoamento de impressões e ideias de muitos. Agradeço... Espero que o conteúdo do texto seja realmente uma ficção nossa. A questão interna ao PT, que evitei expressar aqui, apesar das críticas apresentadas, no fundo, é para mim mais ou menos assim: Acho que a questão real é Muda PT, por que o povo brasileiro quer voltar a confiar em você.

DA BELEZA À MORTALIDADE NA ROSA




“A beleza pode ser vista como algo que põe a casa em ordem, digamos, para permitir uma apreciação de outras coisas, do mundo, de coisas para lá de nós próprios e das nossas limitadas preocupações. A beleza dos territórios selvagens fala da grandiosidade da natureza e da pequenez dos seres humanos; a beleza da paisagem rural fala do cuidado e atenção de gerações de pessoas que dela cuidaram; a beleza da rosa fala da natureza fugaz do prazer e da aceitação da mortalidade.”


Simon Blackburn