domingo, 22 de janeiro de 2017

8 DE JANEIRO DE 2017: ANOTAÇÕES

Chega ao sopé da montanha da vida e uma alcatéia o recebe uivando desconfiada do estranho.

Plano sequência. Um homem se desprende da multidão e começa a caminhar até sair da cidade. Pega uma carona no caminhão dos sonhos.

E a chuva começa para molhar minhas ideias. Nenhuma gota cai em vão. 

Entre ponto e outro, vejo um texto sendo preenchido, só meu.

"Pegue o seu coração partido e transforme-o em arte."
- Meryl Streep

Zé Ramalho - é aquela que fere, que virá mais tranquila...

Chuva, banho, chuva e banho. Gotas caem sobre minhas ideias. Valeu Bauman!

Boas razões são bem vindas e só serão encontradas com muito rigor e precisão. Deixe a queixa e o desdém para quem não sabe.

Foi só um sentimento e a realidade era outra. O que deve te guiar aqui? Quando for capaz de responder a isto...

Todo o teu medo, toda tua mágoa e insegurança se dissipam e você descobre que foi só isso.

Nem sempre as nossas conquistas coletivas nos pertencem ou nos contemplam. Não há problema algum com você.

Preciso passar ali e deixar a chave daquela porta para seguir caminho.

E insônia passou a ser revelação. Reflexão e mística dão licença para a praxis. Não idéias perfeitas e nem redenção, mas a vida.

Como é bom acordar com o dia resolvido em sua cabeça. Sabendo que a chuva não pede licença para vir, que não dá para parar o sol.

9 DE JANEIRO

Afinal, é após o sermão da montanha, boa caminhada, que se faz a distribuição dos pães, e da água, um bom vinho.

Fazer o tema de casa não basta, é preciso comparecer à aula.

Num mundo paralelo de ilusões e fantasias isto pode dar certo, mas na vida real este logro é prejuízo.

A filosofia mais barata há de custar muito mais caro. Não existe uma mágica que garanta êxito com ideias podres. Não dura muito...

O primata que imaginou um outro mundo e uma outra vida olhando para a lua, olha agora para o céu pensando que depois da chuva...

Entre a pílula azul e a pílula vermelha se faz uma escolha definitiva. Ou tudo fica como está ou tudo muda realmente.

Precisamos nos libertar do passado para tornar um futuro viável. E é preciso pagar a passagem para que isto seja possível.

Adeus às velhas armas. No crepúsculo é preciso olhar para o lado certo. Não há luz no passado. A repetição é uma farsa.

A terra geme com os passos de todos nós. E os canhões e trovões anunciam do que se trata.

Bauman e o ganha ou perde entre liberdade e segurança. Ao par revolta e silêncio vale a mesma regra.

Até mesmo fora da caverna de Platão pode haver uma caverna maior nos envolvendo. Mundo duplicado.

A mesma luta que nos liberta pode também nos aprisionar.

A mesma chuva que lava a nossa alma pode nos tirar a vida.

E vemos que para fazer isto temos só duas opções: o silêncio e a revolta. Qual é a escolha digna?

Deve mesmo ser uma proeza seguir a vida sem se beneficiar ou assinar isto.

E realmente impressionado com a cara de pau dos privilegiados. Já vi caírem por falta de mérito e ficarem em pé sem caráter.

Isso não é um drama, não é ficção, não é um teatro. A luta pela vida não se encena, se vive...Não é um discurso.

Assim caminha a humanidade num ciclo de luta, conquista e revolta. Trabalho, renda e desigualdade.

Como vemos a colheita sendo feita por quem não plantou.

Como vemos também os exploradores tripudiando aos explorados.

Assim vemos os bafejados pela sorte tripudiando o azar alheio.

Para algumas pessoas não basta receber privilégios, pois é preciso também tripudiar e diminuir aqueles que não recebem.

Mentalidade de liquidação: Tudo vale menos. O trabalho vale menos. A vida vale menos. O pensamento vale nada. E as palavras são sem valor, sem medida e dignidade.


Sobre o impulso incontido ao deboche com a morte de Bauman. Mentalidade de liquidação.

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