domingo, 27 de novembro de 2016

TORSO ARCAICO DE APOLO Rainer Maria Rilke - GRATO RENATO DUARTE FONSECA

Não conhecemos a sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo ergue-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as suas fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: precisas mudar de vida.


Tradução de Mário Faustino, Poesia completa e traduzida. 
Org. Benedito Nunes. São Paulo: Max Limonard, 1985, p.262-263.

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