domingo, 9 de outubro de 2016

POR UMA ECONOMIA DOS AFETOS (01/10/2016)

Ontem estava mesmo dizendo algo sobre o pano de fundo de tudo isto. Algo que tenho conversado muito com colegas e amigos no que toca ao meu modo de ver certas crenças da gente. Minha esposa Regina Porto tem sido uma espécie de grande parceira neste debate também. Porque nós dois possuímos crenças diversas, em alguns caso conflituosas, mas preservamos nossos afetos comuns. E sempre lembro do meu falecido irmão - o Rafael que nos faz falta a cinco anos já - neste tema. Tínhamos muitas crenças em conflito, seja em detalhes, por nuances ou por ênfases, mas possuíamos muitos afetos comuns também e a gente ria muito disto também. Os conflitos políticos, religiosos, tradicionais ou inovadores e epistêmicos ou morais, pertencem todos eles e encenam todos eles um certo regime de crenças, uma economia de crenças. Então, na real certos conflitos não se dão entre pessoas, mas sim entre sistemas de crenças e as pessoas que se lançam neste conflitos agem como peões orientados por certas crenças, valores e também desejos e intenções. Alguns são mais autoconscientes e percebem isto e aprendem a separar toda aquela convicção e de seus afetos, já outros não. Assim, trato aqui do recorrente conflito entre nossos regimes de crenças, sistemas de crenças e nossos afetos. Nossas crenças mudam, podem mudar, podemos descobrir seus equívocos e falhas, erros e enganos, mas nossos afetos não. Apesar dos afetos mudarem em grau, noto que eles não deixam de existir. Mesmo quando nossas crenças comuns deixam de existir, fica ali entre nós uma base afetiva. Desta forma nossos afetos devem ter maior consideração em nossa economia da vida. E devemos cuidar muito deles e dos seus objetos que realmente tem importância para nós. Tenho muito respeito pelas crenças de todos, e aprendi mesmo a não me apegar por demais em certas crenças, tendo em vista minha disposição a fazer mais sínteses positivas do que conflitos, mas prefiro mesmo respeitar mais nossos afetos. Quando mudarmos nossa economia de crenças por uma economia de afetos, mudamos esta lógica perversa. E eu creio que nosso mundo será muito melhor, nossas relações com os outros serão melhores. Esta é a a posta que faço. Aliás, lembrei disto em três situações ontem. Na primeira, lembrei com minha colega Carolina Sá Mendes, disto e relacionei com Jesus Cristo que mandava amar uns aos outros muito mais do que a qualquer coisa - penso que crenças também devem se subordinar a este princípio. E que, portanto, amar é um ditame orientador de todas as nossas disposições apesar das crenças que possamos ter. Na segunda situação, relacionada a uma brincadeira com amigas do Ceprol, Andreia Nunes, Angelita Lucas e Cristiane Maria Mainardi, expressei que meu afeto era independente do que quer que eu viesse a acreditar ou pensar sobre qualquer coisa. Depois, numa situação de debate com um velho amigo professor sobre saúde e alimentação, ao final, o que restou de nossas clássicas divergências foi a graça. Sim, a graça infinita de nos sabermos nesta vida, próximos e num mundo comum. A educação e o diálogo, a democracia e o respeito sempre vão acabar por nos guiar para isto.

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