domingo, 23 de outubro de 2016

O MEU CORCEL VERDE ÁGUA

Ontem ao final da tarde passou um corcel verde água ano 75 por mim e minha irmã e eu me lembrei do dia em que meu pai chegou com ele na estação rodoviária, estacionou bem no balão da curva do estacionamento e nos chamou para ver. Eu gostei dele à primeira vista. Já era usado tinha mais de cinco anos. Aquela cor é inesquecível para mim, porque ainda hoje ajuda a testar meu humor e me anima em diversas situações que a encontro. Aprendi a dirigir com aquele carro me parece e fazia força para alcançar os pedais. E foi com ele também que eu fiz bobagem uma noite dando carona para um amigo e fazendo muito caso de algumas gotas de whisky no assoalho traseiro.. Foi uma barbeiragens na Rua São Paulo que me custou duras repreensões e que custou ao meu pai um prejuízo que um dia tentei reparar. Depois do meu acidente, de uma colisão traseira numa esquina de acesso à BR 116 em Esteio que não existe mais e de uma peixada de um outro eletricista – o memorável Chico, foi que de vez passaram uma tinta verde fosca nele e ele ganhou o apelido de Sargento e durou até o dia em que meu pai se desfez dele. Depois que vendeu ainda vi ele num ferro velho em cima de uma pilha de latarias e me impressionou por que ainda tinha aquele ar selvagem e audaz dos velhos tempos. Ontem quando vi um irmão dele andando tive uma ótima sensação. A sensação de uma boa lembrança, pois que a tração dianteira e também a arrancada dele eram coisas geniais para mim, porque eu sentia o motor e as rodas nas pontas dos pés e deve ser esta uma das sensações mais legais da direção mesmo. Um dia pisei fundo quando ele já era o Sargento e a lataria tremeu toda, mas foi uma ótima e inesquecível sensação. Assim como andar de moto sem capacete foi um dia legal e deixa para a gente aquela sensação de liberdade com o vento na cara, aquele carro foi para mim a melhor experiência de integração homem/máquina que eu tive. Deve ser uma coisa de guri isso. Algo bem parecido ou semelhante só fui sentir com a guitarra entre as mãos. Mas daí já é outra história...

O SIGNO, A ONDA E O CHOQUE DO RETROCESSO



Deve ser terrivelmente torturante - e para mim é muito torturante isso - como deve ser ao outro portador de consciência moral, política e histórica, aos mestres e aos mais sábios, como deve ser ao homem comum mas sensato e prudente ver e perceber com nitidez e precisão que o Global e o Local estão, de fato, na mesma sintonia de insensatez...que o atraso e o retrocesso e que o signo negativo se exibe em abundância e desavergonhadamente...a abordagem do padrinho é tocante...Não consigo discutir muito isto pois o nível de responsabilidade por este estado de coisas todo em parte é muito claro e de outra parte muito obscuro. Teriam sido estas coisas produto da liberação indiscriminada do amplo circuito de opiniões ou do vale tudo generalizado do tempo presente que fez com que o mais estúpido, o mais torpe, o mais imbecil e o mais reacionário virassem a voz das multidões pela abundância de oferta da opinião leiga e comum? O senso comum dominante que aqui no Brasil elege e está elegendo e reelegendo certas criaturas deve ser o mesmo que coloca um Donald "fim do mundo" Trump na berlinda do processo de retrocesso. Não consigo mesmo desconectar ou desligar uma coisa da outra...leia com atenção o artigo do Caçapava: http://www.anpof.org/portal/index.php/pt-BR/comunidade/coluna-anpof/835-as-eleicoes-americanas-de-2016-como-sinal-historico

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

TODA PERSEGUIÇÃO É PRENÚNCIO DE UMA VITÓRIA (15/10/16)

Lembro sempre deste tipo de perseguição que alguns jovens, seja por que motivo for, sofrem e vão continuar sofrendo por acreditarem que o mundo pode ser diferente, por acreditarem em sonhos e em utopias...e toda vez que faço isso penso que aqueles que atacam estes jovens são os pobres de espírito, carentes de alma e de paixão pela humanidade e vivem como se a nossa vida fosse um jogo de sobreviver, destruindo ao próximo e seus sonhos e impedindo o próximo de ser feliz também á sua maneira e com suas concepções. Algo do que eu e muitos da minha geração e outras vivemos hoje no Brasil deve nos lembrar mais ainda de que toda a dor que sofremos, ou que todo mal que se abate contra nossos ideais mais sinceros pode apenas ser o prenúncio de que se suportarmos tudo isto, chegará o dia em que esta provação será lembrada como o momento em que mais nos depuramos e mais fortes ficamos por saber de verdade o que é essencial, principal e determinante. Se engana muito em sua vaidade, arrogância e maldade aqueles que acham que váo ao fim e ao cabo nos destruir. Não conseguirão mesmo...nós vamos prosseguir companheiros e companheiras, medo não há...mesmo que queimem todos os nossos navios, nós sabemos nadar e sabemos viver neste mar em que habitamos, respiramos e lutamos em todos os tempos possíveis, sejam de bonança, sejam de tempestade....

O CÃO E A SERPENTE

E eis que ontem em sala de aula, me lembrei da maestria deste cãozinho contra a serpente, enquanto estava lendo uma passagem clássica da metafísica de Aristóteles, Livro 1 Capítulo 1 e para exemplificar a diferença entre técnica e raciocínios, ou arte de aperfeiçoar a ação humana que é uma das belas sacadas do velho Aristóteles (384-322 a.C.). O cãozinho pela sua sobrevivência e na luta para permanecer na natureza aos diversos ciclos da seleção natural foi se aperfeiçoando a tal ponto de vencer uma serpente poderosa. Note-se que ele atordoa ela com seus movimentos de tal modo que a mesma fica com seus reflexos eficazes muito diminuídos e, então, ele lhe saca a vitória e a vida.

POSSIBILIDADES FUTURAS

Saiba que por incrível que pareça eu tenho uma forte impressão positiva de nossas possibilidades futuras. Apesar de todo massacre que sofremos.

FATIAS DA REALIDADE - NEALE, STEPHEN - ENCARANDO OS FATOS, Ed. Unesp

Um dos temas que tem me fascinado muito nos últimos tempos - desde 2013 pelo menos - é este. E nesta noite ainda tive um insight sobre variações de descrições e flutuações de imagens. Os fatos são vistos sempre de uma perspectiva, mas podemos ver eles com um quadro de todas as perspectivas possíveis? Se Neale nos ajuda em algo parece ser esta ideia de que podemos ter fatias da realidade. Mas se é assim, então, surgem outras possibilidades. Podemos construir uma imagem ou uma descrição completa disto? Com certa divisão de descrições rígidas e flexíveis desta realidade. Olhem estes exemplos aplicados em muitos filmes cuja distorção intencional do espaço e tempo mostra como a realidade sofre alterações. A lista de filmes com isto cada vez aumenta mais. As novas tecnologias me parecem contribuir muito nesta direção de incrementarmos nossa capacidade de pensar cada vez mais uma amplitude de diversidade e abandonar de vez o finitismo num futuro não muito remoto. E eu lembro aqui das séries de mundos possíveis e também das variações espaço e tempo a priori. Bem...longa prosa sobre as possibilidades de transitividade de nossa compreensão em qualquer linguagem ou tradução e mesmo em sistemas formais...

VÃO PRENDER LULA? ATÁ...

Lula não é um corrupto, nem corruptor, não é um lacaio da burguesia e nem um lambe botas da elite, não é um chefe de quadrilha ou um canalha, ele vive um flagelo terrível cuja dimensão é muito maior do que muitos imaginam. Este flagelo ultrapassa a pessoa dele, seu partido e seus aliados diretos. É uma bobagem ler este processo como algo particular. É preciso ser muito ignorante para pensar assim. Tenho convicção desde muito tempo que ele vive na ponta da estrutura política brasileira com um papel e interação fundamental pela esquerda desde meados dos anos 70 e poucos tem a percepção que ele tem dos processos políticos brasileiros e também das perspectivas que se apresentam pela frente. Eu não tenho a menor dúvida de que se aquilo que estão preparando para ele vingar, ele será somente o rubicão de um processo de perseguição muito maior que envolve também passar por cima do resto da esquerda. E a falta de solidariedade à ele e à outros demonstra que vira barbada fazer o que bem entender com qualquer um, sob qualquer pretexto. Não é só a moral seletiva que se exibe aqui, mas sim também uma justiça fortemente orientada ideologicamente e isto não é mesmo pouca coisa. Sobra coisa ruim para muita gente depois dele viu... Ele ficar no Brasil e suportar as consequências todas como suporta, deveria servir de sinal para todos os outros que querem ocupar o seu papel ou lugar na esquerda reagirem, abandonarem a perspectiva de testemunhas da história ou de sujeitos passivos no processo, abandonar a perspectiva pseudo crítica e moral também, pois não se trata mesmo de salvar só o couro dele não...perigosa não é a sacralização, mas sim a cristianização e crucificação de Lula como se purgasse os pecados de todos os outros da direita e da política nacional...

PARA GOVERNAR ESTA CIDADE - SÃO LEOPOLDO URGENTE

Devem sair dos gabinetes e dos almoços refinados e estar de galochas atendendo ao povo que sofre mais inundações e enchentes, ajudar onde conseguem, apoiar e saber onde estão os problemas de drenagem urbana e aproveitar para conhecerem a cidade que ainda não conhecem.

E o atual gestor que ainda não aceitou o resultado eleitoral, deveria iniciar os trabalhos de transição e deixar os cidadãos ao par dos projetos pendentes nesta área de planejamento urbano, drenagem urbana e saneamento da cidade. Tomar uma iniciativa de responsabilidade e assinar de uma vez o contrato de obra da ampliação da Avenida Thomas Edison, feitura da quinta ponte e da Obra da Avenida Dom João Becker, para se começar a pensar como resolver também o tema da drenagem da região da Scharlau via obras na Avenida Thomas Edison. E não ficar fazendo de conta que é sério..

NÃO FOI EM VÃO - Balta presente! (18/10/16)

o Balta era um cara que levantava a bandeira do PT independente da maré, do vento ou das notícias. Eu adorava ser parceiro dele para qualquer coisa. Desde limpar a sede do PT ate marchar de vermelho com a bandeira nos vestindo! Podes ter certeza que ele foi um dos grandes responsáveis pela nossa gloriosa vitória com Vanazzi e Paulete em São Leopoldo. Ajudou a eleger a Ana Affonso e sempre segurou coma gente a luta contra o golpe. Enquanto outros vacilaram ele estava firme. Baltazar presente para todo sempre! A melhor forma de homenagear ele é continuar lutando, construindo e organizando o partido e melhorando a vida do povo brasileiro, gaúcho e leopoldense!

Muito obrigado meu companheiro Pedro Paulo Baltazar!!! Vamos sentir muita falta de você e tua esperança irá ao final desta jornada vencer!!! Tenho muito orgulho da tua amizade, companheirismo e camaradagem!! ôooo meu professor! Jamais te esquecerei...nós que vestimos o manto vermelho juntos tantas vezes e com tanta alegria...

2016 E OS TESTES DESTA VIDA

Já tive anos tão agitados quanto este. Não vou listar aqui todos os eventos, pois devo deixar em aberto um balanço final, posto que ainda é cedo e muita coisa pode acontecer para arrematar em definitivo este ano. Lembro meu 1993, assim como 1989, 1998, 2004 e, também, 1977, mas 2016 vai seguindo batendo todos os quesitos de situações inusitadas, reviravoltas, grandes lutas juntas, situações de superação, situações de surpresa e também grandes descobertas e muitas ações coletivas. Um mês após o outro me trouxe e a meus colegas, amigos, companheiros, familiares e próximos grandes desafios...foi sofrido, muito lutado, muito trabalho e muitas demandas e pautas simultâneas...nós e eu junto sempre não vencemos todas as pautas e questões, mas mesmo ali onde podemos perceber uma grande dor e grande derrota, vi a semente da vitória e da superação sendo plantada, vi a beleza do afeto, da generosidade, da fraternidade e da grandeza humana sendo expressa, nem sempre em palavras, mas em gestos, sinais e licenças. Não consegui saber em nenhum mês qual seria a questão adicional da vida, o novo departamento em xeque, mas em alguns momentos foi possível perceber antes o que viria, perceber antes o que realmente importa no que viria. Estamos em 18 de outubro deste ano e faltam algo como 72 dias para findar e, apesar de enunciar esta questão bem complexa aqui, não sou profeta, não tenho previsões, nem augúrios, nem temores...estou muito atento...que venham os próximos dias, não estou tão preparado, nem sei o que vai acontecer, mas tenho confiança...

A VIDA DO OUTRO LADO DO ESPELHO

Precisamos abrir nossas mentes para outras alternativas, alternativas melhores em nossos cursos de ação. Talvez pensar um pouco mais, com mais cuidado nos permita viver mesmo muito melhor. Mas prestando mais atenção aos sinais do mundo também. Tenho pensado neste tipo de coisa também. parece que nossa vida passa por um espelho e quando passamos para o outro lado algo continua mesmo em uma outra dimensão e outra forma. A imagem abaixo foi muito bem escolhida é do feijão ou espelho de Chicago, no Parque Millenium, que aparece ao final do filme Contra o Tempo, com Jake Gillenghaal, uma obra de ficção maravilhosa sobre vida após a morte e de retorno à vida no tempo, de alteração da realidade causal e fatual através de uma busca incansável em se livrar de um problema e também de um angustiante eterno retorno. O universo paralelo ou outro mundo possível parece conter outras alternativas de ação, decisão, situação e reflexão também. Penso aqui no perspectivismo fatual também ou nas chamadas fatias da realidade que podem ser postas em outra combinação, como um romance de Cortazar, um jogo de amarelinha ou um esquema protótipo de roteiro de cinema com caminhos alternativos.

PARA CERTOS FARÓIS DA ESQUERDA

A minha fé na humanidade e no progresso do gênero humano definha a cada declaração e interpretação do mundo de algumas criaturas que se consideram os faróis da esquerda brasileira. Dá uma vontade de me retirar para o escritório e abolir qualquer ligação com os eventos do cotidiano imediato do meu País. A mistura deletéria de oportunismo, egoísmo, individualismo, moralismo, ingenuidade rasa, idealismo torpe e trôpego com revanchismo e a falta de mera generosidade, bom senso e boa vontade é de doer. Tem muita bobagem sendo dita e feita que logo, logo vão deixar envergonhados não os seus autores ou autoras, mas aqueles que num futuro talvez nem tão remoto tiverem o papel de narrar em detalhes e com precisão os acontecimentos históricos do nosso país é da humanidade. É de doer...sem chance de alguma graça....

RADIOHEAD AND LAMENTATION

Eu aprendo muito com o lamento dos outros. E acho que a música é um bom caminho ou método de lamentação. Descubro sempre que minha dor pode ser maior ou menor que a deles, mas que eu não gosto de lamentar, não gosto de chorar, não gosto de sofrer, não gosto de saber que não posso resolver. Não faz diferença nenhuma lamentar,a não ser que você quiser sair do sufoco de sofrer calado ou assistir calado o que não gosta de ver, viver, fazer, saber, sentir e dizer.

UMA PILHA DE SELEÇÕES

Confissões de um leitor incurável: tudo começou com uma pilha de Seleções do Readers Digest... Quando a direita tinha vergonha ou ficava envergonhada...

TODOS CONTRA O NAZISMO

O que algumas pessoas que se julgam as inteligentes e sábias politicamente não sabem ou não entendem é que até a máfia lutou contra o nazismo...

MÚSICA, SENSIBILIDADE, EDUCAÇÃO E HUMANIDADE



Descobri esta obra Low Roar logo que seu primeiro album saiu. Assim como diversos outros grupos e composições que tenho escutado e me ocupado apresentam lamentações - Radiohead, Massive Attack, et Bob Dylan, Neil Young para ficar por aqui - tenho notado que as tais lamentações envolvem "sempre" dois caminhos opostos e que se combinam nos tempos da gente. De um lado, a resignação que é sua face passiva, já de outro lado a agressividade que é sua face ativa e que é mais visível na indignação ou na canção de protesto ou, até mesmo na mera crítica social, seja ela irônica ou destrutiva. Fiquei pensando porque esta forma de expressão passa como que a dominar certa vertente da nossa sensibilidade contemporânea que mistura alienação, marginalidade, fuga e também uma forma interessante de isolamento que não é completo, pois mantém  seu vínculo com o bárbaro mundo impossível e muitas vezes insuportável. Me parece até que o melhor motivo para isto é que é reconfortante poder sair, poder expressar a queixa, mandar a carta para lugar algum, informar ao que já era e também sair dessa, com alegria, satisfação e nem muita pressa ou lentidão. Dar de ombros, grunfar um pouco e seguir. Vejo nos compassos como que de um galope lento ( Tum Tum Tum Tum Tum Tum) um sinal disto. O tempo vai passando e nós vamos indo, apesar de tudo, apesar de você e deste mundo... LOW ROAR:

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A FILOSOFIA NÃO É UMA ESCADA, MAS SIM UM MODO DE VIDA E DE REFLETIR SOBRE A VIDA

- O velho problema da escada e desta perspectiva pessoal - seja ela negativa, seja ela dogmática - sobre a filosofia. E eu aqui pensando em argumentar algo sobre o tema e tentar defender a obrigatoriedade com argumentos ligados ao lugar, a função, o espaço e a relevância do ensino de filosofia na escola. Apos ler um argumento wittgensteiniano que auto refuta isto tudo comparando a filosofia e sua relevância ao ensino de música ou de direito. Sempre penso como um advogado nestes casos e que não devemos defender o que julgamos causa perdida em princípio. Então que se assuma a tentativa de refutar a obrigatoriedade do ensino da filosofia na escola. Eu penso muito, por experiência própria com o ensino da filosofia, que ela é tão relevante quanto qualquer outra disciplina no currículo escolar e que a questão é mais ligada a uma dificuldade de se olhar para o currículo e a nossa educação de forma mais organizada e sistêmica. A filosofia é para mim fundamental para diversificar, dar tratamento não dogmático e elevar a capacidade argumentativa e o acervo cultural dos jovens. Sobre o uso disto por eles, suas implicações e aplicações daí é com eles. Penso que assim como não se pode sonegar determinadas lições num curso de filosofia - o que inclui algo sobre a escadinha também - não se pode sonegar a filosofia no currículo escolar porque ela apresenta uma abordagem e introdução às bases de diversos problemas em aberto na humanidade e também às bases de muitas ciências hoje estabilizadas. Vejo então um interesse histórico no ensino da filosofia como acervo cultural do pensamento humano e também um interesse problemático do filosofar como exercício crítico. Conheço, por exemplo, pouquíssimos professores que ensinam ciências na escola com uma abordagem mais crítica e problemática e creio que a filosofia pode contribuir para desequilibrar esta rigidez nestas crenças. E mesmo para se preservar a democracia e também a necessidade de diálogo entre concepções diferentes e culturas diferentes. Se me perguntarem, por fim, como se deve organizar o currículo eu diria que poderia ser pensado e organizado em quatro chaves. Matemáticas e ciências formais, Linguagens e ciências discursivas, História e ciências humanas, Biologia e ciências naturais e que diversas outras disciplinas introdutórias poderiam se incluídas nestes três grupos sem prescindir de Artes ( e aqui caberiam todas as artes) e Educação Física (com todos os esportes e práticas físicas). Enfim, o problema para mim não é a quantidade de disciplinas - tendo em vista a construção do ensino integral e muitas outras modificações dos usos e das finalidades do espaço escolar que devem ser feitas - mas sim o modo como elas estão organizadas, o modo como se ensina elas e se formam os professores e a questão da qualidade da compreensão nossa sobre a articulação e a relação entre umas e outras disciplinas.

P.S.: é uma resposta meio que de bate pronto a uma provocação do Eduardo Medeiros que de certa forma ironiza o posicionamento de Vinicius Galerani Cuter sobre o tema. - Devo ultrapassar isto nestas próximas semanas. 


Obs.: Meu argumento foi mesmo de bate pronto. Creio que é insuficiente ainda. Teria que discutir coisas mais específicas tipo os objetivos da disciplina e também a articulação dela com as demais e os demais ramos do conhecimento. Não creio que a filosofia seja só um episódio histórico passado, mas não deixa de ser. Como também nao creio que ela seja a única potência crítica entre as disciplinas. Mas não me Parece razoável extinguir a experiência que foi retomada no ensino médio a pouco menos de dez anos e que ainda pode ter ganhos de qualidade e avançar numa definição melhor do seu papel. Queria ver muitos colegas lecionando uns dez anos escolas públicas para se avaliar melhor. Eu leciono fazem vinte já é considero que evolui e fiquei melhor, que is didáticos são melhores hoje e que há um bom campo de trabalho se erguendo que irá refletir também na elevação da qualidade na academia. Não desprezo nenhum esforço na educação e penso que muito mais e melhor pode ser feito se houver mais engajamento, articulação e debate. Tempos para isto e até mesmo uma rotina neste tema e assunto.

Está é a simples vontade de alguns retirar a disciplina do ensino médio ou tornar ela apenas facultativa e, de outro lado, e há também certa abordagem exterior ao tema, apesar de ser filosófica e argumentada, mas é assim me parece mal argumentada.. A blague do Eduardo sobre Mendoncinha e Wittgensteinianos exibe este aspecto no seu limite.

A FILOSOFIA NÃO É UMA ESCADA, MAS SIM UM MODO DE VIDA E DE REFLETIR SOBRE A VIDA

- O velho problema da escada e desta perspectiva pessoal - seja ela negativa, seja ela dogmática - sobre a filosofia. E eu aqui pensando em argumentar algo sobre o tema e tentar defender a obrigatoriedade com argumentos ligados ao lugar, a função, o espaço e a relevância do ensino de filosofia na escola. Apos ler um argumento wittgensteiniano que auto refuta isto tudo comparando a filosofia e sua relevância ao ensino de música ou de direito. Sempre penso como um advogado nestes casos e que não devemos defender o que julgamos causa perdida em princípio. Então que se assuma a tentativa de refutar a obrigatoriedade do ensino da filosofia na escola. Eu penso muito, por experiência própria com o ensino da filosofia, que ela é tão relevante quanto qualquer outra disciplina no currículo escolar e que a questão é mais ligada a uma dificuldade de se olhar para o currículo e a nossa educação de forma mais organizada e sistêmica. A filosofia é para mim fundamental para diversificar, dar tratamento não dogmático e elevar a capacidade argumentativa e o acervo cultural dos jovens. Sobre o uso disto por eles, suas implicações e aplicações daí é com eles. Penso que assim como não se pode sonegar determinadas lições num curso de filosofia - o que inclui algo sobre a escadinha também - não se pode sonegar a filosofia no currículo escolar porque ela apresenta uma abordagem e introdução às bases de diversos problemas em aberto na humanidade e também às bases de muitas ciências hoje estabilizadas. Vejo então um interesse histórico no ensino da filosofia como acervo cultural do pensamento humano e também um interesse problemático do filosofar como exercício crítico. Conheço, por exemplo, pouquíssimos professores que ensinam ciências na escola com uma abordagem mais crítica e problemática e creio que a filosofia pode contribuir para desequilibrar esta rigidez nestas crenças. E mesmo para se preservar a democracia e também a necessidade de diálogo entre concepções diferentes e culturas diferentes. Se me perguntarem, por fim, como se deve organizar o currículo eu diria que poderia ser pensado e organizado em quatro chaves. Matemáticas e ciências formais, Linguagens e ciências discursivas, História e ciências humanas, Biologia e ciências naturais e que diversas outras disciplinas introdutórias poderiam se incluídas nestes três grupos sem prescindir de Artes ( e aqui caberiam todas as artes) e Educação Física (com todos os esportes e práticas físicas). Enfim, o problema para mim não é a quantidade de disciplinas - tendo em vista a construção do ensino integral e muitas outras modificações dos usos e das finalidades do espaço escolar que devem ser feitas - mas sim o modo como elas estão organizadas, o modo como se ensina elas e se formam os professores e a questão da qualidade da compreensão nossa sobre a articulação e a relação entre umas e outras disciplinas.

P.S.: é uma resposta meio que de bate pronto a uma provocação do Eduardo Medeiros que de certa forma ironiza o posicionamento de Vinicius Galerani Cuter sobre o tema. - Devo ultrapassar isto nestas próximas semanas. 

Obs.: Meu argumento foi mesmo de bate pronto. Creio que é insuficiente ainda. Teria que discutir coisas mais específicas tipo os objetivos da disciplina e também a articulação dela com as demais e os demais ramos do conhecimento. Não creio que a filosofia seja só um episódio histórico passado, mas não deixa de ser. Como também nao creio que ela seja a única potência crítica entre as disciplinas. Mas não me Parece razoável extinguir a experiência que foi retomada no ensino médio a pouco menos de dez anos e que ainda pode ter ganhos de qualidade e avançar numa definição melhor do seu papel. Queria ver muitos colegas lecionando uns dez anos escolas públicas para se avaliar melhor. Eu leciono fazem vinte já é considero que evolui e fiquei melhor, que is didáticos são melhores hoje e que há um bom campo de trabalho se erguendo que irá refletir também na elevação da qualidade na academia. Não desprezo nenhum esforço na educação e penso que muito mais e melhor pode ser feito se houver mais engajamento, articulação e debate. Tempos para isto e até mesmo uma rotina neste tema e assunto.

Está é a simples vontade de alguns retirar a disciplina do ensino médio ou tornar ela apenas facultativa e, de outro lado, e há também certa abordagem exterior ao tema, apesar de ser filosófica e argumentada, mas é assim me parece mal argumentada.. A blague do Eduardo sobre Mendoncinha e Wittgensteinianos exibe este aspecto no seu limite.

domingo, 9 de outubro de 2016

SOBRE TABUS DA ESQUERDA - INTELECTUAIS ORGÂNICOS

Eu acho bem legal a Denise Bottman lembrar esta discussão dos INTELECTUAIS ORGÂNICOS. Sou do tempo em que isto parecia um  tabu moral. político e ideológico. O camarada que é oriundo da classe média ou da elite jamais poderá liderar os trabalhadores. Foi bem bom para o Lula isso. Mas me parece uma espécie de purismo ou preservacionismo de classe. Conheci diversos filhos de classe média e da elite mais consistentes e renhidos na defesa da esquerda e do proletariado do que outros que deveriam ser. Envolve isto, de um lado, a idéia de que a libertação, emancipação ou revolução dos trabalhadores será obra deles mesmos ou então não será e, também, aquela coisa meio maluca de que um intelectual de esquerda oriundo da classe média ou da elite, mesmo fazendo uma opção bem radical de esquerda, fazendo todos os sacrifícios materiais e existenciais para ser de esquerda o que incluía se proletarizar e ir trabalhar como peão, jamais poderá ser o intelectual da classe trabalhadora. Hoje vejo isto como uma fantasia ou delírio teórico de base paranoide. A traição ou o desvio que é o elemento a ser temido pode ser efetivado por qualquer um. Tanto pelo indivíduo oriundo das classes trabalhadoras,quanto pelo filho da elite ou da classe média burguesa. A questão de fundo é: a serviço do que você coloca tua inteligência, conhecimento e experiência? Qual método e que resultados você alcança com tuas ideias. Posso estar errado, e tenho sido muito mais prudente em minhas afirmações, mas creio que este tema deve ser relativizado, que o dogmatismo por traz disto deve ser dissolvido e para ser superado precisamos falar, discutir, contestar e ultrapassar esta questão. E hoje é justamente 9 de outubro, o dia em que foi sacrificado um intelectual orgânico de esquerda oriundo da classe média e que pegou em armas, foi traído e desprezado e mesmo abandonado por um partido comunista apinhado de indivíduos que sob esta descrição poderiam ter sido intelectuais orgânicos, mas não o foram, nem em teoria, num acordo com os conceitos, e nem na prática, num acordo na ação. 

Denise Bottman lembrou assim: “antigamente a gente lia gramsci e tinha aquela tal história dos intelectuais orgânicos x os intelectuais tradicionais. claro que todo mundo queria ser intelectual orgânico, que era muito mais bonito, e ficava naquele maior desconforto porque sabia que não era nem poderia ser um intelectual orgânico em relação ao que, na época, se chamava de proletariado. e ninguém queria ser intelectual orgânico de sua classe (classe média, pequena burguesia, como lá se chamasse) e tampouco jamais se concebia como um "intelectual tradicional", ora, imagina só!

mas esse problema de identidade para a intelectualidade de esquerda ou mesmo meramente progressista daquela época era sério, quando não meio burlesco. pois, se o intelectual tradicional gramsciano era aquele que estava unido a determinado grupo ou instituição e se fazia de porta-voz dos interesses específicos daquele grupo ou instituição - e se considerássemos que um partido, por mais de esquerda que fosse, era um grupo ou instituição -, parecia um pouco difícil recusar a classificação de "tradicionais" para seus intelectuais.


era um drama danado para os mais suscetíveis.”       

SOBRE A VAIDADE NEGATIVA: Rewiew 2015

Num tempo de destruição cultural, massacre violento e não aceitação das diferenças. Num tempo de padronização da vida. Tal padronização produz até mesmo a Vaidade Negativa, ou seja, aquela Vaidade tão mesquinha que nega até mesmo a Vaidade do outro e a beleza do outro. Esta vaidade se mostra na crítica aos selfies ou às exposições dos outros. O sujeito só pode aparecer se for impessoal, indiferente ou padronizado.Sobre a tal vaidade negativa cuja base é negar a vaidade do outro e se preocupar muito com a exposição do outro. Com um viés crítico, mas que expõe a si mesmo como censor moral ou vigilante do que pode ou não pode aparecer neste mundo. .o problema não é a exposição do eu, mas sim tentar ao máximo padronizar à todos, conter todos e controlar o outro, o belo no outro e o ser do outro. Cada vez que revisito este texto avanço duas linhas.

O PT ACABOU? Em São Leopoldo não senhor! (03/10/2016)

Então onde quer que ele sobreviva deve haver algo para ser visto, revisado e repensado. Em São Leopoldo, deveria ser reconhecido isto, tanto em sua dimensão positiva de qualidades, quanto no que toca aos erros dos adversários. Uma vez li um debate que tentava anular certas nuances de análise eleitoral para se evitar um tendência a racionalizar estes processos. Mas vejamos mais de perto este PT que sobrevive, luta e vence a eleição em São Leopoldo. Seus candidatos, relações sociais, legados e também o projeto e a crítica à gestão atual PSDB/PMDB, seus ex aliados do PSD e do PP e o PDT que correndo por fora chega em segunda lugar contribuindo para a derrota do condomínio governista que venceu a reunião em 2012.

Não podem ser menosprezados os destratos aos servidores, o pouco zelo pela cidade - buracos, lixo e diversas outras incompetências e que levaram o governo a obter, com certa unanimidade, o título de pior governo da história da cidade. O PDT se posicionou sem desgaste ou rejeição em princípio é foi ocupando espaço, mas não creio que venceria Vanazzi e o PT parte porque o eleitorado aglutinado por Vanazzi parece ser muito fiel ao PT desde muito tempo e resistiu aos diversos ataques e bombardeios midiáticos e às diversas vilanias e mentiras postas pelo caminho desta campanha e mesmo antes. O Golpe teve seu fator mitigado em parte por iniciativas que marcaram a tensão negativa do processo na cidade. Já no que toca à Lava Jato o mais impressionante mesmo é se saber que o paladino moral da câmara e da campanha é justamente inscrito como alguém que recebeu recursos deste escândalo de corrupção.

A tentativa de levar a eleição ao tapetão ou ao judiciário parece repetir a sina dos maus perdedores que me parece caracterizar justamente aqueles que jamais serão vencedores nesta cidade.

Por fim, o PT não acabou em São Leopoldo, assim como o PMDB, o PDT e outros que nesta legislatura e em outras já estiveram sem vereadores. Mas o PT venceu, elegeu o prefeito é vice Prefeita do PCdoB, em aliança de Esquerda, e elegeu seus dois principais nomes sob Vanazzi que resistiram ao massacre e não se curvaram ao medo. Como muitos outros aliás que t militando destemidamente sem constrangimentos e com altivez. Os suplentes da chapa do PT demonstram uma clara combinação entre renovação e experiência e assim o PT aponta para o futuro. Resta agora compor o governo com qualidade, trabalhar muito e dialogar muito para se fortalecer e avançar retomando seu eleitorado mais próximo e afim. A chapa com uma vice mulher eleita também aponta para algo mais na política de São Leopoldo.

Vanazzi vence sua terceira eleição confirmando sua estrela. Na primeira, em 2004, derrota o gigante Waldir Schmidt, na segunda derrota, em 2008, o Médico Moa, com o índice impressionante de 77℅ dos votos, e agora na terceira eleição derrota uma plêiade de adversários que merecem respeito e assim como ele podem permanecer no cenário político local, na depende de suas inteligências e da capacidade de lograr êxito frente à adversidades.


Ary Vanazzi, note-se bem, foi eleito num dos momentos mais duros da história do PT no país e só isso já deveria impor mais respeito, menos pequenez e mais galhardia e grandeza aos seus adversários.

A ETERNA REPETIÇÃO DO PADRÃO DE JOGO GOLPISTA - 04/10/2016

Ler o que li no jornal VS de hoje quatro anos depois desta novela e fraude que foi este governo do PSDB é algo incrível.. Me dar conta do que o magistério e os servidores municipais sofreram por 4 anos basta para mover um manifesto de indignação com o que passamos. Eu, além disto, creio que isto possa refrescar a memória daqueles que julgam os outros à partir de seus próprios espelhos e óculos. Não posso dizer que quem votou no Vanazzi é burro, nem quem não votou, porque isto simplesmente não é um argumento. É apenas uma ofensa que mostra exatamente a falta de argumentos e, por óbvio, à renúncia moral à toda e qualquer racionalidade e razoabilidade. Do mesmo modo aqueles que não aceitam os resultados eleitorais, não dão exemplo de elevação moral ou razoabilidade e nem de respeito à democracia das urnas, pois ingressam no Caminho vergonhoso do poder à qualquer preço, abandonam os escrúpulos e buscam vilipendiar a democracia tanto quanto os golpistas. Foi uma eleição difícil,muito disputada, porém foi uma das eleições de são Leopoldo onde houve mais debates, apresentação de propostas e também aenor quantidade de conflitos, prisões e violências de toda ordem. Tivemos um domingo tranquilo e o clima na grande maioria das escolas foi muito pacífico, houve muito diálogo e respeito entre a maioria dos adversários disto mostra que estamos virando uma página da história política de nossa cidade que talvez abra mais espaço para o entendimento e a boa política. Parte disto me permite dizer que a eleição de 2012 e todas as suas burlas, fraudes e peças de marketing e engodo político acabou ontem. Assim, espero que todos aceitem, ou os mais sábios aceitem uma Invitation for reason...pois


#VanazziVenceu a #EleicaoAcabou e #AceitaQueDoiMenos

A VITÓRIA MAIS DIFÍCIL - 03/10/2016

Talvez eu tenha participado neste ano de 2016 em São Leopoldo com muitos outros companheiros e companheiras de uma das disputas, lutas e vitórias mais importantes da história de meu partido e da esquerda em nossa cidade. Muitos sabem como eu e meus companheiros, tudo o quanto passamos, sofremos e lutamos nesta eleição. Não existem discursos suficientes para preencher este sentimento grandioso, mas nós vencemos e construímos a mais difícil unidade. Agradeço muito mesmo meus colegas, meus amigos e camaradas e a todos que entenderam nossa luta e nos apoiaram. #VanazziPaulette vão reconstruir esta cidade com nosso apoio e nossa participação. A vitória é de todos e que o trabalho seja cumprido!!!

MEU CARO AMIGO E AMIGA ELEITORA DE SÃO LEOPOLDO (01/10/2016)

#VoltaVanazzi 13 #VoltaAnaAffonso 13813

te digo que já não tenho mais nenhum medo da derrota nem da vitória exagerada, pois há algo extraordinário e irrefutável em tudo que já realizamos e creio mesmo que é isto que nos fará vencer sempre. É isto que nos faz seguir lutando juntos.

Ultrapassamos o nosso Rubicão, que é deixar de ser promessa é virar realidade, nossas vitórias nunca foram fáceis e nem as derrotas, mas estamos caminhando mais certos como nunca.

E, sem a menor dúvida, já temos uma grande vitória moral, a maior vitória de todas: a única coisa que nos sustenta hoje é o nosso trabalho, os resultados do nosso trabalho, não são nossas promessas nem nossos sonhos que nos trouxeram até aqui mais e é por isso que vamos vencer.

O ódio do PT virou ódio sobre o nosso trabalho para o povo e uma parte bem relevante do povo já sabe disto e diz isto para a gente nas ruas, nas escolas, nos ônibus, nos trens, nos salões, nas calçadas da vida. Eles perderam e vão continuar perdendo enquanto não tiverem propostas para fazer mais e melhor e pelo visto vão continuar assim, negando, reclamando e ignorando a tal da verdade dos fatos, dos indicadores, das imagens e dos sorrisos do nosso povo que aparecem em todo canto que a gente vai.

E eu digo com muito orgulho vai perder playboy!!! e o povo nos olha nos olhos e pisca com um sorriso nos lábios. Nada é mais gratificante do que viver isso e sentir isso. Um abraço e vamos construindo nossa vitória porque até as 17 horas de domingo tem voto, tem povo e tem luta!


Vem com a gente, vem com a Frente Popular!

POR UMA ECONOMIA DOS AFETOS (01/10/2016)

Ontem estava mesmo dizendo algo sobre o pano de fundo de tudo isto. Algo que tenho conversado muito com colegas e amigos no que toca ao meu modo de ver certas crenças da gente. Minha esposa Regina Porto tem sido uma espécie de grande parceira neste debate também. Porque nós dois possuímos crenças diversas, em alguns caso conflituosas, mas preservamos nossos afetos comuns. E sempre lembro do meu falecido irmão - o Rafael que nos faz falta a cinco anos já - neste tema. Tínhamos muitas crenças em conflito, seja em detalhes, por nuances ou por ênfases, mas possuíamos muitos afetos comuns também e a gente ria muito disto também. Os conflitos políticos, religiosos, tradicionais ou inovadores e epistêmicos ou morais, pertencem todos eles e encenam todos eles um certo regime de crenças, uma economia de crenças. Então, na real certos conflitos não se dão entre pessoas, mas sim entre sistemas de crenças e as pessoas que se lançam neste conflitos agem como peões orientados por certas crenças, valores e também desejos e intenções. Alguns são mais autoconscientes e percebem isto e aprendem a separar toda aquela convicção e de seus afetos, já outros não. Assim, trato aqui do recorrente conflito entre nossos regimes de crenças, sistemas de crenças e nossos afetos. Nossas crenças mudam, podem mudar, podemos descobrir seus equívocos e falhas, erros e enganos, mas nossos afetos não. Apesar dos afetos mudarem em grau, noto que eles não deixam de existir. Mesmo quando nossas crenças comuns deixam de existir, fica ali entre nós uma base afetiva. Desta forma nossos afetos devem ter maior consideração em nossa economia da vida. E devemos cuidar muito deles e dos seus objetos que realmente tem importância para nós. Tenho muito respeito pelas crenças de todos, e aprendi mesmo a não me apegar por demais em certas crenças, tendo em vista minha disposição a fazer mais sínteses positivas do que conflitos, mas prefiro mesmo respeitar mais nossos afetos. Quando mudarmos nossa economia de crenças por uma economia de afetos, mudamos esta lógica perversa. E eu creio que nosso mundo será muito melhor, nossas relações com os outros serão melhores. Esta é a a posta que faço. Aliás, lembrei disto em três situações ontem. Na primeira, lembrei com minha colega Carolina Sá Mendes, disto e relacionei com Jesus Cristo que mandava amar uns aos outros muito mais do que a qualquer coisa - penso que crenças também devem se subordinar a este princípio. E que, portanto, amar é um ditame orientador de todas as nossas disposições apesar das crenças que possamos ter. Na segunda situação, relacionada a uma brincadeira com amigas do Ceprol, Andreia Nunes, Angelita Lucas e Cristiane Maria Mainardi, expressei que meu afeto era independente do que quer que eu viesse a acreditar ou pensar sobre qualquer coisa. Depois, numa situação de debate com um velho amigo professor sobre saúde e alimentação, ao final, o que restou de nossas clássicas divergências foi a graça. Sim, a graça infinita de nos sabermos nesta vida, próximos e num mundo comum. A educação e o diálogo, a democracia e o respeito sempre vão acabar por nos guiar para isto.

MEU CARO AMIGO JOÃO (01/10/2016)

Bom dia...meu caro amigo João. Li ontem tua interrogação e fiquei pensando se devia te responder sobre isto ou não e como deveria te responder. Te respondo por consideração e respeito e também para aproveitar e promover nosso entendimento ou desentendimento de forma clara. Bem, sou filiado e militante do PT, já fui filiado interno e sempre militei no PT e em geral não respondo mesmo pelas situações ou ocorrências de outros partidos - no que te referes à Iara Cardoso. Nem sabia que você estava apoiando o Ronaldo Nado Teixeira. Aliás sei da tua militância no PDT desde quando jovem. Respeito a tua escolha, apesar de divergir dela. Não tenho a menor ideia sobre esta situação que descreves ou aponta. Mas mesmo assim creio que devemos respeitar a todos os militantes políticos, candidatos e cidadãos de nossa cidade e evitar ao máximo transformar o bom debate político num jogo de bugio, numa banca de ofensas e evitar agressões e admoestações de todo lado. Não tenho dúvida que todos nós que construímos a democracia neste país - e eu e você e muitos outros queridos e queridas de nossa geração fizemos isto mesmo sendo adversários hoje, ontem ou amanhã - devemos dar exemplo e sempre elevar o nível do debate, promover disputa de argumentos e não deixar as nossas relações civis e pessoais serem abaladas pela refrega ou peleia. Amanhã a eleição acaba e a vida continua. Um novo prefeito será eleito, vereadores e vereadoras e devemos abrir uma nova página da história de nossa cidade e seguir a vida. Espero que todos os excessos já cometidos sejam superados e sob a calibragem do voto cada um aceite o seu lugar e passe a negociar de acordo com sua representatividade conferida nas urnas pelo bem de nossa cidade e não por vaidades pessoais, veleidades de crenças ou pela ausência de afeto pelo teu próximo. A democracia e a política como diz meu grande amigo, mestre e conselheiro Luciano Marques só vale a pena se servir para melhorar as relações humanas e a vida do nosso povo. Eu voto em Ary Vanazzi e Paulete Souto porque acredito sinceramente que eles representam isto e sei que muitos de diversos partidos e ideias, posições e concepções pensam o mesmo. Também voto em Ana Affonso 13813 porque vejo nela a continuidade da luta dos educadores e a melhor aposta para isto neste cenário e neste tempo. defendo também um programa político e propostas políticas, um legado que já faz parte da história deste país, deste estado e desta cidade e que não pode ser negado simplesmente porque tem eleição ou porque alguns aceitam o vale tudo pelo poder. Agradeço tua provocação porque me ajudou a expressar estas ideias aqui. Sendo hoje a primeira vez que sento em um PC para escrever em mais de 21 dias. Serei sempre fraterno contigo e com muito outros e te deixo um abraço!

P.S. Escrevi esta resposta antes da caminhada da vitória da frente popular no sábado pela manhã.

ORAÇÃO CAIANA (29/09/2016) – CINCO ANOS SEM MEU IRMÃO

"Que eu saiba puxar lá do fundo do baú um jeito de sorrir pros nãos da vida. Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica, nem contado em reais. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. Que eu possa também abrir espaço pra cultivar a todo instante as sementes do bem e da felicidade de quem não importa quem seja, ou do mal que tenha feito pra mim. Que a vida me ensine a amar cada vez mais de um jeito mais leve..".


Caio Fernando Abreu