sábado, 17 de setembro de 2016

DAS IDEIAS FORA DA RAZÃO (16/09/2016)

#NãoTenhoProvas #MasTenhoConvicção


O pensamento brasileiro já teve diversas fases de decrepitude e da mais alta reflexão. Em muitas delas as idéias não correspondiam aos fatos, elas já foram até fora de lugar, mas desta vez ocorreu a superação ou se chegou ao nível mais baixo de toda nossa história. Hoje as tais idéias estão fora da razão. As crenças não correspondem à fatos, mas somente às velhas convicções que bem lá no fundo expressam a decadência e o grande desejo de uma casta que atingiu o maior êxito possível em uma sociedade desigual cuja seleção de sua elite esta bem presidida por si mesma. É o negativo radical do espírito absoluto num encontro consigo mesmo. A superação deu no que deu, na mais abissal síntese negativa da verdade. Sem provas, sem fatos restaram expostas no espaço público as velhas crenças, desejos e convicções em causa sui.

Deus, Moralidade, Política e Justiça (13/09/2016)

Cheguei à uma certa fase da minha vida, de Pouca experiência política, pouca experiência pedagógica e quase nenhuma grande experiência religiosa, em que eu compreendo muito bem porque a gente precisa Deus em algum ponto da cadeia de ocorrências, eventos, acontecimentos e fatos, haja visto que tem sido muito difícil mesmo encontrar caráter combinado com inteligência e esperteza, vendo na maior parte dos casos muitos logros, trampas e vilezas. Em algum ponto seria bom que houvesse algo como um Deus acima dos mortais, das ilusões e encenações para julgar, pesar, condenar e punir a catrefa que mobiliza toda sua inteligência, expertise e conhecimento para dar pernadas nos outros com a maior cara de pau. Entendo meus amigos que combinam a crença em Deus com uma conduta reta e modesta. Quem realmente acredita na existência de um Deus não pode agir deliberadamente causando algum mau ao próximo....o resto é fraude, canalhice e mentira imoral.

DO MEDO (11/09/2016)

"Não tenha medo da pobreza, nem do exílio, nem da prisão, nem da morte. 
Mas tenha medo do medo” 
( Alfred Vigny)

SOBRE A DISPUTA ENTRE MEDO E CONFIANÇA NA POLÍTICA - COM PEQUENA NOTA SOBRE O BRASIL (11/09/2016)

Quando li o trabalho do Professor Renato Janine Ribeiro, sobre Hobbes no final dos 80, com meus limites de entendimento e de leituras do contratualismo, de Hobbes e da Política ou Ciência Política, eu imaginava que ele trataria deste tema do medo na política também. O título da Obra era muito atraente: AO LEITOR SEM MEDO;. (Hoje quando leio Locke e se confirma o fato de que o mesmo manteve suas obras e posições políticas de certa forma anonimas até os 57 anos, devo reconhecer o destemor de Hobbes.) A edição de AO LEITOR SEM MEDO saiu pela Brasiliense e foi algo ler aquilo.

Porque nas aulas de filosofia política - em especial com o nosso mestre Brum Torres e o memorável BBF - a gente aprendia que o medo era uma espécie de primeiro motor para o pacto social. Ele determinava como uma paixão ou força motriz a necessidade de um pacto para se conseguir superar uma condição original desconfortável e insuportável. E tenho tratado desde então em minhas aulas que a origem do estado só poderá ser resultado de uma equação entre necessidade e racionalidade. De que isto não aconteceu por acaso, acidente ou por algo displicente, ou seja, que os agentes que geraram esta forma de associação por mais primitiva que ela tenha sido estavam interessados, comprometidos e que reconheciam a necessidade de fazer tal coisa.

A pressão do medo entre os homens - homini lupus homini - passa a provocar a reflexão deles, promove o reconhecimento de alternativas e opções e gera uma escolha que moveria os homens a um acordo entre eles. Penso em uma forma de opção pelo melhor. Desta forma arriscar se associar é melhor do que ficar como está. A confiança por mais limitada e imprevisível em seus resultados que pareça de um ponto de vista a priori - não havendo maior garantia do que a palavra ou algum assentimento - seria uma aposta em algo melhor e constituída e observada dia após dia a partir de então.

Tenho, assim, desde então, uma intuição que me marca de que o oposto ao medo é a confiança. Nem é a segurança ou a esperança, mas a confiança num sistema que tem sua eficácia. O pacto deve, então ter passado por uma espécie de arranjo e rearranjo de confiança em que vencidas certas etapas se avança nos acordos ou se retrocede, como aliás tem ocorrido na história. Não há nada que garanta ou confirme mais as expectativas do que a verificação constante e reciproca das ações e dos compromissos, promessas ou declarações de intenções. Podemos chamar este sistema de organização ou instituição.

O problema que vemos aqui é sobre certa visão desta confiança não se sustentar na prática. os indivíduos tem em si mesmos um sentimento de que podem trair ou ser traídos ao sistema. Há sempre, por mais documentos que se assinem ou discursos que se profiram uma certa insegurança e esta insegurança ou aposta menor gera expectativas negativas ou positivas. E mesmo com uma organização estável em seus estatutos ou omertás podem haver enganos, porque as organizações dependem de indivíduos que cumprem papéis chaves nelas e que também são suscetíveis, instáveis e mutáveis.

Os indivíduos por melhores que sejam vivem ciclos e sofrem abalos, tem seus altos e baixos e suas fragilidades. Aqui me parece haver a situação que consagra o individualismo como uma terra em que os fracos não tem vez e em que há sempre a lei do mais forte.

A saída recente do AGU atirando para todo lado e afirmando que o governo Temer quer abafar a lava-jato, me lembra muito isto como característica na direita: eles não confiam na própria sombra e nem são leais entre eles mesmos. E este é o vetor que os aniquila no médio prazo também. Por isto creio que esta dialética é instável na história. E oscila de forma contraditória em diversas estruturas.


O fato do PMDB mandar em tudo hoje associado a isto me lembra que este é o começo do fim deles também. Mesmo que se diga que estão nesta posição a mais de 30 anos.

O FUNERAL DE SARTRE (07/08/2016)

Este é o funeral de Sartre em Paris no ano de 1980. (ENTERREMENT DE SARTRE )Olhem para estas multidões! Estima-se que haviam mais de 50,000 pessoas presentes, 30.000 nas ruas e 20.000 no cemitério. Alguém pode pensar em algo assim? É certo que nenhum outro intelectual da história teve sua morte acompanhada por tantas pessoas. Ou que sequer algo remotamente parecido a isto. (digamos, 5,000 pessoas, em vez de 50,000.) Não temos registro de algo assim. Porque isto ocorreu? Lembro aqui da resposta de Aristóteles adotada de Heródoto sobre como avaliar a vida de um homem. É impressionante imaginar que Sartre que tanto marchou por seus cidadãos e ideais tenha tido seu corpo acompanhado provavelmente por muitos que ele defendeu e marchou em seu último andamento nesta terra, em Parias.

Agradeço a Ray Monk - de quem adaptei e traduzi parte da postagem - e que me lembrou a mais forte impressão filosófica que eu tive aos 15 anos de idade em abril de 1980.


Isso foi algo que me deixou muito marcado. A partir daquilo a filosofia passou a ser vista por mim como algo de fato muito importante. Me deu um "estalo" e de certa forma provocou uma mudança em mim. Do que mal consigo ter a medida exata. Mas que ficou em minha memória. Nove anos após isso iniciava o curso de filosofia. E até hoje tenho uma consideração muito especial por Sartre.

#FORATEMER (06/09/2016)

ALGUMAS PESSOAS AINDA NÃO ENTENDERAM MESMO:

NÓS VAMOS LUTAR, PROTESTAR, CONVERSAR, ESCREVER, PUBLICAR, CURTIR, COMPARTILHAR E CAMINHAR

ATÉ A MUDANÇA ACONTECER!

E ELA VAI ACONTECER!


PODES CRER!

SERÁ UMA VERGONHA SE DILMA PROVAR QUE TINHA RAZÃO (01/09/2016)

Aliás, será uma vergonha para os que sacrificaram a verdade no altar da ignorância homenageando um bando de miseráveis e sem caráter ávidos por poder e impunidade de si mesmos.


Sobre o editorial do NY Times.

MUITO ACIMA DE SUAS CIRCUNSTÂNCIAS: DILMA ROUSSEFF, por Rogério Passos Severo (01/09/2016)

“Um dia, há trinta anos, quando eu tinha 15 anos de idade, fui encontrar minha mãe no seu trabalho, no horário do almoço. Ela então trabalhava na Fundação de Economia e Estatística, em Porto Alegre. Enquanto esperava na portaria do prédio, uma mulher negra, muito magra e, pela aparência, muito pobre, pediu ao porteiro um copo d'água. Visivelmente, estava passando mal. O porteiro pediu para ela sentar-se. Parecia estar tonta, seu rosto era de sofrimento. Ficou alguns minutos ali, à minha frente, bebendo seu copo d'água. Nesse meio tempo, entrou no prédio a chefe de minha mãe, que imediatamente viu qual era o problema. Virou-se para a mulher que sofria, cumprimentou-a e perguntou: "Comeste alguma coisa hoje, tomaste café da manhã?" Constrangida, ela respondeu que não. Dilma Rousseff então tirou de sua carteira dois vales-refeição e disse para essa mulher: "tome, coma alguma coisa". Ao porteiro, disse: "ela não estava com sede, nem estava passando mal, está é com fome". Despediu-se de todos e foi para o seu trabalho. E eu fiquei ali, observando a cena toda. Foi uma lição para mim. Lembro dela perfeitamente, ainda hoje. Assisti ao discurso de Dilma no Senado e acho que ela se saiu muito bem. Esteve desta vez, como da outra, há trinta anos, acima das suas circunstâncias.”


A dignidade e o caráter de quem está "acima de sua circunstâncias" é para mim também sempre uma lição do que há de mais nobre em nossa humanidade. Também tive o prazer de conhecer Dilma naquela instituição. Coube à mim aplicar uma entrevista nela. É na época me ocorreu a mesma percepção que você aqui descreveu. Ela era muito superior às suas circunstâncias. E foi inclusive este o tema de nossa conversa fora da tarefa que me cabia executar. Ela me perguntou o que eu fazia. E eu disse que estudava filosofia e estava desempregado fazendo algumas pesquisas para me manter estudando. Ela então se apresentou para mim e disse que estava ali naquela mesa em meio à sala de passagem entre uma tarefa maior ou outra e que tinha bons projetos que logo se iniciariam. Três anos depois ela assumia como Secretária de Minas e Energia do Governo Olívio Dutra de onde n passo de alta performance e grande perícia passou em sete anos para a equipe de transição de Lula, para o Ministério de Energia e logo após em 2005 substitui José Dirceu como chefe da casa civil. E ontem quando vi os olhos dela marejados fazendo aquele discurso logo após a confirmação do golpe, me lembrei disto de novo e fiquei olhando ela é ouvindo até o final com Maiakovski e tudo. Ela sempre estará muito acima de suas circunstâncias e das nossas também. O contraste disto com o usurpador é para mim assombroso. É nestas horas que penso mais ainda de que nossa educação precisa mesmo conter componente de educação da sensibilidade. Mas este é outro papo. Esta bela memória do Rogério me fez lembrar e repetir o relato desta minha também de novo.

O GOLPISTA VESTIU A CARAPUÇA (01/09/2016)

Ao dizer que não irá tolerar ser chamado de golpista "por aí", o rapazola da cartinha até aqui de mágoas acabou de dar a deixa e apontar sua própria estatura política no espelho das grandezas morais. Pois o jovial usurpador consegue cometer o erro máximo que é vestir a carapuça e acusar o golpe que ele mesmo promoveu na democracia brasileira, nos eleitores brasileiros e em sua parceira de chapa. Não creio que irá lograr êxito em seu intento e vai levar o apelido ou a alcunha até seu túmulo e pela eternidade da história. Então, já era seu golpista e agora aguenta..

PORQUE NÃO ACEITO O VICE TEMER? (31/08/2016)

Para a pergunta de uma ex-aluna querida que cursa direito e pelo que percebo procura dar uma abordagem formal ao processo se impeachment eu disse assim: Votei em uma chapa e em um programa. Não aceito o impeachment sem crime de responsabilidade e nem aceito a execução de um programa que foi derrotado nas eleições de 2014. O vice está traindo a sua presidente de chapa e ao mesmo tempo o programa eleito, portanto está traindo os 54 milhões de votos de 2014 e compondo um governo com políticos derrotados nas urnas em 2014 e com propostas derrotadas nas urnas em 2014. Verás que o programa que Michel Temer já anunciou e irá implementar é bem contrário ao que eu votei.

PÃO E CIRCO (31/09/2016)

Pão e circo prá todos se divertirem e não chorar.
Seja escravo tranqüilo e não venha reclamar.
Trabalhe muito que não precisa nem pensar.

Obs.: É uma canção que eu fiz para responder à pergunta de um aluno da turma 1N1 sobre o tal "pão e circo" em Roma..

NOTA RÁPIDA SOBRE A IGNORÂNCIA VOLUNTÁRIA (31/08/2016)

A ignorância voluntária é a batida de muitos hoje. Tem opinião sobre tudo mas não gostam de saber de nada com mais detalhes. Vale o resumo mau feito ou mau intencionado e toca em frente. Quando você explica um aspecto ou detalhe mais profundo que bota a perder a posição original ou simplória do vivente ele regateia e diz rapidinho ou no fundo de sua consciência que não quer saber, que não importa ou que não interessa. Ignorância voluntária e negação simples são como viroses: fáceis de pegar e contagiosas. Em tempos de excesso e abundância de informação e de ampla circulação de besteirol e achismos são grandes trunfos. Dá para ter pena, raiva e até nojo disto, mas não adianta. É preciso extrair com muita calma e habilidade como um ciso encravado e podre no fundo da boca. KKK

O GOVERNO GOLPISTA E SEM CARÁTER NÃO VAI DAR CERTO ASSIM

Temer está colocando já já as manguinhas de fora mesmo. Eu assisti esta declaração dele na Globonews em plena reunião ministerial, após ser empossado. O texto inteiro é uma bela indicação do caráter autoritário dissimulado do usurpador. E todos os sinais que me chegaram após o término da votação no senado demonstram que viveremos tempos difíceis pela frente, mas já percebo também que há da parte do governo dele uma certa presunção de que eles vão continuar enganando as pessoas por muito tempo e que não há nem inteligência e nem virtude nos adversários que eles derrotaram, traíram e tripudiaram em seus discursos no senado. Mas eles vão provar com certeza uma resistência surpreendente que não há de vir somente dos petistas ou dos derrotados no processo. A agenda golpista - de essência neoliberal - não teve aprovação nas urnas e, para variar, o PMDB, o DEM e o PSDB e outros partidos pensam mais uma vez que ganharam um cheque em branco. Desta vez sem eleição....não será fácil a vida de ninguém, mas eles são e serão com certeza as vidraças dos novos tempos...e isso não vai mudar com o uso da força, com a truculência já conhecida e com o revanchismo que já demonstram claramente...vai piorar e se agravar e levar nosso país a uma crise sem precedentes, considerados o tempo em que vivemos e os meios de que todos hoje dispomos. Deveria pregar a tolerância e a pacificação num momento destes mas faz justamente o contrário...

USURPADOR EMPOSSADO (31/08/2016)

Usurpador empossado!!! Às 16:50 minutos...do dia 31 de agosto de 2016. Conseguiram chegar onde queriam e vamos ver se conseguem fazer tudo aquilo que querem. A agenda golpista passa a ser programa de governo até 31 de dezembro de 2018.

INJUSTIÇA POR ANSCOMBE (31/08/2016)

"Fazer com que um homem seja punido judicialmente por algo que ele claramente não fez é intrinsecamente injusto. Isso se fez, é claro, e frequentes vezes, de todas as maneiras: subornando-se testemunhas, por regra legal com base na qual “se estime” ser o caso algo que admitidamente não é o caso, por insolência aberta dos juízes e de quem tem poder para tanto ao dizer mais ou menos abertamente: ‘dane-se o fato de que você não cometeu o crime; vamos condená-lo do mesmo jeito’ ... Alguém que tentasse objetar a isso estaria apenas fingindo que não sabe o que ‘injusto’ significa, pois esse é um caso paradigmático de injustiça."


G.E.M. Anscombe, 1958 - como se fosse neste exato momento.

SOBRE NOSSAS ALTERNATIVAS (28/08/2016)

É muito fácil ficar sentado no sofá reclamando das alternativas sem ser capaz de oferecer nada para construir alternativas melhores. Sentado na sala de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. A sociedade alternativa não será construída pelos individualistas, pelos idealistas hiper críticos e cheios de uma moral sem ações e intervenções e nem pelos sonhadores solitários. este mundo não será mudado pelos queixosos e nem pelos especialistas em negativas...vá a luta e segue em frente. E é possível fazer isso com certo anonimato, podes ter certeza...

A EDUCAÇÃO POR HANNAH ARENDT

“A educação é o ponto em que decidimos se amamos o nosso mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós”.


Hannah Arendt

AQUELE EMPURRÃOZINHO

Quem foi um dia um estudante pobre há de lembrar o quão importante foi aquele empurrãozinho que recebeu. É o sentimento mais incrível que eu possuo como educador. Como tão pouco possui tanto e tão extremo valor e importância. Segue em frente, te cuida e conta comigo.