domingo, 5 de junho de 2016

THOREAU NA OCUPAÇÃO DO PEDRINHO

Em alguns momentos a filosofia responde ao mundo sobre qual sentido das ações humanas e quais idéias certas ações humanas possuem em seu âmago e não é sempre que isto ocorre de tal modo que aquilo que tem sentido expresso se reconhece e que a ideia se realiza plenamente na ação. Hoje creio que testemunhei um destes momentos por certa disposição, conjunção de circunstâncias e privilégio da sorte. Quando conheci meu colega Eduardo na graduação e compartilhamos leituras e estudos até a formatura e depois um pouco mais, jamais imaginaria que poderíamos ver na prática a utilidade da filosofia. Tal ideia era sempre vista como um talvez ou uma possibilidade de difícil verificação, mas hoje aconteceu pois com Thoreau e sua desobediência civil ou resistência ao governo civil, vimos a ideia se realizar em sua plenitude na ação das ocupações dos estudantes nas escolas públicas. Num sentido muito nobre da expressão de uma consciência moral autônoma dos estudantes. E num outro sentido de vanguarda deles estarem fazendo aquilo que é aparentemente incompreensível aos poderosos e aos sabidos. E uma vanguarda que sabe muito claramente o que está fazendo ali num grau de auto compreensão assombroso de tal modo que a sua aparente intuição juvenil e inocente possui já fundamento teórico de tal modo superior e inimaginável para o leigo. Sim, as ocupações são legítimas e expressam formas superiores de defesa do direito à educação porque superam na luta o direito imediato à escola garantindo o direito coletivo à escola defendendo a escola da inépcia, incompetência e incapacidade do governo de cumprir com sua responsabilidade. Os estudantes ocupando as escolas representam o povo, representam todos os que precisam de escola nos tempos futuros. E Thoreau poderia dizer sem peia e sem beira que está resistência defende o direito de todos os cidadãos. Muito obrigado estudantes, muito obrigado filosofia, pois vocês tiveram o melhor encontro possível e eu pude testemunhar isto que tanto procurei que não pode ser chamado de nada menos do que sabedoria. Agradeço muito a apresentação do meu colega e amigo Eduardo, a participação dos meus colegas da educação e dos jovens. E a escola Pedrinho em que este debate foi feito. 

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