sexta-feira, 17 de junho de 2016

O GOVERNADOR É UM MITÔMANO? – MENTIRA TEM LIMITE!



O governador José Ivo Sartori solicitou ontem que o Comando de Greve do CPERS - com vasta adesão de educadores (entre funcionários e professores: 80 dirigentes e militantes do CPERS) que acompanha a sua Presidente Helenir de Aguiar Schurer, desocupe o CAFF alegando que tem dialogado com os educadores e que sempre foi transparente sobre as reais condições do Estado. Veja:

“Nunca deixamos de dialogar. Respeitamos a todos e sempre fomos transparentes sobre o que podemos e o que não podemos fazer. Vamos estabelecer uma discussão ainda mais ampla sobre o futuro da educação e a melhoria da qualidade de ensino”. José Ivo Sartori

Ora, o governador em seu apelo mente sistematicamente para a imprensa, a sociedade e os trabalhadores em educação, servidores públicos e estudantes. Aliás, mente o governador e mente sua equipe de governo, como já fez o secretário de educação Alcoba nesta semana.

A mentira vem desde o início do governo ocorrendo, pois nenhuma de suas medidas, propostas ou projetos foi apresentada para discussão e nem houve diálogo algum em tempo algum. O diálogo do governo é uma fraude, pois impõe silêncio ao interlocutor não leva em consideração nenhum direito de manifestação ou mérito dos interlocutores. Tudo que ele fez foi impor unilateralmente a sua posição durante todo o seu governo. O governo Sartori não é um governo de diálogo, mas sim de monólogo.

O governador simplesmente impõe, seja através de sua maioria na assembléia legislativa, seja através de seus gestores, indicados e apaniguados nas secretarias, fundações e autarquias, as sua políticas e propostas. Não há diálogo algum, não há escuta algum e sequer assentimento ou contestação são ouvidas pelo governo. .Uma prova disto é o que ocorreu com diversos PLs no ano passado e que foram aprovados na assembléia legislativa à despeito da forte oposição, da mobilização massiva dos trabalhadores, dos diversos argumentos contrários e das razões e alternativas apresentadas por mais de 44 sindicatos de servidores públicos. Nem mesmo as contestações veiculadas na imprensa sobre aumento de ICMS, por exemplo, foram sequer consideradas. E deu no que deu. A medida deprimiu a economia estadual.

Não há respeito devemos considerar assim, da parte de um governo que sentou à mesa com uma categoria em greve por quatro vezes e não apresentou nenhuma proposta. Respeito não pode ser apenas uma declaração de intenções, mas deveria vir acompanhado de gestos, propostas, sinais e apontamentos que respondam a situação grave da educação estadual. E esta situação tem sido agravada pelas atitudes do governo. A apresentação formal de propostas pelo governo do Estado seria um gesto de respeito, mas o governo tem sido intransigente e ficou tentado matar no cansaço a nossa categoria, para ficar sem conceder nenhum ponto da nossa pauta.

E mesmo – vejam só - após a greve ter sido iniciada os gestos do governo do estado não tem respeitado a categoria dos educadores. Um exemplo disto é que ao tomar a iniciativa de promover de forma vergonhosa e covarde o reenquadramento do difícil acesso sob alegação de exigência legal para penalizar e pauperizar 70% dos educadores, o governo procurou impor aos diretores e diretoras de escolas e às equipes diretivas à execução do “serviço sujo”. Da mesma forma, em um outro exemplo, o governo também tentou impor às direções das escolas ocupadas o serviço sujo de promover as desocupações dos estudantes, promovendo o conflito dos diretores das escolas com os estudantes. E é grave que em alguns casos houve incitação à violência entre alunos, de pais de alunos com alunos ocupantes e de professores a alunos. Isto é uma irresponsabilidade e um gesto de desprezo com nosso papel fundamental de educar e cuidar das crianças e adolescentes. E a desocupação da Secretaria da Fazenda, com toda a truculência envolvida e a ausência completa de qualquer forma de negociação ou diálogo demonstra claramente isto. 

O gesto do governo de estado – vejam também isto - na semana passada de chamar os pais dos alunos e os alunos para comparecerem nas escolas na próxima segunda feira foi um grave desrespeito ao movimento de ocupações dos alunos e à greve legitima dos educadores. O governo e parte da imprensa diga-se de passagem tentaram impor a derrota da greve e a desocupação de escolas através de propaganda que incitava o confronto e a violência.

Por sorte e por juízo do povo gaúcho nada disto ocorreu, salvo um caso em Porto Alegre em que houve a ação agressiva de pais contra uma ocupação que não teve confronto porque é claro que a tática dos alunos não é de confronto e nem de promover violência. E a resposta do CPERS e dos estudantes veio na segunda feira desta semana para confrontar a mitomania do governador e de sua equipe com a verdade dura: de que ele não respeita, não dialoga e não apresenta propostas para os dois movimentos legítimos em defesa da educação, dos educadores, das escolas públicas e dos estudantes. 

E, por fim, ele também avança na mitomania quando pede o cumprimento da lei e da ordem sem, no entanto, cumprir a lei do piso salarial nacional dos educadores. Isto não pode ser chamado de respeito, nem aos educadores e nem à lei.

Temos um governador mitômano?


Pois bem, vejamos se eles vão apresentar propostas agora! Estamos aguardando o diálogo, a transparência (com o Fundeb, por exemplo) e um debate mais amplo sobre educação e a qualidade da educação que envolve compromissos claros do governo e também o comportamento moral do governador! Porque é insustentável esta grande farsa e fraude de um governo de mentiras!    

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