sexta-feira, 17 de junho de 2016

ALUNOS, ALUNAS, OCUPAÇÕES E LOROTAS - 10 DE JUNHO

Os alunos e alunas estão fazendo aquilo que precisa ser feito, da forma que precisa ser feito. Não vai adiantar nada tentar enrolar eles ou inventar respostas vagas ou imprecisas. Estão muito brabos com propostas sem prazos e sem previsões. São muito sérios. O tempo da lorota governista acabou! Os governos de mentira e as conversas fiadas não funcionam mais mesmo.

E está é somente a primeira onda de ocupações. Imagino que milhares de outros jovens estão assistindo este ciclo de 150 primeiras escolas e que o número de escolas possa dobrar. Pois vai ser contagiante e muito robusto o processo de multiplicação e consolidação da tática. Surgem diversas lideranças em cada escola ocupada. E novas relações sociais, culturais e políticos estão se estabelecendo como nunca ocorreu antes. E este é um sinal de maturação política muito forte. E aqui servem de exemplo para os demais colegas e militantes sociais. Estão se entrosando, estabelecendo laços, se organizando e dialogando em todas as regiões, nas cidades e nas escolas de forma muito rápida também. E não sofrem de certos males de divisionismo e tentativas de tutela intelectual.

Basta ver os padrões de resposta à carta do governo. Seguem uma linha muito firme de resistência e crítica ao que eu chamo de lorota. A mentira, a enrolação e forma autoritária e ignorante da postura do governo é contestada pelos jovens de forma rigorosa. E ao contrário do que o governo esperava a repetição aqui e ali dos ultimatos de desocupação só aumenta a convicção dos jovens. O diálogo retardado e enrolado, a demora em responder e as temáticas de impugnação da legitimidade da luta dos jovens só aumentou a resistência.
E, é bom que se diga, os jovens estão absolutamente antenados com os professores no sentido de preservar a autonomia do seu Movimento, mas em parear a greve com as ocupações na exigência de uma resposta consistente do governo. Os dois PLs, o 44 e o 190, da privatização da escola pública e o da escola sem partido, estão na mira dos dois movimentos e precisam ser retirados da pauta da assembleia legislativa.

Eles nos ajudam muito sustentando a pauta completa que apresentaram ao governo. E a exigência de recursos para manutenção e reformas das escolas é também muito forte em todas as falas deles. Você não percebe em nenhum aluno algum grau de incerteza nas posições deles.

Nós professores e funcionários grevistas temos que aproveitar a unidade conquistada com eles, reconhecer toda a importância deles e continuar a avançar neste tempo sobre todas as demais escolas num diálogo com todos os colegas. Este diálogo deverá prosseguir e ir consolidando cada vez uma base maior para nossa luta.

Eu defendo, e tem sido aceito, que todos os ataques sofridos por nós e no caso dos alunos e alunas merecem nossa resposta mais dura e séria possível: que é o pedido de afastamento das direções e equipes diretivas que promoveram e incitaram violência entre os alunos, ou entre pais e alunos. Quem não consegue arbitrar um conflito desta natureza e promove o desrespeito aos direitos dos jovens não está em condições de dirigir uma escola pública. Após a greve e as ocupações temos que tomar a iniciativa de exigir o afastamento e a abertura de processo administrativo e se necessário transferir de escola e comunidade quem não for capaz de proteger nossos alunos e alunas e construir a solução pacífica de conflitos. 

É inadmissível que os alunos e alunas que lutaram em defesa da educação tenham que após tudo isto sofrer em suas comunidades escolares qualquer forma de retaliação, perseguição ou constrangimento. Temos que ser muito firmes nisto. E aproveito para solicitar cópias das ocorrências e testemunhos dos alunos e alunas para substancializarmos a denúncia junto ao MP, ao Conselho Tutelar e à Administração Estadual nas formas da lei e segundo as previsões estatutárias e legais. O tempo da lorota, do autoritarismo, da política do medo, do amedrontamento e de um padrão pouco exigente de negociação acabou. E devemos reconhecer que os alunos estão contribuindo e muito com isto. E isto tem consequências também para nossas organizações, decisões e discussões.


A posição expressa por todas as entidades responsáveis sobre as ocupações deveria ser levada em consideração por todos também. O governo deve se curvar à realidade da crise na educação estadual e parar de tentar constranger os estudantes e educadores ou menoscabar suas responsabilidades.

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