domingo, 22 de maio de 2016

PROFESSORES MASSA DE MANOBRA & ALUNOS MANIPULADOS?

Professores massa de manobra & jovens manipulados?

Milhares de jovens organizados no RS e no Brasil para lutar contra governos e golpes contra educação e democracia, contra machismo e toda forma de opressão, contra descasos e autoritarismo também de professores e direções de escolas, estão sendo manipulados? Quem sabe você vai visitar estes jovens e apresentar tua avaliação do movimento para a gente ver se você tem tanta razão assim. Eu estou em greve e chama muita atenção o contrário disto, que conversando com os professores e os jovens e os únicos que eu encontro manipulados são aqueles que avaliam o movimento sentados em sofás, dando aula normalmente ou do lado de fora do movimento. Manipulados porque aceitam o bloqueio da imprensa e o papo furado que rola por aí, aceitam as péssimas condições de trabalho, de remuneração e aceitam toda forma de desrespeito e violência sem contestar e sem querer confrontar e que quando são confrontados com esta realidade dura e terrivel preferem culpar aos outros do que reagir a ela ou enfrentar ela. Para avaliar se algum movimento é isso ou aquilo, para avaliar uma greve, para avaliar uma ocupação, para avaliar a juventude ou os professores é bom estar junto. Por defeito na luta de milhares ou milhões sem fazer nada, não mostra nenhuma orientação para se lutar melhor.

ABAIXO MINHAS ANOTAÇÕES DA ASSEMBLEIA DE ESTUDANTES QUE TIVE A HONRA DE PARTICIPAR


Foi uma grande plenária de estudantes de ocupações do vale dos sinos no Pedrinho. Convocada de um dia para o outro. Ficou lotada de alunos e alunas de escolas de Sapucaia, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Portão, Campo Bom, Sapiranga e muitos professores. Foram levantando situações e esclarecendo formas de organização, dificuldades e soluções, propostas de luta e de ação e também estabelecendo relações regionais na luta. Surgiram debates sobre o bloqueio da imprensa ao movimento. Chama atenção no debate a questão patrimonial, o tema da confiança entre professores e alunos, o diálogo e a abordagem tranqüila ou forçada das ocupações. A greve é insuficiente para a luta e é preciso entender que a ocupação não é ato amigável, salvo quando há acordo. Mas as ocupações fortalecem muito os professores em sua luta porque os jovens na escola são o povo determinando a luta em defesa da educação. As ocupações não são um ato de polícia, mas sim de educação. Aqueles que querem melhorias, mas não querem lutar, precisam colaborar, então, temos que aceitar a nossa luta que combina greve com ocupações. Foi uma reunião excelente. É impressionante a maturidade dos alunos e ALUNAS. E também dos professores e professoras. E aqui vale a característica que já tinha identificado no movimento estudantil no ano passado: a liderança é majoritariamente feminina. E é incrível o quanto esta luta é anti autoritária, anti machista, contra opressão e contra uma concepção de educação não democrática, impositiva e violenta. O sistema está sendo posto em cheque no coração de sua reprodução como diria Pierre Bourdieu e Leon Trotski ficaria surpreendido com este novo tipo de organização da classe trabalhadora e do povo, representados pelos professores e alunos que na base das instituições estatais promover um novo discurso, novos conceitos e novos métodos contra hegemônicos ( para não deixar Gramsci fora aqui nesta bendita hora ). E tudo isto em defesa da educação pública! Vou concluir com uma nota interessante: haviam na reunião pelo menos quatro acadêmicos de história de quatro diferentes instituições que testemunhavam a construção histórica deste processo de vanguarda e de lideranças de diversas organizações, todas com o mesmo propósito e compartilhando em situações diferentes de suas experiências.

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