sábado, 9 de abril de 2016

MUDANÇAS FILOSÓFICAS


Pensando em Putnam e outros e comigo mesmo sobre mudanças filosóficas radicais e me defrontando com o valor inestimável e moral da ousadia filosófica ou teórica.

Só se sabe realmente o quanto um filósofo é realmente bom quando este é capaz de contradizer, contestar e corrigir com todo rigor possível e algumas vezes maior ainda sobre suas próprias idéias, concepções ou posições. O idílio da coerência, o elogio da caminhada continua e cumulativa de posições afins, os acordos eternos consigo mesmo e a tal trajetória linear são possibilidades importantes de percurso, mas talvez não sejam indício de reflexão profunda e radical, debates francos e abertos com outros e virtudes intelectuais como a honestidade e generosidade devem estar sendo substituídas aí por um desejo de conforto e pouca disposição para pensar mais, pensar além e não se fechar em uma cidadela de crenças, dogmas, medalhas e troféus que amanhã, mais cedo ou mais tarde, serão suplantados.


Mudanças filosóficas de próprio punho dão dignidade ao pensamento, mudanças filosóficas por acolhimento ou por saber reconhecer boas objeções dão grandeza a personagem. E é bem bom que Putnam tenha deixado está grande lição que é também libertadora e emancipadora de um pensamento autônomo inclusive contra si mesmo, ainda que em um outro tempo, em um outro aspecto ou por um outro motivo.

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