sábado, 30 de janeiro de 2016

SOFRIMENTO E RAZÃO

A questão de “se faz sentido dizer que uma parte significativa da nossa vida é sofrimento?” apresentada pelo Professor Flavio Williges ( Filosofia UFSM) que segue a ela, para justificar e estender o tema, apontando um rol de “sofrimentos da velhice”, as dificuldades e “ameaças a vida dos jovens em países pobres”, “as marcas psicológicas permanentes deixadas pela luta pela sobrevivência”, “perseguições”, “preconceitos” seja por imposição ou exposição. Ora, o sofrimento é sim parte de nossa vida.

Vou tentar ser um pouco socrático aqui. Para mim este tema que é retirado da experiência de muitos, senão de todos, é um tema existencial por excelência. O sofrimento é sim uma das possibilidades sempre presentes e eminentes da nossa existência, seja por fatalidades, seja por acidentes ou mesmo de forma provocada ou intencional. A tragédia, o drama, a violência, a iniquidade, a calamidade e diversas outras situações deste grande elenco de coisas que nos geram sofrimento quando ocorrem com os outros nos tocam também por mostrarem que podem acontecer com nós. E quando ocorrem com nós nos lembram bem que somos iguais aos demais, que a dor também nos alcança e que também somos frágeis.

Então, sim ele faz parte de nossa existência e determina parte de nosso caráter e virtude na relação com o próximo. E é ele o sofrimento contínuo, lento ou repentino e sua sombra - a morte eminente - o que talvez nos faça ficar tão exultantes ou felizes ao lhe escapar ou ao sofrer um mal menor, ao superar uma dificuldade ou simplesmente estar vivo ainda "apesar de tudo" o que só tem significado para quem superou ou ultrapassou uma grande dificuldade.

Porém, um certo luto nos acompanha, pois ainda assim lembramos muito dos que não sobreviveram. Então o sofrimento é sim um referente permanente de nosso existir e a consciência e certa consideração dele é o melhor caminho para diminuí-lo em nossas vidas. Então, penso que ao dizer que o sofrimento é parte significativa de nossas vidas, devemos pensar o que fazer e como reagir a isso? Pois, ao refletimos sobre isto devemos então encontrar ai algo que torne nossa vida, em uma vida com maior valor e que valha a pena ser vivida. Deixo outras considerações a cada um que quiser fazer...

Penso também que o sofrimento é uma espécie de par antagônico da vida digna ou da boa vida. E que assim como o ser se confronta com o nada para definir-se, a vida se confronta com a morte para ter sua dignidade mínima, nós definimos nossa vida boa por negação ao sofrimento ou por alguma forma de afastamento do sofrimento e redução da dor e do mal que ele nos causa.


Nesse sentido, parece ser pela nossa reação ao sofrimento que desenvolvemos nossa razão.     

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