segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O POETA É UM PRAGUEJADOR

O POETA É UM PRAGUEJADOR

Ainda o Whitman: "sou um matinho ao pé do muro".

Canção de mim mesmo, início da seção III, Walt Whitman – tradução Denise Bottmann

“Ouvi a fala dos falantes, falando do começo e do fim,
Mas não falo do começo nem do fim.
Nunca houve mais princípio do que há agora,
Nem mais juventude ou velhice do que há agora,
E nunca haverá mais perfeição do que há agora,
Nem mais céu ou inferno do que há agora.”

Após certas lições de Bottmann sobre Whitman

Sim, decerto acabo por gostar de ser e até me consolar de sermos todos uns matinhos ao pé do muro como diz Whitman.

Mas, ao mesmo tempo, podemos ser maravilhosos e florir e iluminar o mundo ou, pelo menos, dar vida e decorar o cantinho.

Então, sonhei com o que é o ser do poeta.

O poeta deve ser uma espécie de praguejador suavizado ou bruto que anuncia ao mundo seu sentimento, lamento ou encantamento.

O poeta deve ser aquele que não cala e que aprende a dizer, e ensina a dizer, o que se sente.
O poeta deve encontrar a palavra ali onde há o espanto.

O poeta deve ser um praguejador modulado por todas as misérias e glórias deste mundo e, talvez, por isto mesmo o poeta deve estar e repousar além deste mundo.

Não admire o poeta por ser deus, pois mais divino ele é por ser homem, por ser mulher, por ser criança e, enfim, por ser nada ou quase nada em meio a criação.

Daquela moita de onde ele sai nada mais virá, mas já foi o bastante.

O poeta deve ser, quase ser e praguejar quando sentir isso.


Ou ser apenas mais um prateador neste grande vale de lágrimas que é o mundo...e ficar em silêncio...

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