sábado, 2 de janeiro de 2016

MINHA PRIMEIRA NOITE DE 2016

Ufa, passado parte do sufoco posso relatar agora. E vou fazer isso não para vitimizar a mim mesmo ou minha familiar que acompanhei e nem para explorar ou me ostentar e fazer politicagem com a questão da saúde. Portanto, quero deixar claro aqui que não estou discutindo governo municipal ou prefeitura de São Leopoldo, mas apenas narrando os fatos e fatores objetivamente.

Na verdade, meus amigos e amigas, colegas e parentes queridos, passei a noite de ano novo com minha mãe dentro do Hospital Centenário. Estava acompanhando minha mãe que teve algumas intercorrências de saúde nos últimos dois dias que são relacionadas a um processo natural em sua idade e que já vivemos desde o natal de 2009 e que em janeiro de 2015 se agravou razoavelmente. De lá para cá o quadro de saúde dela teve altos e baixos, mas vamos levando e encarando a situação com seus desafios e exigências.

Pois ela passou mal e resolvi, em virtude do que observava, que era melhor levar ela ao hospital do que tentar remediar certos sintomas ou ficar interpretando. Chegamos ao hospital, após tomada de decisão,  as 16 horas e ela foi ter alta hoje as 18 horas. Passou pela triagem às 17 horas e em virtude de fatores que não percebi e outros que observei e compreendi fomos entrar no Pronto Socorro somente as 20 horas, após iniciativa e certa pró atividade de uma técnica  de enfermagem que agilizou o processo. Quero registrar aqui que fomos muito bem atendidos em todos os sentidos pela equipe de servidores e que isso não depende mesmo de gestão política, depende apenas da atitude e da conduta correta dos servidores dentro de seus limites e capacidades.

Bem, é bom registrar que era dia 31 de dezembro, portanto último dia do ano, eu estive no pronto socorro e vivi e testemunhei, escutei e presenciei parte de todo o que ocorreu lá naquela noite.  Parte disto envolve os quatro baleados e o 110º óbito de São Leopoldo em 2015 e também todos que passaram pelo Pronto Socorro na noite passada e que viraram a data naquele local.

Obrigado ao carinho de todos e que 2016 tenhamos mais sabedoria. Ou como eu disse me contendo “Estou neste momento passando o ano novo no lugar mais inimaginável para meus amigos. Mas estou tranquilo, sereno e firme. As situações especiais nos tornam pessoas mais fortes e preparadas para acertar na vida. E eu quero muito acertar. E faço de cada situação um momento de aprendizagem. Feliz ano novo! Cuidem de suas saúdes e dos seus, se eduquem mais e vivam melhor!”



P.S.: Poupo todos aqui de muitos detalhes. Não satisfaço a curiosidade vã e fútil e nem ataco coisa alguma aqui. Preservo aqui situações e pessoas que observei e também não emito certos juízos aqui, porque a vida sob tensão é uma espécie de exercício extremo de quem nós somos ou podemos ser. Fiquei pensando muito no que dizer por prudência, cuidado e delicadeza aqui sobre meu ano novo. Penso que para alguns amigos e amigas que estão lendo isto e talvez pensando nas omissões e diversas edições, cortes e seleções para escrever o que aqui escrevo, devo apenas deixar uma pista que vem diretamente do centro da questão que me toca muito hoje em relação a tal sabedoria e a nossa capacidade de interpretar a vida e superar seus nós carregados de ausência de sentido. É um esforço razoável para mim não ir aqui as coisas mesmas, mas me postar entre elas, observando suas posições, os sentimentos que suscitam e também evitar - porque é muito importante fazer isto mesmo - as precipitações nos juízos e as tais inconfidências que só aborrecem e aumentam os abismos entre nós. Abismos aonde precisamos construir pontes de compreensão e de entendimento, laços de tranquilidade e proteção e canais de comunicação e contextualização das coisas. Vendo agora um vídeo entrevista do meu primeiro professor de filosofia - Hans Georg Flickinger que lecionou a  cadeira de Introdução a Filosofia no primeiro semestre de 1989 na UFRGS - quando ele fala de seu mestre Gadamer e da seguinte expressão "Hermeneutica é saber quanto não foi dito quando se diz algo." E lembrando também da tal folga do embolo que nos permite encontrar no pistão a nota exata - Miles Davis era preciso nisto - e na vida a metáfora do sentido alargado e do esforço de se ajustar o sentido entre todos nós de forma suave e precisa. Estou então deixando para a imaginação de vocês tudo que possa ter acontecido e para curiosidade de alguns me preparo a tratar em como escrever este dia de hospital. Agradeço, então, todas as considerações....             

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